Notas iniciais
Aí mais um capitulo, leia e se divirtam :3 Pessoas lindas do meu coração que estão essa budega de montão :v heheheeh' Desde já, peço desculpas pelo capitulo à seguir... está um pouco ... emo ... depressivo... Mas, enfim ... Divirtam-se o/ - ESTE CAPÍTULO CORRESPONDE AO TERCEIRO LIVRO DA SEGUNDA SAGA ( A MARCA DE ATENA ) -

Encontrar as Portas da Morte, sozinho, foi uma ideia idiota.

Nico havia pensado que, por ser um filho de Hades, ele aguentaria andar pelo Tártaro, porém não foi isso que realmente aconteceu.

Ele quase morreu, e ainda por cima caiu nas garras das hostes de Gaia, diretamente em sua armadilha.

Foi mandado para Paris dentro de um jarro mágico que o impedia de fazer qualquer coisa a não ser respirar o ar pesado e vicioso conforme o tempo passava. Ele havia comido as sementes que seu pai lhe dera para casos de extrema periculosidade, e assim caía em transe, evitando que morresse por falta de ar. Durante os momentos de coma induzido, Nico via sua vida passar por sua mente como um flash back, e isso lhe machucava.

Vendo o quão bom e feliz era seu passado, ele se sentia com uma enorme vontade de voltar no tempo e se aninhar nos braços de Bianca. Imagens de Percy e seu sorriso também passavam por sua mente em coma; os olhos verde-mar do filho de Poseidon e a forma que brilhavam, parecendo um par de jóias reluzentes. Viu em terceira pessoa a primeira vez em que beijou os lábios quentes dele, e da noite em que dormiram juntos, satisfeitos e felizes. Essas lembranças tristes realmente machucavam, e Nico se sentia morrendo aos poucos, sendo torturado por essas calorosas lembranças. Nico não alimentava esperanças de ser salvo; estava fadado a morrer como sempre pensou que seria quando chegasse a hora: sozinho. Ele apenas estava adiando o momento.

Mas, por ironia do destino, não foi isso que realmente aconteceu.

Ele foi salvo novamente por Percy, aumentando a divida que ele tinha para com o filho do mar, e um grupo de semideuses desconhecidos.

Percy, e o filho de Júpiter de cabelos loiros como ouro e olhos azuis como o céu em uma manhã límpida, de pele clara e lábios finos e uma pequena cicatriz no superior, — que Nico soube se chamar Jason — enfrentaram os titãs gêmeos com o auxilio de Baco, a forma romana de Dionísio.

Enquanto assistia a luta de longe, se mantendo em pé com dificuldade nos ombros de Hazel, Nico tentava, em vão, fazer algo. Suas pernas não se moviam, apenas tremiam; seus olhos estavam ainda meio turvos e embaçados e sua cabeça parecia girar e ele mal conseguia segurar a espada sem que ela caísse no chão.

A batalha enfim terminou, com a vitória de Percy, Jason e Baco, e eles subiram a bordo do grande navio flutuante chamado Argo II.

Lá, Frank e Leo – um garoto baixo e magricelo, de pele cor de chocolate e cabelos encaracolados de um tom de marrom escuro profundo, filho de Hefesto – contaram à Percy e os outros sobre a visão que tiveram de Annabeth sofrendo grandes apuros, em algum lugar chamado Edifício Emmanuel. Nico aproveitou o momento, contando tudo que aconteceu e tudo que sabia sobre as Portas da Morte e os planos de Gaia. Logo lá estavam eles, flutuando rapidamente em direção do tal edifício, em busca de Annabeth.

Nico estava sentado na amurada próxima à proa, com a espada negra pousada sobre as pernas, a cabeça baixa e olhos fechados, sentindo todo o corpo anestesiado e sem forças, quando ele ouviu passos se aproximarem em sua direção, e Nico quase não conseguiu erguer os olhos para ver quem era.

– Olá, Nico. – disse Percy, olhando Nico de cima com seus olhos verde brilhando intensamente.

– Percy. – conseguiu dizer Nico, maneando levemente a cabeça em saudação. O moreno alto se sentou ao lado de Nico, meio hesitante, e tocou os ombros do filho de Hades, examinando-o com um olhar preocupado.

– Está se sentindo melhor? – perguntou ele, com preocupação verdadeira na voz, e Nico se sentiu feliz por aquele simples toque, que fez seu coração se aquecer e se alegrar. Ele havia pensado que não chegaria a sentir aquele toque novamente, mas sentia agora, e ele era quente e reconfortante.

– Poderia estar melhor. – respondeu Nico, e Percy riu, e como Nico sentiu saudades desse riso espontâneo e feliz, que contagia qualquer um! – Aos poucos estou melhorando. – um repentino ataque de tosse tomou Nico, e quando se recuperou, perguntou à Percy: — e você?

– Preocupado. Agitado. Confuso. – ele respondeu.

Nico assentiu com a cabeça.

Entendia a preocupação dele, afinal Annabeth estava correndo perigo, e Nico sabia, por mais que isso doesse em seu coração, que Percy ainda gostava muito de Annabeth e vice-versa. Agitado por não conseguir fazer nada, a não ser andar para lá e para cá, Nico também compreendia. Mas confuso?

– Confuso com o quê? – perguntou o filho de Hades.

– Eu não sei – respondeu ele, acrescentando em seguida: — Só sei que é algo que eu deveria me lembrar, mas não consigo por mais que eu tente. Só me passa pela mente imagens sem sentido e fragmentos de frases... – ele olhou para a cidade que se estendia até o horizonte com suas construções de pedra, e concluiu: — Mas não é algo muito importante, creio eu.

– Não. – concordou Nico. – Agora nossa... – outro ataque de tosse. -... prioridade é encontrar Annabeth e irmos fechar as Portas e frustrar os planos de Gaia.

Percy assentiu com a cabeça, fitando longamente o rosto de Nico, até que ele desviou o olhar para Leo, que mexia descontroladamente nos controles mecânicos do navio, fazendo um longo e inquietante silêncio cair como um pedregulho sobre eles.

Nico estava prestes a perguntar a Percy sobre as memórias dele; se ele se lembrava de algo em relação a Nico, mas o filho do mar correu rapidamente até a amurada do navio quando Leo gritou que estavam próximos do edifício, e novamente Nico ficou sozinho, pensando.

Pensou se ele realmente se lembrava de Nico e daquela noite. Ele havia apenas se lembrado de Annabeth e o significado dela para ele, mas nada de Nico, o que poderia significar que ele não era muito importante para Percy como pensava ser. Ou que, propositalmente, a deusa que roubou suas memórias houvesse apagado completamente aquela lembrança da mente de Percy. Mas a pergunta era: Por quê? E como sempre, Nico não tinha a resposta. Mas conseguiria, e quando tudo aquilo terminasse e eles estivessem a caminho de Épiro, ele perguntaria a Percy.

Mas não teve a chance.

Percy e Annabeth haviam sido engolidos pela cratera formada do ninho de Aracne, e estavam agora quase caindo, com apenas Percy segurando a borda do precipício com uma mão trêmula. Nico assistia a tudo cinco metros acima, estagnado e sem reação na escada de corda do navio.

Percy, percebendo que não poderia salvar a ele ou a Annabeth, toma uma atitude impensável: pula no precipício junto de Annabeth, caindo no abismo sem fundo diretamente em direção ao Tártaro, e por um longo momento ninguém soube como reagir, a não ser Leo, que afastou o navio do edifício que desmoronava.

Recobrados do choque, eles rumavam em direção a Épiro, onde ficava o lado mortal das Portas; convictos a salvar Annabeth e Percy. O Argo II flutuava no céu noturno como um pássaro gigante.

Nico estava sentado no ponto de observação no topo do mastro do navio, sozinho, pensando em tudo que acontecera e com um turbilhão de pensamentos cada um pior que o outro a revolver em sua mente. E se ele nunca mais voltasse a ver Percy? Nico não quis pensar muito nessa possibilidade. Não sabia o que poderia ser dele sem Percy; não conseguia imaginar um mundo onde o filho do mar — com seu sorriso simples e aconchegante, com seus olhos que mais parecem um par de esmeraldas – não existisse. Ele queria pensar positivo e acreditar que eles conseguiriam; que iriam salvar Percy e Annabeth e juntos destruiriam os planos de Gaia e viveriam uma vida normal... Mas ele pensava que tudo isso era só fantasia, e que finais felizes só aconteciam em filmes clichês.

Lembrou-se do sonho que teve há muito tempo atrás na casa de Percy – aquele pesadelo. Nico havia perdido Bianca; havia perdido sua mãe; e agora iria perder Percy também? O garoto que ele tanto aprendera a amar? Não era justo...

A onda de tristeza se abateu sobre Nico, e logo ele sentiu as lágrimas que há muito apenas ameaçavam finalmente verterem de seus olhos em cascatas continuas de lágrimas quentes e salgadas, e ali ele ficou totalmente entregue ao desespero e à dor, com as lágrimas a molharem o rosto pálido e os soluços rompendo o silêncio da noite. Tinha de alguma forma deixar a dor fluir se não isso apenas o machucaria ainda mais por dentro.

– Eu não quero perdê-lo... – Disse Nico, em meio aos soluços e lágrimas repletas de dor e medo. – Eu não posso perdê-lo.

Esse pensamento era egoísta, claro, ele bem sabia; mas ele não dava importância, afinal o amor também é egoísta. Ele queria apenas ter Percy ali do lado, reconfortando-o com um abraço quente e apertado, onde ele choraria todas as dores que tem guardado dentro de si há tanto tempo. Mas ele não estava ali, e Nico tinha que se dar conta de que essa era a realidade. Não era mais uma criança viciada em Mitomagia. Ele respirou fundo, expulsando o choro que subia pela garganta, e limpou os olhos marejados de lágrimas na manga macia da jaqueta.

– Eu... – ele começou a dizer, mas logo se interrompeu, corrigindo-se: — Nós vamos salvá-lo, Percy... E Annabeth. – ele acrescentou depois de um momento. Por mais que não apreciasse a presença da filha de Atena, Nico não a odiava ao ponto de querer vê-la morta, pois — como ele sabia — Percy ainda gostava dela, já que sua presença e seus sentimentos tão fortemente expressados foram apagados da memória dele, e que ela também gostava muito dele, e que Nico era ali o peso morto; o empecilho. – E quando tudo isso acabar eu... – Não conseguiu terminar.

Quando tudo isso acabar, o que ele faria? Percy poderia muito bem escolher Annabeth ao invés dele, e ele teria de aguentar isso quieto e agradecer por pelo menos ele estar vivo. Mas era um pensamento dolorido, que Nico não queria continuar a pensar, embora ele não quisesse sair de sua mente.

Nico recostou a cabeça na madeira do mastro do navio, fitando a lua brilhante no céu escuro da madrugada. Escuro como seus pensamentos.

Daqui a alguns dias eles finalmente chegariam a Épiro, e poriam um fim nisso, e que fosse o que os deuses quisessem.

Nico se sentia tentado a desistir de tudo, e deixar tudo correr normalmente. E não era esse o jeito certo? Pensou ele; Droga, como isso tudo é confuso.

Notas finais
Capítulo depressivo pra caralho... omg ... Se não gostarem é só dar um comment ai ... Espero que tenham gostado. Não esqueçam de comentar, favoritar, recomendar, e espalhar essa linda semente colorida que é PERNICO ! Obrigado ...