Fear

8 O Bucky é fraco?


Notas iniciais
Demorei muito, eu sei, mas saibam que eu nunca vou desistir dessa história, não importa quanto tempo demorar, ou quantas pessoas decidirem (tristemente) abandoná-la. Ela sempre vai ser meu xodózinho. Amo vcs de montão. O primeiro ponto de vista é da Wanda, porque a Oakley não sabe ler mentes :,)

Wanda

Quando o Soldado Invernal pulou no chão, eu dirigi meu olhar para Tony. Steve estava atrás de mim, e provavelmente, não sabia que James Buchanan Barnes estava no mesmo cômodo que ele.

A mente de Tony me enviava uma única mensagem, alta e clara: "Tire o velho daqui."

Eu não tinha ideia de como me moveria até a saída sem que Steve visse o atirador profissional. Oakley estava agachada, acionando seu escudo, que era forte, mas às vezes oscilava. Encarei sua estrutura. Não vi medo ou qualquer coisa do tipo naquela garota. Ela estava, no mínimo, surpresa com a visita inesperada.

A voz de Tony ainda soava como um alarme em minha cabeça. Tentei bolar alguma coisa, mas fui pega desprevenida quando uma bala acertou o escudo e o puxou para bem perto do meu rosto, na altura dos olhos, antes de ser expelida.

Stark acionou sua mão de ferro e deixou apenas ela do lado de fora do escudo. Não queria arriscar. O soldado segurava uma metralhadora pesada e não parecia disposto a parar de atirar tão cedo. Tony usou seus raios repulsores e atirou repetidas vezes contra o Soldado, que se defendia com o braço biônico.

Não iria adiantar muito, e eu sabia que ele não seria derrotado desse jeito, mas era um claro sinal de que eu precisava sair e levar Steve comigo imediatamente. Era uma distração.

Desviei meu olhar da luta por um instante. Atrás de mim, Steve vasculhava a sala, em busca de algo.

—Viu meu escudo por aí? Tenho certeza de que o deixei por aqui em algum lugar.

Mentalmente eu agradeci por ele não ter prestado tanta atenção na luta. Eu sabia que estava preocupado, que seu instinto de proteger os outros falava mais alto, mas ele não podia simplesmente sair por aí desarmado na esperança de não ser acertado.

Suspirei aliviada.

—Steve? —Chamei. Ele levantou a cabeça para me encarar. —Seu escudo está logo ali. —Apontei para o objeto de vibranium descansando perto da porta. Ele sorriu e tentou correr, mas eu segurei seu braço, impedindo-o de sair do escudo. —Me tire daqui, estou com dor de cabeça... Não acho que posso aguentar mais...

Eu não era uma boa atriz e aquela era a primeira vez que eu fingia diante de uma pessoa. Não uma pessoa qualquer. Steven Rogers, alguém em quem eu confiaria minha vida.

—Dor de cabeça? É uma convulsão? Acha que vai ter uma convulsão? Aqui? Não, não pode ter uma convulsão. Por favor não tenha uma convulsão. Pelo menos não aqui e nem agora. Quero dizer... Não quero que tenha uma convulsão, mas se puder escolher, por favor não faça isso aqui. Não que eu ache que você possa escolher quando ter uma convulsão. Já fiquei desesperado daquela vez, imagina se acontecesse agora. De novo. Nessa... Situação. Segura aí, Wanda. —Ele olhava para mim, analisando minhas feições. Procurando algo de errado em meu rosto. —Acha que vai ter uma convulsão?

Reprimi a vontade de sorrir. Steve e Pietro eram as únicas pessoas capazes de arrancar um sorriso de mim.

Eu não achava que desmaiaria nem nada. Estava apenas distraindo Steve.

Caminhei lentamente até a porta, ainda com o escudo escarlate em formato de cúpula ao nosso redor. O Capitão pegou seu escudo e saímos os dois correndo.

Torci para que ele não achasse que era covardia sair correndo no meio de uma luta. O que de certa forma era mesmo, mas não pensei nisso até chegarmos no corredor que dava para o meu quarto.

Eu não sabia muito bem como era a ligação de Steve e James Barnes. Nunca tive amigos tão íntimos assim. Pra falar a verdade, acho que durante minha vida inteira fomos apenas eu e Pietro.

Então, eu não poderia medir o amor que Steve sentia por seu companheiro de batalha. Mas acho que poderia entender o ponto de vista de Tony. James Barnes era um procurado. Não poderia nem mesmo atender por esse nome. Era agora um soldado sem memórias, criado para matar. E isso acabaria desestruturando o Capitão.

Se ele se aproximasse do Soldado, provavelmente tentaria lembrá-lo de quem ele era. E pelo ponto de vista de Stark, se ele não se lembrasse, seria doloroso para Steve.

Há algum tempo, James Barnes era considerado um homem morto. Sargento morto em um campo de batalha. Caiu de um trem e desapareceu pela neve.

Mas recentemente descobriram que ele estava vivo. Que havia passado pelo mesmo procedimento de congelamento que Steve havia passado. A única diferença era que o congelamento de James fora induzido. O do Capitão fora um acidente, ou mera questão de acaso.

Lembra que eu havia dito que achava que a dor de cabeça era só algo para distrair Steve da luta? No meio do corredor ela veio. Com força total.

Eu sentia como se minha cabeça fosse estourar. Simplesmente explodir, no sentido literal.

—Não, não, não, não, não... Wanda! —Ouvi Steve gritar, mas minha cabeça começou a girar de um lado para o outro, assim como meus olhos. O líquido quente invadiu minha boca novamente e eu soube que estava mordendo minhas própria língua. —Merda, Wanda! Eu disse que não saberia o que fazer se acontecesse de novo.

Steve não foi buscar um travesseiro nem nada. Simplesmente apoiou minha cabeça sobre sua coxa e me imobilizou com os dois braços.

Durante a convulsão, pude visualizar fragmentos de acontecimentos assombrosos. Crianças chorando, um com o rosto deformado, fumaça, fogo, chuva ácida, morte, tiroteios, bombas, esgoto, lixo, bebês, corpos queimados jogados pelo chão. Uma pulseira de prata e um canivete vermelho sobre uma cômoda em uma casa velha e destruída. Uma espingarda e um estilingue. Cabelos louros seguindo a direção do vento. Senti o perigo que aquela pessoa estava sentindo. Provavelmente estava fugindo de alguém. Uma imagem de puro caos aparece. O símbolo da HYDRA, e uma pequena estrela vermelha brilhando sobre uma superfície prateada.

—Wanda? Merda.

Oakley

Wanda saiu correndo com Steve. Fiquei para ajudar Tony. Pietro deu a volta na sala com sua super velocidade e conseguiu distrair Bucky, que tentava atirar no louro, sem muito sucesso. Tony me fez um sinal, me pedindo para nos aproximarmos de Bucky, e foi isso que fiz.

Perto o suficiente, foi apenas disso que precisamos para pegar o soldado. O que eu achei bem mais fácil do que imaginava. Dada a descrição das lutas que Natasha, Falcão e Steve tiveram com ele, essa foi moleza.

Talvez tenha sido algo sobre os olhos dele. O modo como eu o encarei, mesmo estando agachada. Por um momento ele desfez sua defesa, e foi tudo que Tony precisou para pegá-lo.

No caminho para o lugar onde manteriam Bucky preso, Stark me explicou o porquê de ele ter mandado Wanda tirar Steve dali e fugir como se fossem covardes. Steve poderia parecer forte, o salvador da pátria, mas aquele soldado era como família. A única pessoa que ele conhecia de sua época, que não fosse Peggy Carter.

Bucky Barnes crescera com Steven Rogers. Eram amigos de infância e companheiros de guerra. E apesar de já ter lutado com ele antes, Tony sabia que nessa luta, Steve poderia sair mesmo machucado.

—Posso... Posso falar com ele um instante, Tony? —Perguntei, Bucky estava atrás das grades e sorria melancolicamente.

—Hora do almoço, Pequena. Não quer deixar isso para mais tarde?

—Tony, eu tenho certeza de que sabe que foi ele quem me raptou, e por algum motivo, sabe-se lá qual, ele me manteve viva e me trouxe aqui em segurança. Quando vocês ainda estavam me procurando. Só quero conversar um pouco.

—Posso deixar o Maximoff macho vigiando? —Ele apontou para Pietro sem cerimônias.

Apenas o encarei.

—Certo, certo. Maximoff macho, vem comigo. Quer ir lá embaixo ver se tem alguma comida de verdade, além daqueles lanches que você comprou? Onde está Pam afinal?

Pietro suspirou. Acho que a ideia de me deixar sozinha com James Barnes não soava agradável aos ouvidos de nenhum dos dois.

—Aqueles lanches são uma delícia, e Pam está de folga. —Respondeu, e discutindo, juntos eles deixaram o lugar.

Me voltei para o soldado à minha frente. As grades de ferro nos separavam e mentalmente e perguntei se eles usavam muito aquela prisão dentro da base. Não era estranho de todo o modo eles possuírem um local para manter ameaças presas, só pensei que seria algo mais tecnologicamente avançado do que apenas grades.

Vai ver eles tinham uma prisão muito melhor em algum dos muitos andares daquela torre, e Tony quis usar essa por um motivo em especial.

—Então, finalmente sozinhos, não? —James Barnes falou primeiro. Levantei meu olhar e o encontrei me encarando.

—O que veio fazer aqui? Não deixei claro da última vez que se viesse aqui novamente, seria preso, ou pior, morto? Preciso explicar novamente ou quer que eu desenhe?

Fitei minhas próprias mãos. Estava nervosa sem nem mesmo saber o porquê.

—Acho que entendi por fim. —Ele soltou baixinho, se aproximando das grades e chegando mais perto de mim.

—Entendeu o que? O que eu acabei de explicar? Que alguém provavelmente vai te matar? Falando nisso, por favor, me diz que você conhece alguém chamado Steve Jobs.

—O criador da Apple?

—O que? Eu disse Steve Jobs? Quis dizer Steve Rogers. Só de olhar pra você, nem que seja qualquer parte do seu corpo já me deixa nervosa e tensa. O que fez foi quase suicídio, Bucky.

—Não precisa ficar tensa, não é como se eu ainda fosse te matar. E sim, eu sei quem é Steve. Aah, e não, não foi quase suicídio, eu sabia perfeitamente o que estava fazendo até você me encarar.

—Ia me matar? Por que? E graças a Deus você sabe quem é Steve. Se não soubesse, acho que seria capaz de ter um surto, porque isso significaria que eles acabariam maltratando você, e eu meio que te conheço, e mesmo que não conhecesse, acho que não gosto desse lance todo de tortura. O que aconteceu quando eu te encarei?

—Deveríamos responder uma pergunta de cada vez.

—É, acho que sim.

—Respondendo o que me perguntou anteriormente, sim, eu iria te matar porque era uma ordem, e de onde eu venho, ordens foram feitas para serem cumpridas. Sinto que não devo lhe revelar mais que isso. As pessoas para quem trabalho são, obviamente, inimigas dos Vingadores, então seria traição revelar o motivo por trás da ordem. —Ele suspirou, fazendo um ar confuso, e depois continuou. —Agradeço sua preocupação com o meu bem estar, eu, particularmente, não gostaria de ter minhas costas mais cicatrizadas do que já estão. E por fim, acho que se parece com alguém que eu conhecia.

—Isso não facilita o lance de “responder uma pergunta de cada vez”. —Inspirei fundo. —O que deveria perguntar primeiro?

—Sugiro que...

—Calma, estou pensando. Okay, lá vai. Por que não pode me contar o motivo? Acho que está bem claro que não vai sair daqui tão cedo, e que, depois de ter recuperado sua memória, não acha que vai querer passar um tempo com Steve?

—Posso resolver as inimizades e as guerras com alguém um pouco mais velho que você, Oakley. Eu deveria conversar com Tony, ou até mesmo o próprio Steve sobre isso. O que eu falei sobre não revelar nada era brincadeira. Acha que não sofro por ter essa memória fodida?

—Se tem a memória “fodida”, deveria parar de fazer brincadeiras, ninguém nunca vai saber quando disser a verdade. Talvez pensem que está apenas confuso.

—Estava tentando descontrair. Posso ver seus ombros tensionados daqui. Sinto o cheiro da tensão vindo de você.

—Certo, certo. Segundo, disse que pareço com alguém que conhecia. Quem?

—Uma moça da época da Segunda Guerra, extraordinária, se me permite dizer. Mas você não era nem nascida, então seria impossível conhecê-la. A não ser que trabalhe em um asilo. —Ele soltou uma risada leve e depois se voltou para mim novamente. —Estou falando sério, já faz muito tempo desde a última vez que falei com ela, mas pelo que soube, casou e teve filhos. Me ajudou muito no campo de batalha, quando Steve ainda não estava lá. Ela era realmente uma mulher lendária. Oh, sim. Era uma lenda.

—Não vai me dizer o nome dela?

—Ann, eu acho. Ann McPhee, talvez. Ela se casou com... Merda, não consigo lembrar o nome do General do vigésimo terceiro batalhão. Era...

Olhei para James Barnes, totalmente boquiaberta. Eu não sabia o que falar. Tentei balbuciar qualquer coisa para demonstrar o quão perplexa estava com aquela situação toda, mas tudo que saiu foi:

—Por... por acaso o nome dela era... Gr... Grace Ann McPhee?

E ele concordou, totalmente orgulhoso das próprias lembranças. Bucky deu um soco no ar, e de repente, agarrou as grades.

—Sim, era isso mesmo. Mas... Como você sabe?

—Ela casou com Orlando Bann, General do vigésimo terceiro batalhão, dado como desaparecido, e depois morto em guerra, deixando uma mulher grávida para trás, não foi? —Me dirigi até a porta, com a cabeça abaixada. —Grace Bann era minha avó.

—Sua avó? Impossível. Aquela mulher era incrível, e você...

—Eu o que?

—Bem... Não sei dizer, acho que falta um pouco mais de... carne.

Soltei uma gargalhada abafada, a mão segurando a maçaneta, impedindo que a porta se fechasse.

—Pelo visto recuperou seu senso de humor, soldado. —Sorri mais uma vez, me lembrando das histórias que Steve havia me contado sobre suas aventuras com o melhor amigo.

—Velhos hábitos são difíceis de quebrar. —Sua risada acompanhava a minha, e percebi o quanto era reconfortante ouvi-lo rir.

Olhei para o lado de fora, pensando se deveria ir de encontro aos demais para almoçar, ou conversar mais um pouco com James.

Eu não poderia negar aquela sensação que parecia querer me empurrar em direção à ele. Bucky estava ali, encostado na grade, tranquilo como se estivesse em qualquer outro lugar, menos preso. Seus pés estavam acorrentados, e ele assobiava baixinho, olhando para baixo.

—Então gostava dela? —As palavras pareceram voar da minha boca. A curiosidade gritante dentro de mim, dando espaço para um pouquinho de ciúmes.

Minha avó, pelo menos o que eu me lembro dela, era alguém com quem qualquer pessoa poderia passar horas, sem sentir vergonha ou qualquer coisa do tipo. Ela deixava qualquer ambiente confortável, e apesar de jovem, era uma mulher muito sábia.

Depois da morte dela, meu pai sofreu muito. Eu era muito pequena para saber o que estava acontecendo, mas Albert me contara que Grace fora para o céu, e não iria voltar.

Toda noite ele me contava uma de suas milhares de aventuras. Como ela foi uma mulher que se destacou na guerra. Alguém forte e batalhadora que lutou muito para ser reconhecida.

E minha mãe ficava nos olhando, encostada no batente da porta, os olhos cansados depois de ter colocado os gêmeos no berço. O ar de apaixonada que fazia sempre que o olhar dos dois se cruzavam.

—De quem? —Bucky perguntou, me tirando do pequeno flashback em que eu me encontrava.

—Ninguém. Acho que estava pensando alto, apenas isso.

—Da sua avó? —Ele insistiu.

—O que?

—Bem, não posso negar que ela era uma beldade. Acho que todos os homens do exército eram caidinhos por ela. Mas ela só tinha olhos para Orlando, então... E além do mais, haviam muitas outras garotas nos bares para paquerar. Só falei aquilo, porque você realmente é parecida com ela, e de certa forma isso faz minha memória voltar. Só não me pergunte o porquê.

—Vai ver é uma memória realmente fodida.

—Eu disse.

—Só não deixe Steve ouvir isso, ele é maníaco com esse negócio de não xingar.

—Bom e velho Steven Rogers.

—É... Então, acho que eu já vou... Tenho que almoçar... Eu acho... Vai falar com o Tony mais tarde?

—Tenho certeza de que ele virá ao meu encontro. Temos muitas coisas para discutir. Acho que Nick pode estar em perigo. É um assunto que envolve toda a S.H.I.E.L.D.

—E eu estou certa de que não irá me contar nada disso.

—Não agora. —Seu sorriso de lado, e o acenar de cabeça foi o suficiente para eu saber que nossa conversa estava terminada.

Segui para a sala de jantar em passadas rápidas. Eu estava nervosa e mais, teríamos que mentir para Steve durante todo o almoço. Pelo menos até Tony terminar de acertar as coisas com Bucky.

Notas finais
Tenho esperanças de que o próximo seja maior. (Obrigada por sempre comentarem, Switchblade e Maya May)