Fear

6 Uma autodescoberta


Notas iniciais
Então gente, tô de volta, mas não por muito tempo. Gostaria de agradecer as pessoas que acompanham e comentam a fic (que super me motivam a escrevê-la): Switchblade, Touch the Sky, Maya may, Aya Black, Ouroboros, Readysmg, Nos vemos lá embaixo, espero que gostem.

Oakley

Terminei de calçar o tênis. Hoje Tony disse que os Vingadores iriam me ajudar a treinar um pouco. Eu não sabia qual era meu objetivo ali, naquela base, e nem porque eles simplesmente me acolheram, mas eu teria que me comportar muito bem, se não quisesse ser expulsa.

Bucky não veio me ver ontem. Esperei por ele quase a noite toda, mas nenhum sinal de que viria. Dei me por vencida e dormi quando o céu já começava a clarear. E duas horas depois, o despertador tocou como louco avisando que já eram sete horas.

E como eu estava dizendo, Tony havia me chamado em seu escritório uns dias atrás.

"—Bom dia, preguiçosa. Está uma velha mesmo, dormindo o tempo todo. Se divertiu muito com Pietro? —Tony me perguntou quando entrei em sua sala. Ele movia os dedos rápidos em frente a uma tela azul e passava informações para outra apenas deslizando o dedo no ar.

Esfreguei os olhos e bocejei pela milésima vez naquela manhã. Ele estava mesmo me chamando de preguiçosa às 05:30h?

—Ele me levou no cinema e depois tomamos sorvete. Por que me acordou tão cedo?

—Se continuar com essa vida, vai acabar engordando. Imagina quem vai querer uma velha gorda como você? —Ele sorriu com a própria piada. Não pude evitar o sorriso se formando no canto da minha boca também.

—Tenho só vinte anos, não sou velha coisa nenhuma.

—Nova também não é. Senta aí. Posso pegar alguma bebida para você? —Me sentei no sofá preto de couro e coloquei os pés em cima da mesinha de vidro. —Epa. Nada disso. Tire esses tênis surrados daí. —Olhei para trás. Ele estava lutando contra o frigobar. —Coisa velha! —Abriu a porta e sorriu para mim. —Problemas técnicos, senhora, não se preocupe. Então, vai beber o que?

—Eu acho que eu quero... —Pensei por um momento. Quem é que toma álcool tão cedo. —Tony, eu estou é com fome. Me dê alimento, por favor.

—Pensei que ia mesmo pedir alguma coisa. Imagina, uma criança como você bebendo. Não quero nem pensar nisso. —Soltei uma pequena gargalhada com sua frase.

—Não estava me chamando de velha?

—Olha, brincadeiras têm limite, imagina se alguém pensa que é realmente uma senhora e acaba te embebedando? Não, Oakley, nem pense nisso.

—Fala como meu pai. —Tirei meus pés de cima da mesa, e olhei pela janela. Sinto falta dele todos os dias.

—Seu pai? Mas o que é isso? Sou muito jovem para ser pai. —Ele apertou o interfone e em seguida gritou. —Oh Pam! Pam, mulher, venha aqui, por favor!

—Tony, pra quê essa gritaria? —Perguntei tapando os ouvidos. —As pessoas devem estar dormindo.

—As paredes são muito boas, e ninguém aqui é tão preguiçoso quanto você, senhora. A não ser que esteja falando do Steve. Talvez devessem criar um grupo só de idosos. Ou melhor, a dupla. —Deu uma risada sonora. Pamela entrou apressada no escritório. —Mulher, traga o café da manhã para esta jovem velha senhora, por favor.

A mulher redonda de bochechas vermelhas apenas acenou e saiu tão rápido quanto entrou.

—Oakley, espero que não pense que está aqui por acaso. Você pode ter sido vítima de alguns bombardeios, mas isso não faz de você alguém forte. Pode ter um bom emocional, mas precisa de mais habilidade em combate.

—Estou ciente disso. —Cocei a nuca. Tony sentou no sofá à minha frente. Se inclinou e apoiou os cotovelos sobre os joelhos.

—Vou lhe dizer o momento certo em que deve melhorar suas habilidades. Por enquanto pode continuar se divertindo por aí, conhecendo melhor o lugar, apesar de já estar aqui há umas seis semanas, tem muita coisa para ver ainda. Quero que ver você aperfeiçoando suas habilidades, okay? Caça, rastreamento, defesa, ataque. Somos alvos constantes, e se quiser permanecer aqui, tem que aprender a se defender.

—Mas é só até eu encontrar meus irmãos, não é?

Ele suspirou e fechou os olhos, massageando as têmporas.

—Sim, sim. Claro. Mas, se quiser, Oakley, pode trazer seu irmãos. Eles podem morar com os Vingadores e se livrarem de uma vez por todas de Paul.

—Se eles estiverem vivos.

—É. Se estiverem."

Depois disso, ele me explicou mais algumas coisas, e me mandou ir no shopping com Pepper novamente. Dessa vez, fomos comprar roupas de academia. Pepper queria comprar um monte de coisas coladas, a calça até tudo bem, mas usar algo que parecia um sutiã, para treinar, parecia um absurdo. Além de várias calças apertadas e camisetas, levei também alguns pares de meias e tênis.

Prendi meus cabelos em um rabo de cavalo, e me apressei em sair daquele quarto. Eu provavelmente já estava atrasada.

Na pressa em me livrar do lugar, acabei batendo contra Steve no caminho.

Eu havia pensado muito a respeito de Bucky, se deveria contar ou não o que estava acontecendo à Steve. Falar da confusão mental dele e tudo mais. Eu não sabia o lugar exato em que Bucky estava sendo mantido, mas lembrava de todos os detalhes do laboratório do doutor, e essa poderia ser uma informação importante. Eles sabiam quem era. Sabiam que Aleksander Lukin estava por trás disso, mas não tinham nenhuma pista de seu paradeiro.

Bucky estava sendo procurado, os Vingadores o queriam, por causa de todas as mortes que ele havia provocado. Ele era um assassino, e precisava ser detido, mas acima de tudo, era também o melhor amigo de Steven Rogers.

Acho que algumas pessoas me chamariam de loucas, e não entenderiam a lógica do meu raciocínio, mas no fundo, eu sabia que Bucky não era o culpado por aquilo tudo. Por toda a matança. Aquilo era trabalho do Soldado Invernal. Eram os mesmos rostos, mesmos corpos, mas duas mentes diferentes. Eram dois, e ao mesmo tempo, um só.

Steve era o mais sedento por saber o que havia acontecido com Bucky. Se ele estava bem, se ainda se lembrava da antiga amizade deles, e mesmo estando ali há pouco tempo, o conhecimento sobre Bucky sendo guardado em mim estava me sufocando, e eu sentia que devia isso à eles. Eu precisava desabafar com alguém.

—Steve, oi, desculpa. Não te vi aí. —Falei ofegante. Eu estava com tanta pressa e nervosismo por causa do treino. Eu poderia saber um pouco de luta, mas ali, naquela base, só haviam os melhores, então eu precisaria me esforçar.

—Calma, pequena, pra quê essa urgência toda? —Ele perguntou, bagunçando meu cabelo. Ótimo, agora meu rabo de cavalo estava todo desalinhado e eu provavelmente parecia que tinha acabado de correr uma maratona.

—O treino é hoje. —Respondi, desamarrando os cabelos, e prendendo novamente.

—Não precisa ficar tão nervosa assim não, eles vão pegar leve.

Suspirei.

—Acha que vão pegar leve porque sou mulher? —Me irritei um pouco. Não precisava de ninguém me rebaixando.

—Não, a Natasha é mulher, e nunca pegaram leve com ela. —Steve bagunçou meus cabelos novamente. Bufei.

—Steve! Para com isso!

—Vão pegar leve porque é sua primeira vez treinando com eles, e não porque é uma garota.

Sorri. Steve Rogers havia sutilmente me comparado com Natasha Romanoff, chamando-a de mulher, e me devolvendo um "garota". Não me importava. Sentia mesmo como se fosse uma irmãzinha para Steve. Tanto tempo sendo a irmã mais velha e tendo tantas responsabilidades no início da vida, que finalmente, sentia como se tivesse um irmão para abrir seus braços e me proteger.

Arrumei os cabelos de novo, na esperança de que não fossem mais remexidos, mas isso só serviu para Steve mexer mais uma vez, e acabei me rendendo. Deixaria meus cabelos daquele jeito mesmo.

—Pode ir na frente. Clint vai começar com a defesa e Pietro vai te ajudar nos ataques. Chego depois que terminar de conferir umas coisas com Tony.

—Sobre o Bucky? —Deixei escapar, e quando percebi era tarde demais, já havia conseguido sua atenção. Era agora ou nunca. —Steve, tem uma coisa que preciso te contar...

Seu celular vibrou e ele começou a correr.

—Pode ser depois? —Gritou no final do corredor. —É uma emergência! —Colocou o celular perto da orelha, e enquanto eu caminha, pude ouvi-lo conversando com alguém. —É, na rua 234, perto daquele banco, um homem altamente armado, mas o braço está coberto. Bate com a identidade? Pode ser que seja? Ele está usando...

Respirei fundo. Tinha certeza de que aquela emergência tinha algo a ver com James Barnes.

Segui meu caminho até a área de treinamento. Era enorme, tinha algumas claraboias, e um ringue de boxe bem no meio. Alguns sacos de pancada espalhados, tatames pelo chão, bonecos de madeira, tábuas, alvos. Tinha também um arsenal inteiro em uma parede com armas que eu não poderia sequer identificar.

Saí de perto da entrada e comecei a caminhar pelo lugar, embasbacada por tudo que eu via a minha frente, que não notei o que estava atrás de mim.

Fui surpreendida por um chute nas pernas e uma braçada forte em meu peitoral que me fez cair de costas e bater contra o chão duro de concreto.

—Ai, merda. —Me sentei com as mãos nas costas. —Clint! Que diabo é isso?

—Nunca seja pega de surpresa, Oaks. Venha, levante-se. —Ele me oferece à mão e eu pego. Quando me levanta, abre a mão e me mostra a palma, encaro sem saber o que fazer, e ele atinge meu peitoral de novo, me levanto ao chão mais uma vez, evitei cair de costas ao colocar as minhas mãos para absorver o impacto. —Tem que ser um pouco mais esperta do que isso, Oakley. Levante-se sozinha.

Fiz o que ele mandou, sentindo uma dor enorme em meus pulsos.

—Isso doeu pra caramba, Clint.

—Se não consegue nem aguentar uma queda, como poderá lutar?

—Ai. —Massageei minhas mãos. —Meu objetivo não é lutar.

—Tony acha que sim. Vamos, mais uma vez. Preste atenção, está bem? Coloque o braço assim, na horizontal, veja como eu faço. Coloque um em frente ao seu rosto, e o outro, também na horizontal, perto da barriga, isso. Agora, vou começar a lhe aplicar uma série de socos, e você vai defender com os dois braços, entendeu? —Acenei com a cabeça.

Clint fez o que havia dito, e se aquele era o "pegar leve", minha ideia de difícil estava sendo muito baixa.

Tentei defender o máximo que pude, me abaixei, e Clint acabou me repreendendo, dizendo que o propósito daquilo era ganhar resistência nos braços e uma melhor ideia de prever os próximos movimentos. Me contou que hoje iríamos treinar apenas minha firmeza, e só depois eu começaria a aprender a me defender de outras formas.

Por exemplo, se ele tentasse um golpe com o braço direito em direção à minha direita, eu teria de dobrar meu braço na vertical e desviar de seu ataque.

Mas só depois que eu apanhasse bastante hoje.

Em algum momento fui de encontro ao chão. Clint havia me dito que se isso acontecesse, eu deveria continuar me defendendo, com os braços em forma de xis acima da cabeça, e que se isso acontecesse amanhã, ele me ensinaria a contra-atacar. A defesa era apenas para ganhar um tempo para pensar no próximo golpe. Enquanto o inimigo estivesse concentrado nas investidas, ele não pensaria muito no que faria depois, já eu, tinha uma chance de pensar. Pontos fracos, pontos fortes, e assim vai.

Senti quando Clint parou de socar, e o ouvi xingar baixo.

—Puta merda.

Me apoiei nos cotovelos e o encarei em clara expressão de dúvida. Poque ele havia parado?

—Olha a língua. —Olhei para o lado e vi Steve entrando, ao seu lado, estava Pietro, com uma sacola na mão.

—Trouxemos o almoço. —Ele disse sorridente, e colocou a sacola sobre a mesa. —Hambúrguer.

—Hora do almoço ainda está longe, Maximoff. —Clint disse a Pietro.

—Já resolveu o que tinha de resolver, Steve? Foi rápido. —Me levantei e fui para perto de Steve.

—Rápido? —Ele me perguntou sorrindo. —Pequena, eu demorei pelo menos meia hora.

—O que?! —Gritei, me virando para Clint. —Eu estou apanhando aqui há meia hora?

—O tempo voa, criança. —Ele deu de ombros. —Ei, Rogers. Viu o que eu vi?

—Não, o que foi? —O Capitão se aproximou do Arqueiro, e eu fiquei ao lado de Pietro.

—Sobre o que acha que estão conversando? —Indaguei.

—Não sei, mas tenho uma leve sensação de que é sobre você. —Pietro coçou a nuca. —Cara, eu tô com muita fome.

—Come, então. —Apontei para as sacolas. —Não trouxe para comer?

—Foi, mas se eu comer o meu agora, quando vocês forem comer, vou ficar querendo.

Sorri.

—Pietro você tem fome toda hora. Aposto que Tony vai fazer um super almoço hoje de novo.

—Tony saiu. Disse que era algo urgente e que depois voltava. —As mesmas palavras de Steve, pensei. —Por que acha que trouxemos hambúrguer?

—Quer que eu prepare alguma coisa? Pam está de folga hoje.

—Ah, queria ver o desastre que você é na cozinha. —Sorri para ele. —Mas agora não dá, você tem que treinar mais um pouco. Quem sabe de noite? —Pietro me dá um olhar esperançoso e eu só consigo rir de sua carinha de cachorro pidão.

—Tudo bem, hoje a noite eu vou preparar o melhor jantar da sua vida, Pietro Maximoff.

—É, sei. Vai é queimar a comida, isso sim.

—Ei. —Dou uma cotovelada nele, que me olha com o cenho franzido. —Estão vindo para cá.

Os dois estavam com a dúvida quase estampada na testa. Não tive nem tempo de perguntar. Clint me lançou no chão, e como achei que o treinamento continuava, coloquei os braços sobre a cabeça novamente e mantive os olhos fechados.

Não senti os golpes chegando, fiz menção de me mover, mas os três gritaram em um uníssono.

—Não se mexa!

Abri meus olhos para encará-los. Por que estavam tão agitados?

—O que foi? —Questionei, levantando o olhar para as três figuras a minha frente.

—Arrá! —Pietro foi o primeiro a se pronunciar. —Justo como eu suspeitava.

—Ai Pietro! O que foi agora? —Inalei o ar com força. Permanecer com o olhar levantado, sem poder mexer a cabeça era mais difícil do que defender golpes de Clint Barton.

—Não me venha com "Ai Pietro", Oakley Bann, não estou nem te tocando. —Pietro brincou e lhe exibi um sorriso.

—Será que alguém poderia me explicar o que está havendo antes que meu pescoço perca o movimento? Steve? —Pedi, fitando o Capitão.

—Okay, presta atenção, Pequena. —Ele levantou a mão, aberta, e como se juntasse toda a sua força, desceu rapidamente, e eu me preparei para sentir a pancada, mas permaneci com os olhos bem abertos.

Vi a mão atingir o ar e ricochetear. Foi então que percebi ondas sutis e muito suaves se formarem em um domo ao meu redor.

—Gente, o que é isso? —Alternei o olhar entre os três patetas a minha frente, que para aumentar meu desespero, ficaram apenas me observando por um tempo. Até que Clint se manifestou:

—Parabéns, criança, acho que acaba de descobrir que tem super poderes.

Notas finais
Eu sei que ainda não há muito contato Oakley X Bucky, mas ainda vamos chegar lá. Não quero pular etapas e nem deixar dúvidas do tipo, "o que diabos a Oakley ainda tá fazendo na base dos Vingadores?", então vamos um passo de cada vez. No próximo acho que o Bucky vai fazer uma apariçãozinha, mas ele vai ser mais requisitado nos capítulos depois do próximos. Não esqueçam de comentar o que estão achando, e nos vemos no final de semana. Beijos XOXO