Extraterrestres -interativa
4 Nate Booms
Eu estava sentado debaixo de uma macieira que fora plantada quando eu tinha apenas três anos, e que tinha um balanço de pneu que eu amava, embora eu não o usasse a anos. Eu lia pela milésima vez A Menina Que Roubava Livros, meu livro preferido. Seria a última vez que eu iria ler ele em dias, pois eu e meus pais iríamos passar as férias de verão na Itália, Roma. Eles me obrigaram a não levar meu livro, pois seria "peso desnessessário" na minha mala. E ainda apontaram que eu já sabia o livro inteirinho e cor. O que, eu tinha que admitir, era a mais pura das verdades.
O Sol baixava lentamente no horizonte, seus raios iluminando ás páginas cheias de orelhas do livro que eu lia, e a pilha de contos do Sherlock Homes ao meu lado, alguns que eu relia fazia meses, outros mais recentes. Eu estava adorando ir para a Itália, mas sentiria muita falta dos meus livros.
Virei a página, e vi o título do capítulo no alto da página "E Uma Vingança em Forma de Balinhas Mistas". O último capítulo do livro. Me espreguiçei, olhando para o relógio digital em meu pulso. Estava na hora do jantar (sim, comíamos o jantar no pôr do Sol, longa história) tinha que ir guardar meus livros se não quisesse que minha mãe viesse até ali me mandar fazê-lo.
Carreguei os livros, e andei em direção á casa em estilo colonial, azul escura e cor de creme, um enorme jardim de girassóis em seu torno, em homenagem á minha mãe, já que ela amava tais flores, elas estavam até mesmo em seu buquê no lugar das tradicionais rosas em seu casamento com meu pai.
Fui direto para o meu quarto, que era enorme, porém bagunçado. Abri a porta esquerda do meu guarda roupa, que não tinha roupa nenhuma. Eu o usava para guardar todos os meus livros, mas como eu não era a pessoa mais organizada do mundo, ficava meio difícil de achar as coisas ali. A única coisa que permanecia no lugar era a almofada bege onde eu colocava os meus livros favoritos, dentre eles A Culpa É Das Estrelas e O Outro Lado da Meia Noite. Obviamente, o melhor detetive de todos os tempos não ficava de fora.
Coloquei os livros ali, com certo esforço pelo peso, e fechei a porta do guarda roupa. Ouvi a voz de minha mãe da cozinha, me chamando para o jantar. Corri até lá, e me sentei no lugar de sempre, me servindo.
–Arrume o cabelo, Nate! -Ela sorriu carinhosamente. Eu apenas revirei os olhos, ela sempre falava isso para mim. Alexis Booms é muito bonita, os cabelos cor de chocolate, os olhos eram negros. Apesar de ter alguns fios grisalhos, nunca parecia ter mais do que vinte anos. Mesmo que ela tivesse quase quarenta. Éramos um pouco parecidos, algumas pessoas até achavam que ela era minha mãe de verdade.
–Filho, já arrumou a sua mala? -Meu pai perguntou, cortando com calma o salmão á sua frente. Terminei de mastigar as minhas cenouras antes de responder ele.
–Ainda não, pai.
–Mas é melhor arrumar hoje, amanhã não vamos ter tempo para isso. Promete que não esquece? -A minha mãe me perguntou, e eu assenti com a cabeça. Eu sabia que tinha uma vida maravilhosa, nenhum, nenhum problema mesmo. Tinha amigos ótimos, pais maravilhosos, nunca sofri bullying nem nada do tipo. E, acredite, eu agradecia á Deus todos os dias por ser tão abençoado.
Deixei meu prato de lado, e fui para o meu quarto arrumar a bendita mala. Eu a tinha comprado ontem, a bandeira dos Estados Unidos estampada ali, era bem resistente. Comecei a colocar as roupas lá dentro, sem um padrão correto. Conforme eu ia me lembrando eu colocava.
Senti então, outra emoção nos arredores da casa. Alguém que estava nervoso, até mesmo com medo. E isso era impossível, a nossa casa ficava no fim da rua, e tal emoção vinha do jardim dos fundos. Espiei pela janela, e eu vi um homem de terno preto, óculos escuros, agachado atrás de uma pedra. O que ele fazia ali? Não sabia. Mas estava determinado a descobrir.
Fui até a sala, onde meu pai lia o jornal, a foto em preto e branco de uma menina muito bonita na primeira página, o nome "Maysilee Cupper" em cima dela. Em baixo, tinha escrito em letras em negrito "DESAPARECIDA".
–Pai, eu esqueci um livro lá fora, posso ir pegar? -Perguntei, e ele fez com a mão um sinal de tudo bem, e eu sai, indo para o jardim dos fundos, guiado pela emoção que eu sentia vindo de trás da pedra. Me escondi próximo ao homem de terno, e percebi que ele falava alguma coisa em um fone de ouvido.
–...Ele está dentro da casa. Entro agora? -Ele ouviu a resposta por um momento antes de voltar a falar. -Está certo, vou tentar ser discreto... -Mais uma vez a pessoa do outro lado da linha disse alguma coisa. -Entendi, entendi. Vou ir pegar o garoto e se necessário mato os pais adotivos dele. Entendi. Vou entrar, adeus.
Aquele homem estava atrás de mim, e talvez meus pais Morressem por causa disso. Era injusto. Os dois tinham tão bom coração, e talvez suas vidas acabassem por causa de mim, o menino que eles decidiram acolher, dar um lar e uma família. Só tinha uma coisa que eu poderia fazer para tirar o pescoço deles da reta: Fugir. Mas antes eu tinha que deter o homem de terno.
Senti com mais força o nervosismo dele, que não aparentava. Agarrei ele, e a ampliei, juntando também o medo. Agora o desconhecido já tremia violentamente, em pânico. Peguei uma pedra que tinha ali perto, e a taquei na cabeça dele, com força o suficiente para fazê-lo desmaiar.
Corri para a garagem, onde estava a minha moto R1 preta. Liguei ela, já que eu sempre andava com suas chaves no bolso, no mesmo chaveiro que as de casa, e acelerei, indo pela estrada, o mais longe possível dos meus pais.
Tinha certeza de três coisas:
1-Aquele homem tinha companheiros, não estava sozinho.
2-Eles sabiam dos meus poderes.
3-Queriam me capturar por esse motivo.
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