Notas iniciais
Cheguei!! Passei alguns minutinhos além do prazo, mas estou perdoada né? Vou agradecer a paciência de vocês, cada incentivo e elogio nos comentários e deixar meu carinho e muito obrigada em especial a: "MayDay", "Tais", "PaulinhaAmoraOlicity", "Diego Wayne" e "Briina Feliix" pelas lindas recomendações, obrigada pelo gá que vocês estão dando a fic, agora libero vocês para lerem!

– Felicity. – Tirei minha atenção da tela do celular e encarei Sin, ela me encarava parecendo ligeiramente aborrecida, suspirei imaginando no que poderia se significar. – Advinha só! – Exclamou com falso humor. — Alguém está famosa por aqui.

– Homem ou mulher? – Perguntei temendo sua resposta, se fosse mulher seria Helena e não precisaria de Sin para anunciar, ela simplesmente entraria pela porta e tentaria me arrastar, era uma pergunta tola, ao menos foi o que pensei antes de Sin me surpreender e responder que se tratava de uma mulher, deixando-me totalmente confusa. – Helena? – Perguntei estranhando, ainda que achasse improvável.

–Por favor. – Riu. – Como se Helena esperasse eu vir atrás de você antes de sair invadindo o lugar, duvido que ela perguntaria por você para mim, apenas entraria com tudo.

–Então quem é? – Perguntei mais para mim.

– Não sei. – Sin resmungou. – Vossa alteza não entregou um cartão de visita, Felicity você poderia ao menos pedir para seus novos amigos sentar nas mesas que serão atendidas por você? – Pediu. – Eu não gosto de ser a garota de recados.

– Esse humor ácido é a razão para você ter apenas Roy e a mim. – Retruquei.

– Como eu sou sortuda. – Ironizou. – Apenas vá logo para a mesa da garota rica. – Ela franziu o cenho parecendo analisar as próprias palavras. – Na verdade ela me tratou muito bem, ela parece ser uma boa pessoa. – Fez careta como se duvidasse que ela mesmo tivesse falando isso.

– Você está vendo o bem em alguém? – Murmurei surpresa.

– Apenas vá. – Revirou os olhos, resolvi parar de provoca-la e a deixei resmungando sozinha. Quando eu já estava na porta que fazia divisória da cozinha com os clientes escutei sua voz. – Mas eu tomaria cuidado com o da outra vez. – Girei meu corpo para encara-la ao perceber que ela se referia a Oliver. – Ele parece ser o tipo de cara que tem o que quer. – Deu de ombros. — E ele te quer. – Ela falar sobre ele fez com meus pensamentos voltassem a ontem à noite e a forma como ele me deixou, totalmente frustrada e sem calcinha, aborrecimento tomou conta de mim, e eu fiz uma careta tentado expulsa-lo de minha mente e caminhei para fora da cozinha deixando Sin surpresa, meu aborrecimento só passou quando foi substituído por surpresa ao encarar Sara me aguardando.

– Você parece surpresa. – Ela falou quando parei em frente a sua mesa. Dei de ombros ainda sem palavras para me expressar. Ela sorriu tentando amenizar um pouco minha carranca.

– Eu estou. – Finalmente disse. – Eu confesso que nunca imaginaria você aqui.

– Eu queria ir ao seu apartamento. – Confessou. – Mas temi que você ficasse chateada, ou achasse um abuso, e sinceramente não tenho certeza se teria coragem de passar por aquela rua sozinha novamente.

– Como descobriu que eu trabalhava aqui? – Perguntei ainda um pouco surpresa, olhei ao redor e ao notar o pouco movimento que e que o gerente como sempre não se encontrava em nenhum lugar me sentei em sua frente. – Desculpe, mas não posso ficar aqui por muito tempo. – A informei sincera.

– Tudo bem. – Assentiu. – Eu só quero te convidar para fazemos algo, eu não sei, almoçarmos juntas, irmos ao shopping, correr, qualquer coisa, eu ia trazer suas roupas e esqueci, talvez eu possa te entregar quando nos encontrarmos novamente.

– Não precisa se preocupar com isso. – Tentei dissuadi-la.

– Eu não me sentiria bem se não as devolvesse. – Retrucou.

– Sara... Como você me encontrou aqui? – Optei por repetir a pergunta, eu não queria ser mal educada ou algo do tipo, mas era intrigante. Ela apenas deu de ombros e me informou com um sorriso o qual parecia achar graça de algo.

– Ollie me disse onde te encontrar.

– Oliver? – Repeti incrédula. Ela sorriu ainda mais ao observar minha expressão.

– Teve um pouco de insistência da minha parte. – Confessou. – Ollie sabe ser um rabugento quando quer. – Assenti em silêncio ainda atônita e preferindo não dar minha opinião sobre Oliver, ela me observou por mais alguns segundos então com um sorriso discreto perguntou. – Felicity eu não quero ser intrometida, mas eu posso observar e afirmar com certeza que vocês dois tem algo, eu só não consegui entender ainda qual a dinâmica do relacionamento de vocês.

– Não há um relacionamento. – Neguei prontamente ainda que surpresa por ela tiver abordado semelhante assunto. Olhei em volta e baixei minha voz. – Você sabe o que eu faço Sara. Sabe o que na verdade é o nosso “relacionamento”.

– Você tem certeza que é apenas isso? – Questionou me observando com atenção. – Ollie não passa mais de uma noite, e noite é uma palavra muito exagerada para o que eu quero dizer por que implica um espaço de tempo maior a ser dedicado, mas ele fica com uma mulher apenas uma vez e então nunca mais lhe dá atenção, e eu tenho a impressão de que vocês foram mais do que isso. – Observou. – Talvez você não esteja dando a devida atenção para o que realmente está acontecendo entre vocês dois, talvez você seja mais do que pensa para Oliver, e ele para você.

– Sara eu nunca poderia ser mais do que algumas horas bem pagas para Oliver. – Retruquei me negando a acreditar que eu fosse algo mais do que uma prostituta para Oliver. – Você é uma boa pessoa, mas eu acho que não deveria entrar em minha vida, é bagunçada demais, e por mais que eu queira nunca conseguiria organizar esse quarto escurou no qual estou trancada.

– Você está quebrada. – Sara sussurrou me observando. – Você odeia o que faz, mas por quê? – Questionou.

– Por que eu odeio? – Perguntei incrédula, pensando nas mil respostas que eu poderia dar, que qualquer um que estivesse presa a Ivo diria, mas ela balançou a cabeça em negativa.

– Por que você continua? O que a levou a entrar em primeiro lugar... – Seus olhos mostravam simpatia comigo. -... Felicity o que aconteceu com você? – Eu fiquei tentada a dizer tudo, em despejar absolutamente tudo, aceitar esse ombro que ela oferecia, mas eu havia aprendido que não poderia e que não era justo jogar esse peso nos ombros de outra pessoa. Qualquer nova amizade era um alvo a mais para Ivo.

– Sara eu preciso voltar para a cozinha. – Murmurei me erguendo.

– Felicity. – Chamou-me. – Eu posso te ligar? — Pediu. – Para marcamos algo?

– Eu não sei quando estou livre. – Dei de ombros, eu realmente precisava convencê-la de se afastar.

– Podemos combinar quando tiver certeza que está. – Sugeriu. – Eu te ligo. – Assenti ainda hesitante e ganhei um sorriso em resposta, talvez ela precisasse apenas disso, ela estava agindo movida pela gratidão que sentia por mim, uma vez que isso passasse ela já não mais insistiria em nossa amizade. Peguei meu bloquinho de notas para anotar meu número e estendi para ela, ela observou o papel com curiosidade e um pequeno riso escapou de seus lábios. – Eu não preciso, eu já tenho.

– Você já tem? Como?

– Oliver. – Falou simplesmente antes de se erguer. – Até outro dia Lis. – Falou antes de se afastar.

– Ela não pediu nada? – Sin perguntou se aproximando. Quando eu não a respondi ela suspirou. — Quanto tempo você vai ficar parada observando a porta? Estão precisando de você lá dentro.

– Estou indo. – Murmurei. Deslizei a mão para o bolso do avental ao sentir meu celular vibrando, franzi o cenho ao notar que se tratava de um cancelamento e uma substituição, o mais estranho era que eu não reconhecia o endereço, não se tratava de um hotel onde eu geralmente atendia meus clientes. Seria alguém novo?

POV OLIVER

Olhei para o relógio no canto direito da tela do computador, eu estava distraído, e ansioso para partir, hoje era mais um dia em que minha produtividade estava quase chegando a zero.

– Vim te tirar desse tédio! – Tirei minha atenção da tela do computador ao escutar a voz masculina, meu rosto devia ser de total surpresa quando encarei Tommy entrar no meu escritório, meneei a cabeça e me encostei totalmente à cadeira confortável. – Não me encare assim. – Exigiu.

– Você não foi anunciado. – Observei, mas isso em vez de irrita-lo trouxe um sorriso ao seu rosto.

– As vantagens do suborno. – Deu de ombros e sentou na cadeira em frente a mim, estendeu suas pernas e cruzou os tornozelos colocando-os em cima da mesa. – Você não pode mais inventar uma desculpa para não me ver.

– Eu não inventaria uma desculpa. – Neguei. – Eu falaria a verdade, que estou ocupado.

– Sabe Ollie eu fico voltando e voltando o nosso passado em minha mente, em busca de uma razão para você ser tão frio e arrogante comigo, mas eu não consigo achar. – Meneou a cabeça. – Eu continuo procurando uma razão particular, mas eu não acho, sempre chego à conclusão que você é apenas um idiota de primeira linha.

– Eu não tenho nenhuma razão para ser frio com você. – Falei. – Você sabe disso. – Respirei fundo. – Eu não me afastei de você Tommy, me afastei de todos.

– Agora estou triste por não ter sido o único. – Meneou a cabeça. – Estava me sentindo especial.

– A verdade é que nós dois nos afastamos. – Falei. — Você devido a morte de Laurel e eu pela dos meus pais. – Suspirei tentando evitar pensar naquelas mortes, que teimavam em voltar a minha mente seja em pensamentos ou pesadelos. – Eu sei que você está aqui por que Sara mandou, a propósito. – Murmurei tentado mudar o rumo que a conversa havia tomado.

– Sara não me mandou vir aqui. – Protestou.

– Ela me contou hoje pela manhã. – Retruquei.

– Ela veio aqui hoje? – Perguntou, assenti em resposta. – Por quê?

– Apenas com o propósito de me irritar. – Resmunguei lembrando o quanto tive que ouvir de suas provocações até dizer onde ela poderia encontrar Felicity e mais ainda quando ela ficou insistindo em saber como eu sabia disso, eu precisava me concentrar na conversa com Tommy antes que eu voltasse a pensar nela. – Por que vocês não estão juntos? – Perguntei o encarando, Tommy saiu de sua postura relaxada e sentou-se rígido na cadeira.

– Ela é minha amiga. – Falou com pressa.

– Besteira. – Desprezei o que ele disse. – Ela é minha amiga. – O corrigi. — Vocês dois são mais do que isso.

– Eu a conheço minha vida toda. – Falou. – Nós...

– Você a ama quase pelo mesmo tempo. – O cortei. – Você a via como a irmã mais nova e irritante de Laurel até o momento em que se envolveu com Laurel e ficou mais próximo de Sara. Você a amou desde então, eu não entendo por que não terminou com Laurel e se aproximou de Sara. – Confessei. – Você não amava Laurel.

– Por que eu estava noivo de Laurel Ollie. – Falou em tom brusco. – Sara jamais aceitaria qualquer coisa que eu oferecesse a ela depois disso.

– A única razão pela qual você ficou noivo de Laurel foi por que ela mentiu que estava grávida. – Falei em tom duro. – Você foi movido pela falsa sensação de dever algo a ela, ela foi uma vaca egoísta e mesquinha que percebeu que você estava prestes a larga-la e inventou essa mentira baixa.

– Eu não acho certo falarmos de Laurel agora que ela está morta. – Murmurou mais calmo. – Eu deixei isso no passado e gostaria que você também deixasse.

– Sinto muito Tommy, mas a morte não faz das pessoas santas. – Resmunguei.

– Você está falando de Laurel ou por seus pais? – Perguntou direto.

– Tanto faz. – Peguei uma caneta e a girei em meus dedos tentando conter minha fúria. – Os três eram hipócritas e mentirosos, é uma ironia que tenham morrido todos no mesmo acidente.

– Você faz parecer que não se importa. – Ele comentou. – Mas você se culpa por esse acidente não é mesmo? – Tommy indagou.

– Eu sei que sou. – Murmurei ao mesmo tempo em que meus pensamentos voltavam para cinco anos atrás, quando eu estava tão zangado que provoquei a morte de três pessoas e quase matei mais uma.

Flashback On

Desci as escadas com pressa, estava movido por pura fúria, eu não acreditava no que acaba de ter ouvido, eu não podia ter acabado de escutar que minha mãe pagou a minha namorada para que ela tirasse meu filho, que Sandra havia aceitado o dinheiro e feito tamanha... Atrocidade. Eu não podia ter escutado Moira Queen se gabar que havia resolvido o “problema”. Isso não podia ser possível.

– Oliver! – Minha mãe gritou do alto das escadas. – Você precisa entender... – Desceu as escadas com meu pai atrás de si. – Era necessário!

– Você não vai ficar parada ai dizendo que era necessário matar meu filho! – Gritei a surpreendendo.

– Pelo amor de Deus Oliver ela tinha o quê? Dois meses de gestação? – Fez descaso. – Não seja emocional meu filho, você sabe que não está preparado para ser pai, e aquela garota jamais poderia ser a mãe ideal para um futuro Queen.

– Moira. – Meu pai chamou sua atenção. – Vamos deixar o garoto processar o que aconteceu, logo ele vai entender o seu papel para com as empresas e como um bastardo influenciaria nisso no futuro.

– Entender? – Perguntei incrédulo. – Isso nunca vai acontecer! Isso que vocês fizeram. – Os encarei duramente. Não tem perdão.

– O que está acontecendo aqui? – Thea perguntou descendo as escadas. – Por que Ollie está gritando?

– Seu irmão só está tendo um dia ruim minha querida. – Minha mãe murmurou com um sorriso querendo tranquiliza-la.

– Um dia ruim? – Repeti em meio a um riso irônico. – Foda-se.

– Oliver! – Thea exclamou surpresa. – O que deu em você?

– Oliver é melhor você se acalmar. – Meu pai pediu se aproximando. – Você irá pilotar o jato hoje, não pode fazê-lo assim.

– O que você queria? – Perguntei incrédulo. – Que eu agradecesse pelo o que fizeram?

– O que eles fizeram? – Thea me perguntou extremamente confusa.

– Pelo amor de Deus dá para ouvir os gritos do outro lado da rua. – Laurel entrou nos observando. – O que você fez dessa vez? – Perguntou olhando para mim.

– O que você está fazendo aqui? – Perguntei incrédulo.

– Eu estou indo com vocês para a Nova York. – Respondeu com um sorriso brilhante.

– O inferno que vai. – Retruquei.

– Oliver não fale assim com Laurel. – Minha mãe reclamou. – Eu a convidei por que ela está muito fragilizada pelo termino do noivado com Tommy.

– Fragilizada? Você tem ideia do que ela fez? – Indaguei. Ela ergueu o queixo não deixando-se alterar pelo meu tom. – Talvez tenha sido uma ideia sua, talvez você esteja com esperanças que ela se torne a futura Senhora Queen, mas sinto desapontar mamãe, mas eu nunca me envolverei com alguém seja o mínimo semelhante a você, eu nunca vou me envolver com alguém que finge estar grávida para evitar que a irmã fique com seu namorado, ou alguém que como a senhora seja capaz de pagar a alguém para perder um bebê!

– Do que você está falando Ollie? – Thea se aproximou de mim e se afastando de nossa mçae em troca.

– Você deveria perguntar a nossa mãe. – Falei entredentes. – Mas não acho que ela assumiria quem ela realmente é para você.

– Já chega Oliver. – Meu pai ergueu a voz chamando. – Eu preciso de todos juntos nessa viajem, eu quero uma filial da QC na Rússia, mas preciso me reunir com alguns acionistas em NY para convencê-los, eu preciso da minha família perfeita e feliz como sempre foi e como sempre será, essa imagem nos ajudará a convencê-los. Você entrará naquele jato e nos levará até lá, na ida de carro até o jato vai procurar se acalmar, depois dessa reunião, quando retornarmos com os papéis assinados, eu, você e sua mãe conversaremos sobre esse episódio. – Eu me aproximei dele não me deixando agir como o filho costumado a baixar a cabeça perante a ordem de seu pai. Eu nesse exato momento o desprezava pelo seu egoísmo, pelo home fraco que era, apenas Thea me fez dizer as seguintes palavras.

– Eu vou com vocês, eu os levarei para Nova York, os levarei para a maldita reunião. – Assentiu pensando estar de novo no controle de tudo. – Eu serei o filho estúpido e perfeito, o playboy a qual todos estão acostumados. Brincarei de família feliz, mas quando eu voltar eu não quero nunca mais ter contato com nenhum de vocês dois. – Encarei minha mãe que pela primeira vez parecia estar levando essa discussão a sério. – Eu não quero nunca mais escutar suas mentiras, eu poderia muito bem dizer onde enfiar a família perfeita e feliz. Eu juro por Deus que essa será a última vez que nos veremos.

E assim foi. Eu estava tão alterado, tão zangado que mesmo sob a minha máscara de frieza eu estava cego pela fúria, eu não chequei as condições do jato, eu sequer dei atenção a isso, meu único objetivo era acabar com isso o mais rápido possível, a presença de Laurel piorava tudo, a insistência de minha mãe de leva-la conosco me irritava. Laurel sempre havia sido próxima a ela, de fato minha mãe era sua madrinha, e isso sempre tinha feito de Laurel sua favorita e perfeita aos seus olhos, mesmo Thea perdia para Laurel quando ela estava por perto, mas por mais irritado que eu estivesse com eles, cada um deles, em nenhum momento eu desejei o que veio a seguir, o desespero ao perceber que íamos cair, a perda de controle e finalmente atingirmos a água gelada do mar, foi um dos momentos mais inquietantes e desesperadores da minha vida, o medo pela minha vida e dos outros me dominou, ficar inconsciente e acordar em um hospital para descobrir que três pessoas haviam morrido naquela noite, dentre elas meus pais foi uma das piores sensações que foi substituída apenas momentaneamente com o alívio de saber que minha irmã estava viva, que Thea estava bem, embora ainda seguisse com riscos, eu mal sabia que as perdas daquela tragédia foi apenas o começo do inferno que viria a seguir.

Flashback Off

– Ollie. – Tommy me chamou em tom impaciente. – Ollie você está bem?

– Você perguntou algo? –Perguntei sacudindo minha cabeça como se eu pudesse afastar os pensamentos tumultuosos que haviam estado ali.

– Você disse que era culpado pelo o que aconteceu. – Falou. – Mas ninguém nunca descobriu exatamente o que provocou o acidente, você não deve se sentir culpado.

– Eu estou cansado Tommy, se importaria de não falarmos mais nisso? – Perguntei já dando o assunto por encerrado.

– Não. – Negou com o cenho franzindo. – Na verdade eu me lembrei de que havia prometido tirar seu tédio. – Bateu na mesa parecendo de súbito empolgado. – Vamos nos divertir um pouco.

– Você devia era ir atrás de Sara isso sim. – Resmunguei.

– Eu não estava falando de mulheres. – Ergueu-se. – Vamos para seu apartamento.

– Tommy, sinto dizer que você não faz o meu tipo. – Brinquei. – O meu faz mais o loira de olhos azuis e sorriso provocante. – Percebi tardiamente que estava descrevendo Felicity, e irritei-me com isso, eu esperava ao menos tira-la da minha mente, pelo menos até o chegar da noite.

– Você está descrevendo Sara? – Perguntou sério.

– Isso te deixa com ciúmes? – Vi uma chance de provoca-lo.

– Fique longe de Sara. – Mandou. – Qualquer um de nós dois não faria outra coisa se não deixa-la infeliz.

– Eu acho que você está enganado. – Ergui-me me afastando da mesa. – Eu acho que você seria capaz de fazê-la feliz, dentre nós dois você sempre foi o melhor.

– Onde você está indo? – Perguntou me acompanhando.

– Para o meu apartamento. – Informei. – Embora não tenha ideia do que você queira fazer lá.

– Eu lembro muito bem do seu apartamento. – Sorriu. – Eu acho que podemos encontrar algo para nos distrair e resolvermos nossos problemas passados.

– Está bem. – Concordei entrando no elevador. – Mas aviso logo que você terá que ir embora quando anoitecer.

– Algum encontro quente? – Insinuou. Não respondi, não com palavras, mas tenho certeza que ele percebeu no momento em que observou o sorriso pequeno que havia deslizado por meus lábios, de fato essa noite seria muito quente.

POV FELICTY

–... Você precisava ver Lis. – Roy exclamou empolgado, não pude evitar sorrir ao escutar sua felicidade. Ele tinha ido pela manhã oficializar sua matricula na Universidade de Central City e estava encantado com o que havia visto. – O campus é enorme, eles têm um laboratório de informática que você adoraria, tenho certeza que você passaria dias trancada lá.

– Você me conhece. – Brinquei.

Espero que não esteja a chateando, aluguei muito sua orelha hoje não é? – Perguntou parecendo apreensivo.

– Claro que não Roy. – Neguei com sinceridade. – Eu estou feliz por você. Você já ligou para Helena?

Sim. Ela disse que qualquer dia desses vinha me visitar. – Informou-me. – Eu não sei se quero que ela faça isso, mas tive medo de aborrecê-la se dissesse.

– Por que você não quer mais vê-la? – Perguntei preocupada.

Não é que eu não quero vê-la Lis, eu quero, muito. – Confessou. – Esse é o problema. Ela está noiva Lis.

– Roy o que você sente por Helena? — Perguntei ainda mais preocupada.

Você sabe a resposta, eu tenho um grande carinho por ela, eu sempre vou ter. – Escutei ele tomar uma respiração profunda. – Mas temo que posso chegar a confundir as coisas. – Confessou.

– Roy. – Suspirei.

Ela merece ter uma vida de luxo. – Continuou. – Ela passou por muitas coisas, ela merece isso, ela merecesse ser feliz, talvez esse cara a faça feliz. Não a encha com isso Lis. – Pediu. – Esqueça o que eu disse, eu estou cansado e preciso dormir, eu quis ligar antes que você fosse dormir também. Você costuma dormir cedo não é mesmo?

– Sim. – Menti. Eu já estava pronta para o encontro dessa noite, tudo que eu precisava era colocar o longo casaco para me proteger do frio da noite e esperar o taxi que logo chegaria.

Então vou desligar. Boa noite Lis.

– Boa noite Roy, por favor, se cuida.

Eu vou. – Prometeu.

Fitei o celular m minhas mãos, eu gostaria de seguir conversando com ele, ir mais a fundo sobre esses últimos comentários sobre Helena, mas o taxi soou em baixo e eu sabia que era o meu, desci as escadas apressada, e o mais rápido que os saltos das botas deixavam, entrei no carro e verifiquei o endereço no celular uma última vez antes de informar o motorista, eu estava um pouco inquieta e apreensiva sobre esse último encontro, mas ainda assim não era uma opção falta-lo então apenas tentei deixar as expectativas o mais baixo possível para que quando a pessoa se revelasse o pior tipo eu já estivesse ciente que quando eu retornasse para o meu para o meu apartamento as lágrimas não fossem tão pesadas.

O prédio no qual paramos não podia ser mais contratante ao meu, o meu era um verdadeiro lixo quando cheguei a portaria pedi imediatamente para que o porteiro ligasse para o apartamento cujo número estava na mensagem, quando ele interfonou apenas assentiu liberando minha entrada, não foi nenhuma surpresa que o apartamento fosse no último andar, graças aos céus que esse prédio possuía um elevador elegante que me pouparia uma boa quantidade de lances de escadas, a surpresa foi em observar quem abriu a porta eu definitivamente não esperava que Tommy Merlyn fosse aquele que tivesse me contratado, seus olhos no entanto transmitiam surpresa, observei hesitante ele dar um passo para trás permitindo minha entrada, e tentei ignorar seu tronco desnudo, a palavra confusa não era o bastante para me descrever no momento.

– Oi... – Murmurei sem saber como proceder.

– Olá. – Seus olhos foram para trás de mim. – Ollie não era a comida. – Murmurou. Virei-me para encarar Oliver ele tirava faixas de sua mão e me encarava fixamente, meus olhos prenderam-se aos seus e desceram pelo seu peito desnudo acompanhando uma gota solitária de suor, respirei fundo tentando me lembrar de que não estávamos sozinhos. A presença de Tommy me confundia ainda mais, eu podia entender por que Oliver havia me chamado, eu não poderia negar que eu meio que no fundo esperava que fosse ele, mas Tommy... Encarei de um ao outro, um estalo se fez em minha mente, merda Oliver não queria.... Inferno ele não queria compartilhar certo? Eu esperava isso de outros clientes, mas não dele.

– Ela é a comida. – Ele sorriu se livrando das faixas. Eu ia matar o cretino. – Saia daqui Tommy. – Ordenou sem tirar os olhos de mim, suspirei em alivio.

– Entendi. – Escutei a voz masculina. – Não se preocupe Ollie, só vou pegar minhas coisas na sala de equipamentos. – Falou antes de passar por nós dois.

– Por um momento pensei que seria presa por assassinato. – Falei erguendo uma sobrancelha. Ele encarou isso como um “Aproxime-se” por que foi exatamente o que ele fez, ele aproximou-se de mim, um dedo deslizando pelo meu rosto e enroscando em uma mecha.

– Por que você faria isso? – Perguntou em tom suave.

– É meio óbvio para uma garota de programa imaginar certa situação específica quando é chamada e se encontra entre dois homens meio desnudos. – Falei. Ele não gostou nada do que eu disse, eu podia afirmar pela pressão que ele fez puxando a mecha que antes segurava suavemente e aproximando sua boca da minha orelha, sua respiração morna a aquecendo.

– Eu já disse que não compartilho. – Murmurou antes de plantar um beijo ali e se afastar, nesse exato momento Tommy voltou agora totalmente vestido, ele piscou para mim e desejou boa noite, porém antes de fechar a porta voltou-se e me encarou.

– Se eu estivesse no jogo, você não precisaria dele. – Murmurou antes de fechar a porta atrás de si. Meneei a cabeça sabendo que ele havia dito isso para provocar Oliver, e ao julgar pela expressão séria de Oliver ele havia conseguido.

– Você o queria aqui? -Perguntou sem hesitação.

– Não seja ridículo Sr. Queen. – Murmurei erguendo uma sobrancelha e passei a provoca-lo. – Eu pensei que você respeitava as minhas decisões.

– Resolvi ignorar o que sua boca fala. – Deu de ombros. – Ela mente, seu corpo não.

– Nós sabemos fingir. – Sorri.

– Então você é uma ótima atriz. – Encarou-me longamente. – O que há debaixo do casaco?

– Roupas. – Murmurei dando de ombros.

– Então vamos nos livrar delas. – Falou simplesmente. – Tire-o.

– Direto ao assunto sim? – Perguntei desamarrando o laço do meu casaco tal como eu havia feito na noite em que o encontrei na QC, tal como antes meu corpo já respondia o seu, e dessa vez eu estava de saia. Ele emitiu um som de aprovação quando joguei o casaco em cima do sofá, vestia uma blusa preta de couro curta e uma saia também de couro preta e igualmente curta com zíper na lateral, havia algo de erótico em ser apenas observada por ele enquanto eu me livrava do resto das roupas sem que ele emitisse qualquer palavra de pedido, Oliver era o tipo de cara que gostava de observar, por isso me despir com gestos lentos e deliberados, quando terminei de me livrar da última peça espalmei a mão em seu peito desnudo e o empurrei até que caísse sentado, não demorei o admirando por mais que quisesse fazer com isso, à noite anterior havia me deixado consciente de seu corpo desde o momento em que havia entrado na sala, eu não ligava se estávamos sendo apressados, apenas sentei em seu colo e me curvei para beija-lo, suas mãos possesivas apertaram minha cintura de imediato e sua boca devorou a minha em retorno, o som de nossas respirações em suspenso era tudo que podia ser ouvido, seus lábios mordiscaram os meus enquanto um mão alcançou meu queixo e o segurava queixo mantendo-me cativa de sua boca. Deslizei minhas mãos pelos seus ombros e interrompi o beijo notando o suor em sua pele.

– O que vocês estavam fazendo? – Perguntei observando seu rosto com atenção.

– Estávamos lutando. – Falou antes de voltar a me beijar.

– Lutando?

– Você não vai falar de outro homem enquanto está nua em meu colo. – Murmurou voltando aprender meu queixo com sua mão, ergui-me de seu colo apenas para despi-lo de suas calças e cueca.

– Eu devia roubar sua cueca. – Murmurei o acariciando. Ele riu em meio a um gemido.

– Eu tenho certeza que ficaria melhor em você. – Murmurou antes de pegar uma camisinha no bolso da calça jogada no chão e voltar a me sentar em cima de si, não perdi tempo com mais explicações e o guiei para dentro de mim, aproveitando cada centímetro que me preenchia e me esticava, inferno esse homem tinha pleno domínio do meu corpo.

– Oliver... – O chamei. Ele me encarou em expectativa. – Eu quero minha calcinha. – Falei séria tentando fazê-lo entender que eu não estava brincando, mas era difícil manter a seriedade quando ele movia-se tão bem dentro de mim, um sorriso se estendeu em seu rosto como resposta, seus olhos estavam semicerrados, sua boca deslizou pelo meu pescoço o percorrendo com a língua, ergui-me nos separando apenas alguns centímetros antes de voltar a deslizar para baixo ganhando um gemido como resposta e eu mesma deixar escapar um.

– Claro. – Murmurou voltando sua atenção para o que eu disse, porém no momento eu era incapaz de repetir o que havia dito, não quando sua mão deslizava pelos nossos corpos e alcançava meu seio o atormentando. – Assim que devolver meu boné. – Bufei já ciente que ele havia ganhado. Por que aquele boné nunca voltaria para suas mãos, como eu havia dito a Helena, era propriedade de Felicity Smoak, o máximo que eu podia fazer agora era tentar voltar para casa com a que eu havia chegado. Meus pensamentos foram interrompidos quando sua boca substituiu sua mão, com a pequena mordida meu corpo assumiu os tradicionais espasmos indicando que logo eu explodiria de prazer, inquieta voltei a repetir os movimentos de subida e descida, dessa vez com mais velocidade, eu o cavalguei com mais intensidade, Oliver me beijou com dureza enquanto me guiava para deitar de costas no sofá, ele assumiu o ritmo, nossos quadris chocavam-se com maior força nossas respirações ficaram cada vez mais entrecortadas, minhas cunhas cravaram-se em sua bunda enquanto juntos nos entregávamos a onda de prazer que explodiu por nossos corpos. Senti sua respiração morna em meu ombro enquanto a minha própria se acalmava, demorou alguns minutos para ele se levantar me puxando-me junto a si e me guiar até o quarto, eu gostaria de dizer que assimilei qualquer decoração do quarto, mas estava ocupada demais enlaçando Oliver com as pernas para tê-lo feito.

Quando terminamos a única energia que me sobrou foi usada para me aconchegar em seu peito, sequer notei que usualmente eu desceria e procuraria um taxi, mas somente quando o dia amanheceu que notei que havia acordado exatamente em onde eu havia dormido, em seus braços.

Notas finais
Espero que tenham gostado meus amores, aguardo o feedback de vocês e peço desculpas por qualquer erro desde já, pois não revisei... Xoxo lelahBallu