Extraterrestres -interativa
7 Hana Delacour
Notas iniciais
Peguei o meu MP3 player, e coloquei os meus óculos de sol, pois não estava afim de colocar lentes de contato, antes de sair de casa, indo em direção ao Parque Municipal de Miami. Todos se viravam para olhar para mim na rua, não por eu ser bonita, mas sim pelas roupas que eu usava. Calça jeans preta, blusa com estampa ao estilo "galáxia" e All Stars roxos. Eu me destacava no meio de tanta gente com chinelos de dedo, camisetas coloridas, bermudas e saias tão curtas que me davam nojo. Os ignorei, e peguei no bolso um pirulito de cereja, com recheio de goma de mascar, um dos meus doces favoritos.
Passei pelos portões do parque, e fui direto em direção ás árvores, já sabendo o caminho inteiro de cor e salteado pelo número enorme de vezes que eu ia ali. Depois de andar por algum tempo, vi o meu pequeno laguinho particular. Só eu sabia daquele lugar, e adorava isso. Me sentei em uma pedra na borda dele, descansando da longa caminhada. Olhei para os meus pulsos, e estremeci de leve.
Ali se encontrava a coleção enorme de cicatrizes que eu tinha feito durante o tempo em que eu sofria bullying por causa dos meus olhos e cabelos cor de petróleo. Não era feio, mas era tão incomum que virou motivo de piada. Meus olhos eram piores, prateados. Não aquele azul que parece prateado, mas prateado mesmo. Sabe aqueles olhos de A Hospedeira? Então, os meus são igualzinhos. Apesar de eu geralmente uso lentes de contato negras para disfarçarem, qualquer um que preste atenção poderá ver a farsa.
Quando finalmente recuperei o fôlego, fui em direção á uma árvore enorme, que chegava á ter cinco metros. Escalei ela, usando o desgaste físico para me esquecer dos meus pensamentos, das memórias das palavras cruéis e sem piedade que atiravam em mim como facas afiadas, que me faziam ter o desejo de auto multilação antes mesmo de eu ter quatorze anos, como tinha agora.
Me deitei no último galho, olhando diretamente para o céu, meus músculos se contorcendo de dor. Arranquei uma flor dali, e a soltei, a fazendo levitar alguns centímetros em cima da palma da minha mão. Desde os cinco anos eu conseguia manipular energia, o que também incluia dar choques nas pessoas. Meu irmão adotivo mais velho, Harry, estava desconfiado desde que em uma de nossas ocasionais brigas eu dara um choque nele. Os únicos que sabiam dos meus poderes, por assim dizer, eram os meus dois melhores amigos, Jake e Justin, que descobriram acidentalmente.
Eu não conseguia levitar objetos á mais de alguns centímetros, portanto não poderia ser considerado Telecinésia, o dom de mover coisas com a força da mente. Não, eu só conseguia fazer eles levitarem e dar alguns choques.
Ás vezes eu pensava o por quê de eu conseguir fazer aquilo, de onde surgira. Meus pais biológicos também tinham esse poder, passando por genética? Ou será que era como um vírus, que me contaminou? Eu nunca conseguia encontrar respostas para estas perguntas. Eu poderia ir até um laboratório para me examinarem, mas eu não estava muito afim de virar um rato de laboratório, nem uma descoberta cientifica. A idéia não me agradava, passar o resto da minha vida cercada de cientistas, sofrendo inúmeras experiências para determinarem o que diabos eu era, tirando raio-X de todas as partes possíveis do meu cérebro parecia, no mínimo do mínimo, muito incômoda.
Mexi no MP3 (que ainda estava comigo), e coloquei Naturally, da Selena Gomes. Pop, meu estilo de música preferida, sendo seguida por Rock. A música cortou os meus pensamentos, me fazendo esquecê-los, como era a minha intenção.
Senti o vento no meu rosto, e sorri. Adorava aquele contato com a natureza, era maravilhoso. E realmente estava. Mas, é de mim que estamos falando, né? Nada fica desse jeito na minha vida por muito tempo. É claro que alguém tinha que vir perturbar a minha paz.
Vi, dali do alto, três homens de terno olharem para o alto, até que um deles apontou para mim, e berrou alguma coisa que eu não consegui entender para os outros dois, que vieram correndo. Então eles desapareceram sobre as árvores que levavam para aquele lugar. Estavam atrás de mim.
Parte da minha cabeça, a menos racional e mais intuitiva, dizia "FUJA!". A outra estava em silêncio, portanto decidi seguir os meus instintos mesmo. Desci para o galho de baixo, um mais fino, mas que estava bem próximo de uma outra árvore. Dei três passos delicados, meus braços estendidos para conseguir equilíbrio. O galho começou a se inclinar para baixo, e a outra árvore estava a meio metro de distância. Eu tinha que arriscar.
Pulei, tomando impulso, e levitei o meu próprio corpo antes de pisar delicadamente naquele galho, bem firme. Corri por ele, e saltei para outro, agilmente. Vi um que estava acima de mim, e o agarrei, indo para outra árvore.
Ao chegar perto do tronco, agarrei uma casca dele com as unhas, e me forcei para subir em um galho, o que levou algum esforço já que eu não era muito forte. O galho de uma árvore mais distante estava encruzando com aquele, e andei lentamente por ele, me distanciando a cada passo dos homens de terno, que eu esperava não conhecerem o bosque tão bem quanto eu, e ficassem um pouco perdidos.
E assim fui. No momento em que finalmente cheguei á uma árvore baixa perto do muro, eu estava suada, arranhada e cheia de hematomas. Pulei para fora do parque, e olhei em volta. Tinha apenas alguns carros estacionados e... Um com a porta aberta. Algumas pessoas eram burras mesmo.
Abri a porta do carro, mas a chave não estava na inginição. Portanto, havia uma bolsa vermelha no banco do passageiro. Joguei seu conteúdo no chão, torcendo para que a chave estivesse ali. E pela primeira vez na vida, a sorte estava do meu lado.
Girei a chave lá dentro, e meti o pé, acelerando o máximo que eu podia, agradecendo mentalmente ás aulas de direção que meu pai havia me dado em casa, mesmo eu não tendo idade para tirar carteira.
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