Falling in Real
33 Passionate fools?
Notas iniciais
P.O.V Ally
Abro meus olhos ainda atordoada com o fino raio de Sol que adentrava meu quarto pela janela. Antes de poder lembrar de qualquer coisa, sinto um peso em minha barriga. Retiro lentamente o cobertor para poder ver uma mão. Ah, uma mão.
Uma mão?!
Sinto uma profunda respiração em minha nuca e me arrepio. Viro-me lentamente e vejo um tufo de cabelos loiros rebeldes. Os acontecimentos da noite anterior me atingem de forma brusca. Meu coração se aperta. Eu poderia ter sido estuprada.
Sacudo a cabeça para levar meus pensamentos longe. Encaro os fios loiros novamente e retiro-os dos olhos de Austin.
O garoto dormia como um bebê. Tranquilo e intensamente. Era uma sensação maravilhosa admira-lo sem corar. E por mais que seu rosto prende-se minha atenção, percebi algo que agora, me fizera corar:
Ele estava sem camisa.
Austin estava sem camisa.
Rapidamente confiro se meu pijama ainda estava em meu corpo. Nada poderia acontecer, certo?
Pijama, confere.
Relaxo meu corpo tenso com a dúvida maliciosa.
Volto a encarar o começo de seu peito nu. Era possível perceber os músculos que, pelo jeito, estavam por todo o seu peitoral. Sorri com o pensamento, porém logo me senti pervertida. Era errado pensar assim do seu amigo perfeito?
Em dúvida decido-me levantar e ir tomar banho. Pego minhas roupas e tranco a porta.
Dispo-me do short e da blusa, sobrando apenas das minhas roupas de baixo. Antes de retira-las ouço um grito vindo de meu quarto. Enrolo-me em uma toalha e abro a porta, a tempo de ver Jake empurrar Austin até a parede, derrubando meus quadros.
–Larga ele, Jake! — Grito em desespero.
Ele me encara, me analisando dos pés a cabeça para, então, cair ao chão boquiaberto.
P.O.V Austin
Ouço um grito alto, me fazendo cair da cama. Abro meus olhos a ponto de ver Jake agarrar meu pescoço e me jogar contra a parede. Sinto minha cabeça rasgar.
–Larga ele, Jake! — Grita Ally do banheiro.
Nós dois encaramos a garota enrolada em uma toalha grossa. Jake cai no chão ao analisa-la.
–Ally... Você... Não...? — Balbucia ele, apavorado.
Ally corre ao seu lado e começa a dizer, desesperada:
–Nada aconteceu, Jake! Ele só dormiu aqui. Nada mais. Nós só dormimos. Os dois de roupa. Nada aconteceu, ok? Nada!
–Nada — Falo, passando a mão pela cabeça, pegando o sangue com minhas mãos.
Ally encara minhas mãos ensanguentadas e corre ao meu encontro, largando Jake, e sua toalha no chão.
Austin, sua cabeça! — Ela pega uma camiseta no chão e pressiona sobre o corte. Arde. Muito. Infinitamente.
–Vó! Vó! Corre aqui! — Grita ela.
Sinto minha visão começar a escurecer. Com o olhar para baixo, encaro suas coxas, salientes e redondas. Acabo já sem visão. Desmaio.
(...)
–Você bateu nele, Jake! — Ouvia Ally dizer, mas bem distante.
–Ele estava na sua cama! Semi-nú!
– Ele só dormiu aqui!
–Na sua cama, Ally!
–Olha Jake... – Dizia furiosa.
–Fiquem quietos! Isso não está ajudando em nada! Já temos muitos problemas, não acham?! Seu pai, sua mãe e agora Austin! – Disse a avó a tempo de eu abrir os olhos para ver a cena.
Ally encontrava-se vermelha assim como Jake. Vestida agora com shorts e uma regata.
Eles se encaravam com fúria, tensos e rígidos. Ally parecia querer atacar o irmão, apertando a mão fortemente. Percebo que estou no sofá da sala e ao tentar me levantar dele, chamo a atenção dos outros, que me encaram, cada um de uma forma diferente: preocupado, aliviado, surpreso, raivoso...
–Aus! – Diz Ally vindo ao meu lado e pegando em minha mão. – Como se sente?
Sorrio para ela, tentando tranquiliza-la:
–Só com um pouco de dor de cabeça.
–Não é para menos, jovem, sua pancada foi feia, porém, além do sangue, nada é realmente preocupante. – pronuncia-se Maria. – O corte não foi grande, e já colocamos gelo para desinchar. Só falta eu colocar uma faixa sobre o local, e, logo você estará bem.
Olho agradecido para Maria que sorri, tímida.
Encaro Jake, que me evitava e digo:
–Jake, precisamos conversar.
–Nem tente, Moon.
Respiro fundo e começo:
–Nada aconteceu, ok? Nada.
–Olha, Moon, você não está em condições de tentar me desafiar.
–Nada, na verdade, nunca aconteceu. Nunca.
–Cale a boca Moon.
Eu me levanto vou até a sua frente. Sinto meu sangue correr mais rápido.
–Não. Eu não vou me calar, ou parar. Escute. Tudo o que você fez esse tempo todo foi transformar a vida da Ally em uma prisão. – Ally chama meu nome, mas ignoro. – Todos esses anos, não deixou ela viver. Ter suas próprias experiências, amigos. Você espantava todos. E tenta fazer o mesmo comigo. Mas escute bem isso: — digo aumentando meu tom de voz e encarando Jake nos olhos. – eu não vou deixa-la. Não vou desrespeita-la e muito menos fazer algo sem o consentimento dela. E não importa o quanto você me machuque, eu já disse, eu não vou me afastar dela.
O olha superior dele sobre mim era perceptível, assim como a tensão na sala, que só foi quebrada com o alto barulho do telefone.
Após alguns segundos, a avó atende. Ela conversa um pouco até desligar o telefone com um: “muito obrigada, estamos a caminho.”.
–Era do hospital. Precisamos ir.
P.O.V Ally
Os dizeres de minha avó fizeram com que meu corpo todo parasse por um segundo, para voltar em seguida, a toda velocidade. Logo, já estava eu dentro do carro em movimento, nervosa, apertando a mão de um Austin enfaixado na cabeça.
–Calma Ally, vai estar tudo bem. – Diz suave. – Diferente da minha mão...
Olho para a mão dele, já levemente roxa e a solto, culpada.
–Me desculpe Austin... – Digo baixo.
–Ei. – diz levantando minha cabeça. – tá tudo bem, tudo bem.
Ele beija meus cabelos e me aconchego em seu peito.
Ouço Jake, do volante, tossir indiscretamente.
–Concentre-se na rua, meu filho. – Diz meu avô. – Eu fico de olho neles. – Ele diz, ao nosso lado, fingindo ciúmes, depois piscando para nós. Criando então, gargalhadas contínuas por parte de todos, com exceção de, é claro, Jake.
Assim que chegamos ao prédio branco, agarro novamente a mão de Austin, e, ao querer sair, ele me segura e diz:
– Eu não posso ir. Está vendo aqueles caras na porta? – Fala apontando. – São repórteres de revistas teen. Devem estar aqui por causa da última vez. Não posso arriscar sua segurança.
–Então o que fazemos? – Pergunto.
–Eu fico aqui. Você vai, e depois me conta.
–Mas...
–Eu não sou da família mesmo.
–Aus...
–Vai, Ally. Vai ficar tudo bem, eu prometo. – Diz encarando meu olhos.
–Não faça promessas que não pode cumprir. – Rebato, saindo do carro, fechando a porta.
Ele sorri pela janela, e a fecha. Deixando impossível sua visão.
Respiro fundo e acompanho minha família. Ao passar pelos repórteres, os encaro rapidamente, mas não o suficiente para que tenham me visto.
...
O médico nos recebe contente e logo nos tranquiliza. Nos leva até uma grande janela, que possibilitava ver um jardim com mesas. Lá estava então, minha mãe e meu pai, rindo.
–Ele foi até o quarto dela para conversar sem sabermos. Quando vimos, eles já estavam aqui. – Diz o médico.
Continuava a encarar eles. Pareciam tão felizes.
Jake vem ao meu lado e põe a mão em meu ombro.
–Eles parecem com você e Austin. – Diz.
O olho confusa e antes de falar ele suspira.
–Dois bobos apaixonados. – Ele me encara, indecifrável. Respondo seu olhar como se pedisse por algo. Ele sorri fraco e me abraça. Vamos embora após ver meu pai dar seu único sorriso verdadeiro em anos.
...
Ao entrar no carro, a primeira coisa que faço é olhar para Austin.
–Eu disse que ficaria bem. – Diz.
Sorrio e continuo a encara-lo. Ele sorri e pergunta:
–Está tudo bem, Ally?
–Acho que Jake pode estar certo.
–Sobre...? – Diz curioso.
Não respondo. O abraço. Ele corresponde.
Sobre o ombro de Austin, olho meu irmão, que nos encarava triste. Sorrio para ele, verdadeiramente. Ele encara por um segundo o chão e depois sorri fraco, acenando positivamente com a cabeça.
O carro começa a se movimentar e a única coisa que percebo depois são os minúsculos, talvez imaginários, corações que voavam pelo carro.
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