Exilados
23 Capítulo 23: A única exceção
Notas iniciais
Quando eu era mais jovem vi
Meu pai chorar e xingar ao vento
Ele quebrou seu próprio coração e eu assisti
Enquanto ele tentava remontá-lo
E minha mãe jurou que
Jamais se deixaria esquecer
E aquele foi o dia em que prometi que
Nunca iria cantar nada sobre amor se ele não existisse
Mas, querido, você é a única exceção
Bem, você é a única exceção
Bem, você é a única exceção
Bem, você é a única exceção
Talvez eu saiba em algum lugar
No fundo da minha alma que o amor nunca dura
E temos que encontrar outros meios
De fazermos sozinhos ou manter a cara séria
E sempre vivi assim
Mantendo uma distância confortável
E até agora tinha jurado para mim mesma que estou feliz com a solidão
Porque nada disso nunca valeu o risco
Bem, você é a única exceção
Bem, você é a única exceção
Bem, você é a única exceção
Bem, você é a única exceção
The only exception — Paramore
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Sasuke POV´s:
Não estou acreditando totalmente que o Suigetsu está aqui, bem a minha frente... O que diabos ele está fazendo aqui?
_ O que está fazendo nesse lugar? – perguntei mantendo meu tom grave, rouco e firme. Essa eu quero ver... Porque sim, ele não me parece nenhum pouco como um de nós, um recém chegado. Perdido, confuso e desesperado. Ele está tranqüilo demais para o meu gosto... Há mais eu irei descobrir qual é essa dele.
Meus olhos o analisaram alargar o típico sorrisinho cínico de canto enquanto tomava algo em uma garrafa transparente. Ou seja, não há muitas opções em do que é que se trata esse líquido. Se não é água, é algo alcoólico. Mas aqui, jamais encontrei nada alcoólico. Portanto, isso apenas me confirma que bêbado ele não está, tanto, que parece o mesmo Suigetsu de sempre, com essa obsessão em tomar água.
Isso está muito estranho. Será que ele está metido com eles? Mas o Suigetsu? O que eles poderiam ter de interesse nele? Claro, nos espionar. Mas como é que eles poderiam saber que eu o conheço? Arg... Isso está se tornando irritante. Maçante. Vou por fim a essa merda já!!!
_ O que acha que eu estou fazendo aqui, Uchiha? Estou preso. Como você. – ele afirmou com seu tom irônico que eu bem que gostaria de ter esquecido. A voz dele é insuportável.
_ Não está sendo convincente, Suigetsu. Anda, diz logo qual é tua. O que está fazendo aqui? – repeti aumentando minha voz. Não tenho paciência para os joguinhos dele por hoje.
_ Já disse, Uchiha!!! Uns caras prenderam-me aqui e disseram que se eu tentasse fazer qualquer coisa para escapar morreria!!! Eu estava na Grécia de férias com meus pais quando alguém me injetou um troço e eu acordei aqui, no meio do nada, numa mata sei lá. Esses caras me largaram lá, eu como eu tava grogue acabei apagando e só agora a pouco acordei, com essa garrafa do lado e aí resolvi fugir, sair correndo, até vi esse infinito de barracas e não entendi mais nada. Estamos em uma cadeia?! É isso?! E velho, o que é que você está fazendo aqui?! – ele começou a questionar como se estivesse mesmo falando a verdade.
Entretanto, não sei, sinto algo de errado nisso. Algo de muito errado. Ele está calmo demais... Além do normal. Não sei se levo ou não a sério tudo que ele acabou de dizer. Jamais confiei nele, não será agora que irei confiar inteiramente. Mas... se o que ele está dizendo for mesmo verdade... Porque ele?
Ainda me lembro de nossas brigas no segundo colegial. Nunca fomos grandes amigos, exceto quando eu precisava de algum favor dele e ele o mesmo. Ele jamais foi com a minha cara, e nem eu com a dele. Porém, já precisei da ajuda dele diversas vezes, sobretudo agora. Se eu não estivesse tão desconfiado dessa versão dele, certamente já teria pedido a ele que me levasse a tal mata para quem sabe descobrir alguma pista para o plano ou... Para achar a saída de vez. Já que ele acordou em uma mata, alguma entrada de lá deve haver, uma entrada por onde o trouxeram. Mas tudo isso pode ser mera invenção dele, mais uma vez... Agora, não vejo porque ele inventar algo desse tipo.
_ É uma longa história. Com o tempo vai se acostumar. Estamos em um exílio. Somos exilados. – encerrei olhando-o pela última vez e dando as costas para a figura dele.
Não pretendo explicar ou facilitar nada para ele. Terá de se virar. Enfrentar a carnificina de frente, sem escudos.
Pensativo e extremamente confuso, adentrei a barraca novamente e por sorte Sakura ainda continuava a dormir tranqüilamente em seu saco de dormir. Devo contar a ela sobre Suigetsu? Bom, temos que nos reunir! Sei somente disso. Temos que nos focar no plano outra vez. Sinto o circulo se fechando, e estamos cada vez mais perto de despencar do despenhadeiro rumo a morte. Arg... Porque diabos o Neji e o Shikamaru não estão aqui agora? Tenho de revelar isso aos dois. Não sei bem, mas temos que ficar de olho no Suigetsu. E é bom que os caras estejam avisados.
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Sakura POV´s:
Abri os olhos bruscamente devido a uma luz solar que invadiu sem escrúpulos meus olhos. Os pisquei e logo a consciência veio a mim outra vez. Já amanheceu. Será que já podemos sair dessas malditas barracas? Porque é que eles resolveram fazer isso? O que é que eles poderiam ter ganhado com isso? Fora o fato de implantar escutas, câmeras ou até mesmo instalar armadilhas nos alojamentos, não estou conseguindo pensar em outras possibilidades. Acredito que todos já devem ter tido essa idéia de que: quando voltarmos vão ter que revirar os quartos para não sermos pegos por qualquer coisa vinda deles. Pelo menos, antes de sermos surpreendidos com mais essa loucura, Hinata comunicou a Shizune sob a porta do banheiro e o chuveiro de nosso quarto, e ela disse que irá tratar de arrumar logo os dois itens.
Suspirei e ergui meu corpo nesse saco de dormir desconfortável. Sinto-me dolorida outra vez. Jamais passei um período em minha vida dormindo tão mal quanto este, neste inferno em terra. Olhei para os lados a procura de Sasuke. As imagens da noite passada ainda passavam por minha mente ontem. De tantas pessoas, fui cotada a dividir a barraca justamente com ele. É incrível como aqui quanto mais se torce contra, mais chances de ocorrer.
Okay, ele separou muito bem as coisas em relação aos beijos que trocamos. Entretanto, ontem, assim que fomos arrumar os sacos de dormir na barraca, ele resolveu voltar no assunto. Disse que pretendia repetir o que ocorreu entre nós, mas, dessa vez eu fui bem clara e anulei os efeitos dele. Não pretendo envolver-me com ninguém aqui, e isso o inclui. Jurei a mim mesma que não cairia nos truques dele, e por mais que já tenha vacilado algumas vezes, foram apenas isso: vacilos. Nada irá se repetir.
Encarei os olhos ônix dele. Olhos com um brilho pensativo. Pela sua expressão facial já está acordado a bem mais tempo que eu e deve estar sentado aí, no canto da barraca há alguns minutos também. O que será que houve? É como se tivesse acontecido algo do qual eu não tenho conhecimento...
Porque ele está tão calado? Normalmente, ele sempre começa qualquer tipo de assunto quando nota minha atenção sob ele. Mas parece que algo está mesmo o incomodando. Diante disso, não me resta outra alternativa...
_ O que houve? – questionei ajeitando meu cabelo desarrumado.
Ele bufou irritado e olhou-me novamente. Mantive minha inexpressão. Não quero que ele interprete errado e que corra o risco dele achar que por alguma razão absurda estou preocupada com ele.
_ Nada escapa dos seus olhos não é? Sabia que você iria sacar assim que acordasse. – então tem mesmo algo acontecendo que eu não estou sabendo?
Sinalizei levemente com a mão indicando para que ele prosseguisse e dissesse logo que é que há na área que eu ainda não fui informada.
_ Resolvi sair da barraca ontem e dei de cara com um conhecido meu... – ele suspirou e eu arqueei uma de minhas sobrancelhas.
_ Conhecido seu? Como assim? – questionei olhando-o.
_ Hozuki Suigetsu. Um ex-colega meu de colégio... Ele está aqui. – Sasuke completou deixando espaços em brancos ao meu ver. Okay, há um conhecido dele aqui, mas ele parece apreensivo. O que será que tem esse garoto? Será que não é “como nós”? Será que trata-se disso a suspeita clara nos olhos dele?
_ E não confia nele. – afirmei. Está nítido.
Ele olhou-me aparentemente surpreso por minha conclusão e sorriu de canto.
_ Está me conhecendo bem hein... – ele provocou irritando-me. Tosco!
_ Qual o problema com esse Suigetsu? Acha que ele pode ter sido plantado aqui por eles é isso?! – tratei de interrogar para cortar as gracinhas dele.
_ Não sei... E é exatamente isso que está me intrigando. Suigetsu não teria nenhuma razão para estar nessa merda de lugar, está me entendendo? Ele é um ótimo surfista, e só se preocupa com duas três coisas na vida: ele mesmo, o surfe, e a grana que os pais dele liberam todo mês. – Sasuke explicou e eu revirei os olhos. De fato, pelo que ele está relatando, esse tal de Suigetsu não teria razão NENHUMA para estar aqui. Parece ser um cara fútil, de mente restrita. Só pode estar aqui porque também foi capturado ou trazido como nós. Porém, vejo que o Uchiha não está acreditando muito nisso...
_ Entendo. Mas você acha que ele pode estar escondendo alguma coisa, é isso? – perguntei já sentindo hipóteses surgir em minha mente.
_ Eu não acho, tenho quase certeza. O modo como ele falou comigo... Do jeito que ele costumava ser, se estivesse na mesma situação que a gente, certamente estaria surtando para valer. Exigindo coisas e etc... – Sasuke completou levantando-se do chão da barraca com seu casaco azul escuro em uma das mãos.
Também tratei de colocar meu capuz, para esconder meu rosto recém-acordado e o horror que meus cabelos devem estar nesse momento. Bati as mãos em meus joelhos, a fim de retirar algumas linhas do cobertor antigo que grudaram-se em meu jeans.
Será que já podemos sair fora daqui? Sasuke abriu o fecho da barraca e virou-se para me encarar.
_ Sabe de uma coisa?... Você é mesmo a única exceção... – ele proferiu olhando em meus olhos de uma maneira que fez-me perder nos olhos nebulosos dele outra vez.
O que ele está querendo dizer com isso? Não desviamos um único segundos nossos olhos uns dos outros. Ele parece conseguir decifrar-me, porém, não é capaz de me atingir com essa ação. É como se... como se eu apreciasse que ele me compreenda.
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Sasuke POV´s:
Finalmente, já estamos de volta ao primeiro andar desse lugar. Assim que chegamos em nosso quarto, Gaara, Naruto e eu não pensamos duas vezes e já fomos vasculhar todo o perímetro do quarto. Reviramos tudo, mas não encontramos nada. Nenhum sinal de escuta, câmera ou gravadores. Isso me preocupa e somente aumenta minha agonia. Se não foi para armar estratégias para ficarem com mais controle ainda sob nós, porque é que eles nos tiraram dos alojamentos ontem?! Neji e eu revemos toda e qualquer ação que eles poderiam ter. Mas, não conseguimos imaginar nada ou chegar a uma conclusão que fizesse sentido. O Shikamaru também tentou pensar em qualquer coisa que eles pudessem ter em mente, mas nem mesmo o Shika dessa vez conseguiu abrir caminho.
E o pior em tudo isso é: eles agiram com uma naturalidade aterrorizante. Como se de fato não tivessem feito nada! Como se não tivessem mexido uma única peça nesse jogo real. Jogo pelo qual estamos em toda desvantagem, e não sabemos se conseguiremos mesmo vencer. Gostaria de deter a persistência do dobe às vezes... Pensamos em comunicar as garotas uma nova reunião ainda hoje, mas novamente foi preciso adiar. Andamos cada dia mais cansados, e enquanto não conseguirmos descansar pelo menos uma noite, não vamos ser eficazes no plano. Mas também com toda noite uma “surpresa” diferente, não dá! Simplesmente fica impossível! A última vez que dormi razoavelmente bem foi na semana passada. Meu esqueleto já suplica por uma pausa.
Por falar em pausa, desde que saímos do nosso quarto e nos mandaram vir para essa sala de aula fajuta, ninguém teve pausa alguma. Estamos basicamente sem almoço até agora, e pelos raios de sol dessa janela imunda aqui à frente, já devem ser umas três ou quatro da tarde. Porém, não estou sentindo tanta fome. Bom, pelo menos isso não é? Caso contrário iria ser muito castigo. Aliás, já vivemos em um grande castigo.
Não me importa cada palavra que a Anko está tagarelando aí há mais de duas horas. Não estou na escola, estou na boca do inferno. Desviei meus olhos outra vez na direção dela. Realmente, ela é a única exceção por entre todas as garotas que já conheci. Disse isso a ela mais cedo, mas não sei muito bem o que ela pode ter pensado ou se de fato compreendeu um pouco do que quis dizer. Mas, também não me importa. O que me importa é que... consegui fizer isso a ela. Jamais me senti tão nervoso perto de uma garota, tanto, que se ela não entendeu talvez seja até melhor. Não sei bem o porque, mas não suportaria tomar um fora dela. Iria sucumbir. Ela é incrível, quero ela junto a mim, e ela não poderá escolher quanto a isso. Eu já a escolhi. E ela não irá ter o direito de fazer nada a respeito.
Não sou como o Gaara, que suporta certas coisas que eu particularmente não toleraria nem mesmo inconsciente. Ela é a única exceção. A única garota que conseguiu fazer-me nervoso, e me fez perder duas noites de sono. Jamais fiquei dessa forma por uma garota, e também estava recusando-me a ficar assim quanto a ela. Mas eu tenho que virar essa parada a meu favor, sei que logo que conseguir conquistá-la, irei cair na real outra vez, e toda essa ansiedade vai passar como das outras vezes. A única diferença, a única exceção, é que cheguei a me sentir nervoso, e eu nunca havia sentido essa agonia antes.
Entretanto, cada vez que a analiso, seu cabelo rosado, sedoso, e aqueles olhos esmeralda firmes e inflexíveis aos meus, tenho medo. Toda vez que meus olhos não respondem por mim e simplesmente a procuram desesperadamente, tenho medo. Tenho medo de tudo acabar saindo do meu controle e no fim das contas... Tornar-me apaixonado por ela. Detesto sentir o medo em minhas veias, e já criei várias maneiras de agüentá-lo em situações em que minha vida realmente está no extremo. No entanto, com ela é diferente. Meus remédios contra o medo parecem não ter efeito, e de repente vejo-me outra vez como o Gaara. No auge da fúria e da completa insegurança.
Continuei perdido em meus devaneios sentado preguiçosamente nessa cadeira desconfortável, quando notei o olhar de Suigetsu em mim. Havia me esquecido totalmente dessa criatura. Droga, mais uma demanda...
A sirene absurdamente alta e irritante causou-me um susto interno. Para onde será que teremos de ir agora? Apenas espero que tenha acabado essa “aula” horrível da Anko.
_ Estão dispensados!!! Todos deverão ir para o ginásio imediatamente!!! O orientador Gai vai passar uma atividade a vocês!!! Somente quando ele anunciar o fim dela, que estarão autorizados a serem conduzidos ao refeitório. – a Anko anunciou saindo da sala e trancando a porta por fora como de costume, para que não possamos sair daqui até que o próximo “orientador” chegue.
Suspirei cansado e descruzei meus braços. O dobe virou-se para trás e olhou-me.
_ Cara... você notou que o tal cara lá do nome estranho que você falou para a gente te analisou a “aula” toda? – Naruto perguntou olhando na direção dele.
Contei aos caras a respeito de Suigestu, e todos concordaram comigo quando contei mais sobre ele e disse a história que ele inventou sobre a chegada dele aqui. Neji ficou totalmente de acordo em ficarmos bem atentos com ele. Eu irei confiar desconfiando, literalmente. Suigestu nunca foi com a minha cara e aquela história dele... Não engoli. Vou dar um jeito com certeza de sacar qual é a dele, ou não me chamo Uchiha Sasuke!
_ Está mais do que na cara, Naruto! Notei sem esforço nenhum. – falei.
_ Velho, nunca vi beber tanta água!!! Estou até espantado, na moral! Ele deve ficar indo no banheiro umas mil vezes por dia! – Naruto comentou olhando-me incrédulo e eu ri. Quando o conheci, pensei praticamente o mesmo. Mas com o tempo vi que incrivelmente ele consegue agüentar bem.
_ Pensei que a Anko não fosse parar de falar nunca! Estava quase indo até lá e pregando uma fita adesiva na boca dela. – Neji se manifestou aproximando-se da gente na companhia de Gaara e Shikamaru, que sentou-se na carteira ao lado da minha aproveitando que Kiba, que estava sentado aí, saiu para conversar com Rock Lee.
_ Nem prestei atenção no que ela disse, coloquei meu casaco na minha frente e tirei uma soneca legal ali agora... – Shikamaru contou rindo.
_ Nunca vi dormir tanto mano, acho que você dorme até dentro de uma geladeira! – Naruto ironizou e eu ri.
O dobe está muito indignado hoje! Agora com o que, vai saber. Falou poucas e boas do Kiba quando a gente foi revirar o quarto mais cedo, falou tanto que o Gaara se trancou no banheiro irritado com a falação dele. Ou, também pela falação dele... O ruivo também é outro que na minha opinião, não está muito bem hoje. Aliás, quando o Gaara estiver bem acho que não saberemos reconhecer.
_ Está bravo com o que, Naruto? – Neji interrogou e todos olhamos para o dobe.
_ Arg, nada! Não estou bravo! Quem disse que eu estou bravo?!?! – ele contestou e eu arqueei uma sobrancelha.
_ Você dobe! Olha só como falou com a gente agora. – respondi olhando para ele.
É, de fato o dobe está bolado com alguma coisa. Será que foi por ser mandado ontem para uma barraca tão distantes de onde estavam as nossas? Ou será que...
“_ Peguei os lanches das meninas por você...”
Não... Não! Será que o Naruto está com ciúmes com da Hinata? Não... Devo ter viajado agora. Não é possível!
_ Eu falei como eu sempre falo ta legal!!! – ele praticamente gritou e então resolvi perguntar:
_ Está com ciúmes da Hinata porque o Kiba foi gentil com ela?
Ai Naruto... A mim você não engana irmão. Te conheço melhor que qualquer outra pessoa! Ele fez aquela uma cara estranha e surpresa, espantada. Não sei se posso interpretar isso como uma confirmação, mas só teria esse motivo para ele falar mal do Kiba daquela forma. O Kiba pode até ser um cara muito chato às vezes, mas é na boa parte do tempo muito gente boa, e o Naruto não tem nada contra ele diretamente. Não que eu saiba.
_ Pirou, Sasuke?! Eu?! Com ciúmes da burguesinha com o cachorro vermelho?! Na moral, você prestou atenção no que disse?! – ele replicou e diga-se de passagem, até que foi bem convincente. Mas não sei não, acho que essa hipótese absurda pode sim ter um fundo de verdade. O dobe e ela estão ficaram mais próximos essas últimas semanas, e a Hinata por mais que seja uma garota fisicamente sem graça, é muito doce, educada. Porém, eles nunca se deram bem, então a hipótese continua sendo absurda.
_ Não sei não em loiro oxigenado, acho que o Uchiha pode ter razão... – não... o que é que ele está fazendo aqui?
_ Oxigenado o caralho! ... Ah... Foi mal aí. – Naruto tratou de se recompor logo que viu o Suigetsu atrás dele.
Arg... Já começou a surgir do nada e se intrometer nos assuntos onde ELE NÃO FOI CHAMADO!
_ Calma! Eu estava só de brincadeira, nem sei do que estavam falando. – Suigestu falou sorrindo de canto como se fosse amigo da gente há mais tempo.
_ Então não deveria ter se intrometido. – Gaara cortou e eu confesso que me segurei para não abrir um sorriso do tamanho do mundo. Sabe, até que as cortadas do Gaara podem ser bem úteis às vezes.
_ Qual foi ruivinho? Cadê teu bom humor? – Suigetsu tentou virar a situação a seu favor sorrindo como se não tivesse levado a sério a afirmativa do Gaara.
_ Perdi quando atropelei um cara. – apenas olhei para o Naruto no momento que o Gaara colocou-se à frente do Suigetsu. Naruto entreabriu os lábios surpreso pela grosseria da parte do Gaara, mas eu sinceramente adorei essa. Okay, há uma verdade por trás disso, mas aposto que a intenção do nosso ruivinho foi exatamente esta: colocar medo.
_ Hey, Gaara! Calma... – Shikamaru ponderou colocando-se entre eles.
_ Ele é sempre esquentadinho assim? – Suigetsu dirigiu-se a mim como se estivesse mesmo levando tudo na brincadeira. Sendo que não há como se brincar com nada aqui. Não estou entendendo... Não estou entendendo mesmo qual é a dele... Será que não está vendo que o Gaara não está sendo irônico e sim provocativo? De fato, algumas coisas jamais mudam. Talvez Suigetsu esteja apenas fazendo como no primeiro colegial, levando os insultos dos outros como cinismo, como algo que não pudesse o atingir.
Gaara rangeu os dentes irritado, e ali eu soube que, se não intrervíssemos, ele iria descontar toda essa raiva que acordou com ele, para cima do Suigetsu.
E intervir foi o que todos nós fizemos. Neji tocou o ombro de Gaara e Naruto e eu levantamos de nossas carteiras.
_ Hey! Hey! Eu vim aqui na maior paz galera! Só para me entrosar mesmo, já que aqui estou totalmente sozinho. Não vim no intuito de incomodar ninguém não. – Suigetsu se manifestou gesticulando com as mãos e eu me surpreendi. Ele parecia mesmo estar sendo sincero. Entretanto, não posso acreditar assim sem mais nem menos.
_ Então mano, não me leva a mal falou? Se não quer arrumar confusão vai falar com o resto do pessoal okay? Acho que nós agora podemos não ser boas companhias. – Naruto avisou.
_ Okay, okay... Ta legal. – Suigetsu disse se afastando e indo na direção de onde estavam Kiba e Lee.
Não entendi qual era a dele dessa vez. Porque é que teve de vir aqui? Sabe que eu não sou amigo dele. Então veio caçar o que aqui? Ah, claro, veio alfinetar. Arg Sasuke, como não pensou isso antes? Suspirei. Acho que estou meio fora da realidade hoje.
Meus olhos se desviaram para ela novamente. Está calada ao lado das amigas, olhando para o chão, aparentando estar mergulhada em um ar pensativo. Chega! Tenho de deter meus olhos. Voltei-os para os caras, Gaara e Neji estão reclamando alguma coisa enquanto Naruto e Shikamaru também estão entrando na conversa. Melhor me fixar por aqui e não ficar tão disperso.
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Naruto POV´s:
Meu dia hoje está pior que do que qualquer dia ruim que eu já tenha tido. Droga, merda, caralho!!! Estava com vontade de chutar tudo a minha frente, mas me acalmei, afinal, chutando o mundo não vai dar em nada. Suspirei apoiando meus cotovelos em meus joelhos. Estou fervendo em raiva, não acredito que aquele filho da mãe do Gai me mandou ficar aqui na arquibancada, ou melhor, me expulsou da aula só porque eu fiz uma faltinha no Kiba. Velho, e queimado lá tem falta?!?! Eu não tive culpa que o cachorro vermelho veio na direção do meu ombro esquerdo. A culpa foi dele. Ninguém mandou ser lerdeza em pessoa.
Grunhi. Esse cara está me dando nos nervos!!! Olha lá, todo se exibindo na quadra queimando um atrás do outro só para me atingir. Ele está achando o quê? Que Uzumaki Naruto não sabe jogar queimado melhor do ele?!?! Eu mando muito melhor do que ele em qualquer coisa que envolva movimentos físicos! Bufei irritado mais uma vez. O pior nisso tudo é ver todos jogando e eu aqui, parecendo o bagunceiro do jardim de infância. De castigo atrás da porta. E ele queimou mais um minha gente! Porque não se torna presidente de algum país insignificante aí e some daqui? Assim, ele vai ter um povo todo para se exibir.
Observei mais uma vez o jogo. Se o teme não tratar de sair já da lua onde ele está vai tomar uma baita de uma bolada na cara! Estou avisando. Sério, eu percebi que hoje ele parece mais alienado do que o normal, será que houve alguma coisa? Não, se tivesse ocorrido algo ele teria me contado.
Por alguns longos instantes, acabei perdendo a noção de tempo ou mesmo de onde estou. Tudo que me vinha à mente mais uma vez era ela: Hinata. Aqui, somente comigo, permito-me chamá-la pelo lindo nome que ela tem. Fora daqui, opto pelo burguesinha mesmo. Não sou muito bom com muito garotas, o teme e o Neji são melhores nisso do que eu, Gaara e Shikamaru. Nós três perdemos feio para eles. Muito feio! Eu a admiro. Admiro-a bastante pela paciência, pela calma e pela maneira como se dirige aos outros. Jamais vi alguém tão gentil, tão devoto aos demais e não a si mesmo. Sei lá... é um troço quase divino! Pena de santa eu acho que ela não deve ter muita coisa por conviver com a devassa da Ino. Mas também, quem disse que é bom ser amigo de santo? Ainda mais quando se está mais próximo do diabo do que de se tornar um santo também. Já fiz muita burrada nessa vida, mas não me arrependo de nenhuma delas. O tempo não volta mesmo, se arrepender é inútil quando não se pode alterar nada. Já quando se pode tudo muda de figura. Entretanto, quando não há nada a se fazer, ficar pensando o que você poderia ou não ter feito apenas gasta sua capacidade mental. Não se sabe ainda de ninguém que tenha criado uma máquina do tempo real e eficaz, então... Tudo que nos resta é aceitar o que já fizemos. E não há coisa mais humana que errar. Quem não erra não vive, meu padrinho disse-me isso várias vezes e hoje percebo o quanto ele estava certo e eu não dei bola alguma. Os olhos dela são mais brilhantes que os de Neji, e por mais que ela negue, para mim, ela esta muito acima dele. Pelo simples fato de ainda acreditar na vida. Neji não acredita totalmente na vida, e tem os motivos dele. Porém, eu acho que quando não se há luz nenhuma, temos que criar nossa própria luz.
Sou órfão desde que me conheço por gente, no entanto, isso não é uma doença. Não é um mal do qual tive culpa. Então, sempre tentei ver minha vida de forma positiva, afinal, eu tinha um grande exemplo de alegria próximo a mim: meu padrinho Jiraya. Mas também muitas vezes já estive no fundo do fundo do poço, mas aqui, agora, nesse instante, tudo que cabe em mim é irritação. Esse cachorro vermelho está tirando uma com a minha cara e isso eu nunca irei permitir!!! Eu sempre digo ao teme, que quando se mexe comigo ou principalmente com meus amigos, acabou. Um gatilho se dispara em mim então é melhor sair da frente! E o Kiba é um otário, se eu fosse ele já tinha saído da frente a séculos!!! Grrrr.
“_ Está com ciúmes da Hinata porque o Kiba foi gentil com ela?” O teme é mesmo um pirado viu. Quem disse que eu estou com ciúmes da burguesinha? Nunca vi coisa mais doida. Eu não sinto ciúmes quando não tem porque se sentir ciúmes. Só porque aquele cachorro vermelho tava todo se exibindo para ela? Isso não é ciúmes, é constatação! Esses caras que se dizem “os racionais” deveriam saber a diferença entre ciúmes e constatação.
_ Nossa, hoje está quente demais viu! Aqui nunca faz calor, é até estranho. – caí bruscamente dos meus devaneios e dei de cara com essa cara de cachorro vermelho a minha frente. Velhoooo, o que é que ele veio fazer aqui?!?!
_ Eu tenho cara de termômetro por acaso?! – indaguei olhando para a cara dele.
_ Uou! Tudo isso porque o Gai te tirou do jogo? Mas vamos ser francos né, Naruto... Você me deu uma ombrada do nada. – O QUÊ?!?!?! Ah esse cara está pedindo para tomar um murro na cara!!!
_ Não, não dei não!!! – exclamei possesso já vazando dali antes que fosse pior.
Passei por entre as meninas sentindo que elas olhavam-me, mas dane-se!! Eu não estou para papo mesmo. Então não vou ficar sorrindo enquanto meu sangue está cozinhando molho mexicano.
_ “Nossa, hoje está quente demais viu!...” Arg! Eu por acaso sou um termômetro?! Se não tem nada para falar então deveria manter a boca fechada!!! – praguejei comigo mesmo indo em direção a grande porta de ferro daqui dessa quadra imunda. Quanto antes algum deles chegar para mandar a gente para o refeitório melhor.
Minha irritação também é fome.
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Deidara POV´s:
Quero só ver a cara dos pirralhos quando despacharmos todos eles de novo para dormir em barracas na área externa. Tenho que concordar plenamente com aquela hiena louca do Hidan, não tem coisa mais excitante que se não acabar com a festinha deles! E agora, que temos mais um membro nosso por entre eles, nossa vantagem de cem por cento somente aumenta mais. Tenho pena, tenho muita pena desses moleques que ainda acreditam que vão passar pela gente e escapar daqui. Coitados. A utopia é mesmo um mal que atinge os fracos, não tem jeito!
Ri comigo mesmo mais uma vez em meus devaneios. Só de imaginar as caras daqueles pivetes tendo que dormir naquelas barracas imundas por mais um dia... Não tem como não rir! Durante esse período em que ele está por aqui, não podemos correr o risco de que algum dos pivetes o veja. Principalmente se um desses pivetes for aquele garoto. Se aquele garoto o ver, o reconheceria de cara, e todos nós estaríamos em risco. Detesto ter de admitir, mas mais uma vez Nagato estava certo. Trazer o sobrinho do irritante do Kisame foi a melhor coisa que poderíamos ter feito, assim, é mais um olho nosso por entre eles. Coitados... São tão ingênuos que mais uma vez é capaz de me dar pena. Mas o que é que podemos fazer? O mundo definitivamente não é dos tolos. Enquanto “nosso alimento” continuar chegando, podemos fazer o que quisermos por aqui, e não interessa quantos exércitos o senhor Haruno ou Hyuuga Hiashi mandem para nos deter. Eles sabem que estarão nas nossas mãos até que em algum dia irreal nós decidirmos ser piedosos.
Dobrei mais um corredor. É exatamente isto que eu mais odeio nesse lugar: a extensão. Se não o conhecesse tão bem como conheço cada uma de minhas obras espalhadas por ele, certamente perderia-me fácil. Não tenho paciência alguma para andar em território que desconheço. Mas sei o quanto essa extensão é necessária. Sei o quanto minhas obras são necessárias apesar de todos os comentários de que minha arte é inútil. Inútil são todos esses tolos que ainda levam a sério a palavra dele.
Ajeitei minha franja e mais uma vez veio-me aquele lapso de memória horrível. Não importa!!! Eu não quero saber!!! Quero que todos eles paguem. Paguem por um dia terem-me julgado de louco... Louco são os inocentes. Loucos são aqueles que brincam com os mais perigosos. Estes sim são os verdadeiros loucos! E os loucos estão destinados a morte. A morte que um dia desejaram a mim... Eu vou acabar com cada um deles. E isso também inclui minha prima. Eu tenho total soberania sobre a minha mente, não serão memórias ridículas daquele tempo de carnificina que irão salvá-la. Ela também é um deles. Eu não sou mais. E tenho total nojo de saber que um dia já fui e almejei ser exatamente como eles.
Eles jogaram-me em um sanatório sem nem mesmo pensar nas conseqüências que isso poderiam trazer a mim, pois eu digo: as conseqüências não serão minhas, serão de cada um deles. Honrarei a mim e a minha arte.
“ Hey Ino, veio me ver?”
“ Sim, eu fiz um desenho para você hoje na escola!”
“ Um desenho? Coloca aqui perto do meu rosto para eu poder ver.”
“ Eu desenhei você e esse seu quarto engraçado.”
“ Engraçado? Só mesmo você... Mas ficou lindo! Hey, o que é aquilo ali atrás?”
“ Ah, é um desses seus bonequinhos de macinha que você vive fazendo quando não está aí olhando para o teto. Eu não entendo sabe? Não sei o que um teto tem de tão legal...”
Ela se esqueceu completamente de mim. Nunca me reconheceu, e isso foi a melhor coisa ocorrida. Ela é um deles, isso não vai mudar. Dobrei mais um corredor, espera... Não, eu não estou vendo isso!!! Hoje o dia amanheceu para ser hilário. Nagato... Nagato... É agora que eu tiro uma com a tua cara. Ele vai ficar simplesmente uma fera! Konan nunca me enganou. Sempre soube que ela e Pain não ficariam nessa “amizade” por muito tempo. Pobre Nagato... Amor platônico deve ser mesmo uma baita de uma merda. Não adianta o tanto que ele negue nossas observações, está mais do que na cara essa obsessão doentia que ele tem pela Konan. Deixa eu ir já atrás dele, quero só ver a cara dele quando eu contar o que vi... É, a vida é assim, quanto mais pólvora melhor, quanto mais explosões melhor!
Adentrei o salão principal, e como imaginei, lá está ele se desintegrando novamente.
_ Nagato!!! – saudei colocando-me atrás dele.
Ele se virou e me encarou com aquela cara de fúria dele. Esse povo sem senso de humor...
_ O que você está fazendo aqui há essa hora? Era para estar de olho no refeitório. – às vezes eu acho que devíamos comprar um mega-fone para ouvir o que ele fala. Está mesmo um poço de decadência... Não tem energia nem para falar!
_ Hidan está por lá, pode ir esfriando essa sua cabeça... Aliás, é bom mesmo que você esfrie bem a cabeça pela notícia que eu tenho para lhe dar meu caro. – adoro indiretas! São tão saborosas quanto explodir um prédio inteiro.
Ele olhou-me mais uma vez, e como ele está tão fraquinho para falar... Eu mesmo terei o prazer de dizer antes que ele gaste sua saliva.
_ Sua “enfermeira” estava de conversa com o Pain agora a pouco, ele até deu um beijo nela acredita? Estavam parecendo até dois adolescentes de colegial... – revelei sorrindo de canto.
Foi como se uma barreira se quebrasse nele, Nagato tossiu mais forte e limpou o sangue que lhe escorria dos lábios. Porém, no segundo seguinte eu apenas fui capaz de ver ele atirando um dos vasos que tem em cima da grande pia.
Sorri mais um pouco. Ele com certeza vai se surpreender bastante com o descontrole de todos aqui... O que será que vai fazer?
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Temari POV´s:
É a vez dele. Droga, estou perdendo feio! Arg, isso não pode ficar assim!!! Preguiçoso dos infernos!!!! Estou quase me arrependendo de ter pedido a Tenten que cedesse esse tabuleiro de xadrez japonês para mim. Como nós duas tecnicamente ganhamos aquele jogo de queimado, o Gai acabou fazendo um agrado em nos dar esse tabuleiro de xadrez, mas como eu não ligo muito para o jogos, deixei-o com Tenten. Porém, quando soube que teria de dividir mais uma vez a barraca com esse ser preguiçoso, foi a única coisa que me veio a mente para mantê-lo acordado. Não sei exatamente porque é que o queria acordado... Talvez, porque ontem ele apagou eu fiquei aqui, sozinha praticamente surtando por não entender nada do motivo de estarmos nessas barracas.
Aliás, continuo sem entender. Não consigo ver o que eles teriam de tão importante a fazer sem a nossa presença nos alojamentos. Não consigo entender o que eles teriam de esconder...
_ Sua vez. – o timbre de voz dele despertou-me de meus pensamentos mais uma vez.
Olhei para o tabuleiro. Merda. Não tenho saída!!!! E o mais irritante nisso tudo é saber que ele não parece estar fazendo esforço algum jogando essa merda!!! É como se ele soubesse todas as manhas desse jogo. Jamais vi alguém assim. De fato, agora sei de onde ele tira tantas estratégias. Mas... Se bem que... Se eu mexer aqui...
Beleza!!!! Como não vi isso antes?!?! Estou a um passo de ganhar!!! Tolinho. Contou tanto que eu não iria notar essa falha dele e apostou tudo nessa jogada. Sorri de canto. Ele fez uma expressão surpresa e depois olhou-me.
_ É a primeira menina que está me obrigando a jogar sério. – eu devo levar isso como um elogio? Ou como uma crítica? Porque sim, ele acabou de diminuir a inteligência das mulheres!!!
_ Não ofenda jamais o raciocínio de uma mulher, você nunca sabe do que ela é capaz! – deixei bem claro olhando-o nos olhos.
_ Claro que sei, convivo com você. – hã???
_ O que quis dizer com isso? – indaguei.
_ Quis dizer que como convivo com você, sei o quanto as mulheres são imprevisíveis. Quase ganhou essa partida, parabéns! Mas o xadrez japonês é meu hobby favorito, não será jogando comigo pela primeira vez que irá vencer-me. – olhei bem para o tabuleiro. Droga, ele ganhou!!! É impressionante... É como se ele tivesse sempre um plano B.
_ Incrível! Como você sempre tem uma segunda opção? – perguntei organizando as peças para jogarmos novamente.
_ A vida é feita de imprevistos. Se não temos uma segunda opção esses imprevistos podem acabar com nossas estratégias. – ele afirmou cruzando os braços. A luz do lampião pareceu ficar mais forte aos meus olhos, e eu pude analisar com calma a face tranquila dele.
_ Poxa! Inteligente isso. – comentei estendendo a ele suas peças. Ele as pegou tocando seus dedos na minha palma estendida. Olhei em seus olhos, foi como se uma corrente elétrica passasse da pele dele se transferindo para a minha.
_ É a primeira vez que você não bate em algum diálogo nosso. – ele se manifestou retirando sua mão da minha.
Voltei a realidade e permiti-me ri de canto. É, de fato é a primeira vez que essa preguiça humana conseguiu não me irritar ao extremo.
_ E é a primeira vez que você não foi capaz de me irritar em menos de trinta minutos. – completei organizando minhas peças.
_ Você é uma exceção sabia? É a única garota que conseguiu fazer uma jogada daquela disputando comigo. – o ouvi afirmar mais uma vez e ergui meus olhos.
_ Eu não sou uma garota comum. – decretei fazendo minha primeira jogada.
_ Claro que não é... – ele disse sorrindo de canto soando a mim como um deboche. Mas incrivelmente não foi um deboche provocativo, e sim um deboche com uma ponta de descontração. Mediante a isso, não fiz nada, apenas concordei de cabeça concentrando-me na primeira jogada dele.
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Naruto POV´s:
Chega!!!! Eu não fico mais nenhum minuto nessa barraca com esse cachorro vermelho apagado aqui do meu lado!!! Não me interessa o que vai me acontecer se eu sair para tomar um ar!!! Eu preciso de um ar!!! Cara, eu sou algum tipo de artefato que atrai azar, só pode!!! De novo na companhia dele não dá!!!
Levantei-me desse saco de dormir duro para cacete e tratei de abrir o fecho frontal da barraca. Até que enfim! Nossa, livre!!! Respirei fundo e olhei a minha volta. Se não tivesse tantas barracas eu me arriscava a procurar onde o teme está, mas há tantas barracas que essa tarefa fica praticamente impossível. O céu está tão iluminado hoje, a lua está expressivamente no centro dele, acompanhada por muitas estrelas que quando nos alojamentos, nem chegamos a ver.
É a primeira noite que faz calor aqui nesse lugar infernal. Porém, se era para fazer calor, porque é que tinha que ser calor demais? É incrível como aqui tudo é muito. Se faz frio, é muito frio, agora, se faz calor, já sei que vai fazer calor demais.
_ Naruto? – a voz dela invadiu meus ouvidos e bruscamente virei-me na direção de onde a havia ouvido.
Porém, ela estava próxima demais, e com essa minha capacidade de tropeçar em tudo, acabei levando o maior tombo por conta de um buraco no chão coberto de lama. Tudo que meus olhos foram capazes de ver foi a face alva dela a centímetros da minha face, enquanto nossos corpos caíam bruscamente no chão. Tive a impressão de meu sangue simplesmente parar de fluir por algumas frações de segundo, quando me perdi por completo mais uma vez nos olhos brilhantes dela.
_ N-Naruto... – a voz dela despertou-me do que eu estava prestes a fazer. Céus o que é que está dando em mim?!?! É... É... Eu preciso sair de cima dela!
Apressadamente me levantei de cima dela e estendi minha mão para ajudá-la a se levantar também.
_ Olha, foi mal!!! Mesmo!!! Foi mal!!! É... Eu não vi... – tentei me explicar mas não deu muito certo pois ela me cortou:
_ Não precisa se desculpar... Foi um acidente. – ela falou em tom quase inaudível na minha opinião enquanto ajeitava a franja desesperadamente. Será que ela está achando que eu sou um doido? Merda!!! Ela está vermelha da cabeça aos pés!! E agora o que eu faço? Não sei nem como é que me explico depois dessa.
_ Você está bem? – perguntei em função da vermelhidão dela.
Abaixei um pouco meu rosto para poder ver melhor a face cabisbaixa dela.
_ E-Estou! Só... Só levei um susto. É... eu vou voltar para minha barraca. – ela falou apontando para trás na direção de onde provavelmente deve estar sua barraca. Eu concordei com a cabeça tentando inibir minha mancada. Naruto, PORQUE É QUE VOCÊ SÓ FAZ COISAS QUE DÃO ERRADO!??!
_ E-Eu também. – ah qual é?! Como eu fui gaguejar?!
Nos entreolhamos e ela quem deu o primeiro passo se virando para voltar a sua barraca. A observei por alguns minutos, logo que ela entrou em sua barraca, que por sinal não fica tão distante daqui, levei as mãos ao rosto. Não acredito que eu fiz isso!!! Não acredito que quase a beijei, assim, do nada!!! Mano, é tudo culpa desse cachorro vermelho dos infernos!!! Ele irrita a gente e aí perdemos nossa capacidade mental!!!!
Sentei-me no chão tentando não repassar a imagem os lábios convidativos dela tão próximos dos meus. Eu devo estar pirando de vez!!! O teme tinha total razão!!! O que será que ela veio fazer fora da barraca? Será que não suporta o companheiro ou companheira de barraca também? Aí, está vendo Naruto? Por culpa sua espantou a única pessoa mais ou menos amiga por aqui! Arg, hoje eu não durmo. Ela definitivamente é uma plena exceção. Não sei mais se me incomodo tanto com esse jeito todo gentil dela ou se aprovo cada vez mais.
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Neji POV´s:
Não vou levá-la nisso comigo. Prefiro apenas velar seu sono ao invés permitir-me dormir também e tudo acabar como na noite anterior. Não a deixei dormir, apesar de tudo que ela fez para tentar com que eu pegasse no sono e desse a ela um pouco de sossego, ainda acordei três vezes. É algo meu, não quero que ela seja respingada por isso. Então, decidi permanecer acordado esta noite. O sono não faz-me assim tanta falta mais, já que vários períodos da noite estou acordado.
Cruzei meus braços em volta de meus joelhos. Não consigo desviar meus olhos dessa garota tão petulante, tão audaciosa em sempre tentar me contradizer. Sabe que estou começando a achar essa disputa interessante? Veremos quem irá ganhar no final...
Ainda sinto o toque delicado dos dedos dela em meus cabelos. Pela primeira vez consegui de fato me acalmar e dormir novamente, algo que não costuma ocorrer muito. Entretanto, acabei acordando novamente, e confesso que me surpreendi por completo com todo o cuidado que ela demonstrou a uma pessoa como eu, que segundo ela, é o poço de arrogância terreno. Parece algo idiota, aliás, talvez seja mesmo, mas podemos modificar certas opiniões com relação a determinadas pessoas. Só não imaginava que isto fosse acontecer se tratando justamente dela.
Noite passada ela elogiou meu cabelo, disse que em comparação ao dela, o meu era muito melhor. No entanto, eu discordo um pouco disso, o cabelo dela também é muito bonito na minha opinião, inclusive, é bem parecido com o meu.
Jamais me imaginei aqui, observando-a por vários minutos, analisando minuciosamente cada traço, cada característica que nunca cheguei a notar nela. Aliás, tantas vezes gabei-me por prestar bastante atenção nos detalhes a minha volta, porém, acho que não faço assim esta tarefa com tamanha precisão que julgava fazer.
Pisquei os olhos mais uma vez. Depois do que houve entre meus pais, eu jurei a mim mesmo que não iria cair nesse mundo traiçoeiro do afeto. Mas está sendo inevitável, sinto-me cada vez mais entrelaçado as pessoas aqui, e isto, está incluindo-a além do que se devia. Suspirei. Será mais uma longa noite...
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Gaara POV´s:
Mais uma vez cá estou, derramando este líquido repugnante denominado lágrima por função dela. É incrível a minha fraqueza. Estou completamente saciado, entretanto, a culpa carregada dessa saciedade está devorando-me como um ácido descendo pelo esôfago.
Não sei muito bem como, quando ou porquê. Apenas sei que em meio aquela discussão descontrolada que tivemos foi como se tudo se explodisse. Quando dei-me conta novamente, estávamos na quinta vez, e ainda assim eu não estava totalmente saciado. Do mesmo modo que ela também não estava. Ela é insaciável, e parece apreciar mais do que tudo torturar-me dessa forma, causar-me esta dor. Transamos em meio a dor, em meio a vários tapas disparados por ela e em meio a vários empurrões de minha parte. Vendo meus braços apoiados em meus joelhos, também vejo as marcas das unhas dela, da mesma maneira que meus olhos fracamente não saem dela aqui, ao meu lado, imersa no sono, sem qualquer peça de roupa abaixo desse cobertor acinzentado que a cobre. A marca de minha fome está em seu pescoço, e eu nunca pensei que fosse permitir a libertação desse animal detestável que há em mim. Animal que a odeia, que anseia em destruir tudo a sua frente. Mais uma lágrima deslizou de meus olhos enquanto eu tentava em vão conter esses malditos soluços para não acordá-la. Para que ela não veja-me nessa situação de extremo desespero e insegurança. Será que é somente isso que eu significo para ela? Aliás, quando foi que eu signifiquei alguma coisa para ela? Droga! Merda! Eu sempre tive essa consciência. Sempre tive essa consciência. Então porque diabos minha muralha está se partindo justo agora? Justo quando preciso mais dela em minha volta?
Notas finais
Beijocas, Nane :)
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