Notas iniciais
Bom dia meus amores, era para eu ter postado esse capítulo ontem, mas não rolou, desculpe por isso. Quero agradecer a todos e cada um comentário do capítulo anterior, me apaixonei por eles e as teorias que vocês elaboraram, Sebastian está no alvo de vocês e posso entender por que. Foram tantos comentários sobre ele que eu acabei soltando alguns spoilers sobre ele no tt (Durante a fic, não exatamente deste capítulo) para aqueles que não tenham meu tt e estejam interessados nele é só seguir a @lelahballu que sempre estou interagindo com meus leitores fazendo QA (Question&Answers) o popular perguntas e respostas e eventualmente soltando um o outro spoilers. Fora isso quero agradecer as fofas e lindas "Ilana Sodré" "La Volpe" w "ThayThay" pelas lindas recomendações, obrigada flores, esse capítulo é para vocês.

Lis! – Escutei o grito animado de Helena através do celular. – Eu acho que precisamos nos encontrar amanhã. – Falou em apenas um só fôlego. – Você disse que teria o dia todo apenas para você, eu preciso conversar com você, não nos falamos pessoalmente há semanas, então não tente me fazer mudar de ideia. – Encostei-me ao balcão da minha cozinha enquanto a escutava falar.

– Talvez eu precise de algum tempo sozinha. – A provoquei. Estava apenas brincando, nunca negaria um encontro ou visita de Helena e ela estava certa, não nos víamos há um bom tempo, eu precisava conversar com ela, eu precisava urgentemente falar sobre Oliver. Neste momento ele estava no meu banheiro e eu não tinha ideia do que fazer quanto a isso. Após o breve momento... Terno, ouso usar essa palavra, ele voltou a se fechar e passamos do emocional para sexual em apenas alguns pares de minutos, eu me entreguei ao prazer de ter suas mãos deslizando pela minha pele, desde os seios até meu sexo úmido, seus lábios mordiscavam meu pescoço enquanto seus dedos se moviam dentro de mim, parando apenas para me afastar e ergue-me em seus braços levando-me até minha cama, encheu-me de beijos e caricias e só voltou a se afastar para conseguir uma camisinha em sua calça jogada no chão do meu banheiro, eu não as tinhas em minha casa, nenhum outro homem que não fosse Roy havia entrado em meu apartamento e nenhum tinha estado em minha cama, foi tão selvagem como costuma ser quando estamos juntos e igualmente intenso, quando por fim estávamos saciados um do outro seu corpo suado saiu de cima do meu livrando-me do peso forte de seus músculos, neste momento eu me perguntei: E agora? Essa coisa que eu tinha com Oliver era explosiva, ele obviamente odiava o que eu era e me julgava por isso, eu não queria me envolver com alguém, eu não podia me envolver com alguém, a ameaça a Oliver ainda pairava em minha cabeça, eu sequer me importava com ele e ele havia sido ameaçado, o que aconteceria se continuássemos com isso? Quem mais seria envolvido nos meus dramas? Eu mal conseguia proteger Roy, eu não posso arranjar outra pessoa com quem me importar.

Todo o momento em que ele estava deitado ao meu lado com nossas respirações ainda ofegantes eu pensava nisso, quando ele se levantou e sem mais uma palavra foi ao meu banheiro eu encarei o corpo masculino com interesse, deslizando meu olhar por suas costas e fixando-me em seu bumbum, quando a porta se fechou atrás de si o pânico me invadiu, ele havia me visto em meu momento frágil, ele havia me visto chorar, como eu o encararia agora? Felizmente o toque do meu celular me despertou dos meus pensamentos e me apressei a encontra-lo tomando um breve momento apenas de vestir uma camisa fina minha que ia até minhas coxas.

Lis? – Pisquei voltando a escutar o chamando de Helena, pelo tom insistente eu poderia deduzir que não havia sido a primeira vez que ela o fazia. – Você está me escutando?

– Desculpe. – Pedi meneando minha cabeça. – Eu estava distraída.

Distraída pelo que?

– O que você precisa me falar? – Perguntei tentando distrai-la, eu não estava pronta para falar do meu objeto de distração com ele a poucos metros de distância. – Por que você está me ligando as 03:30 da manhã mesmo? – Perguntei após me virar apenas para encarar o relógio em cima da minha geladeira. Com um impulso me sentei no balcão.

Por que eu sinto a sua falta amiga ingrata. – Resmungou. – E por que eu estou nessa festa de ricos, entediante com Edgar falando o tempo todo sobre negócios. Estou escondida no banheiro você acredita? E Lis eu sei como você fica depois de... Você sabe, eu sabia que você estaria acordada. – Ela sabia. A frequência com que Helena me ligava apenas para me distrair de uma péssima noite era maior do que eu gostaria, por que era muitas péssimas noites, o pensamento de que neste momento era exatamente o que ela estava fazendo trouxe um sorriso triste nos lábios.

– Eu te amo você sabia? – Perguntei emocionada.

Todo mundo me ama Felicity Smoak, não é como se você pudesse resistir a isso. – Brincou. – Eu te amo também e não tente me amaciar, amanhã as 17:00 no parque onde eu corro ok?

– Está bem. – Suspirei em derrota. – Te vejo em breve – Murmurei antes de desligar o celular, encarei por alguns segundo a tela após a chamada encerrada.

– Quem era? – Ergui meu rosto ao escutar o tom autoritário de Oliver. Isso me incomodou, sua voz impregnada de raiva contida.

– Ninguém. – Falei apenas por que não queria ele se metendo dessa maneira em minha vida, ele e eu tínhamos algo, mas se resumia a sexo e só, ao contrário do que ele parecia pensar Oliver Queen não era meu dono.

– Ninguém? – Repetiu se aproximando de forma lenta, tomei meu tempo observando seu torso desnudo, vestia apenas sua cueca box preta, suas coxas firmes e nuas disponíveis ao meu olhar admirado, este homem era a própria definição de sexy, como escapar disso? Olhar para ele devia ser equivalente a um cachorro faminto encarando um suculento pedaço de carne em uma vitrine, impossível de fazer outra coisa se não encher sua boca de água e imaginar como seria dar uma boa dentada. – Não parecia ser ninguém.

– Você está certo. – Acenei concordando tentando colocar meus pensamentos em ordem. – Eu tenho que reformular a frase, o certo seria dizer que não é de sua conta, mas achei que estava explicito no “ninguém”. – Falei o encarando, ele não gostou disso, posso afirmar com certeza apenas observando como as linhas do seu rosto ficaram rígidas, sua mandíbula estava tensa, assim como seus ombros, ele se aproximou ainda mais me encarando de perto.

– Não é da minha conta? – Repetiu cada palavra soando mais como acusação. “Como você se atreve” era o que dizia cada palavra.

– Não. – Voltei a dizer sem me deixar intimidar. – Eu acho que já lhe disse uma vez Oliver, mas parece que você precisa escutar novamente... Eu não sou exclusiva. Não somos um casal, então não espere explicações vindas de minha parte ou você estará fadado a se decepcionar.

– Não somos um casal. – Concordou. – A gente fode, simples assim, mas eu acho que já te disse uma vez e parece você precisa escutar novamente... Você é minha. – Eu não entendo como alguém tão idiota pudesse me excitar tanto, mas ele tinha esse poder sobre mim, mesmo agora quando eu devia estar o chutando daminha casa minha concentração estava toda nos músculos de seus braços que se movimentaram colocando uma mão a cada lado do meu corpo sentado na bancada me cercando, seus olhos voltaram-se para os meus seios cujos bicos traidores denunciavam o quanto eu estava ansiosa por seu toque. Voltei a encarar seu corpo e sorri conferindo o novo material que eu teria para provoca-lo.

– Você está sempre excitado? – O provoquei.

– Isso depende... – Suas mãos espalmaram minhas coxas as separando mordi meu lábio inferior quando ele se instalou entre minhas coxas. – Você está sempre preparada para mim? – Perguntou antes de atacar meus lábios em um beijo profundo, meus braços automaticamente envolveram seus ombros, minha mão acariciando seu cabelo, quando sua língua entrou em contato com a minha não pude fazer nada senão emitir um suspiro de desejo e quando seus dentes prenderam meu lábio inferior gemi em resposta, suas mãos apertaram ainda mais minhas coxas e eu pude sentir o quanto ele me desejava quando nossas partes inferiores ficaram ainda mais próximas. – Quem era ele? – Perguntou novamente quando seus lábios por fim libertaram os meus. Franzi o cenho por um momento esquecendo-me do que ele estava falando, por ele Oliver queria se referir ao que possuía minha liberdade... – Quem estava no celular?

– Você está me distraindo para obter respostas? – Perguntei incrédula.

– Você fez isso para evitar respostas. – Ressaltou. Tentei empurrar seu peito e afasta-lo de mim, mas tudo o que consegui foi voltar a tocar em sua pele e sentir o calor atravessar a região em nos tocávamos.

– Eu quero descer. – Falei em tom duro.

– Eu gosto de você assim. – Retrucou. – Aberta para mim. – Murmurou o polegar deslizando pela parte interna da minha coxa.

– Já está tarde Oliver. – Falei tentando mais uma vez afasta-lo. – Hora de ir embora Sr. Queen.

– Eu só quero um nome. — Não se moveu. Seguiu me encarando fixamente. Ri em deboche.

– Um nome? – Perguntei em meio à risada histérica. – Eu poderia te dar uma lista, você se surpreenderia com alguns nomes que encontraria.

– O que isso significa? – Estranhou. – Quem era o de mais cedo?

– Oliver eu não vou por esse caminho. – Falei entre dentes. – Você mesmo disse: Nós fodemos. Não há por que eu ficar falando quem mais eu fodo fora você. – Falei as palavras duramente, apenas na esperança que ele desse o assunto por encerrado, seus olhos ficaram frios com a menção de outros me fodendo. Eu encontrei uma oportunidade de afasta-lo, de tira-lo do alvo de ameaças, levei minhas mãos ao seu rosto e o encarei com seriedade. – Eu não sei o que estamos fazendo, não é saudável, talvez você devesse parar de me marcar encontros – Murmurei. Eu o desejava tanto, ele havia se tornado uma espécie de vicio, mas precisávamos para com isso antes que fizéssemos alguma estupidez como nos envolvermos emocionalmente, imaginar que pudéssemos estar de fato juntos, isso era loucura, uma completa estupidez. – Vá embora Oliver, não volte a agendar algo comigo, não apareça mais em meu apartamento ou no Big Belly, foi divertido... – Respirei já sentindo o gosto amargo da mentira que vinha por ai. –... Mas todos os outros são. Vocês não passam de diversão para mim e é claro uma ótima maneira de ganhar dinheiro, nada melhor do que juntar negócios com prazer.

Tão logo terminei a sentença suas mãos me soltaram como se pegasse fogo, um verdadeiro contraste com sua expressão gélida, seu corpo finalmente se afastou do meu, dando dois passos para trás, me analisando com expressão incrédula, talvez ele tivesse começado a penar que eu não seguia a vida que eu tinha por opção, talvez ele tivesse me enxergado como ser humano e agora eu havia destruído a imagem frágil. Tentei não demonstrar que isso me abalava, ele sumiu entrando em meu quarto e voltou agora vestido, seus olhos me encaram apenas mais uma vez antes de fechar a porta com um baque, encolhi-me ao escutar a pancada e por fim me levantei para trancar devidamente a porta, peguei meu taco e o levei comigo, embora tivesse deitada e em minha cama não consegui dormir, Oliver estava em todos os lados para os quais eu encarava e quando eu fechava os olhos era ele quem eu via, talvez eu estivesse errada, talvez eu já tivesse cometido a estupidez de me envolver emocionalmente.

[...]

– Eu quero um refrigerante, fritas e um hambúrguer. – Anotei o pedido da mulher enquanto aguardava que seu namorado escolhesse algo, ele encarou o cardápio mais uma vez antes de voltar a olhar a sua namorada que franziu os lábios irritada por sua demora.

– Eu vou querer o mesmo que ela. – Murmurou por fim, talvez percebendo que seu namoro não resistiria a uma quarta olhada ao cardápio, anotei e me despedi informando-os que logo eu voltaria para entregar os pedidos. A todo o tempo meus pensamentos retornavam para certo par de olhos azuis que haviam passado de quentes para frios em questão de segundos, mas o que eu teria que fazer para tirar Oliver da minha cabeça?

– Felicity. – Gracie me chamou com um brilho no olhar, seu sorriso era enorme e suas bochechas estavam coradas, é de se pensar que uma mulher quando se casa e torna mãe perde isso, mas Gracie havia casado muito cedo e seu bebê tinha apenas seis meses, ela ainda conservava um pouco de meiguice. – Há um cliente chamando por você. – Suspirei já imaginando o que iria vir daí.

– Ele foi específico?- Perguntei a esperança de que eu estivesse errada presente em cada palavra.

– Sim. – Assentiu. – Ele é lindo! – Exclamou animada, então me encarou com interesse. – Ele é seu namorado?

– Definitivamente não. – Neguei.

– Ele é tão... – Suspirou.

– Lindo? – Perguntei completando.

– Sim! – Concordou. É definitivamente era Oliver. – Se eu fosse solteira e tivesse um homem como aquele chamando por mim... Eu daria uma chance.

– Bem... – Falei já me afastando. – Se você estivesse solteira eu o daria para você. – Não esperei sua resposta segui caminhando para onde tenho certeza encontraria Oliver, porém minhas pernas pararam bruscamente quando observei a figura masculina parada em pé apenas poucos metros em minha frente, minha expressão foi uma verdadeira mistura de emoções.

– Roy. – Murmurei o encarando, seu sorriso de menino se iluminou. Em um momento eu estava encarando-o perplexa no outro corria e me jogava em seus braços, ele estava aqui e esse fato me emocionava e amedrontava ao mesmo tempo. – Por que você não me ligou? Eu pensei que você demoraria... – Parei notando que estava dando com a língua nos dentes.

– Semanas? – Perguntou erguendo uma sobrancelha. – Eu sabia que se dissesse a Helena ela contaria a você, eu fui estúpido ao alertar que chegaria, pensei melhor e quis surpreender as duas, eu acho... Que consegui? – Dei-lhe um pequeno tapa em seu ombro.

– Claro que conseguiu! – Sorri e voltei a abraça-lo. – Por quanto tempo pensa em ficar? – Eu estava preocupada, hoje eu dei sorte, não tinha nada marcado, mas os dias seguintes dificilmente estariam livres...

– Apenas por três dias. – Confessou.

– Três dias Roy? – Perguntei falando em tom baixo. – Você sabe que não é bom você ficar por ai durante três dias.

–Lis eu sei que você está dando duro para pagar minha dívida. – Oh ele não sabia. – Mas se ele perdoou a divida e está deixando você pagar aos poucos... – Roy fazia deia que já estávamos anos assim? – Não tem perigo para mim, certo?

– Não podemos discutir isso aqui. – Meneei a cabeça. – Espere mais duas horas. – Falei. – Hoje termino meu turno cedo e marquei de me encontrar com Helena, talvez ela ponha algum juízo em sua cabeça.

– Helena por juízo na cabeça de alguém? – Perguntou divertido.

– Apenas me espere e conversaremos. – Falei uma última vez, ele assentiu e beijou meu rosto rapidamente antes de ir até uma das banquetas livres em frente ao grande balcão. Vi Sin o abraçar por trás ao se dá conta de quem se tratava quando passou por ele, ela gritou animada o chamando de “Abercrombie”, um sorriso me veio ao rosto com a cena e finalmente em fui atrás daqueles hambúrgueres.

– Para onde estamos indo? – Perguntou quando já nos aproximávamos do parque no qual eu havia marcado com Helena.

– Só mais um pouco e estaremos no parque onde Helena gosta de correr. – O informei.

– Helena corre em uma versão pequena do Central Park? – Franziu o cenho. – Neste bairro de gente rica?

– Você sabe que ela está séria com alguém. – Dei de ombros. – Eles moram por perto.

– Eu não estou julgando Helena por ter fisgado um peixe grande e ter saído daquela vida. – Assentiu. – Ela merecia sair daquilo, nenhuma mulher deveria passar por isso, mas eu penso que isso deve está deixando-a louca. — Ele fez um gesto abrangendo tudo ao nosso redor. – Toda essa pompa deve estar deixando-a louca.

– Sabe o que vai enlouquecê-la? – Empurrei meu ombro contra o seu com um sorriso. – Quando ela te vê, ela vai ficar chateada por você ter mentido para ela.

– Bem ela vai me abraçar e depois me bater, como alguém que eu conheço. – Piscou. – Mas vai ficar feliz.

– Eu não certeza se ela vai ficar apenas no abraço. – Helena adorava atormentar Roy o envergonhando em minha frente, ela sempre dava um jeito de fazer alguma referência de que os dois já estiveram juntos, Roy pensa que meus ouvidos são frágeis demais para as coisas que eles dois faziam juntos, muitas das quais ele sequer sabia que eu mesma havia feito.

– Roy... – O chamei a um dado momento quando alcançamos um banco que ficava em a um pequeno lago, ele me encarou com expectativa. – Eu não quero ser grosseira, mas você não pode ficar por três dias...

– Eu sempre me perguntei por que você ainda está pagando minha divida. – Falou de repente. – Eu sei que eu não devia pouco a ele, não depois de tanto tempo consumindo drogas e usando o dinheiro que ele me “emprestava” para paga-las, eu sabia que era uma senhora divida, mas que divida dura por quatro anos?

– Você devia muito dinheiro Roy. – Suspirei. – Você roubou e destruiu um carro de luxo dele em um acidente na última vez que estava drogado, acredite, sua divida irá durar pelo tempo que ele quiser.

– Eu não devia tê-la envolvido nisso. – Meneou a cabeça com desgosto. – Ele a está pressionando não é mesmo? – Perguntou me encarando. – Ele está levando cada dinheiro seu e me usando como ameaça. – Roy não sabia o quanto longe chegava o poder dele comigo. – Não é justo que você ainda pague por meus erros. Eu deveria estar te protegendo, não o contrário. – Sorri encostando minha cabeça em seu ombro.

– Você é meu irmão mais novo Roy. É meu dever como irmã mais velha protege-lo. – Brinquei.

– Eu tenho 21, você 23. – Falou encostando sua cabeça na minha. – Dois anos não implica em uma diferença tão grande assim.

– Você entende por que não pode ficar três dias no meu apartamento? – Voltei ao tópico.

– Eu sei. – Assentiu. – Helena havia me oferecido o seu apartamento, mas ela mora junto com o namorado, não sei se vai dá certo.

– Eles não moram exatamente juntos. – Falei. – Ele comprou um apartamento para ela e a visita frequentemente, talvez ela tenha oferecido por que já tinha uma desculpa em mente.

– É, mas ela pensava que eu só chegaria dentre semanas, não em dias. – Deu de ombros. – Eu estava ansioso para ver vocês duas, eu sinto falta de vocês, lá eu não tenho ninguém.

– Você me disse que ia entrar em uma faculdade. – Sorri orgulhosa. – Tenho certeza que vai encontrar muitos amigos e amigas. – Pisquei. Ele meneou a cabeça com um sorriso. – Roy, eu preciso perguntar, por favor, não pense que o estou julgando ou pressionando, mas você teve alguma recaída? Esteve indo aos encontros?

– Você não está me pressionando Lis. – Levantou-se se alongando. – Você mais do que ninguém tem direito a perguntar isso. Nenhuma recaída e tenho ido a todos os encontros.

– Isso me deixa tão feliz. – Confessei.

– Eu não sou um pedaço de merda completo. – Falou sério. – Eu sabia que você estava aqui dando duro para me manter seguro lá, eu não a insultaria e continuaria com as drogas sabendo que minha irmã era alvo de bandidos. Tudo o que eu queria era que você fosse morar comigo. – Confessou. – Tira-la do Glades, eu não mereço entrar na faculdade, você merece. Não é justo que eu esteja seguindo os passos que você traçou para si.

– Você merece ir à faculdade sim. – Também me levantei. – E não são passos traçados para mim, foi para nós dois, sempre quis que você tivesse a chance de sair do Glades Roy, eu não me arrependo de nada que tenha feito por você. Você é meu irmão, eu te amo, eu estarei sempre em busca de sua proteção. – Falei sincera.

– Isso me preocupa. – Suas mãos foram até os bolsos do seu casaco. – Eu quero que você me prometa algo, eu sei que ele tem poder em cada negócio sujo aqui do Glades, que ele manteve Helena na prostituição e não sei como ele aceitou que alguém a “comprasse”, eu sei até onde ele pode pressiona-la, eu te imploro Lis, que me ameaçando ou não, se a pressionar com algum tipo de acordo que envolva leva-la ao mesmo tipo de vida que Helena sofreu... Não aceite, eu preferia morrer ao saber que você está fazendo algo do tipo por mim. – Engoli em seco ao escutar suas palavras, era por essa razão que Roy jamais poderia saber que eu já havia negociado com o demônio, de que ele já obtinha não só meu corpo, mas como também minha alma.

– Fique tranquilo Roy, eu sei me virar...

– Lis...

– Relaxe. – Fingi um sorriso e o provoquei. – Eu nem gosto tanto de você assim. – Ele estava sério, mas assentiu. – Vamos andar um pouco, eu acho que Helena já está correndo. – Enganchei meu braço no seu. – Sempre nos encontramos um pouco mais a frente, tem uma barraca com uns lanches incríveis. – Ele riu.

– Típico de Helena. Correr e terminar a corrida com um lanche gorduroso.

POV OLIVER

– Ollie. – Sara chamou meu nome enquanto eu me apoiava na grade e observava as pessoas correrem em tono do lago em baixo.

– O quê? – Perguntei brusco, eu não estava em meu melhor humor, desde que eu havia deixado o apartamento de Felicity eu estava em constante irritação, isso não deveria estar acontecendo, uma mulher está constantemente em meus pensamentos, ainda mais esta mulher.

– Ok, talvez alguém tenha definitivamente acordado do lado errado da cama. – Ela falou também se encostando a grade. Está mais para cama errada, eu pensei. – Eu percebi isso no momento em que entrei na sua sala e você quase me fuzilar com um olhar, mas foi por isso que te trouxe aqui, para relaxar. Então não seja um completo idiota e me diga o que está te aborrecendo.

– Muitas coisas. – Murmurei. – Nenhuma das quais eu planejo falar com você.

– Eu me pergunto por que ainda o considero um amigo. – Veio à resposta.

– Tommy não estava livre para você atormentar?

– Engraçado você perguntar por ele. – Observou. – Por que você quase não o trata mais como amigo, pare de afastar as pessoas Oliver. – Pediu. – O que aconteceu entre você e seus pais para torna-lo tão frio? O sorriso costumava vir rápido quando era mais novo.

– Eu cresci Sara. – Falei em tom baixo tentando não penar nas mentiras contadas com facilidade por minha mãe, os casos do meu pai, Isabel sendo um deles, evitava pensar no papel em que minha mãe teve ao me separar do meu filho que eu sequer sabia ter e que tinha se envolvido com o melhor amigo do meu pai, eu costumava idolatra-los, agora não mais. – Eu não vejo mais meu pai como o super-homem e minha mãe como a mulher maravilha, eu não os penso como heróis.

– Eles estão mortos Ollie, você precisa perdoa-los. – Murmurou. – Você deveria tentar se reaproximar de Thea.

– Thea acha que eu deveria ter morrido no lugar deles. – Falei entre dentes. – Eu não quero falar sobre minha irmã. – Falei em tom duro e segui encarando os transeuntes em baixo sem realmente me fixar neles.

– Então sobre o que você quer falar? O que o está irritando dessa vez? – Perguntou por fim. – Felicity? – A encarei surpreso me perguntando o que tinha me denunciado, mas seu olhar estava mais embaixo, segui a direção dele até fixar na figura loira em baixo, por um momento apenas a observei incrédulo. – Oh vamos falar com ela? – Sara pediu, mas eu estava ocupado demais observando Felicity dar uma pequena corrida e com um impulso pular nas costas de rapaz que parecia ter sua idade, ele sorriu e a carregou daquela forma, senti minha boca ficar amarga à medida que os observava. – Ela está sorrindo. – Desviei meus olhos da cena que teve o poder de me irritar mais ainda e voltei a encarar Sara.

– E o que tem isso?

– Eu só tive a impressão de que ela não faz muito isso. – Deu de ombros. – Vamos. – Puxou minha manga me afastando do parapeito. – Eu quero conversar com ela, quero saber se esse é seu namorado.

– Eu não vou descer.

– Você vai. — Repetiu. – Eu não trouxe você aqui, no meu lugar preferido para ficar rabugento. – A contra gosto desci junto a ela pela escada de concreto estreita que nos guiava pelo gramado. Uma parte minha queria encarar Felicity, queria ver sua reação ao me encontrar ainda no mesmo dia que havia dito para eu me afastar, após dizer que se divertia comigo assim como todos os outros, a outra parte queria apenas socar o garoto que devia ser seu namorado, pelas suas roupas duvidava que fosse um dos clientes dela. O garoto sabia o que ela fazia? Estava bem com isso? Felizmente quando os alcançamos ela já estava no chão em frente a ele, estava de costas para nós, então foi pega de surpresa quando se virou ao chamado de Sara e me encontrou. – Felicity! – Sara falou antes de se aproximar e a surpreender com um abraço, o garoto apenas observou a interação parecendo confuso enquanto eu por minha vez o avaliava, ele pareceu notar que eu o encarava fixamente por que também me encarou e cruzou os braços em defensiva.

– Sara. – Felicity a encarou ainda surpresa se afastando do abraço, me encarou brevemente. – Sr. Queen. – Limitei-me a assentir enquanto ela se voltava para ele. – Roy esta é Sara e Oliver. – Apresentou-se, então seu nome era Roy. – Este é Roy... Meu irmão. – Completou hesitante ao perceber que eu olhava de um para outro, piquei ainda mais surpreso com a revelação.

– Olá. – Sara o cumprimentou. – Sua irmã é uma pessoa incrível. – Felicity meneou a cabeça parecendo envergonhada.

– Ela é. – Roy sorriu concordando, Felicity estava nervosa, eu podia sentir isso, ao que parecia ter seu irmão e eu no mesmo lugar a deixava nervosa. – Ela...

– Roy! – Sua frase foi interrompida por um grito feminino antes que o corpo da mulher se chocasse com o seu o envolvendo em um abraço intimo, Roy devolveu com um verdadeiro abraço de urso chegando a erguê-la do chão a apertando fortemente. Felicity observava tudo com um sorriso nos lábios. Quando a garota se separou ela soltou uma risada ao escutar o estalo da palma da garota contra bunda do seu irmão no tapa que ela havia dado, Roy encarou a morena com um suspiro não parecendo de fato surpreso com o gesto, apenas constrangido.

– Helena! – Ele a repreendeu encarando Felicity por alguns breves segundo.

– Relaxe garoto bonito. – Piscou. – Sua irmã já sabe quem foi que tirou sua virgindade.

– Helena!

– Na verdade eu não sabia. – Felicity comentou. – Mas obrigada por compartilhar.

– E quem são vocês? – A garota... Helena, perguntou passando a nos observar com curiosidade, seu olhar foi até mim com interesse. Felicity envolveu seu pulso a distraindo.

– Eles são um casal, de amigos. – Comentou a encarando, Helena franziu o cenho pela forma que Felicity estava falando, como se tentasse passar alguma mensagem por trás das palavras, seu olhar foi até Roy e voltou a encarar a amiga.

– É um prazer conhece-los. – Helena falou após um breve momento. – Eu vou ter que levar esses dois de vocês por que eu já havia feito uma programação, espero que não se importem.

– Nós só passamos para dizer um oi. – Sara sorriu, eu a conhecia, estava decepcionada por não poder conversar mais com Felicity, mas entendia que esse era obviamente um momento de reencontro intimo entre amigos. – Eu acho que posso dizer que nos vemos em breve Felicity.

– Com certeza. – Concordou. – Essa cidade parece ser bem pequena. – Sorriu. – Até mais Sara, Sr. Queen. – Acenou uma última vez e passou a andar com seu irmão e ao que parecia cunhada, ambos acenaram antes de começar a caminhar.

– Um belo trio. – Sara falou os observando partir. – Parece uma família.

– Sim. – Concordei enquanto absorvia mais esta informação de Felicity, ao que parecia no que se relacionava a ela eu sempre estaria me surpreendendo.

POV FELICITY

Emiti um suspiro ao subir o último degrau da escada, quem precisava de uma academia quando se tinha isso? Hoje o dia havia sido incrível, de várias maneiras diferentes, a surpresa de Roy me alegrava e preocupava ao mesmo tempo, ver Oliver havia tirado meu fôlego e me deixado em estado de constante alerta e agora Helena me pressionava para conversamos o quanto antes, ela havia sentido a tensão entre nós dois e queria saber do que se tratava, mas a presença constante de Roy a impediu e distraiu de me interrogar. Roy acabou ficando em seu apartamento que ficava há poucas quadras dali, ela comemorou o fato de que seu namorado estava viajando a negócios durante toda a semana desde hoje pela manhã e que não haveria necessidade de inventar uma desculpa para receber Roy, eu os deixei discutindo como duas crianças sobre limites, já que Helena continuava a tentar envergonha-lo. Ignorei o pedido de Roy de me acompanhar e peguei o metrô, eu não precisava dele dando bobeira pelo Glades.

No momento em que eu abri a porta do meu apartamento eu sabia que algo estava errado, me xinguei internamente ao lembrar que havia esquecido de deixar o taco no local costumeiro e liguei as luzes, meu olhos foram até a figura sentada em meu sofá, meu corpo tremeu ao vê-lo em meu apartamento, meu coração disparou movido por puro medo. Sua postura era relaxada, como se eu tivesse acabado de recepciona-lo e pedir que se sentasse ali.

– Olá Megan. – Fui recepcionada pelo seu sorriso frio. – Fiquei sabendo que seu irmão estava na cidade... Pensei em recepciona-lo. Dá uma olhada no pequeno Roy. O garoto responsável por eu tê-la por quanto tempo me for conveniente. Ele merece uma atenção especial por mim, você não acha? – Meu sangue parecia se congelar ao escutar a ameaça velada. – Não fiquei parada minha querida, sente-se. – Ordenou. — Há muito que conversarmos. – Engoli em seco e forcei minhas pernas a se mover. – Não vai me cumprimentar direito? – Segurei minha respiração e tentei controlar os batimentos cardíacos, ele era uma assassino frio, uma pessoa cruel, ele tinha minha vida em suas mãos e brincava com ela com seu complexo de Deus, mas eu não poderia deixar me intimidar, eu sabia que esse seria meu fim quando o fizesse, com isso em mente ergui minha cabeça em desafio e o encarei com todo o ódio que eu sentia por ele.

– Olá Ivo.

Notas finais
E então o que acharam? Alguém chegou a pensar nele? O que acharam da nova capa? Respondam-me nos comentários... Xoxo LelahBallu.