Notas iniciais
Boa noite galerinha!! Capítulo saindo apenas algumas horinhas adiantado, espero que gostem!! Como não posso confiar no meu note e/ou na minha net preciso ser rápida nas notas, então é isso, aproveitem!

POV FELICITY

Joguei a pequena bola para cima a observando atingir o teto e voltar para minha mão, então repeti o movimento uma e outra vez, sempre mantendo minha total atenção nela, eu me concentrava nessa minha pequena forma de passar o tempo, era isso ou olhar para Sara deitada na cama parecendo... Tão frágil. Eu estava sentada na poltrona confortável, minhas pernas por cima de um dos braços.

– Você não devia estar me paparicando? – Quase perdi o trajeto da bola ao escutar a voz feminina brincar, mas felizmente a agarrei antes de escapar. – Oferecendo água, ou me acompanhando até o banheiro?

– É... Para isso você deveria estar acordada. – Retruquei com um sorriso. – E me disseram que suas pernas estão ótimas. – Faltavam apenas mais alguns dias para ela receber alta, eu tinha vindo antes, mas apenas rapidamente para me certificar que ela realmente estava bem e voltei para casa, Tommy quase não saia de perto dela e eu pretendia evitar contato com ele o máximo possível, sendo melhor amigo de Oliver ou não.

– Brincar enquanto sua amiga está quase morrendo é rude. – Ergueu uma sobrancelha.

– Você não está quase morrendo. – Neguei. – As enfermeiras falaram que sua recuperação está sendo “esplêndida”.

– Estou falando de tédio. – Ajeitou os travesseiros sentando-se na cama. – Sente aqui. – Pediu batendo no colchão. – Conte-me o que estou perdendo. – Balancei a cabeça com diversão e sentei onde havia indicado.

– Bem teve uma boa cota de drama, conheci seu pai, que é tão assustador quanto Oliver me fez acreditar...

– Meu pai é um grande urso. – Protestou.

– Com você. – Ri. – Comigo só faltou uma sala escura e uma lâmpada forte acessa no meu rosto enquanto fazia as perguntas.

– Ele estava preocupado. – Deu de ombros. – Eu já havia dito que você estava de costas e que não tinha visto o rosto de quem atirou, sequer eu o vi, ele estava nas sombras, a única maneira de você ter visto seria se tendo olhos atrás da cabeça e uma ótima visão. – Brincou.

– Seria bastante útil. – Assenti.

– Mas nem um pouco charmoso. – Contrapôs. Fiquei feliz com seu bom humor, mas a observei com seriedade. – Você ficou séria, o que aconteceu?

– Você não devia ter se jogado em cima de mim. – Falei por fim.

– Tem razão. – Falou colocando tédio em sua voz. – Eu devia ter deixado você morrer, o que eu tinha na cabeça quando evitei isso? – Bufou.

– Eu estou falando sério Sara, você quase morreu. – Falei em tom sério. – Foi por pouco.

– Mas não morri. – Retrucou. – E não me arrependo, então vamos parar com essa conversa e falar de coisas mais interessantes...

– Interessantes? – Repeti.

– Como você e Ollie estão? – Perguntou com interesse real. – Pelo o que conheço de vocês dois deve estar sendo um puxa e estica.

– Puxa e estica? – Sorri.

– Sim. – Assentiu. – Vocês nunca estarão estáveis, nunca serão o casal perfeito e eu acho que é isso que gosto na relação de vocês.

– Você não deveria querer uma garota perfeita? – Perguntei cruzando meus braços e sentando-me ao seu lado, encostando-me a cabeceira da cama.

– Eu quero a garota perfeita para ele, não uma garota perfeita. – Corrigiu-me. – E você é perfeita para ele, não é por que vocês não são o casal perfeito, com a relação perfeita, que vocês não são perfeitos um para o outro.

– Você e Tommy tem a relação perfeita? – Sondei preocupada, ela franziu o cenho não entendendo onde eu queria chegar.

– Nem de longe. – Negou. – Minha história com Tommy é complicada. – Continuou. – Não chega a ser como a de vocês, mas tem sua cota de intrigas e desencontro, mas nós dois estamos juntos agora e tem sido incrível. – Assenti distraída assimilando suas palavras, ela estava feliz com ele, eu não queria que algo destruísse isso. – Escuta Lis, eu sei que Tommy não foi 1% do cara maravilhoso que ele é comigo, eu soube das coisas que ele te falou, ele me contou, eu sinto muito por isso, mas Tommy não é assim...

– Eu entendo que ele estava preocupado. – Dei de ombros diminuindo o que havia acontecido no corredor. – E eu sei que ele é um cara incrível com você, enquanto continuar assim eu estou feliz por você.

– Eu só não queria que você o odiasse por isso. – Falou em meio a um suspiro.

– Não se preocupe eu não o odeio. – Não por isso. Completei mentalmente. – Ela pegou a bola das minhas mãos e passou de uma mão para a outra.

– Eu o amo, entende? – Perguntou ainda encarando a bola. – Ele é o tipo de cara com que você se imagina namorando, você apresenta ao seu pai mesmo sabendo que ele é contra ao seu namoro, mesmo sabendo que no passando ele teve seus momentos de cretino você imagina um futuro ao seu lado, casando com ele, tendo filhos e vivendo em uma casa confortável e grande o suficiente para uma família. – Sorriu parecendo estar de fato imaginando isso. Então me encarou com curiosidade. – Você já pensou em ter filho Lis?

A encarei surpresa com sua pergunta, não pude deixar de soltar um pequeno sorriso irônico. Ela se deu conta de para quem tinha feito à pergunta e meneou a cabeça como se tentasse apaga-la.

–Desculpe, foi uma pergunta estúpida. – Mordeu o lábio parecendo profundamente arrependida. – Sinto muito.

– Esta tudo bem. – Acenei com a mão indicando que deixasse sua preocupação em ter sido uma indelicadeza de lado. – Não. – respondi. – Eu nunca pensei em ser mãe, para ser sincera sempre tive medo que isso acontecesse. – Engoli em seco ao me lembrar de um episódio que eu gostava de deixar aterrado em minha mente, intocado. – Houve um dia em que pensei que estava grávida, fiquei trancada em um banheiro por quase uma hora, Helena minha melhor amiga do outro lado da linha, eu podia escutar sua respiração, nossas respirações na verdade, nos duas a prendíamos, eu encarava o maldito exame com tanto medo, eu temia o resultado. Levei um bom tempo tomando coragem para fazer, e mais um quantidade considerável criando coragem de ver o resultado, nós duas que nunca fomos apegadas a um Deus rezamos a ele para que eu não tivesse grávida. — Olhei para Sara que segurava a respiração como se ela mesma tivesse naquele banheiro agora. – Para uma prostituta a opção mais direta é tirar o bebê, cria-lo não é impossível, mas raro, ou você tira ou leva a gestação até entrega-lo para adoção, ficar com um bebê de algum cliente é bastante digno pelo amor a seu filho, mas não assim tão fácil, imagine você não ter certeza de quem é o pai. – Expliquei. – No meu caso, jamais me deixariam ficar com a criança. – Ivo nunca permitiria. – Mas felizmente eu não estava grávida, eu nunca fiquei tão aliviada em minha vida, eu conheço de perto o outro lado, daquelas cujo resultado é positivo, é terrível.

– Sua amiga Helena. – Deduziu. Assenti triste.

– Foi antes. Ela ficou grávida. – Confiei essa informação a Sara. – Foi assim que ela se afastou, ela decidiu levar a gravidez adiante, eu fiquei surpresa por não a terem forçado a abortar, mas eu ainda não tinha ideia do quanto eu estava sendo “valorizada” por nosso “chefe”, ele não se importava com ela, então não houve muito problemas.

– O que aconteceu com o bebê? – Sara perguntou intrigada. – Você disse que ela decidiu levar a gestação adiante, mas ela ficou com ele?

– Um dos clientes, na verdade esse pode ser chamado de amante, se importava com ela. – Falei. – Ele ofereceu tudo a ela. Ele é rico e precisava de um herdeiro, e tinha a possibilidade de que o filho fosse dele... Ele quis assumir o bebê e ficar com ela, ele precisava de um casamento de fachada e não se importa que fosse com ela, então ele não se importava se o filho fosse dele ou não e a propôs casamento. Mas ela perdeu o bebê. – Dei de ombros não querendo ficar muito emotiva. – Foi espontâneo, mas ela não pode mais ter filhos.

– Isso é terrível. – Sara murmurou triste. – O cara deu para trás?

– Não. – Neguei. – Eles ainda estão noivos, ele ainda precisa de uma noiva. Disse a ela que quando ela quisesse poderiam adotar, ele não se importava.

– Parece tão frio, ele. – Sara comentou. – Um acordo.

– Eu sei, mas é bem melhor do que a forma que ela vivia, confie em mim. – Murmurei pesadamente.

– Por que você me contou isso Felicity? – Sara perguntou confusa. – Essa é a história de Helena.

– Eu te contei por que eu sei que posso confiar em você. – Murmurei. – Entenda também Sara que essa é minha história também, assim como a minha é a dela e de muitas outras, não sou a única com uma história triste, apenas nós duas tivemos a sorte de achar pessoas que se importem com a gente, cada qual com sua razão por trás.

– Eu sei que você esteve muito perto de dizer quem é o cara que tinha tanto domínio em sua vida. – Ela sussurrou. – Eu não quero pressiona-la Felicity, mas eu acho que mereço saber quem foi que atirou em mim. – A encarei surpresa, ela havia dito a todos que não havia visto o rosto de quem havia atirado nela, então eu assumi que era verdade. – Eu não vi seu rosto. – Falou lendo minha expressão. – Mas eu não sou tola, você estava agitada naquele dia, louca para ir embora e assustada, então um cara vem e atira em você? Quem é ele Felicty? Você pode não querer contar a Oliver, tem essa ideia estúpida de que o está protegendo assim, mas diga para mim, eu não posso dizer a meu pai sem que eu tenha provas, então não se preocupe com isso, fale comigo. – Pediu. Observei seu rosto incerta se deveria dizer ou não, mas ela estava certa, eu precisava falar com alguém, por mais que a razão me dissesse para falar com Oliver eu persistia calada sobre isso, ele estava sendo mais paciente do que qualquer outro seria. Sara estava certa nossa relação nunca era estável, brigávamos, mas logo nos entendíamos, ele era carinhoso e extremamente protetor, eu sabia que ele estava envolvido com Diggle buscando quem seria, sabia que ele não acreditava na minha versão de que não sabia quem havia atirado em Sara, mas ele vinha mostrando compreensão, por eu estar me abrindo mais, ele se acalmava.

– Anthony Ivo. – Murmurei em um só fôlego, por um momento tudo que ela fez foi me encarar surpresa.

– Você está falando de Dr. Anthony Ivo? – Perguntou incrédula. – Você está falando de um dos professores mais prestigiados da Universidade de Starling City, do reitor dela. Braço direito do prefeito Sebastian Blood, dizem que ele considera se candidatar a algum cargo na politica e tem o apoio de Sebastian. – Falou horrorizada. – Esse homem, que foi meu professor, esse homem manteve você todos esses anos como uma prostituta de luxo, esse homem ameaçou sua vida e a vida de todos ao redor, Felicity esse homem atirou em mim?

– Quanto mais impecável a imagem exterior de uma pessoa, mas escuro é seu interior. – Murmurei.

– Deus Felicity! – Sussurrou ainda horrorizada. – Ele é um monstro.

– Ele é. – Concordei. – Eu sei que você está processando tudo agora, mas eu agradeceria se pudesse mudar de assunto. – Falei após ficamos um breve momento em silêncio. Ela não estava indo bem com tudo isso. Ele havia sido seu professor, a imagem que Ivo passava para as pessoas era perfeita, descobrir a real pessoa por trás da máscara gentil era um baque para qualquer um, quem acreditaria? O que adiantaria eu uma ninguém falar sobre ele para qualquer autoridade sem nada que pudesse de fato incrimina-lo, apenas com minha palavra. Sara me encarou ainda sob o impacto que minhas palavras haviam dito, ela forçou um sorriso e me analisou com interesse.

– O que Oliver disse sobre esse seu visual Sexy Nerd? – Perguntou com curiosidade. Levei a mão até a lateral dos óculos o ajeitando apenas em um gesto automático, eu costumava usar óculos quando estava sozinha em meu apartamento, deixando de lado as lentes.

– Ele ainda não viu. – A informei.

– Como não? – Estranhou. – Vocês não se viram hoje?

– Eu costumo usar óculos quando estou sozinha Sara, ao menos costumava, uma prostituta com óculos não era uma visual muito atraente, desde que comecei a morar com Oliver ele ainda não viu colocando, por que quando o coloco ele está fora trabalhando, essa é a primeira vez que coloco o óculos para sair.

– Mas ele não te viu saindo? – Franziu o cenho. – Você veio sozinha? Por favor, não me diga que está sozinha.

– Eu não estou sozinha. – Falei. – Estou com meu “BFF”, Diggle.

– Agora, por favor, não me diga que eu levei uma bala por você para Diggle receber o título de “BFF”. – Protestou. Ri com sua demonstração de ciúmes, tão certo que o céu era azul que Helena e Sara não iam se dar bem.

– Prefiro o chamar assim que segurança ou guarda costas. – Confessei. – E Oliver não meu viu, por que ele saiu cedo, ele foi encontrar sua irmã.

– Oh inferno, Thea está na cidade?

– Nada bom? – Perguntei apreensiva.

– Preste bem atenção Felicity, quando ela começar a atacar Oliver e vice-versa, faça de tudo para não estar entre eles, nunca termina bem. – Aconselhou-me. Assenti concordando e me ergui me esticando. – Ei! Onde você vai?!

– Casa. – Falei olhando meu relógio. – Oliver me disse que Tommy estaria chegando agora, quero evitar confrontos.

– Você não precisa se preocupar com isso. – Escutei a voz masculina falar atrás de mim. Virei-me para encontrar com os olhos de Tommy me avaliando com atenção, uma onda inquietante de aversão tomou conta de mim.

– Eu já estava indo. – Comentei, voltei a encarar Sara e me aproximei para pegar a bola e abraça-a rapidamente. – Melhoras. Qualquer coisa me liga no meu novo número.

– Eu tenho esse número? – Perguntou confusa.

– Mando uma mensagem para você e você salva. – Falei antes de dar um último aceno. – Tommy. – O cumprimentei passando por ele.

– Felicity espere. – Escutei-o me chamar enquanto eu andava pelos corredores. O encarei tensa. – Olhe, eu sei que eu fui um estúpido antes. Eu sinto muito. – Ergui uma sobrancelha por ele realmente está falando disso. – Eu não devia ter dito aquelas coisas. – Abri a boca por fim entendendo o que ele estava falando. – Minha única desculpa era que eu estava louco com a possibilidade de perder Sara. – Assenti com um suspiro entendendo que ele realmente se preocupava com ela. – Desculpe, vamos tentar nos dar bem? Por Oliver? Eu tenho certeza que você é uma ótima pessoa, nada do que eu disse naquele dia foi justo com você.

– Ok. –Assenti novamente. – Eu já esqueci o que rolou naquele dia, mas Tommy, se você a ama, como eu realmente acho que você faz, não vai deixar que nada fique entre vocês dois, principalmente assuntos não resolvidos. – Ele franziu o cenho parecendo não entender o que eu dizia, meneei a cabeça com irritação.

– Do que você está falando?

– Bom dia Tommy. – Murmurei tornando a me afastar, o deixei atônito e confuso e dessa vez ele não me interrompeu. Quando entrei no carro meu humor não estava um dos melhores, estava tão distraída que demorei a notar que não estávamos indo pelo habitual caminho.

–Diggle? – Chamei-o confusa, seus olhos me encaram através do retrovisor. – Por que não estamos indo para casa?

– Oliver me ligou avisando mudanças de planos. – Falou.

– Pena que ele não pôde fazer o mesmo comigo, afinal foi ele que insistiu que eu andasse com isso? – Ergui o celular sem ânimo. – Para onde estamos indo Diggle?

– Vou deixa-la na Queen Consolidated. – Informou-me.

– Ainda sem entender por que ele não me avisou. – Murmurei encarando a tela do celular em busca de alguma mensagem perdida.

– Eu acho que ele desejava fazer uma surpresa. – Argumentou.

– Mais uma coisa que preciso esclarecer para Oliver. – Sussurrei não exatamente para ele. – Eu aprendi a não gostar de surpresas. – John não disse nenhuma palavra a mais, quando chegamos à empresa insistiu em subir comigo e me guiar até o andar de Oliver, não era a primeira vez que tinha estado lá, e eu estaria mentindo se não assumisse que no momento em que pisei em seu escritório imagens da minha primeira vez na QC invadiram minha mente. No momento em que entrei Oliver elevou a cabeça dos papéis e olhou para John atrás de mim, dirigindo a ele um único assentimento que tenho certeza John sabia o que significava. – Devo me preocupar por eu está sendo chamada na sala do diretor? – Brinquei.

– Depende. – Sorriu. – Você está sendo uma garota má?

– Isso é tão inapropriado Sr. Queen. – Fingi uma expressão severa que trouxe um novo sorriso em seu rosto. – Mas e se eu estiver sendo... Qual seria minha punição? – Perguntei parando diante sua mesa e a contornando, ele afastou sua cadeira da mesa permitindo que eu sentasse em seu colo deixando meu peso em uma de suas coxas firmes.

– Os óculos faz parte da brincadeira? – Perguntou minha mão e entrelaçando a sua.

– Sara estava certa. – Murmurei surpreendida. – Você notaria.

– Eu noto tudo em você. – Murmurou.

– Humm bajulador. – Sussurrei antes me inclinar para beijar seus lábios levemente. – Os óculos fazem parte da minha necessidade de enxergar. – Esclareci. – Agora vamos voltar ao foco, o que você quer?

– Eu acredito que você já esteve nessa sala, fazendo a mesma pergunta. – Seu sorriso era sacana. – Eu acho que a resposta ainda é a mesma.

– Oliver... – Chamei sua atenção, não me deixando seduzir. – A resposta é não.

– Não lembro te feito uma pergunta. – Retrucou. Suspirei com sua resposta.

– Você está rodeando. – Comentei. – E você não rodeia, você vai direto ao ponto, o que significa que o que você tem em mente é algo do que eu não concordo, então vamos poupar um pouco de tempo e energia e esclarecer que não vou fazer seja lá o que for que você quer que eu faça.

– Eu tenho um evento hoje. – Prosseguiu. – Eu não queria ir, mas é promovido pelo prefeito e dada a crise que a QC teve após a morte do meu pai, eu não posso estar faltando em eventos que possa atrair mais investidores, Tommy vai estar lá por que Sara insistiu que ele fosse, mesmo sem ela, ele também precisa representar sua empresa, eu não queria ir, mas precisamos.

– Você precisa ir. – Murmurei sem ânimo. – Eu não quero ir a um evento como esse, vários figurões da alta sociedade Oliver? Eu não vou me sentir bem. – Principalmente por que era um evento promovido pelo prefeito, dificilmente Slade não estaria lá, e as chances de Ivo ir eram pequena, por que ele preferia aproveitar que todos estavam envolvidos nisso para visitar seus “empreendimentos”, ainda assim havia chances dele comparecer, ele não estava seguindo seu habitual padrão eu não podia confiar nisso.

– Você já foi a um evento desses antes. – Argumentou. – Com Ray. – O nome saiu em tom ácido. – Você não estava se importando com outros homens presentes.

– Por que Ray não se importaria, por que eu estava como acompanhante. – Expliquei. – Você é ciumento, possessivo, não negue isso, saiu batendo no peito e dizendo que eu era sua quando não tinha direito...

– Você sempre foi minha. – Interrompeu-me ganhando um suspiro aborrecido como resposta. – Você está aqui, não está?

– A questão é que você vai se sentir incomodado, uma coisa é um cliente me levar como acompanhante, os outros já fizeram isso, ele não se importa, é apenas uma noite, não há humilhação nisso, você pode lidar com todos nos encarando, seus olhares acusadores, sabendo que você não contratou uma prostituta, você namora uma? Você consegue lidar com isso?

– Felicity eu posso cuidar de mim. – Murmurou em tom aborrecido. – Eu sou um homem crescido, eu sei no que estou me metendo, pare de deduzir o que eu posso ou não aguentar, eu sei o que significa assumir um relacionamento com você, eu sei com o que estou lidando, sei que seu medo também não se resume apenas a uma humilhação pública, você está com medo por mim, de algo como com o que aconteceu com Sara me acontecer, não se preocupe, não estaremos sós, o lugar é fechado e não deixaria entrar qualquer um, eu vou levar Diggle e você vai estar segura. – Sua mão deslizou pelo meu rosto em uma caricia carinhosa. – Quanto aos que os outros pensam... Eu não me importo, isso aqui é o que importa. Você não é mais uma prostituta, você é minha namorada. – Murmurou antes de me beijar ternamente, era fácil ceder dessa maneira, os argumentos que estavam na ponta da língua escorrendo com facilidade à medida que o beijo se aprofundava, deslizei minhas mãos pelo seu terno e o empurrei tomando distância, era muito pouca, mas eu não queria ir além disso mesmo.

– Droga, você é muito bom com as palavras. – Murmurei encostando minha cabeça em seu ombro.

– Com outras coisas também. – Murmurou em meu ouvido, ri sob seu ombro. – Isso significa que te convenci? – Assenti concordando. – Por que sua insistência em vir de calças jeans para a QC? – Perguntou enquanto encaixava um dedo por dentro da calça no meu quadril, afastei minha cabeça do seu ombro e segurei sua mão a tirando.

– Nós não vamos transar agora. – Falei decidida.

– Oh. – Escutei a voz feminina murmurar falsamente. – Não parem por mim! – Apesar da insistência de Oliver em não me soltar consegui me afastar de seus braços e me erguer, se eu ia ter que encarar sua ex que não fosse do seu colo. – Eu me lembro de você. – Comentou me avaliando de forma rude. – Você é a amante do meu marido. – estalei a língua antes de voltar a encarar Oliver que a observava impassível.

– Acredito que há uma deficiência que a proíba de entender certas coisas. – Ele falou em tom frio. – Você não é minha esposa, e ela é minha namorada, não amante.

– Querido, você é meu marido até que eu assine a linha pontilhada, o que não vai acontecer enquanto você não mudar os termos e eu obter pelo menos 50% das ações, de forma que você não tem namorada, você tem amante.

– A palavra usada muda o fato que ele está comigo e não com você? – Perguntei erguendo uma sobrancelha, me negava ser deixada de fora em uma conversa em que ambos estavam falando de mim, ela me encarou surpresa os lábios apertados em irritação, lhe dirigi um sorriso convencido antes de voltar a encarar Oliver. – Diggle está esperando por mim? – Ele olhou seu relógio e assentiu.

– Ele já deve está te aguardando lá em baixo. – Estendi meu braço oferecendo minha mão.

– Vamos, me acompanhe até lá, e depois voltará para discutir seja lá o que for que sua... – Fingi pensar na palavra que buscava. — “Esposa” deseja. – Ele sorriu enquanto se erguia e segurava minha mão. – Logo te devolvo. – Pisquei para Isabel.

– Feliz? – Oliver perguntou enquanto as portas do elevador se fechavam.

– Você não tem ideia. – Sorri.

– Oh eu tenho. – Falou.

– Mesmo? – Perguntei curiosa.

– Sim. – Assentiu. – Isso que você está sentindo, é o mesmo que eu senti quando eu tive uma reunião com Ray Palmer enquanto tocava o tecido de sua calcinha escondido em meu bolso.

[...]

Olhei-me no espelho enquanto colocava o brinco, eu estava pronta, ao menos no que diz a aparência, o vestido que Oliver havia comprado era perfeito, elegante e sexy, mas nada vulgar, minha maquiagem estava feita, meu cabelo recolhido em um ombro, brincos, bolsa e sapatos combinado, eu estava pronta, exceto por não estar. Eu tinha o pressentimento de que deveria ficar trancada em casa, mas nada que eu dissesse a Oliver mudaria sua cabeça, exceto que eu contasse sobre a identidade de Ivo, mas eu temia sua reação, e Ivo certamente não iria a esse evento, era uma sexta-feira, um dia perfeito para visitar os buracos que ele comandava no Glades, não havia com o que me preocupar, ao menos foi o que repeti inúmeras vezes no trajeto, eu não queria alterar o humor de Oliver, apenas quando descemos que me lembrei de perguntar sobre sua irmã, sua expressão se fechou brevemente antes de informar que ela não tinha vindo, que adiou para amanhã, adiando o grande confronto, a medida que ficava cada vez mais perto ele ficava mais tenso, então abandonei a ideia de inventar uma dor de cabeça e entrei no carro, sentando ao seu lado.

Quando chegamos Oliver rapidamente foi assediado por todo tipo de pessoas, ele as dispensava educadamente e nunca me soltava, eu fiquei ao seu lado fingindo que não havia notado a presença de Ray no canto esquerdo ou de Slade mais a frente.

– Eu preciso falar com o prefeito. – Murmurou em meu ouvido.

– Posso ficar aqui? – Perguntei em tom baixo, ele me lançou um olhar aborrecido.

– Podemos adiar. – Cedeu, olhei a direção em que Sebastian estava e notei que ele estava envolto por pessoas que eu não conhecia, nenhuma sobra de Slade.

– Vamos agora. – Falei, queria aproveitar a oportunidade que podia ser única, mesmo estranhando minha atitude ele assentiu e caminhamos até o prefeito.

– Sr. Queen. – Sebastian sorriu passando a imagem de um velho amigo enquanto erguia a mão para um aperto masculino firme.

– Sr. Prefeito. – Oliver retrucou.

– Você sabe que pode me chamar de Sebastian. – Falou com ar jovial. – Está muito bem acompanhando meu caro. – Observou-me

– Felicity Smoak. – Oliver falou no apresentando. – Minha namorada. – A forma possessiva com que falou fez com que Sebastian erguesse uma sobrancelha surpreso e eu questionasse internamente se Oliver pensava que o prefeito estava na minha lista de ex clientes. – Sorri de forma cordial ao prefeito e encarei o homem ao meu lado, dando-me conta que se tratava do pai de Sara.

– Sr. Lance. – O cumprimentei ainda um pouco intimidade com seu interrogatório, ele abriu a boca prestes a me cumprimentar, mas foi interrompido pelas palavras seguintes proferidas por Sebastian em tom empolgado, olhava para alguém atrás de nós.

– Eu não sei se você se lembra do Dr. Anthony Ivo, Oliver. – Permaneci gelada segurando o braço o acompanhando enquanto ele se afastava para dar espaço para ele entrar no pequeno circulo que havíamos formado, por alguns segundos fui incapaz de encara-lo, apenas me recuperei quando após cumprimentar Sebastian ele apertou a mão do Sr. Lance.

– Sebastian me falou que o senhor será promovido a capitão. – Sorriu cortês. – Parabéns, eu sei que este não é exatamente um momento de comemorações...

– Você escutou sobre o que aconteceu com Sara. – Detetive Lance deduziu.

– Exato, eu lamento muito, ela sempre se destacou em minhas aulas. – Contou. – Ela está bem? – A pergunta cínica fez com que eu trincasse os dentes e meu medo fosse substituído por ódio.

– Se recuperando. – Lance respondeu acreditando em sua falsa preocupação. – Infelizmente ela não viu o rosto do filho da puta, mas estamos trabalhando nisso.

– Se precisar de qualquer coisa, por favor, não tenha medo em pedir. – Murmurou solicito. Seus olhos deslizaram com pouco interesse por mim, então se concentrou em Oliver. Encarei surpresa ele apertar a mão de Oliver tal como fez com Lance – Sr. Queen, não nos vemos há muito tempo. – Oliver riu.

– Desde que eu fui expulso da faculdade eu temo. – Ivo compartilhou da piada.

– Mas tenho acompanhado seu desempenho desde então pela mídia, e tenho que admitir que você tenha se dado muito bem. – Bateu no ombro de Oliver como um pai orgulhoso. – Muito bem acompanhado também me atrevo a dizer. – Falou por fim me encarando. – Quem é a garota sortuda?

– Felicity Smoak. – Murmurei erguendo meu queixo.

– Prazer em conhecê-la Srtª Smoak. – Murmurou sempre em seu tom agradável e cortês, soava inclusive respeitoso.

–Oliver se importa se pudermos falar sobre um projeto que gostaria do seu apoio? – Sebastian perguntou a Oliver que me encarou apreensivo.

– Oh vejo que teme espantar a dama com assunto tão maçante. – Ivo comentou. – Farei o seguinte, se a Srtª Smoak não se importar em me conceder uma dança, vocês dois poderão conversar tranquilos por alguns minutos. – Abri minha boca para um protesto, mas Oliver me encarou aliviado e assentiu em concordância, em meio ao circo formado pelos admiradores de Sebastian eu não poderia negar, assenti a contra gosto e tentei não me encolher quando a mão de Ivo segurou a minha com firmeza enquanto me guiava para a pista. – Diga minha querida tem uma queda para homens fracos? – Perguntou quando estávamos afastados e seguindo alguns passos de acordo com a música tranquila que tocava. Sua voz havia assumido o tom frio que eu conhecia.

– Se assim fosse já teria me entregado a sua vontade há anos. – A aparente calma ainda estava ali, apenas a rigidez de sua mandíbula denunciava que eu havia o irritado.

– Eu sei que estamos um pouco alterados um com o outro, mas não precisamos levar isso mais longe. – Murmurou prestativo. – Foi um exagero de minha parte levar aqueles homens, mas sabe que fico exaltado quando sou contrariado, por que não fazemos o seguinte: Eu admito que exagerei um pouco e perdoo você por fugir e transformar cada ação sua em desafio, você volta para o Glades onde é seu lugar, sob minha proteção e não precisará mais temer que um amigo seu sofra algum inconveniente. É um trato justo não acha?

– Aquela bala era para mim, o que aconteceu para você ignorar todo o papo de farei você pensar que será feliz e tirarei isso de você? – Soltei inquieta com isso desde aquele dia. – O que fez com mudasse de ideia? Por que você quis me matar Ivo? – Sua expressão parecia esculpida a pedra, sua mascara havia caído e estava irado, mas eu sabia que ele estava pensando justamente na razão que havia o levado a tentar me matar. Tão rápido como veio sua irritação, ao menos a demonstração dela se foi, ele emitiu um sorriso tranquilo, de um pai destinando a sua filha e eu sabia que alguém se aproximava, alguém havia feito que sua mascara fosse colocada no lugar.

– Com licença. – Para minha surpresa era Tommy que murmurava, enquanto tocava no ombro de Ivo. – A dama me deve uma dança.

– Claro. – Ivo murmurou. – Foi bom conhecê-la. – Afastou-se me deixando respirar aliviada.

– Oliver mandou você vir. – Deduzi quando ele deslizou a mão em minha coluna, aproximando-me para a dança.

– Ele estava preocupado. – Falou por fim. – Você não parecia confortável e ele falou algo sobre evitar que você dançasse com alguém que já transou com você ou que deseja.

– Então não entendo o que você está fazendo aqui. – Murmurei ácida, devia ter sido a conversa com Ivo, ou eu nunca teria deixado algo escapar assim, Tommy me encarou com o cenho franzindo.

– Eu tenho namorada Felicity, ela é sua amiga, eu não desejo dormir com você. – Falou em tom firme.

– Em nenhum momento eu disse isso. – Retruquei.

– Você disse... – Ele parou em brusco parecendo analisar minhas palavras e surpreendendo-se com a conclusão, foi então percebi que sua reação era verdadeira, ele olhou em direção ao grupo que Oliver se encontrava e eu o acompanhei seguindo o olhar, Oliver estava distraído, decidido Tommy segurou meu braço. – Acompanhe-me. – Falou entre dentes, eu não tive outra escolha se não fazê-lo, andamos por alguns momentos antes dele abrir uma porta qualquer.

– Esse é um banheiro privado. – Murmurei.

– Esclareça o que insinuou. – Pediu.

– Foi um mal entendido Merlyn. – Falei levando a mão a testa. – Apenas ignore.

– Você fez parecer que eu já dormi com você. – Murmurou. –Essa é uma brincadeira sua para me confundir ou isso aconteceu de fato? Nós alguma vez já transamos?

– Não é grande coisa Tommy. – Falei por fim. – Até o momento eu pensava que você fingia que não se lembrava, muitos costumam fazer isso, então não me dei conta que você realmente havia esquecido.

– Oh merda.

– Você estava muito bêbado, não me admira ter esquecido. – Acrescentei.

– Inferno, Oliver vai me matar.

POV OLIVER

Observei Tommy ir até Felicity como eu havia pedido, eu sabia que essa festa não seria algo que a deixaria feliz, mas em algum momento precisaríamos fazer isso e o quanto antes melhor, ela estava tão tensa nos braços de Ivo que no momento em Tommy chegou ao meu lado pedi que ele a tirasse para dançar, tentar fazer com que ela relaxasse um pouco, Sebastian seguia falando coisas com que eu não me importava nem um pouco e Ivo veio ao nosso encontro sempre em sua atitude tranquila.

– Ela é algo notável Sr. Queen. – Murmurou quando chegou ao meu lado, finalmente Sebastian pediu licença para falar com outra pessoa e assim que Ivo também procurasse por seu par eu poderia interromper a dança com Tommy e convida-la para dançar comigo, para isso eu precisava concentrar minha atenção em Ivo.

– Sim, ela é. – Concordei com um sorriso.

– Uma das melhores acompanhantes sem dúvida nenhuma. – Franzi o cenho com o rumo que a conversa havia tomado ainda em tom alegre. – Sua beleza clássica faz com que seja possível confundi-la como uma dama, ideal para eventos como esse, quem a vê não imagina que ela dormiu com muitos dos homens presentes aqui. – Trinquei os dentes e encarei meus sapatos buscando controle à medida que o escutava. — Ray Palmer, Slade Wilson, comigo, é claro você e inclusive seu amigo Tommy Merlyn. – Ergui minha cabeça rapidamente ao escutar o último nome citado, no momento em que ele falou não escutei mais nenhuma palavra que ele seguia falando, busquei atento ao salão onde casais dançavam, mas não os encontrei. Quando voltei a encarar Ivo ele exibia um sorriso brilhante. – Parece que sua acompanhante já encontrou um novo benfeitor.

Notas finais
Espero que tenham gostado!! Nos vemos nos comentários... Xoxo LelahBallu.