Faça Tudo Fazer Sentido
5 Um dia no acampamento
Stark estava cansado de ficar deitado. Não sentia mais as dores excruciantes lhe arrancando a vida. Ele conseguia até andar um pouco dentro da tenda.
Ele não havia sido preso porque, pelo que ele escutou o pai dizer, haviam chegado à conclusão que ele não ofereceria riscos. Claro que foi feita uma reunião, análise das escutas e verificação de registros e nada o ligava as tropas de Hitler ou do Caveira Vermelha.
Óbvio que não existia nenhum Jarvis Simons em registros de nenhum país envolvido com a guerra.
Howard sempre ia visitá-lo na enfermaria, então ele nunca ficava sozinho. O pai tinha uma mente fantástica, já estava trabalhando secretamente para consertar a armadura de Stark. Para o exército ele deu a armadura como inutilizada, mas a verdade era que toda a noite ia secretamente trabalhar para consertar o que podia.
Quando não sabia, ia perguntar a Tony para sanar as dúvidas.
A enfermeira havia retirado o dreno no segundo dia de Tony no acampamento. Já haviam se passado mais dois e ele começava a ficar impaciente.
E desde que o pai entrou na enfermaria afirmando ser Tony um viajante do tempo, Steve não havia voltado para terminar o interrogatório.
Era difícil admitir, mas sentia falta do loiro.
Resolveu sair de lá, caminhar um pouco. Passou pela abertura e constatou que estavam numa espécie de clareira escavada numa densa floresta. Havia barracões enormes, jipes, caminhões, armas e vários soldados espalhados. Uns praticavam exercício, outros descansavam. Outros ainda limpavam suas armas, contavam o estoque, organizavam caixas.
Procurou por alguns instantes e viu que Rogers estava numa tenda conversando com uma mulher alta, vestida com um uniforme militar.
− Essa deve ser a tal Agente Carter – falou para si mesmo, infeliz.
Não queria admitir, mas queria voltar para casa. Lá ele tinha Steve. Lá em Malibu eles tinham uma vida. Ele podia acordar tarde e perceber que Steve estava desperto, mas não havia levantado ainda só porque Tony estava dormindo sobre seu peito.
− Se existe um inferno na terra, deve ser esse lugar.
− Qualquer guerra é um inferno, camarada. – ouviu seu pai dizer ao seu lado, enquanto ele dava tapinhas em seu ombro. – Vem comigo.
Os dois foram caminhando até o centro de operações tecnológicas. O nome Stark brilhava do lado de fora de um ônibus pintado de verde musgo.
Entraram e Stark observou o laboratório do pai. Tudo o que precisava estava ali. Os assentos foram retirados e máquinas ocupavam seus lugares. Nas paredes havia várias ferramentas penduradas e sobre uma grande mesa estava a armadura de Stark. Assoviou.
− Incrível, não acha? – perguntou Howard.
− Devo dizer que superou minhas expectativas. Então, o que quer me mostrar?
− Eu terminei de consertar a parte mecânica da sua armadura. Demorei bastante, mas consegui. Já a outra parte, bem, eu não consigo mexer, então nem tentei.
Stark se aproximou e viu que seu pai dissera a verdade. A armadura estava toda montada novamente, as partes rachadas foram soldadas e não se via sinal de rachadura em lugar nenhum.
− Eu já sei, eu já sei – disse Stark – você quer ver como é vestir essa armadura.
− Achei que você não fosse tocar nesse assunto. Vai Tony, veste ela.
O moreno checou seu relógio de pulso e apertou um botão.
Num primeiro momento não notou qualquer movimentação estranha, até que de repente todas as partes se soltaram e voaram em direção ao seu corpo. As peças se encaixavam perfeitamente em cada parte dele, até ele estar completamente trajado com sua armadura.
− Senhor, achei que não fosse aparecer.
− Jarvis!! Como eu senti sua falta. Vamos lá, faça uma avaliação dos danos.
Howard olhava tudo maravilhado. Percebeu que o reator no peito de Stark alimentava a força do traje. Anotou essa informação mentalmente.
− Nenhum dano externo. Falha no sistema de desaceleração temporal. – respondeu o computador.
− Isso eu já desconfiava. O que precisa para fazer os reparos?
− Estudando as probabilidades. – disse Jarvis — Corrigir os algoritmos, refazer o equipamento.
− Ou seja, consertar tudo. – disse Stark, resignado.
− Sim, senhor.
Stark retirou a armadura e ela voou em partes em direção à mesa. Olhou para o pai, que esperava alguma manifestação de Tony desde que ele vestira o traje.
− Howard, meu amigo, teremos muito trabalho.
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