Fear

2 Antes do fim


Notas iniciais
Voltei, tô muito animada com a fic, mas é sempre assim. Animação no começo e preguiça no resto.

Oakley

"—Oaks não me pega, lalalalala. —Dylan me mostra a língua e se balança de um lado para o outro.

—Quando foi que vocês ficaram tão rápidos? —Questiono, alternando o olhar entre meus dois irmãos, Dylan e Tyler.

—Você que tá velha, mana. Vinte anos, tá quase uma vovozinha! Corre Tyler, ela ficou zangada! —Dylan grita para o gêmeo que sai em disparada.

—Ei, pequeno projeto de atleta olímpico, me espera! —Grito para o gêmeo mais velho que corre atrás de Tyler. —Eu não sou uma vovozinha! Oito anos de diferença não é quase nada!

—Se você quiser alcançar a gente, vai ter que correr mais rápido que isso, Oaks! —Dylan me mostra a língua de novo.

Tyler permanece calado. O caçula sorri e se diverte, mas quase não fala nada.

—Estou correndo o mais rápido que posso! —Paro para respirar, o cansaço já tomando conta de mim. Minha respiração é desregulada e sinto que meu coração pode saltar do peito a qualquer momento. É a melhor sensação que já senti na vida. Me faz sentir viva. Brincar com meus irmãos. Reviver a juventude que eu não tive direito. Aos onze anos, ainda criança, eu tinha que tomar conta de mim e dos meus irmãos, que ainda eram bebês.

Brincar com eles assim, correr, sentir o vento soprando contra o rosto, a sensação de quase poder voar. Eu amo isso, amo eles e não abriria mão dos dois por nada.

—Mamãe! —Ouço Tyler ao longe.

—Droga. —Dylan exclama quando eu finalmente o alcanço.

—Merda. —Xingo também. Tyler está tentando levantar Amelia do chão. Seu olho está roxo, os lábios ensanguentados e o nariz escorrendo.

De nós três, Tyler é o mais apegado com a mãe. Mulher que eu parei de chamar de mãe há muito tempo. Ele é o que mais se importa, o que a defende e enfrenta Paul. Ou ao menos tenta, porque quando Paul se irrita eu me enfio na frente dos mais novos e levo quantas surras for preciso por eles.

—Paul saiu de novo? —Dylan pergunta para Amelia e ela apenas geme um sim enquanto se dobra de dor com a cabeça no colo de Tyler.

—Vamos. Dylan, Ty? —Chamo os dois. Eles se entreolham e depois me encaram. —Vamos lá na dona Leila pedir um analgésico e uma pomada.

Posso quase ver um sorriso brotar no rosto de Tyler. Ele vai até a sala, pega uma almofada e coloca sob a cabeça de Amelia. Murmura um "já volto, mamãe" e puxa Dylan com ele.

—Vamos apostar uma corrida? —Ofereço, mesmo sabendo que nunca poderei alcançá-los sem uma vantagem. São rápidos demais e me orgulho deles.

Os dois correm. Eu fico para trás observando o quanto sou sortuda por ter eles dois como irmãos. Não sei o que faria se não os tivesse comigo. Não sei como aguentaria as torturas de Paul sem eles. Meus irmãos me dão esperança.

Um estrondo me alerta. O chão começa a tremer e eu grito por Dylan e Tyler. Eles olham para trás, sem parar de correr.

—Parem, parem, me esperem! —Grito.

Meu corpo é lançado para trás quando uma explosão acontece bem diante de meus olhos, no grande espaço que me separa de meus irmãos.

Abro os olhos com dificuldade. A fumaça os faz arder e acabo tossindo um pouco.

—Dylan! Ty! —Grito de novo, me levantando. —Vocês estão bem?"

—O que diabos? —É a primeira coisa que consigo falar quando acordo subitamente. Sinto uma tontura repentina e aperto os olhos com força. O ambiente ao meu redor ganha forma e vejo que estou em uma espécie de base. Minhas mãos estão dormentes e só então percebo que meus braços estão para trás e meus pulsos amarrados. —Onde diabos estou?

Alguém acende uma luz deixando o ambiente infinitamente mais claro fazendo eu apertar os olhos novamente. Me afasto para trás ao ver dois homens entrando. Minhas costas batem levemente na parede e eu continuo a encarar os dois, que parecem não notar minha presença ali.

Na verdade, se eu estou aqui dentro, eles provavelmente sabem de mim, então não há motivos para me esconder. Mas acho que deveria me esconder do mesmo jeito, porque eles podem pensar que ainda estou inconsciente. Isso. Talvez eu devesse me afastar mais um pouco para o lado e...

O barulho de dezenas de potes caindo chama a atenção dos homens. Um deles, o mais velho, aparentemente, me olha com enorme indiferença, o outro tem uma expressão furiosa. As sobrancelhas franzidas, a boca rígida. Ele poderia me matar apenas com aquele olhar se quisesse. Começa a caminhar em passos largos em minha direção.

—Quieto, soldado. —O mais velho avisa e no mesmo instante, ele muda de olhar mortal para incrivelmente sério e prende seus pés ao chão.

—Quem são vocês? Onde estou? —Engulo o medo. Não posso sentir medo. Não posso deixar transparecer o tremor em minha voz. Tento deixar minha expressão o mais ilegível possível.

—Dr. Lukin falando. —Ele ignora a minha pergunta. Aproveito para dar uma boa encarada no soldado. Ele é muito bonito, devo admitir. Sem a carranca de antes, é extremamente bonito. Vai além dos padrões de beleza.

Tem o maxilar bem definido, a luz forte deixa seus olhos em um tom de azul, um azul bem escuro. Os cabelos são escuros e vão até o ombro. As sobrancelhas grossas, os lábios finos, e, apesar de estar sério, posso notar em seu olhar como ele parece perdido. Olho para suas vestimentas e só então reparo o braço biônico com uma estrela vermelha implantado no lugar do braço esquerdo. Descendo o olhar reconheço as botas. Foi ele quem me sequestrou.

—Soldado. —Lukin o chama. Ele se vira de modo automático. —Tenho coisas para resolver, já que nem isso você pode fazer. Mandei matar o maldito Lyon Sanders e você me traz uma garota? É tão burro ao ponto de não saber distinguir um homem e uma menina?

Olho para ele um tanto ofendida. Não é como se eu fosse uma garota ingênua. E na defesa dele, se é que vale pra alguma coisa, a neblina estava muito, tipo, muito densa. Eu não estava enxergando quase nada, pensei até que ele fosse um fantasma. Então ele poderia muito bem ter se confundido e... Espera. Me confundido com um homem? Sou tão ruim assim?

—Mate-a. —Ele diz simplesmente e eu fico sem reação. Ele não esboça nenhum sentimento. Não há pena ou remorso. O semblante permanece o mesmo e ele nem me encara. Tenho certeza de que não é porque não é capaz e sim porque não faz questão nenhuma. —Quando eu terminar de resolver o problema que você causou, quero que ela esteja morta, soldado.

—Calma aí! —Digo num impulso. Ele se vira pra mim com as sobrancelhas arqueadas. O soldado faz o mesmo, mas ainda está totalmente sério. Agora que tenho os dois me encarando não faço a mínima ideia do que devo falar. —Vai me matar?

O doutor me olha como se fosse uma pergunta realmente óbvia e acho que na mente problemática dele talvez seja, mas na minha não. Como pode decidir matar uma pessoa assim do nada.

—Eu não. Ele vai. —Aponta com o olhar para o soldado. —Não sei como esse estúpido cometeu um erro tão idiota. Ele é perito em técnicas de espionagem, mas confundiu um homem com uma menina. Você é um erro e erros devem ser eliminados. Era só a pessoa errada no lugar errado na hora errada. Não que alguém irá sentir falta de uma pessoa a menos naquele lugar. Pelo que eu vi, é uma cidade fantasma.

Dr. Lukin deixa o cômodo, fechando a pesada porta de aço atrás de si. O soldado caminha até mim de forma robótica e por um momento sinto minhas pernas fraquejarem e a fadiga misturada com a fome me alcançam. Chego para trás fazendo barulho ao pisar sobre os cacos de vidro.

Com o braço esquerdo ele pega meu pescoço e me arrasta pela parede. Sinto o ar sair de meus pulmões e não é uma sensação boa como se eu estivesse correndo. É sufocante e eu não consigo respirar. Não posso entrar em pânico. Se entrar em pânico só piora as coisas. Talvez o melhor jeito seja acabar logo com isso e se eu der sorte, posso encontrar meu pai e meus irmãos no céu, onde eles devem estar.

Encaro seus olhos de um azul profundo como se funcionasse como uma máscara. Uma proteção que impeça as pessoas de verem sua alma. Tento puxar o ar mas é como se me rasgasse por dentro. A garganta dói e já não consigo produzir nenhum som. Fico apenas ali, encarando seus olhos, esperando pelo fim.

Mas não acontece. Ele me larga no chão com tamanha força que me assusto ao bater a cabeça contra os cacos de vidro. Só que dessa vez, ao invés de me dar vários socos como se quisesse me desfigurar, ele apenas acerta um golpe em minha nuca e tudo ao redor se escurece.

Notas finais
Comentem o que estão achando, por favor. Vocês não têm ideia do quanto isso é importante.