Ex(change) Girl
30 Capítulo 30
Notas iniciais
Era véspera de natal. As aulas haviam dado um tempo, e só voltaríamos do recesso em duas semanas. Havíamos tido um jogo ontem, o qual ganhamos, e as provas tinham finalmente acabado, assim como a detenção.
Silena me fazia parar de loja em loja, e apesar de ter um closet lotado, já tinha várias sacolas na mão. Não sei porque aceitei vir fazer compras de natal com ela, devia saber que era roubada. Thalia já havia cansado de andar e disse que nos esperaria na praça de alimentação, Bruno estava em algum lugar por aí com Percy e Nico.
Sim, com Percy. Bem, passado o momento de estranhamento inicial, eles pareciam ter se unido para implicar comigo. Até Nico se uniu aos dois, e agora a minha vida era uma loucura só. Quando estava em casa, Bruno fazia piadinhas e me acordava com baldes de água -sim, isso aconteceu-, quando eu saia Percy fazia de tudo pra me ver passar vergonha, e agora até Nico estava nessa.
–Veja Annie! Esse jeans vai ficar demais em você! -Silena diz, ao meu lado
–Si...Você não acha que deveríamos começar a procurar os presentes, e parar de olhar coisas para nós mesmas?
–Annabeth! Mas esse é um jeans Seven maravilhoso! Vamos lá...Tenho certeza que vai ficar ótimo!
–Silena, não. Por favor, vamos logo comprar esses presentes, antes que a minha mesada acabe.
–Annabeth fale baixo! Como você ousa falar essas palavras na minha frente? Mesada não é algo que faça parte do meu vocabulário, agora vamos, vou comprar essa calça para te dar de presente. -ela diz
Reviro os olhos, mas não há nada que eu possa fazer para impedi-la.
Quando finalmente estamos procurando o que dar de presente, Silena pergunta:
–O que você vai dar para o Percy?
–Para o Percy?
–Annabeth, só um idiota responde uma pergunta com outra pergunta. -ela revira os olhos- E claro, você tem que dar algo para ele, vocês são namorados!
–Não somos namorados, Silena, somos...Somos...Sei lá, só estamos ficando! -digo
–Mais uma palavra que está fora do meu vocabulário! Não diga isso, vocês só estão entrando em um relacionamento. Sim, é isso. Vocês são quase namorados!
–De qualquer forma, não sei o que dar -dou de ombros
–Tudo bem, eu vou dar um colar com a minha foto dentro para o Charles -ela diz, apaixonada- Tenho certeza que ele vai amar!
–Também tenho -falo
E é verdade, Charles Beckendorf, um garoto grande e forte, moreno e que também é do time de futebol, é completamente apaixonado pela Silena, não duvido nada que se ela desse uma camisa com uma foto dela, ele a usaria o tempo todo.
–Vou pagar -digo, apontando para o disco de vinil dos Beatles que eu pretendia dar de presente para Lizzie, minha meia irmã- Te encontro jajá.
–Não sei como ela pode preferir isso a algo da nova coleção da Abercrombie... -escuto Silena murmurar enquanto me afasto a caminho do caixa
♡
Estávamos parados em frente a uma enorme propriedade branca com rosas vermelhas, grandes portões dourados cercavam a parte frontal da "casa", se é que ela pode ser chamada assim. Tudo aquilo me fazia pensar no castelo da rainha de Copas, de Alice no País das Maravilhas.
–Legal aqui...-Bruno diz ao meu lado, apreciando a arquitetura da mansão
–Eu sei, vamos entrar -digo- Olá senhor Hefesto -cumprimento o porteiro
–Annabeth... Namorado novo? -diz
–Não, esse é um amigo meu. Não posso ter amigos homens? -pergunto com uma careta
–Me desculpe...Eu...
–Tudo bem, alguém já chegou?
–Acredito que todos, podem entrar -ele fala ao abrir os portões
–Obrigada, até mais Hefesto.
–Tchau Annabeth.
–Você conhece até o porteiro...? -Bruno pergunta
–Venho muito aqui -dou de ombros
–Percebi...
–Annabeth, my dear! -tia Afrodite, mãe de Silena, diz ao abrir a porta- Que bom que veio e feliz natal! Estão todos reunidos na área da piscina.
–Tia Dite, como vai? -pergunto- Esse é o meu amigo, Bruno, ele é do Brasil.
–Olá Bruno, tudo bem? Sinta-se em casa, por favor! -ela abre espaço para que passemos- Então, você é do Brasil? Já fiz uma viagem para lá, um maravilhoso passeio pela Amazônia, foi uma experiência incrível!
–É, deve ser legal mesmo...-Bruno diz, meio envergonhado e encantado pela beleza daquela mulher
Não posso dizer que Silena não teve a quem "puxar". Sinceramente, tia Afrodite era ainda mais bonita do que a filha. Olhos verdes azulados, cabelos loiros volumosos e ondulados, magra, alta e com uma cintura tão fina que um anel seria o suficiente para ser usado como cinto.
–Ah, me desculpem, terei de parar aqui. Silena me proibiu permanentemente de entrar na party de vocês, depois vocês me falam mais sobre o Brasil, meus amores! -ela diz, indicando a saída para o deck com as mãos
–Tudo bem, até mais tia Dite -digo
–Ela é... Uau -Bruno tenta formular uma frase- Uau! Ela é maravilhosa.
–Eu sei -dou de ombros
Havíamos chegado a "humilde" área de lazer da casa de Silena. Me desculpe se estou fazendo uso demasiado das aspas, tudo isso é para destacar a ironia. Veja bem, a casa de Silena era tão grande e nada humilde que provavelmente caberia todas as casas do condomínio em que eu morava no Brasil, sem aperto. Na parte de trás da propriedade havia uma piscina olímpica, uma jacuzzi, churrasqueira, uma quadra de tênis, uma quadra de basquete, academia e uma sauna. E o pior é que ninguém da família dela, além da musculação diária de tia Dite, praticava esportes.
–Silena, sua estranha, porque não deixa a tia Dite vir para cá? Ela é tão fofa! -digo, jogando a sacola com presentes aos pés de uma mesa e me sentando ao seu lado em cima da bancada
–Annabeth! Você chegou! -ela diz, me dando dois beijos estalados na bochecha- E claro que não! Enlouqueceu? Ela ia nos contaminar com toda aquela velhice...
–Si, a sua mãe só tem trinta e poucos anos! -Katie diz, levantando para me cumprimentar
–Exatamente! -Silena concorda, como se aquilo fosse muita velhice
–Até que enfim! Pensei que iríamos morrer de fome! Silena disse que só íamos poder começar quando você chegasse... Demorou ein! -Thalia, simpática como sempre, diz
–Também é um enorme prazer lhe ver, querida amiga -digo e dou língua
–Onde está o Bruno? -Bianca pergunta, sentando ao meu lado
–Hm, veja quem está dando falta do nosso querido Bruneco...-Clarisse brinca
–Eu não estou dando falta! Quer dizer, estou, mas... Vocês também deram! -Bianca cora violentamente
–Ele está sentado ali, junto com o Nico -dou de ombros
–Como foi o natal em família? -ela tenta mudar de assunto
–Divertido... Todos estavam lá, até mesmo uns avós paternos meus que eu nem conhecia... -digo
–Legal -Silena diz- Mas agora... Onde será que Charles foi parar?! Vamos logo com isso... — e sai atrás do namorado
–Vou chamar o pessoal -Katie da de ombros, sendo seguida por Clarisse
–Eu vou roubar algum cup cake enquanto Silena não está vendo... -Thalia sai, me deixando sozinha com Bianca
Vejo Percy ao longe, ele sorri e acena para mim, aceno de volta e ele caminha até onde estou.
–Melhor eu cair fora... Não estou afim de ser a tocha humana... -Bianca diz, pulando da bancada escura e indo até a piscina
–Bianca!-chamo, mas ela já se foi
–O que deu nela? -Percy pergunta, me abraçando e mordendo a minha orelha
–Sei lá! Saiu dizendo que não queria ser uma tocha humana ou algo do tipo... -digo e Percy ri
–Melhor assim, gosto de privacidade -ele me beija
Dou um tapa de leve em seu ombro. Ele sorri durante o beijo e morde meu lábio inferior. Mesmo depois de acostumada, o seu beijo ainda me causa arrepios.
–O que? -dou um pequeno beliscão no seu braço- Aí! Não se pode mais querer beijar quem se gosta em paz, sem ser atrapalhado? -ele pergunta, fazendo pequenos círculos com o dedo na minha calça branca
–É só que... Pobre Bianca! Vai ficar sozinha... -digo e Percy sorri malicioso
–Até parece... Bruno também parece estar sozinho... Eles devem estar unindo a solidão dos dois, não é? -ele fala
–Só eu que ainda não tinha notado?!
–Parece que sim -ele da de ombros- Depois o lesado sou eu... Porra Annabeth! Isso dói! Aí!
–Eu não sou lerda!
–Não, claro que não... -ele diz irônico e eu dou mais um tapa nele- Aí! Ta bom! Você não é lerda! Você é esperta e sabida! Aí! Calma aí sabidinha!
–Eu estou calma -reviro os olhos
–Uhum, sempre está -ele me beija
–Desculpe interromper a seção de beijos do casal, mas eu tenho um presentinho para a Annabeth aqui -Thalia diz, nos interrompendo
–Não sei não, esse é um erro muito grande, não sei se da pra desculpar... -Percy brinca, segurando a minha cintura- Além de que, você não tem nenhum presente para mim?! Como pode?
–Vamos logo Perseu, larga de ser idiota e deixa a Annabeth vir logo. Depois leva um fora e não sabe porque...Seu grudento, pegajoso. -ela diz e reviro os olhos
–Tudo bem, vamos logo com isso -falo, dando um selinho em Percy e saindo
–Bleh–Thalia imita uma pessoa vomitando- Relacionamentos adolescentes me enojam
–Você não achava isso quando estava com Nico...
–Isso não vem ao caso. Aqui está -ela fala, me entregando um pacote quadrado embrulhado em papel de presente vermelho
–Own Thalia, isso foi a coisa mais fofa que você jamais fez por mim -finjo enxugar uma lágrima- Depois de dar um chute nos ovos do Tritão, claro.
–Essa foi boa -Thalia ri
Abro o pequeno embrulho, encontrando um envelope e um cd do Green Day. Olho para Thalia e ela da de ombros, como quem diz: "É do Green Day, então foda-se". Abro o envelope, encontrando alguns papéis impressos. A primeira coisa que leio é "Aeroporto internacional de Los Angeles para Guarulhos".
–O que é isso... ?-pergunto
–Só continue lendo...
"Dia dezessete de fevereiro, as duas e trinta da manhã. Srtas. Grace, Thalia. Chase, Annabeth. Beauregard, Silena. Gardner, Katie. La Rue, Clarisse."
–Thalia isso é...
–Passagens para o Brasil! Vamos para o Festival da carne! -ela diz animada
–O que? Thalia... -bato na minha própria testa, entendendo o que ela quer dizer- Você quer dizer carnaval?
–Da no mesmo... -ela revira os olhos
–Você quer dizer que, vamos passar o carnaval no Brasil?! -exclamo
–Pode me agradecer -ela se gaba- Gatinhos aí vamos nós!
Não posso deixar de rir, se Thalia soubesse os gatinhos que a esperavam no Brasil... Eu dava graças a Deus por estar morando na Califórnia!
–Thalia isso é incrível! Eu... Não sei o que dizer!
–Diga que me ama e que eu sou a melhor amiga que você já teve, e fico satisfeita.
–Você é a melhor amiga que eu já tive! -digo
–Eu sei -ela da de ombros
–Aí meu Deus! Eu não acredito!
–Não acredita em que? -Silena pergunta, sentando ao meu lado
Só agora havia me dado conta de que estávamos sentados em uma roda ao redor da banheira, nossos pés balançavam dentro da água morna.
–Há quanto tempo vocês estão...? -balanço a cabeça- Vamos passar o carnaval no Brasil!
–O que? -Percy e Bruno falam ao mesmo tempo
–Eu sei -Silena da de ombros, como se já soubesse a tempos
–Você quer dizer que... Vocês vão passar uma semana inteira no Brasil? Annabeth? -Bruno fala
–Isso! -olho para Thalia- Foi o melhor presente que eu já ganhei!
–Então quer dizer que não gostou do jeans que eu te dei? -Silena pergunta, fingindo estar magoada. Pelo menos eu acho que ela está fingindo.
–Claro que gostei Si... Mas você também vai amar o Brasil! -digo
–Espera, a Silena também vai? -Percy pergunta
–Vai. -Thalia diz- Katie, Clarisse e eu também.
–E por que também não vamos? -Nico diz, fazendo um gesto que abrange ele e Percy
–Porque vocês são meninos, não queremos nenhum garoto para atrapalhar a nossa caça a gatinhos no Brasil -ela responde
Percy olha para mim e dou de ombros. Não posso fazer nada, foi Thalia quem me deu aquele presente.
–Isso merece uma comemoração especial -Bruno diz, se levantando e cutucando Percy no ombro- Se é que você me entende.
Com isso, os dois se levantam vindo em minha direção com um sorriso sacana no rosto.
–Não, não, não, não...-me levanto e começo a correr- Seja lá o que vocês forem fazer, não. Por favor!
Acabo escorregando e caindo de bunda no chão, os dois me colocam nos braços e só sinto que estou flutuando. Até que, puff. Estou mergulhada em uma coisa muito gelada. E com muito gelada, eu quero dizer: muito gelada mesmo.
Aqueles dois idiotas estavam muito ferrados, muito mesmo.
Guardo todo o fôlego que tenho, e fico o máximo tempo que posso sem voltar a superfície. Começo a boiar, tentando manter o fôlego e não congelar de frio. Escuto alguns murmúrios, e depois um som alto seguido por uma corrente mais forte de água. Braços fortes me seguram e me levantam. Dou um chute nas partes baixas do meu "salvador" e cuspo água com cloro na cara dele.
–Panaca -sorrio, abrindo os olhos e dando de cara com uma imensidão verde confusa
–Você... Você não estava...? -Percy tenta formular uma frase em meio a toda confusão e dor, principalmente dor
–Não, não estava -sorrio, me aproximando da borda da piscina e pegando impulso para sair. Me viro para Bruno, que estava parado observando tudo com confusão e choque. -Sua vez -digo, antes de pular em cima dele e socar todas as partes que consigo
–Aí! Annabeth para! Desculpa eu...! Aí! Porra! Annabeth! Para! Para caralho! Annabeth! Por favor! Au! -Bruno berra, tentando desviar
–Não sei não, acho que ainda não descontei todo o meu frio e raiva o suficiente -sorrio, pegando uma toalha para secar os meus cabelos
♡
–Não sei não... Uma semana inteira no meio de todos aqueles "gatinhos" -Percy diz, fazendo aspas na parte do gatinhos
–Percy... -reviro os olhos- Fala sério, você vai realmente ficar fazendo birra?
–Pelo que eu sei, esse carnaval não tem nada de carne, e sim muita pegação, isso sim. E como o tal carnaval é a festa da pegação, duvido que você esteja isenta dessa parte da festa. -ele faz um bico
–Não acredito! Você está com ciúmes! -sorrio
–Não estou não -ele cruza os braços- Certo, talvez eu esteja. Certo, eu estou com ciúmes. Mas qual é, você vai estar sozinha, no meio de um monte de "gatinhos", de biquini. E eu vou estar a milhares de quilômetros de distância!
–É só uma semana! Juro que vai passar rápido.
–Pra você, eu vou ficar aqui fazendo absolutamente nada. -ele revira os olhos
–Percy, pare de sofrer com antecedência! Ainda é natal! Tem muito tempo até que eu viaje... -digo, apertando a toalha ao meu redor- Nem pense que eu vou esquecer do que você, e o Bruno, fizeram hoje só por causa desse seu drama. Eu posso pegar hipotermia! Por causa de vocês...
–Eu já pedi desculpas! Além de que você ficou muito melhor com essa calça branca molhada... -ele diz- Mas, agora eu tenho um presente para você. Perdeu toda a graça depois do que a Thalia deu, mas eu vou dar mesmo assim...
Ele tira do bolso de seu calção uma pequena caixa dourada, com um laço azul.
–Ta meio molhado, mas eu acho que é só a caixa mesmo... -ele me entrega
Abro o delicado embrulho, dando de cara com um colar. Era um colar delicado, com um cordão de ouro e um pingente do que eu julgava ser esmeralda. Era lindo.
–Percy, eu... -levanto os olhos para encara-lo, sem saber o que dizer- É lindo. Eu adorei!
–Sério?! Eu não sabia se você ia ou não gostar...Porque você nunca tira esse colar dessa prancha... -ele diz
–Eu amei. Será que você pode colocar em mim? -digo, entregando o delicado colar para ele
–Claro... -ele pega, me fazendo virar de costas e colocando delicadamente o cordão ao redor do meu pescoço- Pronto. Vire de frente para mim. -giro no meu próprio eixo, até ficar em frente a ele- Ficou lindo -ele sorri- Agora, quem sabe, quando você estiver no Brasil pensando em "pegar geral" não se lembre de mim?
–Eu não ia pensar em "pegar geral", Percy... -reviro os olhos- Além de que, eu nunca vou esquecer de você. -toco o pingente brilhante e verde- É verde como os seus olhos. -digo e sorrio
–Eu sei -ele me abraça- Pensei que você talvez fosse gostar... Sempre diz que os meus olhos são como esmeraldas -sorri de leve
–E são -sorrio- E eu os amo.
Percy sorri de verdade, e passa o dedo delicadamente pelas lágrimas solitárias que começavam a descer pelo meu rosto.
–Acho que te amo -diz
–Também acho que te amo -digo
Ele me beija, e eu penso.
Bem, talvez "acho que te amo" seja o nosso Para Sempre, ou até mesmo o nosso Ok.
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