Evil Love
11 Capítulo 11: Desprendimento.
Notas iniciais
“Every time I look inside your eyes... You make me wanna die...”
The Pretty Reckless.
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Vários trechos de músicas antigas vinham-lhe a mente... Dentre eles, algumas palavras pareciam ter sido escolhidas com cautela e precisão por sua mente. Palavras. Imagens. Ações. Estava há uns bons minutos ali, nua, em frente ao espelho sujo e rachado daquele minúsculo banheiro. Suas longas e agora finas pernas já não mais continham a acetinação de antes, a maciez elevada pelos delicados cremes que ela mesma ajudava a preparar com as receitas que sua mãe deixara e, com alegria, seu pai sonhava que seria uma grande perfumista ou dona de algum departamento de cosméticos. Sonhos... Deveria ser apenas assim que seu pai via-lhe, e talvez, em algum remoto desejo, ainda acreditasse que estava viva. Estava viva? Não sabia dizer.
Seus olhos encontravam-se no mais acinzentados dos azuis... Seu busto continha inúmeras marcas dele, assim como desde as bochechas até os pés. Estava inteiramente marcada.
Talvez, já estivesse mesmo morta.
Várias semanas, somando entre um e dois meses, não sabia. Tudo que sabia era que se havia mesmo uma soterrada esperança, já estava dissolvida na própria areia que a guardava. Assim como ela, Yamanaka Ino. Estava dissolvida em meio ao mundo de seu sequestrador e, para seu terror ou segurança, ele garantia sua sobrevivência, mesmo que para apenas retribuição sexual ou qualquer que fosse mais uma de suas loucuras. Ele era louco, tinha mais do que certeza.
Havia partes congeladas de um corpo naquele cômodo fétido e de aparência tão assustadora como a do pior dos necrotérios que poderia imaginar. Tinham transado incontáveis vezes naquele local e, em meio as lembranças, tremia acolhendo-se nos próprios braços.
Porém, ao transpassar os braços envolta de seu ventre a loira deixou-lhe escapar um rugido mudo de medo, agonia e... Horror. Haviam transado demais e, sem dúvidas, a possibilidade de estar carregando um ser fruto dele era válida. Não. Não...
Sua temperatura caíra em um rompante e, nem nos dias mais gélidos de Konoha sentira tanto receio. Antes de deixar-se desabar no chão de fraqueza, todavia, poderia jurar que vira um par de olhos negros na aparente casa abandonada ao lado.
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— Sai! Sai! Poderia responder-nos a última questão? Sai!
A voz da professora, mais uma vez, era o mais distante dos sinais que recebia de sua mente. Havia denunciado e, pelo visto, ele não mudara nada. Tinham de lacrar aquela casa de um modo que ele jamais pudesse retornar e cometer assassinatos ou torturas.
Tudo que esperava era que estivesse mesmo certo e aquela garota fosse mesmo a tal loira desaparecida em Konoha. E, também, que aquele loiro tagarela fosse de fato amigo dela como se mostrara.
— Hey, cara! — chamou-lhe um colega, fazendo-o enfim sair de seus impregnados questionamentos. _ É sua vez de responder a questão!
Em um choque concentrou-se no caderno abaixo de suas mãos, lendo a última questão do dever de casa no automático. Admirava-a... Mesmo nas mãos daquele perturbado nato, ela ainda tinha mais coloração que ele. Sorriu de canto, havia algo a mais naquela garota. Algo que certamente as meninas de sua classe não possuíam.
Era bom ver algo de interessante em algumas pessoas. Já que, em geral, todos eram tão ridiculamente iguais. Monotonia era uma de suas palavras.
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Acabará em um hospício... Atado, morrendo aos poucos dopado por medicamentos... Seus neurotransmissores virarão pó...
Há dias estava com aquela sensação estranha. Ele não voltava, simplesmente não voltava há mais de um mês e novamente o temor tomava-lhe as veias. Gaara tinha feito alguma besteira, com certeza.
Ou, se ainda não a havia consumado, o faria em breve. As palavras de seu pai só faziam-se presentes nos piores momentos e, quando sonhava com cada uma delas, era a vez de seu irmão apresentar a ela e Kankuro uma nova “peripécia”. Mas, dessa vez, sentia como se algo fosse dar errado. Algum ingrediente deveria ter sido esquecido por ele.
— Kankuro! — atirou o travesseiro a sua frente no Sabaku mais velho que, em um susto, despertou irritado.
— O que foi agora, caralho?! Desaprendeu a dormir? — indagou Kankuro, sentando-se na borda da cama para encarar Temari, na cama ao lado, sem importar-se com sua “samba-canção de dormir”.
— Temos que procurá-lo lá antes que seja tarde. Estou com um péssimo pressentimento.
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Tragara vários cigarros e expelira inúmeros ácidos dos quais formavam-lhe seus vômitos, no entanto, sentia-se forte para ela. Forte o suficiente para tê-la abaixo de si. Abaixo de si... Era estranho tomá-la daquela maneira. Ela parecia um pouco melhor, e pelo que dava-se conta, teria que ir mais vezes ao supermercado se a quisesse assim... Viva.
Analisava seu comportamento minuciosamente, dia após dia, e uma das conclusões que tirava era que, se não a agredisse muito, ela o permitia de bom grado, talvez... Não. Ninguém seria capaz de apreciá-lo, nem mesmo ela.
Deveria o permitir por outro motivo. Arriscava para que não sofresse com a dor que ela tolamente não sabia lidar, porém, não a julgava. A experiência que o fizera daquela forma, ela não tinha experiência alguma com a dor. Entrou e saiu mais uma vez dela. Havia notado que ela apreciava mais lentamente, chegava a demonstrar raras vezes algum prazer.
Estava confuso e, em minutos, era tomado pela cólera. Nunca importara-se com ninguém, aprendera isso, então porque diabos estava a importar-se com o modo que ela mais apreciaria? A viu, de face calma e respiração padronizada, passar a uma assustada e dolorosa expressão. Sua pele fria aparentava estar contagiando a dela, que ultimamente, andava repetindo o que a sua mórbida pele pálida fazia para distanciar-se do que era mais humano: o sangue.
O calor dela faltava-lhe nas transas que tinham, e até mesmo as paredes de sua vagina tornavam-se frias, fazendo com que o calor apenas brotasse pelo movimento repetitivo e intenso de seu membro cheio, suplicando por alívio. Ela arranhava-lhe as costas já consideravelmente feridas, como pura consequência de suas unhas enormes, de rastros de esmalte. Um esmalte roxo, que chegara assim como ela, brilhante.
— Para... — suplicou Ino em um fio de voz, temendo que ele lhe arrancasse sangue mais uma vez ou quebrasse uma de suas pernas pela força que colocava nelas, e que incrivelmente ele adquiria sem a necessidade de se alimentar.
Não compreendera o que havia no olhar dela, apenas antecipou seu limiar. Entretanto, não gozara como antes. Não sentira o prazer como antes...
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Fora tudo muito rápido, isso Naruto poderia garantir. Entrara cegamente junto dos policiais, correndo a frente ao lado de Inoichi, Sakura e Shikamaru que, pela primeira vez, quebrara algo. E esse algo era a última porta do empoeirado corredor.
— Ino!!! — Sakura e Inoichi falaram ao mesmo tempo, encontrando a loira inerte ao chão do quarto, coberta apenas por um lençol.
Atônito, o Uzumaki enfim analisava o local, ouvindo ao longe os policiais retirarem-se da casa. Aparentemente, o tal ruivo misterioso deveria ter fugido há poucos minutos ou horas anteriores a invasão.
Ali, jurava para si: manteriam Ino a salvo daquele lunático. Manteriam a todo custo.
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Tudo era uma imensidão negra... Oscilante... Giratória...
Não sabia onde estava, mal sentia as pernas e, quando finalmente os sentidos pareciam reconectar-se novamente com seu corpo, sentiu um familiar odor hospitalar. Costumava ir até o hospital com seu pai todas as manhãs enquanto sua mãe estivera doente, e aquele cheiro era seu passaporte para adentrar a realidade.
Palavras; imagens; ações. Começava a decodificá-los de forma branda, permitindo-se dar um pequeno sorriso ao encontrar fios cor-de-rosa ao seu lado. Sakura... Como sentia falta de sua melhor amiga. Mas, deveria ser somente um sonho. Ele jamais iria libertá-la de bom grado.
Ele... Onde estava? Correu os olhos pelo ambiente ao seu redor, por um instante, aflita. Onde ele estava? Será que havia passado mal outra vez? Em uma fração de segundo, sentiu seu peito apertar. Ele não estava ali.
— Naruto, silêncio! Desliga esse celular agora!! — o tom de Sakura era autoritário, assim como sua expressão, fechada. Estava ao lado da amiga, e ver Ino com machucados por boa parte do corpo, com supremacia em hematomas e arranhões, era sem dúvidas doloroso e agonizante. Nada podia fazer.
Apertou a mão da loira com carinho, gostaria de poder ajudar as enfermeiras, ou proferir o que fosse suficiente para confortar aquele que desde pequena chamava de “tio”, mesmo sem a ligação sanguínea efetiva. Inoichi só havia ido comer algo por insistência do próprio médico que estava responsável pelo caso da filha e, ainda em choque, não se conformava com a situação. A Haruno compreendia bem tal dificuldade e, enquanto o senhor Yamanaka estava fora, cuidaria da amiga com toda atenção possível.
Era apenas dessa maneira que o Uchiha sumira de sua mente. Havia empurrado-o da janela logo que Naruto e Shikamaru chegaram com as notícias da recente denúncia sobre o paradeiro de Ino e, por isso, sentia-se levemente culpada. Não sabia se ele tinha se ferido ou onde estava, mas tinha jurado à si: nunca mais importaria-se com aquele guitarrista drogado e destruidor de almas.
Olhando para a cama de Ino, Sakura tomou um breve susto. Ela tinha despertado! Não conteve a felicidade ao encontrar os olhos azuis da Yamanaka explorando o quarto, confusos.
— Ino! Ino! — exclamou, fazendo Naruto erguer-se da poltrona ao lado da porta e enfim desligar o celular.
— Hey garotinha... — chamou Shikamaru em um pesar, do outro lado da cama, encarando Sakura.
Ainda não acreditava que tinha deixado Ino ser levada daquele jeito... Nunca iria se conformar em sido tão fraco e, graças a sua grande falha, um maníaco a havia estuprado, maltratado e sabe-se lá o que mais tivera coragem de fazer. Odiava-o com todas as forças, e para isso não era necessário conhecer seu rosto.
— Ino, somos nós!!! — anunciou Naruto, contente, abrindo os braços e sorrindo. A faria rir, no momento, era o melhor a se fazer.
Sakura também compartilhava de tal opinião, e junto do loiro dera um delicado beijo na face pálida da amiga, no soro há horas. Tinha perdido muitos quilos, e com eles nutrientes e sangue.
A loira olhava para os amigos, feliz em vê-los. No entanto, quando vira seu corpo vestido com uma branca e leve roupa, assustou-se, caindo em si. Estava de fato no hospital.
“Gaara...” o nome dele veio-lhe a mente como um tiro; rápido, chocante. Ele tinha sido preso??
— Onde ele está? — indagou, firme. Precisava saber.
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Nunca mais emitira um só grito de dor desde o fim dele. Nunca. E desse modo persistiria, não interessava quantos choques recebesse. Mas, já entorpecido pela dor e pela distorção que aqueles malditos remédios injetados em si deveriam projetar, não evitou um alto grunhido de dor.
Debateu-se sob a camisa de força. Não suportaria mais choques, vomitaria seu estômago fora.
“Ino...”
Por um minuto, desejou que ela estivesse ali, ajudando-o mesmo que seu eu podre fosse mais do que nítido. Tinham tirado-a dele...
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