Eyes That I Love Both (REMAKE)
6 Fritas e um Encontro
Notas iniciais
Nico Di Angelo abriu lentamente os olhos. Sua visão estava embaçada e seus olhos pesavam de sono. Quando sua vista finalmente entrou em foco, ele fitava ainda deitado, as estalactites de pedras escuras que despontavam como garras afiadíssimas da caverna onde ele entrou para, digamos, se desligar temporariamente do mundo exterior e da bagunça que eram seus pensamentos e sentimentos. Apoiou as palmas das mãos no chão frio ao lado da cintura e se sentou, sentindo que seu corpo ainda dormia, com seus músculos doloridos e articulações rangentes. Olhou ao redor, com um pescoço que quase não obedeceu ao seu comando, estralando na base como ossos quebrados. Aparentemente nada estava diferente de quando ele entrou, embora não se lembrasse de quase nada do que havia acontecido. Flexionou as pernas, estimulando seus músculos e nervos a acordarem assim como ele, e quando o fizeram Nico se levantou, bateu o pó e sujeira da roupa e saiu a passos lentos de dentro da caverna escura no Mundo Inferior, com sua espada negra ao lado da cintura e o casaco quente envolvendo seu corpo pequeno e frio.
Os gritos estridentes das almas nos campos de punição eram altos e perturbantes, e Nico podia ouvi-los implorando por misericórdia a quilômetros de distância. À leste, o palácio negro do pai se erguia como um monstro com grandes paredes do chão frio e sem vida, seu topo sendo sua imensa garra.
Sua mente ainda maquinava e rebobinava tudo que Afrodite dissera; tudo que ele havia sonhado, e tudo que seu pai também lhe havia contado, só que agora era tudo com menos intensidade, e tudo graças ao pai e, em parte — por mais desagradável que fosse admitir – à Perséfone. O misterioso pó mágico o ajudara tremendamente, mas agora não queria mais continuar ali; sentia a incontrolável vontade de sentir o ar da noite, de sentir a luz azulada da lua nova sobre sua pele e a brisa gélida da noite. Nico não sabia exatamente se era noite, mas tinha uma sensação, um instinto de que a lua já estava no seu apogeu de brilho em um céu negro.
Estava parcialmente preparado para uma viagem nas sombras: se sentia quase revigorado, como se tivesse ingerido litros de coca-cola e seu sistema nervoso fosse explodir. Ao pensar na bebida gelada e escura, veio à sua cabeça, automaticamente, a imagem de batatas fritas e se deu conta que estava com fome quando ouviu a resposta de seu estomago faminto, algo como um “ronc” longo e sonoro. Andou a passos ansiosos em direção a uma grande sombra emitida por um alto rochedo escuro, e atravessou-a.
Quando chegou do outro lado da sombra, uma grande placa de metal estampando dois arcos amarelos em forma de M estava posta do outro lado da rua em que ele se encontrava, e atrás dela, o estabelecimento favorito de Nico Di Angelo: O Mcdonalds. O filho de Hades atravessou a rua quase deserta em direção ao estabelecimento, sentindo a leve brisa gélida em sua pele e fazendo seu cabelo emaranhado e desgrenhado bater levemente em sua testa.
Quando Nico se aproximou da entrada, viu que dentro do estabelecimento, havia somente alguns poucos clientes: um homem gordo e um garoto de aproximadamente 12 anos acompanhado de um homem alto e esguio que provavelmente era seu pai. Empurrando a portar de vidro com a mão direita, Nico entrou no fast-food; o lugar cheirava a óleo e carne, e um leve, mas bastante presente cheiro de ketchup. Do lado oposto de onde Nico entrara, o balconista o fitava com um olhar preocupado, notando as roupas do garoto. Nico não se surpreendeu ou ficou decepcionado com essa reação, era quase sempre assim. O garoto se aproximou do balcão a passos lentos, olhando os olhos azuis do balconista com um rosto sem expressão – o que provavelmente o deixou inquieto, pois olhou para os lados várias vezes para não olhar naqueles olhos escuros que o fitavam tão profundamente. Quando Nico estacou em frente ao balconista, ele ficou sem reação, assustado com a áurea que emanava tão forte e nitidamente daquele garoto, mas logo se recompôs, abrindo um largo sorriso – que quase não parecia forçado e falso – e perguntando o que ele queria.
Enquanto o balconista transmitia seu pedido a um jovem que aparentava ter pouco mais que 25 anos a Nico – o único que parecia trabalhar àquela hora -, o filho de Hades levantou os olhos para a tabela de itens em promoção acima do balcão: Big Mac em promoção! Apenas... Mc Lanche Feliz, apenas... Mas ignorou os itens e ergueu um pouco mais o olhar até encontrar o relógio digital que marcavam exatas 22h52min, e ao lado, em tamanho pequeno em comparação com os algoritmos, estava marcado a xx/xx/xxxx – Domingo. Nico se surpreendeu quando percebeu que dormiu por dois dias inteiros, mas já estava habituado a dormir muito mais que isso, como por exemplo, as “uma semana e cinco dias”.
Enquanto aguardava seu pedido, tirando uma nota de dez dólares que achou no fundo de sua calça e a segurando entre a fenda entre o dedo indicador e anular, pensava em Percy Jackson, só que desta vez foi por pura e espontânea vontade. Pensava nos olhos dele, aquelas esmeraldas brilhantes e arrebatadoras; aquele sorriso simples e caloroso que fazia o coração de Nico palpitar aceleradamente, e, sem perceber, se viu se questionando como seria o corpo dele por baixo daqueles tecidos de roupa, como seria seu tórax e sua barriga e na sensação que seria ser envolvido por aqueles fortes braços do filho do mar; encostar o rosto no peito dele e sentir seus batimentos.
– São $9,99 – a voz levemente grave, mas gentil do balconista arrancou Nico de seus devaneios como se uma bacia de água fria tivesse sido jogada sobre sua cabeça – que por sinal estava quente–, fazendo-o acordar para a realidade, corado como se tivesse sido acertado fortemente em cada lado do rosto. Entregou a nota para o jovem balconista à sua frente, agarrou o pacote médio de fritas e o copo pequeno de coca-cola e andou até a porta por onde entrara.
A lua brilhava no céu negro, lançando uma luz azulada que se assentava sobre o asfalto frio da rua que Nico andava vez em outra mordendo as batatas e tomando um longo e profundo gole de seu refrigerante gelado que descia como dedos refrescantes em sua garganta, acalmando a tempestade de fome que habitava seu estomago vazio.
Nico andava sem rumo, mesmo sabendo dos perigos que eram um semideus – ainda mais filho de um dos três grandes – andar sozinho por uma grande cidade de ruas e vielas escuras, espalhando seu delicioso cheiro para todos os monstros que estivessem num raio de mais de 1 km. Sua mente estava em outro lugar, voando nos ares de sua lembrança, quando Bianca estava sempre ao seu lado, ensinando-lhe coisas novas e ensinando também como lidar com cada coisa nova; agora, porém, ela não estava com Nico para ajudá-lo a entender esse sentimento e o que fazer com ele; tivera de descobrir tudo sozinho, e da pior forma possível – e ainda tinha muita coisa que não entendia – que era amar alguém e não ser correspondido, ou melhor, um amor não recíproco.
Nico andou por um bom tempo depois de suas fritas e seu refrigerante terem acabado, passando por um extenso parque rodeado de agulhas verdes e grandes pinheiros, sem se dar conta de para onde seus pés o levavam; inconsciente de tudo. E ainda tinha fome.
Andava em uma estreita calçada, com a rua extensa à esquerda e várias casas e prédios altos e outros não tão altos à sua direita. Ele olhava para frente, ao mesmo tempo em que não olhava para nada. Poderia passar um elefante andando de bicicleta em frente dele que não perceberia nada.
Uma forma se formou onde a vista de Nico não conseguia ultrapassar: uma silhueta de altura alta, que andava na direção dele em passos lentos, fitando o chão acinzentado e repleto de pequenas e finas rachaduras. Nico diminuiu o passo; não queria ser pego de surpresa por algum monstro que se passasse de humano. Apertou o cabo de sua espada e continuou andando, apertando os olhos para ver além das sombras que envolviam a silhueta à sua frente – mais próxima a cada hesitante passo dado.
Quando mais Nico se aproximava sorrateiramente, fazendo o menos de ruído possível, algo se tornava mais estranho. Fitando a silhueta a cerca de 20 metros de Nico, ela se tornava cada vez mais familiar em sua mente, mas ele ainda não conseguia identificar a quem a silhueta pertencia. Andou mais alguns passos, quando a forma envolta em sombras olhou na direção de Nico, encontrando seus olhos escuros, e ele estacou; a pessoa deu mais alguns passos hesitantes, segurava algo na mão, e enfim saiu de debaixo das sombras, sendo coberto pelo brilho azulado da lua.
Olhos verde-mar olhavam confusamente para Nico.
O filho de Hades sentiu seu coração palpitar e um crescente desespero tomar conta de si, mas não sabia o que fazer; apenas fitava a forma de Percy Jackson se aproximar cada vez mais dele, segurando na mão uma caneta aparentemente inofensiva – o que na realidade não era, nem um pouco. Nico olhou ao redor, tentando entender o que ele fazia ali, em plena madrugada, então tudo fez sentido quando ele avistou um edifício médio à frente, cerca de 50 metros ou mais, envolto por uma leve e fina névoa de frio: era o prédio onde ficava o apartamento de Percy Jackson. Nico amaldiçoou a si mesmo por estar tão envolto em pensamentos e não perceber os sinais da proximidade: o parque, a calçada rachada, a grande árvore que se erguia poucos metros a sua frente. Nico rapidamente analisou as possíveis possibilidades de uma fuga rápida e eficiente, pois não queria
(queria sim, e muito)
encontrar a razão de seus devaneios e ele provavelmente também acharia demasiado estranho Nico andando em direção à sua casa em plena madrugada, quando alguns dias atrás – dois para ser exato – ele praticamente fugira do filho do mar, porém não havia nenhuma possibilidade, e essa verdade inquestionável esmagou as esperanças de Nico como uma bigorna de 5 toneladas; o filho de Hades pensou em viajar nas sombras para qualquer lugar longe dali, mas a descartou, impaciente, quando se lembrou de que, a poucos minutos – ou horas, quem sabe? – havia saído do Mundo Inferior através desse mesmo meio e se sentia levemente enfraquecido. Não tenho escolha, a não ser dar uma desculpa e ir embora!, concluiu ele. Nico direciona então seu olhar para o acinzentado e acidentado chão que era a calçada estreita, e começa a andar em passos lentos na direção de Percy. Seu coração martelava fortemente no peito, ameaçando sair pela boca a qualquer momento; Nico sentia o cheiro de Percy cada vez mais próximo: cheiro de maresia, como se estivesse muito próximo ao mar aberto. Também podia ouvir a leve e contida respiração dele quando estavam a poucos metros. Quando enfim Percy se achou suficientemente perto – 5 metros de Nico. – ele pergunta, com uma voz confusa e ao mesmo tempo surpresa:
– Nico? – O filho de Hades levanta os olhos escuros até encontrar as esmeraldas brilhantes que eram os olhos dele, tentando aparentas surpresa em suas feições, mas apenas o que conseguiu foi uma enorme confusão de pensamentos e um calor nas maçãs do rosto que logo fez com que desviasse o olhar. – O que você está fazendo aqui? – tornou a questionar Percy, acrescentando logo em seguida: — Ainda mais há essa hora.
Nico hesita em responder, e quando tenta, sua língua não se move, parecendo que queria constrangê-lo de propósito. Até meu próprio corpo que me ferrar, pensou Nico, levantando os olhos e respondendo:
– Eu só estava andando por aí, sem rumo – ele tentou ao máximo fazer com que sua voz soasse desinteressada e entediada, mas ela mais parecia tímida e totalmente envergonhada. – Estava no Mundo Inferior, aí eu quis tomar um ar, sentir o vento no rosto... – Nico olhou no fundo dos olhos verdes de Percy, dizendo uma única verdade, com um profundo tom de tristeza: — Tentando não pensar muito em Bianca, mas foi em vão. – Percy olhava para ele com um olhar triste, melancólico. Assentiu com a cabeça, esboçando um sorriso repleto de tristeza. – E você, Percy? – indagou Nico, tentando desesperadamente mudar de assunto. – O que faz a essa hora da noite?
Percy colocou a mão direita no alto da cabeça, entrelaçando os dedos nos cabelos e sorrindo, aquele sorriso espontâneo e belo, contagiante. Na mão esquerda ainda segurava a caneta; guardou-a no bolso e se aproximou alguns passos de Nico, ficando a menos de um metro do garoto. O coração de Nico acelerou ainda mais – não sabia como era possível, mas acelerou. – e ele sentia um calor invadir, não só seu rosto, mas todo o seu corpo, fazendo com que pequenas gotículas úmidas de suor brotassem em sua testa por debaixo do cabelo bagunçado. Nico levou as costas da mão direita à testa e enxugou o suor, limpando o liquido quente e odorífero no tecido da calça.
– Acabei de falar com Annabeth por Mensagem de Íris. – Respondeu Percy, com um meio sorriso no rosto e Nico cerrou fortemente as mãos em um punho apertado ao ouvir o nome da filha de Atena. – Então decidi tomar um pouco de ar fresco.
Nico assentiu levemente com a cabeça, irritado.
Percy o encarava, percebendo sua irritação – que alias estava bem visível para quem quisesse ver.
Havia uma parede alta no lado direito de Nico, feita de tijolos vermelhos empilhados de forma que ficassem perfeitamente alinhados, com uma fina linha de cimento entre a junção de cada um, e ele encostou as costas ali, cruzando os braços sobre o peito. Percy ainda o encarava com aqueles olhos verde-mar que brilhavam com a luz da lua. Ele vestia uma camisa azul sem estampa cortada em gola V, uma calça jeans escura, e um All Star branco. Do seu pescoço pendia o colar de contas do acampamento.
– Nico... – chamou Percy em voz baixa; havia um leve tom de tristeza em sua voz e Nico olhou na direção dele quase que automaticamente. Ele continuou: — Você ainda tem raiva de mim? Pelo que aconteceu com Bianca?
Nico soltou o ar de seus pulmões pesadamente, e disse com um meio sorriso no canto dos lábios:
– Percy, já conversamos sobre isso...
– Então é por causa da Annabeth, não é? – cortou rapidamente Percy. A pergunta súbita pegou Nico desprevenido e ele não sabia o que responder. O fraco sorriso que estava esboçado em seus lábios desapareceu tão rápido quanto havia se formado ali.
– Annabeth? O que você está querendo dizer? – balbuciou Nico em resposta. Percy se aproximou mais um passo dele; um passo pesado, nervoso. Nico recuou.
– Não se faça de idiota, Nico – disse Percy. – Todos do acampamento perceberam que você sente algo pela Annabeth
Sim... Sinto raiva, ciúmes por ela ter você, é isso!, mas o que ele realmente respondeu foi:
– Bobagem. Eu não gosto da Annabeth – mas sim de você, idiota, quis responder Nico. A verdade o sufocava, o esmagava; assim como Afrodite disse que faria.
– Então o qu...
– Percy, por favor, eu já disse que não sinto absolutamente nada pela Annabeth, acredite em mim. – Cortou rapidamente Nico, já se sentindo de alguma forma triste e cansado; cansado disso. – Eu estou bem.
[I've said it once]
Percy o olhava ainda desconfiado.
– Tem certeza? – perguntou ele. Nico sentiu-se novamente cansado.
– Sim. – respondeu ele. Esboçou um sorriso forçado e completou: — Estou bem.
[I've said it twice]
Percy assentiu levemente com a cabeça, a expressão de preocupação e desconfiança ainda estampada em seu rosto. Aquilo machucava.
– É melhor eu ir... – Disse Nico, e sua mente disse em resposta: Para onde? E ele não sabia responder. Qualquer lugar estava bom. Qualquer lugar menos ali. Qualquer lugar onde ele pudesse ficar a sós com suas lágrimas.
– Para onde? – Percy perguntou, dando voz ao pensamento na mente de Nico. – Está tarde.
– Sem problema – respondeu Nico, virando-se na direção da rua. – Eu vou pelas sombras. – Nico deu as costas ao filho do mar; deu as costas àqueles olhos que ele tanto amava e que tanto o fazia sofrer. Levantou a mão direita, e acenou. – Até mais, Percy.
Nico não precisou sair do campo de visão de Jackson para encontrar uma sombra. Cerca de cinco passos depois do muro onde estava encostado, havia outro muro, e a luz dos postes criavam uma sombra que invadia quase metade da rua. Seria ali. Nico tocou o pé direito nas sombras, fechando os olhos e desejando fazer parte dela, para assim atravessar o infinito mundo das sombras que conectava qualquer lugar do mundo que quisesse atravessar, mas sentiu que suas forças o abandonaram: suas pernas amoleceram como vara verde, sua cabeça girou e ele caiu.
Quando abriu novamente os olhos, após apenas alguns segundos de vertigem, Percy o segurava, apoiando as costas do filho das sombras em seus antebraços, e olhava preocupadamente para Nico com aquelas esmeraldas que brilhavam intensamente. Nico fitava os olhos verde-mar de Percy; sentia sua respiração contra o rosto; ele se aproximava; sua respiração roçando os lábios finos de Nico; ele se levantou de imediato, ainda se sentindo fraco e um pouco tonto, e apoiou a palma da mão direita sobre a superfície irregular da parede para se equilibrar; Percy se levantava aos poucos, e Nico viu que seu rosto estava com uma leve coloração avermelhada em suas maçãs. O que foi isso?
– Desculpe, acho que usei muita energia – desculpou-se Nico rapidamente, colocando a mão esquerda no topo da cabeça, que doía como se tivessem a martelado consecutivas vezes.
– Não seja imprudente. – advertiu Percy. Nico assentiu, e logo Percy continuou: — Nico, — o garoto menor olhou para o maior, olhos escuros fitando olhos claros e cheios de brilho. – que tal passar a noite lá em casa?
Nico olhava para ele atônito com a proposta. Em outros momentos Nico aceitaria a oferta sem sequer pestanejar, mas agora, depois do interrogatório sobre Annabeth, a última coisa que Nico queria era ter de suportar olhares pouco furtivos ou discretos que desejavam penetrar sua alma e sua mente para bisbilhotar seus mais profundos pensamentos e segredos.
– Não é necessário. Eu vou andando até certo ponto, e quanto sentir que minha energia voltou, eu vou pro acampamento.
Percy balançou a cabeça de um lado para outro, insinuando uma negativa; se aproximou de Nico e passou o braço direito por sobre o ombro dele, e bagunçou seus cabelos com a outra mão, dizendo:
– Ah, Nico, não dá uma de difícil não – e sorriu. – Minha mãe fez bolo azul, do jeito que você gosta!
Nico não conseguiu segurar um riso. Olhou para Percy, ainda sorrindo e disse:
– Acha que pode me comprar com comida, Perseu Jackson?
Ele assentiu fervorosamente com a cabeça, e riu. Nico também o seguiu na risada.
– Mas vou embora pela manhã. – Avisou Nico; Percy assentiu e tirou o braço de cima dos ombros magros de Nico, mas ele desejou que Percy não os tivesse tirado: gostara de sentir os braços fortes dele o envolvendo e transmitindo um leve calor, que apaziguou os pensamentos negativos da mente de Nico, criando novas esperanças.
Percy também havia gostado.
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