Fastio

A dor de um Deus


Morto.

Essa palavra ecoava em meus ouvidos pulsantes. Não era brincadeira. Seu olhar plúmbeo não deixava margens para dúvidas. Eu não precisava ler a sua mente para sentir a sua dor. Parecia excruciar ele por dentro.

Hao, Deus, aquele que julguei por tantos anos não ter um coração, me demonstrando sua faceta mais humana.

Era eu quem deveria sentir, mas era ele quem fazia chover agora. Cada gota pesada de chuva que caía sobre nossas cabeças refletia seu sofrimento.

Eu não tinha digerido suas palavras. Eu estava anestesiada.

— Vou chamar ele aqui. Vamos descobrir o que houve.- Tentei manter a minha parte mais sensata ativa.

Hao era Deus. Hao era o criador das artes divinatórias. Ele poderia trazer Yoh de volta dos mortos. Ele já havia feito isso uma vez.

Tirei o 1080 do pescoço, pronta para fazer a oração que chamaria seu espírito de volta quando Hao me olhou.

Se a dor possuía uma forma física, era a do seu olhar.

— Não existe um espírito para chamar, Anna. Ele se foi.

Tento computar suas palavras, mas tudo o que consigo fazer é soltar uma risada seca. O que ele queria dizer com isso? O que aconteceu a Yoh?