Fear
7 Violeta
Notas iniciais

Wanda
A libélula esmagada na parede deu um último espasmo e soltou um grito agudo antes de finalmente falecer. Ela me dava agonia. Zumbindo em meu ouvido, me provocando. Com apenas um movimento de mão, aquele inseto havia sido jogado contra a parede, e então, não tinha mais chances.
Eu gostava daquele quarto. Era calmo, os insetos não poderiam me incomodar lá. Às vezes eu ouvia vozes. Eu conseguia ouvir tudo.
Os pensamentos dos Vingadores quando passavam pelo corredor, as pessoas andando nas ruas. Os insetos voando ao meu redor quando eu saía de casa.
Depois que me tiraram da base de experimentos, minha mente quase explodiu. Lá eu era tratada como uma inválida. Ou passava noites acordada, ou dormia demais.
Aqui eu tenho uma rotina. Não tomo os remédios e nem levo injeções, e isso é como se quisessem me matar aos poucos.
Não sei exatamente o que sou. Não sei até onde minha capacidade vai e nem como posso expandir meus horizontes. Só sei que a cada dia que passa, sinto que um pedaço de mim se vai.
Se eu ao menos pudesse ser como Pietro. Ele tem o metabolismo rápido, é inteligente e se move como uma flecha. Não tem nenhum tipo de problema mental como eu.
O que sinto é forte e persistente como uma dor de cabeça. Não consigo controlar direito meus poderes ainda. Telepatia foi algo que descobri recentemente possuir. A telecinese, levitação e deformação da realidade eram coisas com que eu já estava acostumada. Eu tinha que brincar com blocos, ou qualquer outro objeto para descontrair. Se todo aquele poder ficasse preso em minha mente, eu começava a ter ataques. Uma vez, Steve disse que fiquei agressiva depois que desmaiei, algo que não me lembro de acontecer. Coincidentemente, foi a primeira vez que comecei a ter acesso à cabeça das pessoas.
"—Wanda! —Pietro gritou quando me joguei no chão, segurando minha cabeça com uma mão e movimentando a outra sem rumo.
Eu conseguia ouvir tudo ao meu redor. Os pensamentos de Pietro vinham fortes em minha mente. Ele estava apavorado.
Ouvi o barulho de vidro se quebrando e passos, que imediatamente reconheci como Steve, calmos e firmes, se aproximando e provocando uma vibração terrivelmente alta para meus ouvidos.
Fechei a boca e gemi baixinho. Senti o sangue escorrer por entre meus dedos que tapavam a entrada da orelha esquerda. Pietro gritou por Tony.
—Wanda? —O Capitão perguntou, puxando lentamente meus pulsos. Estremeci ao sentir o toque quente de suas mãos e me balancei tentando me livrar do aperto. Com a mão direita empurrei o ar e ouvi um estrondo.
Escutei os passos de Tony, vindo junto com Pietro. Se eu fosse definir Stark, o que era algo muito difícil, até mesmo para mim, diria despreocupado e preocupado simultaneamente. Ele oscilava o tempo inteiro. Agia como se não se importasse, mas ficava imensamente inquieto quando alguma coisa o angustiava. Algo como tenso e rápido, ou leve e alegre. Ninguém entendia Tony Stark.
—Vovô! —Ele chamou por Steve, pelo apelido que dera e adorava. —Maximoff macho, controle sua irmã!
A alma de meu irmão estava confusa. Todo aquele medo e terror que ele sentia não eram porque eu estava jogando coisas pelo ar descontroladamente e sim pelo fato de que ele não conseguia nem suportar a ideia de viver em um mundo em que eu não estivesse também. Em sua cabeça, pude ver várias imagens passando como se fossem um pequeno filme. Ele pensava em qualquer besteira que fizemos juntos, pensava nos tempos difíceis e também nos bons que se seguiram depois que nos juntamos aos Vingadores. E tentava afastar ao máximo qualquer coisa que envolvesse a imagem que ele tinha de mim, deitada no chão, com os ouvidos ensanguentados.
Minhas mãos se mexiam, minhas pernas tremiam e eu sentia meus olhos virarem. Estava tendo uma convulsão.
Senti o gosto do sangue, mas não notei que estava mordendo a língua até Pietro gritar. Devia estar dormente.
—Ela está tendo uma convulsão! —Steve gritou para meu irmão, que rapidamente entendeu e me virou de lado. Meu olho direito girava e eu podia ver o líquido que escorria de minha boca. Uma mistura de saliva espumante e sangue. —Um travesseiro! Pegue um travesseiro.
As batidas insistentes de minha cabeça contra o piso de mármore foram cessadas quando Pietro encaixou o travesseiro delicadamente sob mim, ainda me segurando de lado.
—Tire as roupas dela. —Ouvi Steve dizer, e foi contrariado rapidamente por Pietro, dizendo que não iria expôr a irmã dessa forma, mas o Capitão foi mais rápido e com um puxão, senti meu peito livre e consegui respirar melhor. —Cheque a frequência cardíaca e a pressão arterial dela. A respiração está comprometida. A salivação já parou um pouco? Ela parou de morder a língua?
Os pensamentos de Pietro e Steve eram de dimensões muito parecidas. Ambos estavam extremamente preocupados, mas Steve se mantinha forte, ainda que eu pudesse ver em seu espírito que ele estava tremendo por dentro. Já meu irmão, não conseguia esconder o pânico. Pietro sempre fora assim, meio transparente.
Steve me apertava com precisão, na esperança de que meu corpo parasse e aos poucos isso foi acontecendo. Relaxei, e permaneci acordada por um tempo, lutando contra as pálpebras que queriam se fechar e com meus próprios olhos que insistiam em ir para cima. Ainda não conseguia respirar direito. Tentava puxar o ar, mas era difícil. Senti a mão quente e sorrateira de Steve subindo por minhas costas e massageando, e lentamente minha respiração foi se tornando estável. Pietro se ofereceu para fazer aquilo no lugar do Capitão, mas eu podia ouvir sua alma gritando algo como 'por favor, não me deixe tocar nela, se ela morrer é culpa minha, não é?'.
—Vou pesquisar um pouco sobre o que acabou de acontecer, Pietro. Leve-a para o quarto dela. Tony, devemos?
—Claro, vovô. Acho que vou tomar um drink primeiro. Depois desse susto do inferno, preciso manter a calma.
—Tony... —Steve resmungou. Não pude ver a cara de Tony, mas sei que sua face se fechou em sinal de completa negação.
—O que? Falar 'inferno' agora é palavrão? Olhem a língua, crianças. Vovô Rogers não deixa ninguém xingar.
—Não falei nada. —O Capitão suspirou e continuou a massagear minhas costas. —Acha que foi algo relacionado aos poderes dela?
—Até agora ela só demonstrou sinais de telecinese e deformação da realidade. Lembra que ela mexeu com a mente de vocês uma vez? —A voz de meu irmão soava longe.
—Com a minha mente ninguém mexe não! —Stark gritou, me fazendo encolher. Steve se mexeu e pude ouvir seus batimentos cardíacos. Acelerados como se corresse uma maratona.
—Ih, Ferrugem, mexeu sim. Ela me contou que você viu todo mundo morto e empilhado. Seus maiores medos... —Pietro tentou brincar, mas sua voz saía trêmula.
—Qual foi o grau de experiências com ela quando foram raptados? —Rogers parou e me suspendeu em seu colo. Minha cabeça foi para trás e meus olhos rolaram com força.
—Honestamente, eu não sei."
Os palitinhos coloridos que Steve me deu de presente, como uma forma de me distrair um pouco e liberar o poder, ganharam vida e giraram pelo quarto formando um pequeno redemoinho perto da porta, acompanhando o movimento do meu indicador.
Estava tão concentrada no torvelinho e no barulho dos carros lá em baixo que não fui capaz de focar minha energia nos passos que ecoavam no corredor.
A cabeleira dourada de Steve foi a primeira coisa que vi quando ele adentrou o quarto apressadamente. Levei um susto tão grande com aquela invasão repentina, que em um aceno de mão, os palitinhos voaram para a esquerda e teriam acertado o Capitão, se ele não tivesse desviado à tempo.
—O que foi que eu fiz? —Ele perguntou, sorrindo e se aproximando. Se sentou ao meu lado, afundando um pouco a beira da cama. Puxei a manga do casaco e apertei os dedos.
Eu não gostava muito de ler a mente de Steve, dentre todos os outros Vingadores, porque eu sentia como se fosse trapaça. Steve era sempre tão bom e protetor comigo de uma forma como nunca fui tratada, que uma parte danificada de mim sempre gritava que era apenas mentira.
Balancei a cabeça em negação e ele assentiu. Esperei que me falasse o que estava fazendo ali.
—Precisamos de você lá embaixo. —Ele sussurrou. Não precisava de muito para que eu entendesse o que queria de qualquer forma. Sentia seu olhar sobre mim enquanto eu produzia pequenos feixes de luz vermelha com as mãos.
Me concentrei. Mentalmente, visualizei a torre inteira dos Vingadores, cada cômodo, cada compartimento, e imediatamente, soube a localização de todos. Os sons que produziam eram bem evidentes e denunciavam sua posição. A novata, que se chamava Oakley, estava na sala de treinamento, conversando com meu irmão e com Clint. Desde o primeiro dia, eu sentia seu poder conservado e quase intocado em sua alma. Eu vi suas lembranças e em um piscar de olhos, já sabia de toda a sua história. Ela era filha de Albert Bann, um cientista aspirante no local onde fui submetida à experimentos.
Albert Bann trabalhou lá em sua juventude, e se voluntariou para fazer parte de uma série de testes de drogas experimentais apenas pela remuneração. Na época, ele havia acabado de se casar e estava procurando um lar para se mudar com a esposa.
Eu era bem pequena, mas me lembrava de cada detalhe como se fosse ontem. Algo deu errado e a informação genética de Albert foi alterada exageradamente. Ele recebeu uma quantia enorme depois de um processo e foi despedido, mas com os dias de vida contados. A hipótese era de que seu corpo não aguentaria nem cinco anos e acabaria entrando em colapso.
Depois eu não soube de mais nada, porque comecei a apresentar meus próprios problemas e fui trancada em uma espécie de solitária onde colocavam quantidades assombrosas de sonífero em minhas refeições.
Mas olhando para aquela garota, soube quase que instantaneamente que carregava um DNA inumano.
Me levantei da cama, enrolando mais o casaco para junto do corpo. Encarei Steve.
—Vai descer descalça? —Foi uma pergunta retórica. Ele me conhecia o suficiente para saber que eu não gostava da sensação dos sapatos contra meus pés. Andar descalça era algo que eu considerava libertador.
Descemos uns dois lances de escadas quando senti os batimentos de Steve acelerarem. Parei e ele me fitou confuso.
—O que foi? —Perguntamos sincronicamente. O Capitão me lançou um sorriso.
—Você primeiro.
—Seus batimentos estão acelerados. —Dei de ombros e encarei a enorme janela de vidro. Stark fazia questão de ter janelas em quase todo o prédio.
—Ah! Isso? Tinha esquecido desse negócio seu. Ler pessoas e tudo mais...
Virei a cabeça um pouco para o lado, esperando que ele continuasse.
—Estava nervoso porque queria fazer uma pergunta. —Coçou a nuca e inspirou o ar profundamente. —Estava pensando se... Você aceitaria...
Uma coisa era certa. Steven Rogers enrolava demais quando estava nervoso.
—Fala logo. Seu nervosismo passa para mim como um vírus.
—Ter algumas aulas para aperfeiçoar seus poderes. Pedi para Tony... —Coçou a parte de trás da cabeça mais uma vez antes de continuar. —Não consigo falar isso com você me olhando desse jeito. Não sei se está achando uma boa ideia ou não. É uma mulher muito impassível, Wanda.
Em um dos meus raros momentos, sorri para ele. Steve era a única pessoa, além de meu irmão, que conseguia me fazer sorrir dessa forma débil e suave. Um sorriso genuíno.
—Estou achando que deveria parar de me enrolar e falar logo. Rápido. Não quero deixar a menina mais apreensiva do que já está. Vocês a deixaram no escuro por muito tempo.
—Co-como assim? Você sabia dos poderes dela?
—Sou muito boa em ler pessoas, Steve. Você mesmo já disse isso.
—Às vezes me esqueço. Pensei que apenas eu e Tony sabíamos disso.
—Vocês dois são péssimos em guardar segredo, porque a Nat, o Clint e o Dr. Banner também estavam cientes do que ela é capaz de fazer.
—Estamos falando de Tony Stark e sua boca grande.
Cruzei os braços e mexi um pouco os dedos da mão direita quando uma libélula passou voando. Acabei não prestando atenção na fala de Steve, porque o inseto começou a gritar, enquanto eu o pressionava contra a parede branca, fazendo força com o indicador. A energia passada foi tão forte, que fez um pequeno furo na parede e o corpo da libélula foi cortado ao meio.
—Ouviu o que eu disse? —Ele procurou meu olhar e encontrou o bicho morto. —Estava falando em treinar mais suas habilidades. Melhorar as que já tem, fazer alguns testes com Bruce e descobrir se tem predisposição para adquirir alguma outra. Não quero que aconteça aquilo de novo.
Ele falava da convulsão.
—Foi só uma reação, Steve. —Respondi.
—Eu sei que você acha que foi muito normal, mas seu irmão está mesmo muito preocupado, Wanda. Então conversei com Tony e ele disse que poderia disponibilizar uma sala e comprar algumas coisas que você pode precisar. Ele contatou Fury e disse que tinha alguém disposto à ensiná-la. Pode aprender a se controlar, Wanda.
—Me controlar? Acha que preciso de algum tipo de contenção? Vai me acorrentar?
—Não! —Steve se exaltou, e num movimento involuntário, me puxou para perto dele em um abraço desajeitado. —Nunca poderia acorrentar você, Wanda. Pense nisso como uma forma de domínio próprio. Pense em como seria melhor se você não escutasse tudo ao seu redor, se tivesse uma forma de parar isso, e você só ouvisse o que quisesse. Eu sei que tem sido difícil, feixe de luz.
Ele sempre me chamava assim quando sabia que tinha dito algo que não queria dizer realmente.
Em algum momento daquele abraço que pareceu durar anos, como Steve mesmo disse, não fui capaz de controlar meus próprios poderes e acabei penetrando sua mente.
O que vi não foi repulsa, como havia imaginado. Não havia fingimento nos gestos dele. Ele me abraçava porque sentia que de alguma forma, estaria me protegendo. Me protegendo de mim mesma até.
Ele tremia, estava inquieto e agoniado, e só o pensamento de que eu poderia afastá-lo o incomodava.
Em sua cabeça, era apenas um pedido e nada demais. Era algo que beneficiava principalmente minha pessoa e era isso que ele mais desejava. Que meus medos sumissem. Que eu não tivesse medo de me mexer, sem que quebrasse alguma coisa ou machucasse alguém.
Mas para mim, aquele pedido à primeira vista foi como uma facada. Como se a sensação de que eu era indesejada ali tivesse aumentado mil vezes e que eles finalmente haviam admitidos que eu era um perigo para aquela organização.
—Acho que devemos ir. —Comentei quando finalmente me soltei de seu aperto delicado. Puxei o casaco e ele assentiu, caminhando na frente. —Steve? —Chamei.
Ele virou a cabeça, parando uns degraus abaixo.
—Eu aceito.
[...]
Oakley
—Ai Pietro! Como assim eu tenho poderes? Você já sabia disso, não é? Tá com uma cara de quem já sabia. Olha esse seu sorrisinho aí! Sabia! Estou falando! —Estalei os dedos mais uma vez, esperando Steve voltar. —Ai meu Deus. Vocês me trouxeram aqui só por causa dos meus poderes! —Constatei. Pela primeira vez na vida pensei rápido em uma coisa.
E se aquilo era tudo que eles queriam? Me usar só por causa dos meus poderes?
Mas e meus irmãos? Como ficam? Eles me escolheram porque tenho poderes, e não porque tiveram compaixão de abrigar uma estranha?
Steve entrou com a irmã gêmea de Pietro. Ela me lançou um olhar que considerei como nada amigável. Não sei porque, mas tinha essa estranha sensação de que sempre que me olhava era assim. Com um desejo totalmente estranho de me matar. O que eu havia feito para ganhar sua antipatia?
—Chegaram! —Pietro gritou. —Até que enfim! Steve, você passa muito tempo com minha irmã. Se tentar alguma coisa com ela, juro que será um homem morto.
O Capitão sorriu e puxou Wanda pela mão.
—Sabe que eu não a vejo dessa forma, Pietro. Tony já chegou?
—Opa! Olha eu aqui! —O Homem de Ferro anunciou sua entrada, abrindo os braços e tirando os óculos escuros. Cochichou algo no ouvido de Steve e o mesmo assentiu.
Olhei para as pessoas à minha frente, incrédula. Aparentemente, Tony, Clint, Pietro, Steve e até Wanda sabiam de meus poderes, porque me analisavam descaradamente.
—Ocorreu alguma mudança? —Stark perguntou para Clint, colocando os óculos na gola de sua camiseta.
—Ela manifestou o poder, mas mesmo sendo um escudo forte, acho que não foi total. Acha que mandamos para Banner dar uma olhada? —Clint girou uma de suas flechas, como se nada estivesse acontecendo.
Será que eles não percebiam que eu estava uma completa confusão por dentro?
—Talvez vocês pudessem retroceder um pouquinho. —Falei, conseguindo a atenção deles. —Só pra eu entender melhor... É por isso que estou aqui? Por que tenho... isso?
—Aham. —Stark declarou, voltando a conversar com Clint sobre o que deveriam fazer à meu respeito.
Ficaram conversando sobre os horários de treino, sobre as avaliações com Bruce Banner, vulgo Hulk, e compararam meus poderes com o de Wanda, que eram claramente uma versão muito melhor dos meus.
—Tony, mas e meus irmãos? —Me pronunciei mais uma vez e ele se aproximou de mim.
—Vai ficar tudo bem, vovó. Quando encontrarmos seus irmãos, eles ficarão conosco, com você. Seguros e longe daquele padrasto que você tanto teme.
—Meu padrasto? Como sabia de meu padrasto?
—Estivemos pesquisando sobre você há muito tempo, Oakley. E por um acaso do destino, o amiguinho sem memória do vovô trouxe você até nós. Não devia se sentir ofendida por causa disso.
—Não me sinto ofendida. Me sinto, no mínimo traída. Confiei em vocês. Me trouxeram aqui para uso próprio e não me contaram. Agora mesmo eu poderia estar à procura de meus irmãos e...
—Não poderia Oakley. Nós sabemos quem anda bombardeando Oakville, e cedo ou tarde você seria a única alma viva naquele lugar. Caso não saiba, só não foi bombardeada porque possui um poder especial. Devia agradecer ao seu pai por isso.
—Meu pai? O que ele tem a ver com isso?
—Seu pai fez parte de uma pesquisa para drogas experimentais. —Tony respondeu com naturalidade, como se fosse a coisa mais simples do mundo. Minha cabeça lutava para armazenar tudo que ele estava dizendo.
—Está de gozação com a minha cara. Meu pai sempre trabalhou na cidade. Oakville é um lugar pequeno, não tem espaço para laboratórios.
—Vê nossa amiguinha Maximoff fêmea ali, e seu irmãozinho, Maximoff macho? —Ele apontou para Pietro e Wanda, que ainda tinha a mão enlaçada com a de Steve. —Segundo minhas pesquisas super avançadas, e com uma ajudinha da nossa outra amiguinha russa que não está presente no momento, seu pai foi objeto de pesquisa na mesma época em que eles faziam experimentos em crianças, tais como Maximoff macho e fêmea.
—E você acha...
—Que o material genético do seu pai foi alterado, sim, é isso mesmo que ele está dizendo. —Dessa vez, quem completou minha fala foi Pietro, e não Steve.
O Capitão encarava Wanda, que era relativamente mais baixa que ele, com as sobrancelhas ligeiramente franzidas.
—Ai Pietro! —Resmunguei cruzando os braços e me afastando um pouco de Tony.
Aquilo era muito para digerir. Meu pai trabalhou em uma empresa que fazia experimentos em crianças?
Eu me sentia em um nível que ia muito mais além de traída. Era como se minha vida inteira tivesse sido uma mentira. Como se o tempo todo eu achasse que viver de olhos fechados e estar na escuridão estava tudo bem, até que alguém acende uma luz e eu finalmente posso enxergar o que tenho à minha volta.
Não. Chega de drama. Minha vida inteira eu havia vivido o típico drama adolescente torturada. Sempre apanhando e protegendo meus irmãos. Agora era a hora de me levantar e revidar. Com a ajuda de Tony eu poderia finalmente reencontrar meus irmãos, e dar ao miserável do Paul a surra que esperei tanto tempo para dar.
—Quando começamos? —Questionei, alternando meus olhares para todos na sala.
—Já? Isso foi mais fácil do que eu esperava. —Stark anunciou, tirando de dentro do paletó alguns cartões. —Tinha até preparado algumas falas reservas.
—Steve. —Clint chamou e o Capitão se assustou brevemente, parando de encarar Wanda e se virando para Barton. Como se eles se entendessem com apenas um olhar e um aceno de cabeça, o Arqueiro voltou a falar: —Wanda concordou em participar dos treinamentos e das pesquisas para aperfeiçoas as técnicas dela. Adquirir um pouco mais de autocontr...
—Por favor, não termine essa frase. —O Capitão pediu.
—Então, elas vão aprender um pouco de combate corpo-a-corpo com Rogers, e também vão ter avaliações médicas com Banner. Não sabemos das dimensões dos poderes das duas, mas aparentemente, o escudo da Oakley é bem mais resisten...
A explicação de Clint foi interrompida por sons de projéteis caindo no chão e balas acertando alguma estrutura de metal. Não pensei duas vezes e corri para perto de Pietro, puxando Tony comigo.
Clint, Pietro e Tony ficaram sob meu escudo, que consegui formar quando me agachei, e Wanda ficou encarregada de proteger Steve.
A diferença era mesmo muito visível. Enquanto as balas ricocheteavam em meu escudo invisível, no escudo vermelho de Wanda, era possível vê-las penetrando-o em câmera lenta, e só depois de um movimento de dedos que ela fazia é que o escudo expelia as balas.
Olhei para o teto, e sobre a claraboia, vi o braço metálico brilhando à luz do Sol.
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