Felicity's Secrets
15 Capítulo 14
Notas iniciais
POV FELICITY
Encarei Tommy incerta se deveria ter dito alguma coisa, eu realmente achava que ele estava fazendo o jogo de muitos outros que fingiam apenas não me conhecer, o que na verdade era algo pelo qual eu sou grata, mas agora ele me olhava tão confuso e arrependido, que eu mesma me arrependia de ter trazido isso de volta.
– Tommy? – Perguntei me aproximando percebendo seu silêncio.
– Você é a loira. – Falou por fim. – Eu não lembrava, eu realmente não lembrava, eu estava bêbado.
– Eu sei. – Assenti. Ele poderia não se lembrar, mas eu o fazia, eu não conseguia esquecer nenhum, por mais que eu quisesse.
– Oliver vai me matar. – Murmurou novamente.
– Não há motivo para isso para se preocupar com isso...
– O inferno que não há! – Ergueu a voz. – Eu sou seu melhor amigo e transei com sua garota.
– Isso foi antes de eu conhece-lo. – Dei de ombros. – Você sabe o que faç... O que eu fazia, sabe que por um tempo mesmo estando com ele estive com outros homens, se ele for atrás de cada homem com quem já dormi, ele vai precisar de tempo abundante para perseguir essa lista.
– Como pode estar tão calma? – Perguntou franzindo o cenho. – Felicity eu estava te julgando e gritando coisas para você quando eu mesmo já tinha...
– Dado uma volta no esgoto de onde vim? – Sugeri. – Tommy eu já escutei muitas ofensas algumas mais leves e outras bem piores das que você fez, se eu fosse desmoronar cada vez que ouvisse algo do tipo eu não sobreviveria muito tempo fazendo o que eu fiz. – Baixei meus olhos encarando seus sapatos lustrosos. – Quatro anos tem sido um inferno e tanto para mim, mas se eu parar pra pensar nas outras... Tem muitas que começaram muito mais novas e que estão há mais tempo, então eu penso que eu me virei bem, ou da melhor forma possível. – Pisquei notando que havia revelado alguns nuances da minha história para alguém que não deveria se importar, quando encarei seu rosto ele me devolvia o olhar com atenção e havia mais algo por trás.
– Pelo o que Ollie falou seu passado não é nada fácil ou bonito. – Murmurou se aproximando. – Eu... Eu não me lembro de como foi, do que aconteceu... Eu estava bêbado, então não havia muito de mim, mas eu preciso saber... Eu te machuquei? – Franzi o cenho estranhado sua pergunta, ninguém se importava com isso, ninguém quer saber a opinião de uma prostituta, principalmente tanto tempo depois, eu estava surpresa. Vi-me automaticamente meneando a cabeça em negativa.
– Eu não vou dizer que foi algo de que me lembre com carinho, por que assim é com todos os outros, mas não, você não fez nada violento. – Ele suspirou com alivio. – Você foi um idiota, mas é algo a ser esperado de bêbados.
– Olhe eu sei que tenho agido como um idiota. – Falou. – Eu estava disposto a apoiar Oliver e sinceramente eu não tinha nada de fato contra você, mas então aconteceu aquilo com Sara e eu joguei toda minhas intenções fora, e agora isso... Mas eu estava falando sério mais cedo Felicity, por Oliver e por Sara... Eu acho que podemos encontrar um jeito de nos entendermos, eu realmente quero isso. – Estendeu sua mão esperando algum tipo de acordo, demorei alguns segundos antes de finalmente erguer a minha e envolver a sua aceitando.
– Eu também quero. – Murmurei, ele era o melhor amigo de Oliver e Oliver não deixava muitas pessoas entrar, então eu não seria o motivo por eles se afastarem. – Mas Tommy, você precisa contar a Sara, eu não acho que ela vá se importar realmente pelo o que aconteceu entre nós dois no passado, ela vai se importar por você não ter contado. – Ele assentiu embora parecesse em dúvida. – Eu estou falando sério, conte a ela, ela merece saber.
– Mas eu não? – Soltei minha mão da de Tommy no momento em que escutei a voz de Oliver vindo da porta, seu rosto estava sombrio, sua expressão era severa, não precisava de muita inteligência para deduzir que ele estava furioso.
– Ollie... – Tommy começou, mas foi tudo que ele pode dizer, antes que falasse qualquer palavra a mais Oliver já havia lançado seu punho em seu rosto com tanto impacto que Tommy havia caído no chão. Observei incrédula Oliver sequer deixar que Tommy se erguesse e seguir socando-o.
– Oliver pare! – Gritei puxando-o pelos ombros, mas eu não tinha força o suficiente para detê-lo. – Oliver, por favor! – Isso pareceu enfurecê-lo ainda mais por que ele aumentou a intensidade dos socos, Tommy se protegia o máximo que podia enquanto protestava, por mais que eu tentasse afasta-lo eu não conseguia move-lo um centímetro, estava pensando em pedir alguma ajuda quando ele pegou Tommy pela gola o puxando para se erguer e o empurrou até a parede com enorme impacto.
– Ollie eu posso explicar. – Tommy murmurou com a voz fraca.
– Você pode explicar? – Perguntou em tom duro. – Você pode explicar? – Empurrou o corpo de Tommy com mais força. – Você seu filho da puta hipócrita estava me perguntando se eu queria me envolver com uma garota desse tipo, você fez questão de me alertar que ela vendia seu corpo, você teve a porra da coragem de me perguntar como eu reagiria em um evento e me perguntasse à possibilidade de que a pessoa com que estou conversando já transou com ela, você teve a coragem de me perguntar! – Encolhi-me enquanto o escutava gritar com Tommy. – Você queria saber qual é minha reação Tommy? Era algum tipo de piada? Agora eu estou conversando com alguém que transou com ela, não existe uma maldita possibilidade! Eu sei que você transou com ela e essa é a porra da minha reação Tommy!
– Oliver chega! –Gritei chamando sua atenção, ele soltou Tommy e se aproximou com passos rápidos, eu deveria me encolher sobre seu olhar furioso e me afastar, ele tremia tamanha sua fúria eu deveria temê-lo, mas eu não o fazia. – Por favor, pare.
– Você não tem o direito de me pedir para parar! – Ergui meu queixo sabendo que ele não precisava de alguém que fosse chorar ou se afastar. – Não passou por sua mente em nenhum momento enquanto brincávamos de casinha feliz mencionar que já tinha ficado de joelhos para meu melhor amigo? – Perguntou em tom duro.
– Ollie você vai se arrepender do que está falando. – Tommy murmurou atrás de Oliver.
– Vá embora Tommy. – Pedi sem desviar o olhar de Oliver que tinha a mandíbula rígida.
– É melhor você ir comigo. – A sugestão de Tommy fez com que uma veia saltasse na têmpora de Oliver, por um momento pensei que ele voltaria a machucar Tommy, mas tudo o que fez foi fechar as mãos em punhos.
– É Oliver. – Falei encarando Tommy por sobre o ombro de Oliver, seu olhos estavam inquietos, seu rosto havia sofrido com a raiva de Oliver, seu lábio estava cortado e seu olho esquerdo estava profundamente machucado. – Ele nunca iria me machucar. – Tommy assentiu hesitante e passou por nós dois com certo receio e fechar a porta atrás de si com um clique suave.
– O que você vai fazer agora? – Oliver perguntou com tom ácido. – Talvez pense em uma foda rápida no banheiro vá me acalmar, é isso Felicity? Vai tentar me distrair com sexo? – Tentei a todo custo não pensar nas palavras duras que me dirigia. – Devo descer minhas calças agora?
– Você não está zangado comigo. – Meneei a cabeça. – Sequer com Tommy.
– Não? – Perguntou com humor ácido. – Não me diga como estou me sentindo Felicity, não deduza coisas, você não sabe o que inferno estou pensando.
– Você pode estar chateado conosco, mas você sabe que na verdade não pode estar. – Segui falando negando-me a me deixar intimidar. – Você está com raiva de si mesmo...
– De mim? – Riu, uma risada sarcástica. – Eu tive que ficar lá parado no salão enquanto procurava por você ouvindo Ivo citar com condescendência nomes dos homens presentes naquele salão que já estiveram com você, não deixando de excluir ele e Tommy, meu melhor amigo, foi humilhante Felicity, escutar da boca de outra pessoa algo que eu poderia ter escutado de você! – Tentei prestar atenção em suas palavras, mas tudo o que eu conseguia era assimilar o fato que havia sido Ivo que havia dito a Oliver, Ivo o tinha abordado e tinha se incluído.
– Eu nunca, nunca deixei Ivo me tocar! – Falei antes que pudesse me conter, ele franziu o cenho, provavelmente estranhando minha veemência. – E sim, você está com raiva de si mesmo, por que o que está acontecendo agora, o que aconteceu no salão, essa humilhação que você sentiu foi algo de que te alertei, hoje mesmo eu falei sobre isso, você está furioso Oliver, mas não é com Tommy, não é comigo, é com você mesmo, por que por mais que você tenha tentando não se importar, você se importa! – Seus olhos não mais me encaravam, haviam descido até o chão, ele não conseguia argumentar contra isso, ele estava assimilando minhas palavras e estava envergonhado. Ergui minhas mãos alcançando seu rosto e forçando-o a me encarar. – Eu não te culpo Oliver, eu já sabia que você não estava pronto, eu fico feliz por ter tentado, esse lance que estamos tentando não é fácil, não é para ser, se você tivesse aceitado tudo tranquilamente não seria natural, seria forçado. – Ele analisou meu rosto com atenção, suas mãos cobriram as minhas e as recolheram, por um momento ele apenas encarou nossas mãos unidas, eu podia perceber que ele lentamente se tranquilizava, entretanto levou alguns segundos até que ele voltasse a me encarar, seu rosto domado por arrependimento.
– Desculpe. – Murmurou em tom rouco e suave. – Eu me excedi, eu sinto muito, eu nunca deveria ter falado daquele jeito com você. – Assenti concordando.
– Eu não ligo para as coisas que você disse agora Oliver. – Murmurei. – Eu sabia que em algum momento aconteceria, mas Oliver... Isso não pode voltar a acontecer, eu não me importo agora por que em algum momento você lidaria dessa forma, mas de jeito algum pode se repetir, por que eu não quero um relacionamento em que você não está comigo de verdade, que sempre que você se ver diante de alguma situação constrangedora você me ataque por coisas que eu já fiz, você não pode me chamar de vadia, não pode me tratar com uma prostituta mais, por que eu não sua prostituta eu sou sua namorada, você que disse, não pode retirar isso. – Ele assentiu envolvendo-me pela cintura e me aproximando de si e me abraçando, senti seus lábios na lateral da minha cabeça em um beijo terno.
– Eu sinto muito. – Pediu mais uma vez.
– Desculpe não ter sido eu a ter contado sobre Tommy. – Murmurei entendendo seu lado. – Mas eu não posso está lhe dando meu histórico Oliver, por que eu não consigo, eu não quero. – Confessei, apoiei meu queixo em seu ombro e absorvi o calor do seu abraço. – Vamos embora. – Pedi. – Vamos para casa. Eu quero ir para casa Oliver. – Sussurrei deixando um pouco de vulnerabilidade escapar no meu tom. Senti-o concordar, quando saímos do banheiro notei que Diggle estava lá, sendo ele provavelmente a razão de ninguém ter nos incomodado todo esse tempo, a mão de Oliver envolveu a minha com força quando entramos nos assentos traseiros do carro, ele estava calado o que era de se esperar, amanhã eu tentaria conversar com ele com mais calma, precisava convencê-lo a falar com Tommy, não podia deixar que as coisas entre eles continuassem tensas. E eu precisava falar sobre Ivo, não poderia continuar deixando Oliver às cegas, não quando Ivo tinha a ousadia de conversar com ele, de insinuar que eu já havia estado com ele. Já estava na hora de Oliver saber quem realmente era Ivo.
POV OLIVER
Entramos em casa envolvidos em um silêncio perturbador. Eu sabia que a maior parcela de culpa era minha, eu havia dito coisas das quais eu me arrependia, e por mais que ela tenha me desculpado o peso da noite que tínhamos tido ainda estavam em seus ombros. Eu tentava a todo custo não repassar a noite em minha mente uma e outra vez, mas durante todo o trajeto enquanto eu segurava sua mão eu pensava na forma que me senti a ter tudo aquilo jogado em minha cara por Ivo e quando eu fechei a porta atrás de mim, enquanto encarava minha própria mão envolvendo o trinco, meus pensamentos voltaram mais uma vez para a forma que Ivo falava sobre Felicity, sua voz era polida, mas soava como se ele estivesse ansioso por dizer as palavras, ele estava me provocando deliberadamente com certo orgulho, agora que eu estava mais calmo eu podia ver que ele esperava por minha reação, sabia que eu sairia do salão sem nenhuma palavra a mais. No momento eu estava consumido pela fúria e não prestei atenção, não analisei qual seria suas intenções por trás, por que ele tinha tanto interesse em diminuir Felicity? Por que ele queria insinuar que ele também havia tido algum envolvimento com ela?
Havia também a reação de Felicity quando eu falei o que ele tinha dito, tinha sua veemência em negar qualquer coisa entre os dois, ela não negou nada sobre Tommy não titubeou por eu ter mencionado outros homens, mas quando falei em Ivo suas palavras eram carregadas de nojo, ela o odiava e eu nunca tinha a visto reagir assim a alguém com apenas uma exceção... Virei-me e congelei enquanto ela me encarava com o cenho franzido, engoli em seco à medida que tudo vinha a minha mente com um estalo.
– Oliver. – Ela murmurou encarando-me ansiosa, alheia ao tumulto em minha cabeça. – Nós precisamos conversar.
– É Ivo. – Falei em tom rouco. Eu já havia chegado a essa conclusão, mesmo meus pensamentos em uma bagunça seu nome saltava em minha mente, após a forma que ele agiu hoje não havia como eu não chegar a essa conclusão, mas eu precisava ouvir a partir dela, eu precisava que ela confirmasse. – É Ivo não é mesmo? – Ela não tentou negar ou contornar, nem mesmo fingir que não sabia ao que eu estava referindo ela tentou, tudo o que ela fez foi assentir em um aceno fraco. Tentei controlar a fúria que mais uma vez me dominava, dessa vez por um motivo completamente diferente, andei de um lado para o outro enquanto ela me observava.
– Oliver... – Ouvi seu chamado, mas já não era tão fácil assim e me controlar, eu havia perdido completamente o controle. – Oliver tente se acalmar, eu sei que não é fácil, mas precisamos conversar...
– Eu quero mata-lo! – Gritei, não era exatamente com ela, embora eu esteja furioso por ela não me ter dito nada. – Eu quero mata-lo Felicity.
– É por isso que você precisa se acalmar. – Pediu mais uma vez.
– Eu não quero me acalmar, o inferno que eu vou me acalmar. – Falei exasperado. – Ele apertou minha mão, ele sorriu e apertou minha mão! Eu permiti que ele tivesse uma maldita dança com você! O desgraçado tocou-a bem em minha frente! – Ela cruzou os braços em gesto defensivo. – Droga Felicity! Eu estava ali rindo de suas piadas enquanto você observava tudo calada. Você deveria ter me dito algo.
– Eu ia te contar agora, não em um salão cheio de gente onde eu tenho certeza você sairia distribuindo socos em Ivo. – Retrucou. – Olhe para você Oliver, não há uma parte do seu corpo que não esteja ansiando por ir atrás dele agora, o que você faria lá? O que você esperava? Que eu disse “Eu sinto muito Oliver eu não posso dançar com ele, pois ele é o responsável de ter feito da minha vida o inferno que se encontra hoje?” – Dei as costas a ela enquanto seguia falando. – Ou eu deveria ter avisado a Sr. Lance que provavelmente a pessoa que tinha atirado em sua filha era a mesma que estava perguntado pelo seu estado de saúde?
– Você deveria ter me dito algo! – Gritei não me controlando e esmurrando os porta-retratos, lançando tudo ao chão. — Quer saber essa discussão é ridícula, eu vou encontra-lo. – Falei determinado a fazer exatamente isso.
– Não, você não vai! – Murmurou segurando meu braço no exato momento em que alcancei a porta. – O que você poderá fazer Oliver? Do jeito que está cometerá alguma estupidez e acabará na cadeia.
– Você não endente. – Meneei a cabeça voltando-me para encara-la e encostando-me a porta. – Eu não posso apenas esquecer e deixar para lá, eu disse que você estaria segura comigo e hoje mesmo eu falhei, ele estava lá com você, sem dúvida nenhuma a ameaçando enquanto eu bebia com o prefeito. Você estava vulnerável e eu sequer sabia.
– Eu não sou o tipo de garota que possa chamar vulnerável Oliver. – Murmurou segurando meus braços.
– Por culpa dele. – Murmurei sem fôlego. – Você está quebrada, por culpa dele.
– Ei. – Sussurrou encontrando meus olhos, tornando difícil eu desviar os meus, por mais que fosse o que eu quisesse eu não conseguia não encara-la. – Ele pode ter me quebrado Oliver, mas você é o único que esta me juntando novamente. – Engoli em seco enquanto a escutava. – Eu sou uma droga com essas coisas de falar com o coração ou algo do tipo, mas você sabe que minha vida era uma droga antes de conhecê-lo, uma merda mesmo, Ivo não tem mais o poder de me destruir, não da forma como ele quer. Sim, ele me ameaça, mas não a mim, ele sabe que não temo por mim, então ele usa aqueles de que sou próxima e é por isso que não falei com você sobre ele antes. – Ela inclinou a cabeça me avaliando. – Eu sei que em sua mente você está a mil, tentando bolar algo para parar ele, algumas são medidas radicais, a mais simples é falar com as autoridades, talvez Det. Lance. Mas eu não posso falar com ele.
– Por que não? – Perguntei realmente procurando diversas formas de combatê-lo. – Deus Felicity ele tentou mata-la, ele atirou em Sara, ele ameaça seu irmão e amigos.
– Oliver você acha realmente que Ivo já não imaginaria que no final da noite essa era a conversa que teríamos? – Perguntou franzindo o cenho. – A única vez que Ivo agiu por impulso foi quando atirou em mim, e isso ainda é uma enorme confusão para mim. A partir do momento em que ele decidiu conversar com você ele já sabia que você chegaria a essa conclusão. Ele não age com imprudência, ele é um jogador, ele pensa em cada ato e o prever, ele sabe que ninguém acreditaria em mim. Ele sabe que não posso falar com Lance sobre Sara por que nunca cheguei a ver o rosto de quem atirou, ele sabe que não posso falar nada do que faz por que ninguém escutaria a mim, uma prostituta acusando um homem respeitado por todos, eu sou grata por você acreditar em mim, eu sou, mas não basta. – Cruzei os braços enquanto absorvia a verdade por trás de suas palavras, era duro admitir isso, mas sem provas poucos a levariam a sério. – Vá tomar um banho, a noite foi longa, você precisa se deitar e se acalmar.
– Eu não consigo simplesmente deixar isso de lado. – Falei. – Eu não consigo esquecer, fechar meus olhos e dormir.
– Você consegue. – Sorriu. – Você vai ver que sim, por que eu estarei deitada ao seu lado e se você não conseguir deixar de lado por algumas horas, se não conseguir fechar os olhos e dormir eu ainda estarei do lado, nem que seja para estar acordada com você. – Assenti concordando a contra gosto. – Vá na frente, eu preciso ligar para Roy, você sabe, coisas de irmã.
– Depois conversaremos sobre ele. – Murmurei antes de me afastar tocando seu ombro levemente antes de ir, eu não estava certo se conseguiria relaxar hoje, mas precisava tentar, pois já havia percebido que ela não relaxaria enquanto eu também não o fizesse.
– Precisamos ver essa mão também. – Escutei falar atrás de mim, apenas acenei com a mão machucada ignorando a dor e alcancei o corredor.
POV FELICITY
O observei adentrar o corredor e me joguei no sofá com pesar, tudo estava uma bagunça, não havia uma parte da noite que havia sido tranquila. Eu estava sendo muito exigente com Oliver, ele não merecia alguém com um passado como meu e sem perspectiva nenhuma de futuro, eu estava sendo egoísta, o melhor que eu poderia fazer... O certo a fazer seria me afastar dele, ir embora e carregar todos os meus problemas comigo, Oliver tinha uma vida antes de me conhecer, uma vida pacífica, seus amigos não levavam tiros em becos escuros e ele não saia esmurrando seu melhor amigo. Não era justo que eu tirasse cada peça do lugar, que chegasse e transformasse tudo o que ele conhecia em caos, ele merecia ser feliz e por mais que eu quisesse eu não era sua chance de ser feliz. Com esses pensamentos em mente encarei a porta com atenção, Diggle havia ido para casa, Oliver o havia dispensando no momento em que entramos no prédio, e Oliver estava no banheiro tomando seu banho, a única coisa que me impedia de ir embora era uma porta, tudo o que eu precisava era girar o trinco e poderia sumir da vida de Oliver, poderia levar comigo cada transtorno que significava me ter por perto, tudo o que eu precisava era girar o trinco daquela porta. Eu poderia?
POV TOMMY
Entrei no quarto escuro com cuidado, Sara estava dormindo e tecnicamente eu não poderia estar aqui agora, mas depois da noite de hoje eu precisava vê-la, mesmo que fosse apenas observa-la eu faria isso. Fiquei surpreso quando ela se mexeu mostrando que não estava dormindo como eu pensava.
– Tommy? – Perguntou confusa e preocupada. – O que aconteceu? Por que você está aqui agora. – Aproximei-me sentando na beirada da sua cama, seus olhos se abriram ainda mais ao notar meu rosto. – Oh meu Deus o que fizeram com você?
– Isso é apenas uma cortesia de Ollie. – Murmurei contendo minha respiração esperando pelo momento em que ela perguntaria a razão.
– O quê? Vocês brigaram? – Perguntou incrédula. – Tommy isso foi por causa das coisas que falou de Felicity?
– Eu fiz besteira Sara. – Confessei. – Há muito tempo, mas Ollie não gostou nada de saber.
– Como assim? – Indagou confusa.
– Eu descobri que eu dormi com Felicity Smoak. – Confessei em apenas um fôlego. – Faz muito tempo, eu não me lembrava de nada e nunca imaginei que teria chances reais com você.
– Oliver acabou com seu rosto por que você dormiu com Felicity. – Repetiu incrédula. – Por algo que aconteceu há... Eu não sei... Um ou dois anos?
– Você não está chateada?
– Tommy você acha que chegar aqui e me dizer que esteve com prostitutas é alguma surpresa? – Sorriu. – Você sempre esteve com uma loira pendurada no braço, eu estou chateada por você fazer parte da história de Felicity, não é uma história bonita, mas não é uma surpresa. Se fosse agora, então sim, você estaria em uma senhora encrenca Tommy Merlyn. – Não pude evitar sorrir de volta e fazer uma careta uma vez que meu lábio inferior estava cortado. – Ele realmente pegou pesado heim?
– Você precisa ver como ele ficou. – Brinquei ajeitando-me para deitar ao seu lado com cuidado, ignorando todos os fios complexos que ela estava nela.
– Você revidou? – Ergueu uma sobrancelha descrente.
– Bem, eu tenho certeza que o aspecto da mão dele também não deve ser bom. – Segurei um sorriso. – Esse rosto aqui deve ter conseguido fazer algum estrago. – Ela riu perante minha brincadeira. – Shiuu. – Pedi silêncio. – Eu não deveria estar aqui, tive que subornar uma enfermeira.
– Você não tem jeito Tommy Merlyn. – Meneou a cabeça antes de se aproximar encostando sua cabeça em meu peito. – Ele vai entender, sua cabeça vai esfriar e vai pedir desculpas.
– Ollie não é de pedir desculpas. – Retruquei.
– Felicity fará com que ele peça. – Respondeu. – Ela o está mudando Tommy, é uma boa coisa. Eu acho que os dois estão mudando um ao outro.
– Você gosta dela. – Falei admirado.
– Ela é uma boa pessoa. – Sua respiração estava se abrandando, em breve ela dormiria. – Ela merece ser feliz.
– Você acha que Oliver é sua felicidade? – Perguntei curioso.
– Eu acho que apenas juntos eles vão descobrir isso. – Murmurou.
– Você é uma mulher sábia Sara Lance. – Murmurei beijando seus cabelos.
– Você tem seus momentos também. – Provocou. – Mas agora você precisa calar a boca.
– Por quê?
– Por que eu preciso dormir, e agora que você está aqui eu posso dormir. – Sorri com seu comentário e acariciei seu braço.
– Então durma. – Falei enquanto seguia com o carinho. – Eu estarei aqui quando você acordar.
POV FELICITY
Girei o trinco da porta libertando-me do sentimento que me sufocava, olhei para frente e observei Oliver que estava sentado na cama, estava de costas para a porta, vestia apenas a calça de seu pijama as mãos apoiadas no colchão envolvendo o lençol com força. Eu tinha tirado toda a maquiagem e desfeito meu penteado no outro bainheiro, havia tomado uma ducha rápida sem molhar meus cabelos e entrei no quarto vestida com apenas uma toalha. Eu tinha certeza que ele sabia que eu havia entrado, mas estava envolvido demais em seus próprios pensamentos para dizer algo, fui até seu armário e peguei uma de suas camisas e a vesti, parando apenas em uma gaveta onde eu havia deixado minhas peças intimas e escolhendo aleatoriamente uma calcinha, quando voltei-me novamente ele se encontrava na mesma posição, com um suspiro subi na cama e puxei suas costas o forçando a se deitar.
– Vamos dormir Oliver. – Murmurei deitando-me também, seu corpo girou até que ficou em frente mim. Seus olhos avaliaram meu rosto com cuidado.
– Eu sinto muito. – Murmurou por fim.
– Por que você está se desculpando? – Perguntei em tom suave.
– Eu venho dizendo que sou totalmente capaz de proteger você. – Respondeu. – Mas eu estive frente a frente ao homem que fez com que você passasse por coisas horríveis e não pude fazer nada.
– Você não sabia. Eu não lhe dei a informação necessária para saber. – Deslizei minha mão em seu peito desnudo tentando acalma-lo, mas ele meneou a cabeça em negativa.
– Mas agora eu sei. – Retrucou. – Eu sei e fico pensando em uma forma de detê-lo, mas não chego a uma conclusão, você disse que fica feliz por eu acreditar em você, mas que isso não basta, eu sei que você está certa, mas mesmo assim eu me pergunto quando eu serei o suficiente para você. – Murmurou em tom cortante. A forma como disse, a voz impregnada de decepção fez com eu me aproximasse mais dele, entrelacei minhas pernas na sua e segurei sua mão entrelaçando nossos dedos, seus olhos me encaravam fixamente, tão longamente que por um momento me perdi na profundidade deles. Eu precisava deixar algo claro para ele. Agora.
– O que você não entende é o quanto você é importante para mim. – Murmurei em um fio de voz. — Tão importante Oliver que eu vou esconder coisas de você. Eu vou mentir e trapacear, vou dar a Ivo exatamente o que ele quer, qualquer coisa, não importando o quão suja seja, não importando como eu vou me sentir, eu farei qualquer coisa para te proteger, Oliver. Você não é apenas o suficiente para mim, você é mais do que eu mereço. – O observei soltar sua respiração lentamente.
– Eu juro que encontrarei um jeito. – Murmurou por fim. – Eu prometo a você que acharei uma maneira de não deixar que ele se aproximar novamente, que ele não seja capaz de machucar ninguém com que você se importe e eu preciso que você esqueça o que acabou de dizer. Você não vai me proteger de qualquer forma, de jeito nenhum, eu não permitirei isso, eu não sou Roy, eu não quero você me protegendo, eu te protejo e não o contrário. O que a faz pensar que é a única que se importa? – Foi a minha vez de segurar a respiração. – Você não é. Não repita coisas do tipo que vai fazer o que ele quer, por que não permito isso, eu juro que não deixarei isso acontecer. Eu juro que encontrarei algum jeito. Entendeu? – Tudo o que pude foi assentir concordando.
– Eu ia embora. – Murmurei de repente o surpreendendo. – Eu ia abrir aquela porta e ia embora, mas eu não consegui, por que sou egoísta, eu não estou preparada para te deixar Oliver, eu não sei se um dia estarei, eu preciso que você entenda isso, me permitir estar aqui com você é egoísmo, mas eu não consigo evitar, e eu acho que nós dois sabemos o por quê. – Tudo o que ele fez foi me fitar, eu sabia que eu havia contornado uma forma de dizer realmente o que sentia através do que deveria ser outras palavras, três delas, eu estava sendo covarde, hoje eu estava me permitindo ser covarde.
– Você acha que agora nós conseguimos dormir? – Perguntou após alguns momentos.
– Bem, se não conseguirmos ficaremos acordados juntos. – Respondi com um pequeno sorriso.
Sua mão serpenteou minha cintura e seu rosto se aninhou em meu pescoço, demorou um pouco, não tanto quanto imaginamos que demoraria, mas conseguimos dormir, eu sabia que nossa conversa tinha ficado incompleta por que nenhum de nós dois fomos capaz de assumir realmente o que estava acontecendo, eu era completamente ciente dos meus sentimentos por Oliver, eu sabia que havia sido uma burrice total, mas eu havia me apaixonado por ele, e que essa era a razão pela qual fui incapaz de ir embora, foi à razão pela qual eu fiquei. Quando acordamos foi pelo som insistente da campainha, Oliver levantou mal humorado e eu o segui alguns passos atrás, quando ele abriu a porta me surpreendi ao encarar a figura feminina encostada contra o batente da porta em uma postura displicente, um sorriso zombeteiro em seus lábios.
– Olá Ollie, saudades da irmãzinha? – Perguntou antes de lançar um olhar por sobre o ombro de Oliver e me encarar com pouco interesse. – E essa seria quem? A vaca da noite interior ou essa conseguiu durar uma semana?
– Você deve ser Thea. – Comentei sem me abalar.
– Preciso chama-la por um nome específico ou apenas como a comida da vez? – Oh sim, Sara tinha me avisado para não me envolver com as brigas dos irmãos, mas ela tinha se esquecido de dizer algo mais, muito pequeno, mínima na verdade, ela se esqueceu de me alertar que Thea Queen era uma vadia.
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