Exilados
1 Capítulo 1: O primeiro dia
Notas iniciais
Boa leitura!!!
Venha como você é, como você foi
Como eu quero que você seja, como um amigo,
Como um amigo, como um antigo inimigo
Venha no seu tempo, se apresse
A escolha é sua, não se atrase
Descanse, como um amigo
Como uma antiga memória, memória
Memória, memória — Come as you are/ Nirvana
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Sakura POV´s:
_ Sakura!!! Filha vamos logo!!! – chamou meu pai pela terceira vez.
Iríamos viajar este verão. Somente eu, ele e minha mãe. Uma viagem em família como a muito já não tínhamos por conta dos inúmeros afazeres do meu pai na empresa. Ah! Perdoem-me, esqueci de me apresentar... Meu nome é Haruno Sakura, tenho dezesseis anos, mas dentro de dois meses farei dezessete. Sou herdeira de uma enorme franquia de empresas farmacêuticas, as empresas Haruno, mas tento não pensar muito nisso. Nunca fui do tipo de pessoa muito apegada aos confortos do dinheiro, e por isso farei faculdade de Medicina assim que me formar no segundo colegial. Unirei a carreira que mais me agrada e a possibilidade de ser independente, ter meu próprio salário e meu próprio apartamento. Bom, sei que não são metas lá muito ambiciosas, mas quero uma vida simples, prática e tranquila. Bem diferente da que meu pai leva. Todos os dias têm algum funcionário da empresa ligando aqui para casa para avisar que ele precisará chegar mais tarde. Minha mãe se enfurece, acha que ele a trai, mas eu discordo. Meu pai a ama, porém, ela não compreende que comandar uma legião de empresas dá trabalho. Eu procuro não me meter na vida deles. Aliás, nem na deles nem na vida alheia em geral, não gosto que intrometam na minha, portanto, procuro não dar motivos para que isso ocorra. Sempre fui calma e na minha, ou como a senhora Haruno gosta de dizer, isolada e esquisita. Mas não ligo para os adjetivos utilizados pela minha mãe, me comparando com a herdeira dos Yamanaka o tempo todo. Taí, essa tal garota é totalmente meu oposto. Mas não a conheço, então, prefiro não julgar...
_ Sakura vem logo filha!!!! Vamos nos atrasar!!! – gritou minha mãe.
Eles já haviam descido e estavam me aguardando no carro. Não sabia exatamente para que praia estávamos indo, mas eu teria de ir como já virou fato aqui em casa. Finalmente achei meu fiel casaco rosa claro e o coloquei, ele ajudava a me esconder dos paparazzi idiotas que seguiam meu pai a procura de qualquer coisa que ele fizesse para virar notícia. E eu não gosto de ser a notícia.
Me olhei novamente no espelho e peguei meu celular em cima da cama.
Desci os primeiros degraus da escadaria de casa com uma incômoda sensação de estar sendo seguida, observada... apressei meus passos e corri em direção a porta. Senti alguém tapar minha boca e tentei me soltar ou me virar para ver quem era, mas foi em vão. Senti uma forte pancada em minha cabeça e tudo a minha volta se escureceu.
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Minha cabeça doía incessantemente, e eu não conseguia ter noção alguma de onde estava ou o que fizeram comigo. Ouvi vozes femininas bem próximas a mim, mas nenhuma parecia ser de minha mãe. Tudo em mim doía, e com esforço abri meus olhos. Minha visão estava embaçada, mas eu via duas silhuetas a me olhar.
_ Verifica se ela está respirando de novo, Hina! – disse uma das vozes. Pisquei os olhos mais uma vez, minha visão estava começando a melhorar. Vi uma garota loira e outra que possuía cabelos azulados a minha frente. Cabelo azul? Deveriam ter me dado alguma droga. Se bem, que comparados aos meus, os cabelos da garota que me observava poderia ser considerados normais. Eu estava deitada em uma superfície macia, provavelmente uma cama. E as duas garotas estavam sentadas à beira, expressando preocupação.
_ Ai ela abriu os olhos, Ino!!! – exclamou a garota de cabelos azulados batendo palmas.
_ Ufa!!! Achei que ela estivesse morta! – suspirou a garota loira.
Tentei abrir meus lábios e dizer alguma coisa. Precisava saber onde estava, o que havia acontecido comigo, e principalmente, onde estava a minha família.
_ O-Onde estou...? – sussurrei com dificuldade. Eu me sentia enfraquecida. Porém, já conseguia as ver nitidamente.
_ No inferno na Terra gatinha! – respondeu a loira levantando-se da cama e pulando em outra ao lado da minha. Eu estava em um quarto. Mas não parecia ser um quarto comum, era todo cinza, e meus olhos tentavam desesperadamente achar uma janela, mas assim que a encontrei pude perceber que o que a loira havia dito provavelmente deveria ter um fundo de verdade, a minúscula janela no alto de uma das paredes do quarto tinham grades de ferro. Que diabos de lugar era aquele? Uma prisão? Eu estava presa? Onde estava minha família?
_ Ino... não assuste ela! Coitadinha, acabou de chegar! – repreendeu a garota de cabelos azulados retirando umas mechas do meu cabelo que estavam no meu rosto e prendendo-as atrás da minha orelha.
_ Onde estou? – questionei novamente reunindo forças e me sentando na cama.
A garota de cabelos azuis se levantou e se colocou a minha frente com um sorriso triste.
_ Não sabemos ao certo onde estamos... também fomos trazidas para cá a poucas semanas. A única coisa que eles dizem é que estamos numa espécie de exílio. – explicou a garota.
_ Exílio? – perguntei mantendo minha voz em tom baixo e sem demonstrar muita coisa, afinal, não sabia quem eram aquelas a minha frente.
_ Não, é o inferno em Terra mesmo. – cortou a loira.
_ Qual seu nome? – perguntou a garota de cabelos azuis de forma gentil.
_ Não precisa ter medo da gente. Estamos no mesmo barco que você. – falou a loira, que pelo jeito, havia notado a desconfiança em meu rosto.
_ Sakura. – respondi observando a decoração do quarto, que tinha duas portas, na certa um banheiro e a porta de saída. A porta que eu atravessaria não importasse como. Não sabia o que era aquele lugar, mas queria voltar para minha casa, para os meus pais, para minha vida.
_ Se você está pensando nas seguintes perguntas eu respondo a você. Não, não sabemos em que lugar do mundo estamos. Não, não sabemos o que houve com nossa família. Não, não tem como sair daqui, eles estão por toda a parte, não tem como fugir. – falou a loira.
_ Lamento te dizer isso Sakura, mas não temos como sair daqui. – falou a garota de cabelos azuis.
_ Quero sair daqui. Não me importa que droga de lugar seja esse. Quero voltar para minha casa. Eu fui seqüestrada, é isso? – perguntei confusa. Minha cabeça rodava e rodava e eu não conseguia chegar a lugar nenhum, ou conclusão alguma.
_ Nossa quem me dera!!! Meu pai pagaria resgate e eu estaria fora desse lixo a mais de um século!!! – manifestou-se a loira.
_ Nossa, que mal educado da nossa parte, Sakura... nos esquecemos de falar nossos nomes, eu sou a Hinata, e ela é a Ino. – apresentou a garota de cabelos azuis que me parecia uma boa pessoa.
Repentinamente ouvimos uma sirene uma forte tocar, e Hinata e Ino correram para porta.
_ Vai ficar parada aí é?! Está na hora do almoço vem!!! Se nos atrasarmos um minuto para chegar no refeitório vamos para o funeral!!! – exclamou Ino gesticulando freneticamente para que eu as acompanhasse.
Sem opções e totalmente confusa, as segui. Elas abriram uma das portas e estávamos em um grande e largo corredor, onde muitas adolescentes como nós também saíam das muitas portas que havia nele e corriam em direção a uma outra porta, grande, de ferro ao final do corredor. Eu apenas seguia Ino e Hinata como um peixe fora d´água. Desorientado. Agonizado e pedindo aos céus suplicantemente para voltar a seu lar.
A grande porta de ferro foi aberta por um homem de cabelos cinzas, com um grande cajado, lança ou sabe-se lá era aquilo metálico que ele segurava.
_ Olhos para frente, senhorita Yamanaka!!! – advertiu ele dando um tapa na parte de trás da cabeça de Ino, que soltou um “ai!” baixinho.
Yamanaka? Yamanaka? Eu já havia ouvido falar naquele nome. Era uma outra família poderosa, do qual meu pai era parceiro nos negócios. Não... será que Ino era a herdeira dos Yamanaka que minha mãe falava? O que ela estava fazendo ali? O que eu havia feito para estar ali?
Entramos em uma grande sala, que havia mesas descuidadas por todo o local, e do lado oposto ao de onde vínhamos, uma porta também estava sendo aberta, e dela, entravam garotos. Que lugar era aquele? Uma prisão? Muitos dos garotos também levavam tapas na cabeça assim como Ino havia levado há pouco.
Todas pararam de andar, e eu também, apenas seguia, se quisesse sair daquela jaula, uma coisa era bem clara para mim... não devia me meter em confusão, não por enquanto. Tinha que analisar. Estudar uma maneira de sair daquele lugar e saber onde eu estava para voltar para Tóquio e para minha casa.
_ Andem!!! Escolham suas mesas!!!! Vocês tem exatamente trinta e cinco minutos para almoçarem!!!! – falou o mesmo cara que havia aberto a porta para nós.
Ino e Hinata começaram a caminhar para uma área mais afastada, e eu as acompanhei.
_ Ino, vou pegar nossos almoços. – informou Hinata virando-se e seguindo em direção a onde muitos alunos iam.
_ Okay, eu acho a mesa. – disse Ino e preferi segui-la.
_ Quem é ele? – perguntei mantendo meu tom de voz não muito expressivo e baixo, me referindo ao cara que havia aberto a porta para o refeitório para a gente.
Ino e eu continuamos a caminhar, e quando finalmente achamos uma mesa, ela sentou-se e me respondeu:
_ Aquele Stalin encarnado é o Hidan, um dos “supervisores” daqui. Vive zanzando para lá e para cá nos corredores para evitar que alguém fuja. Aqui só é permitido caminhar pelas “dependências” dentro dos toques, e acompanhados de mais duas pessoas. – explicou ela.
_ Toques? – interroguei não compreendendo o que ela falara.
_ É, aqui tem toque para tudo... toque para almoçar, toque de recolher, toque para tomar sol... – Ino disse contando em seus dedos alguns dos “toques”.
_ São aquelas sirenes? – perguntei.
_ São. – Ino respondeu.
_ O que é esse lugar exatamente? O que temos que fazer aqui? – perguntei tentando esclarecer algumas de minhas infinitas dúvidas.
_ É um exílio. Como a Hinata disse, é um exílio Sakura. Somos tratados aqui como prisioneiros, como se tivéssemos cometido algum crime muito grave ou sei lá... a única coisa que sabemos é que estamos em algum lugar com mar por perto, uma ilha ou um litoral. Na área externa, dá para se ouvir o som das ondas, mas não são ondas quaisquer, são ondas furiosas sacas? Seja lá em que parte do mundo estamos, não é um lugar com cidades por perto ou coisa assim me entende? – contou Ino.
Apenas afirmei de cabeça e coloquei minha mente no trabalho de analisar.
_ Não tem como fugir daqui. É impossível. Até uns dias atrás eu acreditava nisso sabe? Mas comparados a eles e a tudo que tem nessa porra de lugar, somos só ratos. Já tentei fugir diversas vezes... mas sempre falho. Não tem como passar aqueles muros, não tem como cavar um buraco ou sei lá, a terra é muito densa, e não se sabe se aqui tem uma porta de saída... se tem, como a Hina me disse um dia, deve ficar nas áreas em que nunca nos deixam entrar. Praticamente já desisti de sair daqui, tenho uma esperança sabe? Mas já estou me convencendo que vou terminar meus dias como prisioneira nesse lixo, ou morta tentando fugir e indo para o funeral todos os dias. – Ino desabafou olhando para mim com seus olhos azuis, mas eles não demonstravam brilho.
_ Quem são eles? – perguntei mantendo meu tom de voz.
_ Eles são os manda-chuvas dessa merda, como o Hidan, e principalmente os “superiores” dele, como o Kabuto, que é tipo o general daqui sacas? – explicou Ino.
_ O que eles querem da gente? Porque nos mantém aqui e não nos deixam ir embora se não são seqüestradores? – interroguei.
_ Não sabemos. Não sabemos de nada. Ficamos o dia todo tendo uma espécie de aula sabe? Como se a gente estivesse em uma escola do exército ou algo do tipo, temos aula de todas as matérias normais, mas aqui nada é normal. – revelou Ino.
_ Prontinho pessoal. – disse Hinata chegando e sentando-se na mesa com três bandejas de comida, ela estendeu uma para Ino e uma para mim, que olhei bem para aquilo no meu prato e pensei seriamente se aquilo era uma comida.
_ Arg, Hina! Você sabe que eu não como essa lavagem daqui!!! Só a fanta laranja da próxima vez please? – advertiu Ino.
_ Ino eu sei que a comida daqui é horrível, também não gosto. Mas não podemos ficar fracas, caso contrário não vamos agüentar os abdominais e flexões da aula de “educação física”. – lembrou Hinata abrindo seu refrigerante.
_ Eu agüento amiga, o que eu não agüento é essa lavagem repugnante.
Também não iria comer aquela gosma, e apesar de me sentir fraca, optei por beber apenas a fanta que Hinata me trouxera.
_ Também não vai comer? Deveria, Sakura. Você deve estar fraca... a Shizune disse que você levou uma baita pancada na cabeça. – Hinata me recomendou.
_ Quem é Shizune? – perguntei.
_ Uma espécie de enfermeira daqui. É a única pessoa que realmente alivia para o nosso lado. – Ino respondeu após tomar um gole de sua fanta.
_ Hey! Saca só o cabelo da garota teme... nunca vi ela por aqui, deve ser novata. – comentou uma voz masculina aparentemente em uma mesa atrás de mim.
Me virei incomodada. Não gostava que as pessoas ficassem por aí falando de mim. Logo que olhei para trás vi uma mesa próxima da nossa, com cinco garotos sentados me encarando. O que havia falado era um loiro, que ria debochadamente por eu ter me virado. Ao lado dele havia um ruivo, com uma face extremamente agressiva, e ele não encarava a mim, encarava a Ino a minha frente. Ao lado dele tinha um moreno, que aparentemente não deveria ter dormido direito pela cara sonolenta que ele demonstrava. A frente dele tinha outro moreno, de pele clara, com cabelos muitos longos e lisos, mas não consegui ver seu rosto pois ele estava virado. A frente do loiro estava outro moreno, com cabelos repicados e um grande casaco azul e preto, que também estava de costas para mim, no entanto, ele se virou e eu pude prontamente encarar a ele e seu amiguinho loiro tagarela. Ele tinha olhos em ônix, um olhar frio, nebuloso e que demonstrava um misto de surpresa e indiferença. Ele me encarou seriamente, olhando diretamente em meus olhos, tentando prender-me aos dele. Quem era ele? Virei-me novamente e questionei a Ino, que continuava a responder o olhar furioso do ruivo.
_ Quem é ele? – perguntei me referindo ao moreno de olhos ônix e cabelo repicado. Ino suspirou debochada e me respondeu:
_ É o Uchiha. Uchiha Sasuke, um dos seres mais chatos desse lugar. O líder daquele grupinho grotesco que ficam se achando os bonzões. Dizem que ele foi o único a conseguir sair desse lugar, mas o recapturaram momentos depois. – contou Ino.
Aquilo me intrigou. Se ele havia conseguido fugir, talvez nem tudo estivesse perdido.
_ Os outros morenos são Shikamaru e o infelizmente meu primo Neji, o ruivo é o Gaara e o loiro desprovido de inteligência é o Naruto. – Hinata disse colocando um certo ênfase de nojo e deboche quanto ao tal loiro.
Voltamos a terminar nosso almoço, ou melhor, no caso de Ino e eu, terminar as fantas, e Hinata terminava sua comida. Ouvimos os cinco se levantarem de suas mesas atrás de nós. Ainda bem que estavam vazando dali, não queria virar papo de ninguém.
O ruivo acabou por esbarrar em Ino, não consegui ver se foi de propósito ou não, a única coisa que sei é que Ino levantou-se e se colocou à frente dele.
_ Qual foi Sabaku? Não está me vendo por acaso?! – manifestou-se Ino.
_ Eu deveria?! Porque se deve ver uma loira vagabunda e acéfala? – atacou o ruivo com ar despreocupado.
_ Está pedindo para morrer Sabaku? – ameaçou Ino dando alguns passos a frente e cerrando os punhos.
_ Ino!!! Deixa ele para lá!! – Hinata orientou tentando acalmar Ino.
_ Quieta burguesinha! O Gaara não falou contigo! – disse o loiro colocando-se ao lado do ruivo.
Hinata disse em resposta ao loiro, apenas o olhou de maneira reprovadora.
_ Quer tentar ver se ainda tem a sorte de durar mais de alguns minutos loira? – provocou o ruivo de modo debochado.
Ino rangeu os dentes e acertou-lhe um soco na cara, logo revidado com mais potência pelo ruivo, que derrubou-a no chão.
_ Ino!!! – Hinata gritou desesperada levantando-se da mesa.
Ino se levantou irritada limpando um filete de sangue que escorria pelo canto de seus lábios e acertou outro soco no ruivo, subindo em cima dele em seguida e derrubando ambos no chão. Uma enorme manada de pessoas curiosas para ver a briga surgiu em volta de nossa mesa, e eu optei por permanecer na minha. Não poderia arrumar confusão ainda, tinha que ser a menos suspeitável naquele lugar.
Ino tentava estapear o ruivo, que se defendia habilmente.
_ O que está acontecendo aqui hã?!?! – berrou o tal Hidan passando pela multidão que se calava assustada.
Ino e o ruivo continuavam socando um ao outro, até que ele tirou Ino de cima do ruivo puxando-lhe os cabelos loiros pelo rabo de cavalo que ela usava.
_ Já para o funeral!!! Os dois!!! – ordenou Hidan segurando o braço de Ino enquanto outro homem tratava de segurar o ruivo esquentado.
Pude perceber que todo o refeitório ficou em um silêncio mórbido. Enquanto Ino e o ruivo eram arrastado para uma das quatro portas de ferro que haviam no local. Hinata levou as mãos à boca e os amigos do ruivo suspiraram frustrados enquanto voltavam para a mesa como todos os que estavam em pé faziam com muita rapidez. Hinata abaixou a cabeça e colocou-se a chorar. Não sabia o que eu deveria fazer, afinal, mal a conhecia, porém, ela havia sido gentil comigo também sem nem me conhecer, então optei por puxar assunto e tentar ajudá-la ou algo tipo, mesmo que conversas não fossem lá o meu forte.
_ O que é esse funeral? – perguntei.
_ É uma câmara de tortura! — exclamou ela chorosa.
Não sabia mais o que dizer, as palavras não vinham a minha mente e a minha boca. Hinata levantou a cabeça enxugando as lágrimas e completou:
_ Eu disse!! Eu avisei à ela para não dar bola para aquele garoto!! Mas a Ino parece que não ouve ninguém!! Sakura... eu nunca fui para o funeral, e não pretendo, é a segunda vez que a Ino vai! Eu tenho medo que ela não agüente! – desabafou Hinata tentando controlar as lágrimas.
Olhei novamente para trás, para onde Ino e o ruivo foram. Não sabia onde eu estava, ou que queriam de mim. Mas eu sabia de três coisas. Estava em um exílio, vivendo um pesadelo real, minha vida havia sido revirada do dia para noite, tudo o que eu conseguia crer sobre minha realidade e sobre meus planos futuros apenas parecia um breve sonho, e agora ali estava eu, presa em uma jaula de ferro onde todos aos meus olhos poderiam ser inimigos e eu deveria agir com sangue frio. Preciso saber o que houve com meus pais e, sobretudo... Preciso fugir, e não importa quais as armas que eu tenha de usar para conseguir. Eu vou fugir.Notas finais
Beijocas.
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