Notas iniciais
...Eles vão conversar... Depois, será que vão relaxar?! Mais uma vez, valeu pelas ideias gente!

Félix olhou para todos os cantos do quarto. Lembrou o que havia acontecido e deitou no colo de Niko.

– Félix, tem alguma coisa que você não me falou?

Félix suspirou profundamente e levantou a cabeça, encontrando seu olhar com o de Niko.

– Ah carneirinho, parece que você enxerga através de mim!

– Félix, os olhos são o espelho da alma! E os seus refletem uma pontinha de angústia! Me diz o que está acontecendo?!

Félix desviou o olhar por um instante. – Carneirinho... Quando... Quando eu fiquei aqui preso por aquele bandido... Eu me senti vulnerável... Se fosse antes, eu não teria medo de uma arma apontada para minha cabeça, mas, agora... Agora, eu tenho você, tenho nossos filhos, tenho uma vida que eu nunca sonhei ter... Sabe, antes de tudo, eu estava dormindo aqui e sonhando com você!

– Comigo, Félix?

– Sim carneirinho... Eu sonho muito com você! Eu sonhava com a vida que temos, essa paz, aqui, nos amando... No sonho você me beijava sem parar, anoitecia rápido para ficarmos a sós... De repente, você se afastava mais e mais e eu ficava triste e me via vestido com aqueles ternos de grife que eu usava e me sentia um bandido...

– O sonho se tornava pesadelo não é?!

– Sim... Mas, aí você aparecia de novo, me tocava, e a paz voltava! E sorríamos muito...

– Eu já te vi sorrir dormindo, Félix!

– Sério? Então eu devia estar sonhando com você! O sonho estava tão bom, e, de repente, ouvi uns barulhos e você foi sumindo... Eu ficava confuso e, de repente, um barulho mais alto me acordou!

– Eram os ladrões!

– Eram! Eu pensei que fosse a Adriana e a chamei! Foi aí que eles me descobriram...

– Disso eu sei Félix! Você contou como tudo aconteceu, inclusive no depoimento para a polícia... Mas, eu quero saber o que está te afligindo!

– Eu sei... É... Quando você deixou aquele recado no celular carneirinho, eles começaram a rir de mim, dizer... Coisas bem desagradáveis e, eu tentei reagir mesmo com a arma apontada para mim...

– Félix... Se arma fosse de verdade...

– Eu sei que é melhor não reagir carneirinho, mas, eu fiquei com raiva... Enfim, o bandido que me prendeu mandou o outro ir procurar coisas de valor nos outros quartos enquanto ele ficava aqui comigo... – Félix encheu os olhos de lágrimas. – E, ele... Ele me assediou! Ele... Ele passou aquela mão nojenta em mim... Levou a mão dentro da minha cueca... Ficou me apalpando, se esfregando em mim... Ele só não foi mais longe, porque na hora eu lhe dei uma cotovelada com força e corri... Foi quando eu consegui ligar pra você!

Niko ficou chocado com o que Félix havia acabado de lhe contar. Seu rosto ficara vermelho e os olhos não puderam conter as lágrimas, que eram de tristeza e revolta ao mesmo tempo. Félix se afastou para o outro lado da cama com a cabeça baixa. Niko enxugou as lágrimas e tocou em seu ombro.

– Félix, eu compreendo o que você deve estar sentindo... Mas, não precisa se preocupar mais com isso... Meu amor, eu te compreendo! Eu estou aqui...

– Niko... Eu não conseguiria... Sentir o seu corpo junto ao meu, depois de sentir o corpo daquele desgraçado e o que ele tentou fazer... Eu ainda me sinto sujo...

– Félix, você não teve culpa de nada! Não tem porque se sentir sujo, nem ter vergonha de mim... Félix, eu sou seu marido, eu te amo, eu também preciso de você!

Eles se abraçaram e se beijaram. Um beijo que começou calmo e foi se tornando mais intenso. Logo, estavam tomados por carícias e beijos de perder o fôlego. As roupas foram ao chão.

Minutos depois, Félix estava deitado agarrado a um travesseiro, encolhido, pedindo envergonhado: — Desculpa carneirinho...

Niko alisava seus cabelos negros lhe confortando. – Tem nada não, Félix! Você vai conseguir... Isso é só uma fase, você vai ver!

Apesar da compreensão e do conforto que Niko lhe passava Félix não se conformava em não satisfazer seu companheiro mais uma vez.

O resto do dia passou normal, embora Félix continuasse desanimado. Niko não voltou para o restaurante para passar o dia com o marido e os filhos.

–--

No dia seguinte, Niko foi ao restaurante normalmente. Despediu-se de Félix com um beijo. Dessa vez, ao contrário de quase todos os dias, Félix não fez o mesmo pedido de costume.

– Não vai me pedir para ficar mais um pouquinho? – Perguntou Niko com um sorriso.

– Pra quê carneirinho?! Seria perda de tempo...

– Félix, não fala assim! Eu não gosto de te ver assim... Você vai ficar bem?

– Vou carneirinho! Vai logo que ontem você perdeu o dia inteiro por minha causa, vai!

Niko segurou em seu rosto, olhando-o bem nos olhos. – Félix, eu não perdi o dia... Eu ganhei um dia inteiro com minha família, quem eu mais amo!

Deu-lhe outro beijo e foi embora.

–--

No restaurante...

– Niko, como vai?!

– Túlio, oi! O que faz aqui?

– Bem, como você é amigo do meu Samuel, e meu também, claro, eu queria te perguntar se posso deixar esses panfletos aqui no seu restaurante, para divulgar a nova boate que o Samuel é sócio!

– Nova boate?! Que legal, é aqui em Angra?!

– É! Ele já inaugurou uma em São Paulo, outra no Rio, agora estamos abrindo essa em Angra, em parceria com uns colegas!

Niko olhou o panfleto e teve uma ideia de como poderia animar Félix.

– Hum... Pode deixar os panfletos aqui sim, Túlio, sem problema!

– Obrigado Niko! E você e seu companheiro já estão convidados! A inauguração é amanhã à noite!

– Ótimo!

–--

Durante a noite, Niko conversava com Félix tentando convencê-lo.

– Amor, vamos... Vai ser ótimo sairmos no sábado à noite!

– Mas, para uma boate, carneirinho? Você nunca gostou de balada!

– Ah, mas é bom fazer uma coisinha diferente de vez em quando! Vamos Félix... Além disso, você pode se animar um pouco, vai ser legal!

– Eu?! Me animar numa boate?!

– Claro Félix! Olha, eu fui convidado especialmente pelos donos, se eu não for vai pegar mal... E se você não for comigo, eu vou ter que ir só...

– Ah, mas nem pensar, carneirinho... Nem pense que eu vou te deixar perdido na balada, com o fogo que você tem e eu sem dar conta... Vai que aparece outro caçador atrás do meu carneirinho... Não, não... Eu vou! Mas, faço isso por você!

Félix virou e dormiu. Niko sorriu com a satisfação de ter conseguido o que queria. Era só o primeiro passo do seu plano.

–--

Sábado à noite...

– Carneirinho, você não disse que era uma boate gay!

– O quê você disse, Félix?!

– O quê?!

Os dois gritavam dentro da boate por causa da barulheira. A música alta parou por um instante para o anúncio da inauguração e do DJ Samuel que começou a tocar.

Já estavam lá há algum tempo. Niko puxava Félix pela mão para a pista.

– Vem meu amor, vamos dançar! – Dizia Niko com um copo na mão.

Félix já estava estranhando, nunca tinha visto Niko tão animadinho.

– Ô carneirinho, você não acha que está exagerando não?!

– Eu?! Exagerando... Em quê Félix?!

– Carneirinho... Me dá isso! – Félix tirou o copo da mão dele. – Você já está falando com a língua enrolada! O que deu em você para beber tanto hein?!

– Eu?! Imagina Félix, seu bobo! Vamos para a pista porque a noite é uma criança!

Niko o puxou e eles dançaram um pouco, mas Félix estava realmente estranhando o comportamento do seu carneirinho.

– É... Carneirinho, vamos sentar vem!

– Não Félix, me solta, vamos curtir... Uhuuulll...

Niko se misturou às pessoas na pista de dança e Félix voltou à mesa inconformado.

Na pista Niko encontrou com Túlio.

– Niko, e o plano como vai indo?!

– Muito divertido Túlio! Obrigada por você e o Samuel me ajudarem a levantar o astral do Félix! Ele já está achando que estou bêbado, agora, vamos para a segunda parte!

Túlio fez um sinal para Samuel que lá da mesa de DJ fez sinal para outro amigo sentado na mesa próxima a de Félix e Niko.

Niko voltou à mesa.

– Félix, porque você não ficou dançando comigo?!

– Ah carneirinho, por favor... Eu devo ter feito uma balada durante as pragas do Egito para você estar agindo assim...

Félix foi interrompido por um homem bonito de olhos verdes que estava na outra mesa atrás deles. O homem se virou para Niko e falou:

– Oi... Se ele não quer dançar com você eu danço loirinho!

Félix se virou para ele.

– Viu, Félix, se você não quiser se divertir comigo essa noite, tem quem queira!

– Ahh... É assim, carneirinho, pois vai lá, vai dançar com esse aí, já que eu não sirvo mais para te divertir né?! – Félix já começava a ficar furioso.

– Félix, não fala assim... Vem... – Dizia segurando sua mão que Félix tratou de soltar. – Olha aqui Félix, se você não fizer pelo menos isso eu aceito o convite dele pra dançar!

O outro falou: — Ah, deixa esse cara aí e aceita logo dançar comigo... Carneirinho!

Félix se irritou de vez batendo na mesa. – Aí já foi longe demais Niko! Eu tô aqui aguentando esse aí te dar uma cantada, mas daí a ele te chamar pelo apelido que é exclusivo meu, já é demais!

Mas, Niko permaneceu calmo: — Félix, não estressa... Ele só ouviu você me chamar de carneirinho e...

– E achou que podia te chamar também! Como se fosse fácil assim! Até parece que você tá a perigo, carneirinho!

Niko levantou fingindo estar aborrecido: — Ai Félix, você também viu... Eu não estou a perigo tá! Mas, enquanto você fica aí bancando o mal-humorado eu vou me divertir, com licença!

Niko saiu da mesa e chamou o outro para dançar. Félix ficou pasmo e, claro, morrendo de ciúme. Na pista de dança, Niko fingia estar se divertindo e até flertando com aquele cara, mas aquele era na verdade um amigo de Samuel e Túlio que havia topado participar dessa brincadeira.

– Ah ah valeu mesmo, Ígor! O Félix ficou se mordendo de ciúme, se o conheço bem, daqui a pouco ele vem aqui atrás de mim!

Enquanto isso, Félix permanecia na mesa, morrendo de raiva. Ele falava sozinho:

– Ai Niko, que raiva... Agora, só porque eu não consigo dar conta desse fogo que ele tem, ele sai procurando qualquer um com pinta de bombeiro pra apagar... E tinha que ser um inseto do olho colorido... Mas, eu vou lá puxá-lo nem que seja pelos cachinhos...

Antes que Félix levantasse, um homem da outra mesa ao lado de Félix se virou para ele e tocou em seu ombro.

– Desculpe-me, não pude deixar de ouvir o que se passava! Está com problemas com seu companheiro?

Félix titubeou um pouco, mas começou a falar com o desconhecido.

– Bem... Sim!

– É... Você falou em não dar conta...

– Não! Você me ouviu mal!

– Não, eu ouvi bem, estava sentado aqui bem perto de você...

– É, é sim, foi isso que eu disse! E a menos que você me ofereça uma solução para os meus problemas, pode sair...

– Você é muito jovem para precisar de uma solução para o problema! Eu já fiz uso de algumas coisas que me ajudaram bastante... Mas, eu já estou chegando aos cinquenta...

– Sério?! Não parece... Eu também não sou tão jovem quanto pareço, estou beirando os quarenta, mas com carinha de vinte e cinco... – Félix riu e perguntou: — Mas, quais foram essas coisinhas que te ajudaram hein?!

Eles continuaram conversando e Niko estranhou a demora de Félix e voltou à mesa. Félix estava brindando com o outro cara a mesa.

Niko começou a sentir ciúme. – Espera aí, esse eu não sei quem é... – Disse indo em direção a eles.

– Félix!

– Oi, Niko... Divertiu-se muito? – Perguntou ironicamente. – Senta e toma um drinque desses, é uma delícia!

O que estava conversando com Félix, levantou, dizendo: — Bem vou deixá-los a sós... – Chegou mais perto de Félix e disse: — Boa sorte!

Niko sentou. – Quem é esse e porque te desejou boa sorte Félix?!

– Acabei de conhecer carneirinho... – Félix tomou o resto do drinque. – Não quer mesmo? É muito bom, foi ele que me indicou esse drinque... Sabe, é um drinque afrodisíaco! – Disse com um sorriso e mexendo as pedras de gelo no fundo copo.

O que estava dançando com Niko voltou para chamá-lo para continuar a brincadeira de causar ciúme a Félix.

– E aí, vamos continuar dançando ou não, loiro?!

Mas, Niko não tinha mais certeza se o plano estava dando certo. – Acho que não... — Ainda mais, quando Félix levantou dizendo: — Vai lá dançar de novo Niko, sem problemas... Eu vou ao banheiro...

Quando Félix levantou algo caiu de seu bolso. Ele pegou rapidamente, mas Niko viu e o interceptou.

– Félix, o que é que você está escondendo... – Ele forçou para abrir a mão de Félix e se surpreendeu. – Que comprimido é esse?

Félix voltou a esconder no bolso. – Shh... Isso aqui vai me ajudar, carneirinho! Aquele cara que estava aqui me indicou tomar isso depois de beber aquele drinque e pronto, você vai ter o Félix como você gosta de volta!

Niko o parou. – Félix! Eu não quero que você tome isso! Você é o homem como eu gosto, esteja como estiver... Você é meu homem Félix, o que eu amo, que eu respeito... Eu não bebi como você pensa, eu não dei mole para aquele cara, ele é um amigo do Túlio e do Samuel! Tudo isso foi combinado para te causar ciúme, para ver se você reagia e saía dessa fossa, Félix! Meu amor é sério, eu espero o tempo que for necessário para você se recuperar desse trauma!

Félix o olhou e sorriu para ele. – E se demorasse muito para eu me recuperar carneirinho... Você sentiria falta de...

Niko lhe beijou interrompendo suas palavras. – Félix, contanto que você esteja ao meu lado, eu não sinto falta de nada!

Félix sorriu dando leves tapinhas em seu rosto. – Tá... Duvido! Fica aí que eu já volto!

Ele saiu deixando Niko apreensivo sobre o que ele faria. Félix sumiu em meio às pessoas e Niko ficou lhe esperando. Pouco tempo depois, Félix voltou e sentou no seu colo.

– Félix! Onde você se meteu? Eu fiquei preocupado...

Félix o beijou loucamente e quando parou para recuperar o fôlego, perguntou em tom malicioso:

– E aí, carneirinho, vamos para a sala VIP ou vou ter que te puxar para baixo da mesa?

– H-hein?!

– Carneirinho, você é ingênuo para algumas coisas, para outras você é bem espertinho... Não faz de conta que não entendeu! Vem... – Félix levantou e o puxou pela mão.

Ao chegarem num corredor, depois dos camarotes, Félix abriu uma porta e deu a vez para Niko passar. – Eu perguntei a aquele seu amigo dono da boate se teria um camarote bem exclusivo para a gente...

– Mas, isso aqui não é bem um camarote, Félix, é tipo um quarto... E, por que você me trouxe aqui?!

Fechando a porta com um sorriso malicioso Félix respondeu: — Meu amado carneirinho, quero só demonstrar que já estou recuperado, e que algumas coisas fazem mesmo efeito...

–--

Madrugada. Félix saía do quarto VIP da boate. Niko ia logo atrás.

Saíram sorrindo de mãos dadas.

– Félix, amor, que coisa hein?! Essas coisas não acontecem sempre... Assim, numa boate...

– Comigo é assim carneirinho, pura adrenalina... Com trilha sonora e tudo!

– Ah ah... Mas, me diz uma coisa, você tomou aquilo mesmo?

Félix tirou algo do bolso, era o tal comprimido. Ele o jogou longe.

– Não preciso disso, carneirinho...

Niko sorriu maliciosamente. – Mas, você disse que ia demonstrar que algumas coisas faziam efeito...

– E eu não demonstrei?! Você é meu remédio, carneirinho! Não sabe o efeito louco que faz em mim!

Niko sorriu de novo. – Ah, eu sei...

Notas finais
Entenderam por que foi "One Wild Night"? Comentem!!