Felicity's Secrets
7 Capítulo 06
Notas iniciais
Por mais que ele tivesse feito o gesto para que eu sentasse ao seu lado eu o ignorei e sentei na poltrona de apenas um lugar, eu não seria tola ao ponto de deixa-lo se aproximar o suficiente de mim. Eu já havia presenciado a fúria de Ivo com outras garotas, ele não hesitava em usar os punhos quando julgava ser necessário, sua atitude sempre era de aparência cortês, ele era a perfeita descrição da famosa frase “Lobo vestido em pele de cordeiro.” Muitas pessoas que o conhecia jamais pensaria que prostituição, casa de jogos e tráfico de drogas estariam nas ocupações extras curriculares do Professor Anthony Ivo. Reitor da Universidade local, bastante renomado, ganhou inúmeros prêmios por seus artigos e conquistas no mundo acadêmico. Era amigo intimo do prefeito e ele possuía certo nível social equiparado com alguns representantes da política, assim como contatos igualmente poderosos. Sua aparência era singela, simples até, nada nele indicava realmente a pessoa que ele era.
– Não quer vir sentar ao meu lado minha querida? – Sugeriu em tom doce.
– Dispenso. – Falei em tom cortante. – O que você quer Ivo?
– Muitas coisas. – Sorriu. – De muitos jeitos, muitas delas envolve você, mas você se nega. – Deu de ombros. – Entretanto eu gosto desse jogo que jogamos.
– Eu não faço jogos. – Retruquei.
– Ah você faz sim minha querida. – Falou se erguendo, segurei minha vontade de também me levantar e impor certa distancia, ele contornou o sofá em que eu estava ficando por trás de mim, engoli a vontade de vomitar quando seu fôlego roçou meu pescoço a medida que falava. – Em algum momento você vai ceder, em algum momento eu serei o vencedor desse jogo, sairei vitorioso, tudo se tornará pior para você, por que você não vai perder apenas o pouco que lhe resta de sua dignidade, de sua alma, a qual você ainda se apega tanto, você perderá aqueles que você ama. – Engoli em seco ao escutar a ameaça velada, seu tom havia deixado de ser gentil, agora ele mostrava como realmente era. — Seu querido Roy sempre foi uma peça com a qual adorei brincar, ele sempre foi seu ponto fraco, sua preciosa amiga Helena sempre foi uma que mantive na reserva, mas agora você trouxe mais uma peça para o jogo, e uma peça importante, você trouxe Oliver Queen, e eu tenho que admitir minha querida destruir Queen será proveitoso, fará com que essa vitória seja ainda mais grandiosa. Eu estou ansioso por isso.
– Oliver é apenas um cliente, como outro qualquer. – Falei tentando não deixar minha voz trêmula. – Agora irá perseguir todos os meus clientes? – Continuei olhando para frente, negando-me a encontrar seu olhar. — Serão muitos.
– Oh não. Só aqueles que possam ser uma possível ameaça. – Senti ele se afastar de mim. Voltou a sentar no sofá, o sofá era simples, mas sentou como se fosse um rei sentando-se em seu trono. – Sr. Queen foi visto em seu apartamento duas vezes, não lembro dele ter marcado nenhum encontro com você, não posso esquecer também do tórrido encontro contra o beco, diga-me minha querida, partindo para o principio do que você faz com Oliver e com qualquer outro homem resulta no meu lucro, você tem ideia do quanto eu perdi com esses encontros aleatórios? — Não respondi sua pergunta, eu estava atordoada por ele star seguindo todos os meus passos, por alguém ter visto o que aconteceu entre nós dois naquele beco, eu não conseguia dirigir uma resposta sarcástica, ou valente eu apenas o encarei. Ele sorriu notando que eu havia abandonado a postura de quem pouco se importava. – Oliver Queen está obcecado com você? – Pisquei me recuperando da sensação de ser observada enquanto estava com Oliver.
– Como você? – Retruquei engolindo em seco.
– Como alguém que poderia pensar em querer tira-la de mim? – Ergueu uma sobrancelha, não negando minha provocação. – Como alguém que poderia prejudicar meus negócios?
– Ele só quer sexo. – Respondi. – Como eu disse: Como outro cliente qualquer.
– Você sente alguma coisa por ele? – Perguntou com a expressão gélida. – Ousaria pensar que poderia confiar nele como uma arma contra mim? Pensaria que ele de alguma forma poderia ser seu príncipe encantado e a salvaria dessa terrível vida em que eu sou seu vilão? – Debochou.
– Eu não acredito em histórias encantadas. – Falei sincera. – Príncipes encantados não existem. – Ressaltei. – Oliver Queen não é meu herói.
– Bom. – Assentiu. – Mantenha isso em mente minha querida. – Voltou a assumir seu sorriso simpático e tom doce. – Tenha em mente que a única maneira de se livrar de mim é estando um de nós mortos, e ambos sabemos que não será a mim. – Tornou-se a se erguer. – Mantenha seus encontros com Sr. Queen estritamente profissionais, se ele a tem eu quero o dinheiro por trás disso, a próxima vez que eu receber um informação de que ele está agindo mais do que um cliente alguém pagará por isso.
– Eu já o afastei. – Cometi o erro de dizer, seu rosto contorceu em fúria, foi tão rápido que eu não tive condições de assimilar o que eu havia falado de errado, sua mão envolveu meu pescoço o apertando.
–Você não é dona de suas vontades, nem do seu corpo. – Falou a voz impregnada de raiva. Eu buscava uma maneira de respirar enquanto tentava me concentrar em suas palavras. – Apenas eu dito quando e como ele vai se afastar. – A maneira como disse a palavra “Como” me fez voltar a temer por Oliver. E então assim como a fúria tinha vindo em poucos segundo ela também se foi me surpreendendo, ele soltou minha garganta e alisou meu rosto. — Esse é meu jogo minha querida. Apenas eu dito as regras, entendeu? – Assenti esforçando-me para evitar com que eu derramasse alguma lágrima, eu não iria chorar. Seu toque era repugnante, e me dava calafrios, em alguns momentos eu pensava em ceder a ele, talvez ele deixasse sua obsessão por mim de lado, talvez deixasse de usar Roy como uma ameaça, eu havia confessado a Helena em um momento de fraqueza que já havia pensado nisso, como agora mesmo eu fazia, mas ela havia insistido que se eu cedesse essa seria apenas mais uma coisa de que eu me arrependeria, de que isso nunca iria salvar Roy, de que Ivo apenas iria ganhar mais poder sobre mim, e que se Roy alguma vez soubesse disso... Isso o destruiria assim como faria a mim e era pensando nisso que eu deixava o pensamento odioso de lado. – Já que esclarecemos isso, aproveite os dias com seu irmão, eu pediria que mandasse lembranças, mas sei que não irá fazer. Até breve minha querida. – Engoli em seco enquanto o observava se afastar no momento em que ele atingiu a porta encontrei minha voz para fazer uma última pergunta.
– Devo entrar em contato com Oliver? – Minha voz saiu ligeiramente mais rouca. – Para concertar o que fiz?
– Não será preciso. – Negou. – Algo me diz que não é capaz de manter-se longe de você. – Sorriu. – Estou aguardando ansiosamente pelo próximo movimento de Sr. Queen. – Falou antes de fechar a porta atrás de si. Por um longo momento me mantive sentada, incapaz de me mover ou de esboçar alguma reação, e quando o fiz foi apenas para me encolher ainda mais contra o sofá e deixar que as lágrimas quentes finalmente descessem livres pelo meu rosto.
[Duas Semanas Depois]
– Você acha que essa foi boa? – Helena perguntou avaliando a trajetória da bola que ela havia acabado de rebater.
– Claro. – Concordei também avaliando. – Se sua intenção era realmente quebrar aquela janela. – Ela riu com isso.
– Culpa sua. – Falou. – Nós nunca jogamos baseball antes Felicity, nem conhecemos as regras desse jogo, por que você me chamou para vir aqui? – Aqui era um mini campo de Baseball que era cercado por alguns prédios vazios, o Glades em si já era feio, mas este local ainda conseguia ser pior devido o abandono.
– Eu precisava fazer algum uso desse taco. – Respondi dando de ombros, ela estava em posse dele no momento. Ela bufou apoiando o taco no chão.
– Eu te conheço Felicity, você quer me dizer algo. – Falou me observando atentamente. Assenti ar sério.
– Ivo esteve em meu apartamento. – Confessei. Seu sorriso se foi com isso, ela jogou o taco ao lado e se aproximou.
– O que aconteceu? Por que ele esteve lá? – Ela segurou meus braços. – Ele te machucou?
– Ele foi me ameaçar. – Falei meneando a cabeça em negativa. – Ele não me machucou.
– Ainda. – Falou entredentes. – Ele nunca esteve lá antes Lis, o que o irritou para ameaça-la?
– Oliver. – Falei em um fio de voz. Ela piscou surpresa. – Oliver Queen, ele... Nós... É complicado.
– Eu notei certa tensão entre vocês dois no outro dia. – Concordou. – Ele é um cliente?
– Sim. – Assenti. – Mas nem todas as vezes que nos encontramos foi como cliente, é difícil de explicar Helena, ele é possesivo, ele acionou um botão em mim, que sempre quando o vejo tudo o que posso pensar é em despi-lo, ele já esteve em meu apartamento e Ivo esteve ciente disso, ele acha que Oliver está interessado em mim.
– Vocês dois se envolveram. – Falou avaliando meu rosto.
– Sim... Não! – Meneei a cabeça em negativa. – Não dessa maneira, não emocionalmente, nós dois apenas não conseguimos estar perto um do outro sem arrancar nossas roupas, às vezes nem nos damos o trabalho. – Acrescentei baixinho. – Ele está me deixando louca. Eu não o vejo há duas semanas, desde aquele encontro no parque. Eu sei que não posso levar isso adiante, eu afastei naquele mesmo dia mais cedo, quando você ligou para mim... Ele estava comigo. – Seus olhos se abriram surpresos. – Mas eu sei que o verei hoje a noite.
– Ele voltou a solicitar seus serviços? – Perguntou com a insinuação de um sorriso.
– Não. – Neguei. – E você não devia estar animada com a ideia. Ivo não ameaçou somente a mim, ele ameaçou Roy e você, assim como o próprio Oliver.
– E você está preocupada com ele. – Comentou.
– Eu estou preocupada com todos vocês. – Retruquei. – Não faça desse lance entre nós dois uma grande coisa.
– Sinto muito Lis, mas já é. – Deu de ombros. – Se você não já está eu acho que você está ao ponto de se apaixonar. – Sorriu. – Eu queria tanto isso para você, eu queria que você fosse feliz, ao lado do homem que amasse, queria você longe das garras de Ivo, você merece ser feliz Felicity.
– Isso não vai acontecer Helena. – Soltei um sorriso triste. – O próprio Ivo falou que só uma maneira de eu me livrar dele, e seria quando um de nós estivesse morto. Eu não quero levar esse perigo a ninguém mais, eu preciso me manter afastada de Oliver.
– E como você sabe que vai encontra-lo hoje à noite? – Perguntou se afastando e voltando a erguer seu taco. – Droga! Precisamos de outra bola. – Eu ri de seu comentário e caminhei até minha jogada no chão pegando outra.
– Meu mais novo milionário. – Respondi passando a bola de uma mão para a outra. – Fui ao seu encontro na semana passada. Ele não é um idiota como os outros e tem complexo de super-herói, ele é gentil. – Dei de ombros. – Seu nome é Ray Palmer.
– Eu o conheço. – Falou admirada. – Não da mesma forma que você, mas meu noivo tem negócios com ele... O que ele tem haver com Oliver?
– Ray me contratou hoje, mas não para os serviços habituais. – Expliquei. – Ele quer que eu o acompanhe a esta festa que vai haver em um hotel chique, vai encontrar-se com empresários locais e seu principal objetivo é se associar a Queen Consolidated. – Helena me encarou com um pequeno sorriso de deboche.
– Você vai a uma festa que Oliver, seu Oliver possesivo vai estar acompanhada do homem que está de olho na empresa dele? – Perguntou não conseguindo mais conter o riso. – Isso vai pegar fogo.
– Ele não é o meu Oliver. – Neguei. – E acredite em mim, não estou ansiosa por este encontro.
– Você está encrencada Smoak.
– Você não deveria estar tão divertida com isso. – Protestei. – Helena eu preciso me manter afastada desse homem.
– Desejo boa sorte com isso. – Falou olhando por sobre meu ombro. – Eu acho que querendo ou não vocês estão destinado a se encontrarem.
– Destino é apenas uma palavra idiota. – Murmurei.
– Bem, eu não zombaria dele se você. – Comentou ainda sem me encarar.
– Mas o que você tanto olha? – Perguntei. Virei ao mesmo tempo em que escutava ela murmurar a palavra “destino” com deboche. Suspirei ao observar Oliver se aproximando, mas ele não me encarava, sua atenção estava no garoto que falava com ele enquanto andavam. Oliver parou falar algo a criança e acariciou seus cabelos, o gesto terno fez com que eu exibisse um sorriso.
– Puramente físico, sei. – Ignorei o comentário de Helena por que Oliver havia escolhido esse momento para erguer sua cabeça e me encarar, mesmo distante eu podia notar que ele não estava feliz em me ver ali.
– Melhor irmos embora Helena. – Falei voltando-me para encara-la.
– Tarde demais. – Meneou a cabeça. – Ele está vindo correndo até você.
– Oliver correndo? – Pisquei surpresa.
– A criança. – Murmurou confusa ao mesmo tempo em que eu sentia minhas pernas serem abraçada pelos braços infantis.
– Lis! – Seu gesto de ternura me surpreendeu, principalmente por que não pensei que ele se lembraria do meu nome, quanto mais se mostrar tão empolgado em me ver. Ignorei o olhar confuso de Helena e encarei a cabeça loira de Connor não resisti e acariciei seus cabelos, quando ele sorriu em resposta me agachei para encara-lo.
– Ora se não é meu pequeno encrenqueiro. – Sorri acariciando uma de suas bochechas. – Não está perdido de novo está garotão? – Ele meneou a cabeça negativa.
– Ollie me trouxe para jogarmos. – Informou com um sorriso sincero. – Vocês estavam jogando?- Perguntou observando o taco nas mãos de Helena. Observei Oliver que havia chegado até nós e cumprimentando Helena com um aceno, enquanto apenas me encarou.
– Tentado. – Helena respondeu a pergunta de Connor. – Lis é uma péssima jogadora.
– Ollie poderia ensinar. – Connor falou, eu lancei um olhar de repreensão para Helena temendo que ela acrescentasse algo a fala infantil. – Ele me ensinou a jogar.
– Nós já estávamos indo Connor. – Voltei a acariciar seus cabelos ao ver sua animação se esvair. – Um outro dia quem sabe você não possa me ensinar? – Perguntei apenas para tirar sua expressão triste. Funcionou. Ele assentiu com animação e passou a falar o quanto era bom jogando desde que “Ollie” o ensinou.
– Por que você não me mostra agora Connor? – Helena pediu com um pequeno toque de malicia, a muito esperta estava tentando distrair a criança enquanto deixava-nos a “sós”. Connor voltou a assentir e Helena se afastou um pouco com ele nos dando certa privacidade.
– Estou curiosa. – Falei no momento em que ela tinha tomado uma boa distância. – Por que você traz Connor para o Glades? – Franzi o cenho. – Para alguém que estava preocupado com que eu revelasse seu segredo, não faz sentindo trazer o filho do prefeito para o Glades, não quando boa parte daqui o idiólatra. – Eu só havia reconhecido Connor como o filho de Sebastian Blood quando o vi no noticiário com a criança antes de um pronunciamento.
– Você não? – Franziu o cenho. Estranhei o fato de que ele havia se apegado a isso, eu tinha minhas suspeitas quanto ao nobre prefeito desde que sabia de sua ligação com Ivo.
– Ninguém pode ser tão perfeito como Sebastian Blood aparenta ser. – Dei de ombros. – Não vai responder minha pergunta?
– Eu ainda não tenho certeza de que você não contará sobre Connor em algum dia. – Falou em tom duro. – Se não for você pode ser sua amiga.
– Eu posso aturar que você me ofenda Queen, mas não envolva Helena nisto. – Falei em tom ácido. – E eu já disse que não usaria Connor assim.
– O que você quer que eu pense da mulher que admitiu vender seu corpo por pura diversão? – Perguntou se aproximando. – Negócios com prazer. – Repetiu. Cerrei meus dentes em aborrecimento, mas eu não podia voltar atrás com relação a isso, muito melhor que ele pensasse assim. – Que seja. – Dei de ombros. – Eu estava apenas curiosa, foi um desprazer revê-lo Sr. Queen. – Me curvei em uma mesura debochada e sorri antes de me virar para encarar o olhar curioso de Helena.
– Meu pai me trazia aqui. – Escutei sua voz soar atrás de mim, voltei a encara-lo surpresa por ele ter me respondido. – Tínhamos uma fábrica aqui no Glades, ele me levava lá alguns dias quando eu tinha entre oito e dez anos, não era tão abandonado como agora. – Deu de ombros. – Para uma criança era perfeito.
– Você devia ser muito apegado a ele. – comentei observando a nostalgia em seu rosto. Ele antes das linhas em seu rosto voltarem a endurecer.
– Eu costumava ser. – Senti vontade de perguntar o que havia mudado isso, mas segurei minha língua sabendo que já havia o empurrado demais. Ele passou então a me analisar atenta e descaradamente, seus olhos passaram por todo o meu corpo, desde a blusa justa até parar no meu short jeans. – Bonitas.
– Minhas pernas? – Ergui uma sobrancelha com seu comentário descontraído. Na verdade tudo estava indo contra o nosso costumeiro modo de reagir um ao outro, Oliver falando do seu passado, mesmo uma pequena linha não fazia parte dos nossos diálogos normais, que sempre envolvia ofensas.
– Tudo. – Murmurou com seu tom de voz forte. Maldito fosse ele que fez com seu comentário trouxesse um sorriso aos meus lábios. – Você não disse que já estava indo?
– Já ouviu falar de sutileza Sr. Queen? – Bufei.
– Bem, você foi a única que pediu para que eu me afastasse. – Deu de ombros.
– Soa como se você não quisesse se manter afastado. – Não pude evitar retrucar.
– Eu não quero. – Veio à resposta direta. – Eu gostaria de estar fazendo mais do que apenas conversando, mas esta é sua escolha e eu a estou respeitando. – Respondeu sério. Mordi meu lábio inferior assimilando o fato de que ele era o primeiro que fazia isso, respeitar minha escolha, eu não queria admirar Oliver, eu queria odiá-lo, mas ficava impossível quando ele fazia algo dessa natureza, me recuperei de seu comentário e exibi um sorriso brincalhão.
– Você está certo. – Aproximei-me dele ao dizê-lo. – É melhor eu ir. – O surpreendi quando ergui minha mão tirando o boné da sua cabeça e levando até a minha. – Até mais Sr. Queen. – Pisquei me afastando.
– Felicity. – Escutei seu chamado e olhei por sobre o ombro. – É sempre um prazer te ver. – Murmurou voltando seu olhar para minhas pernas. Deixei escapar outro sorriso antes de voltar a caminhar até Helena, dei um beijo rápido na bochecha de Connor e saí de braços dados com ela até seu carro.
– E este boné? – Perguntou assim que saímos da rua.
– Propriedade de Felicity Smoak. – Falei com um sorriso.
O meu bom humor caiu bastante à medida que o encontro com Ray ia se aproximando, Helena estava certa quando disse que Oliver não reagiria nada bem ao nos ver juntos. A primeira vez que vi Ray à coisa toda se limitou a sexo rápido e bagunçado, ele estava bêbado e seu emocional não estava muito bem, senti mais pena do que qualquer outra coisa, na segunda vez ele estava sóbrio e pediu desculpas pelo o que acontecido, ele foi gentil e para minha surpresa não voltou a me tocar, ele disse que não era por que não quisesse ele apenas não costumava pagar as mulheres em que estava interessado, ele gostava de conquistar, disse que quando estivesse comigo novamente queria estar certo que eu realmente o desejava, Ray não era uma má figura, e tinha um ótimo corpo, ele apenas... Não era Oliver. E estar com ele não teve o poder de me abalar como foi estar com Oliver, e isso era uma grande merda. Seu argumento não fazia muito sentindo para mim, já que querendo ou não ele estaria pagando pela minha companhia, sua atitude me confundia, principalmente por me levar a uma festa desse porte, não era a primeira vez que isso acontecia eu ir de acompanhante, mas se Ray esperava que Oliver fizesse qualquer negócio comigo ao seu lado... Tsc isso não ia terminar bem.
– Você parece nervosa. – Ray falou me entregando uma taça, não prestei atenção ao conteúdo, apenas a peguei e bebi com certa velocidade.
– Imagina. – Neguei após beber o último gole. Ele sorriu ao observar a taça vazia e passou a falar em tom baixo comigo.
– Se for por temer reencontrar algum cliente não se preocupe. — Falou solicito. – Nenhum deles a ofenderia em minha frente.
– Ah pode ter certeza que eu não temo isso. – Respondi pensando na quantidade significativa de clientes que já tinha encontrado hoje, eles não falariam nada pela simples razão de que maioria estarem acompanhados por suas esposas que ignoram, ou preferem ignorar o fato que seu marido não respeita o mínimo que seja o casamento deles. – Mão se preocupe comigo, eu sei me defender bem.
– Eu estava ansioso por encontrar o Sr. Queen. – Ray confessou. – Mas não o vejo em nenhum lugar.
– Talvez ele não venha hoje. – Dei de ombros, enquanto repetia a prece em minha mente cruzando fazendo uma imagem interna onde eu cruzava os dedos para que isso não acontecesse.
– É uma pena. – Suspirou. – Tinha grandes planos em uma união com QC, bem... Ocasião não vai faltar.
– Sim. – Concordei.
– Eu preciso conversar com mais algumas pessoas, mas vejo que você não está muito animada com isso tudo. – Comentou tocando meu ombro com leveza. – Se importa se eu deixa-la a sós por alguns minutos? – Meneei a cabeça em negativa, com um sorriso que faria as mulheres suspirarem ele se despediu e se afastou. O observei de costas e notei que muitas mulheres o olhavam com claro desejo feminino, eu queria muito estar entre elas, era uma pena que o único que conseguia trazer esse olhar em mim, fosse o cético e desconfiado Oliver Queen.
– Ray Palmer? – Escutei sua voz soar atrás de mim, era ridículo a forma com que minha pele se arrepiava só em escutar o timbre escuro da sua voz. – Você está acompanhando Ray Palmer? – Pergunto se posicionando ao meu lado.
– O que há de errado com Ray Palmer? – Perguntei ignorando seu olhar avaliativo.
– Por que você veio aqui? – Perguntou me ignorando.
– Achei que estava óbvio quando você me abordou. – Ergui uma sobrancelha. – Estou acompanhando Ray.
– Ray?
– Sr. Queen você sabe muito bem até que ponto sou intima dele. – Falei sem paciência. – Não vamos começar com isso novamente. Não preciso de você batendo no peito reivindicando algo que não é seu. – Meu olhar se prendeu aos seus lábios que se apertaram denunciando a irritação que escondia. Que ele mantivesse isso para si era tudo o que queria.
– Talvez eu devesse por isso a prova. – O escutei murmurar, estava preste a perguntar o que isso significava quando senti sua mão quente deslizar pela minha cintura até a base da minha coluna, eu podia sentir o calor dela mesmo através do tecido do vestido dourado que eu usava. Franzi o cenho quando aproximou meu corpo do seu, passando a impressão de que eu estava acompanhando ele. Antes que eu pudesse questiona-lo o recrimina-lo captei a morena se aproximando de nós dois. Eu sabia pela maneira que Oliver ficou tenso que ele não se dava bem com ela, e quando ela se aproximou mais a reconheci, tratava-se de Isabel Rochev, ou Queen, eu não tinha certeza se o divorcio havia saído ou não. Observei-a curiosamente quando ela finalmente parou em nossa frente.
Ela me encarou atentamente, sua boca formando uma linha de irritação, seus olhos me analisavam, eu podia sentir o julgamento por trás deles, seu olhar foi para Oliver ao meu lado, o encarava como se não tivesse passado longos segundo me avaliando. Como se eu não tivesse em sua frente. Como se eu fosse ninguém.
– Quem é a vadia? – Perguntou a Oliver, sem dúvida nenhuma se referindo a mim. Ele a encarou tenso, seus dentes rangendo pelo oque havia escutado, nos poucos segundos que eu estava entre os dois pude perceber que Oliver não era um grande fã de sua ex, mas mesmo assim eu duvidava muito que Oliver fosse vir em minha defesa. Fingindo-me de tola espalmei minha mão na região do antebraço masculino, aproximando meu corpo do seu, implicando que havia intimidade entre nós dois, franzi o cenho com o intuito de parecer confusa, os olhos de Oliver desviaram de Isabel até a mim, parecendo ele mesmo confuso, mas exibiu um sorriso mínimo quando falei:
– Ela não sabe o próprio nome? — Dizer que ela havia ficado furiosa com o que havia escutado era pouco, por um momento achei que ela faria algum vexame bem aqui, entretanto ela controlou-se e voltou a encarar Oliver.
– Sempre teve uma péssima escolha para mulheres meu querido. – Comentou com um falso sorriso.
– Acredito que apenas uma vez. – Oliver retrucou. – Agora se você nos permite eu preciso apresentar a senhorita Smoak a alguns conhecidos. – Fiquei menos tranquila quando escutei isso, ele me guiou ainda com sua mão firme em minhas costas, tão logo nos afastamos procurei retarda-lo de seu objetivo.
– Você não está indo me apresentar a ninguém eu espero. – Falei.
– Não. – Confirmou parando ao lado de um vaso decorativo. – Apenas evitando que você comprasse uma briga com Isabel.
– Eu não comprei uma briga com ela. – Neguei.
– Mas estava prestes...
– Megan. – Escutei Ray se aproximar e me afastei de Oliver. Oliver franziu o cenho ao escutar o nome. – Pensei que tinha se entediado e ido embora. – Sorriu. – Sr. Queen justamente quem eu estava procurando.
– Sr. Palmer. – Oliver o cumprimentou friamente.
– Você pode me chamar de Ray. – Exclamou simpático. – Posso chama-lo de Oliver?
– Não. – Veio à resposta grossa. Ray reprimiu uma tossidela constrangida e me encarou surpreso.
– Talvez eu deva deixar vocês dois a sós. – Falei. – Deixar os garotos falando sobre negócios.
– De fato eu precisava conversar sobre a QC com você Sr. Queen.
– Não vim aqui para falar sobre negócios. – Oliver o cortou. – Eu vim me divertir. – Olhou-me não deixando dúvida ao que se referia. – Minha acompanhante me aguarda. – Falou encarando uma ruiva que estava ao lado da escada principal aparentando ter acabado de chegar. – Se me permitem. – Falou antes de se virar sem esperar a resposta.
– Escorregadio. – Ray comentou.
– Rude. — Retruquei ainda observando Oliver se afastar e alcançar a ruiva curvilínea, nesse exato momento eu odiava até mesmo seu lindo vestido vermelho, que fora desenhado para deixar os homens loucos, pelo resto da noite escutei o burburinho de vozes animadas enquanto recebia uma e outra taça de vinho de Ray, cheguei a escutar a “ruiva de Oliver” comentar sobre o seu novo Porsche vermelho, e revirei os olhos, por ruivos tinham que ser tão óbvios? Vestido vermelho, carro vermelho, batom vermelho, eu já havia entendido que ela era ruiva, não havia necessidade de pintar o mundo de vermelho para isso. Parei com meus pensamentos infantis quando observei os dois saírem sorrateiramente em direção banheiro feminino, eu não acreditava no que ia fazer, mas me desculpei com Ray alegando precisar retocar o batom.
Abri a porta do banheiro feminino em um rompante já imaginando a cena com a qual me depararia. E tal como eu havia imaginado Oliver estava encostado à parede enquanto uma ruiva, a ruiva que ele havia trazido beijava a região desnuda do seu peitoral, sua camisa estava aberta, os suspensórios estavam soltos em seus quadris e a gravata borboleta estava desamarrada, eu não saberia dizer ao certo por que, mas vê a boca feminina ir descendo para o sul fez com que eu visse tudo vermelho e batesse a porta atrás de mim com força exagerada. Ambos olharam surpresos para mim, a ruiva parecia aborrecida, já Oliver parecia... Divertido? Era um sorriso que eu via naquela boca? Que provavelmente estava beijando-a a alguns segundos atrás? Coloquei um sorriso no rosto tentando parecer envergonhada e concentrei meu olhar na figura feminina.
– Descul..pe. – Fingi gaguejar. – Eu não quis interromper. – Murmurei antes de dar meia volta para a porta. Parei hesitante segurando o trinco da porta e voltei a me virar. – Desculpe, eu preciso perguntar algum de vocês conhecem o dono do Boxter GTS vermelho? – Perguntei mordendo o lábio tentando aparentar apreensão.
– Sou eu. – A ruiva franziu o cenho preocupada. – Algum problema?
– Oh. Eu acho que estão procurando por você. – Dei de ombros. – Algum bêbado bateu na sua traseira. – Fiz uma careta fingindo estar analisando o que havia escutado. – Parece que a coisa foi bem feia.
– Oh Ollie é meu carro! – Exclamou. Fiz uma careta interna ao escutar “Ollie” em tom meloso, quantos anos ele tinha? Oliver já era um homem, esse tipo de apelido só era aceitável por alguém próximo, como família. Observei ela olhar para ele fazendo bico, enquanto ele apenas dava de ombros, ela franziu os lábios em irritação e passou por mim com rapidez, parando apenas para murmurar um “Obrigada” forçado.
– De nada. – Murmurei com um sorriso após ela ter saído, eu deveria ter controlado esse sorriso que foi flagrado por Oliver, ele sequer ajeitou suas roupas, apenas olhou me encarou erguendo uma sobrancelha.
– O carro dela não foi amassado foi? – Perguntou com a insinuação de um sorriso. Dei de ombros, não iria pedir desculpas por isso. – Você interrompeu algo importante aqui. – Falou.
– Um conselho? – Perguntei o avaliando. – Tome um banho de água fria. – Sorri o provocando. — E na próxima vez tranque a porta. – Em vez de contraria-lo como eu achei que tinha feito, pareceu ter o efeito contrário, ele se aproximou de mim, fazendo com que eu recuasse até me encostar a porta, sua mão se espalmou na superfície lisa, bem ao lado de minha cabeça, enquanto a outra deslizou pela minha cintura alcançando o trinco da porta, devido a sua proximidade só assimilei sua intenção quando escutei o clique suave da chave mostrando que ele havia nos trancando.
– Eu tranquei. – Sua cabeça se inclinou até que nossos fôlegos se misturarem em um só. – E agora?
– Você não devia estar no banheiro feminino. – Falei tentando me concentrar em qualquer coisa que não fosse nós dois despidos, eu precisava me lembrar de que Ray estava esperando por mim, precisava me lembrar da ameaça de Ivo. – O seu equipamento o classifica para o outro.
– Uma dica. – Murmurou em meu ouvido, sua respiração contra meu pescoço. – Se quer me dissuadir de algo, não fale do meu “Equipamento”. – Eu deveria prestar atenção no que ele dizia, mas meu corpo agora respondia a sua mão deslizando pela minha coxa erguendo a barra do vestido no processo.
– Pensei que respeitava meu desejo. – Retruquei o encarando.
– Eu faço. – Assentiu. – E sou a quem você deseja. – Sussurrou apertando minha coxa, ah inferno depois eu me preocuparia com Ray, no momento eu precisava provar daqueles lábios que se abriram em um sorriso vitorioso, envolvi seu rosto com ambas as mãos e tomei seus lábios contra os meus, ele correspondeu com o mesmo fogo que costumava me beijar, com a mesma força e desejo. Suas mãos eram inquietas, em um momento estava em minhas coxas e bunda, em outro subiam para meus seios os provocando mesmo por cima do vestido, ainda vestidos seu corpo friccionava contra o meu trazendo gemidos a minha garganta, quando sua boca desceu até meus pescoço ao mesmo tempo em que suas mãos me erguiam no ar, envolvi sua cintura com minhas pernas, ele me colocou contra bancada fria do conjunto de pias, e por um momento se limitou a dar atenção apenas ao meu pescoço, chupando, mordiscando e lambendo, senti suas mãos voltarem a erguer meu vestido e sem segundos ele descia minha calcinha, porém em vez dele me tocar como eu imaginava e esperava ansiosamente ele apenas encostou sua testa contra minha, tentei controlar minha respiração rápida enquanto o observava guardar minha calcinha em seu bolso. Franzi o cenho estranhando ainda mais sua atitude, pois ele aparentou estar mais calmo, não fez mais nenhuma menção de me tocar, apenas beijou meu queixo brevemente antes de descer meu vestido o arrumando.
– Oliver?
– Estou sem camisinha. – Respondeu dando de ombros. E passou a ajeitar sua roupa. – Não faço sem camisinha.
– Oliver. – Chamei sua atenção, desci com um impulso da bancada. – Devolva minha calcinha.
– Por quê?
– Por que eu não vou ficar em um evento como esse sem minha calcinha. – Respondi ácida. – E por que eu gosto de usar minhas calcinhas. – Falei um pouco mais ríspida.
– Uma troca justa. – Sorriu. – Você tem meu boné, eu tenho sua calcinha.
– Oliver, não.
– Eu poderia levar seu vestido. – O sorriso ainda dominava seu rosto. – Mas seria um show e tanto para se explicar.
– Muito bem. – Cruzei meus braços. – Você apenas está facilitando ainda mais as coisas para Ray. – O provoquei. – Lembre-se com quem eu vou retornar dessa festa. – Ela sequer piscou diante a menção de Ray. Pelo contrário, seu sorriso se fez mais largo, definitivamente essa não era a reação que eu esperava, ele iria aprontar.
– Como desejar. – Murmurou. Voltou a abrir a porta. – Ah se eu fosse você ficaria mais uns minutos, você parece um pouco... Acalorada. – Piscou antes de fechar a porta, quando eu me encarei no espelho foi justamente o que vi, uma mulher acalorada e tanto frustrada. Joguei agá no meu rosto e retoquei meu batom, quando sai um pouco constrangida e aborrecida por não estar usando minha peça intima inferior passei a procurar por Ray, porém seu motorista veio gentilmente me informar que havia sido instruído para me levar onde eu desejasse, que Sr. Palmer estava ocupado em uma reunião de última hora com Sr. Queen. O desgraçado havia garantido que eu não voltasse com Ray esta noite, e ainda por cima estava em uma reunião com ele em posse de minha calcinha, Oliver Queen definitivamente era a descrição macho alfa, mas algo veio a minha mente e me deixou feliz de forma inquietante, ele disse que não fazia sem camisinha, então estar com a ruiva nunca fez parte de seus planos.
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