Notas iniciais
Oiiia, dois capítulos em um dia para compensar os tantos dias sem atualizações ... Desculpem ! >.< Tenham uma boa leitura !

Nico saiu pela sombra de uma grande pedra escura e fria no mundo inferior. Sua mente ainda era um turbilhão de pensamentos e o peso cada vez maior em seu coração, que parecia que poderia se quebrar em mil pedaços a qualquer minuto. Por mais que tentasse temporariamente tirar Percy Jackson da mente, depois de alguns segundos, ele voltava a ser o pensamento principal. Era sempre assim.

Nico andou a passos lentos e despreocupados em direção ao palácio do pai, Hades.

Chegando lá, ele estava sentado em seu trono de ossos, com o cotovelo esquerdo apoiado sobre a cadeira e a mão no queixo, olhando para a porta de onde Nico saíra como se soubesse o momento exato em que ele entraria por elas. E de fato sabia, por isso não estava surpreso com a visita repentina do filho. Nico se aproximou, a passos cautelosos.

– Olá Pai. – saudou Nico, sentando no pequeno lance de quatro degraus que davam até o trono. O chão era frio e duro; frio como as almas dos mortos, e duro como os ossos de um esqueleto.

– Olá meu filho, lembrou-se finalmente que ainda tem um pai? – Disse Hades, com um leve tom de brincadeira na voz. Nico não respondeu, ignorando a brincadeira. Estava de costas para o pai, mas sabia que ele o olhava com um olhar preocupado. Os dois, pai e filho, ficaram em silêncio absoluto por alguns segundos, até que Hades exalou todo o ar dos pulmões e disse:

– O que foi agora, Nico? – havia tédio em seu tom de voz, insinuando algo como: de novo isso? – Saudades de Bianca? Eu pod-

– Não é nada – cortou asperamente Nico. Nem tudo é por causa da Bianca; não sou mais uma criança chorona, pai, pensou Nico, entrelaçando os dedos da mão, a palma pálida para cima.

– Será que... – a voz de seu pai hesitou, mas continuou logo em seguida: — que é por causa dele?

Nico, numa reação automática, girou o pescoço até fitar os olhos do pai, que brilhavam como duas obsidianas. Quando ele havia dito “dele”, automaticamente Nico pensou que seu pai havia descoberto, mas aos poucos essa possibilidade foi se esvaindo até sumir; Nico finalmente encontrou a voz, depois de encarar o rosto do pai por cerca de trinta segundos em absoluto silêncio, apenas sua respiração e batimentos se ouviam, só que ela era insegura e fraca, parecia mais um grasnido do que uma voz:

Dele quem? Do que você está falando, pai?

Hades olhou profunda e longamente nos olhos do filho; suspirou alto e se levantou do trono. Nico pensou que seu pai iria fazer algo com ele, e quase se afastou, mas ele andava a passos lentos em direção à Nico; se sentou nos degraus ao lado do filho e pôs uma mão fria e grande em seu ombro. O simples toque fez todos os pelos da nuca de Nico se arrepiar, como se preparados para um combate iminente, mas ele sempre sentia isso quando seu pai lhe tocava – o que não acontecia com muita freqüência.

– Filho – começou Hades, e Nico percebeu, com espanto, que na voz dele havia um leve tom de tristeza, algo que ele nunca ouviu na voz dele. – Você é meu filho... E quando se trata de sentimentos nós não sabemos suprimi-los muito bem... E eu sei o que você está sentindo em relação a ele.

Nico não conseguia responder; nem ao menos conseguia formular alguma desculpa para se esquivar do ele achava que poderia vir a seguir. O ar ficara preso em sua garganta, impedindo-o de falar. Ele não pode ter descoberto, não tem como, pensava Nico. Quando Nico finalmente conseguia se recuperar e estava prestes a falar, seu pai o impediu com um movimento da mão, pedindo que não continuasse.

– Eu não entendo tudo isso pelo que você está passando – disse Hades; a mão ainda em cima do ombro de Nico. – mas se for amor de verdade, independente do que todos podem pensar, você tem que encarar. Nada dói mais do que perder alguém que se ama muito, isso eu posso te dizer.

Nico olhava no fundo dos olhos negros do pai, e neles era possível ver uma grande tristeza. Tudo que ele disse era tudo que ele passou quando amou tão profundamente uma mortal, ao ponto de não ligar para si mesmo. E no final a perdeu, tendo de esconder os filhos por um longo tempo. Nico ficou ainda mais triste quando sentiu a imensa dor que pesava no coração imortal do pai, mas não conseguiu fazer como naqueles filmes clichês em que pai e filho se abraçam e choram juntos, não conseguiu nem ao menos consolar o pai.

– Pode falar comigo, Nico. Sou seu pai, mas também sou seu amigo.

Nico lembrou-se do pesadelo que tivera na casa de Percy Jackson.

[Everything I've loved became everything I lost]

– Obrigado pai, mas... – Nico hesitou, com o resto da frase presa em sua garganta como uma espinha de peixe. Nunca antes falara isso para ninguém, sempre guardava tudo para si mesmo, sofrendo sozinho e em silêncio. Agora estava prestes a falar para o pai – com quem ele raramente falava qualquer coisa que seja – que estava apaixonado por Percy Jackson? Não, ele não podia. O pai poderia ficar decepcionado com o filho. – Não é nada.

O pai, sábio como só os deuses podem ser, entendeu o que se passava na mente e no coração de Nico sem ao menos ele precisar dizer; permaneceu em silêncio, tirando a mão do ombro mirrado de seu filho. Lembrou-se da época em que se seguiu a morte de Maria Di Angelo, e a única coisa que conseguira fazer foi ficar em seu mundo tedioso, olhando fixamente a parede escura, com os pensamentos enevoados; quando Perséfone lhe deu algo que lhe ajudou um bocado.

Nico olhava confuso para o pai quando ele lhe estendeu um pequeno frasco transparente com uma rolha a tampando, que Nico pensou que estivesse vazio ao principio, mas depois notou que no fundo do frasco havia quase invisíveis cristais de cor branca como a neve.

– O que é isso? – perguntou Nico, estendendo a mão direita e pegando o frasco da mão do pai. Era leve e pequeno, um pouco menor que a palma da mão do filho, e o vidro do recipiente era fino e frágil.

– É algo que minha esposa, Perséfone, meu deu. – respondeu o pai, fitando o vidro com um rosto sem expressão. Ao ouvir o nome da esposa do pai, Nico sentiu um arrepio involuntário percorrer sua espinha; ela nunca gostara muito de Nico. Poderia isso ser veneno?, pensou Nico, mas percebeu que estava quase vazio, e que talvez seu pai também havia usado; descartou a possibilidade de veneno. Hades continuou: – É um pó extraído de alguma planta com nome difícil de dizer, que ajuda com problemas de insônia. – Ele olhou nos olhos do filho, que examinavam cuidadosamente o frasco. – E parece que você quer dormir um pouco, não é?

Nico olhou, atônito, para o rosto inexpressivo do pai, quando entendeu a mensagem que havia por trás da frase. Ele havia dito “quer dormir” e não “precisa dormir”, como se tivesse lido os pensamentos de Nico; o garoto queria deitar e dormir, mesmo que seu corpo não estivesse totalmente cansado, para que assim, quando acordasse, seus pensamentos estivessem mais calmos e organizados, e agora seu pai lhe dera um frasco que o ajudaria a dormir, nem que fosse por apenas algumas horas. Nico sorriu. Seu pai entendia pelo que ele passava, mesmo não podendo entender o que sentia, e o amou mais ainda por isso. Não houve sermões; não houve gritos; não houve desentendimentos.

– Obrigado pai. Obrigado mesmo. – disse Nico, em voz baixa. Seu pai também esboçou um sorriso fraco e cansado, como se expressando todo o sofrimento que tivera em sua vida imortal.

Nico se levantou dos degraus, apertando fortemente o frasco na mão – o frasco que seria sua saída de emergência para o incêndio que era seus pensamentos, e a fagulha que o inicio era o puro e estonteante sorriso de Percy Jackson – e andou até a grande porta de madeira e ferro negro por onde entrara; abriu um dos lados dela, emitindo um rangido alto e estridente; antes de atravessá-la, porém, olhou por sobre os ombros, até encontrar os olhos negros do pai, e indagou, com uma voz quase que normal:

– Pai, desde quando o senhor sabe?

O Senhor do Mundo Inferior sorriu fracamente, levantou-se dos degraus, bateu com as palmas da mão em seu manto negro de faces desesperadas, e sentou-se novamente em seu trono, e disse, como se fosse o ser mais sábio da face da terra:

– Desde sempre.

Nico sorriu, e atravessou a porta. Andou até o local mais distante possível do palácio de paredes negras e ossos velhos que era a moradia do pai, sentando-se no chão frio e morto do mundo inferior. O frasco de vidro estava envolto fortemente por seus dedos; ele o liberou do aperto. Segurando o frasco na palma da mão esquerda, puxou a rolha com o indicador e o polegar da esquerda; ela se soltou facilmente, emitindo um plooc que ecoou por entre as paredes de pedra. O conteúdo do frasco emitia uma fragrância doce e Nico não resistiu ao impulso de sugar o ar, fazendo com que os pequenos cristais entrassem em seu nariz, mas ele não percebeu isso; sentiu apenas uma rápida vertigem, e logo em seguida seus olhos fecharam e ele caiu de costas no chão, já dormindo pesadamente.

Porém, para sua inconsciente surpresa, ele não sonhou.

[Enquanto isso, no acampamento meio-sangue]

Percy Jackson estava sendo fuzilado pelos olhos cinza de Annabeth Chase.

– Tem certeza absoluta disso, cabeça... – ela hesitou; mudando o tom de voz corrigiu-se: — Percy?

– Eu não tenho certeza de nada Annabeth. – respondeu o filho do mar, com seus olhos verdes quase sem brilho. – Isso é muito confuso. Mas... – ele hesitou, preparando-se para dizer algo impactante para a filha de Atena em sua frente: — Eu tenho certeza que o que eu sentia por você sumiu.

Seu rosto ficou vermelho e seus lábios rosados tremiam levemente, seus olhos brilhavam com as rasa lágrimas que se formadas neles. Percy se amaldiçoou por estar fazendo a garota que ele uma vez tanto amara agora chorar; mas tinha de se manter firme.

– Eu entendo, Percy – disse ela, com voz embarga e aguda. Limpava os olhos com as costas das mãos.

– Obrigado Annabeth – ele se aproximou, mas se deteve quando ela estendeu a mão esquerda para frente, impedindo que ele se aproximasse mais; seus olhos cinza brilhando. Lágrimas incontroláveis escorriam em linhas finas e úmidas por sobre sua pele.

– Você... – ela começou a dizer, fungando em seguida, depois continuou, com a voz um pouco mais estável: — Você acha que ele gosta de você?

Percy colocou a mão esquerda na cabeça, bagunçando os cabelos.

– Eu não sei... Mas eu gosto. Penso nele toda hora e quando durmo sonho com ele. – imagens dos vários sonhos que Percy tivera com o filho de Hades voltavam em sua mente. – Eu acho que estou apaixonado... por outro garoto...

– Isso não me surpreende – disse Annabeth, seu tom de voz agora normal – a garota-sabe-tudo de sempre. – Afinal, o amor às vezes é confuso. — Percy concordou com um aceno leve de cabeça. – Mas, eu te aviso Perseu Jackson... – dizia ela, se aproximando a passos pesados e nervosos, seus olhos pareciam em chamas. Ela o agarrou pelo colarinho e disse com uma voz ameaçadora e assustadora: — SE VOCÊ O FIZER CHORAR, EU MESMO TE MATO, E FAÇO COM QUE SUA ALMA APODREÇA NOS CAMPOS ASFÓDELOS.

Percy engoliu em seco.

– O-ok. – ele conseguiu dizer, a voz tremula e fraca. – Eu não vou fazer, juro pelo Estige.

Ela o soltou, e se afastou a passos longos e rápidos em direção ao chalé de Atena.

Percy agora sentia como se um grande fardo tivesse sido tirado de suas costas. Há semanas ele esperava o momento de dizer tudo que estava acontecendo à Annabeth. Ele esperava que ela o insultasse e gritasse; julgasse-o por estar gostando de outro garoto e nunca mais olhasse para a cara dele, mas, para sua surpresa, ela entendeu.

Percy virou as costas para a porta de entrada do chalé de Atenas, e andou até os estábulos, onde voaria em Blackjack até em casa. Fora difícil convencer Quíron a deixá-lo ir, mas, depois de muita insistência, havia conseguido. Agora poderia conseguir dormir mais tranquilamente, esperando apenas o dia em que visse o filho de Hades novamente, e pudesse então dizer tudo que estava sentindo.

Notas finais
opa opa, ta ficando interessante u.u Quem sabe no proximo capitulo possa rolar algo mais caliente :v Preparem seus lenços para muitos Nose's Bleed's :v Gosta de Pernico? Junte-se a nossa página do facebook: Pernico Crazy Shippers Qualquer sugestão ou dica, algo que você tenha visto que esteja errado ou que não tenha gostado, só mandar um review que farei o possível ! Não esqueçam da favoritar, comentar, e fazer o carai a 4 :3 Obrigado a todos !