Ex(change) Girl
29 Capítulo 29
Notas iniciais
–Fiu Fiu -Bruno assobia quando saio do meu quarto
Reviro os olhos e empurro seus ombros a caminho da escada, não esquecendo de bater a porta antes de sair -Mason tende a fazer uma linda bagunça quando encontra oportunidades como essa.
–Uau -ele diz, meio atordoado e pulando de dois em dois os degraus da escada de vidro- Uau
Rio, envergonhada.
–Nossa, deixei o incrível e sabichão Bruno Macedo sem palavras?! Mas isso é demais! -brinco
–Acho que está falando de si mesma, minha cara Annabeth. -ele revira os olhos- Que eu saiba, a sabichona aqui é você. -ele belisca a minha barriga
–Tem razão, a sabichona sou eu mesmo. -digo, sorrindo
–Mas sério, você está... -ele parece pensar- Incrível. Não costumava se arrumar assim para as festas do Brasil.
–Não costumava ir a festas no Brasil. -dou de ombros- Além de que, isso aqui é a Califórnia, e minha melhor amiga parece ter um guarda roupa bom o suficiente para uma edição anual inteira da Vogue.
Suas sobrancelhas se unem, formulando uma pergunta silenciosa.
–Silena -respondo, dando de ombros. Tantos anos de convivência nos faziam entender as frases um dos outros nas entrelinhas
–Thalia não me parece muito o tipo de garota que lê a Vogue -ele diz, explicando a sua dúvida
–Com certeza -digo, alcançando o último degrau e aceitando a mão estendida de Bruno -Você também não está nada mal -digo, finalmente reparando no seu visual -A quem pretende impressionar, meu querido?
Ele ri do meu tom formal antes de responder.
–Está parecendo a minha mãe -revira os olhos- E não pretendo impressionar ninguém, porque pretenderia, quando já tenho você aos meus pés?
–Idiota -dou um sorriso sem graça- Onde será que Thalia está...Ela já devia ter chegado! -confiro as horas- Já são vinte e duas e trinta e quatro! Não posso acordar muito tarde amanhã! Como ela acha que eu vou fazer uma prova de matemática 2 e física sem ter praticamente dormido nada?!
Dito isso, uma buzina levemente familiar soa em frente ao belo jardim da minha casa. Seguro a mão de Bruno e o carrego porta a fora.
–Finalmente! Achei que tivesse desistido! -digo, sentando no macio estofado de couro do seu carro
–Thalia Grace nunca desiste de uma festa, my dear -ela diz- Como vai Bruno?
–E aí Thalia? -ele diz- Pode me falar do milagre que realizou pra fazer essa menina ir para festas?
Thalia solta uma gargalhada.
–Annabeth? -pergunta, e Bruno assente com a cabeça- Você só pode estar de brincadeira! Annabeth ama festas! Ela não perde uma sequer!
Bruno balança a cabeça confuso.
–Desde quando isso? Ela odiava festas!
–Como? Tem certeza de que estamos falando da mesma Annabeth? -Thalia diz
Sinto os olhos avelã de Bruno e os azuis eletrizantes de Thalia se virarem na minha direção, me encarando duvidosos.
–O que? As festas do Brasil eram horríveis! -me dirijo para Bruno- Me desculpe, mas realmente eram. Quando voltar de uma festa digna da Califórnia, vai entender o que eu digo.
–Ótimo -ele diz, se esticando no banco traseiro do conversível de Thalia, com os braços atrás da cabeça
–Ótimo -Thalia diz, parando o carro em frente a uma casa de festa -O que? -ela pergunta para Bruno, que a encara com dúvida
–Você não vai estacionar o carro? -ele pergunta
–Ah... Não, o manobrista estaciona para mim -ela da de ombros
Entrelaço o meu braço ao de Bruno e coloco o meu outro braço sobre o de Thalia, sorrindo animada.
–Tudo bem, vamos nos divertir -digo feliz- Estou com os meus dois melhores amigos, e essa noite vai ser demais!
–Deixe Nico saber disso, não sei se ele vai gostar de saber que... -Thalia começa
–Tudo bem, vamos logo — a corto
♡
A animação exalada por aquele lugar podia ser sentida assim que coloquei os pés para dentro daquela conhecida casa de festa. Uma leve fumaça cobria toda a parte inferior, aquilo era um verdadeiro cadeirão de suor e testosterona. Pessoas se balançando, remexendo e dançando zanzavam por toda a área central.
Sigo Thalia pela estreita escada que nos levaria a parte VIP do local. O pai de Travis e Connor era o dono daquele canto, o que nos permitia ter acesso livre ao "camarote".
–Tem como você acelerar? -digo, dando um tapa na bunda de Thalia- Tira esse seu popozão da minha cara, sua vaca!
–Olha quem fala! A rainha da velocidade -ela ironiza
–A amizade de vocês duas me emociona, obrigado -Bruno fala- Agora andem.
O segundo andar era composto por um bar com bancos vermelhos, poltronas também vermelhas espalhadas por todo canto, elegantes mesas altas com todo o tipo de comida que envolvia camarão que você pode imaginar, além de uma pequena pista de dança particular.
–Ali -Thalia aponta para o canto próximo a enormes janelas de vidro que davam vista para a área do primeiro andar
Caminho ao lado de Thalia e seguro a mão de Bruno, que segue atrás de mim.
–Sabe, não gosto de vir a festas dia de domingo. Principalmente se esse domingo for véspera de prova, e de natal. -digo
–Problema seu, porque eu adoro festas todos os dias -ela diz
Bruno solta uma risada esganiçada atrás de mim, o lanço um olhar mortal.
–Aloha meus amores -Thalia diz, ao chegarmos
–Oi gente -digo, puxando Bruno até que ele esteja ao meu lado -Seja simpático e diga oi -sussurro para Bruno, no seu ouvido
–Eu sempre sou simpático, você é que é a anti-social da nossa amizade, querida Annie -ele sussurra de volta- Oi pessoal -diz mais alto, para todos
Um coro de "oi" é dito, seguido por um "vou ali no bar". Percy se levanta, irritado. Nico me lança um olhar divertido e assassino, e me lembro da conversa que tivemos hoje mais cedo, na praia.
"Só tente não o provocar, você sabe como ele fica" Ele me dissera.
Balanço a cabeça de forma negativa, como que para dizer que eu não fiz nada, e que não foi de propósito. Ele revira os olhos.
–Vou no bar, tente não morrer de saudade -digo para Bruno
–Não vou -ele fala- Tente não morrer afogada no próprio copo de vodka
–Você não sabe de nada, Bruneco. -saio antes de ver sua reação
Pego um pequeno recipiente com alguns camarões empanados e sigo até o bar, era meio difícil caminhar com uma saia colada daquele jeito. Jogo os braços sobre a bancada negra e peço um drink avulso.
–Quer um? -ofereço, estendendo o pote de camarões
–Não, valeu -diz seco
–Percy... O que deu em você?
–Nada -da de ombros, tomando de uma vez o seu copo de uma bebida que eu não faço a mínima questão de conhecer- Absolutamente nada.
–Será que da pra você olhar pra mim? -digo
–Não, porque não vai lá falar no ouvido do Bruno? -ele fala
–Percy por favor...! Não me venha com essa!
–Com essa o que Annabeth? Eu vi! Primeiro eu venho e me declaro pra você, digo que te amo, e aí você faz questão de me provocar, de ficar sussurrando e se esfregando com esse aí...! -ele sai andando
Vou atrás dele e seguro de leve o seu braço direito, de modo que se ele quisesse podia sair do meu aperto, mas ele fica, para de andar e fica de costas para mim.
–Eu não estou te provocando! Percy por favor... Não faz isso!
Ele se vira, me encarando com suas íris verdes esmeraldas.
–Eu não estou fazendo nada, Annabeth. Você já fez por nós dois.
Meus olhos se enchem de lágrimas. Como eu pude ser tão idiota? Agora que eu sabia, que eu tinha certeza, do que sentia, fazia uma burrada dessas! Vamos lá Annabeth, não seja tão burra! Honre o nome das loiras!
Dou um passo em sua direção, sem aumentar o aperto em seu braço. Ele solta uma lufada de ar, com cheiro de canela. Passo minha mão pelo seu rosto, pela suas sobrancelhas, pelos seus lábios.
–Me desculpe por não ter dito antes -digo, baixinho- Também acho que te amo.
Fico na ponta dos pés, mesmo sendo alta preciso disso para alcançar seus lábios, e beijo de leve sua boca. Apenas sentindo o calor exalado por ele, o seu cheiro natural de maresia.
Quando penso que ele não vai corresponder, ele passa um braço pela minha cintura, e coloca a outra mão na minha nuca. Ele me segura com força, com aparente medo de que tudo fosse um sonho. Sua língua é salgada, com um leve gosto de whisky. Caminhamos mesmo durante o beijo, e quando dou por mim sinto uma superfície dura e gelada contra as minhas costas. Não ligo para o frio, Percy me esquenta.
Quando o ar é nos é necessário, nos separamos. Percy acaricia o meu cabelo e morde o lóbulo da minha orelha.
"O que disse?" ele sussurra "Pode repetir?"
–Também acho que te amo–digo, antes de o beijar novamente
Não sei como andamos tanto durante o beijo, porque viemos parar nos banheiros. O que fica a uma boa distância do bar, isso eu tenho certeza. Somos interrompidos quando uma garota morena de cabelos alisados e peitos prestes a pular para fora de seu delicado tomara que caia diz:
–Com licença -voz enjoada, penso
–Desculpe -Percy diz, tentando segurar o riso
–Tudo bem... -ela revira os olhos- Espere, você não é Percy Jackson?
–Sim... Por que? -ele pergunta
–Não lembra de mim?!
–Não... Deveria? -ele coça a cabeça
–Sou a Reyna! Nós ficamos uma vez, nessa mesma boate! Mas você sumiu e me deixou plantada nos sofás....
Reviro os olhos, batendo o pé impaciente no chão.
–Ah sim! Reyna...
–Você não tinha que ir no banheiro? -pergunto, finalmente me entremetendo na conversa nada agradável dos dois
Reyna me olha dos pés a cabeça antes de dizer:
–Me liga qualquer dia -depois sai, rebolando banheiro a dentro
Tento sair dali, mas Percy forma uma barreira, colocando os dois braços, um de cada lado, na parede, me impedindo de passar.
–Alguém ficou com ciúmes... -diz
–Quem? Você? Não se preocupe, não sou lésbica...
Percy ri e diz: -Você é mesmo impossível Annabeth.
–Totalmente -digo
Ele me beija de novo, suas mãos passeando pelo meu rosto e corpo. Nesse meio tempo a tal Reyna sai do banheiro, mas ele não parece notar. E isso é ótimo.
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