Os movimentos do caminhão onde estavam faziam Stark sentir uma leve dor dentro de seu peito. Ainda não havia se recuperado totalmente dos ferimentos, suas costelas quebradas doíam um pouco.

Junto com o pai, ele havia consertado a falha no sistema de desaceleração temporal da armadura. E juntos haviam chegado à conclusão que era um invento perigoso demais.

Se caísse em mãos erradas, podia causar danos irreparáveis.

Então combinaram que, assim que Tony voltasse para o seu próprio tempo, esse sistema seria destruído, assim como as anotações a respeito dele.

Fizeram um pacto, nenhum dos dois falaria nesse assunto a partir de então.

Agora Stark estava na carroceria de um caminhão, junto com seu pai, Steve, a Agente e outros três soldados. Eles se dirigiam para o último reduto do Caveira Vermelha na Europa. Stark olhava para o Capitão conversando com Carter. Pensou se devia alertá-lo do que estava por vir.

Se ele dissesse a verdade, talvez salvasse Steve de viver congelado por setenta anos. Ele não precisaria sofrer o martírio do congelamento. Poderia ter uma vida normal.

Mas se fizesse isso, Stark sabia, quando voltasse, ele não estaria mais lá. Teria que viver o resto da vida sozinho. Aquela vida vazia de ostentação e riqueza.

E nunca mais acordaria com os braços de Steve em volta do seu corpo.

Seus olhos se encheram de água e uma escapou pelo canto do olho. Secou-a com a mão, esperando que ninguém tivesse notado.

− Eu já entendi o que está acontecendo aqui – disse Howard num tom de voz baixo, só para Tony ouvir. – vai acontecer algo, não vai? Com o Capitão?

− V-vai – disse Stark, num fio de voz.

− E você pode evitar isso, mas está pensando se deve.

− Eu... é, é isso. Eu posso evitar, mas se eu fizer isso...

− Vai perder algo realmente bom?

Stark olhou para o pai, resignado. Ele era realmente inteligente.

− Está tão óbvio assim?

− Desde que eu toquei o braço dele na enfermaria, meu caro. – riu Howard – Só me explica uma coisa, como você conhece ele...

− Se eu nasci muito depois disso e vivo em outro século? – completou Stark.

− É, basicamente.

Era impossível negar a verdade ao pai. Ele devia ser mais cuidadoso, mas confiava no homem que iria se tornar seu pai dali a alguns anos. Explicou, resumidamente, toda a situação da batalha que logo se aproximava e o que aconteceria com Steve, no fim. Seu congelamento e como eles se conheceram.

− Eu não vou desistir de encontrá-lo, Anthony. – disse Howard, por fim. – Vou procurar o Capitão até não me restarem forças.

− Sei que vai.

− Faça o que achar que deve, é o único conselho que posso te dar.

Stark olhou novamente para frente. Steve caminhava em sua direção e Howard levantou, tentando dar alguma privacidade aos dois.

Se é que existe isso em um caminhão transportando gente.

Tony se deu conta que não devia ser egoísta. Steve não precisava se sacrificar. É verdade, Tony o amava mais que tudo no mundo. Mas queria que ele fosse feliz. Queria que ele tivesse uma vida. Uma vida numa época que ele pertencesse. Com alguém que o compreendia. Numa era em que ele não se sentisse um estranho.

− Steve eu preciso te falar uma coisa, uma coisa importante e...

Foi interrompido pelo olhar do Capitão. O loiro sentou ao lado de Tony. Respirou fundo algumas vezes.

− Olha, Jarvis. Eu andei pensando. Pensando muito. Realmente eu perdi preciosas horas pensando em toda essa situação. E acho que o que Howard disse cinco dias atrás faz sentido.

− Então, é sobre isso que eu quero falar – disse Stark, parecendo desesperado. – vai acontecer algo. Com...

− Para, não fala. Eu não quero saber.

− Mas por quê? – perguntou Stark, exasperado.

− Jarvis, eu não quero saber sobre o meu futuro. Eu quero viver um dia de cada vez. E se o que você me contar me atrapalhar nos meus deveres? Não, não me diga.

Stark se sentia cansado. Seu corpo doía, sua mente não funcionava mais. E a única coisa que conseguia pensar era em tocar as mãos de Steve, que repousavam sobre os joelhos do loiro.

− Sabe, quando você caiu do céu – continuou o loiro – os soldados que estavam comigo falaram que era para matar você. Na minha mente, eu sabia que isso era a coisa certa a fazer. Afinal, já tivemos muitas experiências ruins com coisas estranhas, podia ser mais uma máquina feita pelo Caveira Vermelha. Mas... eu não consegui. Não me pergunte como, nem por que, eu só não pude.

“Eu olhei pra você, indefeso, prostrado. A única coisa que eu conseguia pensar era te tirar dali e levar para um lugar seguro. Eu senti que era isso que eu devia fazer, porque senti que você era importante. Se eu não fizesse isso, seria como tirar minha própria vida. Não faz sentindo, não é? Eu nem o conheço, como poderia pensar algo assim?

Mas acho que fazer o que seu coração diz não requer da gente um esforço de nível mental. Requer só um pouco de coragem.”

Stark segurou o dedo mínimo de Steve com sua mão. Era a única coisa que se permitiu fazer, depois de ouvir tudo aquilo. Sua vontade era pular no pescoço de Rogers e beijá-lo até sentir dor, até perder a vida.

Mas o único gesto que fez foi segurar o dedo da mão direita do loiro.

− Se cuide. – disse o moreno, levantando quando o caminhão estacionou.

− Faça tudo isso fazer sentido, no futuro. – respondeu o loiro.

Notas finais
Pessoas lindas que tem acompanhando essa fic: muito obrigada. Mesmo. Próximo capítulo é o último *todos choram* Eu quero agradecer a tod@s vocês que me acompanharam até aqui. Peço desculpas se decepcionei alguns, se os capítulos foram curtinhos e tal. A ideia era ela ser curtinha assim desde o início xD Bjo e nos vemos semana que vem *---*