Fame
9 #09 Uma parceria cheia de faíscas
Kurt acordou no outro dia como se iniciasse a mais doce primavera. Um sorriso brotou em seu rosto de um modo que há anos não aparecia por ali. O motivo foi apenas se lembrar do dia anterior em que foi destaque no concurso que mais trabalhou (é claro que Blaine havia se destacado tanto quando Kurt, mas isso não tirava o mérito do castanho, certo?). Kurt saiu de seu quarto de hotel e correu até o quarto de Quinn, ignorando ainda estar de pijama ou com os cabelos revirados.
— Quinn, acorde. É um lindo dia, o sol brota lá fora e estamos prontos para nos aventurarmos nessa cidade cheia de duendes e potes de ouro no fim do arco-íris e...- Kurt brincava sobre a Irlanda enquanto cantarolava, porém só se deu conta de que tinha entrado sem avisos no quarto da loira depois do que viu.
Rachel e Quinn o olhavam com uma cara de espanto, porém divertida. Kurt engasgou antes de falar alguma coisa e desistiu na metade do caminho. Ainda com o olhar sobre as duas meninas escondidas debaixo de uma coberta, deu alguns passos para trás e saiu do recinto. Não haviam motivos para ficar bravo com Quinn, afinal, tinha invadido sua privacidade.
Resolveu tomar um banho, se arrumar e descer para um café da manhã. Nada poderia estragar seu dia hoje.
A loira, depois do acontecido, resolveu dispensar Rachel e passar o resto do dia com o amigo e chefe. Ambos combinaram de passear pela cidade antes de comprar a nova passagem de volta para Nova Iorque. Embora o plano fosse muito bom, os amigos acabaram voltando mais cedo para o hotel porque Kurt estava cansado de passar o dia inteiro sozinho, já que Quinn não saía do telefone tratando de negócios. O mais estranho era que sempre que ligavam era a Pegasus querendo contratar Kurt para novos photoshots, capas de revistas e entrevistas.
Se antes Kurt já era conhecido, conseguia ser ainda mais.
[...]
Blaine chegou em Nova Iorque e a primeira coisa que fez ao chegar em seu apartamento foi colocar uma roupa esportiva e ir até o Central Park para dar uma corrida.
Adorava o ar batendo em seu rosto, e achava aquele o único lugar da cidade onde o ar talvez fosse puro. A adrenalina de sentir todos os músculos do seu corpo trabalhando era de se entrar em extase e o modelo corria ainda mais conforme ficava mais cansado. Seus olhos encaravam o mundo que passava ao redor conforme suas pernas percorriam a imensidão daquele parque. As crianças correndo sobre a pouca neve das folhas e os casais apaixonados compartilhando apenas uma cachecol... Quando Blaine se deu conta, havia corrido metade da extensão do parque, e resolveu parar alguns minutos para descansar. Sentou-se em um banco e pegou seu celular, respondendo as últimas mensagens que havia recebido.
— Blaine? - Disse uma voz conhecida.
— Oi? - O moreno deslizou os olhos sob o homem em sua frente, mas nem se importou em forçar a memória para se lembrar quem era. Talvez fosse apenas um fã que pediria por uma foto.
— Não lembra de mim? — Jeff, da faculdade.
— Jeff! - Blaine abriu um sorriso enorme e abraçou o amigo que há tempos não via. O loiro se sentou ao lado do modelo e continuaram a conversa. - Pensei que você estive morando no Texas com sua família.
— Eu estava, mas resolvi sair do ninho, me aventurar, entende? Sempre achei que Nova Iorque fosse meu lugar, e mesmo não tendo seguido a profissão pra qual estudei, acho que terei bastante chances aqui.
— Pois é, de músico acabei me tornando modelo. Sorriu ao amigo.
— E quem diria que Jefferson Thobias Harvelle II, aquele nerd que compunha cinco partituras a cada intervalo, seria promotor publicitário? Gargalhou. — Talvez se tivesse seguido profissão e fosse um músico com um violoncelo ao lado da fonte do Central Park, conseguiria mais trabalhos que esse. - Blaine acompanhou o amigo na risada, porém parou segundos depois percebendo algo que estava à sua frente.
— Ei, isso é ótimo!
— Não, não é, cara. - Jeff continuava gargalhando, adorando o tempo que estava passando com o antigo colega de faculdade. - Acabei de entregar alguns currículos na Pegasus e na Orient, mas nenhuma delas parecia ter vaga... Ou pelo menos interesse em mim.
— Não, é isso. Eu preciso de um promotor publicitário e agente, e você precisa de emprego. Você trabalharia com seu melhor amigo de faculdade e com um dos modelos mais influentes na mídia hoje em dia. E tenho certeza que eu trabalharia com um dos caras mais dedicados de todo o estado.
— Você tem certeza, Blaine? A-acabamos de nos encontrar.
— Eu tenho a mais absoluta certeza. - Sorriu. - Acabei de voltar da Irlanda e tenho esse grande desfile pela frente, eu não tinha nenhum agente porque achei que daria conta, mas ficou claro que não. Seria a combinação perfeita.
— Eu nem sei o que te falar! - O loiro havia adorado a ideia. É claro que ninguém recusaria um emprego de Blaine Devon Anderson, ainda mais alguém que estivesse desesperado por um. O receio do loiro logo foi embora e se sentiu à vontade ao lado do novo chefe. - Não sei nem por onde começar.
— Eu te passo os detalhes. - Blaine sacou seu celular e começou a mostrar para Ed, em pelo Central Park, os e-mails que recebia e como tratava desses assuntos. Ficou feliz por ter saído cedo para correr, porque havia recebido o melhor presente que poderia receber: um agente e um melhor amigo em uma pessoa só.
Passaram a tarde inteira praticamente juntos. Almoçaram em um dos restaurantes mais chiques que Jeff já havia entrado e conversaram sobre todos os assuntos que brotaram em suas cabeças, e nunca se cansavam. Era perto das sete horas quando seguiram até o apartamento de Blaine para Ed pegar alguns contratos de Blaine com outras empresas e revistas.
— Uau, cara. - Disse ao entrar pela porta do apartamento de Blaine, na cobertura. O modelo apenas sorriu e seguiu até um canto da sala onde tinha uma mesa de escritório cheia de papeis.
— Talvez você queira arrumar isso aqui na ordem, não sei. Sou daqueles caras que são organizados em sua bagunça, sabe? - Dizia enquanto encarava aquele monte de papéis como se soubesse exatamente onde encontrar uma folha específica.
Ed teve a intenção de dizer alguma coisa, mas foi interrompido por seu celular. Pediu licença ao amigo e atendeu a ligação. Ficou alguns minutos no telefone respondendo alguns "sim, tudo bem, ok" e terminou a chamada com um "muito obrigado, mas já estou trabalhando com alguém", a firma pediu desculpas e falou que continuaria com a vaga caso Jeff precisasse. Desligou o telefone e encarou Blaine que o olhava curioso.
— Era a Pegasus. - Disse o agente colocando o celular no bolso da calça. - Aparentemente eles vão despedir a promotora publicitária da agência e se interessaram em mim. Ficaram tristes que estou trabalhando, mas gostaram dos meus trabalhos e esperam que caso não dê certo no meu futuro emprego, eu entre em contato. - Disse sorrindo para o amigo. - Mas qual é, quem iria desperdiçar a chance de trabalhar com um cara que mal consegue arrumar uma pilha de papéis? — Brincou.
— Você disse Pegasus?
— Sim, por quê?
— É a agência que Quinn trabalha... - Blaine arregalou os olhos instantaneamente. - Oh, isso pode ser muito ruim.
.:.
— Mas eu... - Quinn andava de um lado para o outro enquanto estava no telefone. Kurt revirou os olhos por ter conseguido ficar apenas alguns minutos com a loira o dia inteiro. A Fabray estava nessa ligação há alguns minutos, mas seu tom não era mais o mesmo da tarde. - Entendo. Mas eu tenho me dedicado tanto, e consegui tantos patrocínios para a empresa... Bom, tudo bem. Obrigada por avisar, Blaine. Você salvou minha vida! — Sorriu sem graça para a
parede que encarava. Kurt apenas levantou a cabeça quando ouviu o nome do rival. - Peça pra ele entrar em contato comigo, tudo bem? Vou ver o que consigo fazer... Tudo bem, tchau. - E desligou o aparelho, sem coragem de encarar Kurt nos olhos.
— Blaine, huh? Além de namorar a Streisand você ainda está de amizade com Blaine? - Perguntou um pouco orgulhoso, sem notar a feição triste que Quinn fazia.
— Eles vão me demitir. - Disse finalmente encarando Kurt. Tinha os olhos marejados, mas nenhuma lágrima caía. - A Pegasus.
— Oi? - Kurt se levantou do sofá rapidamente e foi até a amiga. - Por que eles fariam isso? Blaine te contou? Como ele sabe? Aposto que isso deve ser alguma coisa dele e... — Quinn o interrompeu.
— N-não sei, mas a Patrice dos Recursos Humanos já havia dito que estavam contratando novas pessoas e que mesmo as de mais confiança iriam embora, porque a empresa quer reinventar, algo parecido. - Dizia com a voz vaga, olhando no fundo dos olhos azuis do homem. — Blaine disse que ligaram para seu agente e ofereceram minha vaga de emprego, que eles recusaram mas... Kurt, eles podem oferecer à uma pessoa que não vá recusar!
— Quinn, olhe pra mim. - O garoto segurou o rosto da loira com as duas mãos, fazendo seus olhos verdes o encararem. - Você é a melhor que aquela empresa pode ter. Não estou gastando todos os meses milhares de dólares neles porque você é minha amiga, mas porque você é boa! Você conseguiu os melhores modelos, promoções publicitárias e capas de revistas para aquela empresa de um jeito que ninguém conseguiu... Se eles te demitirem, serão ou idiotas ou loucos.
— Ou talvez os dois juntos. Sorriu amarelo, abraçando o amigo.
— Precisamos pegar uma dessas propostas que você recebeu e fazer dela a proposta, entendeu? Assim eles não poderão te dispensar. - Quinn assentiu com a cabeça enterrada na curva do pescoço do melhor amigo. — Pensarão duas vezes nesse assunto quando virem o sucesso que iremos fazer e onde o nome Pegasus irá ficar. - Sorriu sincero.
— Eu, às vezes, te amo. — Quinn gargalhou baixo.
— Só as vezes. — Kurt assentiu e apertou o abraço.
[...]
Quinn respirou fundo assim que as portas do elevador se abriram e com seu salto alto caminhou firme até sua sala. A chuva era forte e ecoava pelos corredores. Pôde sentir o olhar de seus subordinados sobre si, certamente perguntando quem iria substituir a Fabray assim que ela fosse embora.
— Tiffany, algum recado pra mim? - Perguntou à secretária ainda tentando manter a pose. Era claro que todos ali sabiam que ela iria pra rua, mas ninguém precisaria saber que a loira estava temente à decisão. Ela passaria por cima, sempre fazia isso.
— Não, Srta. Fabray. Apenas o agente do Sr. Anderson te espera na sala de
conferências. - Quinn assentiu e entrou na sua sala. — Assim que fechou a porta atrás de si, se encostou na mesma, fechando os olhos e esperando esquecer todos aqueles olhares sobre si. Não sabia porque o agente de Blaine a esperava, uma vez que descobrira que Blaine tinha um dias atrás.
Deixou sua bolsa na sala e foi até a sala de conferências, encontrando um loiro o esperando.
— Srta. Fabray, sou Jefferson Harvelle, agente do Sr. Anderson. - Apertou a mão da moça por alguns segundos, impressionado com a beleza de Quinn.
— Então você é o cara que a Pegasus queria contratar para ficar no meu lugar... — Sorriu sem graça para o homem em sua frente e se sentou, fazendo sinal para o outro agente ficar à vontade e fazer o mesmo.
— Não me entenda mal, eu... - Ed tentava achar alguma desculpa.
— Está tudo bem. - Sorriu sincera. - Apenas fico surpresa em vê-lo aqui. Digo, se você conhecer mesmo Blaine, saberá que ele e Kurt se odeiam. Não entendi ainda a razão de sua visita.
— Eu, Blaine e Rachel conversamos. - Quinn sentiu uma pitada de ciúmes ao perceber que todos chamavam sua namorada de Rachel, e apenas ela a chamava de Barbra. Queria entender porque Rach não lhe dava a confiança de lhe chamar pelo primeiro nome. - Eu olhei, você faz um ótimo trabalho aqui. - Tirou algumas folhas da pasta marrom que carregava consigo. - E por mais que nossos clientes sejam inimigos, eles precisam trabalhar juntos para a conferência de Paris. Seria algo enorme para a Pegasus.
— Estou escutando. Disse interessada na conversa do loiro.
— Estou trabalhando com Blaine por apenas alguns dias, e já recebi propostas publicitárias de um cargo enorme para a carreira de Blaine, mas todas sempre vinham com um bônus, um pedido... - Quinn o interrompeu.
— ...Todos querem que ele faça o trabalho com Kurt.
— Sim, como você sabe?
— Estou passando pela mesma situação desde que nossos garotos ganharam aquele destaque no desfile do Mr. Portter. - Sorriu para as folhas na mesa, entregando-as novamente para Ed. - Você não precisa me falar que sou boa no que faço, porque isso eu sei. Apenas me fale porquê você está aqui.
— Proponho uma parceria, por um pequeno tempo. Se Kurt e Blaine são um estouro sozinhos, imagina o que podem fazer juntos. Revistas, programas de tv, anúncios... Minha proposta se encerra na conferência, e é uma ótima forma de mostrar à Pegasus que você ainda está com tudo em cima.
— O que ganho com isso? - Cerrou os olhos, isso cheirava à trapaça.
— Sei que pode estar parecendo um golpe, ou alguma coisa para tirar Kurt do topo e colocar apenas meu cliente, mas acredite, não somos assim. Estamos dispostos à aceitar apenas metade do que geralmente aceitamos dos pagamentos, o resto vai à Pegasus. É uma oportunidade em muitas, Quinn.
— Eu não preciso de caridade.
— N-nós sabemos. Estou fazendo isso pela carreira publicitária de Blaine. Se ele ganha, eu ganho. Não trabalho para uma agência, o Sr. Anderson tem um agente por si próprio. Kurt precisa disso mais do que você.
— Eu sei. - Passou a mão pelos cabelos comportados, ponta para aceitar a proposta do loiro. - Faremos assim, faremos um contrato de alguns meses e veremos se funciona, digo, Kurt e Blaine mal conseguem ficar ao lado um do outro sem discutirem... Se essa pequena experiência der certo, não vejo porquê não tentar. — Disse enquanto mexia os dedos impaciente debaixo da mesa.
— Você está fazendo a coisa certa.
— Espero que sim. - Sorriu e pegou o contrato que Jeff tirava da pasta, lendo letra por letra. Kurt provavelmente a mataria por isso, mas era seu emprego que estava em jogo. Sua glória, sua reputação. E se todos conhecemos Quinn, sabemos que ela liga pra isso mais do que qualquer coisa.
E ali se viu a loira, com uma caneta ponta fina em mãos, assinando um contrato que tratava da vida de seu beneficiário, Kurt Hummel, sem ao menos pedir a opinião do modelo. Talvez seu impulso não trouxesse tantas coisas boas como a loira pensou que traria. Ed sorriu abertamente e guardou os contratos, apertando a mão da loira e saindo da sala rapidamente para levar os documentos ao cartório.
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