Notas iniciais
Voltei! Sei que eu disse que não ia mais demorar tanto para voltar, e peço milhares de desculpas pela demora, mas como eu havia explicado capitulo passado, tinha o ENEM e as minhas provas finais... E tudo isso me deixou nervosa e sem tempo. Mas agora, eu estou de férias e prometo que vou tentar melhorar o ritmo de postagem, e quem sabe talvez, eu volte ainda esse mês! Eu recebi uma recomendação lindíssima da Filha de Poseitena! Muitíssimo obrigada, de verdade, da sua recomendação me deixou com a sensação de comer bacon! Enfim gente, eu estava com taaaaaaanta saudade que vocês não tem noção! Era saudade demais da conta mesmo haha! É isso, aproveitem o capitulo, e até lá embaixo!

Pov. Thalia

Eu gostava das sombras que a cortina preta fazia no teto do quarto. Era de certa forma reconfortante e assustador, exatamente os adjetivos que pareciam me definir no momento.

Não que eu fosse reconfortante, longe disso, porque Annabeth costumava dizer que eu era tão amável e delicada como uma fuinha que vive soltando puns. Mas era tudo o que eu precisava, conforto.

As vezes me pergunto se as pessoas imaginam que eu sou uma anomalia genética gigante e sem sentimentos, que fica zanzando por aí e que não é atingida por nada. Bem, ao menos essa é a imagem que eu costumava querer passar: forte, sem sentimentos, inatingível.

Mas, em certo momento, nós simplesmente cansamos. E era isso, eu estava cansada. Cansada de engolir todos os desaforos, fazer algumas ameaças e dar chutes nos sacos de quem me incomodasse; cansada de guardar todas as minhas dores e sentimentos só pra mim; cansada de esperar.

É tudo o que eu tenho feito nós últimos anos da minha vida: esperar, esperar, e esperar um pouco mais.

Primeiro, eu esperava atenção dos meus pais. Esperava atenção, reconhecimento, talvez um pouco de afeto e carinho, esperava tempo, esperava amor.

Depois, eu esperei pelo idiota do Nicolas DiAngelo. Esperei ele se tocar de que eu não queria ser só uma amiga dele, esperei ele vir atrás de mim, esperei ele vir se desculpar.

E agora, eu esperava me tornar alguém. Não o tipo de alguém que os pais geralmente costumam desejar que a gente se torne: formada, casada e aparentemente feliz. Só de pensar nessa versão de mim mesma, eu tinha vontade de vomitar os três Big Mac's que eu tinha comido nas últimas doze horas. Esperava me tornar alguém que quando estivesse prestes a morrer, pudesse se lembrar do passado e pensar: puxa, eu fui realmente feliz.

Eu queria ficar com vários, queria dirigir com os pés, queria beber até desmaiar, queria experimentar a sensação de ingerir LSD e ficar temporariamente livre, queria fazer loucuras, queria amar e ser amada, e principalmente, queria deixar uma marca. Não uma marca do tipo tatuagem (se bem, que pensando agora, essa não seria uma má ideia...), mas sim uma marca que faria as pessoas se lembrarem de mim e dizerem: nossa, essa Thalia realmente fez algo de bom nessa vida.

Teoricamente, eu poderia fazer uma descoberta científica, encontrar uma vacina contra a AIDS ou uma cura para o câncer, mas, os meus testes de biologia comprovam o que eu vou dizer a seguir: ciência não é muito a minha praia.

Não que eu não curta uma boa vacina, ou um exame de sangue, de boas, eu até acho divertido ver aquele líquido saindo de dentro de mim, mas é só que não é o tipo de coisa que eu consigo me imaginar fazendo.

Era uma marca diferente, o tipo de marca que eu posso sentir ao acordar, e lembrar antes de dormir. Não uma marca exterior, mas interior. Ela não precisava ser como o Empire State, imponente, enorme e famoso, para que todos o conheçam e saibam do verdadeiro mérito. Podia ser algo pequeno, que apenas a fizesse sentir que finalmente fez algo de bom na sua vida de mediocridade.

Katie havia acabado de passar para NYU, Silena foi aceita com renome na faculdade que falava desde que havia aprendido a soletrar Channel, Annabeth havia conseguido uma bolsa de estudos pra Stanford, e bem, ela não fez nada. Talvez, Thalia, Nico e Percy realmente tivessem algo em comum, já que nenhum dos três precisou mover sequer um dedo para conquistar o que tem e decidirem o que vão fazer, todos já estão com o destino basicamente traçado.

A própria não conseguia se imaginar administrando os trilhões de supermercados que os pais tinham por aí, e muito menos toda aquela grana. De certa forma, se sentia com um destino a seguir, e ao mesmo tempo, sem rumo nenhum.

Nunca teve direito de escolha, muito menos sequer pôde falar não para nada. O maior ato de real rebeldia que já havia praticado fora pintar aquela mecha do cabelo de azul, porque qualquer desvio sequer do caminho planejado por sua mãe, repercutiria em um enorme escândalo. Tinha aquela pose de valentona, que não teme nada, e está dando a mínima para o que pensam dela, mas na verdade, há uma face oculta da Thalia que pouquíssimos tiveram o prazer — ou desprazer — de conhecer.

Annabeth é uma dessas pessoas que conhece a Thalia, a real e verdadeira Thalia, que diz "Foda-se o Di Angelo", mas que na verdade não consegue esperar meio minuto sequer para responder a um SMS dele. Sinceramente, mal consegue se lembrar de como era a sua vida pouco mais de meio ano atrás, antes de Annabeth aparecer, pois era como se ela estivesse estado todo o tempo do seu lado, que as duas tivessem vivido muito mais juntas.

Seu celular vibra em algum canto em cima da sua cama, e ela passa as cegas, a tatear em busca dele.

"Fazendo alguma coisa?"

Era mensagem de Annabeth.

"No momento, apenas pegando mofo, deitada na minha cama. Mas, vou trocar de blusa e passo aí para te levar em um canto, pode ser?"

"Ok, dê um toque quando chegar."

Thalia nem sequer se da o trabalho de responder, apenas caminha no escuro mesmo até o closet e escolhe uma regata bem cavada preta, que provavelmente tem a estampa de alguma banda que Thalia não consegue identificar na escuridão. Coloca o celular e o cartão de crédito no bolso de trás da calça jeans de lavagem preta que usava, e desce trotando as escadas de piso branco que levam até a saída.

Não se incomoda com o barulho do arrastar de pneu que o carro faz quando ela manobra a quase cem quilômetros por hora propriedade a fora, conectando o celular no Bluetooth do carro e ligando para Annabeth, que antes que possa atender já está pulando a porta do carro e entrando no conversível da amiga.

– E então, para onde estamos indo?

– Troca esse CD, por favor, não aguento mais. — diz, avaliando o estado do cabelo repicado no reflexo do pára-brisa

– Uhm... U2? — Annabeth pergunta, exibindo todas as limitadas opções de CD's disponíveis

Thalia apenas faz um gesto de descaso com a mão e sorri ao ouvir a melodia da primeira canção.

– Certo, agora você pode me responder: para onde estamos indo?

– Surprise, darling. — falo, dobrando na avenida principal e que nos leva até a zona norte de Carmel

– Thalia, você não está...?

– Relaxa Annabeth, só estamos... Dando uma volta, e indo a um lugar em especial, nada demais.

Enquanto dirigia, pensava em centenas de coisas que eu poderia gostar de tatuar ou, pelo menos, que não me importaria de ter desenhado no meu corpo pelo resto de minha vida. Por um momento, o pensamento de que era idiotice tatuar algo que nem se sabe o que é passou por minha mente, mas logo o espantei, porque sabia o que queria, apenas não sabia como.

Annabeth, ao meu lado, ruía nervosamente o pouco de unha que a restava, nervosa por estar indo a um campo desconhecido da cidade.

– Chegamos. — digo, estacionando o carro e tirando a chave da ignição

– Chegamos onde, exatamente?– ela pergunta, observando com os olhos curiosos o espaço ao nosso redor

– Nunca ouviu falar que adolescentes de 16 anos não podem fazer tatuagem sem a autorização dos pais? Não que eu ache que isso faz sentido, porque podemos dirigir e colocar vidas sob nossa responsabilidade, mas desenhar ou escrever algumas coisas permanentes é ilegal... — me interrompo quando vejo assua cara de choque — Está tudo bem?

– Isso... É um estúdio de tatuagem? — pergunta

– Exatamente, um estúdio de tatuagem que não pede identidade dos seus clientes e que não liga se eu quero ou não fazer essa merda.

– Thalia você não vai...

– Não adianta, eu já decidi. — falo, empurrando com a cintura a porta de vidro do prédio meio cinzento — Você vem, ou não?

Annabeth rapidamente me acompanha, observando atentamente o local.

– Como você descobre esses lugares? — pergunta

– Eu conheço... Pessoas. — falo, simplesmente, subindo as escadas e sujando as minhas mãos com a poeira do corrimão

– Por que você quer fazer isso?

– Annabeth, não. Nada que você diga ou faça vai mudar a minha decisão, eu vou fazer isso e já está decidido.

O estúdio ficava no terceiro andar do pequeno prédio de quatro, tinha portas de vidro com fumê escuro e uma placa iluminada com as letras do nome Tatoo brilhando em luzes de led. No corredor já dava para sentir o cheiro de álcool esterilizante e café que o espaço emanava. Ao menos é higiênico, pensa.

Ela gira a maçaneta fria e adentra no estúdio, seguida por uma Annabeth encolhida, caminhando até o balcão onde uma garota de olhos grandes, cabelo com topete e camiseta vermelha apertada que deixa os seus seios quase pulando para fora se encontra.

– Olá. — diz, examinando as enormes unhas pintadas de preto — Posso ajudar?

– Hm, eu quero... Fazer uma tatuagem. — Thalia estranha o tom da própria voz, e se toca do quão óbvia era aquela frase, considerando o lugar em que estava

– Certo, você tem hora marcada? — a garota pergunta, e Thalia pôde perceber que ela tinha a tatuagem de um dragão que vinha de algum lugar as suas costas e terminava em seu pescoço

– Bem, não... É necessário?

– Não, bobinha. — a garota fala e Thalia se segura para não rir — Venha, vou te levar a um de nossos profissionais.

– Você vai ficar aqui, ou quer entrar comigo? — pergunta, se dirigindo a Annabeth

– Eu vou com você. — fala, e a morena percebe que a garota estava com mais medo do que a própria Thalia

As duas seguem a mulher do topete até uma sala um pouco mais reservada, onde um cara careca e com tatuagens espalhadas pelo braço se encontrava.

– Ei Felix, essa é...? — fala, se virando para Thalia que rapidamente responde

– Thalia.

– Bem, essa é Thalia, e ela não tem hora marcada, de qualquer forma... Estamos meio desocupados hoje, então... Você se incomodaria?

– Não, pode sentar garota. — Felix diz, indicando com a cabeça raspada a poltrona preta — Você também vai fazer?

– Não! — Annabeth responde rapidamente, se encostando a uma parede no canto da sala

Felix ri, e se senta na poltrona ao lado da minha.

– E então, já sabe o que é onde quer fazer?

– Na realidade, não exatamente. — digo — Eu estava pensando em uma frase, mais ou menos aqui, na altura do ombro, nas costas.

– Aqui? — pergunta, pressionando com a luva o local descoberto pela blusa cavada que usava

– Exatamente.

– Tudo bem, eu vou preparar o material, e você pode escolher a letra e pensar melhor no que e como você vai querer. — diz, levantando a caminhando até a bancada de granito negra

Folheio o livro com as fontes que ele havia me dado, e encontro uma que me agrada e rapidamente me ajuda a decidir exatamente a tatuagem que quero.

Não vou mentir, eu estava nervosa, e o constante zumbido da agulha só fazia dar a sensação de que doía muito mais do que na realidade. Annabeth estava distraída com algumas fotos de tatuagem grudadas na parede, acho que não queria olhar para mim, não queria acreditar que eu realmente estava fazendo aquilo.

Ao menos, foi bem rápido, e menos de meia hora depois, Felix já havia colocado um curativo sob o local e me dado todas as instruções de o que fazer e como tomar cuidado. Infelizmente, não me deitar de costas e nem encostar no banco do carro estava sob essas prevenções.

– Você realmente fez. — Annabeth diz

– Sim, eu fiz.

– Mas... Por que? Por que essa ideia repentina?

– Não era uma ideia repentina, Annabeth, ela já estava na minha cabeça a muito tempo. — falo — Apenas decidi a concretizar hoje.

– Você é maluca, essa coisa nunca mais vai sair de você.

– Eu sei que não, e estou disposta a correr o risco de enjoar dela, alias é por isso que eu fiz nas costas: menos difícil de eu cansar dela, se não estiver vendo.

– Só... Vamos sair logo daqui, antes que você decida fazer outra.

Solto uma gargalhada alta, enquanto dou ré no carro a caminho da residência da família de Annabeth.

– Vou me arrumar na sua casa. — digo

– Se arrumar para que?

– Você acha mesmo que eu vou perder a oportunidade de mostrar essa belezura para o mundo?

– Ele disse que você não devia tirar o curativo por pelo menos uma semana...

– Quem disse que eu sou do tipo de seguir regras?

♡

– É, até que eu pensei que fosse ficar mais vermelho. — Annabeth diz, enquanto se inclina sobre o espelho para aplicar o rímel nos cílios

– O que você achou? — pergunto, verificando que os meus cabelos estão adequadamente assanhados

– Tudo bem, tenho que admitir que, está bem legal.

Sorrio vitoriosa, virando de costas para o enorme espelho do quarto de Annabeth, e observando o reflexo da minha tatuagem, totalmente exposta devido a blusa de uma só manga que eu havia pego emprestado da minha melhor amiga.

– Obrigada, você será a próxima.

– A próxima a que...?

– A fazer a tatuagem, Annabeth. — digo, revirando os olhos

– Alto lar, eu posso até ter achado legal, mas aí até fazer essa loucura... São muitos hectares de caca de vaca, meu bem.

Solto uma risada pelo nariz, ainda estranhando um pouco a ardência da região próxima a tatuagem.

– Certo... — Annabeth é interrompida pelo toque de seu celular, o qual ela rapidamente atende e troca palavras do tipo "tudo bem", "ok" e "estamos descendo"– Chegou!

Ela pega a bolsinha de correntes preta em cima da cama e andando mesmo coloca os saltos altos, o que me faz bufar, porque mesmo descalça Annabeth já conseguia ser bem mais alta do que eu.

– Salto alto, Annabeth?

– Qual é Thalia?! Só porque eu já tenho um metro de setenta e cinco não quer dizer que eu também não posso usar salto alto não!

– Só queria que tivesse um pouco mais de consideração com a sua amiga de um metro e sessenta e sete aqui. — falo, segurando na parede para me equilibrar, já que a escada não tinha corrimão — Além de que, eu sei que você usa esses saltos de dez centímetros só pra ficar mais ou menos na altura do Percy...

Annabeth revira os olhos, gritando um "estou saindo" para Brandon que estava comendo pizza sentado no sofá e correndo até o carro. Quem revira os olhos dessa vez sou eu, já que não tenho que aturar o beijo de novela que ela troca com o namorado e muito menos ficar encarando.

– Desculpa aí, casal, mas tem gente aqui no banco de trás assistindo. — uma voz ao meu lado fala, o que me faz pular de susto

– Puta que pariu. — falo pausadamente, colocando a mão sobre o peito e esperando os meus batimentos cardíacos se normalizarem

Nico DiAngelo estava sentado ao meu lado, o braço esticado sob o banco de traz e camisa preta deixando a sua palidez ainda mais evidente, e o sorriso "eu escovo os dentes um milhão de vezes por dia" levemente sarcástico.

O coração de Thalia precisou de um pouco mais de tempo para normalizar, depois disso.

Percy e Annabeth riem e enfim se separam, mas durante todo o trajeto ele mantém uma das mãos entrelaçada com a dela e sob a coxa bronzeada a mostra da garota. Depois que chegam na casa de show, os dois rapidamente desaparecem sob a multidão e aí só restam Thalia e Nico. Assim que da um passo para frente, sente a mão gelada dele a tocar.

– "I knew you were trouble"? — ele diz, segurando a sua cintura — Só posso presumir duas coisas com essa tatuagem: ou você virou uma fanática da Taylor Swift, ou essa foi uma indireta pra mim.

– E alguma das duas diz respeito a você? — pergunta

– Bem, espero que seja a segunda, porque depois do que eu vou fazer agora, não quero levar um tapa e ter entendido errado.

E depois, tudo o que pode sentir são os seus lábios também gelados sob os seus, e os seus dedos sob a sua tatuagem, e a sua mão no seu pescoço.

Pela noite inteira.

Notas finais
Yeppppp. Esse foi um capitulo pov. Thalia pra vocês entenderem melhor o que se passa na mente dessa criatura, e que a vida dela não é um mar de rosas. Em breve um capitulo pov Nico também virá pra deixar vocês mais por dentro da relação desses dois. Como eu já disse, vou tentar não demorar, e se tudo der certo, provavelmente eu ainda volte esse mês! Além de que, A META AINDA ESTÁ DE PÉ, VIU? Então tratem de a cumprir, porque mesmo que eu consiga escrever a tempo, só volto quando ela já estiver cumprida. Aaaaaaah! Já ia me esquecendo: eu escrevi (mais) uma one-shot percabeth! O link é esse aqui: http://fanfiction.com.br/historia/564062/Sutia_Vermelho_Tamanho_44_One_Shot/ e eu peço pra quem ler, me deixar um review focinho e lindo, porque eu adoro conversar haha! É isso, eu estava/estou morrendo de saudades de alguns leitores que simplesmente desapareceram do mapa! Gente, apareçam, digam um olá, comentem! Xoxo