Eyes That I Love Both (REMAKE)

14 Felicidade Temporária


Notas iniciais
YO MINNA-SAN ! Mais um capitulo, e estamos na reta final ! Espero que gostem e podem preparar o coração... oh god... why? Enfiiiim, obrigado a todos que estão lendo sabudega, principalmente às pessoas que comentam :3

Nenhuma resposta do lado de dentro da cabine; nenhum som. Nada.

Nico bateu novamente. E apenas o silêncio lhe veio como resposta.

Ele deve estar dormindo; pensou Nico. O garoto estendeu a mão direita para a maçaneta de ouro reluzente da porta e a girou. A porta se abriu com um agudo e quase inaudível rangido, e a luz amarelada que emanava de uma lâmpada no centro do teto da cabine varreu as sombras do corredor atrás de Nico. O filho de Hades entrou hesitante dentro da cabine de Percy, varrendo o local com os olhos a procura do filho de Poseidon; mas não o encontrou. Andou a passos lentos e silenciosos até a cama, que por sinal também estava vazia. Sentia a inquietação dissolvendo-se aos poucos dentro dele, dando lugar a uma pequena frustração. Nico estava prestes a desistir de procurar por Percy, quando ouviu uma voz vagamente familiar atrás de si, e seu coração se acelerou violentamente.

– Nico? – indagou Percy. Sua voz era um sussurro baixo e rouco. A viagem ao Tártaro não o fizera bem algum. Nico girou o corpo na direção da voz até encontrar os calorosos olhos verdes do filho do mar, e seu coração deu mais uma leve guinada. – O que faz aqui?

Nico, por um momento, não soube como reagir ou sequer o que dizer tamanha era a felicidade por estar simplesmente olhando-o parado na soleira da porta.

– Eu estava querendo conversar com você. – conseguiu dizer Nico, sua voz soando firme e determinada.

Percy adentrou na cabine, e andou a passos lentos e mancando levemente até a cama que estava encostada na parede, com uma mediana janela circular acima, com vista para o mar enegrecido pela noite, e sentou-se na beirada do colchão macio. Segurava uma garrafa de plástico transparente na mão esquerda, com apenas um terço do liquido dentro da garrafa. Seus olhos fitavam os de Nico, esperando que ele dissesse o que queria. Nico, inquieto, trocou o peso do corpo para a outra perna antes de começar a dizer, com as mãos dentro do bolso de sua calça preta.

– Você se lembrou de tudo – começou Nico. – certo?

– Sim – respondeu ele. Levou o bico da garrafa aos lábios e tomou um longo gole de água e depois acrescentou: — Tudo.

Nico entendeu que o tudo de Percy não significava o mesmo que o seu tudo, porém se manteve firme e teve de controlar a voz com sua força de vontade para que ela não fraquejasse.

– Você conseguiu se lembrar daquilo que sua cabeça dizia ser importante? – perguntou Nico, lembrando-se da confusão do filho do mar àquela tarde em Paris, quando ele lutava para lembrar-se de algo que simplesmente não conseguia.

– Ah... Aquilo. – sua voz se tornou baixa e ele desviou os olhos dos de Nico, percebendo de repente como o piso era bonito, e continuou, ainda fitando o chão. – Acho que foi só um sonho, então não se preocupe.

– Que sonho? – perguntou Nico, inquieto. Geralmente os sonhos que semideuses têm pode ser alguma premonição para desastres futuros ou algo que possa estar acontecendo em algum lugar do mundo.

Percy hesitou, mas enfim, após exalar fortemente o ar dos pulmões, decidiu contar.

– Era um sonho estranho, na verdade. Com você, Nico.

– Eu? – surpreendeu-se Nico. Ele quase sempre tinha sonhos com Percy, mas acontecer o contrario era algo improvável.

– Sim – continuou o moreno. – Realmente muito estranho.

– Conta logo, droga! – Nico não conseguia se aguentar de curiosidade.

– É meio... – ele hesitou, erguendo os olhos para Nico, e logo em seguida desviou o olhar para a parede à esquerda, continuando em seguida com voz um pouco mais alta que um sussurro: — constrangedor.

Nico percebeu que o rosto dele estava levemente corado e que ele evitava olhá-lo nos olhos. Constrangedor? Eu tenho sonhos constrangedores com você sempre. Já até fizemos coisas constrangedoras, lembra? Quis gritar Nico, confuso e ansioso. O filho de Hades aguardou ele prosseguir e contar o sonho, mas Percy não dizia nada; seus olhos moviam-se inquieto da parede para os próprios pés. Vendo que Percy não agia, Nico decidiu então mudar a abordagem, com um novo pensamento em mente: se ele gostou de mim uma vez, o que o impede de gostar novamente? Sentou-se ao lado dele, o coração acelerado batendo no peito.

– Percy – começou Nico, a voz carregada de vergonha e medo. – Não foi por causa de sonhos bobos que eu vim aqui...

– Não chame de bobo. – a voz dele disse, em tom quase inaudível. Seus olhos se estreitaram e espreitavam o chão com um olhar um pouco... Enfurecido?

– O quê disse? – perguntou Nico, confuso.

– Eu disse para não chamar de bobo. – ele disse em alto e bom som agora, e seus olhos se cravaram no rosto pálido de Nico, cheio de convicção. – Você quer que eu diga o sonho? Certo! Eu digo! – ele respirou fundo, e continuou: — Eu sonhei com você, e nesse sonho parece que eu gostava muito de você, pois a gente se abraçava e se beijava como dois verdadeiros namorados, nem ligando para o que os outros iriam pensar. Eu sentia que te amava; que queria você por perto. Aí fomos pra cama... – ele interrompeu a narração e olhou assustado para os olhos negros de Nico e seu rosto foi invadido por um rubor profundo, e ele em desespero começou a dizer: — E-eu sei que isso é confuso e tal, mas foi só um sonho, certo? – e Nico mal teve tempo de responder, ele prosseguiu, preso em seu monólogo: — Não. Alguma coisa me diz que não foi só um sonho, e eu também quero acreditar que não foi só um sonho. – Ele agarrou a mão direita de Nico e a apertou fortemente, e Nico não a recolheu ou pareceu assustado. – Nico, eu acho que eu gosto de você...

E ele ficou em silêncio por um tempo, apenas segurando a mão pálida e frágil de Nico em sua mão grande e quente, de pele áspera devido à viagem ao Tártaro. Nico pôs sua mão esquerda por cima da mão que apertava a sua com inquietação e aparente medo, assim como ele se sentia quando entrou na cabine, e disse de forma calma, quando as peças começaram a se juntar como um jogo de quebra-cabeça em sua mente:

– Percy. E se eu te disser que esse sonho, não foi apenas um sonho?

O filho do mar ergueu os olhos que fitavam o toque apaziguador de Nico sobre sua mão, e seu olhar era confuso; seus lábios tremiam e Nico pôde sentir os batimentos do moreno através de suas mãos quentes e levemente suadas.

– Se eu te disser que tudo isso realmente aconteceu? – prosseguiu Nico, sentindo uma felicidade se agitar dentro dele como uma cobra flamejante. – Se eu te disser que essas lembranças são reais, e que eu também te amo? Se eu te dissesse como me senti saudade quando você desapareceu; como fiquei novamente alegre quando te vi no Acampamento Júpiter, e quando perdi o chão sobre meus pés quando você caiu no Tártaro?

Nico envolveu o corpo grande de Percy num abraço, sentindo tudo que há tanto tempo estava entalado em sua garganta agora fluir junto de sua dor e preocupação. Sentia um peso sendo tirado de suas costas; se sentia mais leve e menos preocupado.

– Mas agora você está aqui, e me sinto bem de novo. – concluiu Nico, apertando o abraço no corpo do moreno. Por um momento, Nico sentiu medo de ser rejeitado, pois Percy não se movia e nem retribuía o abraço, mas tão rápido essa sensação chegou, mais rápido ainda se foi quando os braços fortes dele o envolveram num abraço egoísta e apertado, repleto de amor e saudade.

– Desculpe te abandonar. – ele disse; o rosto aninhado no ombro magro do garoto, a respiração quente roçando em seu pescoço. – Eu jurei que não te abandonaria, e mesmo assim...

– Você não teve culpa, Percy. – acalmou-o Nico, enterrando os dedos nos cabelos do moreno, entrelaçando os fios macios nos dedos.

Nico sentia o coração bater forte no peito; o corpo se aquecer com o aperto de Percy, e ainda mais seu coração se aquecia, tamanha era a felicidade. Nico se afastou do abraço, e colocou as mãos no rosto de Percy, olhando-o com ternura nos olhos verde-mar que brilhavam e tremeluziam com a luz amarelada.

– Eu senti sua falta – disse Nico, inclinando o corpo na direção de Percy, tocando seus lábios finos e quentes num beijo que há muito tempo ele aguardara e ansiara; Nico moveu a língua, procurando entrada para o interior dos lábios do moreno, e não houve resistência, e assim suas línguas úmidas e quentes se entrelaçaram num beijo quente, sentindo novamente o sabor de sua boca; a sensação que ele lhe passava quando estavam ligados numa espécie de ligação empática um pouco diferente. Nico não conseguiu controlar e sentiu os olhos se encherem de lágrimas; porém essas lágrimas quentes e salgadas... Eram de felicidade, uma sensação que Nico temeu nunca mais sentir novamente.

Percy parou o beijo abruptamente, afastando os lábios e o corpo de Nico, levantando-se de supetão da cama. Nico o olhava confuso. Ele cerrava os punhos com forças, tanta era ela que os nós de seus dedos se tornaram brancos; ele mordia os lábios enquanto seus olhos estavam fortemente cerrados. Aquilo o assustou, mas antes que Nico pudesse perguntar algo, Percy disse primeiro.

– Nico – sua voz tremula surpreendeu ao filho de Hades. -, eu não posso.

– O quê? – ele não acreditava em seus próprios ouvidos. Seria outra peça pregada por seu corpo? – O que foi?

– Eu não posso, Nico. – sua voz tremia e estava embargada. – Eu não posso.

Nico permaneceu em silêncio enquanto Percy abria lentamente os olhos e olhava em sua direção, com uma expressão triste no rosto.

– Eu não posso fazer isso. – disse ele. – Isso não está certo. E eu nem sei mais o que é certo.

– Do que você está falando, Percy? – a alegria de outrora se apagara, e uma brisa gélida de preocupação e medo congelava seu interior.

– Estou falando disso, Nico. De tudo. Eu gosto de você, na verdade, eu acho que realmente te amo, mas... Eu me sinto da mesma forma em relação à Annabeth, por mais que ela se preocupe muito com você e comigo a ponto de colocar de lado os próprios sentimentos, eu não consigo deixar de amá-la. Quando estou perto de você, me sinto feliz e seguro, mas também me lembro dela a todo o momento; e uma sensação de como se eu estivesse fazendo a coisa errada me toma, e é a mesma coisa quando estou perto dela.

Ele parou por alguns instantes, examinando o rosto perplexo de Nico. Eu sou um erro?; Nico havia parado de escutar ao ouvir isso. Seu coração doía, e seus olhos ardiam, mas ele se recusava a desabar em lágrimas; não queria mostrar fraqueza. Ele continuou:

– Eu não sei o que fazer. Não sei quem escolher.

Escolher? Nico sabia quem ele escolheria; afinal, não podia competir com a filha de Atena, com seus cabelos dourados e olhos que eram como prata derretida; com sua inteligência e modéstia; não tinha como. Mas não conseguiu segurar, e sem pensar disse:

– Escolher? Eu não sou um objeto, Percy; você não pode simplesmente me pegar, experimentar e depois me descartar como se eu estivesse vencido ou estragado.

– Nico...

– Não! Não fale meu nome. – Nico agora sentia raiva; sentia raiva por ter sido tão facilmente levado pelos sentimentos e pelo calor do momento; sentia raiva dele, por tê-lo feito se apaixonar, por mais que não tivesse culpa; sentia raiva; sentia-se enganado, traído. – Eu tenho sentimentos, Perseu. Eu tenho vida; eu não sou um cadáver frio sem um coração que bate. Eu tenho sangue assim como tenho um coração! E você brincou com ele! – o ar tremeluzia fantasmagoricamente ao redor do filho de Hades, acompanhados de finas fissuras que se alargavam no piso da cabine. Percy parecia não notá-las.

– Nico, me desculpe.

– Por que nunca disse antes? – perguntou Nico, agora mais recuperado, sentindo novamente o controle de sua fala e de seus pensamentos. As fissuras se encolhendo até desaparecerem; o ar em volta se tornando apenas ar.

– Eu não cheguei a ter chance. – respondeu ele. – Acabei de ver que tudo foi realmente real. Eu pensava que só tinha Annabeth, assim como ela só tinha a mim. Eu não tenho culpa por ter minhas memórias roubadas.

Não, você realmente não tem; refletiu Nico. É ELA a culpada. Aquela deusa...

Nico respirou fundo, e por mais que o que fosse fazer a seguir fosse doer, ele tinha de fazer, pelo bem dele. Tem de se amar para estar ao lado, mas tem de amar mais ainda para deixar de estar sempre ao lado, dando lugar a uma pessoa melhor.

– Tudo bem, Percy. – Ele olhou nos fundos dos olhos verde-mar dele, e sentiu as forças o abandonarem, e seus olhos se encheram de lágrimas, e essas eram de dor. – Você merece alguém melhor do que eu.

– Nico... – protestou ele, a voz fraca.

– Está tudo bem.

– Isso é suicídio...

[You say this is suicide]

Não… É pior do que isso; pensou Nico.

[I say this is a war]

– Não Percy… Isso é uma Guerra. Uma guerra entre o que eu sinto e o que é melhor. – Mesmo que você seja o melhor para mim, não sou o melhor para você; pensou Nico, triste, abatido; tudo de negativo possível junto.

[And I'm losing the battle]

Nico se levantou da cama, sentindo seus olhos serem invadidos por lágrimas que ele não conseguia reprimir. Ele virou as costas à Percy; ele virou as costas aos olhos que o conquistaram, a par de olhos que ele tanto amara, e andou a passos rápidos, quase correndo, na direção da porta.

– Nico. – a voz de Percy o chamou e Nico parou no mesmo instante. O filho de Hades olhou por sobre os ombros, vendo Percy parado, olhando para ele com os olhos pesando de dor e tristeza. Ele ergueu os braços, dizendo: — Se você quiser me bater, bata.

– O que? – surpreendeu-se Nico. – Eu nunca...

– Se você quiser gritar comigo; grite. – ele cortou rapidamente, levantando o rosto. Parecia um prisioneiro que estava prestes a ser pregado numa cruz: braços abertos e estendidos, olhar vago e rosto inclinado para cima. – Se você quiser sair e nunca quiser olhar na minha cara, vá. – continuou ele; um fio de lágrimas escorreu solitário em sua bochecha esquerda. – Eu mereço tudo isso... Fui um idiota; sou um idiota.

Nico apenas observava-o incitar Nico a fazer qualquer coisa para extravasar a raiva, mas Nico não sentia raiva dele e sim de si mesmo. Ele prosseguiu:

– Se você quiser me esquecer; esqueça. Se vo...

Nico não suportou aquilo. Simplesmente não queria mais ouvi-lo dizendo aquele monte de bobagens impensadas. Andou na direção de Percy a passos largos, cerrando fortemente o punho direito e acertou o filho de Poseidon no lado esquerdo do rosto; ele se desequilibrou e despencou para o lado, por pouco não caindo de cara no chão, mas seus pés se firmaram e ele rapidamente se colocou em pé, seu corpo ereto novamente. Seu lábio inferior sangrava onde um corte foi formado pelo impacto do anel de prata em forma de caveira que Nico usava; seus dentes estavam manchados pelo liquido rubro. Nico não se sentiu nem um pouco arrependido de tê-lo socado, e faria de novo se ele repetisse aquilo.

– Você pode dizer que sou um erro, ou que foi um erro o que fez comigo. – disse Nico, virando as costas e andando lentamente em direção à porta, prosseguindo enquanto andava: — Você pode pedir que eu te bata; que eu grite. Qualquer coisa. – Nico chegou à porta. Abriu-a por completo e pisou um pé para fora da cabine, mas antes de sair, olhou por sobre os ombros na direção de Percy, e disse num tom de voz melancólico e repleto de tristeza, com o coração em cacos rasgando seu peito de dor emocional: — Mas nunca me peça pra te esquecer, porque eu não consigo. – E nem quero, acrescentou em pensamento.

Nico saiu da cabine, fechando a porta atrás de si violentamente, andando a passos largos no corredor; com as lágrimas a lhe inundarem dos olhos e molhar-lhe o rosto, tornando a visão embaçada e turva. Nico esbarrou em alguém na pressa de esconder as lágrimas doloridas, mas não parou.

– Nico? – perguntou uma voz feminina, soando profundamente preocupada. – O que foi? – tornou a perguntar a voz, mas Nico já havia desaparecido, em direção ao convés banhado da luz mórbida do luar.

Andou em direção ao mastro, quando esbarrou em alguém novamente, porém não conseguiu continuar andando, pois mãos fortes o seguraram pelos ombros e uma voz grave e preocupada perguntou:

– Nico? O que houve?

Nico tentava identificar a voz, mas sua mente era um turbilhão de pensamentos e sentimentos, e a dor trespassava seu corpo como uma lança. Ele levou a mão aos olhos e limpou as lágrimas com as costas da mão pálida, e enfim a visão entrou em foco, e ele fitava, soluçando, o rosto contorcido de preocupação de Jason, com seu par de olhos azuis a brilhar como estrelas gêmeas. Nico tentou falar a ele o que havia acontecido, porém as palavras se enroscaram na garganta e a única coisa que conseguia fazer foi chorar; afundou o rosto nos ombros fortes e musculosos dele, molhando a camiseta do filho de Júpiter com suas lágrimas quentes, salgadas e incessantes.

– Calma, Nico. Calma. – tentava acalmá-lo Jason, acariciando gentilmente sua cabeça, afundando seus dedos nos cabelos desgrenhados de Nico; mas ele não conseguia se acalmar. A tristeza era muito forte. Ele empurrou gentilmente o corpo trêmulo de Nico, e segurou seu rosto com duas mãos quentes e macias. – Está tudo bem. Está tudo bem.

– N-não... – murmurou Nico entre soluços, encharcando as mãos de Jason com suas lágrimas. – Não... Está... Tudo... Bem... – disse Nico, lentamente; seu corpo sendo sacudido pelos soluços incontroláveis.

Jason tentou dizer algo para acalmar Nico, mas era em vão; o filho de Hades continuava a chorar e soluçar, a respiração descontrolada e carregada de dor. Então, súbita e inesperadamente, Jason se inclinou na direção do rosto de Nico e beijou seus lábios trêmulos de choro, fazendo o filho de Hades enfim se calar.

Annabeth entrou no quarto de Percy, ainda confusa.

– Percy – disse ela. – Acabei de ver o Nico passando correndo e chorando pelo corredor. O que...

Ela parou quando viu Percy sentado na cama, com um pano branco manchado de vermelho sobre os lábios; seus olhos estavam marejados de lágrimas, que ele tentava desesperadamente secar quando viu Annabeth adentrar na cabine

– O que houve? – perguntou ela, e Percy nem se deu ao trabalho de precisar responder. Ela leu a expressão no rosto de Percy. – Ah, não...

Percy apenas assentiu levemente com a cabeça.

– O que você fez com ele? – perguntou ela, caminhando a passos pesados e cheios de raiva na direção de Percy. – VOCÊ PROMETEU QUE NÃO O FARIA CHORAR! – ela agarrou o colarinho da camiseta de Percy e o levantou da cama, colocando-o de pé. Seus olhos brilhavam de raiva e parecia que uma aura de puro ódio pairava acima dela. – ELE TE AMA E VOCÊ O FAZ CHORAR?! VOCÊ É IDIOTA OU O QUE?

Percy não a olhava nos olhos; fitava o chão da cabine com olhos carregados de dor, medo, tristeza e arrependimento.

– Eu precisei fazer isso. – disse ele, erguendo o olhar na direção dos olhos acinzentados de Annabeth. – Eu tinha de fazer ele se afastar de mim o mais rápido possível.

– Por quê? – perguntou ela, apertando mais o colarinho na mão, quase enforcando Percy.

– Por que eu não sei se vou voltar vivo da batalha final contra Gaia – disse ele, por fim. – E é melhor que ele tenha raiva de mim quando eu morrer, isso vai doer menos...

– Menos? Morrer? – ela largou o aperto da gola da camiseta de Percy, e ele arfou, grato, por ar. – Acho que não funcionou muito bem. – ela bufou, colocou as mãos na cintura e olhou com pena nos olhos de Percy. – Francamente Cabeça-de-Alga; você não está morto, certo? – Percy assentiu, confuso com o sentido da pergunta. – Então por que tentar afastar ele? É melhor morrer sabendo que alguém o ama do que com alguém o odiando.

Sério, Annabeth fazia tudo parecer tão mais claro para a mente lerda de Percy. Ele colocou a mão em cima da cabeça, constrangido com sua idiotice.

– O que você disse a ele? – perguntou Annabeth.

– Eu disse que gostava de você assim como dele, e ele me fez escolher você. – respondeu Percy, aguardando algo como um cascudo forte que afundasse seu crânio. Mas nada lhe atingiu, ao invés disso, ele viu Annabeth com o braço erguido na direção da porta, o dedo indicador apontando para a porta aberta que levava ao corredor.

– Vá. – disse ela. – Vá antes que ele faça alguma besteira. Antes que você o perca. VÁ! – Gritou, e Percy não esperou: correu quarto afora com pernas tremulas, desejando que Nico ainda estivesse ali para que ele pudesse consertar a idiotice que havia feito.

Nico. Me desculpe.

Notas finais
Opa Opa Opa, agora a coisa fica série... Quem esse Jason pensa que é pra roubar um beijo do meu irmão quando ele está tão fragilizado? E eu? fico como? Também quero beijo EHUEHE' Enfim, como puderam perceber, neste capitulo assim como no outro, coloquei alguns trechos - à direita - da música que me inspirou essa FIC, caso não tenham ouvido ainda é essa: - Bring Me The Horizon - It Never Ends ( olhem essa letra, sério u.u' ) Espero que tenham gostado, sério... Não esqueçam de comentar, curtir uehueh, favoritar recomendar acompanhar, etc etc etc Qualquer sugestão, critica, ou ideia, é so comentar que farei o possivel... Obrigado novamente, amo vcs