Evil Love
12 Capítulo 12: Ligue-me.
Notas iniciais
“Wihout you I live it up a little more every day... Wihout you I´m seeing myself so differently...”
Hinder.
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Sua vida carregava os traços antes retirados à força. Em exceção pelas matérias escolares, pelo qual ainda estava atrasada e levaria um bom tempo para se recuperar. Mas tinha a pronta ajuda de Sakura, Naruto, Hinata, Shikamaru e agora, Sai. Agora... Sai...
O pálido garoto que havia a salvado estava sempre presente desde sua volta. Às vezes, vinha a sua casa tarde da noite e conquistara a simpatia de seu pai, passando a ficar por ali alguns dias distraindo-a de madrugada, chegando a ler-lhe histórias ou contar os mais bizarros casos de sua infância. Pensara que ele fosse o mais calado dos calados, todavia, perante ela, falava; falava como se na esperança de animar a última de suas células transformadas por ele.
Saiu do banheiro já vestida com seu pijama de verão. Estranhamente fazia calor em pleno inverno. Deveria ser o louco tempo de Konoha... Havia se desacostumado passando tantos meses naquele local tão icomum e insípido: a cidade de Suna. Era por lá que ele a mantivera em cativeiro.
— Não sei como o Naruto pode adorar esse filme... A sinopse é horrível. — comentou Sai, lendo novamente o pequeno texto na contracapa do dvd que tinha em mãos.
Com uma breve risada, Ino retirou a escova de dentes dos lábios. Naruto sempre fora péssimo com filmes, aliás, com tudo que envolvesse cultura em geral. Sakura estava certa com louvor! O Uzumaki não deveria ter bons filmes na estante, deveriam ter pegado de Hinata.
— Devíamos ter ouvido a Sakura. — disse, em meio a espuma formada no interior de sua boca.
— Ele insistiu muito, não deveria ter levado a sério.
— Nada deve ser levado a sério quando vem do Naruto. — divertiu-se a Yamanaka, correndo em direção a pia para terminar de escovar os dentes.
No entanto, suas rápidas passadas não passaram despercebidas por Sai, que acompanhou-a com os olhos erguer um pouco os pés. Até correndo ou praticando algo rotineiro ela era diferente das demais garotas. Possuía um brilho ofuscado, mas que aos poucos retornava a sua pele. O lunático de seu vizinho, ou melhor, ex-vizinho, jamais a faria feliz.
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Odiava macarrão. Mas o que poderia fazer? Sua prima não sabia cozinhar nada além disso e criticidade nesse fato demonstrava o quanto Hinata não estava mesmo pronta para ter um namorado. Entendia agora, em suma, o porquê de nem mesmo o loiro retardado reparar nela. Era tímida demais, não tinha um bom senso de moda e não levava jeito nem para a cozinha. É, seria uma operação de guerra ajudá-la com aquele cara.
Olhou para Sasuke. Desde que havia retornado ao “Dirt” tinha de aguentá-lo em sua casa devido aos assessores e ao novo single da banda, que aquele irresponsável drogado havia escrito sabe-se lá como, mas estava no topo das paradas. Topo das paradas... Talvez Suigetsu tivesse toda razão, Sasuke seria um drogado eternamente, mas o que o Hozuki não via era: ele era parte da alma daquela banda tanto quanto eles, e sem ele fracassariam.
— Está sóbrio hoje? — indagou Neji, terminando sua refeição.
— Vá a merda. — mandou o Uchiha, ainda comendo seu macarrão.
Hinata arregalou os olhos. Já estava acostumada com os exageros e peculiaridades de Sasuke devido ao longo tempo que estava morando junto deles, mas não esperava que ele desrespeitasse até mesmo os horários de refeição. Se bem, para quem vomitava toda noite e descia as escadas somente de cueca para vomitar mais, talvez não fosse algo absurdo se ele jogasse os talheres ao alto e puxasse a toalha esmagando tudo.
Deixou seu prato na pia a contragosto, afinal, não tinha nada contra a garota e ela que havia salvado-os da fome naquela noite.
— Estou saindo. — avisou pegando sua carteira no aparador.
— Vai aonde? — perguntou Neji, torcendo internamente para que o Uchiha não importunasse a tal Haruno novamente. Ela havia ameaçado chamar a polícia e tudo que a banda não precisava em momento de recuperação era um escândalo estampado nos jornais.
— Não interessa. — cortou, ríspido, batendo a porta.
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— Quantas doses deram à ele?! — perguntou Kankuro, chocado com a notícia que os enfermeiros haviam dado-lhe há alguns minutos.
— Kankuro, por favor, não pira! Você sabe como ele é, uma só nunca iria apagá-lo! — argumentou Temari, segurando o irmão pelos ombros e virando-o para si.
— Mas quatro injeções?! Quatro?! É capaz até dele esquecer de nós quando acordar! — contestou o Sabaku mais velho, rendendo-se e sentando em um dos bancos da recepção do hospital psiquiátrico.
— São profissionais Kankuro, sabem o que estão fazendo... — repetiu Temari mais uma vez, tomando o copo de água que lhe fora estendido.
— Não bebe isso! — exclamou Kankuro, segurando o braço da irmã com pressão e recebendo um “Kankuro” desentendido de volta. _ Isso é um hospício! Vai tomar a água daqui? Mesmo?
— Chega de paranoias. Chega! Finalmente nosso irmão está bem, sendo tratado, e você com essas paranoias? Eu não fico um minuto mais aqui. — decretou a Sabaku, erguendo-se altiva e indo em direção a saída.
— Temari! Hey, Temari! — chamou o mais velho, mas tudo que recebera fora um olhar, nada mais. Por fim, a seguiu.
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Travara mais um grito. Lidava bem com a dor, no entanto, quando a carne lhe era queimada com violência percebia como a dor poderia ser maçante.
Outra marca a ferro em suas costas. Ou o que restava delas em meio a cicatrizes e ossos. Estava uns bons quilos mais magro, raquítico. Não tinha mais forças para se soltar da camisa de força, como uma vez havia conseguido. Às vezes, esquecia-se dela, mas quando ninguém vinha atrás de si, lembrava-se de como necessitava possuí-la, como irritantemente apreciava tê-la a metros de si, sob sua presença.
— Isso, garoto. — ela jogava-o no chão, para o bater de seus ossos ser estridente aos seus ouvidos.
Como enfermeira chefe daquele lugar horrendo há anos, Mei não podia ajudar nenhum dos pacientes, tão pouco queria. Porém, a anorexia desenvolvida pelo ruivo estava começando a ficar preocupante: logo ele morreria e teriam de dar satisfações a família. E, com esses pensamentos, não deixou a solitária, retornando até o garoto, prestes a voltar a inconsciência.
— Tem alguém que queira fazer um telefonema? — perguntou, suspirando. Não acreditava que estava de fato fazendo aquilo. _ Está com um terço do peso ideal para a sua idade, não sei como ainda não morreu.
— Ino... — balbuciou, sendo drenado pelo desmaio pela milésima vez.
— Tem de controlar esses ataques de raiva, ou vai ser punido todos os dias e nunca vai dar o fora daqui. É isso que quer? — olhou mais atentamente para ele. _ Hey, garoto! Hey! — o sacudiu, mas ele não reagia. Bufou; teriam que interná-lo em um hospital comum, já. “Ino”... O nome que ele pronunciara talvez desse a família alguma esperança do que fazer para controlá-lo e combater aquele estado depressivo profundo.
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Os saltos em mais puro tom de rosa choque faziam som na rua deserta, fria, com poucos postes a iluminar o caminho. Sabia que não deveria ter permanecido na casa de Naruto até tão tarde, foi por tal erro que Ino fora sequestrada e mantida longe deles por vários meses. Todavia, não podia dormir na casa do loiro de jeito nenhum, ou levaria uma bronca muito mais que histórica de seus pais. Sem dúvidas, ir embora mesmo de madrugada era a melhor das opções. Também, teria de entrar pela porta dos fundos, retirar os sapatos e subir sorrateira, torcendo para que não fizesse barulho. Mas enquanto ainda não chegava em sua rua, suportava o frio nas pernas e a típica sensação de que poderia ser morta a qualquer segundo devido a solidão naquele lugar. Tinha de ter ouvido Shikamaru e voltado com Ino e Sai, mas precisava averiguar com Naruto os últimos detalhes do trabalho de biologia da escola. Deixar aquilo nas mãos do Uzumaki? Nunca; por mais que soubesse do esforço do amigo, ele era um desatento nato e não poderiam cometer uma única atitude falha naquele projeto. Ino tinha que tirar total para não repetir, e sentia-se responsável por tal fato. Ajudaria a amiga até o último dia de aula, com toda sua dedicação.
Perdida em seus devaneios, acabou por ela mesma deixar a desatenção tomar-lhe a mente, atravessando a rua.
Os faróis intensos iluminavam o rosto da rosada, assim como o som da borracha no asfalto deficiente. Mas não foram suficientes para despertá-la, e prestes a ser atropelada em cheio, algo bruto a empurrou, caindo consigo na borda do passeio oposto e compartilhando a batida de cabeça que finalmente fez o susto dominante em seu coração abrandar.
— Vai me denunciar agora?
Ofegantes. Próximos. Imundos. Ele não havia dado o fora de Konoha.
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Metade do filme. Estava tentada a cair no sono, mas todas as vezes que fechava os olhos... Ele vinha-lhe a mente. Era estranho; incomum. Nas últimas semanas estava conseguindo dormir normalmente, apesar de sua face tomar conta de seus pensamentos vários instantes ao dia. Sobretudo no banho, quando tinha de encarar as marcas feitas por ele em sua pele, no cair da água ou na estabilidade da banheira. Mas estava relativamente bem, e aquela leve agonia não era coerente.
Com a cabeça recostada ao ombro de Sai, observava-o puxar as cobertas para que não congelasse os pés devido ao ar gélido que entrava pela janela. É, calor enganoso... Tudo parecia traiçoeiro em Konoha.
— Já vai apagar? — zombou Sai, olhado-a com um curto sorriso, enquanto deixava a vasilha vazia de pipocas no chão, ao lado da cama.
— Você é quem vai... — tentou devolver Ino, lutando contra o sono.
Aumentou ainda mais o sorriso. Ela poderia ser persistente até quando vencida, e isso era mais um ponto notável nela, diferente. Entretanto, seu sorriso morrera como um estalo, logo que o celular dela tocou:
— Alô? — proferiu a loira, desconfiada pelo número fixo e pelo horário da ligação.
— Yamanaka Ino?— uma voz feminina aparentemente aflita falou pelo outro lado da linha.
— Sim... — respondeu, após alguns segundos de receio.
— Sou Terumi Mei, do...— a moça não completou a frase, o telefone havia sido aparentemente pego e Ino franziu ainda mais as sobrancelhas. O que diabos estava ocorrendo? Terumi Mei? Não fazia ideia de quem fosse!
Mas antes que pudesse chamá-la novamente, um timbre a fez tremer... Até o último fio de cabelo:
— Ino...
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