Notas iniciais
obrigada pelos comentários! cap dedicado as lindas heyjackson, Olívia e Mrs. Stark

Oito e dezenove. Desço correndo as escadas e quase trombo com uma Lizz que sobe apressada.

– Uau! Pra que essa pressa toda? — pergunto.

– Minha amiga Tina que vai me dar carona já está chegando. Preciso pegar minha bolsa! — e com isso sai correndo.

Continuo descendo as escadas e encontro Brandon tomando leite direto da caixa e com uma panela de bacon não mão. Cumprimento todos e pego uma omelete com suco de laranja. Tomo tranquilamente o meu café da manhã enquanto escuto a conversa entre meus "pais". Termino de comer e subo para escovar os dentes' me encarando no espelho do banheiro.

Certo, fica calma Annabeth, vai dar tudo certo. Você é novata, as pessoas vão cumprimentar você, nem tudo é como as séries de tv. Bem, eu sempre tive muitos amigos lá no Brasil. Eu era popular. Os meninos diziam que eu era legal e simpática, engraçada e uma boa amiga. Eu também vou fazer amigos aqui.

Passo um pouco mais de rímel e brilho labial. Coloco um pouco de perfume. Brandon bate na minha porta de diz que está me esperando na garagem. Pego minha bolsa preta de franjas e desço. Meus '"pais" me desejam boa sorte e com isso sigo até o Camaro preto de Brandon. Entro no carro e ele arranca. No rádio toca algum pop estilo Chris Brown. Batuco os dedos no banco de couro enquanto ele dirige.

– Fica calma Annie. — diz Brandon — Deixa eu te falar algo sobre a Goode, nossa escola. Existem quatro tipo de pessoas lá: os jogadores de futebol americano e as líderes de torcida, os jogadores de basquete e baseball, os normais e os nerds. Os jogadores de futebol americano são a hierarquia, eles mandam em tudo aquilo lá, você não precisa se meter com a gente se não quiser levar uma patada. — oi? ele disse "se meter com a gente"? quer dizer que ele é um jogador de futebol americano?

Brandon é um cara bonito. Tem os seu dezessete anos e faz o último ano, assim como eu. Seus olhos são azuis como os de toda a família Howard, mas seus cabelos são loiros. Um não loiro como o meu, que é dourado, mais para um loiro areia. Tem um porte físico incrível, que deve ser devido ao futebol, e tem uma cara de homem que ninguém pode discutir. Mas é meu irmão.

– Os jogadores de basquete estão em segundo — ele continua — também tem lá a sua popularidade e respeito. Os normais não são nada, tem alguns que se destacam por causa de sua família ou suas amizades, mas em geral são insignificantes. E os nerds, bem, são os nerds. Ninguém repara neles, ninguém fala com eles, a menos que você seja um nerd, e eu espero que não seja.

Me encho de raiva. Como ele pode falar de pessoas assim? Todo mundo é alguém, não importa o que você seja, você tem sua identidade. Me viro pra janela para que Brandon não veja a minha reação e percebo que estamos quase chegando ao que imagino ser a escola.

– Ah não! — ele retruca — Não me diga que você é um dos nerdzões!

– E se eu for? — digo — Qual o problema? Não vai deixar ninguém saber que sou sua 'irmã' só porque sou supostamente uma nerd?

Brandon já havia estacionado o carro. Ele desce e percebo que usou uma daquelas vagas ridículas de "populares" que eu sempre via nos filmes e achava que não existia. Desço do carro batendo o pé e saio sem olhar pra ele. Percebo que muitas pessoas nos encaram mas finjo não notar. Me aproximo da porta e escuto Brandon gritando "A secretaria é no segundo corredor a direita". Sigo caminhando e sinto mais olhares sobre mim.

Ao me aproximar da construção retiro o meu sobretudo preto. Bem, ninguém havia me avisado sobre a mudança brusca de tempo na Califórnia, ontem fazia agradáveis 28ºC, e hoje a temperatura beira os 10ºC. Fico só com a blusa que chega até um pouco acima do meu umbigo, a calça de couro preta e os coturnos pretos, coloco o casaco preso na bolsa e sigo caminhando até abrir as portas do edifício. Entro e sinto o calorzinho lá de dentro me animar, olho ao redor e vejo pessoas me olhando, mas apenas continuo seguindo em frente. Certo, segundo corredor a direita.

Chego a porta que deve ser a secretaria e entro. Uma simpática mulher com óculos sobre o nariz me olha e pergunta o que desejo.

– Uhm — pigarreio — sou nova aqui, vim do Brasil. Tenho que pegar os meus horários.

– Sim, sim — ela diz — Annabeth não é? — assinto com a cabeça — Muito bem Annabeth, o seu armário é o número 807, para chegar até lá você deve voltar ao corredor principal e seguir reto, perto do próximo corredor horizontal a direita. Aqui estão os seus horários, bem-vinda a Goode.

– Obrigada — leio o seu crachá — Marta. Até logo. — saio da sala e sigo as suas instruções. No caminho até o armário sinto mais olhares sobre mim.

Chego ao meu armário e enfio os meus cadernos lá dentro. Alguém para ao meu lado, levanto o olhar e vejo Brandon acompanhado de alguns amigos.

– Vejo que chegou a secretaria, não é? — ele diz.

– Bem, sim, mas o que você quer? — pergunto.

– Nossa, que bom humor — fala — venho lhe dar as boas vindas e você me trata desse jeito? Nananinanão — reviro os olhos.

– Certo, certo. Já me deu as boas vindas, já pode vazar né? — digo.

– Idiota — ele fala e sai. Dou uma olhada no meu horário. A primeira aula começava as nove e era de História Americana. Vejo o relógio e já são oito e cinquenta e sete. Sigo para a sala 26B.

– Ei, ei — alguém fala próximo de mim, não me viro porque não conheço ninguém aqui e não pode ser a mim que ela chama — Você! É a Annabeth, não? A irmã do Brandon?

Me viro para olhar para a garota que me chamou. E eu nunca vi alguém tão linda. Seus olhos são de um tom azul escuro como o céu de noite, seus cabelos castanhos caem lindamente pelo seus ombros e chegam a sua cintura, seus lábios são finos e delicados como os de uma boneca de porcelana, seu corpo é magro e bem definido. Ela veste uma saia de cintura alta preta, com uma blusa de seda rosa e scarpins cor da pele super delicados.

– Sou Silena — ela diz — sou amiga do seu irmão, Brandon, ele me pediu pra vir falar com você, já que é nova aqui e não conhece ninguém.

– Muito obrigada, Silena. — digo — Eu realmente estou meio perdida aqui. — rio sem humor.

– Claro, claro. Qual a sua primeira aula? — ela pergunta

– Uhm, História Americana — digo.

– Ah, ótimo, a minha também. — ela diz e da um sorriso -Venha, é por aqui. O que está achando da escola?

– Para falar a verdade eu ainda não vi nada, só a secretaria. — falo

– Então no intervalo do almoço vamos fazer um city-tour por todo o colégio! — ela diz e da um pulinho de animação — Vem, é essa sala aqui.

Entramos na sala que se não fosse por alguns meninos sentados em cima de uma mesa, duas garotas conversando no fundo da sala, e uma menina escutando música, estava vazia. Nos aproximamos da menina de fones de ouvido, e mais de perto posso ver que ela é meio gótica, toda de preto.

– Thalia — Silena chama — Thalia!

– Uhm, o que? — a menina levanta os olhos, e será que todo mundo nesse país tem olhos azuis? Porque meu Deus! Seus olhos são de um tom azul hipinotizador, a maquiagem forte preta os deixa ainda mais destacados

– Ah, oi Silena. — então a menina parece me notar, ela me analisa com os olhos e sorri — E você é?

– Annabeth, — Silena diz antes que possa abrir a boca — a irmã do Brandon que é do Brasil. — então Thalia parece entender

– Prazer Annabeth. Seja bem-vinda ao nosso inferno particular. — ela diz e da um sorriso maníaco. Quando eu ia abrir a boca pra falar algo, o professor chega.

Me sento atrás de Thalia e ao lado de Silena. A sala já estava cheia, não devia ter mais do que dois lugares vagos. Pessoas conversando baixinho, contando novidades.

– Bom dia, classe — diz o homem baixinho, quase careca, com um sorriso amigável no rosto — Sou o professor Quíron e vou dar aula de história a vocês esse ano. A maioria de vocês já me conhece do ano passado, temos algum novato?

Silena automaticamente fala meu nome, bem, qual o problema dela? Eu já estava começando a gostar dela e ela vem com essa de me apresentar pra todo mundo? Eu sou tímida cara. Os olhos de todos da classe se viram pra mim.

– Bem, Annabeth. — diz o professor — Por que não vem aqui na frente e se apresenta para todos de uma vez?

Não, não pode ser. Ter que me apresentar na frente da sala toda era pior do que tudo o que imaginei que poderia acontecer nesse primeiro dia. Respiro fundo e me levanto do meu lugar na quarta fileira ao lado da janela, onde eu podia ver, mesmo que de longe, o mar, ouvir o vento forte da Califórnia zumbindo por aí. Ando até estar do lado do professor que me cumprimenta com um sorriso.

– Bem Annabeth, — ele diz- de onde veio? E por que escolheu a Goode?

– É, — pigarreio antes de falar, fica calma Annabeth, eles não vão jogar tomates em você e te zoar — bem, eu vim do Brasil, estou fazendo intercâmbio, e como meio que sou da família do Brandon e ele estuda aqui, eu vim estudar na Goode também.

Escuto pessoas falando coisas como "Então essa é a gata que o Brandon diz que é a nova irmã dele?" ou "As brasileiras são as melhores" ou até mesmo "O Brandon não exagerou mesmo quando disse que ela era a maior gata". Coro automaticamente com esses comentários.

– Façam silêncio — diz Quíron, para me salvar — Então Annabeth, o que você costumava fazer quando estava no Brasil? O que você gosta de fazer?

– Surfar — a resposta sai antes que eu possa pensar no que dizer — Gosto de surfar.

– Parece que temos mais um surfista nesse colégio. — diz Quíron — Muito bem Annabeth. Obrigado por vir até aqui. Seja bem-vinda a Goode. Espero que goste de história.

Com isso volto pro meu lugar e me sento. Thalia se vira pra mim e diz:

– Então você surfa? -Faço que sim com a cabeça e começo a prestar atenção na aula. Quíron fala sobre como os primeiros protestantes chegaram nos EUA e o que eles faziam durante toda a aula. O sinal toca e todos saímos.

– Qual a sua próxima aula, Annabeth? — pergunta Silena

– É álgebra. — digo — E a sua?

– Uhm, a minha é física, — diz — mas acho que Thalia está na mesma que você? Não é Thalia?

– Uhum — Thalia solta — Certo, vemos você no almoço Si. Vem Annabeth. — Saio seguindo Thalia por toda a escola enquanto ela cumprimenta pessoas e eu dou sorrisinhos.

Chegamos a sala de Álgebra, esta que já está lotada. Nos sentamos na ultima fileira, uma ao lado da outra.

– Certo. Você surfa. — ela diz — O que mais?

– O que mais o que? — pergunto

– Pelo seu físico a gente vê que você faz mais do que só surfar. O que mais? — ela pergunta — Sabe, nós estamos precisando de gente pra equipe de torcida, e eu pensei que você, podia sei lá, se interessar.

Olho pra ela com uma cara espantada, primeiro porque aquela imagem que eu via de Thalia nem de longe fazia o tipinho líder de torcida, ela tava mais pra gótica esquisitona e valentona, segundo porque nunca na vida eu imaginei ser líder de torcida. Claro, sempre tive curiosidade de saber como era a vida delas além dos filmes e séries de tv, mas nunca tinha pensado em ser uma delas.

– Uhm, não sei não Thalia. — falo — Acho que não levo muito jeito pra isso não sabe?

– Qual é Annabeth!- ela insiste — Você podia pelo menos fazer o teste! Por favor! As meninas estão precisando de uma base e...

– Annabeth? — uma voz masculina e que sinto reconhecer fala atrás de mim — Annabeth é você?

Me viro e me deparo com um cara lindo, moreno, de cabelos castanhos e mal cortados que acabavam entrando em seus olhos, e que olhos, grandes e verdes como duas esmeraldas. Sua roupa, uma camiseta azul que deixava seus braços musculosos totalmente a mostra, uma calça jeans baixa e um tênis Nike.

– Uhm — digo — Oi Percy!

Notas finais
comentem por favor!