Felicity's Secrets
12 Capítulo 11
Notas iniciais
POV OLIVER
Quando acordei ela estava me encarando. Eu ainda estava sonolento e demorei alguns segundos para assimilar os últimos acontecimentos, quando finalmente o fiz deixei um sorriso escapar. Havia algo de diferente na forma que ela me encarava, um sorriso também esteve presente em seu rosto em resposta ao meu, eu não sabia ao certo como agir, havia sido muito tempo desde que dividi a cama com uma mulher, que acordei ao seu lado, não estava certo se eu deveria seguir um padrão, como deveria prosseguir, mas nós dois nunca tínhamos seguido regras de um relacionamento normal, nunca pensamos que chegaria um momento em que chamaríamos o que tínhamos de relacionamento, o que éramos?
Observei seu sorriso se esvair e franzi o cenho ao observar as linhas de preocupação que se formaram. — O que aconteceu? – Perguntei em um sussurro.
— Nada. – Falou apressadamente.
— Você estava sorrindo. – Falei. Sua mão alcançou meu rosto e um dedo deslizou com suavidade pelo meu rosto, me movi plantando uma mão na base da sua coluna e a puxei contra mim, seu corpo se moldou a meu, sua testa se colou a minha, seus olhos tão próximos me fitavam com intensidade. – No que você estava pensando?
— Nada demais. – Respondeu. Decidi não pressiona-la então apenas encostei meu queixo em seu ombro a abraçando, ainda estávamos nus e o contato de nossos corpos despidos fez com o meu corpo despertasse por completo. Passei a beijar a pele exposta do seu ombro recebendo um gemido como incentivo. – Você não devia está se arrumando para ir a empresa Sr. Queen?
— Eu ainda tenho um tempo antes que meu alarme toque. – Murmurei em sua pele, meus lábios roçando a pele delicada poucos segundos antes que o maldito despertador tocasse. – Foda.
— Não agora. – Riu e acabei acompanhando o som com meu próprio riso. – Hora de tomar banho, não pode se atrasar afinal você é o CEO. — Apoiei-me no cotovelo a observando.
— Eu estou aqui nu e disposto e você está me dispensando? – Segurei um sorriso, enquanto o seu próprio sorriso mudou, para algo mais sensual.
— Eu não disse que eu estava te dispensando. – Ergueu uma sobrancelha.
— Não? – Perguntei deslizando minha mão pela lateral do seu corpo. Ela meneou a cabeça, o sorriso ainda ali.
— Eu disse que era hora de um banho. – Empurrou meu ombro com leveza, mas determinação, fazendo com que eu me afastasse deitando de costa no colchão macio, a observei se levantar com sensualidade e caminhar até o banheiro, sem nenhuma vergonha de seu corpo totalmente despido, lançou um olhar por sobre o ombro, a curva de seu sorriso me tentando tanto quanto seu corpo. – Você vem? – Perguntou antes de desaparecer pela porta, segundos depois escutei o som da água caindo, junto com suspiro feminino.
POV FELICITY
Era exatamente como quando o vi pela primeira vez, quando havia encontrando seu olhar gélido, mas cheio de promessas, eu havia lançado um olhar por cima do meu ombro e aguardado que ele viesse atrás de mim, eu sabia que ele viria antes, assim como sabia que ele viria agora e tal com antes ele havia me seguido. Eu estava de costas e ainda assim era capaz de sentir sua presença, apenas me observando, observar fazia parte do seu jogo, da forma como ele começava as coisas, eu estava tensa esperando por seu próximo passo, por que eu sabia que era sua vez, sua jogada, seu movimento. Não demorou muito e senti-o puxar meu braço com certa brusquidão virando-me para ele e empurrando-me contra a parede fria do banheiro, uma mão pousada ao lado do meu rosto, seu olhar era predatório, feroz.
Seu corpo duro entrou em contato com meu, e deixei um suspiro escapar quando sua mão encontrou o bico do meu seio e o acariciou sem tirar os olhos dos meus, não havia mais sorrisos brincalhões, ou leveza, ontem eu precisava de seu carinho, ontem foi sobre consolo e sobre suavidade, hoje eu precisava da força do seu corpo, sentir cada polegada do seu corpo firme contra o meu, ergui-me tanto quanto seu corpo deixava e encontrei seus lábios com os meus demonstrando exatamente como eu queria quando mordi seu lábio inferior e o puxei, eu queria carnal, passional como somente ele podia provocar em mim. Sua resposta foi a mais instintiva, seu corpo empurrou ainda mais o meu e sua mão desceu até meu quadril o apertando, sua língua entrou em contato com a minha e ele assumiu o beijo com impetuosidade, eu era vagamente consciente da água que deslizava por nossos corpos, mas isso era penas um detalhe quando se comparava ao quanto nossos corpos estavam quente.
Suas mãos deslizavam pelo meu corpo molhado com avidez, a cada toque uma nova onda de calor, um novo suspiro, a cada beijo o desejo por outro crescia, seus lábios eram impertinentes e viciantes, quando suas mãos novamente deslizaram por minha coluna até envolverem minha bunda eu sabia que estávamos próximos e envolvi seu pescoço, cruzando meus pulsos, ele entretanto parou e fitou-me com certa impaciência.
— Estou sem proteção. – Murmurou. Chegava a ser uma tortura quando estávamos tão perto ele falar isso. Apertei seu couro cabeludo querendo controle, mas não conseguindo.
— Eu estou limpa. – Murmurei por fim, era pedir muito para que ele confiasse nisso. – Eu faço exames regularmente e tomo anticoncepcionais. – Falei. Fazia isso temendo o dia que algum cliente não respeitasse meu desejo por camisinha, ou se por ventura a uma tentativa de estupro fosse além da tentativa. Seus olhos me fitaram incertos, apenas brevemente antes de assenti com firmeza, me erguer com apenas um impulso e me penetrar em um movimento firme que me deixou cheia dele.
— Oh inferno. – Murmurou com a respiração entrecortada, eu entendia sua exclamação de puro arrebatamento, sem a barreira da camisinha tudo estava mais intenso, cada movimento mínimo era mais, muito mais. Agarrei seu braço forte, as unhas cravadas em sua pele escorregadia apenas sentindo-o e a sensação era incrível, esmagadora, outro som profundo veio do fundo de sua garganta, um grunhido que me dizia o quanto ele estava se segurando.
— Não o faça. – Murmurei em seu ouvido antes de puxar o lóbulo de sua orelha entre meus dentes. – Não se controle. – Isso foi o bastante, isso o tirou completamente do controle, depois disso ele havia assumido seu próprio ritmo, fazendo-me ofegar a cada nova investida, ele deslizava quase completamente para fora e então voltava cada vez mais profundo, os únicos sons eram de nossas respirações ofegantes, mescladas a nossos gemidos e então veio meu grito quando com um som rouco ele se enterrou profundamente uma última vez e fomos alcançados pela poderosa onda de calor que percorreu por todo o nosso corpo, deixando-nos exauridos. Apenas depois de alguns momentos que nos lembramos de realmente tomamos um banho.
[...]
— Eu estou surpresa. – Falei algum tempo depois encarando sua geladeira aberta, ele estava pronto vestido em seu elegante terno, assumindo seu costumeiro ar de CEO. Estava apoiado contra o balcão tomando nada mais que uma xícara de café.
— Por que você está surpresa? – Perguntou divertido.
— Sua geladeira está cheia. – Dei de ombros e peguei os itens básicos para fazer sanduiche e me virei. – Com fome?
— Pode-se dizer que sim. – Sorriu. Inclinei minha cabeça analisando sua frase.
— Não me olhe assim. – Mandei indo até o armário e procurando o pão de forma.
— Assim como? – Perguntou em tom inocente.
— Como se estivesse faminto... Por mim. – Revirei os olhos.
— Você que está andando pela casa com apenas minha camisa. – Deu de ombros. No momento em que ele falou isso deixei um pouco do clima descontraído de lado, ele logo percebeu que meu humor havia diminuído e veio até a mim. – O que foi?
— Eu saí apressada ontem coloquei apenas alguns itens essenciais na minha bolsa. Eu pensei que ia ficar na casa de Helena então eu só estava com a roupa de ontem e meu pijama em minha bolsa. – Fora esses itens incluíam algumas peças intimas, fotos antigas da minha família, o boné de Oliver, meus óculos e alguns produtos higiênicos. – Eu acho que vou precisar voltar lá para...
— Você não vai voltar lá. – Negou de pronto. – Se precisa de roupas eu compro.
— Eu não vou deixar que faça isso. – Protestei. – Eu posso comprar minhas roupas.
— Você não precisa. – Retrucou.
— Oliver eu tenho plena consciência que você pode pagar por qualquer coisa que eu precise ou não. – Falei o encarando. – Eu sei que você quer fazer isso, mas eu não quero. – Continuei. – Eu não tenho mais emprego, não estou falando sobre aquele trabalho, eu estou falando do meu emprego no Big Belly. – Eu sabia que não podia voltar lá, não quando o Glades era território de Ivo, não era seguro. – Mas eu vou atrás de emprego, eu não sou estúpida para achar que posso rachar alguma despesa com você, mas pelo amor de Deus deixe-me pagar pelas minhas próprias coisas. – Observei seu rosto em busca de alguma reação. – Até lá preciso de roupas.
— Você não precisar ir atrás de um emprego. – Falou por fim. Suspirei percebendo que ele não havia entendido nada.
— Eu não quero simplesmente viver as suas custas. – Falei. – Até por que se trata de um arranjo temporário, eu preciso sim de um emprego ou do contrário eu vou me sentir como se eu estivesse fazendo o mesmo que antes, mas dessa vez um serviço particular, vendendo-me para apenas um homem e... – Parei ao observar sua expressão.
— Você acha que eu estou te usando. – Concluiu.
— Eu não disse isso.
— Você disse que era um arranjo temporário. – Lembrou. – Acha que eu vou ficar com você, te bancando, pagando por seus serviços enquanto eu não me cansar de você e então o quê? Eu te expulso daqui? Esse é seu medo? É por isso que precisa tanto de um emprego, tem medo de se tornar dependente de mim, de que eu use isso contra você.
— Você tem que entender que eu conheço apenas essa realidade. – Murmurei em tom baixo. – Mas não se trata disso, desde sempre eu tive que me virar sozinha, eu não sei não fazer isso, eu preciso de um emprego para me manter sã, para me sentir como uma pessoa normal, quanto ao nosso status eu não vou mentir, eu não sei que caminho estamos tomando, você me chamou para morar aqui, ontem. Pediu para que eu deixasse você cuidar de mim, mas eu não sei o que isso significa, desculpe Oliver, mas eu não o que você espera que eu conclua.
— Quero que você chegue à conclusão de que somos um casal. – Falou após um longo período em silêncio. Sua mão encontrou meu rosto. – Eu entendo que você sempre desconfie das pessoas, especialmente dos homens, sei que é pedir muito que você chegue à conclusão que o cara que disse só querer sexo com você, que tudo que precisa é do seu corpo quer um relacionamento, eu entendo sua insegurança, eu sou novo nisso também. Mas nós somos um casal. – Murmurou em tom firme. – Essa é sua casa agora, você não precisa se preocupar com nada, eu não estou te usando. – Respirou fundo, como se fosse difícil para ele falar essas palavras. – Confie em mim. – Pediu. – Eu sei muito bem que é difícil confiar em alguém, acredite, eu sei. Mas se quisermos que isso dê certo eu preciso que confie em mim. – Assenti em concordância.
— Eu confio em você. – Murmurei dando-me conta que era verdade e que talvez ele precisasse escutar isso.
— Sara pode vir aqui, ela está louca para conversar com você. – Murmurou se afastando. – Ela pode trazer algumas roupas, você não vai voltar para aquele apartamento.
— Oliver eu não quero está bem? Mas eu preciso. – Falei em tom firme. Eu tinha também que ligar para Roy e vê se ele estava bem com tudo o que havia acontecido, mas eu precisava que Oliver não estivesse por perto quando o fizesse.
— Faça uma lista. – Falou sucinto. – Diggle vai estar aqui com você logo, ele pode passar depois em seu apartamento e pegar o que precisa.
— Quem é Diggle? – Perguntei confusa.
— Meu segurança. – Falou. – Você já o conheceu.
— Ah sim. – Falei lembrando-me das escassas vezes que o vi, com Connor e no dia em que ele me levou até em casa. – Lembro-me dele.
— Que bom, por que agora ele será seu também. – Falou cruzando os braços preparando-se para uma nova discussão.
— Eu tenho muito que falar sobre isso. – Murmurei também cruzando meus braços e caminhando até ficar em sua frente o enfrentando. – Mas você está atrasado, vá dirigir sua empresa Sr. Queen.
— Eu vou. – Assentiu. – Assim que Diggle chegar. – Falou surpreendendo-me. No momento em que ele falou isso a campainha soou e um sorriso arrogante chegou ao seu rosto, fechei minha expressão, mas tudo o que ele fez foi plantar um beijo rápido em meus lábios antes de se virar para atender a porta. – Vista uma calça. – Pediu enquanto andava. – E um sutiã. — Bufei com seu pedido, mas acabei indo de volta ao seu quarto e fazendo exatamente o que pedia, vesti a calça do meu pijama e coloquei o sutiã. Quando voltei para a sala ele me apresentou ao Sr. Diggle e o instruiu a ir ao meu apartamento pegar minhas coisas de acordo com minha lista, mas tão somente quando ele voltasse, Diggle não poderia de forma nenhuma me deixar sozinha, com um último beijo ele foi embora deixando-me irritada por me sentir presa, sorri educada para Diggle por que ele não tinha culpa de virar minha babá e voltei para cozinha com o intuito de fazer meu café da manhã. Levei comigo o telefone de lá e liguei para Roy, ele não atendeu o que teve o poder de me deixar apreensiva, porém quando liguei para Helena ela me disse que já havia falado com ele e que ele devia estar no caminho de Coast City, por isso não havia como eu entrar em contato com ele no momento. Tive que me contentar em ligar para ele novamente mais tarde.
Não demorou muito até que Sara aparecesse com algumas sacolas de roupas e me distraísse com sua conversa alegre, o nome de Tommy surgiu algumas vezes deixando-me inquieta.
POV OLIVER
Forcei meus pulmões a trabalharem enquanto eu e Tommy concluíamos mais uma volta no parque, eu devia está no escritório, em uma videoconferência, mas estávamos correndo agora, o ritmo da corrida fazendo com que meus músculos ficassem cansados e minha respiração ofegante, eu precisava disso agora, precisava de algo para me distrair, mudar o rumo dos meus pensamentos, quando eu havia estado com ela mais cedo eu não tinha lidado com as coisas que eu escutei, veio o sexo no chuveiro e nossa pequena discussão sobre ela ir ao seu apartamento que apenas tinha dado abertura para dialogamos sobre o que realmente estava em nossas cabeças, o que realmente éramos , quando afirmei que éramos um casal isso tinha caído em mim, de repente, eu tinha chegado a essa conclusão, por que dei-me conta que uma vez ela em meu apartamento não permitiria que ela se fosse.
Tão logo cheguei a QC tudo que ela havia me dito na noite anterior ocupou minha mente, eu não conseguia me concentrar em nada, eu estava abalado com as revelações de seu passado. Ela havia mudado tudo, sem dúvida alguma Felicity era a pessoa que me deixava mais confuso e alterado, eu sempre tive a mesma linha de pensamento sobre as pessoas, e ela vem e destrói tudo. Toda a minha vida aprendi que não devemos confiar em ninguém, pessoas são volúveis, elas tendem a nos trair com a mesma facilidade e velocidade com que apresentam um sorriso nos lábios. Meus pais havia sido um exemplo disso, assim como a mãe de Connor, todos de alguma forma me traíram e mentiram para mim, sendo assim toda a minha vida me neguei a confiar em alguém, até que a conheço. Felicity Smoak. A única mulher na qual resolvi confiar, e a única em que absolutamente não deveria, mas que ainda assim tinha conquistado toda minha confiança e meu respeito. Agora eu precisava convencê-la de que ela podia confiar em mim.
— Ollie! – Tommy me chamou olhei para trás percebendo que ele tinha parado e tomando uma profunda respiração caminhei até ele, ele descansou as mãos sobre os joelhos enquanto tomava respirações profundas. – Não acha que já podemos parar? Você ainda não exorcizou seja lá qual forem seus demônios? Eu estou velho.
— Nós temos a mesma idade Tommy. – Retruquei indo até um banco que havia por perto e me sentando. – Enquanto eu não me declarar velho você não está velho. – Ele riu e apontou seu dedo o balançado.
— Um Ollie com humor, eu gosto. – Sorriu permanecendo em pé. – Então...
— Então? – Perguntei sabendo que ele estava rodeando para chegar a um tema que julgava me deixar aborrecido, ou ele ia falar dos meus pais ou devido ao seu relacionamento atual com Sara ia falar sobre Felicity.
— Então, Sara comentou comigo que você tinha uma nova inquilina. – Encarou-me sério. – Eu fiquei surpreso, por que você não é o tipo que namora e absolutamente não é o tipo que mora junto, então eu passei a buscar em minha mente algum relacionamento sério que você tivesse tendo e nada veio a minha cabeça, a não ser...
— A não ser... – Murmurei precisando ouvir até onde ele iria com essa conversa.
— A loira quente que esteve em seu apartamento outro dia. – Respirei fundo tentando lembrar que Tommy tinha sido meu amigo desde criança, melhor amigo na verdade e que eu estava buscando concertar as coisas entre nós dois, tentei a todo custo ignorar o seu tom de voz a se referir a ela e acima de tudo as suas palavras seguintes. – Ela é uma prostituta Ollie, você mesmo chamou-a de “comida” quando ela chegou, você tem certeza que quer se envolver com uma garota assim... Desse tipo?
— Que tipo? – Perguntei entre dentes.
— Ollie ela vende seu corpo. – Seguiu falando mesmo notando meu tom ácido. – Esta é a forma que ela ganha dinheiro, eu não estou dizendo que ela seja uma pessoa má por isso, mas você vai leva-la a algum evento, algum jantar ou festa? Você entrará nos locais e se perguntará a possibilidade da pessoa com que você está conversando já tenha transado com ela.
— Tommy cala a boca. – Mandei.
— Ollie...
— Cala. A. boca. – Ordenei sem paciência nenhuma agora. – Você não a conhece, não sabe nada sobre ela, então, por favor, cala a boca. – Eu estava irritado, acima de tudo comigo mesmo, por que ele estava certo, Felicity não era culpada pelas coisas que teve que fazer, mas eu perdia o controle em se tratando dela, só em pensar em outras mãos a tocando eu sentia todo o meu corpo ansiar por uma briga, o que eu faria quando encontrasse alguém com quem ela tenha estado? Até que ponto poderia manter minha falsa frieza?
— Desculpe. – Pediu soando sincero. – Eu não sabia que você estava... – Interrompeu-se e olhou para o outro lado, percebendo tardiamente que diria algo que provavelmente apenas me deixaria ainda mais zangado.
— Que eu estava? – Perguntei não podendo deixar de lado sua frase inacabada. – Termine Tommy.
— Que você estava apaixonado. – Concluiu. Por um momento apenas o observei e notei que ele realmente levava a sério o que tinha dito.
— Tolices. – Falei por fim. – Eu me importo com ela, eu gosto de estar com ela, eu preciso estar com ela. – Confessei. — Temos uma química incrível com relação ao sexo e a respeito após saber mais sobre ela, mas eu não estou apaixonado por ela.
— Você tem certeza disso? – Perguntou parecendo falar com uma criança. – Eu sei o que é estar apaixonado Ollie, e você definitivamente parece estar a apaixonado. – Abri a boca para protestar uma vez mais, mas ele continuou. – Eu quero isso para você, só tenha certeza que essa garota merece, você não a conhece Ollie, você disse que sabe mais sobre ela, tenho certeza que algo muito forte a motivou, a forçou a vender-se, mas muitas outras também tiveram isso, você não pode salvar todas, apenas tenha certeza que ela não o está usando para se livrar do que quer seja ela esteja passando, eu sou seu melhor amigo, eu sempre serei, se essa garota o faz feliz não me resta apoiar e me permitir de fato conhece-la, só por favor, não jogue-se de vez.
— Eu preciso de sua ajuda. – Falei após analisar suas palavras. – Ela esteve em sua festa, você sabe como contatar quem está por trás? Que agenda?
— Ela não te disse isso? – Franziu o cenho.
— Ela não pode. – Respondi. – Eu tentei, mas ela não pode.
— Por que você precisa contata-lo?
— Você o conhece?
— Não. – Meneou a cabeça em negativa. – Honestamente Ollie eu nunca me importei, queria apenas diversão para minhas festas e um amigo me deu esse número, nós dois havíamos contratados duas prostitutas que trabalhavam para o mesmo... Local, eu não lembro nada daquela noite, eu estava bêbado demais e irritado, eu lembro vagamente de ter aceitado ligar e eles mandaram imediatamente as garotas, Ronnie levou sua garota para outro quarto, lembro apenas que a minha era loira por que eu havia exigido assim...
— Como Sara. – Concluí.
— Como Sara. – Concordou. – Ela tinha me ligado, estava feliz, seu estúpido namorado tinha-a pedido em casamento e ela estava considerando aceitar, eu fui um idiota e falei que já estava na hora dela tirar o garoto de molho e brincar com seus sentimentos, eu desliguei e comecei a beber, fui para sua boate, Verdant e encontrei Ronnie lá. O resto você já sabe, desde então eu ligava para o mesmo número sempre que queria apimentar uma festa. Eu já lhe dei o número, julgando que você está com ela agora acredito que você tenha ligado muitas vezes.
— Sim. – Confirmei. – Mas eu queria falar com o cabeça de tudo.
— Ligue para o mesmo número. – Deu de ombros. – Eu tenho ideia do que você quer, não importa quem atenda, faça sua oferta, no mínimo chamará sua atenção e ele encaminhará para seu superior.
— Eu farei isso. – Concordei. – Farei de tudo para resolver isso hoje mesmo, farei de tudo para comprar sua dívida.
POV FELICTY
— Felicity quer parar um segundo? – Sara pediu quando eu passei em sua frente pela, não sei... Milésima vez? — Desse jeito Oliver não encontrar mais seu tapete quando chegar.
— Dane-se o tapete dele. – Falei irritada. – Quer saber? Dane-se Oliver, ele não pode exigir que eu fique trancada em casa o dia todo. – Falei apressando meus passos. Já estava no fim da tarde e Sara havia passado todo o dia comigo, eu quase tinha pena dela.
— Eu estou tonta. – Escutei-a reclamar.
— Eu não sirvo para isso! – Praticamente gritei. – Eu não sirvo para ficar em casa aguardando seu homem, ele precisa saber disso, eu gosto de me sentir livre, mesmo que a sensação não passe de uma mentira, mas eu gosto. Eu sei que ele está preocupado comigo, eu aprecio isso, mas ficar trancada em um apartamento com ele... – Apontei para Diggle. – Me observando o tempo todo me deixa louca! Sem ofensa John. – O passar das horas haviam servido para eu perceber que o enorme segurança era uma doçura em pessoa.
— Sem problema. – Sorriu.
— Está vendo. – Ergui a palma da mão apontando para ele. – Nem posso ficar zangada com ele.
— Por isso você vai ficar zangada com Ollie?
— Zangada? Eu estou furiosa. – Corrigi. Vê-la rir fez com minha irritação aumentasse. – Não é engraçado.
— Eu tive uma ideia. – Bateu as palmas das mãos de forma fútil o que eu estranhei, Sara não costumava ser fútil. – Vamos tomar um banho de piscina!
— Como é que é? – Perguntei incrédula.
— Lá em cima tem uma piscina aquecida. – Falou alegre. – Sr. Diggle. – Sorriu com charme. – Poderia ir lá em baixo falar com o Sr. Thompson para abrir o acesso para nós duas. – Diggle nos encarou incerto, enquanto eu fuzilava Sara com o olhar. – É só usar o nome Queen e ele fará qualquer coisa que você pedir, acredite. Eu acho que trouxe alguns biquínis naquelas sacolas, certamente poderemos usa-los o que acha? – A pergunta deveria ser parar mim, mas ela me ignorou completamente e dirigiu o olhar para Diggle que se viu incapaz de dizer não a ela.
— Eu descerei por alguns minutos. – Prometeu. – Não vou demorar.
— Claro. – Sara sorriu como resposta. No momento em que Diggle fechou a porta atrás de si eu estava pronta para gritar com ela, mas ela pediu silêncio levando um dedo aos lábios e após contar alguns segundos tornou a abrir a porta, olhando sorrateiramente pela brecha. – Vamos. – Chamou-me.
— O quê?
— Você quer sair para respira um pouco, eu entendo. – Assentiu. – Então vamos, temos que ir agora e pelas escadas, temos que ser rápidas. Vamos Felicity! – Encarei admirada e sorri animada enquanto a seguia, parecíamos duas espiãs, ridículas, mas espiãs enquanto nos desviamos de qualquer presença que pudesse ser o corpulento Sr. Diggle. No momento em que pisamos fora do prédio ela me indicou seu novo carro.
— Para onde você quer ir? – Perguntou animada.
— Eu não tenho ideia. – Ri.
— Ah já sei! — Ligou o carro. – Está havendo um festival perto do cais, tem bastante gente, podemos passar alguns momentos lá e voltamos.
— Soa ótimo para mim. – Confessei.
— Você é ciente que quando voltarmos vai encontrar um Oliver muito furioso. – Alertou.
— Está bem. – Assenti. – Eu posso lidar com ele.
— Eu juro que não podia pensar em uma namorada melhor para Oliver. – Comentou finalmente saindo do estacionamento. O festival ocorria do outro lado da cidade, havia algumas barracas, uma banda que eu não conhecia e provavelmente ninguém ali também, mas era tudo o que precisava, nos divertimos muito observando alguns artistas se apresentando em palcos improvisados, Sara me contou um pouco de sua família, falou se irmã, do seu relacionamento com Tommy e comentou que seu pai era policial, detetive para ser mais exata. Ela estava falando sobre sua infância com Oliver e Tommy enquanto tomávamos milk-shake quando um grupo de adolescentes acabou nos separando, olhei para todos os lados em busca de Sara, mas tudo o que consegui foi desvia-me mais ainda do caminho, de repente senti um braço serpentar minha cintura e antes que eu pudesse gritar em protesto uma mão fria tampou minha boca me impedindo, eu sabia antes de ser arrastada para um beco próximo e ser jogada contra uma parede fria que se tratava de Ivo, então no momento em que meus olhos encontraram o seus já haviam lágrimas não derramadas nos meus, tudo o que eu podia implorar no momento é que Sara não chegasse, pois eu sabia que a fúria de Ivo podia vir a ser descontada nela.
— Olá Megan. – Sua mão ainda cobria minha boca e seu corpo estava encostado pesadamente contra o meu, dando-me náuseas. – Como está seu conto de fadas? Onde está o príncipe encantado? Não tão príncipe assim se deixa sua amada desprotegida. – Comentou irônico, esforcei-me a empurra-lo, afasta-lo o máximo possível, mas sua força bruta era enorme. Consegui empurra-lo alguns poucos centímetros, apenas para ele me empurrar de volta contra a parede, fazendo com que eu batesse a cabeça com força nela, quando sua coxa separou as minhas debati-me enlouquecidamente tentando desesperadamente afasta-lo de mim. – Oh sim, agora posso vê você como sempre quis, amedrontada, frágil, implorando-me para que te poupe, não como a vadia fria que você sempre age, tão superior, tão perfeita. – Sua mão livre deslizou pelo meu corpo, um contraste total com o toque de Oliver e apenas o pensamento do toque de Oliver fez com que eu finalmente derramasse as lágrimas. – Não se preocupe querida, eu não a tomarei agora, não aqui. – Sua mão finalmente afastou-se de minha boca, por que o maldito doente sabia que eu estava aterrorizada demais para gritar. – Sua boca se aproximou do meu ouvido, a voz gélida, tão fria como ele todo era, seu perfume caro me dando asco. – Vou te dizer exatamente o que vai acontecer, eu vou deixa-la livre, vou permitir que acredite que possa realmente ter um final feliz, mas então você não viverá de fato, por que sempre estará se perguntando quando eu vou aparecer para tirar isso de você, vai se perguntar quem eu vou machucar primeiro, seu irmão? Sua amiga? Ou seu Oliver? Você perceberá que eu longe ou não ainda mando em cada um de seus atos, por que você sempre temerá me encontrar, então quando eu finalmente farei meu movimento você voltará pra mim, eu destruirei sua felicidade e você no processo, mas não será aqui, não será agora e não saber quando a matará aos poucos. – Soltou-me e eu imediatamente me afastei dele. Seu rosto era pura fúria. – Vá minha doce Megan, seu inferno pessoal está apenas começando.
— Felicity? – Escutei a voz de Sara me chamar, eu não podia permitir que ela se aproximasse um pouco que fosse de Ivo, então corri até ela. Segui o som de sua voz até encontra-la. – Nossa! Felicity você está bem? – Analisou meu rosto e percebeu as lágrimas que caiam. – Deus Felicity o que aconteceu?
— Nada. – Meneei a cabeça. – Precisamos ir. – Falei com firmeza.
— Claro. – Concordou. – Você se lembra de onde estacionei meu carro? – Perguntou olhando de um lado para o outro. Assenti concordando.
— Você estacionou algumas ruas afastadas. — Respirei fundo tentando controlar minha voz. Eu que tinha sugerido, temia não encontrar estacionamento, sem falar que em eventos como esses tinha todo tipo de pessoas, quanto mais perto mais chance dela ter seu carro arranhado.
POV IVO
Deixei-a ir correndo, uma visão que há muito tempo eu contemplava, desejava ainda mais quando a tivesse finalmente abaixo de mim, implorando por minha misericórdia, eu queria ter o controle total de sua vida, e tinha, até o momento que o maldito Queen apareceu. Ainda estava no beco imundo que havia levado quando recebi a chamada. Dizia que Sr. Queen haviam tentando entrar em contato comigo, um dos meus homens havia se passado por mim e havia escutado sua proposta, uma generosa oferta pela liberdade de Megan, tudo que eu tinha que fazer era deixar ela e qualquer um com quem ela se importasse em paz.
Era um dos meus subordinados que falava as palavras ditas por ele, mas fui capaz de escutar com a mesma arrogância com que ele sempre falava em eventos que o encontrava, eu pude notar o tom de ordem em cada sentença, eu desliguei o celular sem numa palavra mais, consumido pelo ódio voltei a procura-la.
POV FELICITY
— Estamos quase lá Lis. – Sara comentou apesar do meu silêncio, ela sabia que eu não estava bem e por isso não havia feito perguntas, porém eu sabia que no momento em que entrássemos na segurança do seu carro e nos afastássemos do festival ela faria perguntas. – Finalmente! – Suspirou em alívio ao observar seu carro a poucos metros. – Felicity, na próxima vez que fomos a algum festival eu estacionarei no próprio evento se possível, não me importa quantos arranhões eu receba. – Eu sabia que ela tagarelava apenas para me distrair, mas meus pensamentos estavam todos fixados em Ivo e no que ele havia dito. Estava tão absorta neles que não escutei o chamado de Sara, nem percebi que ela olhava para sua frente com medo, apenas notei o tiro tarde demais, o tiro que retumbou nos meus ouvidos por longos minutos, o tiro que havia sido para mim, mas que quem havia recebido era Sara que havia se jogado em cima de mim, Sara cujo corpo em cima do meu não se movia.
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