Felicity's Secrets
13 Capítulo 12
Notas iniciais
POV OLIVER
Entrei no hospital com passos apressados, as paredes brancas me deixando inquieto, o ambiente estéril me sufocando. Eu o odiava, a última vez que estive em um hospital não me trazia boas lembranças, eu havia perdido duas pessoas, eu me sentia responsável por suas mortes, e agora eu estava com medo de mais uma vez estar passando por isso novamente, perder duas pessoas. Eu não havia conseguido controlar meus pensamentos desde o momento em que havia escutado a voz trêmula de Felicity me informando que ela estava em um hospital com Sara, falou aos prantos que não tinha informações sobre o estado de Sara e antes que eu pudesse perguntar algo mais a linha ficou muda. Eu havia escutado sua voz, ela havia me dito em meio ao choro que ela estava bem, mas não era o bastante para mim, eu precisava mais do que ouvir sua voz, precisava vê-la e toca-la, eu precisava sentir que ela estava bem.
Eu estava um poço de nervos desde o momento em que Diggle me ligou informando que ela e Sara haviam sumido, primeiro havia vindo a onda de incredulidade somada a fúria, Felicity havia ignorado o meu pedido, ela tinha se colocado em risco e levado Sara com isso, tudo o que eu havia pedido era que confiasse em mim, mas ela não foi capaz de fazê-lo, ela havia mentindo para nós dois quando disse o contrário. Enquanto eu pensava onde elas poderiam estar e tentava ligar para Sara inúmeras vezes veio à preocupação, quando Diggle conseguiu entrar em contato comigo já fazia tempo que elas haviam ido, eu não estava disponível em meu celular por que queria a todo custo entrar em contato com alguém com quem pudesse negociar sua liberdade, eu odiava isso, não era certo alguém ter que pagar por isso, ela era para ser livre, ela havia se envolvido com o pior tipo de pessoa, o que faziam era crime, mas seja quem for ele tinha grande poder sobre ela, eu conhecia esse tipo de pessoa, tudo o que precisava era do valor certo, e eu daria. Eu fui direto e ríspido com a pessoa com quem encontrei, eu sabia que por mais que quisesse se passar ele não era realmente quem comandava tudo, quem eu estava procurando, deixei claro que sabia disso, e então mandei que alertasse ao seu chefe o que eu queria e o quanto estava disposto a pagar por isso, o ambiente e a atmosfera em si era hostil, mas ele assentiu afirmando que passaria a mensagem ao seu superior. No final tudo o que importava era dinheiro. E por fim Diggle conseguiu fazer contato comigo.
Tão logo Diggle entrou em contato comigo liguei para Tommy, esperando que ele soubesse onde sua namorada estava, tudo o que fiz foi deixa-lo preocupado junto comigo. Então chegou sua ligação, eu não havia percebido que ela estava sem celular, eu havia tentado ligar para o número que Sara havia guardado em minha agenda e não consegui localiza-la, mas até então eu achava que assim como Sara, ela também ignorava minhas ligações, só quando atendi a chamada que vinha do número de Sara que senti um alívio momentâneo apenas para perceber o desespero em sua voz.
– Com licença. – Pedi quando cheguei ao balcão onde se encontrava uma mulher atenta a algo que lia, sua cabeça rapidamente se ergueu ao escutar o tom urgente. – Eu preciso de informações sobre duas mulheres que chegaram mais cedo...
– Preciso dos nomes. – Falou rapidamente.
– Sara Lance e...
– Oliver. – Virei-me ao escutar sua voz e rapidamente me afastei do balcão, ela abraçava a si mesma, seu olhar demonstrava culpa, aproxime-me dela observando seu rosto com atenção e descendo pelo seu corpo, eu sempre fazia isso, mas desta vez não houve nenhuma conotação sexual no gesto, queria me certificar que ela estava bem, notei algumas machas de sangue em sua roupa e segurei em seus ombros enquanto ainda a observava. Não poderia ser dela, ou ela não estaria no corredor sem nenhum atendimento, certo? – Desculpe... – Pediu quando voltei a encara-la aliviado o perceber que não havia feridas. – Eu sinto tanto... Sara, ela...
– O que aconteceu com Sara? – Perguntei temendo como ela poderia finalizar a frase, eu precisava escutar a resposta, mas eu não sabia se queria. – Felicity como está Sara?
– Eu não tenho certeza. – Respondeu deixando novas lágrimas escapar. – Era para ser eu... Ela... Ela nunca deveria ter levado o tiro, era para ter sido eu, ela me salvou. – Falou entre soluços, suas frases saiam incoerente a partir dai, eu não poderia arrancar nada dela enquanto ela não se acalmasse, vê-la desse jeito tinha levado toda a minha ira, ao menos por enquanto, puxei-a contra meu peito a abraçando, consolando enquanto ela seguia chorando, até o momento tudo o que eu sabia era que Sara havia sofrido um tiro e que Felicity acreditava que era para ela, ela tinha certeza que era para ela, mas eu ainda não sabia como Sara estava, seus soluços lentamente foram diminuindo até que ela estava apenas abraçada a mim, o topo da cabeça sob meu queixo enquanto eu acariciava seus cabelos.
– Felicity? – Chamei-a esperando que agora ela pudesse me dizer alguma coisa coerente. Eu estava preocupado com Sara, ela é minha melhor amiga, os últimos anos não haviam sido o ponto mais alto da nossa amizade por minha culpa, mas ela sempre esteve lá, mesmo quando eu não queria sua proximidade ou a ignorava, eu também estava preocupado com Tommy, eu não acredito que ele pudesse lidar com a possibilidade real de perdê-la e ele estaria aqui em minutos, eu havia ligado para ele no momento em que a chamada de Felicity havia sido encerrada, temia não ter algo de positivo para informa-lo, se algo acontecesse com Sara ele se quebraria. – Ela está viva? Sara está viva? – Sua cabeça se afastou do meu peito e seu olhar encontrou o meu.
– Ela está viva. – Respondeu tomando uma respiração profunda, alívio encheu meu peito antes que ela continuasse a falar. – Mas ela não está bem, nada bem. Tudo foi tão rápido, em um segundo eu estava a encarando, no outro ela esta em cima de mim, coberta de sangue, eu entrei em choque, tentei acorda-la, ela parecia estar morta, depois chegou esse rapaz que havia escutado o tiro e veio nos socorrer, ele que chamou a ambulância, ela estava sangrando Oliver e eu não consegui fazer nada! – Sua voz se ergueu. O controle se esvaindo. – Eu só fiquei encarando-a, ela me salvou e eu não conseguia sequer checar se ela respirava!
– Onde está Sara? – Perguntei tentando mantê-la concentrada.
– A levaram para uma cirurgia. – Falou. – Disseram que era urgente e que me manteriam informada, mas provavelmente levará horas.
– Está bem. – Murmurei esfregando suas costas tentando acalma-la. – Ela ficará bem. – Tentei colocar convicção no que dizia. Minha cabeça girava em sua certeza de que o tiro era para ela, eu queria fazer mais perguntas, mas sabia que este não era o momento, do jeito que ela estava provavelmente se fecharia.
– Onde ela está? — Encarei Tommy se aproximar com passos rápidos, o desespero estampado em seu rosto. – Onde está Sara? Ollie? – Separei-me de Felicity que deu um passo atrás analisando Tommy com atenção. – Oliver eu te fiz uma pergunta.
– Você precisa se acalmar. – Falei tocando em seu ombro.
– Eu não vou acalmar! – Negou com voz ríspida. – Eu quero ver Sara, agora!
– Ela está em cirurgia. – Repeti o que Felicity havia me dito. – Logo alguém irá...
– Cirurgia? O que aconteceu?! – Perguntou cada vez mais nervoso. Seu olhar alcançou Felicity atrás de mim. – O que aconteceu?
– Ela levou um tiro... – Começou a responder.
– Um tiro? – Perguntou incrédulo, sua expressão fez com que eu o segurasse pelo braço antes mesmo que ele fosse em sua direção. – O que você quer dizer com isso? Ela estava com você, como isso aconteceu? Ela estava bem, então você chega com seus problemas e a leva junto, uma saída com você e ela leva um tiro! – Segurei-o com força à medida que ele ficava cada vez que ficava mais exaltado. – Eu disse que você era problema! Eu sabia que se Ollie se envolvesse com você nada de bom aconteceria, eu não esperava que Sara estivesse no meio disto.
– Desculpe... – Veio o pedido de Felicity.
– Tommy controle-se. – Exigi.
– Você deveria voltar para o esgoto de onde veio!
– Controle-se ou eu vou ignorar o fato de que está preocupado. – Falei em tom firme.
– Sara pode morrer Ollie. – Seu tom tornou-se baixo, mas ainda cheio de ira. – Ela pode morrer, e se ela morrer terá sido culpa dela. – Falou apontando com a cabeça Felicity que permanecia afastada. O soltei devagar me certificando de que ele estava mais calmo, temendo que ele de fato a atacasse e eu fosse obrigado a intervir, por mais que ele estivesse fora de si, eu não permitira que isso acontecesse, quando o soltei voltei a encarar Felicity que havia se afastado mais ainda percebendo o humor instável de Tommy, ele havia dado as costas a nós e levado as mãos a cabeça tentando se controlar, estendi minha mão para ela até que ela com hesitação a alcançou, a puxei até irmos para a entrada do hospital, Diggle já estava lá aguardando justo como eu havia mandado, quando nos viu ele imediatamente se aproximou.
– Você vai com Diggle. – Falei. – Eu ficarei e te ligo avisando sobre ela...
– Eu estou sem celular. – Falou me cortando. – Oliver...
– Vá com ele. – Falei em tom duro. – Dessa vez faça o que eu digo, não fuja Felicity, eu não posso e não quero ficar repetindo que você deve confiar em mim. Tommy e Sara, meus amigos precisam de mim, eu não posso ficar preocupado com você agora.
– Eu não posso ir. – Falou apesar do meu pedido.
– Felicity...
– Eu não estou te contrariando Oliver. – Ergueu o queixo. – Eu sei que eles precisam de você, eu nunca pensaria em tomar sua atenção agora, quando eu digo que não posso é por que Sara foi baleada, eu não posso sair do hospital até falar com a polícia. – Esclareceu.
– Conheço o seu pai. – Falei sem me importar com isso. – Ele mesmo vai querer fazer as perguntas, vá para casa, eu falo com o Det. Lance, ele fará as perguntas amanhã. – Ela me encarou por um longo tempo antes de assentir. – Felicity. – A chamei antes que se virasse. – Você vai ter que me dizer quem foi.
– Eu não sei. – Respondeu rapidamente.
– Felicity. – Murmurei impaciente.
– Eu não o vi. – Continuou. – Eu não posso te dá um nome. – Tirou do seu bolso o celular de Sara. – Entregue a Tommy, o celular descarregou quando eu estava falando com você e eu não tinha ideia de qual era o seu número, eu não quis te preocupar.
– Essa conversa ainda não acabou. – Alertei.
– Eu sei. – Seus lábios apertaram-se. – Vá com Tommy, ele precisa de você.
– Felicity não faça isso. – Falei em tom baixo. Ela franziu o cenho estranhando. – Não vá embora. – Esclareci. – Eu sei que você está pensando nisso, agora pode parecer o certo, mas não é, seria um grande erro, vá com Diggle, por uma vez me escute e quando eu chegar em casa conversamos. – Ela assentiu antes de finalmente dar as costas e ir. – Tente não a perder de vista dessa vez. – Falei encarando Diggle com dureza antes de ir até Tommy.
– Pensei que ia com sua namorada. – Tommy falou no momento em que retornei e me sentei ao seu lado.
– Ela está bem. – Murmurei distraído.
– Ao contrário de Sara. – Falou amargurado. – Eu fui atrás de uma enfermeira, ela não tem notícias, disse apenas que era uma cirurgia complicada, que a demora nesse caso era bom, caso surgisse alguma complicação eles nos informariam imediatamente.
– Sara vai ficar bem, ela é forte. – Murmurei, então após alguns segundos encarei seu rosto. – Você não pode culpar Felicity.
– Neste momento Ollie, eu posso culpar quem diabos eu quiser. – Respondeu. – Inclusive você.
– Você não está sendo coerente.
– Eu não quero ser coerente. – Retrucou. – Eu não preciso ser coerente, não até ter noticias de Sara.
POV FELICITY
– Eu preciso fazer uma ligação. – Falei para Diggle embora ele não parecesse querer escutar nada que eu quisesse falar. Durante todo o caminho para casa ele tinha permanecido quieto, apenas me lançando um ou outro olhar de censura, ignorando até mesmo meu pedido de desculpas, entretanto no momento em que minha mão alcançou o telefone sem fio em sua base ele alcançou a minha e o tirou das minhas mãos.
– Se quiser falar com Sr. Queen você pode ligar do meu. – Falou em tom sério, mas ele sabia tão bem quanto eu que eu não desejava falar com Oliver. – Em minha frente.
– Eu não quero falar com Sr. Queen. – Expressei meus pensamentos. – Eu quero falar com meu irmão.
– Use o viva voz. – Ordenou entregando-me o aparelho.
– Não. – Neguei. – Mas posso falar tendo você como companhia. – Concedi. Eu era ciente da grande merda que havia feito, eu não queria mais uma vez estar indo de acordo com ordens e vontades de um homem, e não distingui a proteção de Oliver de mero capricho masculino, como resultado Sara estava em um hospital, sua vida em perigo e tudo por minha culpa, eu fui insensata e irresponsável o oposto do que vinha sendo esses anos.
– Você não está em posição de negociar. – Retrucou.
– John...
– Não. – Negou de pronto.
–... Eu realmente preciso falar com meu irmão. – Murmurei séria. A atitude de Ivo me confundia, para alguém que havia descrito como lentamente iria roubar minha sanidade não fazia nenhum sentido ele ter tentado me matar, algo deveria ter acontecido para força-lo a agir dessa maneira, eu era sua obsessão, gostaria que não fosse, mas era, qual o sentido de me matar? A essa altura ele estaria me fazendo um favor, a inconsistência de Ivo havia me deixado muito preocupada com Roy. – Sinto muito por ter agido de forma tão infantil, não foi certo, esse é seu emprego e o coloquei em risco, desculpe, mas eu preciso falar com ele. – Repeti.
– Faça a ligação. – Concordou. – Mas você não vai a lugar nenhum, fique onde eu posso vê-la. – E escuta-la, sabia que era isso que ele queria dizer, mas assenti em concordância e disquei o número de Roy. Por alguns instantes pensei que mais uma vez escutaria a caixa postal até que ele atendeu.
– Roy. – Suspirei aliviada.
– Lis? – Sua voz estava carregada de preocupação. – O que aconteceu? Helena me ligou mandando que eu viesse para Coasty City ficar uma temporada na casa de um amigo, mas não foi clara sobre o por quê...
– Algo aconteceu. – Murmurei. – Sinto muito você ter largado a faculdade Roy, mas eu preciso que você esteja a salvo.
– Eu não me importo com a faculdade. – Murmurou ríspido. – Eu quero saber o que aconteceu com você, você está bem? O que houve para que eu precisasse sair de Central City? Foi Ivo? Ele está cobrando algo de você? Ele tocou em você? Felicity o que aconteceu? Diga-me o que aquele desgraçado fez.
– Fique calmo Roy. – Pedi. – Eu o deixei para trás. – Optei por meias verdades, não podia dizer seu nome em frente à Diggle, então contornei o máximo possível. – A dívida... Eu fugi. Ele estava cobrando algo que eu não podia mais dar.
– O que isso significa?
– Que ele está contrariado e que, portanto você está em perigo. – Falei não respondendo de fato sua pergunta. – Mantenha-se atento e saia o menos possível de casa, ligue para mim...
– Eu tentei, mas...
– Preciso comprar outro celular. – Confessei. – Quando o fizer eu te aviso o número.
– Felicity, Helena falou que você está na casa de um amigo. – Sua voz soou tensa. – Você confia nele?
– Sim. – Afirmei. – Eu confio. Você não precisa se preocupar comigo.
– É claro que eu me preocupo com você. – Protestou. – Se você está fugindo de Ivo por que continuar na cidade? Venha até a mim, vamos nos virar junto. Esse seu amigo... Deixe-o, não precisamos levar nossos problemas até ele. – Ele não sabia como isso soava tentador. – Pense nisso Lis, vamos fugir, deixar tudo para trás, você não precisa meter mais ninguém nisso.
– Eu vou. – Concordei. Lancei um olhar para Diggle que me encarava atentamente, eu havia tido cuidado para manter minha voz em tom baixo, mas Diggle era um soldado treinado, eu não me iludiria pensando que ele não havia escutado pelo menos a minha parte da conversa. – Eu preciso desligar Roy, mantenha contato.
– Cuide-se, e pense no que eu disse. – Pediu
– Eu vou. – Repeti. Desliguei e devolvi o telefone ao local, encarei Diggle que estava parado com os braços cruzados apenas me observando. – Você é bastante calado Diggle, mas por alguma razão eu sinto que me pretende dizer algo.
– Você tem ideia do quanto ele está preocupado? – Perguntou após arquear uma sobrancelha. Suspirei com pesar.
– Eu também estou preocupada com Sara, estou esperando apenas mais um pouco de tempo para lig...
– Eu não estou falando de Sara. – Interrompeu-me. – É claro que ele está preocupado com Sara, mas eu estou falando de você, ele não sabe o que fazer com você.
– Eu só trouxe problemas para ele. – Murmurei assentindo. – Você acha que eu sou uma garota mimada.
– Você não é uma garota mimada Felicity. – Negou. – Eu estive em ambientes hostis, eu não sei exatamente qual é sua história, mas sempre é baseada em alguém tirando vantagens de outro mais fraco, sempre é sobre poder. Eu não acho que você seja mimada, eu conheço esse olhar. – Franzi o cenho quando ele apontou para o meu rosto. – Mais vezes do que eu gostaria, é o olhar de alguém que já perdeu as esperanças, não é que você confie ou deixe de confiar em Oliver, você apenas já se entregou há muito tempo, você já aceitou sua derrota antes mesmo de conhecê-lo. Ele está preocupado com você, eu trabalho há anos para Oliver, eu gosto de pensar nele como amigo, por que sei que posso contar com ele, eu nunca vi ele tão preocupado com alguém, não como agora. Não aceite uma derrota que ainda não chegou. Pelo pouco que pude te observar eu posso dizer que você é tipo de pessoa que se preocupa... Que se sacrifica, por seu irmão, por Sara, por Oliver, por qualquer um que você julgue poder proteger, deixe que dessa vez você seja protegida, ele tem meios para isso, Oliver não pega mais do que pode aguentar.
– Para alguém que geralmente quase não fala, você sabe bem usar as palavras. – Comentei com um sorriso leve.
– Só para aqueles que merecem. – Sorriu.
– Você tem um alguém especial Diggle? – Perguntei me sentando no sofá. Ele seguiu meu exemplo e sentou-se só que na poltrona que ficava ao lado, os cotovelos apoiado nas pernas musculosas.
– Você não está me paquerando não é mesmo? – Brincou. – Oliver não tirou minha pele antes, mas não acho que aceitaria isso fácil. – Revirei os olhos com o que havia dito.
– Você está certo, eu sou do tipo que me preocupo, e neste momento tudo o que consigo pensar é em Sara. – Confessei, as cenas ainda indo e voltando em minha mente, eu via sangue sempre que me lembrava dela. Minhas próprias roupas estavam manchadas de seu sangue – Eu preciso me distrair, então pensei em prosseguir com nossa conversa. – Olhei para o chão, não era de minha natureza buscar alguma conversa, a verdade era que eu também era do tipo que ficava calada.
– Lyla. – Falou de repetente trazendo minha atenção de volta para si. – Ela é minha esposa.
– Você a ama. – Não era uma pergunta, eu podia sentir isso na maneira que falou o seu nome.
– Muito. – Assentiu. – Nós brigamos toda a hora, mas eu acho que fazemos isso justamente por que nos amamos. – Confessou.
– Fico feliz por isso. – Murmurei. – Você é um cara decente Diggle, tenho certeza que Lyla está feliz com sua escolha.
– Eu espero que sim. – Sorriu. – E você?
– Eu? – Perguntei estranhando sua pergunta.
– Oliver é seu alguém especial? – Perguntou me analisando com atenção, recolhi minhas pernas e as abracei, apoiei meu queixo contra um joelho enquanto analisava sua pergunta, e a repetia para mim, Oliver era meu alguém especial?
Se eu fosse sincera comigo eu admitiria que nunca antes cheguei a cogitar a possibilidade de encontrar alguém a quem considerasse especial, mas talvez nunca fosse uma palavra forte, talvez antes quando eu ainda estava na escola, quando ainda pensava em primeiro amor, imaginava que um dia poderia me casar com vestido branco, véu e grinalda, quando pensava que realmente teria meu príncipe encantado me esperando no altar, aquela Felicity pensava em ter alguém em especial, a de agora... Ela nunca imaginou que um dia teria algo semelhante a isso, mas ainda assim, mesmo que o final de nossa história não terminasse com um feliz para sempre, mesmo que o vestido branco nunca venha a ser usado e que meu príncipe encantado não esteja me esperando no altar no fim do dia, mesmo assim...
– Sim. – Respondi em tom baixo. – Oliver é meu alguém especial. – Confessei.
– Então não o deixe ir. – Murmurou. O encarei por alguns segundos antes de soltar um sorriso pesado, fraco, não era como se fosse uma escolha, mas não acho que Diggle entenderia, não agora. Por isso me ergui e falei que precisava tomar meu banho, me ofereci fazer um jantar tardio para ele, mas ele negou. Tomei meu banho e vesti-me em meu pijama, o único que havia trazido, alguns momentos depois Diggle bateu na porta do quarto, havia pedido comida para nós dois, ri internamente com ironia ao ver as embalagens do Big Belly, mas recusei com um agradecimento, eu estava sem fome alguma, eu não poderia comer depois de tudo. Deitei na cama, embora eu não conseguisse fechar os olhos, meus pensamentos estavam tumultuosos e eu não tinha mais Diggle para conversar, ele estava em algum lugar que eu não o visse, provavelmente tentando não me incomodar. As horas passaram lentamente sem que conseguisse dormir, e em nem um momento Oliver entrou em contato e deu alguma informação sobre Sara, desisti de tentar dormir e fui até a sala, liguei a tv em um programa qualquer apenas para não ficar em meio ao silêncio gritante da casa. Faltava meia hora para o amanhecer quando ele chegou. Eu sabia disso por que havia me levantado e desligado a tv para beber um copo de água antes de voltar para o quarto, eu olhava o relógio da cozinha quando escutei a porta ser aberta, seus passos eram contidos como se temesse fazer qualquer barulho.
– Você pode ligar a luz. – Falei. Demorou apenas alguns segundos até que as luzes fossem ligadas e eu fosse atingida pelo seu olhar, quando as luzes iluminaram seu rosto percebi o quanto estava cansado. – Sara? – Perguntei com a voz tremente.
– Ela está bem. – Senti um imenso alívio ao escuta-lo, que foi percebido no meus suspiro. – Foi uma cirurgia longa e complicada, mas ela está estável, eles falaram muita linguagem médica até dizer que a bala ficou próxima do coração, mas que não chegou a atingi-lo, ela ainda não está acordada, comentaram que ia demorar por causa de todos os remédios e sedativos, mas Tommy ficou no hospital. – Assenti em resposta, ele me observou com atenção. – Você devia dormir.
– Você também. – Retruquei. Ele deu de ombros antes de caminhar até o sofá e chutar seus sapatos fora, sentou lá. – Eu vou, em breve.
– Você não vem comigo? – Perguntei mordendo meu lábio com insegurança.
– Agora não. – Respondeu, em tom incrivelmente calmo. Não me movi, segui o encarando esperando mais do que isso, mas ele apenas se deitou no sofá cobrindo os olhos com um braço.
– Eu não aguento isso Oliver. – Murmurei cansada do silêncio que se seguiu, eu teria dado as costas se ele realmente tivesse dormindo, mas ele estava apenas me evitando. – Eu aceito os gritos, as acusações, eu sei que as mereço, mas eu não posso lidar com sua frieza, eu não consigo lidar com seu silêncio. Está tão decepcionado que não pode me encarar, não pode deitar na mesma cama que eu.
– Eu não posso discutir com você agora. – Sua voz era tão suave, ele estava realmente decepcionado. – Eu não posso lidar com isso agora. Minha amiga estava entre a vida e a morte, mas meus pensamentos estavam cheios de você, eu só... Não posso. Não posso seguir tentando adivinhar quem fez isso, imaginar qual será sua próxima atitude, quem tentou te matar, quem tem tal poder para isso, quem atirou em Sara, não posso continuar te pedindo para confiar em mim, não é algo que se possa exigir. Eu estou cansado de falar que quero te proteger e você correr na direção oposta, eu não posso te ajudar se você não me deixa entrar Felicity, por mais que eu queria. – Veio um suspiro. — Eu não estou decepcionado com você Felicty, eu estou decepcionado comigo. – Confessou.
– Eu estou errada, eu sou a problemática dessa relação, não você. – Neguei. Ele tirou o braço e me encarou. Aproximei-me do sofá e me sentei na ponta – Você pediu para que eu entendesse que somos um casal, eu entendo, somos um casal cheio de problemas. Você não é a parte errada aqui Oliver, eu sou a única que está constantemente pensando em ir embora, por que eu tenho medo. – Confessei. – Desculpe.
– Você está pedindo desculpas pelo o que aconteceu com Sara? – Perguntou me analisando.
– Também. – Concordei. – Mas principalmente por ter sabotado algo que acabamos de começar.
– Eu não sou tolo Felicty, eu sei que você ainda pensa em ir embora, eu posso ver isso. – Comentou em tom baixo. – Eu só peço que seja honesta comigo quando decidir ir embora, não saia à surdina, não me deixe preocupado com o que possa ter acontecido, eu não posso te prender, mas seja honesta conosco, fale comigo. — Observei seu rosto com atenção, sua expressão era séria, ele queria realmente me escutar prometendo isso, pude perceber, mas havia algo mais por trás disso, talvez ele temesse que eu decidisse agora mesmo ir embora, talvez ele não quisesse realmente escutar isso, pensei na sugestão de Roy ao mesmo tempo em que as palavras de Diggle dançava em minha mente, curvei-me deitando-me de costas para ele, eu havia o surpreendido, busquei sua mão atrás de mim e a coloquei em minha cintura.
– Eu prometo falar com você antes. – Falei baixinho. – Mas em troca eu quero que seja honesto também, eu quero uma resposta honesta para minha pergunta.
– Qual pergunta. – Escutei seu sussurro atrás de mim. Respirei fundo antes de perguntar.
– Se eu decidir ir embora. – Falei com pesar só em pensar na possibilidade. – Se eu quiser me afastar, se eu for até você e contar que eu que eu estou indo... Você será capaz me de deixar ir?
Pode ter durado apenas dois segundos, minutos ou horas antes que recebesse sua resposta quase inaudível, eu não saberia dizer quanto foi, era ciente apenas que antes pronuncia-la, sua mão que antes apenas descansava em minha cintura a segurou com firmeza e me aproximou de si tanto quanto pode, seu queixo se encostou contra meu ombro, e seu fôlego acariciou minha pele, eu era ciente desses pequenos momentos antes dele sussurrar.
– Nunca.
Fale com o autor