Notas iniciais
Boa noite meus amores! Bem, como eu recebi uma INCRÍVEL E LINDA recomendação, eu havia prometido que faria uma mini maratona de EG, e aqui estou eu pra postar o capítulo 35! Sim, de agora em diante, quando eu receber recomendações (se eu receber...) farei mini maratonas, ou postarei uma one-shot. Então, muito obrigada novamente a EVELIN pela maravilhosa recomendação! Você mora no meu coração, viu amora?

Pov Annabeth

–Lembramos que o prazo de inscrições termina no dia trinta deste mês, e que as vagas são limitadas. -o diretor continua, dando uma olhada ou outra em seus cartões, onde ele anotava os tópicos sobre os quais tinha que falar- Sugiro que os alunos que pretendem se escrever para o curso preparatório de Stanford ou de Dartmouth College escrevam os seus nomes o mais rápido possível, já que são duas das mais concorridas.

–O fato de ele estar explicando consegue ser mais insuportável do que o que ele está explicando. -Thalia resmunga, falando baixo para que só eu consiga ouvir

–Thalia! Isso é o seu futuro. -digo, em tom repreendor, apesar de falar baixo

–O meu futuro? Bleh–ela faz uma péssima imitação de uma pessoa vomitando- Sinceramente? Eu seria feliz sendo só uma dondoca como a minha madrasta. Claro que eu seria muito melhor do que ela...

–A sua falta de interesse me preocupa. -franzo as sobrancelha, tentando não elevar o tom de voz- Thalia, se trata do que você pretende fazer pelo resto da sua vida, não só um mês ou outro...

–Eu sei disso tudo! Meu pai criou um fundo em Stanford em meu nome, tenho vaga garantida lá, já que metade daqueles campos de futebol americano e quadras de basquete foram construídas com o dinheiro dele. -revira os olhos

–Você tem ideia do que isso significa? -pergunto, os olhos arregalados e a voz um pouco mais alta do que eu gostaria- Thalia, pelo amor de Deus, tem gente que morreria por uma oportunidade como essa!

–Que seja. -suspira- Tio...

–Senhorita Grace, há algo que gostaria de compartilhar conosco? -o diretor a interrompe

–Uhm... -ela parece pensar- Na verdade sim. Eu estou de saco cheio desse seu papo furado, já tenho vaga na faculdade e essa sua gravata de bolinhas te deixa mais absurdamente inchado do que o normal.

–Thalia! -reclamo, dando uma cotovelada nela

Metade do auditório explode em risadas, sob o olhar reprovador da vice diretora e a boca aberta do diretor.

–Senhorita Grace, poderia esperar na minha sala até que eu termine aqui?

–Seria um prazer parar de ouvir essa sua voz por um tempo. -diz, levantando da poltrona de cor vinho e marchando com os seus tênis surrados auditório afora

–Essa... Essa garota petulante! -ele reclama, suspirando antes de prosseguir com o seu discurso- Voltando ao ponto... É muito importante que vocês se inscrevam em mais de uma universidade, já que não há a mínima garantia de você será aceito. O ideal seria que desde já vocês já mantivessem em mente todas as suas opções, e escolhesse com muita cautela as alternativas que mais se enquadram no seu perfil.

–Diretor, eu gostaria de ressaltar que os alunos que pretendem disputar por bolsas de estudo tem de redobrar a atenção as cláusulas de cada universidade... -senhora Eleanor, a vice diretora, uma mulher seria e fria, com uma terrível verruga logo acima da sobrancelha direita, o interrompe

–Muito bem! Obrigado por tocar neste assunto! -ele diz, passando para o cartão seguinte- Os alunos que tem a intenção de buscarem uma bolsa de estudos devem estudar detalhadamente as cláusulas e exclusividades de cada faculdade, lembrando que essas podem variar de instituição pra instituição.

Ele verifica mais uma vez todos os seus "cartões-chaves" e os coloca no bolso de seu paletó marrom, desligando o computador.

–Essa reunião está encerrada. As inscrições para o curso preparatório já estão iniciadas, vocês devem procurar a mim ou a Eleanor para tirar quaisquer dúvidas restantes. Os papéis de inscrição estão na secretaria, e vocês devem ir até lá para retira-los. Agora, estão liberados para o almoço.

Suspiro, pegando a bolsa quadriculada aos meus pés e colocando sobre os meus ombros, dobro o papel de avisos em duas metades e coloco no bolso de meu blazer rosa. Thalia havia saído, e provavelmente teria uma longa e tediosa conversa com o diretor, não ficaria livre tão cedo...

–Já sabe pra que universidades pretende se inscrever? -Percy pergunta, abraçando a minha cintura pelas minhas costas e beijando os meus cabelos

Prendo a respiração, ficando tensa. O que eu iria dizer? Porque eu realmente não pretendia ter essa conversa tão cedo...

–Annabeth? -pergunta, franzindo a testa, o que fazia suas sobrancelhas se unirem- Está tudo bem?

–Sim... Eu só... Só estou com um pouco de dor de cabeça.

–Qualquer um ficaria com dor de cabeça depois desse discurso horrível. -ele ri

–É, deve ser isso mesmo. -sorrio amarelo

–Vem, vamos almoçar.

A verdade é que eu realmente não havia pensado nisso. A minha vida inteira eu pensei que estudaria, passaria no vestibular ou no enem, e depois simplesmente cursaria uma universidade federal ou estadual. Até aí tudo bem, o problema é que tudo isso seria no Brasil.

No Brasil, a milhares de quilômetros de distância de seus amigos, de sua vida e de Percy. Como ela poderia lidar com isso? Sua vida inteira estava ali, ela havia se tornado outra pessoa, quem sempre fora e quem sempre quisera ser. Tudo isso pra nada? Pra pegar um avião de volta para o Brasil e nunca mais voltar? Pra retornar a sua antiga vida, da qual ela fazia questão de tentar esquecer?

Como ela poderia lidar com a vida sem Percy? Sem Thalia e Silena? Ela simplesmente não se imaginava sem eles, sem as mensagens, loucuras e saídas deles. Não se imaginava sem o beijo de Percy, sem sua voz grossa e baixa sussurrando "eu te amo" no seu ouvido, sem o seu abraço reconfortante e sem seu cheiro de maresia.

Ela sentia vontade de chorar, de deitar em sua cama quentinha e macia e se debulhar em lágrimas, socar o seu travesseiro de penas de ganso e gritar até perder a voz.

Era isso? Tudo o que ela estava vivendo, não passava de uma fase? Em menos de seis meses ela iria simplesmente voltar pra sua vida ridícula, e tudo aquilo não passaria de um sonho muito distante? Percy não passaria de um sonho distante?

Enquanto andava, o barulho de seus sapatos ecoando em sua mente, fazia um esforço inimaginável pra não apertar a mão de Percy com mais força, para não se jogar em seus braços e simplesmente chorar até não conseguir mais.

Seria possível que ela, em todo esse tempo, não tivesse pensado nisso?! Justo ela, Annabeth Chase, a pessoa mais racional que conhece, não havia pensado nessa possibilidade praticamente concreta. Ao longo desses meses ela não havia pensado sequer que um dia teria que voltar, que teria de tentar esquecer, voltar para a "vida real".

Aquela era a sua vida real, ela se forçava a pensar. Aquela era a sua escola, aqueles eram os seus amigos, aquela era a sua cidade, e aquela era a sua família, o garoto incrível e lindo que segurava a sua mão e a olhava com preocupação nesse instante era o seu namorado. E tudo aquilo era real.

Era real porque ela sentia, ela vivia. Ela amava. Cada célula de seu corpo sabia que ela amava. E se a vida é movida pelo amor, pelo sentimento, aquela era a sua vida. Ela havia construído laços, havia aprendido a amar, a ser feliz. E se isso não era real, se isso não era viver, então ela não sabia o que era.

–Annabeth? -Percy pergunta, passando o polegar pela sua bochecha, os olhos verdes a encarando com preocupação

–Oi? -ela diz, sorrindo amarelo

–Por que você não senta? -ele diz- Eu vou buscar o nosso almoço... Hambúrguer com fritas, Pepsi e uma maçã?

–Eu... Tudo bem. Pepsi Twist -o lembro, com um meio sorriso

Ele assente, dando um beijo na minha testa e furando a fila do almoço. Sento na mesma mesa de sempre, a cabeça entre as minhas mãos, segurando a vontade de chorar.

–Eu gosto de Princeton, mas na verdade não queria sair da Califórnia... -Silena diz, colocando a sua bandeja no espaço ao lado de Annabeth

–Eu tentaria Duke... Mas meu pai simplesmente exige que eu faça UCLA -Clarisse diz, dando de ombros como se ainda tivesse muito tempo para pensar, e se senta em frente a Silena

–E você, Annie? -Katie pergunta, doce, sentada ao lado de Clarisse

Levanto a cabeça, os olhos ainda fechados. Tomo coragem pra os abrir, tentando dar um sorriso, e balanço a cabeça de um lado para o outro.

–Eu... Não sei. -suspiro

–Eu sei que é meio chato... Mas realmente acho que você devia começar a pensar nisso. -Silena diz, acariciando os cabelos de Annabeth- Você está bem?

–Só estou... Um pouco cansada -suspira- Você sabe... O clube de matemática, as aulas, dever de casa acumulado, testes chegando, a final do campeonato está aí...

–Ei, nós estamos aqui. Pra o que você precisar. -Katie diz, apertando sua mão

–Eu sei -sorrio- Só que, desde que Bruno foi embora... Tudo está tão confuso, o tempo parece estar voando.

–Quando menos se espera, menos se quer, mais rápido o tempo passa. -Silena me abraça, apoiando o queixo no meu ombro- Eu só queria que o tempo parasse, e que nós pudéssemos viver o último ano para sempre.

–Eu também -fecho os olhos, tentando segurar o choro- Eu amo vocês.

–Nós também te amamos -Clarisse diz, finalmente se pronunciando

–Eu... Vocês sabem, eu vim fazer um intercâmbio. -faço uma pausa, tomando coragem pra prosseguir- E em algum momento, por mais que eu tente adiar, terei de voltar. Eu não sei se vou poder fazer faculdade por aqui, não sei se vou poder continuar... É bem provável que eu volte pro Brasil depois da formatura, pra cursar faculdade lá.

Só agora elas parecem entender o ponto em que eu queria chegar. Eu iria embora.

–Eu... -Silena tenta falar, piscando para segurar as lágrimas- Você não pode voltar. Como... Meu Deus, como não pensamos nisso? É por isso que você está tão estranha...?

–Annie, tem de ter um jeito. Sua mãe não podia...? -Katie tenta dizer alguma coisa, mas não há nenhuma linha de raciocínio a seguir

–Você podia se inscrever em uma faculdade daqui, e então... Como já estudou e vive aqui, eles provavelmente te aceitarão... E então, sua mãe podia pagar pra... -Clarisse tenta

–Esse é o problema, ela não vai pagar. -suspiro- Ela só me queria longe por um tempo, pra que pudesse digerir a ideia de que meu pai estava morto. Agora, ela provavelmente vai querer que eu volte, e vai agir como se nunca tivesse me mandado embora. Bancar a mãe com saudade, preocupada, quando na verdade tudo o que fez foi me mandar pra viver á dez mil quilômetros de distância.

–Não! Tem de haver algum jeito de... -Silena diz, mas é interrompida

–Jeito de que? -Percy pergunta, colocando as duas bandejas do almoço em cima da mesa, e se sentando ao meu lado

–De encaixar a coreografia na nova música da Britney Spears, você sabe... Perfum, provavelmente ninguém esperaria por essa -digo, dando um olhar significativo para as garotas

–Ah... Como você está? -ele diz, dando um beijo no topo da minha cabeça

–Na mesma, acho que... Vou na enfermaria depois do almoço -dou de ombros

–Você quer que eu vá com você...?

–Não, está tudo bem. Você tem aula de matemática dois e eu não recomendo ninguém a perder -dou um meio sorriso

–Tem certeza? Eu posso pedir...

–Percy, sério, é só um analgésico.

–Own, vocês são tão fofos juntos! -Silena suspira, o queixo apoiado nas mãos, um olhar sonhador -Sempre soube que acabariam assim.

–Esse não é realmente o fim, quem sabe o que pode acontecer depois da formatura? -Clarisse diz, tentando amenizar o clima

E realmente, quem sabe, não é? Eu só torcia, muito, pra que eu não precisasse dizer adeus.

♡

–Annabeth, por favor! Você tem que escrever essa carta! -Silena suspira, tentando me convencer

–Detesto admitir, mas Silena está certa -Thalia diz, desviando os olhos do violão que estava afinando- Essa pode ser a única chance que temos de te ter por perto, e eu realmente não quero desperdiçar.

–Vocês sabem que a chance de eu ser aceita é uma em um milhão, então por que insistem? -suspiro- Pra que colocar mais lenha na fogueira? Criar expectativas só pra depois se decepcionar...

–Uma em um milhão continua sendo uma, e eu não vou deixar você desistir até que todas as possibilidades estejam esgotadas. -Silena diz, me entregando papel e caneta

–Eu sei que Stanford sempre foi o seu sonho, desde que você viu Gabriela Montez, de High School Musical, participar do grupo de selecionados especiais. Não adianta tentar mentir pra nós, Annabeth, então por favor, só faça isso. -Thalia suspira, seus olhos azuis elétricos demonstrando cansaço, físico e mental

–Não é tão simples assim! Eu não posso simplesmente escrever uma carta, e procurar recomendações. Eles não vão me aceitar, se eu não for a melhor.

–Aí é que está! O seu boletim não tem sequer um A-, Annabeth, você está em primeiro lugar no quadro de honra, e ainda por cima é líder de torcida! Você tem noção do quanto suas chances de ser aceita iriam triplicar se nós simplesmente fossemos campeãs?

–Só... Me deixem pensar nisso depois, tudo bem? -massageio minha cabeça, respirando fundo- Eu não quero nem imaginar o que poderia acontecer se Percy descobrisse isso... Não estou pronta pra contar isso pra ele, definitivamente.

–Você pode tentar adiar isso o quanto quiser, mas sabe que nunca vai poder ser tempo o bastante.

–Annabeth, você tem noção do quanto ele enlouqueceria ao saber disso nas vésperas da formatura? -Thalia me repreende- Só tente não o magoar, tente não se magoar.

–O que vocês acham? Que eu quero ir embora, deixar vocês aqui, deixá-lo aqui?! Eu sou eu mesma aqui, eu encontrei a minha identidade aqui, com vocês, eu encontrei o amor com Percy! Não é fácil, mas vocês só me deixam mais confusa e me pressionam tanto... Eu simplesmente acho que vou explodir.

–Ei... Não fique assim -Thalia diz, apertando e acariciando a minha mão, gesto que foi imitado por Silena- Nós só temos tanto medo de te perder que... Acabamos não nos dando conta de que você também tem medo de nos perder.

–É, e não importa quanto tempo leve, se você vai ou não ser aceita, nós estaremos do seu lado. -Silena fala

–Contra tudo e contra todos, se for preciso. -Thalia completa

Antes que eu possa tentar me controlar, as lágrimas já estão rolando. Não são lágrimas de tristeza, e muito menos de alegria, mas são lágrimas de emoção. São lágrimas de amor, de saudade, de amizade, de nervosismo, de medo, tudo isso junto e misturado, tudo isso em um impacto só.

–Obrigada, meninas -sorrio, tentando não engolir as lágrimas salgadas que desciam- Eu não podia pedir amigas melhores do que vocês.

–Mas é claro que não! Quem poderia imaginar uma melhor amiga melhor do que Thalia Grace? -Thalia diz, brincando, mas posso notar que lágrimas insistentes também ameaçam rolar em seu rosto

–Nem vem Thalia! Eu sou a melhor amiga que Annabeth podia imaginar! -Silena diz, também chorando

–Vocês duas, eu quero que saibam, seja aqui, ou no Brasil, sempre vão estar comigo. Eu nunca vou esquecer de tudo o que a gente viveu, do que vai viver e do que nós somos. Eu amo vocês. -tento falar mais, em meio ao soluço e lágrimas, mas resolvo simplesmente as abraçar.

"Uma imagem vale mais que mil palavras", mas no nosso caso, um abraço valia mais que um milhão.

–Acho que já tenho mais ou menos ideia sobre o que pretendo escrever. -digo, quando finalmente nos separamos

–Really? -Silena pergunta, ajeitando a maquiagem meio borrada- E sobre o que é?

–Isso vocês só vão saber depois, pra não perder a graça. Mas é uma história sobre experiências.

–Que tipo de experiências? -Thalia pergunta, arqueando a sobrancelha negra perfeitamente feita

–A minha própria experiência de vir pra Califórnia. -sorrio pensando por onde devo começar

Bem, eu não sabia o começo, o meio e muito menos o fim. Mas sabia muito bem sobre o que iria falar, afinal aquela era a minha história.

Uma história sobre medo, ansiedade, saudade, amizade e amor.

Notas finais
Entãoooo, o que acharam? Eu sei que esse capítulo é meio (muito) dramático, mas quem não gosta de um bom drama? A verdade é que mais cedo ou mais tarde isso iria acontecer, então aí estamos nós! Relaxem, ela não vai voltar pro Brasil (ainda, ainda), mas essa dúvida sempre vai pairar pela vida da nossa dear Annie, e em algum momento ela realmente vai voltar. Mas, relax, muita coisa vai acontecer, e esse NÃO é o fim! Muita coisa vai rolar, mas segurem o chororô meu povo! É isso aí, eu quero muitos muitos muitos reviews por esse capítulo, ok? Então, eu não tenho nenhum capítulo pronto (UAT? COMASSIM PQ EU SEMPRE TIVE UM CAPÍTULO SOBRANDO MASS, YEAH THIS IS IT), nenhum capítulo reserva, então, pode levar um tempo pra eu postar, principalmente porque minhas aulas voltam segunda (NAAAO, VAMOS CHORAR). Então, comentem, por favor, porque eu realmente preciso de um incentivo pra escrever! Deixem as suas ideias, opinião, o que vocês querem que role no próximo capítulo e tal... Fim. You know you love me. XoXo. One Less Lonely Girl.