Notas iniciais
LEIAM AS NOTAS FINAIS!!!!
LEIAM AS NOTAS FINAIS!!!!

–Filha, filho, eu e a mãe vamos ir comprar alguma coisa para comermos, está bem? Fiquem quietinhos, caso aconteça alguma coisa, estamos aqui perto. -Meu pai disse, sorridente, e saiu junto com minha mãe para comprar o lanche, me deixando sozinha com meu irmão de quatro anos, Eugene, seis anos mais novo que eu. Estávamos no parque, sentados ao lado do lago, apesar de ser inverno. A neve caía, meu nariz estava vermelho pelo frio, mesmo que estivesse com um grosso casaco, e um felpudo gorro. Uma fina camada de gelo cobria a água, mas facilmente poderia ser quebrada.

Olhei para meu irmão, e vi que ele tentava inutilmente fazer uma fogueira esfregando um galho no outro, no meio de um círculo de pedras, rindo. Seus movimentos eram desajeitados devido ao casaco enorme amarelo canário que ele vestia, que o fazia parecer um boneco de neve radioativo.

Desejei que ele colocasse aquelas pedras nos bolsos e mergulhasse no lago, assim teria a atenção dos meus pais somente para mim de novo. Eu o odiava por roubar os meus pais de mim, de ter que aturá-lo.

Eugene largou os galhos, seus olhos enevados como se estivesse hipnotizado, e foi colocando as pedras nos bolsos, até não sobrar mais nenhuma no chão. Ele se levantou, e foi em direção ao beira do lago, seus movimentos robóticos. O menino deu mais um passo para frente, e o gelo cedeu, deixando meu irmão afundar.

Dominada pelo pânico, corri atrás dele, tirando o casaco no meio do caminho, mesmo com o frio, como tinha me ensinado minha professora de natação. Mergulhei lá dentro, sentindo a água congelante me fazer virar picolé. Procurei Eugene lá dentro, e logo vi seu casaco de cor berrante. Nadei até lá, quase desmaiando pelo tempo sem oxigênio. Peguei a manga do casaco, e comecei a puxar ele para cima. Mas eu não conseguia, alguma coisa nos puxava para trás. E fomos afundando, afundando...

Acordei assustada, meu rosto coberto de suor. Sentei na cama, e olhei ao redor, ofegante. Soltei o ar pela boca, e passei as mãos pelos meus cabelos cor de rosa, que estavam soltos. Fechei os olhos, me acalmando lentamente do susto que eu levara.

"Foi só um sonho, Jacke", pensei comigo mesma, "Eugene está bem, foi só mais um pesadelo ruim".

Eu sempre sonhava com aquilo, desde aquele acidente. Que eu não conseguia chegar á superfície, que eu não conseguia salvar o meu pequeno e inocente irmãozinho. Sonhava que eu o tinha realmente matado por causa de uma simples crise de cíumes.

Me levantei da cama, e prendi meus cabelos em uma trança desleixada, sem ter a intenção de ficar bonita, mas sim de me refrescar, já que eu morria de calor pelo verão e pelo meu pesadelo. Coloquei um vestido cor de rosa bem claro, que chegava até acima dos joelhos. Observei a grande prateleira em que eu tinha, repleta de troféus de natação e com uma foto de mim, Lisa e Sandra mostrando, orgulhosas, as medalhas que ganhamos no campeonato estadual júnior de natação aos doze anos. Eu tinha pego a medalha de prata, Sandra a de bronze e Lisa a de participação. Aquelas duas loucas que eu chamo de amigas.

Sai do quarto, e imediatamente senti o cheiro de ovos, bacon e salsichas vindos da cozinha. Se tinha uma coisa que meu pai sabia fazer bem era cozinhar, ele poderia trabalhar para a Casa Branca, a comida dos restaurantes caros nem se compara á dele.

Assim que cheguei na cozinha, vi meu pai cozinhando panquecas, vestindo um avental escrito "BEIJE O COZINHEIRO", Eugene devorando torradas com todos os tipos de geléias como se nunca tivesse visto comida antes e minha mãe o repreendia, com um olhar de desaprovação no rosto, sendo que meu irmão nem ligava. Mais um típico café da manhã na casa dos Jones.

Fui até a mesa e me sentei, pegando um prato cheio de waffles quentinhos, que até saía fumaça. Começei a passar mel por cima deles, com rapidez. Já estava servindo o meu copo com suco de laranja quando meu pai percebeu que eu estava acordada.

–Aí está a nossa heroína! -Ele anunciou, sorrindo enormemente, como fazia em todas as manhãs. Senti um aperto no peito, não merecia ser tratada daquele jeito. Eu quase tinha matado o meu irmão por um acidente, era horrível. Mas me faziam questão de me lembrarem todos os dias daquela tarde no lago.

–Bom dia, pai. -Sorri levemente para ele, e voltei a minha atenção para a comida de novo. Só depois que acabei o café da manhã é que voltei a falar. -Mãe, pai, vou ir para o clube nadar um pouco, está bem? -Perguntei, e meu pau deu de ombros, o que na língua dele significa "claro". Vesti meu maiô e coloquei por cima uma saia branca e uma blusinha cor de rosa, combinando com a sapatilha. Peguei a minha toalha, minha touca* e fui para a frente da casa, onde estava a minha moto prateada, que eu adorava. Subi nela, e acelerei pelas ruas, sentindo o vento no meu rosto.

Ao chegar no clube, fui direto para o vestiário feminino, que estava vazio. Tirei a roupa e a guardei no meu armário, coloquei meus cabelos como pude na touca e me virei para a água fresquinha e convidativa. Corri, e quando já estava quase lá, pulei, dando um mortal no ar. Respingos foram para todo o lado, molhando a beira dali.

Comecei a nadar, coisa que eu amava fazer. Quando meu corpo encostava na água, não existia mais preocupações, culpa ou nada daquilo. Só tinha a paz, o silêncio absoluto. Como eu conseguia me mover facilmente ali, como eu gostava da água, gelada, morna ou quente, isso nem eu compreendia.

Voltei para pegar ar, com um sorriso bobo no rosto, e vejo três homens apontando armas para mim, todos de terno e de óculos escuros. Recuei lentamente, o sorriso desaparecendo do meu rosto, meus olhos se arregalando. Afinal, aquilo eram armas. Apontadas para mim.

–Venha conosco, alienígena, que não iremos machucar você! -O da ponta esquerda gritou. "Ah, sei, e eu sou um unicórnio", pensei. Mas outro, mais importante me veio em mente. Eles sabiam do meu poder. Será que também sabiam do lago? Eu não ia ir com eles, mas não conseguiria fugir dali como uma pessoa normal. Isso só me restava uma opção. Usar meu poder.

"Vocês vão se esquecer de tudo o que sabem", pensei, com força. Eu berrava mentalmente, se aquilo era possível. Se aquilo não funcionasse, eu iria ficar furiosa.

Os três piscaram, e depois olharam em volta, para si mesmos, e por último para mim, confusos. Tinha dado certo.

–Quem é você? Quem sou eu? -O do meio perguntou, e eu abri a boca em um ovo. Eu poderia ter, digamos, exagerado um pouquinho na dose. Ou muito.

–É melhor falarem com o gerente. -Eu instrui, enquanto o trio olhava para mim como uma cobra olha para um encantador de serpentes. -Ele foi por ali. -Apontei para as escadas que levavam para a academia do clube, e eles foram correndo até lá.

Sai da piscina, e coloquei minhas roupas, tirei minha touca, e nem me importei em tomar um banho para tirar o cloro. Eu tinha que sair dali o mais rápido possível. E dito e feito.

Cinco minutos depois eu dirigia loucamente pela estrada, saindo de Buffalo.

Notas finais
*Em alguns lugares têm que usar touca para não cair cabelo na piscina, para quem não sabe.
Gente, eu tenho recebido muitas fichas boas, mas um problema é que não tem espaço para todas!!! Portanto, se eu tiver 5 votos, acrescento mais uma vaga feminina na história.