Ex(change) Girl
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Summer Paradise tocava no rádio do conversível de Thalia, a brisa marinha deixava os meus cabelos relativamente assanhados e Thalia e eu cantávamos Simple Plan as alturas. Uma típica cena de filmes.
A casa de Nico ficava no mesmo bairro que a minha e a de Thalia. Naquela mesma rua a leste. Fazia uns cinco minutos que estávamos no carro quando Thalia dobra na portaria de uma casa enorme. Mansão enorme. O meu bairro era cheio de mansões grandes e belas, mas aquela era enorme até para o padrão de mansões enormes.
O porteiro abre os grandes portões de ferro e então posso ver a grande construção cinza, uma rotatória com direito a fonte na entrada e um jardim de rosas brancas. Aquela casa era sinistra. Thalia estaciona o carro na rotatória atrás de dois outros. Descemos do carro e seguimos pelo caminho de pedrinhas até a porta da casa.
Uma senhora de meia idade com cabelos grisalhos atende a porta e nos diz para irmos até a piscina. Thalia me guia pela mansão como se já tivesse estado lá centenas de vezes, o que não deixa de ser verdade. Passamos por salas escuras, cheias de tapetes e lareiras pretas até chegar a uma porta de vidro que dava para a piscina.
Nico, Percy e dois gêmeos que não conheço estavam sentados na beira de uma piscina redonda, com copos de limonada na mão, conversando sobre algo que é interrompido assim que nos aproximamos.
–O que vocês estão fazendo aqui? -pergunta Nico
–Ué, não está gostando da minha visitinha Niquito? Tudo bem, vamos embora Annabeth -responde Thalia enquanto puxa minha mão de volta para a casa.
–Já que vocês vieram, fiquem logo né -fala Nico
–Então quer dizer que você não avisou que a gente vinha? -falo raivosa
–Claro que não né! -ela diz enquanto agita a mão com desdém- Nem me lembrei de avisar.
–Tudo bem, tudo bem -fala um dos gêmeos- Não vai me apresentar a sua amiga, Thalinha?
–Travis, Connor esta é Annabeth -ela me indica com as mãos- Annabeth, esses são os Stoll.
*
–Não acredito! -grita escandalosamente Connor, quer dizer Travis, aí sei lá- Você não teria coragem!
–Claro que tive! -Thalia disse- Ela disse que nem por um decreto ficaria com você e que... Ah, já não me lembro do resto!
Todos nós estamos rindo da cara de vergonha e raiva do gêmeo 1. Thalia estava contando a 'história' de como ela descobriu que Katie não era afim dele, e sim de Nico. O único erro de tudo era que Katie não tinha uma queda pelo gêmeo 1, ela tinha um bung jump por ele.
Já passava das 3 da tarde, e estávamos em um café bacana que tinha cheiro de caramelo e creme. Eu mordiscava minhas rosquinhas açucaradas enquanto conversávamos sobre assuntos aleatórios. Acabei descobrindo que os gêmeos são irmãos de Luke e que acabaram de chegar de Miami, onde passaram o verão com a mãe.
Percy estava estranho. Ele não conversava com ninguém e só falava se alguém perguntasse algo diretamente a ele. Eu estava conseguindo ignorar toda a ignorância dele até o momento em que esse assunto começou.
–Qual é Percy, soube que pegou a Calypso em! -fala o gêmeo 2- Dizem que quem fica com ela nunca esquece.
Percy ignora aquele assunto e continua bebendo do seu café com creme extra e dois saquinhos de açúcar.
–Qual é Percy, não precisa esconder isso da gente, somos seus amigos cara -diz o gêmeo 2
–Então era ela que estava naquele quarto com você ontem? -a frase sai de minha boca antes que eu possa segurar
–O que? Ta vigiando com que eu fico, ando, ou transo agora? É isso? -ele diz irritado- Qual é a tua em Annabeth? Me diz?
Olho surpresa pra ele, era o momento certo para eu soltar uma gargalhada e fingir que aquele assunto não existiu, mas nem um som sai da minha boca, minha garganta ficou seca. Limpo minhas mãos sujas de açúcar das rosquinhas em um guardanapo e me levanto. Jogo uma nota de 5 dólares em cima da mesa e saio a procura de um taxi.
Escuto Thalia e Nico me chamando, um barulho de cadeira se arrastando. Continuo andando até a saída do café. Tudo acontece meio que em câmera lenta. Saio correndo do café e escuto meus amigos gritando algo ilegível atrás de mim, continuo correndo até que algo me atinge. Caio com tudo no chão e uma dor lancinante me atinge. Não consigo sentir minhas pernas. Não consigo sentir nada. Não consigo gritar.
Tudo a minha volta para. Escuto zumbidos, mas não sons. Encaro as folhas da palmeira voando por conta do vento. Tudo vai escurecendo. Então não vejo e nem sinto nada. Nada além da agonia que me consume.
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