Fairy Tail: Vida Noturna
6 Amizade à Prova
Notas iniciais
Pov. Loke
Quando Cana parou de conversar com o segurança e estava se afastando, surgi em sua frente e a puxei para um canto.
– O que é isso?! – assustou-se.
– Calma. Está muito ocupada essa noite? – falei sorrindo com malícia.
– É sério? – ela perguntou indignada.
– Que foi? – questionei, não entendendo a situação.
– Humpf, você só quer alguém para transar, Loke.
– Mentira! — gritei. – Ô, Cana, você está sendo injusta comigo. — falei.
– Você é o maior babaca que eu já conheci.
– Ei, não precisa ofender! – retruquei. – É sério, Cana, essas garotas aqui não são nada, comparadas a você. – continuei.
– Olha, eu não tô muito legal hoje. – ela avisou.
– Talvez dar uma chance pro Leozinho aqui faça sua noite mais animada.
– Leozinho?! – ela riu. — Cara, você deve estar muito desesperado mesmo. – debochou.
– Ha ha. – falei sem graça. – Então?
Cana ficou um pouco pensativa e, então disse:
– Quarto 10, me espera lá. Vou pegar uma bebida.
– Beleza. – concordei e fiquei olhando ela se afastar para o bar. Realmente, ela era totalmente equipada.
Passei pela cabine do DJ e fui em direção aos quartos. O quarto 10 era quase no final do corredor. Entrei e fechei a porta. Pensei em fazer uma coisa bem legal, por que a Cana era legal com todo mundo, mas vivia sempre meio excluída e os caras com quem ela transava sempre queriam só comer ela mesmo, porque ela era muito gostosa.
Desliguei a luz e tirei minha camisa. Corri para o banheiro colocar a camisinha, voltei e me escondi para pega-la por trás quando entrasse no quarto. Não literalmente. Deixei a luz do banheiro ligada, como uma isca.
Uns cinco minutos depois a porta foi aberta e Cana entrou com um copo na mão.
– Ué? – falou olhando o quarto vazio e escuro. – Loke? – chamou. – Leozinho? – brincou. Ela largou o copo em cima de uma mesinha que tinha mais na parede e foi andando em direção a luz ligada.
Rapidamente, sai do lugar onde eu estava, peguei o copo em cima da mesinha e fui atrás dela no banheiro.
– Será que ele se enganou na hora de pegar o quarto? – questionou-se.
– E eu sou o tipo de homem que se engana, Cana? – flertei dando um gole na sua bebida.
Achei que ela fosse ficar surpresa ou coisa parecida, mas única reação que teve foi:
– Ei! Você pegou a minha bebida!
– Sim. – falei.
Então, em seguida, ela rouba o copo e saí bebendo.
– Ok. Deita aí, então, Loke. Ou melhor, Leozinho. – mandou apontando para a cama.
– Ahn? – falei confuso.
– Não é sexo que você quer? Deita aí. Ou você pretende fazer em pé? É meio complicado, mas dá. – perguntou com ironia.
– Não, Cana! – gritei bravo.
– Não, o que?
– Caramba, Cana. Tá certo que eu tô muito a fim de transar com você, só que eu tô tentando fazer uma coisa legal e você quer terminar isso de uma vez como se fosse uma prostituta.
– Você quer que eu faça o que, então?
– Você tem que fazer o que você quer, não o que os outros querem que você faça.
– Eu não tô te entendendo, Loke. Além do mais, essa discussão vai estragar nosso clima.
– Já estragou, Cana. – falei colocando a minha camisa de volta.
– O que você tá fazendo? — perguntou indignada.
– Estou me vestindo.
– Qual é o seu problema?
– A gente não tá no clima.
– Você não queria que eu transasse com você?
– Sim, eu queria. Há muito tempo que eu queria, mas você só tá aceitando por aceitar. Por que você acha que eu escolhi você? Tá, eu podia ter escolhido outras garotas, mas você é gostosa pra caralho. Eu escolhi você porque você é gostosa, tá é o meu motivo. E o seu? É tipo: “Ah! Um cara quer transar comigo, tá que seja, vou lá e já volto”.
– Sinceramente, eu não tô entendendo o seu drama.
– Como você aceita ser tratada como uma puta? – resumi.
– Como é que é?
– É isso mesmo! Eu pensei que, como eu era seu amigo, a gente podia fazer uma coisa legal. Mas eu não imaginei que você era masoquista, Cana. Eu não vou fazer isso com você se for para ser desse jeito. Você é minha amiga, e eu me recuso a tratar você assim. – falei enquanto ficávamos nos encarando um de cada lado do quarto.
Depois de um tempo, ela disse:
– Os caras com quem eu transo nunca voltam. São apenas ficantes. E eu agradeço por isso. Eu não quero me apegar a ninguém. Eu só ia transar com você por que eu te conheço há um tempo e achei que não tinha problema nisso.
– Outro dia, quem sabe. Eu ainda não deixei de te achar gostosa. – brinquei. — Só que as garotas que eu pego também querem me pegar.
– Tudo bem.
– Vamos voltar para o salão? – perguntei.
– Não. Vou arrumar o quarto para os próximos.
– Mas a gente nem usou. – retruquei.
– Você amassou os lençóis. É só para deixar bonitinho o quarto.
– Ok. – falei. Dei um beijo na sua bochecha e sai do quarto.
Fim Pov. Loke
Pov. Cana
Assim que Loke saiu, eu fui para o banheiro e fiquei me encarando no espelho.
Será que eu era mesmo assim?
Lembrei da expressão no rosto de Laxus ao olhar para Mirajane, tão protetor. Era assim que Loke me olhara, apesar de ser tão safado, naquela hora ele me surpreendeu. Nunca nenhum homem tinha voltado atrás na decisão de ir para a cama comigo.
Tudo o que Leo dissera ficava ecoando na minha mente:
“Eu não vou fazer isso com você se for para ser desse jeito. Você é minha amiga, e eu me recuso a tratar você assim.”
Me deixei escorregar pela parede até o chão.
Quando que eu me tornei tão parecida com uma prostituta?
Mas eu não sou masoquista. Eu não gosto de ser maltratada.
Peguei meu telefone e liguei para meu pai.
– Alo? – ele atendeu depois de vários toques.
Geralmente ele atendia minhas chamadas no primeiro toque, mas quando estava transando ele demorava um pouco mais.
– Oi, pai. – falei.
– Oi, Cana, tá tudo bem aí na Fairy Tail? Você tá bem? – perguntou.
– Sim, tá tudo bem aqui. Só dá pra você vir aqui tomar conta das coisas? Eu não estou me sentindo muito bem. Acho que eu comi alguma coisa estragada. — menti.
– Alguma comida que nós servimos?
– Não, acho que foi da nossa geladeira.
– Ah, bom. Ok, estou indo para aí. Quinze minutos.
– Não! – falei. – Vem mais rápido, eu não estou bem. Acho que eu vou vomitar. – coloquei pressão.
– Tudo bem, tudo bem, filha. Eu já estou indo! Cinco minutinhos! Cinco minutinhos! – gritou do outro lado da linha e imediatamente desligando o telefone.
Fim Pov. Cana
Pov. Gray
– E você? Já pegou alguém hoje? – perguntei para Lisanna enquanto observávamos Bickslow se amassando com a garota de cabelo rosa. Eu me perguntava por que que eles não iam para um quarto. Era quase um sexo em pé que eles estavam fazendo.
– Eu não. — ela riu. – E você?
– Já, mas nada como aquilo ali. – apontei para Bick e a peguete.
Lisanna riu, mas logo voltou a ficar séria.
– O que que você tem? – questionei. Nós tínhamos ficado sozinhos depois que Loke e Natsu foram tentar a sorte.
– Nada. – respondeu ela um pouco surpresa. – Por que?
– Você não tá dançando, tá quietinha. Bebendo... – ressaltei. Lisanna raramente bebia. Raramente mesmo. Até porque ela era menor e Mirajane não achava seguro.
– Não tem nada de errado. Sério.
– Ah, vai. – ironizei. – Olha, se não quiser me contar, tudo bem. Mas você devia ficar chateada outra hora, porque nós estamos aqui para aproveitar! – falei erguendo o copo.
– Tem razão. – ela concordou sorrindo. – Vem, vamos dançar! – chamou puxando a minha mão.
Quando estávamos indo para a multidão, fomos barrados por uma Mirajane bastante preocupada.
– Lisanna! Eu estava te procurando! Está tudo bem? – perguntou agarrando a mão da irmã.
– Está, sim, Mira-nee. Eu estava indo dançar com o Gray.
A expressão de Mirajane mudo de preocupara para aliviada, e logo em seguida para preocupada de novo.
– Como conseguiu bebida? – perguntou Mira reparando no copo na mão de Lis.
– Ah... Eu pedi para os garotos pegaram para mim, eu estava com sede... – mentiu. Eu que tinha pagado a bebida para ela.
– Que garotos? – questionou Mira ainda mais preocupada. – Eu sabia que não devia ter deixado você sozinha!
– Olha, Mira... — comecei a intervir, mas fui interrompido.
– Irmã! Eu estou bem! Eu não sou maior de idade, mas eu posso muito bem cuidar de mim. Agora, aonde você estava?
– Eu... Err... Eu... – gaguejou. – Estava conversando com a Cana.
Mentira, pensei. Loke estava com a Cana. E mesmo que ela tivesse rejeitado ele, não teria sido tão rápido.
– Me dá licença agora, que eu vou dançar. Até. – finalizou Lisanna com uma seriedade espantosa e me puxou pelo braço para dentro da multidão. Ou paçoca, como Bickslow chamava.
Fim Pov. Gray
Pov. Loke
Encontrei Gray dançando com Lisanna e a principio não consegui controlar a malicia e a risada. Mas depois notei que eles estavam na maior inocência do mundo e resolvi nem falar nada.
Eu só queria contar para o Gray o que tinha acontecido no quarto 10, então cheguei rápido e perguntei para Lis se podia roubá-lo um minutinho.
– Cara? O que que foi? Vocês já...? — ele perguntou espantado com a minha aparição.
– Nem, cara.
– Ela te deu um pé na bunda?! – gritou às gargalhadas.
– Não, seu idiota! – gritei dando um tapa na sua cara. – Porra, cara. – xinguei.
– Tá, então me conta.
– Eu não consegui. – falei de uma vez. Depois notei que isso soou meio gay, mas era verdade.
– Você o que...?
– Não, cara. Não foi assim. Tipo, ela parecia uma prostituta, entende. Eu pensei em fazer alguma coisa legal, porque todo mundo só quer comer ela e vazar, eu tava esperando que houvesse aquele amasso antes, sabe? Tipo uma química, entende? E daí ela olha pra mim e diz: “Tá, deita aí”.
– E...?
– E depois ela falou: “Não é sexo que você quer? Deita aí. Ou você pretende fazer em pé? É meio complicado, mas dá”. – acrescentei.
– Eu não tô te entendendo, Loke. – disse.
– Cara! – eu gritei. – Ela tava agindo que nem uma prostituta! Não parecia a Cana, entende? Tá certo que ela continuava gostosa, mas era como se ela tivesse me fazendo um favor! Como se fosse obrigação dela transar comigo.
– Mas você não queria? – Gray insistiu fixado no que eu falava.
– Eu queria! Eu tava atraído por ela! Mas parecia que ela não tava atraída por mim.
– E você perdeu uma oportunidade de ir pra cama com a mulher mais gostosa daqui?
– Antes disso ela é minha amiga, Gray! E sua amiga também! – acusei pegando-o de surpresa.
Ele parou um instante, e depois concordou:
– É, tem razão. – tomou um gole da bebida e acrescentou: — Mas isso não combina com você. – depois de outra pausa ele começou a arregalar os olhos e um sorriso rasgou sua boca que antes estava séria. – A não ser...
– A não ser...? – repeti.
– A não ser que alguém esteja apaixonado pela filha do Gildarts!
– Masoque?! – gritei. – Cara, você é muito pau no cu. Cala essa boca. – xinguei.
Fim Pov. Loke
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