Notas iniciais
Espero que gostem! Comentem por favor :)

Acordo com alguém me cutucando.

Giro, ficando de costas, e tampo os olhos com o fino lençol de algodão, mas a pessoa continua insistindo.

– Vamos Annabeth, acorde — era uma voz doce e fina, de uma menina que deveria ter no máximo catorze anos — É o nosso ultimo dia de ferias! Você não pode mesmo querer passar o dia todo na cama quando se tem um sol brilhante e uma praia maravilhosa lá fora! — espere, aquela voz não falava português, aquilo era inglês?

Então me lembro, faz exatamente uma semana que eu havia chegado aqui, Carmel, na Califórnia. Uma semana que estou fazendo intercâmbio, uma semana longe de casa, longe da minha prancha.

Espere! Aquela era a oportunidade perfeita! Se o sol estava radiante mesmo, e tinha uma praia linda lá fora, era a oportunidade perfeita para eu desembrulhar a minha prancha e surfar!

Abro os olhos e vejo a minha "irmã" de catorze anos. Seus lindos olhos azuis cintilando de expectativa, seus cabelos caramelo caindo em suaves ondas por seus ombros, sua franja nos olhos e seu sorriso singelo e sincero nos lábios.

– Finalmente — ela disse, em inglês. Fazia uma semana que eu estava aqui e ainda não havia me acostumado completamente com o idioma.

Não que eu não soubesse falar, muito pelo contrário, foi exatamente por isso que vim, porque sabia falar inglês fluentemente. Mas falar inglês, escutar inglês, respirar em inglês era totalmente diferente daquilo que eu estava acostumada. Nunca havia passado mais de quinze dias em outro país, e eu sempre tinha alguém para falar português comigo.

– Pensei que nunca fosse acordar! Agora vamos, vamos, você disse que poderia me ensinar a surfar quando fossemos a praia!

Levanto da cama e me espreguiço. Passo por Lizz, que era a única filha mulher da família que havia me recebido, e vou até o banheiro da minha suite. Eu tinha um quarto só pra mim, uma suite na verdade. E ele era lindo, todo pintado de branco, com as portas do banheiro, do quarto e do closet pintadas de um azul celestial maravilhoso, os móveis eram estilo vintage, todos brancos com as dobradiças azuis, minha cama era de dossel, como as de princesas. Lavo o rosto e olho pelo espelho para Lizz, sua expressão era de pura ansiedade.

– Que horas são? — pergunto.

– Oito e quarenta e seis. — ela responde enquanto desvia o olhar para minha cama desarrumada — Tudo bem, hoje é domingo e papai disse que vamos todos para a praia, ele sempre gosta de sair cedo, então é bom você se arrumar logo. — me viro para ela, que da pulinhos de expectativa, e franzo o cenho.

–Por que? Não vamos para a praia aqui da frente? — pergunto, me referindo a linda praia que vejo todas as manhãs ao acordar, quando abro as cortinas do meu quarto.

– Hoje não, como é o nosso último dia de férias papai decidiu que iremos para uma outra praia, que fica mais distante, lá é sempre lotado, por isso sairemos cedo. — ela explica, enquanto dobra os edredões e arruma os travesseiros de minha cama.

– Ah — suspiro — tudo bem, vou me arrumar. A que horas sairemos?

– Por volta das nove e meia — ela me responde — Te vejo já. — e com isso sai do quarto.

Escovo os dentes e tomo uma ducha gelada. O dia está quente, e pela veneziana do banheiro posso ver que o sol realmente brilha lá fora. Saio do banheiro e vou para o closet, sem deixar de suspirar com a beleza do meu quarto. Pego um biquini de bolinhas azuis e brancas e o visto, me olho no espelho, e vejo que o costumeiro bronzeado que eu tinha não está mais lá, devido ao tempo que não vou a praia ou mesmo vejo o sol.

Onde eu morava, no nordeste do Brasil, todos os dias eram dias perfeitos para surfar e, bem, era isso que eu fazia. Morava em um condomínio na beira de uma das praias mais bonitas do Brasil, o mar era perfeito, quente, convidativo. Não importava quanto dever de casa eu tivesse, quanta matéria eu tivesse pra estudar, ou até que horas havia ficado acordada na noite anterior, todas as manhãs eu surfava. Não que as praias da Califórnia não fossem lindas ou convidativas, elas são, mas com toda a correria desde que cheguei, não tive tempo nem de pensar em ir a praia, mas agora eu tinha, e ia aproveitar.

Coloco um short jeans, uma camiseta branca, calço chinelos e pego minha mochila. Enfio meu celular, filtro solar, uma toalha e uma blusa térmica especial pra surfar na bolsa. Passo um pouco de brilho labial e prendo o cabelo em um rabo de cavalo. Pego minha prancha — ah Deus! Como eu senti falta da textura, do peso e do modo que ela se encaixa debaixo do meu braço. Bato na porta do do quarto de Lizz e desço as escadas da casa duplex.

Ao chegar na sala vejo que meus "pais", Atena e John, já estão esperando por nós. Meu "irmão" mais velho, Brandon, também já está a nossa espera. Desejo bom dia e me sento no sofá esperando Lizz e Mason, o caçula.

– Já estou aqui, já estou aqui — diz Mason enquanto desce as escadas correndo, o seu cabelo castanho claro caindo por cima de seus olhos azuis como os de Lizz, sua voz fina e estridente não esconde os seu nove quase dez anos — Tudo bem, onde está Lizz? Eu quero ir logo!

– Estou aqui, calma Mason! — Lizz diz ao chegar e sentar-se ao meu lado — Vamos? As coisas do piquenique já estão prontas? — Atena assente, e diz para John pegar as chaves do carro enquanto nos encaminhamos para a garagem. Lá estavam estacionados três carros: o SUV prata e com mais de sete lugares de John, o Land Rover de Atena e o Camaro preto de Brandon. John chega e destrava o carro, todos entramos no SUV e saímos da mansão estilo vintage dos Howard.

A casa dos Howard não era a maior da rua atolada de mansões, nem de longe a mais chique, mas em minha opinião era com certeza a mais bonita, com seu estilo vintage e o seu tom cinza azulado. O carro vira a esquerda e segue em direção ao oeste. John liga o rádio e um som de blues começa a tocar, aproveito o momento para mandar SMS para meus amigos no Brasil, mas devido ao fuso horário todos devem estar dormindo. Acabo encostando a cabeça na janela e observando a paisagem mudar, até que em cerca de vinte minutos chegamos em uma praia mais ou menos lotada, cheia de toalhas de piquenique e guardas-sois.

Descemos do carro e Atena, Lizz, eu e Mason vamos encontrar um lugar para instalarmos nossa toalha de piquenique enquanto John e Brandon pegam os guarda-sois. Encontramos um bom lugar perto do mar, estendemos a toalha e eu prendo minha prancha na areia. Brandon e John chegam e começam a armar tudo. Tiro a roupa e começo a passar protetor em meu rosto, visto a blusa térmica e olho pra Lizz.

– Pronta para começar as aulas de surf? — pergunto.

– Uhm, não sei — ela diz — Acho melhor você aproveitar primeiro as ondas, depois do lanche você me ensina.

– Mãe! Também quero aprender a surfar! — fala Mason.

– Mason, deixe a Annabeth aproveitar as ondas, já deve fazer tempo que ela não surfa, além do que você é muito noivo pra surfar. Não é Annabeth? — diz Atena.

– Sim, sim — falo — Prometo que assim que você fizer dez anos vou te ensinar a desbravar essas ondas. — com isso Mason sorri feliz pra mim, e deixa sua mãe passar protetor em seu rosto.

Pego a minha prancha e tiro a sua capa de proteção. Olho admirada para aquele objeto maravilhoso azul celestial que tanto me faz bem. Prendo a corda de proteção em meu tornozelo e coloco a prancha debaixo do ombro, andando em direção ao mar. Sinto um olhar em minhas costas, mas não me viro pra ver, decido que agora vou aproveitar as ondas.

A primeira coisa que sinto ao encostar os pés na água é saudade, saudade da praia. A segunda é frio, muito frio. Aquela água é gelada, muito gelada. Muito diferente da água quente que eu estava acostumada. Continuo entrando na água, até que ela já está na minha cintura. Deito na prancha e bato os braços. Nado por alguns metros até que avisto uma onda se aproximando. Me preparo para ficar em pé enquanto a onda se aproxima. E quando ela chega me ergo sobre os pés e sinto aquela sensação de liberdade que surfar me proporciona. Sinto as minhas pernas se flexionarem automaticamente e a prancha se mover de acordo com a onda.

Continuo brincando com as ondas por cerca de duas horas, algo que não posso negar é que as praias da Califórnia, apesar de geladas, são incríveis. O vento que forma as ondas é forte, a brisa refrescante e as ondas são grandes. Perfeitas pra surfistas, perigosas pra banhistas. Saio do mar e me sento na areia olhando para a praia. Sinto um movimento atrás de mim, e de repente alguém se senta ao meu lado.

– Vi você surfando — diz uma voz máscula, forte. Me viro para o dono da voz e, nossa, o cara ao meu lado faz totalmente jus a voz — sou Percy Jackson.

Notas finais
comentem por favor!