Notas iniciais
Atrasei um pouco esse capítulo, eu sei. Posso apenas me desculpar com vocês por isso, eu sinto muito, mas agora não vou me demorar nas notas e deixar vocês lerem.

Encarei a mulher com curiosidade, enquanto ela me devolvia o olhar com algo menos que respeito e mais para antipatia somada com um pouco de curiosidade também vindo de sua parte, sua atitude era despreocupada, como se nada a abalasse ou importasse como se ninguém fosse nada além de inferior, a única coisa que trazia consigo era uma pequena bolsa, nada mais. Oliver estava parado ao seu lado, eu podia notar o quanto estava tenso com a sua chegada, uma coisa era saber que sua irmã que gritava aos quatro ventos que o odiava estava chegando e que em algum momento teria que ir ao seu encontro, outra totalmente diferente era encontra-la em sua porta, encostada contra o batente e suas primeiras palavras serem de deboche, em sua maioria vindo no momento direcionadas a mim. Mas se havia algo que eu havia aprendido nesses últimos anos era lidar com as pessoas, eu sabia ser doce quando precisava, sabia flertar quando era obrigada a isso, sabia sorrir quando por dentro eu estava desmoronando, e sabia agir como uma vadia amarga quando faziam o mesmo comigo.

– Felicity. – Murmurei erguendo uma sobrancelha. – Isso é tudo do que você pode me chamar. – Falei percebendo sua expressão surpresa. – Qualquer coisa além e ofensiva será devidamente devolvida. – Acrescentei. Ela estreitou os olhos me analisando, ela não esperava que eu retrucasse. – O quê? Não sou muda e não confie nas famosas piadas sobre mulheres loiras, eu não sou estúpida.

– Você é bem ousada Felicity. – Falou ainda me analisando. – Não costuma ser seu tipo Ollie. – Falou o encarando com desdém.

– Você vai entrar ou ficar encostada ai? – Oliver perguntou em tom duro.

– Ouch. – Debochou. — Alguém não está recebendo sua dose de sexo diária. – Encarou-me. – Precisa mantê-lo distraído, ou ele começa a mostrar o bruto que realmente é. – Falou em tom aborrecido entrando. – Eu já não o suporto normalmente, com excesso de mal humor então... – Parou a frase quando Oliver fechou a porta com um baque forte. – Como eu disse, um bruto.

–Por que você não se senta Thea? – Sugeri cruzando meus braços, não estava sendo educada e preocupada com seu bem estar, eu me preocupava com Oliver, eu sabia que nesse ritmo os gritos iam vir mais cedo do que esperava, temia uma discussão agora, não era o momento para a chegada de Thea, Oliver tinha ido dormir após um dia cheio de tensão e tinha acordado ainda com isso formando um peso em sua cabeça, então eu tentava de alguma forma voltar sua atenção para mim. Ela me observou com interesse e se jogou no sofá colocando os pés contra a mesa de centro.

– Olhe garota eu gostei de sua atitude. – Confessou. – Você não se encolheu, não está cheia de sorrisos imaginando conquistar sua suposta cunhada, caso Oliver tenha gostado na noite anterior e queira mais uma vez repetir todo o sexo alucinante que você imagina ter sido impressionante, mas ainda não gosto de você. – Encarei Oliver que fechava as mãos em punhos controlando sua irritação. — Se ollie vê algo de bom em você significa que existe muita coisa ruim por trás, então não tente ser simpática, eu já não gosto de você, nada vai mudar. Eu estou aqui unicamente por que ele insistiu que eu precisava vir, mas eu não estaria aqui se fosse apenas por mim...

– Thea... – Oliver murmurou entre dentes.

– Eu não estou sendo simpática Thea. – Murmurei ignorando por um momento Oliver e me concentrando tão somente nela. – Eu não tenho razão para ser, eu estou sendo educada, você devia tentar isso de vez em quando, não é muito difícil. – Ela apenas me observou visualmente atônita. — Eu acho que é melhor eu deixar vocês a sós. – Comentei percebendo que Oliver estava prestes a explodir e tendo certeza que não era algo que ele queria que eu presenciasse. Caminhei até ele alcançando suas mãos e as abrindo as segurando por um momento, ele me encarou fixamente enquanto eu o encarava com seriedade. – Mantenha a calma. – Falei antes de me afastar, ele ainda vestia apenas sua calça enquanto eu estava com sua camisa, não era a melhor maneira de me apresentar diante sua irmã, mas eu sinceramente não me importava muito com sua opinião no momento, ainda assim era melhor eu ir ao quarto, tomar um banho e vestir minhas próprias roupas.

– Eu não sei por que você ainda está aqui. – Thea falou me lançando um olhar mais cheio de raiva e menos provocador. Ela não havia gostado da forma como falei, podia ter gostado da minha atitude antes, mas agora ela estava irritada, soltei um riso irônico e dei as costas sabendo que eu realmente deveria deixar os dois em meio a sua própria discussão.

– Felicity... – Escutei o chamado de Oliver.

– Eu estarei no quarto. – Falei o encarando rapidamente, ele assentiu e observei um olhar de desculpas vindo dele, meneei a cabeça indicando que ele não se preocupasse com isso, a relação de Oliver com sua irmã era frágil, ter uma estranha para ela presenciando uma de suas conversas ásperas era algo que nenhum dos dois queria.

POV OLIVER

Observei Felicity se afastar em sua postura altiva, para Thea ela poderia estar sendo mesquinha e talvez arrogante, mas eu a conhecia agora, essa postura demostrava apenas que ela estava na defensiva, eu já recebi essa sua atitude, ela estava atuando, que ela tivesse atuar assim com minha própria irmã me irritou.

– Você não devia ter falado com ela dessa maneira. – Murmurei em tom brusco.

– Por que não? -Perguntou. Sua voz demostrava tédio e pouco interesse em minha resposta. – Ela não estará aqui amanhã para você consolar. – Deu de ombros. – Até onde me lembro... Você sequer é o tipo de cara que se preocupa com uma garota. – Franziu o cenho em confusão. – Você também não é o cara do dia seguinte, o que ela ainda está fazendo aqui?

– Ela mora aqui. – Respondi sucinto. Percebi que isso teve o poder de surpreendê-la mais até do que quando Felicity não recuou após suas palavras ríspidas.

– Ela mora aqui. – Repetiu como se tivesse absorvendo a informação. Suspirei sabendo onde isso iria nos levar. – Desde quando você é o tipo de cara que mora junto? – Perguntou atônita. – Desde quando você se importa se algo que qualquer um diga irá ofender uma de suas parcerias de foda?

– Eu vou me arrumar. – Avisei negando-me a ceder à raiva que sempre estava presente em nossas conversas, ainda mais agora que ela focava em Felicity. — Logo podemos ir a QC e você poderá assinar esses malditos papéis. – Murmurei sem paciência, não falaria com ela sobre meu relacionamento com Felicity, não quando ela realmente não se importava.

– Ansioso para me ver partir Oliver? – Perguntou com escárnio. – Sinto desaponta-lo, mas eu terei que ficar mais alguns dias. – Voltei ao sentir o impacto de suas palavras.

– Como? – Perguntei ainda incrédulo. Não era possível que eu houvesse escutado direito.

– Você me ouviu. – Deu de ombros. – Eu ficarei mais alguns dias. – Um sorriso deslizou em seus lábios. – Terá que me aturar por mais algum tempos Ollie.

– Por que? – Perguntei inquieto. – Depois das assinaturas não há nada que te prenda aqui, você poderá ir e eu continuarei dirigindo a empresa, como sempre fiz.

– Por que eu quero. – Sorriu. – Conforme-se, querendo ou não terá que lidar comigo por mais alguns dias. Talvez uma semana, ainda estou decidindo. – Mesmo atônito e não gostando da situação assenti, mas minha raiva retornou no momento em que ela acrescentou as palavras seguintes. – Mandarei pegar minhas coisas no hotel, imagino que aqui tenha pelo menos um quarto de hospedes.

– É um capricho não é? – Perguntei afastando seus pés e sentando no lugar ficando em sua frente. – Você me odeia Thea, você diz isso sempre que tem a oportunidade, outra coisa que você gosta de acrescentar é que eu deveria estar morto e não nossos pais, você me odeia, eu tive que gritar com você, ligar várias vezes e exigir que viesse o quanto antes assinar esses papéis. – Falei contrariado. – E mesmo assim você protelou isso o máximo que pôde, você não suporta sequer estar na mesma cidade que eu, você me odeia, eu sei disso, eu já estou acostumado a ser aquele que você odeia, mas agora você quer ficar não só na cidade, mas em minha casa. Por quê? Apenas pelo prazer de me irritar?

– Sim. – Confirmou. – Confesso que a ideia de deixar você irritado está pesando muito em minha decisão, diga-me a quantidade de dias é proporcional ao tamanho de sua ira? – Sorriu.

– Thea... – Chamei seu nome sem paciência.

– Em um outro dia você estaria ansioso para que eu ficasse aqui. – Falou com certa admiração na voz. – Nunca perdeu uma oportunidade de pedir desculpas pelo acidente e tentar se reaproximar, como se isso fosse possível, mas agora só a ideia de eu ficar o está deixando louco. Eu me pergunto se isso tem haver com a Barbie que está em seu quarto.

– Você quer ficar? – Ergui-me irritado. – Ótimo. Fique. Mas não pense que irei aturar que fale com Felicity e a ofenda, se ficar aqui você não terá o direito de importuna-la, se eu presenciar ou souber que em algum momento você a ofendeu você sairá daqui tão rápido que não terá tempo de arrumar suas coisas.

– Cada vez mais você me deixa ansiosa e decidida por ficar. – Sorriu. – Onde é meu quarto? – Perguntou com falsa empolgação.

– Vá para o hotel Thea. – Pedi. – Fique lá, não sei o que a mantem aqui na cidade por mais tempo que precisa, mas se me irritar for à razão apenas vá embora, eu não quero destruir ainda mais nossa relação, e isso vai acontecer se você destratar Felicity. – Alertei.

– Relaxe Ollie, vou recolher minhas garras... – Ergueu-se. – Por enquanto. – Acrescentou.

– Thea eu estou falando sério. – Repeti em tom duro. – Seja o que for que você tenha contra mim, mantenha Felicity longe disso. – Sua expressão se fechou com o que eu disse.

– “Seja o que for”. – Repetiu sem humor. – Você sabe o que eu tenho contra você, você destruiu nossa família.

– Eu não vou ficar repetindo essa conversa, não mais. – Falei entredentes. – Se você quer ficar aqui, tudo bem, você pode ficar, mas você não vai ficar me atacando a cada momento. – Alertei me erguendo. – Agora eu vou me arrumar e depois vamos a QC.

– Eu queria ir a outro lugar antes. –Confessou cruzando os braços. – Eu soube o que aconteceu com Sara e pretendo visita-la, eu passo na QC mais tarde, sabe me dizer em que hospital ela está?

– Você pode ir com Felicity. – Ela me encarou confusa. – Elas são amigas, ela vai visita-la agora pela manhã. – A informei.

– Eu pensei que me queria afastada de Felicity. – Lembrou-me.

– Tudo que eu quero é que evite ofende-la. – Retruquei. – Se você conseguir fazer isso não há por que vocês não dividirem o mesmo carro.

– Ela é tão frágil assim? – Falou com desdém.

– Ela é mais forte do que qualquer um de nós dois. Mais forte do que nós dois juntos. – Falei antes de me afastar. – Espere por Felicity. – Acrescentei enquanto ia até meu quarto. Quando entrei no quarto as roupas que ela usaria estavam dobradas em cima da cama, a porta entreaberta do banheiro indicava que ela estava tomando banho, a presença de Thea no apartamento me frustrava de várias maneiras, eu estava preocupado com suas respostas afiadas e conflitos que poderiam surgir, Felicity sabia se defender, eu sabia disso, mas não significava que gostasse de vê-la precisando se defender.

– Hey. – Murmurei quando entrei no banheiro, ela estava na banheira, à cabeça descansava contra a borda, os cabelos amarrado em um coque, seu corpo estavam envolvido pela água e coberto de espumas, seus olhos que antes estavam fechados abriram-se ao escutar minha voz, um sorriso brincou em seus lábios quando me sentei na borda da banheira.

– Ela é algo a se notar. – Falou quando eu me limitava a observa-la em silêncio. Falava sobre Thea com certo humor, como se não tivesse se importado com suas provocações.

– Desculpe Felicity. – Pedi a surpreendendo. – O problema dela é comigo. – Ela meneou a cabeça não deixando de sorrir.

– Você não precisa me pedir desculpas Oliver, você sabe disso. – Falou. – Eu realmente não me importo com a maneira que ela fala comigo, por que essa parece ser a maneira com que ela fala com todo mundo, eu só gostaria que vocês se resolvessem. –Confessou, observei seu rosto vendo a sinceridade por trás de suas palavras, ela mal conhecia Thea, o pouco que havia conhecido não passava uma boa imagem e ainda assim ela queria que nos resolvêssemos, por mim. Senti sua mão molhada alcançar a minha a envolvendo. Observei nossas mãos unidas e virei sua mão colocando sua palma para cima, depositei um beijo no centro dela e a encarei, ela emitiu um som leve, curvei-me envolvendo seu pescoço com uma mão e a beijei, ela correspondeu o beijo acompanhando o ritmo lento e carinhoso, surpreendi-me por ser capaz de beijar alguém dessa forma, o beijo antes sempre foi algo que era anterior ao sexo para mim, sempre era carnal, mas para preliminares do que um ato de carinho, contudo com ela não havia apenas um tipo, havia vários, e cada qual com seu próprio significado, enquanto eu prosseguia com o beijo sua mão ia ao encontro da minha nuca me acariciando levemente, envolvi sua mão com a minha a tirando e interrompi o beijo, ela se afastou hesitante observando meu rosto com atenção. – O que foi?

– Ela vai ficar aqui. – Disse por fim. – Ela disse que vai ficar aqui por alguns dias, eu tentei dissuadi-la, pedi que ficasse no hotel, mas ela insiste em ficar aqui, eu sinto muito Felicity, eu entendo caso você não queira...

– Oliver você não vai expulsar sua irmã daqui por culpa minha. – Falou em tom de repreensão. – Se você não se sente a vontade com a presença dela, se isso te incomoda ou machuca você deve dizê-lo e fazer com que ela entenda, mas não se preocupe comigo. – Seus olhos buscaram os meus. – Está bem?

– Ela trás tudo de volta Felicity. – Confessei. – É impossível não voltar ao dia em que nossos pais morreram, não com ela por aqui, ela sempre dará um jeito de me provocar, de dizer que sou culpado e que me odeia. Eu posso lidar com a culpa, eu sempre abracei o sentimento de culpa pela morte deles e de Laurel, mas eu não consigo lidar com seu ódio.

– Você é seu irmão Oliver, ela te ama. – Falou com convicção. – Ela está zangada, por muito tempo esteve, ela ataca em vez de se defender, mas alguém que persiste tanto tempo brigando com uma pessoa, o acusando, mas nunca se afastando de fato não o odeia, ela ama você, ela não sabe o que fazer com isso, ela também está magoada, mas ela te ama. Não acredite no contrário. – Observou-me por alguns segundos. – Vocês vão sair agora?

– Vocês vão sair. – A corrigi deixando-a confusa. – Você quer visitar Sara não é mesmo?

– Sim. – Concordou. – Eu queria vê-la hoje, já havia falado com Diggle ontem.

– Ela também quer vê-la. – Falei. – Eu disse que ela iria com você.

– Claro. – Concordou de imediato, era óbvio que tentava suavizar as coisas entre eu e Thea e não aprofunda-la deixando-se ser a razão para uma nova briga entre nós dois.

– Você tem certeza? – Perguntei apreensivo.

– Vai ser divertido. – Ergueu uma sobrancelha, sorria novamente.

– Sua ideia de diversão é diferente da minha. – Comentei.

– Mesmo? – Perguntou descendo seus olhos por meu corpo com óbvio interesse. – Eu não acredito que seja.

– Podemos apostar? – Perguntei entrando no clima, ela se ergueu desinibida permitindo-me observar seu corpo com fome crua e carnal.

– O que o perdedor precisa fazer? – Perguntou deslizando sua mão desde a lateral do meu pescoço até alcançar o cordão de minha calça, seus dedos rapidamente desamarraram o nó frouxo, mas sua mão parou deixando-me ansioso por seu toque, ela esperava por minha resposta, enquanto eu sequer me lembrava de sua pergunta, fitei seus seios com interesse, mas a surpreendi quando em vez de toca-los minha mão foi até seu coque deixando seus cabelos livres, os ajeitei dividindo sobre seus ombros avaliando-os, sua pele estava rubra, corada pelo banho, seus olhos brilhavam de expectativa e seus cabelos pediam sedutoramente por sobre seus ombros, ela estava nua e completamente à vontade com isso, ela era o sonho de qualquer homem e era minha. O pensamento de qualquer homem a tocando deixava-me louco, mas ela era minha, e ninguém seria capaz de mudar isso, seus lábios eram meus para beijar, seu corpo era meu para tocar e sua alma era minha para amar. Ela era minha.

– Eu não acho que há perdedores. – Falei por fim lembrando-me de sua pergunta, só então atraí seu corpo até o meu com voracidade e a guiei até a bancada mais próxima, subindo-a e separando suas pernas, tomando seus lábios nos meus em um convite para muito mais.

POV FELICTY

– Eu continuo não entendendo por que precisamos de um segurança. – Escutei a pergunta de Thea soar ao meu lado. Diggle lançou um olhar avaliativo pelo retrovisor enquanto eu podia sentir o olhar fixo de Thea em meu rosto.

– Apenas por hábito senhorita Queen. – Falou em tom educado.

– Por que virou um hábito? – Indagou não contente com sua resposta curta. – Você não deveria estar com Oliver que é o C.E.O de uma multinacional? – Acrescentou. – Não é a primeira vez que vim visitar meu irmão Sr. Diggle, sempre foi breve, devido a alguma necessidade da empresa, mas nunca foi necessária antes a presença de um guarda-costas. – Ressaltou.

– É para mim. – Revelei cansada de sua conversa, ela estava rondando o motivo desde o momento em que Oliver e eu saímos do quarto prontos e ela havia aberto a porta para John, um olhar para Oliver me disse que ele não queria sua irmã sondando sobre nossos assuntos, ele evitou todas as suas perguntas e enquanto tomávamos o café evitou também suas provocações, uma coisa que eu havia percebido é que embora ela tivesse um estoque de insinuações, perguntas e acusações para Oliver, em nenhum momento ela voltou a me provocar, ela quase não vinha falando comigo e faltava pouco para que chegássemos ao hospital, ela teve muito tempo para isso, mas ainda assim não o usou, era no mínimo intrigante. A encarei notando seu silêncio súbito e seu olhar eloquente. – O segurança é para mim. – Repeti pensando que talvez ela não houvesse me escutado ou entendido minha resposta.

– Isso eu já havia percebido. – Falou por fim. – Eu venho esperando o momento em que você me dirá o por quê. – Inclinou sua cabeça me avaliando. – Com que tipo de garota meu irmão se envolveu?

– Você está preocupada com Oliver? – Perguntei a ignorando em parte, ela não tinha ideia do quanto Oliver se envolveu com meus problemas, e os tipos de problemas que eu trazia. Estava feliz pela ruptura da garota sarcástica e sempre na defensiva, essa pequena brecha apenas me provou que Thea apesar de tentar esconder e ignorar se importava com seu irmão.

– Curiosidade. – Mentiu. – Você vai me responder?

– A Srtª Smoak estava com a Srtª Lance quando aconteceu o incidente. – Diggle falou antes que eu pudesse abrir a boca, lancei um olhar de agradecimento. – Sr. Queen apenas está tomando precauções.

– Eu ainda não consigo entender a profundidade do relacionamento de vocês. – Falou observando-me. – Como vocês se conheceram?

– Em uma festa. – Optei por meias verdades. – Tommy me conhecia, acabamos nos encontrando em uma de suas festas. – Notei aliviada que entrávamos no estacionamento, mais um pouco e as perguntas de Thea ficariam mais difíceis de responder. – Eu acho que não cheguei a perguntar... De onde você veio? – Ela ergueu as sobrancelhas provavelmente percebendo que eu tentava com afinco mudar de assunto.

– Não. Você não perguntou. – Murmurou abrindo a porta do carro sem esperar por Diggle, saí logo atrás de si a seguindo e fiquei ao seu lado enquanto éramos seguidas por John. – Estou morando há alguns meses em Central City. – Respondeu. – Mas morei em outras cidades antes, ainda não criei raízes em nenhuma. – Deu de ombros.

– Talvez por que suas raízes ainda de prende aqui. – Murmurei ganhando um olhar cético.

– Não tente ser o elo entre eu e Oliver. – Advertiu-me. – Não vai funcionar. As coisas entre nós dois já estão perdidas.

– Eu não quero ser um elo entre os dois. – Falei sincera. – Queria que não houvesse a necessidade de haver um. – Ela parou bruscamente no meio do corredor me encarando com seriedade.

– Como diabos vocês terminaram morando juntos? – Perguntou sem rodeios. Suspirei sabendo que ela não deixaria isso para lá, encarei Diggle que havia no seguindo andando mais devagar nos dando certa privacidade, quando notou que paramos de andar ele se afastou mais um pouco. – Eu não estou querendo ser uma vadia agora Felicity, eu guardo esses momentos quando estou perto dele, sinceramente eu não sou tão ruim quanto aparento ser, você também não parece ser uma pessoa ruim e é por isso que quero entender como você acabou se relacionando com Oliver Queen. Ollie já era um cético em relação às pessoas e relacionamentos antes do desastre que matou nossos pais, depois então ele passou a usar as mulheres como objetos sexuais e descartáveis, ele se casou, algo que me surpreendeu, mas apesar de não saber muito sobre seu casamento sei que não durou e que deve ter tido seus próprios propósitos ocultos, imagino que tenha algo relacionado a QC já que sua mulher era quem acabou tomando posse da maioria das ações de nossa empresa, o que confirma mais uma vez que Oliver apenas usa as mulheres. – Concluiu dando de ombros. — Eu estou tentando entender o relacionamento de vocês, por que até onde eu sei Oliver é incapaz de ter um relacionamento.

– Não tente entender a profundidade e dinâmica do que eu e Oliver temos. – A aconselhei. Meneei a cabeça. – É algo que sequer nós dois que estamos envolvidos podemos entender. Está além do que desejávamos para nós, está além do que deveríamos ser, está além da nossa própria compreensão. – Ela me encarou admirada, fitou-me longamente, como se analisasse minha resposta.

– Quando? – Perguntou. Pisquei confusa diante de sua nova pergunta.

– Desculpe. – Murmurei. – Mas acho que não entendi.

– Quando você cometeu a tolice de se apaixonar por meu irmão? – Reformulou. Respirei fundo diante do impacto de suas palavras, era inquietante que o que deveria ser uma estranha para mim, deduziu meus sentimentos por Oliver em tão pouco tempo. Era assim tão óbvio?

– Eu não sei. – Murmurei com sinceridade. – Eu não tenho uma resposta para isso. — ela assentiu aceitando minha resposta vaga. – Você se importa com ele Thea, eu sei que ter uma garota que conheceu algumas horas bisbilhotando sua vida e tomando liberdades com a aconselhar é algo que você não quer, mas eu posso notar que você ainda se importa com seu irmão, que ele se importa com você, pelo amor de Deus vocês estão se apegando a desculpas de assinar papéis para se encontrarem...

– Desculpas? – Perguntou perplexa.

– Sabe tão bem quanto eu que ele poderia enviar esses papéis. – Respondi com um sorriso irônico. – Ele sabe, você sabem, apenas preferem ignorar.

– Você pode me levar até Sara? – Perguntou em tom mais ameno, que não me atacasse pelo o que eu havia dito já era um progresso.

– Claro. – Concordei voltando a caminhar. Logo paramos diante a porta do quarto em que Sara estava, como de costume a porta estava aberta, ela estava deitada olhando para a janela, Tommy sentado na poltrona lendo uma revista feminina, segurei um sorriso ao notar seu nível de concentração, ele nos viu antes de Sara, seus olhos encontraram os meus com um pouco de preocupação, seu olho roxo era uma lembrança da briga com Oliver que quase já havia esquecido. Seu olhar não demorou muito a focar em Thea e se abrirem em surpresa.

– Speedy! – Falou chamando a atenção de Sara. Ergueu-se com rapidez e a abraçou com força, dei espaço para eles enquanto ia até Sara com um sorriso, algo em sua expressão me deixou inquieta, mas antes que eu pudesse classificar o que era Thea saiu dos braços de Tommy.

– Não é como se eu houvesse morrido Tommy. – Murmurou se afastando com um sorriso.

– Mas tem sido muito tempo. – Retrucou.

– Sim. – Concordou. – Eu estava com saudades, mas não vim aqui para conversar com você. – Falou voltando-se para Sara, mas encarou Tommy novamente. – Mas iremos conversar sobre esse olho roxo. – Alertou.

– Claro. – Concordou olhando brevemente para mim.

– Olá Sara! – Thea falou antes de abraça-la com cuidado. – O que diabos aconteceu com você?

– Tommy por que não damos privacidade a elas? – Sugeri, mas recebi um olhar de urgência de Sara.

– Felicity depois eu queria conversar com você. – Murmurou segurando a mão de Thea, seu olhar era sério, mas o mascarou com um sorriso quando voltou a encarar Thea. Voltei a encarar Tommy que assentiu e me acompanhou para fora do quarto, andamos um pouco até sentarmos em algumas das cadeiras situadas por perto para as famílias que aguardam o momento oportuno de visitar seus parentes.

– Você está bem? – Perguntei quando se sentou ao meu lado.

– Ah eu vou sobreviver a um olho roxo. – Sorriu. – Mas eu não sei se vou sobreviver se Ollie tentar novamente.

–Ele não está zangado com você. – Falei rapidamente ganhando um olhar descrente dele. – Ok, ele está. – Cedi. – Mas não é de você exatamente Tommy, foi à maneira que ele descobriu, somada a outros fatores, ele descontou tudo em você, sinto muito. – Ele balançou a cabeça indicando que eu não me preocupasse com isso. – Eu ia pedir para ele conversa com você de forma civilizada hoje, mas Thea apareceu e imagino que você conheça bem a relação deles dois...

– Deixe o homem ter seu tempo. – Falou dando de ombros. – Eu também estaria bem puto com tudo o que aconteceu. Não precisa se preocupar. – Encarou-me com o semblante sério. – Eu preciso que você converse com Sara...

– Sobre nós dois? – Perguntei confusa.

– Não. – Falou rapidamente. – Ela já sabe o que aconteceu e demonstrou compreender, mas hoje eu tive que ir para casa para trocar de roupas e quando voltei ela estava agitada, falou que estava tudo bem, mas eu posso afirmar que não está Felicity.

– Não se preocupe. – Falei tentando acalma-lo. – Eu vou conversar com ela. – Ele assentiu em agradecimento, conversamos mais um pouco até que não demorou muito e Thea apareceu com ar de desculpas.

– Eu gostaria de ficar mais tempo Tommy. – Murmurou com pesar. – Mas tenho que ir a QC assinar esses malditos papéis.

– Você precisa ir agora? – Perguntei apreensiva.

– O que há de errado? – Perguntou confusa ao mesmo tempo em que Diggle se aproximava.

– Eu preciso falar com Sara. – Confessei. – E Diggle é nosso motorista, se você for eu preciso ir.

– Ele não pode me deixar e depois vir te buscar? – Perguntou confusa.

– Eu temo que não. – Diggle falou em tom contido.

– Eu meti ele em apuros na última vez que me separei dele. – Confessei com certa vergonha. – Digamos que Oliver não vai aceitar isso outra vez.

– Ele não precisa saber. – Deu de ombros.

– Tenho certeza que Sr. Queen compreenderá o atraso. – Diggle murmurou dispensando sua ideia.

– Você é procurada pela polícia? Está na mira de criminosos? – Perguntou atônita e com ar zombeteiro. – Garota o que diabos você fez? – Surpreendi-me com o sorriso divertido em seus lábios

– É rápido. – Falei a ignorando, ela tinha passado muito perto na segunda sugestão. – Vamos juntas a QC e você volta com Oliver.

– Eu posso ir de taxi. – Protestou.

– É rápido Thea. – Falei me levantando. – Converse com Tommy. – Pedi. — Eu volto logo. – Afastei-me antes que ela pudesse emitir um novo protesto e voltei para o quarto de Sara.

– Ei. – Sorri. – Eu não posso ficar muito tempo por que Thea precisa ir para a QC. – Falei sentando-me na sua frente.

–Onde eles estão – Perguntou encarando a porta, estranhei sua atitude esquiva.

– Sara, Tommy me contou que falou o que havia acontecido e por que Oliver o machucou, você está chateada comigo? – Perguntei temendo perder uma amiga. – É isso? – Ela piscou surpresa.

– Não. – Soltou um riso fraco. – Eu não estou chateada, zangada ou algo do tipo. – Descartou a possibilidade, logo sua expressão voltou a ficar séria. – Eu estou com medo Lis. – Confessou por fim.

– Medo? – Repeti atônita, temia o que isso podia significar, a chegada de Thea havia tomado tanto meus pensamentos, quanto o de Oliver, nos afastando por alguns momentos da realidade que no cercava, diminuindo um pouco nossos atuais problemas, nos distraindo, havia apenas um motivo para Sara temer, e só em cogitar isso fazia com um frio se alastrasse por minha coluna e espalhasse por meus ossos. – Sara. O que aconteceu? -Perguntei precisando e temendo sua resposta.

– É Ivo. – Falou em um só fôlego, sua atenção tinha se desviado da porta e se concentrado em meu rosto. – Ivo esteve aqui Felicity, hoje de manhã, ele esteve aqui.

Notas finais
Espero que tenham gostado, aguado vocês nos comentários... Xoxo LelahBallu.