Fear Of The Past
2 Cher
CAPITULO 2
Cher Hudson
A menina estava parada, encostada no quadro negro, com um sorrisinho tímido no rosto. Tentando parecer inocente e legal, suas unhas pintadas de vermelho vivo brilhavam de forma quase sobrenatural, combinando com sua sapatilha do mesmo tom do esmalte. Ela era consideravelmente baixinha, mas de um jeito meigo. Petite, como eles chamam no mundo da moda.
-Classe, — começou o professor, enquanto escrevia a data de hoje no quadro. – quero que conheçam Marion, sua nova companheira de classe.
Um “olá, Marion” muito forçado ecoou pela sala. Não culpo meus colegas, estavam todos, assim como eu, mortos de sono.
Marion se sentou do meu lado. Não sei se isso é uma coisa boa ou ruim.
-Oi. – ela disse, timidamente. Tenho que admitir, ela tem um sorriso bonito. O batom vermelho dela combina muito com seu tom de pele.
-Oi.- respondo, sem dar muita moral pra ela.
-Sou Marion, quer dizer, você já deve saber, né? O professor acabou de me apresentar pra sala.- ela deu uma risadinha.
-Sou Cher.- digo, rapidamente, sem retribuir o sorriso. Acho que deixei claro que não queria papo nenhum. Sei lá, simplesmente não fui com a cara dela.
A aula passou tão rápido que eu nem percebi. Não que eu tenha prestado mutia atenção, estava ocupada mexendo em meu celular, combinando tudo para a festa de hoje a noite.
Estava aproveitando o fato que meus pais haviam viajado com meu irmão para coloca-lo em um colégio interno. Não ia ter ninguém em minha casa por três dias seguidos. Ou seja, perfeito para uma festa.
Eu moro numa mansão nos subúrbios de Atlanta, na Geórgia. Dês de pequena eu gosto de participar de concursos de beleza, shows de talento, testes para modelo e esse tipo de coisa em geral.
Viro para minha amiga, que estará me ajudando a arrumar as coisas para a festa.
-Jessie, qual a próxima aula?- pergunto, lixando as unhas.
-Educação física. – diz ela, com tom de desprezo.
-Agh,- reviro os olhos – tem como esse dia ficar PIOR?
-Depois de educação física a aula já acaba, pelo menos.
-Menos mal. –digo, me levantando.
Não que eu não goste de educação física, mas é chato ter que ir até o vestiário para trocar de roupa. Principalmente na frente de todas as outras garotas da sala. Nunca me acostumei com isso.
Coloquei minha roupa de educação física e me olhei no espelho. Até que não ficava tão mal assim. Com o canto do olho posso ver que Marion está me encarando fixamente, com um olhar não muito amigável em seu rosto. Será que eu fiz alguma coisa pra ela? Quer dizer, fora ser meio grossa no começo.
Tento ignorar e vou direto para o ginásio. O professor manda nós, meninas, jogarem vôlei a aula inteira. Não me importo, ele geralmente só liga para os meninos mesmo.
Dividimos os times e começamos a jogar, a primeira partida vai bem, ganhamos de 8x5. Nada mal para um começo. O segundo jogo seria contra o time de Marion. Noto que ela será a primeira a sacar.
Marion se posiciona de forma perfeita, então quando está prestes a bater na bola, ela me encara com o mesmo olhar mortal de antes e saca a bola, que sobe até quase bater no teto do ginásio e depois volta, caindo a apneas centímetros de mim e criando uma rachadura na pintura do chão. O barulho de impacto é tão forte que até o professor se virou para ver o que havia acontecido.
O silencio reinava sobre a sala, só se escutava a respiração pesada de Marion, que continuava me encarando fixamente.
-Uou, quer dizer, continuem o jogo, meninas, só... Uh... Tentem não quebrar nada.- disse o professor, então apitou duas vezes e a aula continuou.
-Uh... Foi ponto nosso né?- perguntou uma menina do time adversário.
-Acho que foi.- responde Jessie, engolindo em seco.
-Beleza então. Marion, você saca de novo.
Marion pega a bola e me encara novamente, dessa vez com uma cara ainda mais agressiva. Ela se prepara para o saque e eu me preparo para a morte.
Depois de balançar os braços três vezes ela acerta a bola, soltando um grito. Juro que vi a bola pegar fogo quando subiu, sabia que era meu fim.
Por sorte ela não tem mira muito boa.
A bola voou uns cinco metros e acabou ficando presa na cesta de basquete do outro lado da quadra, ainda estava pegando fogo, mas logo se apagou, restando apenas cinzas que caíram lentamente na quadra.
Agora a turma inteira encarava a menina nova, que estava na mesma posição, respirando de forma pesada e com as veias pulsantes.
-O QUE é você?- pergunta uma menina do outro time.
Antes de ela poder responder, o sinal toca e todos, inclusive o professor, saem correndo. Eu só não acompanhei a multidão porque queria acertar as contas com aquela garota.
-Marion,- chamo. Ela me olha com olhos faiscantes. – Você está bem?
-Melhor do que jamais estive.- ela responde.
-Tem certeza? Tem uma enfermaria no colégio...
-Escuta aqui,- ela me interrompeu, segurando meu queixo com uma força sobrenatural. – eu fui mandada pra dar um jeito em você sua, vadia. Então não venha com esse papo de amiguinha pra cima de mim.
-Dar um jeito em mim?- balbucio.
-Isso mesmo, — ela levanta um punho, -então vamos deixar tudo isso mais fácil, certo?
Estou espantada de mais para responder.
-Sabe o que nós fizemos com a sua família?
-Minha família?- pergunto, ofegante.
-É. HA, — ela sorri, — você não faz idéia.
-O que aconteceu com eles?! Quem é você?
-Calada.- ela diz, então seu punho começa a pegar fogo, as chamas se aproximam cada vez mais do meu rosto. Só vejo maldade nos olhos de Marion.
Então, sou pega de surpresa pelo som de um tiro vindo de longe. Solto um grito que estava preso em minha garganta ha muito tempo ao ver as entranhas de Marion espalhadas pelo chão da quadra.
Cambaleio até o chão e sinto minhas costas coçarem muito, sinto que minha blusa está apertada, tiro a jaqueta e começo a tatear minhas costas ferozmente, procurando algo que está me incomodando.
Olho para frente, uma mulher loira, de óculos escuros está parada com uma arma na mão. Por um momento acho que ela vaia tirar em mim, mas em vez disso ela me abraça com força.
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