Ex(change) Girl
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Pov. Percy
Me arrependo de ter dito aquilo antes mesmo que as palavras terminassem de sair da minha boca. Eu esperava que ela gritasse, me batesse, ou dissesse algo, mas ela simplesmente limpou o açúcar das mãos e saiu.
Agora estou aqui. Tomando o meu sexto copo descartável de café sem creme e sem açúcar. Sentado nessa cadeira de plástico desconfortável e grudenta. Encarando aquela luz branca. Sem notícias.
Thalia se remexe desconfortável no banco ao meu lado. Estávamos sentados aqui a vinte minutos. Nico e os Stolls já haviam ido. Thalia ligou para Atena, a 'mãe' de Annabeth, e ele já estavam vindo. Até agora ninguém veio nos dar satisfações.
–É tudo culpa sua seu imbecil! Ela não tinha nada a ver com o seu mal humor e você só da patada! O que você pensa que estava fazendo? -seus olhos gélidos me encaram e deixam transparecer sua raiva.
O pior é que eu sabia. Sabia que a culpa era minha. Annabeth não tinha nada a ver com o fato de eu ser um broxa. Eu não tinha nada de descontar a minha raiva nela. Não havia nada que ela pudesse fazer.
Escondo o rosto entre as mãos. A agonia me tomando. Um frio na barriga me consome.
–Eu sei -murmuro- É tudo culpa minha!
–Thalia Grace? -alguém chama
Thalia e eu nos levantamos de uma vez e encaramos o médico com uma prancheta a nossa frente
–São vocês que estão acompanhando a Srta. Chase? -assentimos com a cabeça- Me acompanhem por favor.
*
Pov. Annabeth
Acordo com o apito de aparelhos ao meu lado. Uma luz branca incandescente me deixa tonta. Quando os meus olhos se acostumam a claridade, olho ao meu redor. Estou em um quarto branco, deitada em uma maca. Isso deve ser um quarto de hospital.
Então me lembro de tudo. Percy e sua ignorância. Rosquinhas. Atrito. Palmeira. Escuridão.
Me remexo na maca em que estou deitada. Tento me sentar, mas algo prende as minhas pernas a maca. Uma batidinha na porta. Um médico alto e pálido entra.
–Annabeth? -ele diz- Sou o doutor Ron. Como você se sente?
Como eu me sinto? Não sinto nada, nada além de um resquício de dor de cabeça, um incomodo em meu braço esquerdo e tontura. Olho pra o meu braço e vejo uma agulha presa. Volto a olhar para o médico.
–Acho que bem -minha voz soa fraca- O que eu tenho? Pra que esse soro?
–Não aconteceu nada de mais com você. Você quase foi atropelada, mas por sorte, o carro freiou a tempo, e só foi uma pancada leve. Você está tomando soro para passar a tontura, nele estão contidos alguns analgésicos. Além de alguns arranhões superficiais, só uma torção no tornozelo, e um deslocamento do joelho, é por isso que suas pernas estão presas a maca.
Sem perceber uma onda de alívio me toma. Então eu não estava paraplégica? Eu ainda poderia andar, correr e surfar? Um suspiro longo e minha respiração normaliza.
–Quanto tempo eu vou ter que passar aqui? -pergunto
–Não muito. Assim que seus pais chegarem você poderá sair -ele diz
Essa não! Estraguei o dia na praia de Atena.
–Seus amigos estão aqui. Você quer falar com eles? -Ron pergunta
–Claro, sim -digo
–Tudo bem, volto já. Tente não fazer movimentos bruscos -ele fala e sai
Como se eu pudesse me movimentar com as minhas pernas presas?! Fico encarando o saco com soro, o soro diminuindo lentamente.
–Annabeth? Ah você está bem! Graças a Deus -diz Thalia ao entrar- Está vendo o que você fez Percy? Isso é tudo culpa sua!
O que ele estava fazendo ali? Já não bastava ser ignorante e idiota no café, ele vai ser aqui também?
Todo o resquício de raiva que eu sentia dele se esvai quando o vejo passando pela porta. Sua camisa verde toda suja de terra e sangue. Sangue? A sua expressão preocupada. O cenho franzido. As sobrancelhas unidas devido a preocupação. Além de que ele estava apenas com um chinelo, e nem deve ter se tocado.
Ele entra sem jeito no quarto de hospital. Quase derruba o vaso que fica ao lado da cama. Coloca as mãos nos bolsos, abaixa o olhar pros pés e parece continuar sem notar a falta de um dos chinelos, e franze os lábios. Se aproxima da minha cama.
–É Annabeth, eu, ruhn, é -ele respira fundo antes de continuar a falar- me desculpa. Eu fui terrível durante todo o dia, fui super ignorante. E é devido a essa minha ignorância que você está aí, deitada nessa maca. É tudo culpa minha!
Tento segurar o riso, sem êxito. Então ele acha que a culpa é dele? Mas, o que ele tem a ver com isso? Fora a parte de eu ter saído magoada com ele, nada.Coisas como essa sempre acontecem comigo. Como daquela vez que eu sai do colégio no Brasil sem olhar pros lados e acabei atropelando uma bicicleta. Ou quando eu estava fazendo spinning na praia e estava tão concentrada na música que atropelei uma meninha que estava fazendo castelo de areia.
Olho para Thalia que estava concentrada demais limpando o seu All Star para notar o meu olhar. Me viro então para Percy. Ele estava corado, me olhando interrogativamente. Paro de rir.
–Você realmente acha que isso foi culpa sua Perseu? -pergunto tentando capturar os seus olhos- Percy?
–Claro que foi -ele responde tímido- Se não fosse aquilo...aquilo que eu disse no café, você não teria saído correndo e sido atropelada!
–Percy, coisas como essa, ser quase atropelada ou atropelar algo, acontecem comigo a todo momento. A culpa não foi sua! -digo com a voz alterada- Agora, se você quiser me pedir desculpa pelo que disse, elas serão aceitas. Se não, se só quiser pedir desculpa por algo que não tem nada a ver com você, pode sair.
Percy me olha estupefato. Até eu estou surpresa com a confiança e dureza que coloquei naquela frase.
–Desculpa, eu, tudo bem. Me desculpa -ele ia continuar quando uma enfermeira entra.
–Com licença, Srta. Chase, sua família chegou. Se vocês me derem licença, eu preciso tirar o soro para que ela seja liberada. -ela diz
–Tudo bem -diz Thalia- nós já estamos de saída. Te vejo amanhã?
Assinto com a cabeça. Thalia vem até mim e me da um abraço.
–Você vem Percy? -ela pergunta
Ele nega com a cabeça.
–Vou ficar até ela ir, até mais Thals.
Um silêncio perpétuo paira entre nos até que Edwiges, a enfermeira, volta com as muletas que terei de usar por uma semana. Ela me ajuda a ficar de pé e depois sai, me dando dois beijinhos e desejando melhoras.
Percy me ajuda com as muletas até chegarmos ao saguão principal, onde Brandon, Atena e Lizz estão. Elas correm até nós e explico tudo para elas. Percy continua calado.
–O que esse cara ta fazendo aqui? -Brandon pergunta
–O Percy estava presente na hora do acidente, ele está me ajudando. -digo Brandon sai murmurando algo como "vou pegar o carro"
–Vamos Annabeth! Vou fazer cookies para comermos enquanto assistimos alguma comédia! -Lizz da pulinhos de animação
Vamos caminhando até a porta de entrada do hospital. O carro de Brandon está estacionado na porta.
–Obrigada por tudo -digo para Percy enquanto o abraço- Não se culpe por isso, por favor. Eu te desculpo.
Entro do banco traseiro com a ajuda de Lizz e o carro arranca. Vejo Percy aos poucos ficar pequeno, ainda parado na porta do hospital.
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