Notas iniciais
Boa noite meus amores!! Desculpe a demora, mas fora o vexame que eu tenho o notebook vou confessar que desanimei um pouco, quem ler Redenção sabe do que eu estou falando, fiquei triste com baixa em comentários principalmente nessa história por que ela já tem 15 capítulos, se há uma caída drástica sempre vou presumir que não gostaram do rumo que a fic teve, mas não quero encher vocês com isso, leiam!

Caminhei lentamente até a cama de Sara e deixei meu corpo cair pesadamente me sentando ao seu lado. Ivo havia estado ali, após atirar nela ele foi visita-la no hospital, encarei o rosto de sara como se buscando algum sinal de que ele havia feito mal a ela.

– Lis? – Chamou-me inquieta.

– Ele tentou algo? – Perguntei escutando minha voz tremer. – Ele veio te machucar?

– Eu acho que ele queria averiguar o que eu sabia. – Falou. – Ele veio com a desculpa de perguntar como eu estava. – Meneou a cabeça indignada. — Se você não tivesse me dito antes eu não perceberia o quão dissimulado ele é, sua preocupação parece tão... Real, seu tom gentil, a forma com que te encara olhando em seus olhos sem deixar nada ruir sua máscara. – Respirou fundo. – Eu estava com medo e tive que abafar isso, ele estava fazendo perguntas discretas, e em um determinado momento perguntou se eu havia visto quem atirou, Felicity esse homem...

– Eu sei. – Falei segurando sua mão, o que ela estava sentindo eu vinha lidando com isso há anos. A encarei preocupada com essa visita de Ivo e o que ele tirou dela, eu precisava perguntar, sua segurança dependia de sua resposta. – Sara você acha que ele percebeu que você estava inquieta? Que estava com medo? Você acha que ele percebeu que você sabia sobre ele?

– Eu acho que não. – Respondeu apreensiva. – Eu não sei, eu... Eu não sei ser como ele, eu tentei fingir que ele era apenas meu antigo professor fazendo uma visita, mas eu não sei até que ponto o convenci, eu não sei Felicity, honestamente eu não sei.

– Tudo bem. – Tentei acalma-la. – Ivo já fez o que queria, essa sua visita foi para me amedrontar, você sabendo ou não sobre ele, ele sabe que de alguma forma você me contaria que ele esteve aqui, mesmo que fosse para dizer que recebeu a visita de seu antigo professor, ele sabe que isso chegaria até a mim, realmente não importa agora se você sabe ou não.

– O que vai acontecer agora? – Perguntou-me inquieta.

– Ele está esperando meu próximo movimento. – Dei de ombros. – Vou me render ou aguardar sua próxima jogada? O problema é que se eu aguardar sua próxima jogada significa que eu coloco em risco a vida de alguém, Oliver, você, Roy, qualquer um, e eu não posso lidar com isso, eu não posso aguardar.

– Você acha que pode simplesmente voltar a ser o que era antes? – Perguntou preocupada. – Como se isso fosse pouco? Acha que fora isso não haverá algum castigo a esperando, acha que Oliver permitiria isso?

– Sara...

– Não seja tola Felicity. – Falou em tom firme. – E nem me julgue uma tola, você não ficará perto desse monstro novamente, mesmo que Oliver pudesse ficar de braços cruzados, o que nunca acontecerá, eu não ficaria.

– Eu não sei o que fazer Sara. – Confessei. – Eu estou presa em um beco onde a única direção em que posso ir é na do meu captor, já era ruim antes, eu tinha Roy e Helena a quem proteger, mas a prostituição era tudo o que eu conhecia, era terrível, mas era algo a que eu estava acostumada, agora eu tenho Oliver. – Baixei meus olhos por que eu não tinha certeza se conseguiria me segurar se visse a pena em seus olhos, eu estava cansada de chorar. – Eu tenho Oliver Sara, ele me mostrou como pode ser, me mostrou como seria incrível se existisse apenas nós dois, nenhum drama a mais, eu tenho Oliver e eu não consigo imaginar voltar ao ponto de partida, por que o ponto de partida é uma droga e eu não consigo imaginar um ponto em que não esteja mais com ele, eu não quero perde-lo. – Confessei. – Eu não quero ter que deixa-lo para não perde-lo, eu estou em um beco sem saída.

– Nós vamos descobrir um jeito. – Apertou minha mão com carinho. – Não cometa uma estupidez. – Pediu. Assenti ainda relutante e me ergui.

– Thea está me esperando. – Falei em tom de desculpas. – Eu venho visita-la...

– Felicity não venha mais aqui. – Pediu me interrompendo. – Encontre-me novamente apenas quando eu já estiver em casa, eu não sei como ele costuma agir, mas eu sinto que não é mais seguro para você estar aqui.

– E você? – Perguntei apreensiva.

– Você mesma disse, seu objetivo era que chegasse até seus ouvidos. – Deu de ombros. – E em breve terei alta, Tommy não sairá de perto de mim. – Sorriu. – Não se preocupe.

– Não me preocupar? – Meneei a cabeça. – Vocês precisavam se preocupar mais, com vocês, não comigo.

– Vá. – Mandou. – Não sei se você percebeu, mas sua cunhada não é muito paciente.

– Ok. – Ri ainda que sentindo a tensão da nossa conversa, despedi-me com um aceno e caminhei até onde tinha deixado o trio, Diggle me lançou um olhar preocupado e eu balancei a cabeça discretamente tentando aliviar sua preocupação, encarei Tommy e forcei um sorriso. – Ela está esperando por você.

– Tudo bem? – Perguntou se erguendo.

– Claro. – Menti. – Sara está apenas inquieta em um quarto de hospital, certifique-se de leva-la logo para casa.

– Tão logo os médicos a libe...

– Pressione-os. – O cortei, então sorri. – Se ela não tiver mais nenhum exame e apenas precisar descansar ela pode fazer isso em sua casa não é mesmo? – Ele me encarou desconfiado, mas assentiu relutante antes de ir, todo o caminho para QC eu me mantive distante, evitei até mesmo olhar para Thea que não insistiu em uma conversa, olhei para o meu celular, meus dedos deslizando pela tela até que visualizei o número, encarei a tela por tanto tempo que não pude resistir a fazer uma chamada para Roy, mas emiti um suspiro de derrota ao escutar cair na caixa postal. – Hey, eu só queria saber como você está, como é a nova cidade e dizer que eu sinto saudades, me ligue mais tarde, eu gostaria de escutar sobre seu dia, mesmo que tenha sido chato e monótono. – Brinquei. – Eu te amo.

– Como estamos chegando na QC eu duvido que tenha ligado para meu irmão. – Escutei Thea comentar com certa desconfiança em seu tom de voz. – Era? – Insistiu mesmo sabendo a resposta.

– Não. – Neguei massageando minha cabeça. – Era para meu irmão.

– Você tem um?

– Só você pode ter? – Perguntei sem paciência.

– Nossa! – Exclamou admirada. — Obviamente algo a chateou. – Comentou. – O que você e Sara conversaram?

– Nada. – Resmunguei. – Talvez eu esteja cansada de ver uma você menosprezando seu irmão quando outras pessoas dariam tudo para estar perto do seu, quando outras pessoas fariam qualquer coisa para protegê-lo, não ficar apenas o encurralando com acusações por que parou no tempo e não sabe o significado de crescer!

– O que diabos...

– Cresça Thea! – Ergui meu tom a surpreendendo. –Cresça. — Repeti a encarando. — Nesse mundo é preciso crescer, somos obrigados a isso, nem todo mundo pode se dar ao luxo de não fazê-lo. Não podemos para e dar um tempo, não podemos fingir que está tudo bem, não podemos mudar o que aconteceu e voltar no tempo, não podemos cruzar os braços e esperar que alguém te salve ou que tudo se resolva sozinho, não podemos! Somos obrigados a crescer, então você poderia me fazer à porra de um favor e crescer?!– Respirei fundo percebendo que havia me exaltado e jogado toda minha ira em cima dela, ela apenas me encarou em choque gerando um silêncio ensurdecedor.

– Nós já chegamos. – Escutei a voz de Diggle avisar e encontrei seu olhar preocupado no retrovisor. – Você pretende descer e falar com Sr. Queen? – Sua pergunta era mais uma sugestão.

– Não. – Neguei prontamente. – Vamos para casa.

– Espere aqui Diggle. – Thea ordenou.

– Eu não vou descer. – Protestei. – Eu não quero falar com Oliver.

– Você pode não querer falar com ele. – Observou. – Mas você definitivamente precisa dele. – Voltou a encarar Diggle. – Espere aqui, eu chamarei Ollie.

– Thea...

– Eu estou crescendo Felicity. – Murmurou em tom brando. – Não atrapalhe isso.

– Você está bem? – Diggle perguntou no momento em que ela se afastou.

– Eu não quero falar com Oliver agora Diggle. – Murmurei desviando de sua pergunta. – Podemos apenas ir para casa?

– Não. – respondeu me surpreendendo. – Ela está certa, você está agitada, você precisa dele. – encostei minha cabeça no estofado e fechei meus olhos, eu precisava dele, eu sempre precisaria dele, mas eu precisava parar de usar Oliver como muleta, por que talvez em algum momento eu seria forçada a isso. Eu não queria falar com ele, por que eu estava cansada dessa situação, eu estava cansada de falar e não chegar a lugar nenhum, eu só estava cansada. Escutei a porta ser aberta e abri meus olhos encontrando os de Oliver no caminho, por um momento ele apenas me encarou e notei vagamente Diggle sair do carro nos deixando a sós, apenas quando ele havia ido que Oliver sentou ao meu lado.

– O que aconteceu? – Perguntou em tom suave, era isso, bastava uma pequena pergunta sua e eu já queria me jogar em seus braços, levou muito de mim para evitar fazer exatamente isso, meneei a cabeça e desviei meus olhos dos seus.

– Eu não quero falar. – Murmurei.

– Felicity... – Murmurou meu nome com impaciência. Eu sabia o que estava passando em sua cabeça, ele achava que eu estava escondendo algo, ou que mentiria.

– Não se trata de esconder algo de você, não se trata de omitir mais alguma coisa da minha vida. – Neguei rapidamente. – Não se trata disso, eu só não quero falar agora, mais tarde quando estivemos em casa novamente eu irei falar com você, mais tarde conversaremos sobre isso, mas agora eu só quero estar em uma bolha em que o nome de Ivo não é temido, eu quero estar em um lugar onde eu não tenha que me preocupar com ele, mais tarde voltaremos aos nossos problemas, mas agora eu não quero falar Oliver, agora eu só quero ficar quieta, agora eu só preciso da minha bolha ok? — Murmurei o encarando, ele assentiu com o olhar preocupado e sua mão alcançou meu rosto impedindo-me que eu voltasse a desviar meu olhar do seu.

– Tudo bem. – Sua voz não era mais que um sussurro. – Eu estou aqui. – Seu rosto se aproximou do meu, pensei que me beijaria, mas tudo o que fez foi encostar seu rosto ao meu, seus olhos nunca abandonando os meus. — Eu posso ser sua bolha. – E foi nesse momento em que me permiti jogar em seus braços justo como eu queria, ele moveu-se me puxando para seu colo e escondi meu rosto em seu pescoço enquanto sentia seu carinho. Senti o medo retornar, eu não queira perdê-lo. Apertei o tecido de sua roupa enquanto absorvia seu cheiro. Eu não queria perdê-lo, não era justo, não era justo eu ter o encontrado apenas para ter que deixa-lo ir, eu não queria. Eu não sabia por quanto tempo ficamos abraçados, mas eu era ciente que precisava solta-lo, forcei-me a abrir meus dedos e solta-lo, tomei um pouco de distância e observei seu rosto, ele sorriu ao notar que eu estava mais calma.

– Obrigada. – Murmurei saindo de seu colo. – Por ser minha bolha. – Seu sorriso se abriu ainda mais. – Eu realmente estava precisando. – Acrescentei. Ele assentiu levando a mão ao trinco da porta, mas antes que saísse me encarou com suavidade.

– Não precisa me agradecer por isso. – Murmurou antes de se inclinar de volta e me beijar rapidamente nos lábios. – Você é minha bolha. – Falou antes de sair deixando-me com um pequeno sorriso nos lábios, Diggle pegou esse sorriso quando entrou no carro.

– Tire esse olhar presunçoso. – Falei quando percebi a forma que me fitava.

– Eu disse que você precisava dele.

– Apenas dirija. – Pedi ocultando um sorriso e partilhando de seu humor.

POV OLIVER

Observei o carro se afastar enquanto sentia a força do olhar de Thea em mim. Ela e Diggle haviam nos dado privacidade quando entrei no carro, mas eu era ciente de que tão logo Felicity partisse Thea iria quebrar seu silêncio e me encheria de perguntas, perguntas que infelizmente eu não poderia responder.

– Vai me explicar o que foi isso? – Thea decidiu por fim iniciar seu bombardeio. – O que é isso? Essa relação entre vocês dois? – Franzi o cenho a encarando. – Ollie no que Felicity está metida?

– Você acaba de chegar Thea. – Falei em tom cortante. – Você não tem direito a essas perguntas. – Pensei que ela protestaria ou começaria com suas provocações que sempre terminava em nossas costumeiras brigas, mas tudo o que ela fez apertar os lábios em clara irritação e assentir relutante. – Agora você vai me dizer o que aconteceu. – Segurei seu braço enquanto a guiava até o elevador do estacionamento. – Ela estava bem hoje de manhã.

– Ela não falou nada quando você entrou? – Perguntou confusa, meneei a cabeça em negativa e aguardei que ela começasse a falar. – Eu não sei, ela estava sendo irritantemente legal com todos os seus conselhos, eu fiquei alguns momentos com Sara e depois as duas falaram em particular, após a conversa dela com Sara ela ficou tensa e passou quase todo o caminho em silêncio, até que de repente ela explodiu e me atacou, tudo o que eu fiz foi perguntar se ela tinha um irmão, ela estava alterada, eu não sei o que levou a isso, mas tenho certeza que você sabe. – Respirei fundo absorvendo suas palavras. Sim, sem dúvida nenhuma eu sabia, com toda certeza estava relacionada a Ivo, mas eu queria saber exatamente o que aconteceu, ele a ameaçou? Ele se aproximou dela?

– Tinha mais alguém no hospital visitando Sara? – Perguntei com uma leve suspeita.

– Apenas Tommy. – Respondeu. – Por falar nisso eu não sabia que ele dois estavam juntos.

– Tem muita coisa que você não sabe. – Retruquei quando as portas do elevador se abriram.

– Pare. – Escutei sua voz atrás de mim, mas continuei andando até entrar em minha sala. – Ollie pare. – Repetiu. Virei-me a encarando. – Você está chateado, eu venho o evitado desde a morte de nossos pais, e sempre que nos encontramos nós acabamos envoltos em nossas próprias brigas e agora eu decidir ficar em sua casa, interrompendo seu momento idílico com sua namorada.

– Onde você quer chegar Thea? – Perguntei sem paciência. – Sempre terminamos em briga por que você nunca consegue manter suas provocações para si, nos mantemos afastados por que você decidiu que queria assim, por que você está decidida a me manter como culpado de tudo de ruim que aconteceu conosco, por que...

– Você é tudo o que eu tenho. – Interrompeu-me surpreendendo. – Eu sei disso, você é tudo o que eu tenho, para amar, para agradecer, para odiar e culpar. – Continuou. – Outras pessoas, alguém como Felicity abraçaria seu irmão e agradeceria por ainda tê-lo, ficaria feliz por tê-lo, mas um pequeno grupo de pessoas, eu estando nesse grupo, pegamos todos esses sentimentos e guardamos em um local só, por que não sabemos o que fazer como eles, eu estou grata por você não ter morrido naquele avião? Honestamente? Sim, eu estou, você é meu irmão, eu te amo e estou feliz por não tê-lo perdido, mas o problema Oliver é que você é o único que me restou, e quando colocamos todos esse sentimentos em um lugar só, eles acabam se confundindo e algumas vezes, maioria delas no meu caso o ressentimento, o ódio domina sobre os outros.

– Thea...

– Então eu começo a refletir. – Deu de ombros. – Se você tivesse se acalmado, se você não tivesse pilotado aquele avião, se fosse qualquer outra pessoa exceto você... Eles estariam vivos. – Sua voz tremeu enquanto prosseguia, em seus olhos eu podia ver o brilho de lágrimas não derramadas. – Eles estariam vivos e ainda seriamos uma família, estaríamos juntos.

– Não estaríamos juntos Thea. – Balancei a cabeça em negativa me aproximando. – Nossos pais não eram perfeitos, muito longe disso. Não seriamos mais uma família, eles teriam se separados e envolvido você nisso, eu teria me afastado por que não conseguiria mais estar no mesmo lugar em que nossa mãe estivesse presente. Não seriamos uma família. De um jeito ou de outro acabaríamos exatamente como estamos agora. – Ela meneou a cabeça não acreditando em minhas palavras. – Nosso pai traia nossa mãe com uma estagiária, e ela devolvia isso o traindo com Malcoln Merlyn seu melhor amigo e pai do meu. Tommy nunca soube disso. – Seus olhos se abriram em óbvia surpresa.

– Isso não pode ser verdade. – Murmurou.

– Mas é. – Retruquei. – A única razão para eles estarem juntos era por que ela não queria desistir do sobrenome Queen e ele não queria ficar mal diante os acionistas, ele queria a família perfeita perante os outros.

– Vocês brigaram. – Murmurou estreitando os olhos. – Naquela noite, foi por isso?

– Não. – Resolvi ser sincero e contar tudo o que vinha mantendo para mim. – Eu tinha uma namorada na época, nada sério, mas ela ficou grávida e nossa mãe sabia disso, ela pagou para que a garota tirasse o bebê, foi por isso que brigamos, eu ia ser pai, não era algo que eu estava ansioso, mas ela tirou isso de mim. E eu sinto muito, mas estando morta ou não, isso é algo pelo o que eu nunca vou perdoar.

– Um filho? – Repetiu em choque levando as mãos ao rosto. – Oliver eu sinto...

– Ele está vivo. – Murmurei antes que pudesse me conter. – Demorou alguns anos para que eu descobrisse, mas ele está vivo, ele não sabe que sou seu pai, mas eu o encontro todos os meses, ele está aqui, na cidade.

– Deus! — Exclamou levando as mãos ao rosto e passando a andar até a cadeira mais próxima. – Oliver... Você tem um filho! – Murmurou admirada. – Isso é... Nossa. – Caminhei até ficar em sua frente e não pude evitar soltar um sorriso divertido com sua reação. Encarou-me com curiosidade. – Quantas pessoas sabem disso?

– Eu nunca falei para John, mas imagino que ele tenha deduzido. – Dei de ombros. – Fora isso, você e Felicity. – Uma sobrancelha se ergueu ao escutar o último nome.

– Felicity sabe que você tem um filho. – Assenti reafirmando. – Você confiou isso a ela? –Perguntou descrente. – Você não costuma confiar em ninguém.

– Eu nunca contei a Felicity, ela descobriu. – Confessei. – Antes eu não confiaria, não começamos com o pé direito, mas agora eu definitivamente contaria, eu confio nela, mais do que aparento e mais do que ela imagina. – Seus olhos me examinaram com astúcia.

– Eu sei que você não quer conversar comigo sobre ela. – Falou em tom suave. – Essa é nossa primeira conversa civilizada dentre anos, eu não culpo por não querer compartilhar isso comigo agora, mas eu preciso saber Oliver, essa garota obviamente tem sérios problemas, eu não sei até que grau chega e que tipo, mas ela tem e precisa de uma rocha a que se segurar, ela parece ser uma boa pessoa, eu sei que você ainda está casado e o que eu costumo conhecer de você com as mulheres é que você as usa e logo se cansa, você tem amantes, não namoradas. Quando eu pergunto sobre seu relacionamento com ela confesso estar mais preocupada com ela do que com você. Ela precisa de uma rocha, você pode ser isso para ela?

Refleti sobre sua pergunta, poderei sobre cada atitude minha e de Felicity, separadamente e como casal. Pensei sobre todos os problemas que estamos enfrentando juntos, o que significava e como isso influenciava em nossas vidas, pensei em tudo o que ela passou e ainda estava passando, pensei eu como eu me sentia quando estávamos juntos, tendo sexo envolvido ou não, pensei nela.

– Ollie? – Thea me chamou notando meu súbito silêncio.

– Eu posso ser o que quer que seja que Felicity precise. – Murmurei por fim. Isso a surpreendeu, ela analisou meu rosto com interesse, como se também estivesse analisando a veracidade em minhas palavras com um encolher de ombros se levantou, sua mão alcançou meu ombro, o primeiro gesto de carinho dentre anos.

– Você precisa dizer a ela. – Murmurou. – Ela precisa saber.

– Ela sabe. – Falei pensando quando estávamos no carro.

– Não o que você acabou de me dizer. – Negou com um sorriso genuíno. – Você precisa dizer que a ama. É estupidez amar alguém assim e manter isso apenas para si. – Pisquei surpreso.

– Eu...

– Não gaste seu fôlego comigo Ollie. – Murmurou me interrompendo. – Gaste seu fôlego com Felicity, para mais tarde, quando você chegar em casa e disser essas três palavrinhas. –Voltou a se sentar cruzando as pernas e se acomodando a cadeira. – Agora vamos assinar esses malditos papéis. – A encarei incrédulo, ao mesmo tempo em que pensava que ela estava certa, era estupidez guardar isso para mim.

POV FELICITY

– Obrigada por mudar seus planos. – Murmurei para Diggle enquanto ele andava ao meu lado até o elevador, ele me encarou aborrecido, sua expressão tinha sido essa desde o momento em que eu havia pedido para ele me levar até o prédio de Helena após passarmos algumas horas olhando para o teto, ela não tinha atendido ao celular quando eu liguei, mas isso era algo típico de Helena, hoje era dia de corrida e ela geralmente deixava o celular em casa, ninguém vivia tanto tempo no Glades sem se preocupar em manter objetos de valores em casa quando necessário.

– Eu preferia que Oliver atendesse seu celular, assim eu poderia avisar sobre essas mudanças de planos. – Resmungou. Por ele continuaríamos em casa, mas provavelmente temia meu humor volátil e ter que chamar Oliver para me acalmar, então atendeu meu pedido de irmos até Helena apesar de não gostar da ideia. – E se sua amiga não tiver chegado?

– Ela logo chegará. – Respondi. – Ela sempre deixa o porteiro em alerta para me deixar entrar e esperar. –Falei. A razão por essa visita repentina era culpa, Sara havia falado da abordagem de Ivo e logo presumi que ela estaria em perigo, cheguei a ligar para Roy por estar preocupada com ele, mas demorei a ponderar que a mensagem de Ivo poderia ser outra, ele foi até Sara, mas Helena é minha melhor amiga, minha amiga mais antiga, quem passou pelos mesmos problemas que eu, passamos por isso juntas, por coisas que nunca deveríamos ter passado, e termos uma a outra ajudou a aguentarmos. O tiro em Sara não foi mais do que um acaso, suas ameaças sempre foram a Roy e Helena, ter Sara no hospital mudou meu foco por um tempo, agora eu precisava me certificar que Helena seria mais cuidadosa. Bati em sua porta algumas vezes e percebi que de fato ela não estava em casa, abri minha bolsa e recolhi a chave que ela havia me entregado na última vez que havia estado ali, ela disse que caso as coisas com Oliver não desse certo ela queria que eu não tivesse dúvidas que tinha um lugar para voltar, que ela era minha família.

– Nós realmente vamos invadir uma casa? – Diggle perguntou me encarando com desaprovação.

– Não vamos invadir, não é invasão quando a dona me deu uma cópia da chave. – Respondi. – Eu vou espera-la, eu quero falar com Helena. – Ele assentiu percebendo que eu não mudaria de ideia, entrei na sala jogando a bolsa no sofá e apontei dele para John. — Pode sentar ai Diggle, eu vou até o quarto dela pegar um par de botas. – Ele me encarou incrédulo. – Ela nunca me devolveu as minhas. – Dei de ombros. — Esse é o momento perfeito para eu pegar. – Expliquei. Ele sentou-se com de tédio, caminhei até o quarto escuro devido às cortinas fechadas e acendi as luzes, o quarto estava uma bagunça, o que era mais uma característica de Helena. Abri seu closet e entrei admirando o trabalho que ela havia feito, sem pressa procurei por minhas botas, não sei o que me fez caminhar até o banheiro quando as encontrei, talvez aquela sensação de algo estar errado, ou apenas curiosidade feminina, seja qual for a razão eu preferia que não tivesse sentindo a necessidade de ir até lá, eu queria ter ficado alguns minutos em seu closet admirando suas roupas bonitas, queria continuar apegada a ideia de que logo ela chegaria da corrida e que conversaríamos, queria por mais alguns minutos, só mais alguns minutos abraçar a ideia de que minhas melhor amiga, parte da minha família estava viva, não morta em sua banheira.

Não registrei o momento em que gritei, eu não havia escutado meu grito, nem tinha sentido minhas lágrimas, não registrei isso também, eu sabia que em algum momento Diggle entrou no quarto correndo em busca de um perigo e viu o que eu não conseguia deixar de encarar e me abraçou, em nenhum momento ele a tirou da banheira, ele viu que ela estava lá, escutou-me implorar para tira-la de lá, mas ele repetia uma e outra vez que ela já tinha ido, empurrei seus ombros, lutei contra seu abraço apertei minhas unhas em seus braços, esforcei-me para que me soltasse, mas ele não o fez, empurrou-me até que eu não estava mais no quarto, e tentou me acalmar. Fez suas ligações enquanto ainda me envolvia, eu já não protestava, já não gritava por ela, nem sequer chorava, eu me sentia vazia, eu não conseguia sentir mais nada.

Logo a casa estava cheia de pessoas e ele teve que se afastar deixando-me inerte sentada no sofá. Chegaram à conclusão de suicídio em apenas alguns minutos, tiraram fotos e logo levaram-na, no momento em que passaram com seu corpo Oliver entrou no apartamento, sua atenção ao corpo que passava não durou mais do que alguns segundos, em poucos passos ele me alcançou, segurei minha respiração enquanto sentia seus braços me rodearam, murmurou palavras de conforto e carinho, eu não conseguia devolver seu abraço, antes tão natural, não fui capaz de responder nenhuma de suas perguntas, não fui capaz de dize uma palavra nem quando entramos no carro e ele continuou a me abraçar, nem mesmo quando momentos mais tarde ele me colocou na cama por cima dos lençóis e puxou meu corpo contra o seu, deixei-me encostar minha cabeça contra seu ombro e fechei meus olhos tentando arrancar a imagem de Helena nua em sua banheira, os olhos fechados como se tivesse dormindo, a cor vermelha na água indicando-me que se tratava de seu sangue, ela estava tão serena, parecia estar dormindo, quem dera ela estivesse dormindo.

Notas finais
Bem espero que de certa forma tenham gostado, eu gostaria muito de saber o que acharam nos comentários, aguardo vocês lá! xoxo LelahBallu