Notas iniciais
Olá galerinha, Vou apenas agradecer a "Quel", "Renata83", "Izabel Seliger", "Juliane Oliveira" e May Braga pelas maravilhosas recomendações e ao restante de vocês pelos incríveis comentários, obrigada mais uma vez, esse capítulo é para vocês meninas...

No Capítulo Anterior:

Respirei fundo absorvendo suas palavras, eu sabia antes mesmo de assentir, sair do banheiro e andar até pelas mesas que encontraria o olhar penetrante de Oliver. Os sons do tiro e das ameaças me acompanharam enquanto eu me aproximava de sua mesa, parei em frente a ele o encarando fixamente, respirei fundo antes de cumprimenta-lo com a voz tremente.

– Sr. Queen.

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Havia algo de diferente nela. Faltava aquele ar de provocação que sempre trazia ao me encarar, ela estava abalada, algo havia acontecido para afeta-la dessa maneira, eu me perguntava o que era.

– Você não veio aqui para ficar me encarando não é mesmo? – Perguntou erguendo o queixo assumindo por fim sua postura costumeira. – Eu sei que você é do tipo que gosta de observar, mas imaginei que isso exigia menos roupas. – Seus lábios se estenderam em um sorriso provocativo. – De ambos os lados. – Acrescentou.

– Isso pode ser remediado. – Fale deslizando meus olhos deliberadamente pelas suas pernas nuas, vestia a saia curta do uniforme que se aderia a suas curvas com perfeição, demorei-me nos seios marcados pelo tecido da blusa observando o contorno, quando meus olhos voltaram a encarar seu rosto seu lábio inferior estava preso entre seus dentes, de súbito senti o tecido de minha calça ficar mais apertado diante da visão. Quando nossos olhares se encontraram percebi que ela não era indiferente. – Quanto tempo você acha que demoraria até eu tirar essa sua roupa?

– O que você deseja Sr. Queen? – Perguntou erguendo uma sobrancelha e apontando para o cardápio.

– Você. – Respondi direto, sua garganta se moveu mostrando que engolia em seco. – Mas por hora queria conversássemos. – Falei.

– Conversar?

– Você disse que não conseguimos ficar no mesmo recinto sem nos tocarmos. – Retruquei. – Estamos cercados de crianças, adolescentes e até mesmo alguns idosos. – Apontei para as mesas à medida que eu falava. – Fica difícil eu joga-la sobre a mesa e tê-la bem aqui, não acha?

– Estou no meu horário de trabalho. – Argumentou. – Não posso parar para conversar.

– Se não for no horário deste trabalho... – Esbocei um sorriso que tenho certeza ela chamaria de arrogante. – Será no do outro. – Ela emitiu um suspiro de tédio e olhou em volta procurando por alguém, fez um gesto para uma garota com cabelo de corte masculino que se aproximou.

– Você pode me cobrir? – Pediu. A garota a encarou sem ânimo.

– Vou precisar de ajuda com um exercício idiota de Física. – Exigiu. Franzi o cenho enquanto observava a conversa das duas.

– Está bem. – Concordou. – Passe amanhã pela tarde em casa e deixe comigo.

– Ótimo. Eu te cubro. – Concordou. – Mas se quer uma dica leve-o para longe de olhares curiosos. – Falou apontando para mim.

– Eu vou. – Concordou e me encarou. – Siga-me. – Mandou. Encarei a garota que me olhava de relance e me levantei, a segui tal como mandou, tomando isso como um benefício já que me permitia olhar para seu traseiro. – Gostando da vista? – Perguntou sem se virar.

– Não há o que reclamar. – Retruquei. – Para onde estamos indo? – Perguntei percebendo que saíamos pela lateral do Big Belly em vez da principal e íamos para o beco, ela parou e se virou cruzando os braços.

– O que você quer saber? – Perguntou direta.

– Tanto trabalho para nos vermos rodeados de pessoas e você me leva para um beco isolado. – Meneei a cabeça.

– Estamos em plena luz do dia. – Deu de ombros.

– Você acha que isso pode me impedir? – Perguntei divertido.

– Eu posso te impedir. – Inclinou a cabeça me analisando.

– Sim. – Concordei antes de me aproximar fazendo com que ela desse passos trôpegos para trás, parando apenas quando sua cabeça se encostou a parede, espalmei uma mão em cada lado de sua cabeça a aprisionando. – Mas você vai querer me impedir?

– Alguém se tem em alta conta. – Falo estalando a língua. – O que você quer Queen? E não diga que sou eu, preciso de uma informação que eu ainda não tenha.

– Alguém se tem em alta conta. – Repeti suas palavras, seu sorriso era de pura sedução.

– Eu me baseio nos fatos. – Sua mão foi até a gravata envolta do meu pescoço e deslizou pelo meu peito por cima do tecido da camisa, acompanhei com o olhar a trajetória de seu dedo até que ele chegou ao meu cinto e desceu roçando a costura da minha calça. – E eu tenho algumas evidências. – Murmurou acariciando minha nada discreta ereção ainda por cima do tecido. Minha respiração ficou pesada, sua mão voltou o caminho inverso e voltou a envolver a gravata usando-a para aproximar meu rosto do seu. – Agora... O que você precisa saber? – Essa era uma boa pergunta, o que eu precisava saber? Ela me tinha em seu total controle, literalmente nas pontas dos seus dedos, esforcei-me a me concentrar em outra coisa que não fosse à proximidade dos nossos corpos, eu queria apenas vira-la e toma-la aqui contra a parede, eu havia começado o jogo, mas era ela que tinha o controle e isso me irritava. Balancei minha cabeça como se realmente estivesse preso a um feitiço e me liberasse, afastei sua mão da minha gravata e desci uma mão até sua cintura apertando seu quadril e juntando a região inferior dos nossos corpos.

– Quem era o rapaz que abordou Sara ontem à noite? – Perguntei voltando a focar no que havia me levado até aqui. Ela piscou parecendo surpresa, ela estava tentando me enrolar intencionalmente.

– Eu não tenho ideia do que você está falando. – Mentiu. Eu tinha certeza que mentia.

– Sara disse que você o conhecia. – Falei bruscamente.

– Ela está enganada. – Protestou. – Ela te deu algum nome?

– Não. – Neguei. – Apenas por que ela já possui essa lealdade feminina com você. – Ressaltei. – Ela não tem ideia de você não merece tal confiança.

– Você é um filho da puta. – Cuspiu as palavras com nojo, essa era a primeira vez que ela demonstrava aborrecimento, não era a primeira vez que a ofendi, mas era a primeira em que ela demonstrou sentir a ofensa. Seu corpo empurrou o meu exigindo que me afastasse, mas ao em vez de conceder espaço a pressionei ainda mais contra mim. – Me solta Oliver. – Exigiu.

– Quem é ele Felicity? – Meu próprio tom era exigente.

– Não importa. – Meneou a cabeça. – Não é da sua conta.

– Sara é minha amiga, eu preciso protegê-la. – Falei.

– Ele não é mais um problema. – Falou. – Ele não vai mais incomoda-la.

– Por que você está tão certa disso? – Encarei seu rosto com atenção. – Você o conhece não é mesmo? – Ela trincou os dentes parecendo realmente aborrecida por ter deixado isso passar, seu olhar demonstrava raiva, sua respiração se acalmou e seu rosto voltou a assumir sua habitual máscara, evitei emitir qualquer reação quando senti seu joelho roçar deliberadamente minha ereção. Droga, ela sabia quais os botões apertar.

– Escute aqui Queen, eu posso fazer uma ou outra coisa com você, mas nenhuma delas envolve conversar. – Sua mão não era mais uma insinuação, ela abriu o meu terno e puxou minha camisa para fora da calça, desatou o sinto com destreza, desabotoou a calça e abriu o zíper em seguida. – Ainda quer conversar? – Perguntou encarando-me com provocação. Não respondi, estava ocupado demais olhando em volta procurando por algum sinal de que estivéssemos sendo observados. Toda minha cautela foi jogada para o ar quando sua mão envolveu meu membro roçando a ponta com seus dedos longos, quando ela prosseguiu com a caricia lenta joguei o peso do meu corpo no seu e busquei a curva do seu pescoço com os lábios o beijando em uma caricia igualmente lenta, desci até chegar a sua clavícula e prendi a pele lisa com os dentes com um pouco de força fazendo uma marca ali, passei a ponta da língua na área marcada a umedecendo, sua mão continuava a me acariciar, indo por toda a minha extensão, bombeando-me levando-me a loucura, se ela continuasse assim, isso logo acabaria, sem me demorar afastei sua mão de mim e tirei uma camisinha do meu bolso, perdendo meu tempo apenas para coloca-la, descer sua calcinha e elevar sua saia até a cintura, em um só fôlego a penetrei, o doce gemido que obtive em resposta fez com eu erguesse uma de suas pernas a penetrando ainda mais profundamente, não havia tempo para longas caricias, estávamos quase totalmente expostos. Eu não acreditava que estava fazendo isso, em pleno dia, em um beco qualquer, com o risco que um dos funcionários usasse aquela saída, era intenso e totalmente oposto ao que eu costumava ser, mas isso não me impediu de beija-la e provoca-la com minha língua enquanto aumentava o ritmo de nossos corpos, nada seria capaz de me parar até o momento em que eu tivesse tudo dela, que vesse seu rosto se transformar quando atingisse o ápice de prazer, sua mão adentrava a gola da minha camisa em busca de qualquer contato com minha pele, meus dedos desceram até o ponto quem que nossos corpos estavam unidos, bastou um leve roçar em sua carne e estremeceu de prazer, mais algumas poucas carícias e se desmanchou liberando a onda de prazer, ao vê-la atingir o orgasmo eu mesmo senti meu corpo se estremecer na medida em que me liberava. Por alguns segundos nos encaramos com a respiração ofegante, nossos corpos ainda recebendo os tremores consequentes do que acabávamos de ter feito.

Era inquietante o poder que ela tinha sobre mim, sobre meu corpo, era inaceitável que alguém pudesse me dominar dessa maneira. Passado os momentos pós-sexo percebi que havia sido apenas uma distração, que era isso que ela fazia, usava seu corpo para sujeitar os homens a sua vontade e isso me irritou. Isso me deixou furioso, me afastei com os dentes cerrados e tirei o preservativo jogando-o na lixeira que estava por perto, ajeitei minhas roupas e me virei olhando o beco, tomando uma respiração profunda tentando buscar meu controle, procurei olhar novamente se havia algum curioso nos observando e voltei a encara-la a tempo de vê-la soltar seu cabelo e joga-lo por cima do ombro, cobrindo a parte avermelhada de sua pele onde eu havia a marcado.

– Você me distraiu. – A acusei.

– Melhor do que conversar não acha? – Retrucou em tom rouco. – Eu tenho que voltar ao trabalho Sr. Queen, se você não mais nada do que “falar”. – Se virou passando a se afastar, a fúria que me consumia era tão grande que sequer percebi o que estava fazendo, alcancei minha carteira no bolso traseiro e puxei algumas notas.

– Espere. – A chamei, ela se virou com o cenho franzido, me aproximei e segurei sua mão depositando as notas em cima da palma cálida. – Pelos serviços prestados. – Murmurei em tom ácido, eu queria magoa-la, queria que se sentisse usada, como eu estava me sentindo, eu queria saber se isso era possível ou se sua postura de foda-se o mundo estaria sempre ali, ver o brilho de lágrimas não derramadas me desnorteou, ela olhou para baixo encarando as notas, não havia uma resposta provocante, nem uma pitada de humor mesclado à sensualidade, seu rosto se fechou, seu queixo se ergueu e me encarou altiva.

– Isso não daria sequer para o troco. – Debochou. – Eu valo bem mais do que isso. — Pegou as notas e se virou entrando novamente pela lateral do prédio, se era sua intenção que eu visse quando passou pela lixeira e jogou as notas ali dentro eu não tinha certeza, mas eu sabia que a havia magoado e embora essa houvesse sido a minha intenção, eu estava arrependido.

[...]

– Sr. Queen. – Levantei minha cabeça ao chamado da minha assistente, ela me encarou hesitante ao observar minha expressão séria. – A Srtª Rochev exige uma reunião com o senhor, olhei através do vidro para Isabel que me devolvia o olhar com escarnio.

– Diga a ela que eu não a receberei. – Respondi em tom brusco.

– Mas Sr. Queen ela insiste...

– Eu devo lembrar quem paga as folhas de pagamento Srtª Stacy? – A encarei duramente. Ela engoliu em seco e meneou a cabeça em negativa.

– Cercado de idiotas. – Isabel falou entrando em meu escritório sem paciência. – Você sempre esteve.

– Srtª Rochev... – Minha assistente começou.

– Tecnicamente ainda é Queen. – Isabel a encarou por cima do ombro. – Sai. – Mandou.

– Cancele a próxima reunião Srtª Stacy. – Falei quando ela me lançou um olhar hesitante. – E passe no RH no caminho, você está demitida.

– Mas...

– Vá.

– Sempre o Ollie implacável. – Isabel sorriu após a assistente sair aos soluços.

– Sempre estando onde não é desejada. – Retruquei a observando com frieza. – O que você está fazendo aqui?

– Você pode ter me passado a perna tomando quase posse total da empresa... – Deu de ombros. – Mas eu ainda tenho algumas ações e estou conseguindo mais, a Queen será minha.

– Tenho certeza que está deitando em algumas camas durante o processo. – Tamborilei meus dedos sobre a mesa.

– Só por que meu marido não quer fazer seu papel. – Sorriu. Um sorriso que faria com que cada homem cumprisse todas as suas vontades, como meu pai havia feito cada uma delas.

– Ex-Marido. – A corrigi.

– Não enquanto os papéis não saírem. – Piscou.

– Por quanto tempo você acha que pode prorrogar isso? – Perguntei sem interesse.

– Até eu ter a QC em minhas mãos. – Se aproximou de mim, invadiu meu espaço pessoal e apoiou uma mão em meu ombro enquanto a outra brincava com minha gravata, o único poder que o gesto teve sobre mim, foi o de lembrar quando as mãos de Felicity havia feito isso mais cedo. – Poderíamos nos divertir um pouco até lá.

– Se afaste. – Exigi.

– Não seja chato Oliver, você está tão tenso. – Sua unha roçou minha bochecha. – Talvez precise de um pouco de sexo casual para relaxar.

– Eu não vou repetir para que saia novamente. – Murmurei em tom gélido.

– Você está fazendo um papel ridículo. – A voz de Sara nos atingiu. – Isabel se endireitou encarando a loira que entrava a avaliando. – Ollie não cai não vai cair nos seus “encantos” novamente.

– E você é sua babá? – Isabel riu. – Pensei que Oliver já estava bem grandinho para isso.

– Apenas saia da minha sala Isabel. – Falei.

– Sua por enquanto. – Murmurou antes de se virar e sair, passando por Sara sem lhe direcionar o olhar.

– Ela veio aqui te seduzir? – Sara perguntou estranhando. – Essa artimanha ainda pega? – Riu.

– Não querendo ser mal educado... – Murmurei. – Mas o que você está fazendo aqui?

– Eu preciso do número de Felicity. – Falou sentando-se a cadeira a minha frente. Franzi o cenho absorvendo o que havia dito, como diabos eu teria o número de Felicity, Sara suspeitava que nós dois... – Eu ia chamar sua assistente, mas ela passou por mim... Chorando?

– Ah eu a despedi. – Dei de ombros. – Exijo competência, e ela sequer foi capaz de manter Isabel afastada.

– Em fim... – Suspirou dando pouca atenção ao fato. – O número de Felicity. – Voltou a pedir.

– A) Porque você quer seu número e B) Por que eu teria seu número? – Perguntei ainda confuso.

– Eu te disse. – Falou. – Eu liguei do celular dela ontem para você, está no registro de chamadas. – Ergueu a mão. – Preciso do seu celular. – A entreguei me endireitando e observando ela procurar o número. – Mais alguém o ligou perto desse horário?

– Não. – Meneei a cabeça em negativa e fingi desinteresse ligando a televisão no canal de noticias. – Apenas liguei para Tommy e está nomeado. Por que você precisa do número?

– Pensando no futuro. – Deu de ombros. – E estou pensando em alguma forma agradece-la.

– O que aconteceu com o velho e bom “Obrigado”? – Perguntei voltando a encarar a TV, Sara acompanhou meu olhar e se concentrou na figura política que subia ao palanque para dar um pronunciamento.

– É um bom homem não acha? – Perguntou observando o prefeito. – Sebastian Blood fez tanto pela cidade, mantem ordem em Starling City e seu filho é adorável. – Acrescentou quando a criança apareceu rapidamente na tela junto à mãe. Respirei fundo ao escutar a última frase.

– Sim. – Concordei. – Ele é.

– Quem os observa percebe uma ligação de pai e filho. – Continuou. – Ninguém diria que Connor não é seu filho.

– Você já achou o número? – A interrompi.

– Já. – Falou antes de me entregar o celular. – Já salvei no seu.

– O que a faz pensar que quero o número de Felicity?

– Chame de instinto feminino. – Sorriu. Então me encarou com um sorriso divertido nos lábios e se levantou. – Você está tenso, eu acho que você precisa relaxar... E eu não estou falando de Isabel. – Falou antes de piscar e se afastar. Ela sabia. Eu não sabia como, mas ela havia percebido que eu e Felicity estávamos “envolvidos”. Apesar da sua sugestão eu não podia procurar Felicity, não só por que no momento eu era a última pessoa que Felicity queria ver como eu já havia tentado marcar um encontro para essa noite, mas não pude e isso só implicava em uma coisa, que ela tinha um cliente para hoje. Trabalhei a tarde toda e tomei parte da noite, ao menos tentei.

O pior de tudo é que isso me consumia, passei as horas seguintes pensando em com quem ela estaria após ter estado comigo, quem estaria a possuindo, quem estaria sentindo o cheiro de sua pele e recebendo os seus beijos, me surpreendi quando em um rompante de raiva joguei tudo que estava em cima da minha mesa. Ergui-me passando a mão em meus cabelos em um gesto nervoso, eu não podia continuar assim, eu sabia que me manteria inquieto até voltar a vê-la e inferno se eu não estava tentado a quebrar minha própria regra.

POV FELICITY

Esperei que o corpo masculino saísse de cima de mim e segurei um suspiro de alívio quando ele se afastou, sentei na cama dando as costas para o cliente que era tão importante segundo meu “querido” chefe, engoli o asco quando seus dedos traçaram minha coluna e a lateral do meu seio, respirei fundo tentando não mostrar o quanto estava ansiosa para ir embora.

– Com pressa minha querida? – A voz rouca de Slade Wilson se fez soar atrás de mim, engoli minha vontade e responder com um aceno afirmativo e me virei com um falso sorriso.

– Eu preciso ir. – Falei tentando soar queixosa. – O tempo acabou.

– Você sabe que posso mantê-la aqui pelo tempo que eu quiser. – Seu acento se fez mais forte à medida que falava em tom ameaçador. – Eu tenho o passe livre. – Sorriu deslizando seu dedo pelos meus lábios a vontade de me afastar foi difícil de resistir – Mas pode ir. – Fez um gesto de dispensa com as mãos. – Seu trabalho já acabou aqui.

– Como queira. – Murmurei me levantando, procurei por minhas roupas e a vesti rapidamente.

– Dê seu endereço ao motorista. – Falou. – Eu sei tratar bem as mulheres com quem durmo.

– Não precisa. – Virei-me o encarando agora vestida. – Eu já tenho um taxi me esperando. – Menti.

– Eu insisto. – Seu tom ameaçador estava ali novamente, assenti a contra gosto.

– Se isso te agrada. – Murmurei.

– Você me agradou. – Ergue-se indiferente a sua escassez de roupas. – Ele estava certo, mercadoria de primeira qualidade. – Falou ao passar por mim e entrar no banheiro, não esperei um novo comentário ou despedida, sai do quarto de hotel as pressas, quando desci seu motorista já me aguardava esperando pelas instruções, tentei remover a ideia de sua cabeça jogando um pouco de charme , mas assim como seu chefe falou em tom ameaçador que insistia no assunto, me vi mais uma vez assentindo a contragosto e entrei no carro elegante, ele já sabia onde eu morava, eu sabia disso por que menti o endereço, dando-lhe o de umas poucas quadras antes, mas ele passou direto e parou em frente o meu prédio, o pensamento de que ele já sabia todo o momento onde eu morava me assustou, tanto que esperei ainda uns minutos após ele ter ido embora antes de entrar em meu prédio, subi os lances de escadas as pressas, e abri a porta do meu apartamento com avidez, parei bruscamente ao sentir a presença de uma pessoa no meu apartamento, minha mão alcançou o taco de basebol no seu esconderijo ao lado da porta e me preparei ao mesmo tempo em que ascendia as luzes com uma mão, meu coração deu uma pequena parada antes que eu assimilasse quem era a figura masculina sentada em meu sofá.

– Oliver. – Falei em um só fôlego.

– Se você abaixar o taco nós dois poderíamos conversar. – Falou observando minha postura defensiva. – Realmente conversar dessa vez. – Analisei sua frase e relaxei minha postura, então me lembrei de como ele havia falado comigo mais cedo e voltei a erguer meus braços mantendo o bastão na posição anterior.

– E por que eu faria isso?

– Apenas solte esse bastão Felicity. – Exigiu.

– Você não manda em mim. – Neguei. – O propósito dele é para eu usar caso um desconhecido entre em minha casa contra a minha vontade e advinha só? Finalmente vou ter a oportunidade de usa-lo.

– Você está sendo ridícula.

– Espero que essa não seja a sua tentativa de me acalmar. – Ergui uma sobrancelha. – O que você quer Queen? E não vamos fazer o tradicional jogo de sedução.

– Largue isso e conversaremos. – Falou novamente.

– Eu não quero conversar com você. – Falei sincera. – Eu não quero ver você, eu não ter que está no mesmo lugar que você, na verdade tudo o que quero é que você saia da minha casa para eu poder tomar um banho que se preze na minha banheira.

– Fe-li-ci-ty. – Soletrou entre dentes.

– Sim? – Fingi que não via o aborrecimento em seu rosto.

– Desculpe. – Murmurou por fim. Isso me desarmou, sai da posição defensiva e o encarei surpresa. – Eu não devia ter falado daquele jeito com você, é por isso que estou aqui, para lhe pedir desculpas.

– Ótimo. – Assenti. – Agora que já pediu pode ir embora. – Soltei o taco no chão escutando o baque quando se chocou contra o piso, me virei por que não conseguia continuar encarando-o, eu não podia continuar assim, deixar um homem me abalar desse jeito, deixar que suas palavras me ferissem, eu não podia fazer isso.

– Felicity. – Voltou a me chamar me seguindo.

– Eu não sei se reparou Sr. Queen, mas estou tentando me afastar de você. – Murmurei em tom ácido. – Acabei de voltar de um encontro com um cliente e se não me engano era uma regra sua de não encontra-lo após transar com outro. – Eu mesma não podia lidar com ele enquanto ainda tivesse o cheiro de Slade em meu corpo.

– Precisamos conversar...

– Não, não precisamos!- Virei-me com raiva. Seu olhar foi de pura surpresa. – Eu nem sei o que estamos fazendo aqui! – Gritei. – Você é um cliente e eu sou uma puta, eu não recebo desculpas, clientes não vêm a minha casa para se redimir e eu não me importo quando eles me ofendem, é assim que deve ser, então cumpra seu papel e apenas vá embora Oliver, marque uma rapidinha comigo ou desapareça, eu agradecia se você escolhesse a última opção. – Acrescentei antes de voltar a lhe dar as costas e entrar no meu quarto, tirei minhas roupas ainda com raiva em gestos brutos e rápidos, enxuguei as lágrimas que desciam pelo meu rosto com rudez machucando a pele, maldito homem que havia me feito chorar, entrei já sem roupas no meu banheiro e tratei de encher a banheira rapidamente derramando os sais do meu gosto, esfreguei minha pele com força, um processo que já havia virado rotina, odiava cada vez que tinha que fazer os favores dele, que tinha que entregar meu corpo a um estranho, um desconhecido, a única vez que havia me sentido bem com o sexo foi com Oliver e ele só me fazia mal, tinha que ter alguma ironia nisso, quando me julguei limpa o suficiente descansei minha cabeça contra o encosto da banheira e fechei meus olhos, apenas brevemente, apenas para tentar esquecer por um momento esse longo dia de ameaças acusações e perseguição, apenas para esquecer por um momento Oliver Queen. Quando tornei a abri-los encontrei olhos azuis e intensos me encarando, ele não havia ido, arfei quando tirou suas roupas e eu estava incerta sobre o que fazer, sabia que eu deveria voltar a gritar com ele e pedir que fosse embora, mas tudo o que fiz foi me afastar dando espaço para ele, sem dizer nenhuma palavra ele entrou atrás de mim e me puxou para si, encostei-me completamente a ele, sua cabeça apoiou no meu ombro quando murmurou novamente a seguinte palavra.

– Desculpe.

Notas finais
Espero que tenham gostado, aguardo o feedback... Xoxo LelahBallu