Ex(change) Girl
45 Capítulo 45
Notas iniciais
Pov. Annabeth
"É com enorme honra que o corpo docente da Universidade de Stanford informa que a senhorita Annabeth Chase foi pré-selecionada para participar do curso de Engenharia e Arquitetura nas nossas faculdades.
Mais informações a respeito do processo seletivo, inscrições e inicio das aulas seguirão.
Esperamos a sua presença no próximo semestre.
Atenciosamente, Universidade de Stanford."
– E então, Annabeth?! Quer matar a gente de curiosidade?! — Silena reclama, roendo as unhas perfeitamente lixadas e pintadas de rosa goiaba
– Ah, quer saber! — Thalia reclama, revirando os olhos e tomando a carta das minhas mãos
Seus olhos azuis e vidrados passam de uma linha para a outra rapidamente, e sua boca se comprime em uma fina linha. Silena rapidamente se posta ao seu lado, e juntas elas passam a ler o documento cuidadosamente escrito a mão, com o imponente selo vermelho e envelope creme.
– Aí meu Deus! Eu sabia! — Silena começa gritar, balançando a carta e pulando de um lado para o outro — Aí meu Deus Annabeth! Fale alguma coisa! Você não está feliz?!
– Sua! Vaca! Loira! — Thalia fala pausadamente, me empurrando até que eu tivesse caído de bunda na cama de edredom azul escuro — Eu sabia! Você devia me agradecer por ter te obrigado a tentar! "Obrigada Talinha do meu coração! Você é a melhor amiga que eu podia pedir!", assim está ótimo para mim.
– Aí Thalia! — reclamo a afastando para longe de mim e ficando de pé — Eu só... Só estou meio chocada.
– Chocada por que, my dear?! — Silena fala, novamente roendo as unhas — Você não quer mais ficar aqui? Quer voltar de vez para o Brasil?!
Sua voz estava tão desesperada, e a imagem de uma Silena roendo as unhas recém pintadas eram algo tão novo e angustiante que finalmente me fazem parar de andar de um lado para o outro.
– Claro que eu quero! — digo, me jogando no carpete — Eu só não esperava que fosse realmente conseguir. É tudo muito... Novo pra mim.
– Então você vai ficar?! — Silena fala, ficando de pé mais rápido do que eu poderia contar até dois
– É claro que ela vai, Si. — Thalia fala, colando os braços sobre os nossos ombros e nos fazendo dar um abraço em grupo — Essa daí não aguentaria um dia longe de mim.
– De nós! — Silena corrige
– É, de nós. — Thalia ri
– Você precisa falar para sua mãe. — Silena diz
– As duas. — Thalia completa
– E para Percy. — Silena fala
– E para todo mundo.
– Nós podíamos dar uma festa! Você sabe, para comemorar. — Silena se anima — Poderia ser lá em casa, eu tenho certeza que a mamãe deixa!
– Até eu animei com essa festa. — Thalia fala, se virando bruscamente para mim e fazendo os seus cabelos recém aparados em um corte Channel repicado balançarem — O que você acha?
Eu havia finalmente despertado do transe.
Estávamos no quarto de Thalia, antes sentadas no carpete mas agora em pé. Eu havia prometido que quando recebesse o documento informando a "decisão" da faculdade, o abriria com elas, e ele havia chegado hoje de manhã, naquele envelope imponente e cheio de classe.
E, eu havia sido selecionada. Eu estaria em Stanford no próximo semestre!
– Aí meu Deus! — falo, me jogando na cama cheia de travesseiros de Thalia — Aí meu Deus!
– Finalmente! Era essa reação que eu estava esperando. — Thalia fala, soprando as unhas recém pintadas para que secassem
– Eu acho que isso foi um sim para a festa. — Silena fala, se animando e pegando bloco de papel e caneta para fazer a lista — Certo, eu estava pensando em um coquetel mais refinado, você sabe, vestidos longos, música mais clássica e coisas do tipo... Ah! Quem sabe uma rave? O que você acha?
– Silena, da um tempo! — Thalia resmunga
Suspiro, me sentando com os braços apoiados atrás do corpo, e não conseguindo segurar o sorriso.
Todo esse tempo com este peso sobre as costas, com essa dúvida do que seria dali para frente, aquela angústia a respeito do futuro. Tudo aquilo havia aparentemente se dissipado, como se as nuvens carregadas houvessem saído e deixado apenas o bom e velho sol, brilhando como sempre.
– Acho que tenho algumas ligações a fazer.
♡
– Não acho que tenhamos que falar nisso agora. — digo, fazendo uma careta quando mais uma dúzia de pelos são arrancados
– Por que não? — Thalia revira os olhos
– Será que é por que eu estou sendo torturada e essa cera verde quente ta me pinicando? E ah! Ainda tem o fato de que essa mulher está arrancando todos os pelos do meu corpo. — falo, sarcástica, segurando um grito de dor
– Você é muito mole, são só algumas puxadinhas. — ela diz, sentando se na poltrona cor de vinho do outro lado da cabine e discando algo no seu celular
– Eu não sou mole, só não tenho resistência a dor como você. — digo — Puta merda! Vai com calma Danny!
Danny, a depiladora, só revira os olhos e murmura algo como "se eu for com calma vai doer mais", antes de puxar mais uma vez.
– Tudo bem, já acabei Annabeth. — Danny fala por fim, passando um gel refrescante nas minhas pernas — Não esqueça de passar hidratante e nada de raspar!
Murmuro algo como "tudo bem, valeu Danny, mas espero não ter de voltar aqui tão cedo" e depois vou pagar, com uma Thalia estranhamente entretida com o celular me seguindo.
– O que você ta fazendo aí? — pergunto, tentando ler o que se passava no telefone dela
– Ué! Cai fora! Onde já se viu, que falta de privacidade! — ela reclama, dando alguns passos para trás e colocando o celular fora do meu campo de visão
– Thalia! — digo, mas ela revira os olhos e continua teclando
– Você não vai postar nenhuma foto? — pergunta, ainda sem desviar os olhos do telefone, enquanto eu digito a senha do cartão de crédito
– Foto?
– É, Annabeth, foto. Você sabe, retrato, essas coisas que a gente bate com uma câmera.
– Eu sei o que é uma foto, débil mental, só não sei porque deveria postar alguma. — falo, soprando os fios de cabelo que estavam no meu rosto e sentando no banco do passageiro do carro de Thalia
– Não sabe? — ela pergunta, afivelando o cinto de segurança e olhando para mim por cima do ombro — Annabeth, você sabe que dia é hoje?
– Uhm... Primeiro de março, dia do... Aí meu Deus! Dia primeiro de março!
– Você tinha mesmo esquecido? — Thalia pergunta, dando ré e manobrando o carro para fora do estacionamento da clínica de beleza
– Claro que eu tinha esquecido Thalia! Eu não comprei nada de presente! — falo, dando um tapa em minha própria testa
– O Carmel Milênia Mall fica aqui pertinho, quer passar por lá? — pergunta
– Eu... Que tipo de namorada sou eu, que esquece o próprio aniversário de namoro?! — reclamo, checando as horas no meu celular
– Uma namorada loira e lesada, que não se tocou porque o namorado mandou uma mensagem de "eu te amo" as meia noite em ponto. — fala, fingindo que ia vomitar durante o "eu te amo"
– Ah, cale a boca! Eu só... — suspiro — Não acredito que não me lembrei mesmo! Até o lerdo do Percy lembrou!
– Pra você ver o que o amor não faz... — ela diz — Então, vamos ou não pro shopping?
– Não sei se da tempo... Me leva pra casa, eu já sei o que vou fazer.
Thalia me dirige um sorriso malicioso, com as sobrancelhas pretas arqueadas e os olhos azuis brilhando extremamente divertidos.
– Você vai usar aquele conjunto de lingerie novo? — pergunta
– O que? Por Deus Thalia, não! — falo, corando — O meu namoro com o Percy não se resume só a sexo.
– Eu sei que não... Até porque você é virgem. — fala, mas antes que possa continuar, se interrompe — Você ainda é virgem, Annabeth, não é?
Eu já estava com o sim na ponta da língua, mas Thalia me conhecia muito bem e seria praticamente impossível mentir para ela.
– Bem... Eu... — gaguejo
– Eu não acredito! — ela feia bruscamente o carro, me fazendo quase bater a cabeça no pará-choque — Você transou com o idiota do meu primo e nem sequer me falou?! Não falou para a sua melhor amiga? Que tipo de amizade é essa em que a melhor amiga não fala que finalmente transou com o namorado?!
Massageio a testa, esfregando o quase hematoma.
– Aí, Thalia, doeu! — reclamo
– Você quer saber o que doeu, Annabeth? O que doeu foi saber que você quebrou o juramento de melhores amigas! — ela dramatiza
– Que juramento de melhores amigas?
– "Eu prometo amar e compartilhar, tudo o que tiver, a minha casa e as minhas provas, e principalmente todos os meus segredos". Esse juramento, Annabeth! E em todos os meus segredos, o fato de perder a virgindade com primos da melhor amiga se encontra em primeiro lugar!
– Thalia, eu não fiz juramento nenhum...
– Ah, cale a boca! — ela fala, respirando fundo algumas vezes antes de completar — Certo, desembucha, pode começar a contar.
– Contar o que, especificamente?
– Contar o que? Por Deus Annabeth, as vezes eu acho que você realmente pegou a lerdeza do Percy... — fala, revirando os olhos — Contar em todos os detalhes de como foi que o Perseu enfiou o brinquedinho dele na sua vagina.
– Thalia! — reclamo, chocada
– É isso aí, já que você guardou esse segredo por todo esse tempo, agora vai ter que contar todos os detalhes.
– Todos os detalhes...?
– É Annabeth, eu quero saber até a cor da cueca que ele estava usando. Agora, pode começar porque senão... Nem tempo de comprar o presente vai dar.
Suspiro, afinal eu conhecia a minha melhor amiga e sabia que por nada no mundo conseguiria tirar essa ideia da cabeça dela.
Mas, bem, certas coisas nós não precisamos compartilhar...
♡
Eu estava com muito frio nas pernas. O meu vestido de seda era muito fino e curto, e só chegava até a metade das minha coxas, e o ar condicionado do restaurante era frio demais.
– Ann, vamos no banheiro? — Katie fala, cutucando de leve o meu tornozelo por debaixo da mesa
– Claro. — falo, pegando a pequena carteira de franjas de cima da mesa e me levantando — Voltamos já, pessoal.
Estávamos no meu restaurante italiano favorito, para comemorar a minha aprovação na universidade, e Athena tinha até comprado um vestido novo e sapatos combinando para mim.
Empurramos as portas vermelhas que levam até o toalete, e enquanto Katie entra em uma das cabides para trocar o absorvente, retoco o batom. O vestidinho era de seda verde, e se ajustava quase perfeitamente ao meu corpo, marcando a minha cintura. Os saltos eram dourados e tinham o solado vermelho, e combinavam perfeitamente com o meu vestido e cabelo.
– Ainda bem que esses restaurantes tem absorvente, não sei o que seria de mim sem isso. — Katie fala, saindo do banheiro e dando uma volta em torno do próprio eixo — Vazou?
– Sorte sua que não, porque eu nunca usaria calça branca perto do período. — falo
– É, eu sei, foi burrice da minha parte mesmo. — diz, secando as mãos no secador a vapor — Falando nisso, e ao mesmo tempo fugindo completamente do assunto, cadê o Percy?
– Uhm... — digo, olhando as horas no relógio de ponteiros da parede — Já deveria ter chegado.
– Ele já deve... — fala, mas se interrompe quando o próprio aparece de supetão, nos dando um susto e abraçando a minha cintura — É, já chegou.
– E aí, Katie? — Percy fala, rindo nos meus cabelos
– Relaxa, eu já estou saindo... Vejo vocês no jantar. — fala, andando de costas até a mesa — Eu acho.
– Ta vendo, você espantou a garota! — falo, dando um tapa de leve no seu ombro
– Ótimo, assim a gente pode comemorar os nossos três meses de namoro em paz. — fala, beijando o meu pescoço — Falando nisso, nem pra você responder as minhas mensagens ou postar alguma coisa, né?
– Jura? — digo — Você, reclamando porque eu não postei foto?
– Era o mínimo que eu esperava. — ele fala sério, mas a sua expressão o contradiz
– Relaxa, eu só estava esperando pra você me ajudar a escolher a foto. — digo
– Eu estou brincando. — ele diz — Você sabe que eu não gosto de fotos e...
– O que? Mas foi você quem pediu... — digo, sorrindo maliciosa — Todo mundo vai ver, inclusive os meus amigos no Brasil...
Percy fecha a cara em menção a eles.
– Chega. — diz, por fim — Até agora você só ficou nesse lenga lenga, e nem um beijo eu ganhei. Aliás, por que esse monte de gente veio?
– Eu tenho uma surpresa pra você. — digo — Mas você vai ter que esperar até o fim da noite, quando todo mundo for embora.
Percy sorri malicioso, arqueando as sobrancelhas.
– Não esse tipo de surpresa, seu pervertido! — falo, dando um tal estalado no seu ombro
– Mas não seria nada mal...
– Não vai rolar nada disso Percy, pode ir tirando o seu cavalinho da chuva. — digo, o empurrando com o ombro até a mesa, e me sentando, sendo logo seguida por ele — Certo, se você realmente quiser a foto, tem essas três aqui que eu já...
– Eu não preciso de foto nenhuma para dizer que te amo, você precisa? — fala
– Uhm... — suspiro, quando ele passa o nariz pelo meu pescoço — Não, se você quiser eu posso falar agora.
– Eu quero. — ele sussurra
– Amo você. — sussurro de volta
Eu o beijo, sentindo os lábios ásperos e a língua quente dele contra a minha.
– Vão com calma aí, casal vinte, vocês tão em público. — Nico fala, nos fazendo separar e rir
– Queria poder fazer isso pelo resto da minha vida. — ele fala, beijando o meu ombro desnudo
– Isso o que? — pergunto, apoiando a cabeça em seu ombro
– Ficar contigo.
– E você pode. — digo, olhando no fundo dos olhos verdes dele que eu tanto amava — Eu não vou precisar voltar pro Brasil, Percy, eu fui aceita em Stanford.
Os olhos de Percy brilham mais intensamente, e sua boca se abre algumas vezes, sem emitir som algum.
– Isso é sério?
– Seríssimo. — digo
– Bem, então eu sinto muito pessoal, — fala, aumentando o tom de voz para que o restante das pessoas na mesa escutem — virem os rostos pro outro lado, porque eu acabei de receber uma notícia incrível, é o nosso aniversário de namoro e eu tenho uma garota muito gata com os lábios bem atraentes a quem eu preciso beijar.
Eu rio, mas logo sou interrompida pelos lábios do meu namorado.
Eu não ligava se não tinha tinha dado ou ganhado presente de aniversário de namoro, ou se tinha ou não alguém assistindo, só precisava estar ali com ele.
E aparentemente, essa também era a única necessidade dele.
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