Notas iniciais
Como tinha prometido, voltei rapidinho! Isso aí, estamos praticamente na metade da fic e eu tenho que agilizar essa história, então vamo que vamo! Muito obrigada a todo mundo que comentou no capítulo passado, de verdade. Vocês me motivam amorecos!

–Vamos Thalia! Será que tem como você tentar parecer menos com uma lesma? Nós vamos nos atrasar! -grito, pegando a minha bolsa de cima da mesa de centro e me dirigindo ao conversível prata dela

–Você devia me agradecer! Estou fazendo um favor pra você indo buscar esse tal seu amigo no aeroporto e você me vem com esses gritos! Não sei não...

–Pare de bancar a dramática, que você não é, e vamos logo. O voo dele já deve estar chegando!

Thalia gira a chave e coloca o pé no acelerador, saindo da garagem da minha família e dobrando a esquerda, a caminho do aeroporto de Carmel.

Bruno chegava de viagem hoje. Ele passaria cerca de duas semanas aqui, no quarto de hóspedes da imensa casa do Howard, a família que me abrigava. Havia sido um árduo trabalho para convencer a dona Suzana, mãe dele, a deixá-lo vir visitar sua linda amiga nos Estados unidos, mas aqui estávamos nós! E ele estava chegando!

Com a minha família, foi tranquilo. Quando fui pedir para Atena "abrigar" um amigo meu que vinha do Brasil me visitar, ela fez questão de separar o melhor quarto de hóspedes para ele. Disse que se era alguém importante para mim, também seria para eles, e que ela fazia questão de um "jantar em família" no dia que ele chegasse.

É por essas e outras razões que eu a adoro.

–Sabe, eu acho que você deveria tirar carteira de motorista. É muito chato ficar bancando a motorista. De vez em quando eu sinto tanta vontade de tomar todas nas festas, mas não, porque tenho que ser a motorista da vez. Sempre.

Reflito sobre a ideia. É verdade, é meio difícil eu me embriagar, além de que não sou tão fã de álcool assim. E como ali eu já tinha idade o suficiente pra dirigir, não seria uma má ideia.

–É, pode ser. Vou ver se tenho umas aula de direção nessas férias -dou de ombros

–Seria ótimo -ela diz

Com isso, aumenta o volume do rádio ao máximo, escutando algo como Holiday, do Green Day. Desde que comecei a ter Thalia como minha melhor amiga e companheira de cerca de 12 horas do meu dia, comecei a me acostumar com o seu gosto musical.

Coloco um óculos de sol, sentindo a brisa marinha bater em meu rosto e embaraçar os meus cabelos. Sinceramente, já não ligava. Eram momentos como este, estar com minha melhor amiga, sem me preocupar com absolutamente nada, escutando boa música e sentindo esse vento, que faziam o meu dia.

–E então? Como é esse tal do Bruno?

–Uhm, como assim?

–Você sabe... Se ele é o seu melhor amigo, deve ter algo de interessante...

–Ah, bem. O Bruno é engraçado e legal, não sei o que me fez ficar amiga dele, mas não me arrependo. Nunca tive muitas amigas mulheres no Brasil, sempre tive algo que parecia as repelir, como repelente contra maribondo, e o Bruno não. Ele não ligava se eu estava de vestido ou calça jeans, se meu cabelo tinha ou não ponta dupla, pra ele, tudo o que importava era que estávamos juntos, rindo, surfando ou seja lá o que for.

–Seu texto me emociona, querida Chase -ela diz- Mas tenho certeza que essas garotas brasileiras só tinham inveja porque você é gostosa e elas não.

–Tanto faz -dou de ombros- Não ligo muito pra isso.

–Claro que não! Porque você tem a mim! Quem iria querer outra melhor amiga, se já tem Thalia Grace em carne e osso?- ela pergunta, com as sobrancelhas erguidas

–Idiota -é tudo o que eu digo, antes de notar que já estamos no estacionamento do aeroporto.

Tudo continuava igual a cinco meses atrás, quando eu cheguei. As folhas das palmeiras voando e balançando por conta do vendo, o prédio de três andares espelhado, pessoas sorrindo, falando ao telefone, puxando malas, tomando sorvete e se despedindo.

Eu gostava de aeroportos. Parecia que a partir dali, uma nova vida começaria, seja pra quem fica ou pra quem vai, pra quem chega ou pra quem volta. Era um recomeço, e eu gostava disso.

Thalia posiciona o seu Mercedes entre as linhas amarelas que demarcam as vagas, e descemos do carro.

–É bom que esse Bruno já esteja aqui, não acredito que acelerei a 100km/h para nada -ela diz assim que atravessamos as portas de correr

Reviro os olhos, checando o meu celular. Não havia nenhuma mensagem dele, dizendo que chegou. Envio um SMS dizendo que já havíamos chegado, e pedindo para que ele avisasse quando desembarcasse.

–Vem, vamos tomar um café -digo, e a puxo aeroporto a cima em busca de um snack bar

–Contanto que não seja Starbucks... -ela resmunga, me seguindo

Subimos para o andar superior e acabamos encontrando um café simples, de frente para o portão de desembarque. Peço um café puro, conferindo o número do voo.

–Certo, voo JJ342, vindo de Los Angeles. Se ouvir alguma coisa me avisa -digo

–Certo. Mas você vai pagar o estacionamento! Você sabe o absurdo que eles cobram por uma hora?!

Bem na hora, um fluxo de pessoas começa a sair do portão. Famílias, crianças, adolescentes, idosos, todos abraçando familiares e conhecidos. Meu celular vibra, indicando que uma nova mensagem havia chegado. Eu já ia checar o SMS quando um conhecido cabelo caramelo e capa para prancha verde aparecem ao longe.

Jogo algumas notas de um dólar em cima do balcão, correndo de encontro ao meu melhor amigo. Ele parece meio perdido, olhando ao redor meio desnorteado.

–Saudade de você sabichão! -digo, depois de pular no seu colo, o abraçando

–Saudade de você, loirinha! -ele me abraça forte

Seu conhecido cheiro de avelã e seu abraço fraternal e apertado me fazem sentir como se estivesse em casa. Como se estivéssemos, só eu ele, acordando de madrugada de novo, a caminho das ondas, antes de ir para a aula.

Depois de alguns bons dois minutos atrapalhando a passagem e o fluxo de pessoas que saiam da sala de desembarque, nos separamos. Agora, mais de perto, eu podia notar o quanto ele havia crescido e mudado. Seus cabelos estavam cortados mais rente a nuca, o braço e o peitoral mais musculosos e ele estava mais alto, além de que parecia que não fazia a barba a alguns dias.

–Você está tão diferente! -ele diz- Nem parece mais aquela loirinha irritada de alguns meses atrás!

–Como se você não tivesse mudado -digo- Andou passando o tempo sem mim na academia, seu Bruno?

Ele ri, sem graça, como se fosse verdade mesmo.

–Vem, vamos atrás da minha amiga para que ela possa nos deixar em casa. Você está cansado?

–Não, passei uma noite em Los Angeles e só sai de lá cerca de duas horas atrás, então estou pronto para o que vier -da de ombros

–Ótimo, quem sabe assim não da tempo de eu te apresentar as praias da Califórnia ainda hoje? -digo, chegando ao café onde Thalia estava

Ela digitava freneticamente no smartphone preto, e nem parecia se dar conta de que estávamos a uns quarenta segundos a encarando.

–Uhm, Thalia? Já podemos ir -digo

–O que? -ela pergunta, parecendo nos notar

–Sabe, já podemos ir

–Ah sim! O sei amigo já...? -ela finalmente tira os olhos do telefone e nos encara

–Thalia esse é o Bruno, o meu melhor amigo. Bruno, essa é a Thalia, minha melhor amiga. -falo, em inglês, o que os dois entendem

–Nunca pensei que ouviria Annabeth Chase me apresentando a uma melhor amiga, mulher–Bruno diz, brincalhão

–Então se prepare, porque eu, infelizmente, não sou a única melhor amiga que ela tem -Thalia diz, com falso ciúme

–Idiota. Vamos, antes que eu tenha que pagar mais por estacionamento porque você fica fazendo hora -digo, pegando uma das malas de Bruno e a carregando

–Ela não costumava ser pão dura assim no Brasil -Bruno diz, o que gera uma gargalhada frenética em Thalia

–Acho que tenho uma parcela de culpa nisso -ela responde

–Uma parcela? Me poupe Thalia! Você tem todas as parcelas e a entrada nesse caso -digo

***

–...e acabou espirrando leite pelo nariz! -Bruno conclui

Meus dois melhores amigos, que se conheciam a pouco mais de uma hora, estavam se divertindo a beça juntos. A minha custa. Os dois contavam histórias minhas que um ou outro não conheciam, Bruno falava sobre acontecimentos humilhantes no Brasil, e Thalia sobre tudo que eu passei nesses meses.

A história da vez, era contada pelo Bruno, e era sobre como em uma festa do pijama, uma das únicas que eu fui convidada por alguma garota, eu acabei tendo uma crise de risos na hora do lanche e me engasguei com os cookies. No fim, eu acabei espirrando leite pelo nariz, o que fez com que eu provavelmente nunca mais fosse convidada para alguma outra festa de meninas.

Thalia ri tanto que se contorce no chão de madeira do meu quarto.

–Todo mundo...-uma pausa para rir- Vai amar...-outra pausa- Saber dessa história...-outra pausa- Na escola -Thalia fala devagar

–Você não ousaria...! -digo

–Mas é claro! Annabeth Chase, queridinha do colégio, espirrando leite pelo nariz! -mais uma crise de risos

Envio para Bruno o meu pior olhar mortal, e ele se detém a levantar os braços como se não tivesse culpa.

–Ótimo, mas agora, vamos para a praia. Bruno, acho melhor você não levar a prancha, a essa hora a maré costuma estar calma, o que não gera boas ondas...Amanhã, vamos mais cedo e eu juro que te deixo aproveitar as ondas californianas pelo tempo que quiser -digo

–Tudo bem, vou pro meu quarto trocar de roupa -ele me responde, em português

Depois que ele sai do quarto e bate a porta, Thalia fala pra mim.

–Annabeth, ele é uma graça! Agora entendo porque você gosta tanto dele... Além de que, quando ele fala em português, apesar de eu não entender nada, é tão másculo! Esse sotaque...

Reviro os olhos

–Você não gosta dele, gosta? Digo...Se eu quisesse, você sabe...Você se incomodaria? -pergunta

–Claro que não né Thalia! Ele é o meu melhor amigo! Mas...e o Nico?

Ela suspira, revira os olhos e depois entra no meu closet, fugindo do assunto.

–Eu quero esquecer. Simples. Só quero esquecer que eu e ele um dia existiu.

–Thalia...O Nico também é meu melhor amigo, e eu sei muito bem que ele também não queria que isso terminasse assim...

–Mas terminou -ela diz, saindo do meu "quarto de roupas" com um biquini meu- O que acha?

Ela da um giro em volta do seu próprio eixo, exibindo o biquini preto que vestia.

–Está ótima, contanto que me devolva esse biquini amanhã -digo- Vou me trocar, liga pro resto do pessoal e diz para nos encontrarem na praia aqui de frente em...-olho no relógio em cima da minha cabeceira- vinte minutos

♡

–Annabeth você está engordou! Sai de cima de mim sua balofa! -Bruno resmunga, me carregando nas costas

–Isso é coisa que se diga para uma menina Bruno? Se eu não fosse eu, poderia considerar isso como uma grande ofensa a minha pessoa.

–Seria ótimo se você se ofendesse e saísse de cima de mim! Eu estou falando sério.

–Seu fracote! Não consegue carregar nem uma garota magra como eu por poucos metros!

–Consigo sim, se você fosse magra! Acontece que você está a maior obesa!

–Obesa é a senhora...não vou falar nada porque gosto muito da tia Suzana, mas você é que é gordo!

Bruno me carregava nas costas até a praia, que ficava a menos de cem metros do quintal da minha casa. Estávamos indo encontrar o resto do pessoal e Thalia, que já havia descido, estava por lá.

–Acho que todo esse fast food te fez engordar uns cem quilos! Sério, você está parecendo um saco de batatas!

Dou um tapa estalado bem forte no seu braço, que faz um barulho de "taap" que chama a atenção dos meus amigos. Eles se viram, nos encarando.

–Ah, oi gente -digo, em inglês

Bruno me coloca no chão, e caminhamos até onde o resto do pessoal está sentado.

–Gente, esse é o Bruno. Bruno, esse são: Nico, Silena, Clarisse, Bianca, Katie, Connor e Travis, além de Thalia que você já conhece...-digo, indicando cada pessoa com o dedo indicador

Um coro de "oi" é pronunciado e acabamos nos sentando junto com todo mundo. Bruno começa uma árdua conversa com Thalia, Silena, Katie e Bianca enquanto eu me sento ao lado dos outros meninos.

–Ele parece ser legal -Connor diz

–Ele é legal. E é meu melhor amigo, então se fizerem, disserem ou sei lá, agirem como idiotas com ele, eu dou um lindo chute no saco de vocês. Entendido?

–Eu também sou seu melhor amigo, e nem por isso você ameaça pessoas com chutes no saco -Nico diz

Reviro os olhos, notando a presença de Percy. Ou melhor, a falta dele.

–Cadê o Percy? -pergunto

Nico e Connor trocam um olhar cúmplice. Travis coça a cabeça, desconfiado.

–Ah, Percy...ele, ficou estudando pra prova de matemática 2 -Nico diz, por fim

–Percy? Estudando para a prova de geometria? -não fazia o menor sentido- Mas nós dois havíamos combinado de estudar matemática juntos na quarta-feira...

–Então deve ser química... -Travis fala

–Ou física...-Connor completa

Semicerro os olhos para o três. Eles estão me escondendo algo.

–Tanto faz -digo- Só, sejam legais com o Bruno e...sei lá. Chamem ele pra alguma festa e coisas do tipo.

–Pode deixar, Srta.Chase -Nico diz, brincalhao

–Annabeth eu não acredito que você não nos disse isso! Vem cá! Agora -Silena chama

Reviro os olhos, imaginando que essas duas semanas seriam assim. Mas eu não me importava, não de verdade. Porque tudo que eu precisava era de umas boas duas semanas com o meu melhor amigo.

Notas finais
ENTAAAAAO! O QUE ACHARAM? eeeem? sério? me digam o que acharam do brunabeth, viu? (não que esse casal exista, mas é que é um nome para a bffzisse deles, compreendem?) Eu amei! acho que foi um dos capítulos que eu mais gostei de escrever! haha Ps: MAIOR CAPÍTULO DA FIC :):) Mereço reviews, não é? Claro que mereço! Volto logo, mas quero reviews! XoXo