Notas iniciais
Fiz um pequeno ponto de vista do Bucky! Espero que gostem. Me desculpem pela demora para atualizar essa fic, mas não posso prometer nada, porque tô focando também em Darkness Inside, e aí já viu. Fiz uma capa nova, porque a outra tava BEEEM mais bosta que essa. Enfim, vamos ao capítulo.

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Bucky

Meu cérebro começou a voltar ao normal. Foi como se minha mente tivesse se lembrado de coisas que o tempo apagou. Memórias que foram arrancadas de mim por Aleksander Lukin.

Foi doloroso lembrar de tudo. Era como uma ferida antiga que ainda estava aberta. As cicatrizes haviam sarado, mas a dor ainda estava lá. As recordações tão claras que pareciam recentes.

E tudo por causa dela. Olhar em seu olhos foi como levar um soco no estômago. De repente tudo pareceu tão evidente que me perguntei como pude me esquecer de toda a vida que vivi.

Não foi só da minha vida como Bucky Barnes que me lembrei. O tempo que passei como Soldado Invernal veio nítido em minha mente. As vidas que tirei, as pessoas que separei de suas famílias. Tudo o que o tempo não poderia curar. E eu não conseguia me lembrar por que havia feito aquilo. Tentava, mas tudo que me parecia era que havia feito por vontade própria. Em minha mente só havia um comando: matar.

Como pude me tornar tão sanguinário a ponto de eliminar milhares de vidas? Como me tornei esse ser sombrio?

Lembrei de um dia em que estava andando em Nova York. Em minha mente, o objetivo era claro: eu precisava matar Robbie Boyd. E enquanto estava em minha caça frenética pelo Boyd Inc. olhei de relance o telão com as notícias.

"Soldado Invernal, assassino mundialmente procurado, é visto andando pelas ruas de Nova York. Se conseguir localizá-lo, avise a polícia imediatamente. É um criminoso altamente armado e extremamente perigoso."

Foi devastador saber que eu era capaz de fazer algo assim. E essa nem foi a pior recordação que tive. Lembrei-me de crianças gritando e chorando, pedindo pelos pais, mas não consegui saber se as machuquei ou se apenas as deixei assustadas. Lutei durante a Guerra Fria, eliminando inimigos políticos, e para isso, tive de matar algumas famílias. Tudo em mim clamava por morte e sangue.

Levantei da cadeira de onde estava sentado, esperando por Dr. Lukin voltar. Como um idiota faria. Eu estava sendo controlado, e aquela cadeira era para me fazer lavagem cerebral. Podia dizer só de olhar para os gráficos em verde na tela ao lado.

De alguma forma, aquela garota, mulher, não sei ao certo, serviu como um escudo para mim. Nada poderia explicar o que meu cérebro viu de tão interessante em seus olhos para recuperar minha memória completa.

Me assustei quando a porta se abriu de repente. Não fui treinado para me assustar dessa forma, mas de algum jeito, a ideia de que alguém poderia imaginar que eu estivesse tendo aquele tipo de pensamento me deixava na defensiva. Eu nem deveria estar pensando nela tanto assim. Não conseguiria nem lembrar de seu rosto, ou de sua voz, só me lembrava do par de olhos verdes e bonitos.

O homem baixinho entrou no cômodo já com o telefone perto da orelha. Me olhava com uma expressão cheia de dúvida, e então se virou para a cadeira.

—Volte para o seu lugar. Agora! —Gritou, e depois falou mais baixo, se desculpando para a pessoa que estava na outra linha. Desligou o telefone e eu ainda o encarava sem reação. Não sabia se era porque não era capaz de me mover, ou se não queria me mover de qualquer forma. O braço biônico ainda era novo para mim, mas não para o meu corpo. Quando o doutor avançou em mim, foi involuntário. O braço esquerdo simplesmente defendeu sua investida e o jogou para longe. Ele tirou rapidamente outro aparelho do bolso do jaleco e gritou novamente, dessa vez, em puro desespero: —Seguranças! Já!

Em um piscar de olhos eu estava sendo amarrado na cadeira novamente. Berrei como um louco, puxei as amarras, mas eram resistentes demais, até para alguém como eu, porque segundo minhas memórias, eu tinha uma força extraordinária. E se eu usasse o braço esquerdo, era quase impossível me derrotar.

Mas ali estava eu, sendo amarrado de novo, não fazendo a mínima ideia do porquê, ou como eles haviam me amarrado.

Os gritos aumentaram quando colocaram o objeto que se assemelhava à um capacete em minha cabeça. Dr. Lukin me olhou cheio de raiva e girou uma alavanca até a mesma alcançar o lado vermelho. Cerrei os punhos, trinquei os dentes, mas nada adiantou. A respiração saía forte, eu cuspia sem querer, meus dedos estalavam, meu peito se contraía. Eu achava que aquela era a pior dor do mundo.

E então, apaguei novamente.

[...]

Oakley

—Não vai me ajudar? —Perguntei para Pietro enquanto esperava a pipoca ficar pronta. Pietro é outro Vingador que conheci. Muito legal, gentil. Depois de seis semanas é fácil se acostumar com esse pessoal.

Natasha ainda me olha desconfiada, e agora, Wanda também. Acho que as únicas pessoas que realmente simpatizaram comigo foram Pietro e Steve.

Sim, eu estava chamando Steve de Steve, porque percebi que ele não era tão mal quanto pensei que fosse. Acho que fui um pouco egoísta por achar que só porque minha cidade estava sendo atacada que eles deveriam ajudar. Esqueci que o resto do mundo também precisava da ajuda deles, então fui deixando o pensamento um pouco de lado.

Tony também estava se esforçando. Acho que depois da morte de meu pai, fiquei um pouco carente, porque sempre que ele estava por perto eu me sentia protegida.

Semana passada, quando ele me mostrou meu novo quarto, eu quase não pude me conter de felicidade. Parecia que ele sabia exatamente o que eu queria, as coisas que gostava.

"—O que achou? —Stark me perguntou depois que abriu a última porta do corredor.

Ele já havia me dado um quarto antes, mas nada se comparava àquilo.

As paredes eram de um azul profundo, que me confortava mais do que eu podia imaginar. A cama era macia, fofinha, e os lençóis eram estampados com algumas estrelas. Os travesseiros eram brancos, assim como o criado-mudo ao lado da cama, que ficava no canto do quarto. Do outro lado, havia uma escrivaninha, e vários aparelhos eletrônicos, tal como no outro quarto, mas essa era preta, e a cadeira de rodinhas era estofada com um tecido também galáctico que fez meu coração se encher de alegria.

Me lembrou de uma pessoa que amava o céu e tudo que existia sobre ele. Meu pai. E assim como meu amado e falecido pai, herdei esse fascínio.

—Como... Como sabia? —Perguntei a Tony. Em pouco mais de um mês, meus sentimentos em relação a ajudar o Soldado Invernal estavam se esvaindo aos poucos. A convivência com eles era ótima. Eu tinha amigos, me preocupava às vezes, mas a companhia deles me deixava mais confortável. Eu ainda estava preocupada em relação aos meus irmãos, mas já havia falado com Tony sobre isso, e ele disse que iria investigar.

—Steve me contou que você usa a varanda da sala toda noite, e fica deitada lá. Sabia que às vezes acaba dormindo é ele quem tem que te carregar de volta?

Quase cuspi a água que estava bebendo quando ele disse isso. Fiquei engasgada e ele me deu umas batidinhas nas costas.

—Obrigado. —Falei com a voz rouca. Ele apenas assentiu. —Acertou em cheio.

—Em cheio vai ser quando você olhar pro teto. Opa. —Ele desvia o olhar. —Acho que acabei estragando a surpresa. Pepper sempre me diz que falo demais. De qualquer forma. Olhe pro teto.

Fiz o que ele mandou e quase engasguei de novo. Tenho que aprender a engolir líquidos antes que seja pega desprevenida, porque a sensação de ardência que deixa é terrível.

—O teto é transparente, e isso nem é o mais legal. —Ele se mexeu, vasculhou os aparelhos por um momento e depois me olhou sorrindo, como uma criança que acaba de ganhar um brinquedo e quer mostrar para a família toda. —Olha isso. —Ele clica em um botão, e uma imagem aparece sobre nossas cabeças. —Dá pra assistir filmes deitada, sentada não é muito legal, porque ficaria com dor no pescoço, e como você já é muito velha, não acho muito recomendável não.

—Hahaha, muito engraçado Tony. —Fico encarando a imagem. É... um bebê girafa mamando? —Tony que porra é essa?

—Calma, senhora, não precisa violência verbal. Estou dizendo que essas senhoras de hoje em dia estão muito mais violentas e ninguém acredita. —Ele aperta outro botão e o teto se retrai, mostrando o céu, com mais estralas que o que vejo pela varanda. —Seu quarto fica em uma parte mais alta que a da varanda, então eu acho que as luzes não chegam muito aqui, não é?

—É. Quanto menos iluminação, mais estrelas. Obrigado, Tony, muito obrigado. Não tem ideia do que isso significa para mim.

—Quando foi que adquiriu essa devoção por estrelas?

—Longa história.

—Ora, vamos, tenho um tempo antes do meu próximo compromisso. É com a Pepper, caso queira saber. Eu, ela, um quarto, champanhe...

Coloquei a mão em sua cara, em claro sinal de que não queria ouvir aquilo. Ele apenas riu.

—Os jovens têm que se divertir! —Ele gritou abrindo os braços em um gesto expansivo. —Gente velha como você e o vovô é que ficam na sala assistindo novela de gente velha e fazendo tricô de gente velha.

—Não estávamos assistindo novela e nem fazendo tricô! —Sorri para sua cara confusa. —Aquilo era videogame!

—Nossa. Vi de longe e jurei que era tricô de vovozinha.

—Vai ver que quem tá ficando velho é você. Não consegue enxergar direito e reclama do Steve.

Ele abanou um vento, como se quisesse deixar o assunto pra lá.

—Não vai me contar a longa história, né? Tô dizendo. Velho que fica enrolando pra contar história. Nem deve ser tão boa assim."

—Vai mesmo deixar a pipoca queimar? —Pietro me chamou a atenção e eu virei para o microondas, desesperada.

—Ai Pietro! Por que não me avisou antes? —Tirei o saco de pipoca com a mão, quase queimando meus dedos. Joguei em cima da bancada.

—Ai Pietro? Agora é "ai Pietro"? Ainda agora estava me batendo com um pano de cozinha porque eu não queria lavar a louça e agora me vem com "ai Pietro"... —Ele riu com gosto, tirando o refrigerante de dentro do congelador. Pegou dois copos grandes e os encheu. —A cozinha vai ficar fedendo a queimado, Oaks! —Ele brincou, apertando o próprio nariz. —Vamos ter que assistir filme sem pipoca.

—Ai Pietro, é só fazer outra. Não tem nada demais. —Ele sorriu da repetição. —Esse cheiro nem é tanta coisa. —Sua risada cessou e virei para encará-lo. —Que foi?

—Nada.

Apertei meus olhos em sua direção e fechei a cara. Sempre que fazia isso, ele não tinha para onde correr. Acabava soltando.

—É que você falou do cheiro de queimado e...

Entendi o que ele quis dizer. Mas, depois de algumas semanas, acabei me desatando mais e nem percebia muito quando o assunto era coisas queimadas.

—Foi? Nem notei. —Dei de ombros e fui em busca de outro saco de pipoca. —Vou ter que usar o outro microondas. Esse aqui tem que ficar aberto até esse cheiro sair. Acho melhor você colocar os copos no congelador.

—Por que?

—Porque vai demorar, Pietro!

—Deixa de coisa, Oaks, são só alguns minutos. Tá, tá. —Ele cedeu depois que cerrei os olhos em sua direção novamente.

Levamos uma eternidade na cozinha apenas para lavar a louça, fazer pipoca e colocar refrigerante em copos, mas finalmente fomos assistir o filme na sala de cinema.

Era um filme de terror. Depois que o primeiro saco de pipoca terminou, tive que me levantar e fazer outro, porque Pietro disse que já tinha lavado a louça e não iria fazer pipoca. Além disso, disse que eu ficaria quite com ele, já que havia queimado o outro saco.

Assistimos um monte de filmes a tarde inteira, e pela noite, Pietro foi me deixar em meu quarto.

—Boa noite. —Ele disse, já na porta.

—Eu tenho que tomar um banho. —Sorri para ele. —Como foi que passamos a tarde inteira naquela sala? Só banhei hoje de manhã.

—Acho que os filmes ficaram muito interessantes. E não esqueça que foi você que insistiu que assistíssemos mais um, e depois mais outro.

—Foi? Não me lembro. Acho que está me enrolando, Maximoff.

—Aham, eu que estou enrolando, sei. —Ele suspirou, fazendo drama. Provavelmente me imitando. —O que vou fazer com você, Oakley Bann?

—Você eu não sei, mas eu, te mandaria tomar um banho. Ai Pietro, já deu boa noite, eu realmente preciso banhar, não estou aguentando meu próprio cheiro.

—Ai Pietro, ai Pietro. —Ele me imitou de novo, e dessa vez, fazendo voz fina.

—Ei, minha voz não é tão fina assim não.

—Aham sei. Olha a hora. Já passa das dez, hora de gente velha dormir.

—Ai Pietro! Até você? Já basta o Tony, toda hora isso de me chamar de velha.

—Ninguém manda passar tanto tempo com o Rogers. É isso que dá. —Ele respirou fundo, se virando e seguindo pelo corredor. Quando estava dobrando, me olhou travesso e gritou. —Ai Pietro! Toda hora isso?

Sorri novamente com a imitação. Eu realmente falo isso demais.

Agora, sozinha em meu quarto, podia finalmente me deitar na cama e relaxar um pouco. Não que eu não tivesse relaxado a tarde inteira, afinal, não fiz nada. Mas é que havia alguma coisa em minha mente me incomodando muito.

Eu tinha falado que já havia superado aquela história de Soldado Invernal, porque os Vingadores acabaram de certa forma me acolhendo. Mas sempre que eu pensava sobre isso, pensava também no olhar perdido que ele tinha. Na confusão que pude ver quando ele me agarrou pela segunda vez. Poderia ter me matado ali, mas não o fez, e eu acho que foi por isso que consegui enxergar a confusão em sua expressão. Alguma coisa havia acontecido para que ele resolvesse desobedecer uma regra, e me deixar aqui, viva.

Depois do banho, coloquei um dos pijamas novos que tinha comprado quando fui ao shopping com Pepper, não que eu me importasse muito, mas ela fazia questão de que eu tivesse um guarda roupa "generoso".

Não era nada demais. Só um short cinza meio folgado e uma blusa da mesma cor.

Deitei novamente na cama, e como já tinha virado rotina, cheirei os travesseiros.

—Cheira como novo. —Peguei o controle do meu teto, e cliquei no botão que o abria. Aquele também era outro costume que eu adquiri.

Fiquei encarando as estrelas por um longo momento, antes que o cansaço me vencesse e eu acabasse dormindo.

Quando estava para cair no sono, um barulho no telhado me assustou. Acendi a luz do abajur, era a única que estava mais próxima e calcei os chinelos. Andei devagar até... Droga, por que aquele quarto não tinha nada que eu pudesse usar como arma?

Olhei para o abajur indecisa.

—Merda. É, né... Vai ter que servir.

Notas finais
Não posso prometer que vou postar rápido, mas se tiver bastante review, podemos negociar. Sigam no twitter para se manterem mais informados. Deixei o link na história mesmo, e enfim.