Ex(change) Girl
39 Capítulo 39
Notas iniciais
Pov Annabeth
– Vamos logo! Sai logo dessa merda de banheiro antes que... — Thalia reclama, do outro lado da porta
– Poupe suas palavras de baixo calão, eu já sai. — digo, batendo a porta as minhas costas
– Finalmente! — ela comemora — Piscina, sol, aí vamos nós.
– Thalia, nós havíamos combinado que iríamos jogar tênis. — digo
– Ug. Tênis é um esporte tão chato. — ela reclama, revirando os olhos e ajeitando a barra da camiseta que usava
– Chato pra você, que é uma sedentária. Eu adoro tênis. — Silena diz, calçando os seus sapatos brancos
– Eu não sou uma sedentária! — Thalia reclama — Só acho que ficar correndo com uma raquete na mão é cansativo e inútil.
– Que seja! — digo — Você pode ficar só assistindo, assim é bom que da pra formar duplas.
– O que? Então é isso! — ela se altera — Você está me expulsando só pra que não precise deixar ninguém de fora?!
– Não Thalia, foi você quem disse que não queria jogar. — digo
– Mas agora eu quero! — ela diz, trocando os shorts jeans que usava por um short esportivo da Nike
– Por que você é tão indecisa?! — Silena diz, passando gloss labial — Sabe, as vezes até acho que você tem transtorno de bipolaridade...
– O que? Você está me chamando de bipolar?! — Thalia grita
– Meninas, vocês vão mesmo continuar nesse quarto, quando se tem um dia incrível lá fora, e caras sarados sem camisa? — minha mãe pergunta, na porta do meu quarto
– Claro que não! — Thalia diz, mudando de humor de repente — Já estamos indo!
Com isso pula as escadas de dois em dois degraus até estar no térreo.
– O que eu disse sobre ela ser bipolar? — Silena cochicha para mim
– Acho que está mais para tpm mesmo... — cochicho de volta
Damos de ombros, descendo as escadas atrás dela. Havíamos alugado um carrinho de golf pelo dia todo, e ele estaria a nossa disposição, o que era ótimo, já que esse condomínio era exorbitantemente enorme, e as quadras de tênis ficavam perto do clube Savassi, depois dos campos de golf.
Chegando lá embaixo, encontramos Katie, Clarisse e Thalia conversando sobre óleos bronzeadores e a nossa espera. Pego uma bolsa com toalhas, filtro solar, nossos celulares e garrafas de água, e uma mochila com a minha raquete de tênis.
– Vamos? — pergunto, pegando as chaves do carro em cima da bancada
– Aleluia! Gatinhos jogando tênis são tudo o que eu sempre quis! — Thalia diz
Sento no banco de motorista do carrinho, e esse era o mais perto de dirigir que eu já havia chegado. Thalia está ao meu lado, Clarisse, Katie e Thalia atrás de nós, e as mochilas esportivas e bolsas na parte de trás. Acelero com cautela, saindo do cercado da minha casa e entrando na pequena avenida pavimentada, depois de um tempo acelero mais.
Passamos pelo clube principal, depois pelo Spa e pela zona dos apartamentos, acabamos na pequena e bela "avenida litorânea" com vista para a praia. Thalia faz brincadeiras, dizendo que loiras ao volante são um perigo, ou sobre como ela iria me ensinar a dirigir quando chegarmos a Califórnia. Até que chegamos ao clube da praia.
– Uau, esse caminho de carrinho é muito mais rápido do o que fizemos ontem a pé. — Katie fala
– O que viemos fazer no clube praia? — Clarisse pergunta
– Bruno. — digo, não podendo dar de ombros por estar dirigindo
Elas parecem entender, porque não perguntam mais nada. Passamos pelo deck e pelo restaurante, pelo anfiteatro, chegando até as piscinas. Dou uma volta na área, procurando com os olhos cobertos pelos óculos de sol por Bruno. Acabo o encontrando, em uma espreguiçadeira, deitado a beira de uma piscina, lendo algum livro que eu não enxergava o título daqui. Buzino para chamar a sua atenção.
– Bruno, my dear!– Silena grita, chamando a sua atenção. Ele abaixa o livro, sorrindo ao nos ver.
– O que vocês estão fazendo? — pergunta
– Annabeth está tentando nos matar! — Thalia grita, rindo
– Cale a boca! — falo em inglês para ela, e depois grito em português para o Bruno — Estamos precisando de mais uma pessoa para formar par para uma partida de tênis, está afim?!
– Demorou! — grita de volta, calçando os chinelos e vestindo a camiseta. Fala com alguns dos garotos, fazendo um sinal para que eu espere.
Reviro os olhos, eles também viriam? Thalia sorri maliciosa ao meu lado, ela havia achado Rodrigo interessante.
– Precisam de uma carona? — pergunto
– Com certeza. — Bruno fala, sentando no lugar onde estavam as nossa bolsas, junto com Rodrigo e Diego
– Tênis, sério? — Diego pergunta — Eu lembro que uma vez você quase matou uma garota porque jogou uma bola de tênis na cabeça dela, sem querer.
– Bem, fique tranquilo, se você sobreviver a esse passeio de carrinho de golf, com certeza não vai morrer por causa de um acidente com bolas de tênis. — Thalia diz, rindo alto ao meu lado
Reviro os olhos, pisando fundo no acelerador e deixando uma marca de pneu no piso.
♡
A música soava a todo fervor, tinha tanta gente por perto que eu provavelmente já teria tido um colapso se tivesse claustrofobia. Thalia parecia uma louca, cantando enrolado e provavelmente não entendendo uma palavra da letra errada que gritava.
"Eu quero ver, você correndo atrás de mim. Quando eu te procurei, você nem ligou pra mim, agora eu quero ver você correndo atrás de mim." A voz do cantor vinha de algum lugar bem próximo a mim, apesar de eu estar a pelo menos três mil pessoas de distância dele.
Era mais ou menos três da tarde, em pleno sol fervente, e estávamos em uma festa de carnaval. Uma banda, Aviões do Forró se eu me recordo bem, estava tocando agora, e Weasley Safadão já havia cantado antes dele, uma típica festa de carnaval por aqui.
Até eu, que não era muito fã do estilo musical, estava me divertindo muito. As meninas cantavam enrolado, dançando de uma forma muito estranha, enquanto Bruno e eu riamos da cara delas. Alguém havia conseguido cerveja para nós, e a batida da música era eletrizante demais para que eu conseguisse ficar parada. Mas qual é? É carnaval!
Era o nosso primeiro dia de carnaval, e Thalia já havia me dito milhares de vezes que esse era o melhor presente que ela já havia dado a alguém. Eu não costumava ser do tipo de pessoa que ia para shows de bandas de forró, sertanejo ou axé, mas e aí? Eu estou morando na Califórnia cara, e a Califórnia me mudou muito! Atualmente, na minha lista de prioridades, curtir vem antes de me preocupar com a opinião dos outros.
Algumas pessoas gritam ao nosso redor, provavelmente reconhecendo a batida da nova música que acabava de começar de tocar, gritamos também, mesmo sem saber qual era. Um dos condomínios próximos ao meu estava organizando esse show, pagávamos a entrada e comprávamos o abadá, e a festa era open bar.
Silena havia feito questão de passar as três horas antes da festa costumizando as nossas camisetas, já que ela se recusava a "fazer parte daquele assassinato a moda", e elas eram obrigatórias. Na verdade, até que o abadá havia ficado bonitinho, o meu era como um top, que praticamente só cobria o biquini rosa que eu usava e deixava a minha barriga e ombros a mostra.
Praticamente todas nós estávamos igual, abadás costumizados, shorts jeans, ou no meu caso branco, chinelos de dedo. Se a diferença entre californianas e brasileiras não fosse tão explícita, eu poderia facilmente perder as meninas de vista. Elas eram muito mais bronzeadas, magras, altas e tinham as pernas mais finas, o que era parte do padrão de moda de lá, já as brasileiras eram mais baixinhas e tinham coxas e bundas enormes.
– Vou atrás de mais uma cerveja. — grito mais alto que a música, para que elas me escutem
– Tudo bem, acho que vamos com você, não é? — Silena diz, e nós nos entreolhamos, saindo da zona de "testosterona livre" e indo até o deck que havia sido transformado em um bar.
Mal percebo, mas Bruno, Diego, Rodrigo, Mateus e outros dois meninos que eu não lembro o nome estavam atrás de nós. Peço um energético, sendo criticada por Thalia que diz que "eu sempre fui muito mole mesmo".
– Aí meu Deus! É você mesmo Annabeth?! — alguém diz, ao meu lado
Viro o rosto, dando de cara com uma menina exatamente igual a todas as outras que a seguiam. Cabelo castanho com mechas loiras, longo e alisado até a cintura, shorts pequenos e apertados que faziam suas cochas parecerem prestes a explodir, e abadás. Eu tinha a leve impressão de a conhecer...
– Desculpe, mas nós nos conhecemos? — pergunto, escutando Diego rir alto ao meu lado
– Sim, não está me reconhecendo? — pergunta, parecendo meio chocada — Sou eu, Marina!
– Ah, Marina! — digo, lembrando da garota que sempre me atazanou — Desculpe não ter te reconhecido. Mas você está... Diferente
– Que nada, você que virou outra pessoa! — ela fala, acenando para alguém do outro lado do bar — Mas então, o que veio fazer aqui?
– Ah, você sabe... É carnaval, e eu ganhei passagens para cá de presente de natal, então...
– Annabeth, quem é? — Silena pergunta em inglês, avaliando a garota de cima a baixo
– Ah, Marina, essas são as minhas amigas da Califórnia. Silena, Thalia, Clarisse e Katie. — apresento — Girls, she is Marina, a friend from old times.
*Tradução: Meninas, ela é a Marina, uma amiga de velhos tempos.
– Oi! Annabeth, tudo bem? — uma garota baixinha e magra, de franja, fala, atrás de Marina — Sou eu, Helena!
– Meu Deus! Helena você está muito diferente! — falo, lembrando da garota de corte Channel que era a minha melhor amiga — E vocês, são...?
– Amanda, Duda e Lara. — Marina fala por elas
– Ei, quanto tempo. — sorrio, tentando parecer simpática — Hey, these are Helena, she was my best friend last year, Amanda, Eduarda and Lara, they were from my class since I was a child.
*Tradução: Ei, essas são Helena, ela era minha melhor amiga ano passado, Amanda, Eduarda e Lara, elas eram da minha sala desde que eu era pequena.
– Hey, nice to met you. Do you know Diego, Mateus, Rodrigo, Bruno, Carlos and Henrique?– Silena diz, tentando parecer amigável
*Tradução: Ei, legal conhecer vocês. Vocês conhecem Diego, Mateus, Rodrigo, Bruno, Carlos e Henrique?
– Yes, they are from our class, and Rodrigo used to be my boyfriend for two years. – Amanda diz, falando em inglês
*Tradução: Sim, eles são da nossa classe, e Rodrigo costumava ser meu namorado por dois anos.
Silena parece constrangida, Clarisse entediada, Katie parece com vergonha e Thalia e eu estamos prestes a soltar uma gargalhada.
– It was so nice to met you, and we're so glad to finally met Annie's friends from Brasil, but now I think we have some Brazilians musics to sing and dance. Bye bye. — Thalia diz, antes que acabemos rindo da cara delas.
Tradução: Foi muito legal conhecer vocês, e nós estamos muito felizes por finalmente conhecer as amigas brasileiras da Annie, mas agora eu acho que nós temos algumas musicas brasileiras para cantar e dançar. Tchauzinho.
Elas se despedem de nós, e voltamos até a pista, que parece ainda mais lotada do que antes. Marina parece puxar conversa com os meninos, mas no fim eles acabam vindo atrás de nós. Dou de ombros, pensando que ela não deve ter realmente ligado para isso, afinal eles não devem ser tão amigos assim, já que não falaram nelas durante esse tempo todo.
"Temos algum gringo por aqui?" A cantora pergunta
– O que ela disse? — Thalia me pergunta
– Perguntou se tinha algum estrangeiro aqui. — dou de ombros
Thalia automaticamente começa a gritar, acenar e pular, juntamente com Silena, Clarisse e Katie. Me dou conta do que elas estão fazendo depois.
"Parece que temos um grupo de belas garotas que são de fora." O cantor fala "Por que não sobem aqui?"
– O que ele disse? — Silena pergunta a Bruno
– Para vocês subirem lá.
Elas começam a andar até o palco, me puxando junto. Os meninos começam a gritar, e logo muitos outros desconhecidos também gritam. Era só o que me faltava, penso. Quando chegamos, os seguranças abrem passagem e nos guiam até uma escada lateral, por onde subimos.
– E então, de onde vocês são? — o cantor pergunta, e quando eu já ia abrir a boca para responder, a cantora o interrompe
– Deixe de ser idiota! Elas não são daqui, não falam português. — ela diz, e depois continua — Where are you from?
*Tradução: De onde vocês são?
– Oh, we're from Califórnia! – Silena diz, toda animada
*Tradução: Oh, nós somos da Califórnia!
– E eu falo português. — digo, sorrindo torto
– Nossa, você fala fluentemente! Como aprendeu? — ela pergunta
– Na verdade, eu sou daqui. Fui fazer intercâmbio lá, e nós viemos passar o carnaval na minha casa. — digo, dando de ombros
– Que incrível! Qual o nome de vocês? — o cantor fala, dessa vez
– Eu sou a Annabeth, e essas são Thalia, Silena, Clarisse e Katie. — digo
– What do you think about Brasil?! — a cantora pergunta, se dirigindo a elas
*Tradução: O que vocês acham do Brasil?
– Amazing! We love Brazil! – Thalia diz, fazendo pessoas gritarem e vibrarem de volta
*Tradução: Demais! Nós amamos o Brasil!
– So what do you think about singing a American song for us?– ela pergunta
*Tradução: Então, o que vocês acham de cantarem uma música americana para nós?
Silena diz que sim, e então me chamam para perto, escolhendo uma música. Falam no nome de várias, até parar em California Gurls. Me fazem ir até a banda, dizendo o tom e o nome da música, e quando eles começam a tocar, me fazem segurar um dos microfones e cantar junto.
"I know a place where the grass is really greener. Warm, wet and wild. there must be something in the water..."
No refrão, todo o público já estava cantando conosco. Eu já havia engolido toda a vergonha, e estava me divertindo de verdade. As pessoas gritavam e batiam palmas, enquanto nós andávamos pelo palco, entoando e interpretando a música. Mais uma das milhares de histórias que eu tinha com as garotas, e que nunca iria esquecer.
A música acaba, e as pessoas batem palmas e vibram. Katie estava vermelha de vergonha, mas ria como uma criança. Todas nós estávamos pensando a mesma coisa: aquilo não sairia dali. Seria só mais um dos nossos segredos de carnaval.
– Foi maravilhoso! Vocês cantam muito bem — a cantora diz, rindo — Agora, o que acham de cantar uma música em português?
Traduzo o que ela disse para as garotas e logo elas estão assentindo e combinando e repassando a letra de Aí Se Eu Te Pego. Aviso aos dois cantores, e eles dizem que vão cantar conosco. A música começa a tocar, a guitarra soando quando elas falam enrolado.
"Sábado, na balada, a galera começou a cantar... E passou a menina mais linda, tomei coragem e comecei a falar: Nossa, nossa, assim você me mata, aí se eu te levo, aí, aí se eu te pego."
Algumas palavras erradas, outras enroladas, mas cantamos, totalmente desafinadas. Eu quase não conseguia cantar em alguns momentos, de tanto rir. Sempre era assim, quando eu estava com elas nunca conseguia me segurar.
– Thank you very much, Californians, you are awesome!– a cantora fala, quando damos dois beijinhos na sua bochecha e acenamos para a plateia que grita e bate palmas para nós
*Tradução: Muito obrigada, californianas, vocês são demais!
– Certo, isso foi demais! — Bruno diz, quando estamos ao seu lado na saída do condomínio
– Nem foi nem o começo, my dear! – Clarisse diz
– Acostumem-se a isso, essa é a nossa vida! Iupi! — digo, ironicamente, aceitando o coquetel abacaxi e coco que Diego me oferece
Os meninos trocam um olhar, um sorriso malicioso nos lábios. Aquele mesmo sorriso malicioso de Percy, Nico, Travis e Connor, aquele mesmo sorriso que tanto atazanava a minha vida. E se há alguma coisa que eu conheço de garotos, é que quando eles trocam esse sorriso, tem coisa aí. E eu acho que podia me preparar, porque sabia muito bem o alvo dessa maliciosidade toda.
Fale com o autor