Eyes That I Love Both (REMAKE)

13 Consolo. Desabafo. Atitude.


Notas iniciais
ai, outro capitulo ... Três em um único dia... me amem, okay u.u Enfim, Jason faz sua aparição ... Espero que gostem, sério... (esse não tá tãaao depressivo :3) - ESTE LIVROS CORRESPONDE AO 3º LIVROS DA 2ª SAGA ( A CASA DE HADES ) -

Nico andava a passos decididos em direção à cabine de Percy.

Sua mente não era mais o turbilhão de pensamentos confusos, e agora ele finalmente sabia o que fazer — tudo graças a Jason.

Já era noite cerrada céu acima, e nem os pássaros cantavam.

Nico estava parado próximo a Festes, a figura de proa do navio com seu corpo de bronze cintilando à luz azulada da lua, com a espada de ferro negro pendurada na cintura e a jaqueta em volta do corpo. Ele olhava sem expressão para as águas escuras do mar, pensando em tudo que havia sido praticamente obrigado a dizer. Agora Jason sabia que ele gostava de Percy e também o que era. O filho de Júpiter insistia em se aproximar, tentando de alguma forma ajudar Nico, isso ele bem sabia; mas simplesmente não queria ser ajudado, porque não tinha como. Ele havia dito para Nico parar de se esconder, e essa verdade apunhalou seu coração como uma adaga afiadíssima, deixando-o enraivecido.

E falando nele...

Jason se aproximava a passos lentos e hesitantes, com as mãos nos bolsos de sua calça jeans azul-escuro, usando a camiseta roxa do Acampamento Júpiter, com as letras SPQR gravadas no tecido. A fraca e pálida luz da lua fazia seus olhos azuis brilharem intensamente, como pequenos faróis de neon, e Nico não podia negar que ele era realmente muito belo e atraente.

– Ehr... Olá, Nico. – saudou ele, com a voz fraca e temerosa.

Medo. Essas eram as reações clássicas que todos tinham quando estavam de frente a Nico, e não era de se surpreender. Um filho de Hades tinha a aura da morte pairando sobre ele? Nico não sabia, mas parecia que ele sempre andava com o corpo coberto de sangue, e todos temiam se aproximar dele – exceto Percy, que sempre foi tão gentil com o filho de Hades, sempre o tratando como a pessoa que ele era, e não pelo filho de quem ele era.

– Olá, Jason.

– Eu queria conversar com você, se possível... – murmurou o loiro, recostando-se à amurada do lado direito de Nico, pousando os cotovelos na madeira, fitando o rosto de Nico.

Novamente; pensou Nico, amaldiçoando-se a si mesmo. O garoto balançou afirmativamente a cabeça, incitando o loiro alto a prosseguir com seja lá o que fosse que ele quisesse dizer. Ele hesitou por alguns instantes, provavelmente procurando a forma certa de iniciar a frase – ou o sermão, pensou Nico.

– Sabe – começou ele, fitando o chão do convés. -, eu realmente quero muito te ajudar...

– Eu não preciso de ajuda. – cortou Nico rapidamente, levantando-se e pronto para sair dali, não querendo tocar novamente no assunto. Mas o garoto tocou seu tórax frágil com uma mão grande e quente, empurrando-o para trás e impedindo que Nico se desvencilhasse do sermão que viria a seguir.

–... Mas você não me deixa ajudá-lo – continuou ele, ainda pressionando o corpo de Nico contra a amurada. Ele olhou com seus olhos azuis nas esferas negras do filho de Hades, seu rosto implorando, preocupado. – Deixe-me ajudá-lo, Nico. Por favor.

Nico respirou fundo.

– Como você acha que pode me ajudar? – perguntou ele, sua voz soando mais grave do queria.

– E-eu não sei...

– Então como espera me ajudar? – perguntou Nico, empurrando o corpo para frente, tentando se libertar da mão forte que o pressionava, mas novamente a palma o empurrou contra a amurada.

– Espero um pouco, está bem? – ele exalou o ar dos pulmões pesada e longamente, e após uma pausa continuou: – Eu realmente não sei como você está se sentindo...

– Não sabe mesmo.

–... mas mesmo assim eu quero ajudar. – continuou ele, sem nem dar atenção à interrupção de Nico. Ele riu consigo mesmo, diminuído a pressão da mão contra o peito de Nico, e refletiu, mais para si mesmo: — Eu não sou tão bom conselheiro como a Piper, mas de qualquer forma eu sou a única pessoa que sabe. – ele olhou nos olhos de Nico. – Certo?

Nico hesitou. Como contar que provavelmente Annabeth sabia, assim como seu pai, Afrodite e metade de todas as pessoas que conhecia? Bem, estas últimas não diretamente, mas poderiam especular mesmo na brincadeira.

– Não... – Cedeu Nico. Acho que eu realmente preciso desabafar de alguma forma; pensou ele, decidido.

– Não? – Jason arqueou as sobrancelhas à negação.

– Não. – Nico olhou para os próprios pés. – Vou te contar algo, que pode ser ainda mais secreto que isso. – Ele ergueu os olhos para os de Jason. – Jure que não vai contar a ninguém.

– Eu juro, claro que juro.

– Pelo Estige...

– Juro pelo Estige. – cedeu ele.

Então Nico respirou fundo, e contou.

Contou do dia em que havia viajado para Tokyo, e lá havia ficado por algumas longas semanas, andando sem rumo pelas ruas da grande cidade. Sobre como se sentia em relação à Percy quando pensava que o sentimento que sentia dentro de si era proibido e impossível, e sentia o choro já ameaçando subir pela garganta enquanto relatava resumidamente os fatos. Contou da saudade enorme e súbita que havia sentido dele e da visita que havia feito durante a noite ao filho do Deus do Mar, e de que dormiu no sofá da sala dele, e também do pesadelo que teve; e foi ai que Nico sentiu as primeiras lágrimas se formaram em pequenas e rasas poças úmidas em seus olhos.

Continuou o relato, agora sem hesitar. As palavras fluíam de seus lábios como água de uma torneira aberta. Contou que havia ido embora durante a madrugada mesmo com a insistência de Percy para que passasse a noite; por algum motivo desconhecido, Nico escondeu o fato de que se encontrou com a deusa do amor e da beleza, pulando diretamente para a parte em que viajara pelas sombras diretamente para seu chalé no acampamento, dormindo e acordando apenas uma semana e cinco dias depois, o que provocou uma surpresa no rosto de Jason, que tão atentamente ouvia o relato de Nico, com uma expressão de tristeza no rosto. De alguma forma Nico pensava que ele estava sentindo a dor de Nico através de suas palavras. Contou que se encontrou novamente com Percy no acampamento e que conversaram durante o almoço, e até disse ao filho de Júpiter o assunto. Contou que se sentiu triste, com ciúmes, nervoso; a mistura de vários sentimentos confusos e fortes dentro de seu coração, e que este parecia explodir de tanta pressão. Contou que foi encontrar o pai, e que este lhe dera um frasco contendo um pó mágico que faz dormir, percebendo a grande tristeza que caía sobre o filho, entendo e já sabendo tudo que se passava.

– Então eu dormi, graças àquele pó, por dois dias inteiros. – disse Nico, a voz trêmula, sabendo que chegava aos poucos na parte mais calorosa e feliz que deixaria seu coração em cacos. – E quando acordei, com muita fome, decidi comprar um lanche em qualquer lugar que fosse, e depois de comprar, fiquei andando sem rumo pelas ruas de Nova York.

“Andei por tanto tempo mesmo depois das minhas fritas e refrigerante terem acabado. Estava quente, e escuro e eu andei sem rumo, nem sabendo onde estava; só querendo tirar ele da minha mente, mas... aquele desgraçado continuava a aparecer! E quando me dei conta, eu estava próximo à região onde ele morava em seu apartamento, e quando tentei fugir, ele apareceu, fazendo com que eu ficasse sem ação, embora estivesse com saudades. Conversamos ali mesmo, no meio da calçada; ele me falando que conversou há pouco com a Annabeth e que por causa do que eles conversaram, ele estava precisando tomar ar puro. Eu nunca soube o que era o que eles haviam conversado, mas seja o que fosse o deixou realmente muito abatido.” Nico parou para secar uma lágrima que escorria solitária em seu rosto.

– Eu tentava me afastar – disse Nico, a voz já sendo tomada pela raiva; não por Percy, mais raiva de si mesmo. – Mas quanto mais eu me afastava, mais esse sentimento ficava mais forte.

“Eu tentei ir embora, me afastar dele novamente, sentindo a raiva me queimar só dele ter mencionado o nome dela, mas eu estava sem forças, e ele me convidou para comer bolo em sua casa, e dormir lá até que eu recuperasse as forças. E assim eu fui em parte feliz por poder estar perto dele; sentir a presença dele me reconfortava e quando eu estava perto dele eu não sentia esses pensamentos em minha cabeça, mas só felicidade, embora eu tivesse que lutar para não demonstrá-la. Comemos e então fomos dormir, e foi aí que tudo ficou confuso...”

Nico interrompeu a narrativa sentindo as lágrimas voltando a encher seus olhos; a respiração ficando descontrolada.

– Nico... – disse Jason, com tom de voz baixo e gentil. – continue.

E ele continuou, sentindo a lembrança feliz machucar seu peito:

– Ele... Ele disse que estava gostando de mim, e quando ele disse isso, eu realmente pensei que fosse apenas mais um de suas brincadeiras sem graça...

– Sim, ele as faz muito. – observou Jason, sorrindo fracamente.

–... Mas não era. – continuou Nico.

O quê? – a voz de Jason estava repleta de confusão e ele parecia estar totalmente desacreditado, assim como Nico havia se sentido. O garoto fez um sinal com a mão, pedindo para continuar. – Desculpe. Prossiga.

– Eu me surpreendi de inicio também, mas depois, não sei o porquê, eu me senti confuso e me descontrolei, tendo uma reação errada.

“Ele insistiu em continuar, dizendo que não mais aguentava guardar esse sentimento só para ele, mas eu não queria ouvir, porém ele não ligou e continuou mesmo assim, dizendo que me amava e coisas do tipo.” Nico parou, respirou fundo e continuou: “Não vou dizer que não gostei; fiquei muito feliz; feliz é pouco. E após alguns acontecimentos confusos, ele me beijou, quando eu disse que também gostava dele... E assim...” Nico hesitou, sentindo a vergonha se sobrepor à tristeza por um momento, não sabendo como colocar em palavras o que havia acontecido.

– Então nós... Nós...

– Tá. Eu entendi. – Cortou Jason com um aceno de mão, enfim aliviando a pressão contra o peito de Nico e voltando a se recostar na amurada do navio. – Então é isso.

– Mas ele parece não se lembrar de nada. – Acrescentou Nico logo em seguida, não querendo que Jason pensasse que Percy o havia enganado. – Parece que Hera – ou Juno – roubou essa memória dele.

– Entendo... Isso é realmente confuso... – Ele levantou o olhar para os olhos negros de Nico, avermelhados por causa do choro, e disse com uma voz carregada de dor: — E muito triste Nico. Eu sinto muito. Mesmo.

Nico ficou em silêncio. Será que realmente sente? Pensou ele, duvidando.

– Então – começou a dizer ele, e Nico se atentou a voz. – se ele se esqueceu, a única coisa que você tem de fazer é lembrá-lo, não?

O garoto olhou confuso para o loiro ao seu lado.

– Mas... Não é tão fácil assim.

– Não vamos saber até tentar. Quer dizer, não vai saber até tentar. – corrigiu-se.

Ele tinha razão. Nico acenou afirmativamente a cabeça, entendo a linha de raciocínio de Jason.

Nico limpou os olhos marejados de lágrimas e, por algum motivo impensável e confuso ele abraçou Jason fortemente, e engolindo o ultimo soluço disse:

– Obrigado Jason. – Ele apertou mais o abraço, enterrando o rosto nos ombros dele. – Obrigado mesmo.

O filho de Júpiter hesitou por um momento, estupefato, mas enfim retribuiu o abraço, envolvendo o corpo pequeno e frágil do filho de Hades em seus braços quentes e fortes.

– Eu só quis ajudar Nico. – disse ele. – Não tem que agradecer.

Nico se afastou do abraço dele, olhou-o nos olhos e passando por ele, andou na direção das cabines, onde em uma delas, Percy estava.

Cinco metros à frente Nico avistou a porta da cabine de Percy. Acelerou os passos, e quando chegou de frente para a porta, respirou fundo, pensando no que iria dizer ao filho do mar e, hesitante, ergueu o punho, batendo com o nós dos dedos na superfície dura e irregular da madeira.

Notas finais
eeeeh, Jason, você é um cara tão legal, te amo cara, vemk seu tesudo ... Enfiiiim, gostaram? Ahn? Ahn? Espero que sim... realmente espero... Comentem, curtam ( sqn ), recomende, favoritem e espalhem a linda semente que é Pernico :3 Ai love you peoples :3