Evil Love
10 Capítulo 10: Vomite comigo.
Notas iniciais
“Beautiful Girl... Stay with me... She wants go home...”
INXS.
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Frações de segundo. Este fora o tempo que seu coração não soubera bombear sangue o suficiente para alimentar seus órgãos infectados. Tudo devido a voz dela... As palavras dela... Seu corpo alvo e delineado, escondido parcialmente por entre a madeira da porta. A camisa que colocara a força nela descia-lhe até pouco mais que alguns dedos nas coxas, e os longos e ainda úmidos cabelos loiros caíam-lhe os ombros.
— Quer ajuda? — repetiu a loira, mediante a ausência de reações do ruivo, que somente a observava com o canto esquerdo dos olhos, ofegante.
Tomando mais uma gota de coragem, Ino tocou a outra mão na madeira da porta, dando uma passada, receosa. Ele mantinha-se atônito; assustado; congelado; petrificado.
Após tantos anos, aqueles hediondos vômitos foram exumados, perante ela. Havia mumificado muito bem cada sopro lembrança, deixando apenas riscos que seu cérebro não era capaz de livrar-se. Tórrida falha humana. Riscos poderiam tornar-se traços. E traços, linhas.
Logo, um verdadeiro enredo ressurgiria. No entanto, preferia entregar-se a polícia do que permitir que essa verdadeira catástrofe entrasse em cena. Não iria ressurgir. Não iria.
Eliminaria aqueles traços.
Não costumava esforçar-se para nada, mas dessa vez, comandara seu doente corpo a fim de conter os vômitos. Tossiu. Tentava travar o esôfago, antes que...
A loira apenas assistia, ainda mais surpresa. Ele parecia tentar desesperadamente conter os vômitos, como se com vergonha ou medo de prosseguir vomitando na sua frente. Dera mais alguns passos. Porém, quando por uma insana e contraditória razão resolvera colocar-se ao lado dele, sua rouca e hospitalar voz ecoara:
— Não preciso da sua ajuda. Saia daqui.
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Pressionava um dos botões do rádio, desligando-o. Era, no mínimo, estranho tocar aquele aparelho para desligá-lo após uma música qualquer. Os CDs do Dirt haviam ido mergulhar na lata de lixo, para nunca mais retornarem à superfície. Suspirou. Sua vida não era a mesma sem as letras do Dirt... Sem o que, erroneamente, traduzia-lhe os desejos, aspirações de uma adolescência em processo de finalização. Estava deixando o colégio. E, o pior de tudo, sem sua melhor amiga.
Ino... Com o passar dos dias, somente pedia para que estivesse bem – viva – pois encontrá-la tornava-se um maciço caminho sem volta. Shikamaru dava tudo de si. Naruto havia entrado em uma incomum crise de irritação, que certamente tinha coeficientes somados a nova aparência de Hinata.
A Hyuuga estava linda, andava sempre muito bem arrumada e vivia na companhia do primo que, infelizmente, ninguém conhecia. Não negava que tinha uma enorme curiosidade a respeito do mesmo, mas, para não querer ser mostrado a ninguém, deveria ter um motivo forte. Só esperava que o Hyuuga invisível não fosse quem pensava... Neji... Vocalista do Dirt, que possuía o mesmo sobrenome de Hinata. Mas, seria tão óbvio que não acreditava. Muitas pessoas possuíam sobrenomes iguais e nem se quer tinham um grau considerável de parentesco.
Deixando os turbulentos pensamentos a parte, a Haruno enrolou-se na toalha, cobrindo o corpo coberto de gotículas ainda quentes de água. Levou um dos braços para fora do Box cor de rosa, todavia, nada seu tato detectava sobre o sanitário.
Droga, havia esquecido as roupas no quarto. Por sorte, tinha certeza de que havia trancado a porta. Ao menos não corria o risco de ser pega por ninguém. Deixou o Box e, com a escova de cabelos em mãos, abriu a porta do banheiro, caminhando distraída, cantarolando – mesmo que a contragosto – uma música do Dirt. Talvez, nada pudesse fazer em pouco tempo. As músicas ainda estavam em sua mente.
Um grito ensurdecedor:
— AAAAAAAH!!!! — tapava a boca logo em seguida, cambaleando para trás, em completo choque.
— Sabe a chatice que foi gravar esse CD? — pronunciou-se o Uchiha, sentando-se na cama da rosada com casualidade. Olhou do CD para a garota, seu alvo. Estava pálida e, para a alegria de seus olhos,
coberta apenas por uma toalha branca. _ Hey, como vai garota... — olhou-a dos pés a cabeça, novamente — … Destruidora de shows?
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Jogava o cigarro ainda aceso sobre um dos panos de prato antigos, vendo-o queimar até a última linha. Recostado em uma das velhas cadeiras da cozinha, encontrava-se somente de cueca. A camisa preta que colocara havia sido coberta de vômito, e não sabia exatamente aonde havia deixado-a. Perdia, mais uma vez, a noção do tempo. Não era mais dez da noite... Tão pouco uma da manhã... Encontrava-se no amanhecer, e como de costume, não havia dormido um mísero segundo.
Estava irritado, talvez, fora de si. Tudo que queria era ter dormido junto a ela, ter analisado cada marca que havia deixado em seu corpo, marcando-a como sua. Entretanto, ela estragara seu almejo. Ela começara a chorar incessantemente, trazendo de volta o pó de seu passado fétido. Teria que tomar cuidado com ela... De alguma maneira, ela conseguia não só fazer seu membro doer de excitação, mas sua mente sair do eixo. Isso era irritante. Tão irritante que sentia vontade de socá-la por horas, mas não o faria.
Não o faria por que... Sabe-se lá por qual louco motivo... Ela havia oferecido-lhe ajuda.
Ninguém havia oferecido-lhe ajuda antes. Será que ela iria mesmo ajudá-lo? O que poderia fazer? Não fazia sentido! Não fazia sentido! Não fazia sentido. Em pura cólera, derrubara tudo que havia sobre a mesa, dando-se ao luxo de tocar os cabelos em sinal de confusão e raiva extrema.
Ela era um perigo iminente... Se acreditasse nela, ela iria embora? Se ela atrevesse-se a deixá-lo não hesitaria em matá-la, retalhá-la e congelá-la. Ela era sua. Sua.
Sua...
Levou uma das mãos ao membro, sentindo-o cheio, enrijecendo-se ao pensar nela por tantas horas. A teria, agora.
E assim ergueu-se da cadeira, deixando a empoeirada e mórbida cozinha, encaminhando-se ao quarto, onde havia trancado-a após negar sua ajuda.
Inexpressivo, olhou o maço de chaves preso a sua pele. A ferida infeccionava mais a cada dia, mas não importava-se. A dor era algo que estava acostumado e, para um negligente credor da saúde, ter algo amarrado a própria pele não era nada preocupante.
Abriu a porta, encontrando-a virada para o armário, encolhida;
Ino mordia os lábios, tentando, em vão, não denunciar seu choro. Ele havia deixado claro que, se chorasse mais uma vez, apanharia. Todavia, sentia-se total desconforto e pânico. Ele era um maníaco monstruoso, não era capaz de mudar, tinha que conformar-se com isso.
Desesperada, cobriu o rosto com as mãos assim que as passadas dele aproximavam-se. Lentas, certeiras, como a de um serial killer entediado. Sentia uma forte dor no quadril, em função do tempo que ficara submetida ao violento desejo dele mais cedo, naquele horrível projeto de necrotério em forma de quarto. Seu corpo não estava mais suportando e, no fundo, o que mais pedia era para que a morte viesse depressa... De uma só vez... E desse-lhe um pouco de paz e luz.
As pequenas feridas e outros hematomas também faziam-se presentes e, o dia todo sem se alimentar, não suportaria outra...
— Levante-se. — ordenou, imperioso, e o grosso membro já era perceptível sob a cueca, trazendo a Yamanaka doses de frustração. Morreria. Na melhor das hipóteses, mais uma vez daria-lhe a morte. O fim que aguardava.
Os olhos azuis encararam as coxas alvas, cobertas por pelos ruivos, alguns instantes. Tentou mover
os ossos, sem sucesso. Não conseguia se levantar.
— Levante-se. — repetiu, impaciente, retirando bruscamente os braços da loira do colchão, que tentava, em vão, se erguer.
— N-Não consigo... Está doendo... — disse, chorosa, caindo ao chão e sendo arrastada até a porta pelo ruivo.
Fechou os olhos. Não aguentava mais.
Sentia-se ainda mais irritado ao vê-la naquele estado, estava levando-a para sua parte na casa. Estava dando sinais de inconsciência novamente; deveria tê-la alimentado. Ou... Teria sido tão pavorosa cena vê-lo vomitar que ela estaria preferindo a morte?
Parou. Soltando-a próxima as escadas, respirou fundo, sentindo, pela primeira vez, seu corpo tremer e sua pupila dilatar.
Ainda a queria como entretenimento, não poderia deixá-la morrer.
Via abrir os olhos parcialmente, encarando-o e grunhindo, em dor. Suas marcas... As marcas que a etiquetava como dele... Estavam causando dor em excesso a ela. Um incômodo brotou-lhe, e franziu o rosto em desagrado. Todavia, nada fizera, além de pegá-la no colo e retornar com ela, mas para seu quarto.
Deixou-a em sua cama e, minutos depois, voltara com uma xícara de chá e o último pão. Ela esgotara com sua comida em poucas semanas, teria de ir as compras.
— O que está fazendo...? … — questionou a loira, observando, incrédula, ele estender-lhe a xícara e o pão, ignorando a própria excitação latente entre as pernas.
Ela não deveria tê-lo ajudado. Caso contrário, poderia saciar sua vontade. Mas, não conseguia vê-la beirando a inconsciência. Era irritante.
— Providenciando que não desmaie. — respondeu, apenas, vendo-a aceitar, mesmo que receosa, o que lhe era oferecido.
Deslizou seus olhos verdes por ela mais uma vez, checando mentalmente se estava apta ou não a alimentar-se sem desmaiar. Constatando internamente que sim, abriu a pequena caixinha ao seu lado, que havia encontrado na cozinha. Estava válido, então, não pioraria seu estado.
— Tome. — disse o ruivo, retirando um comprimido e dado a ela.
— O que é isso? — indagou Ino, o tom de voz cansado, arrastado.
— Remédio para dor. Tome. — explicou impaciente, a vontade que tinha era de que enfiar-lhe o comprimido garganta a baixo, para que parasse de falar.
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— SAIA DO MEU QUARTO!!! JÁ!! Vou chamar a polícia!!! — gritava a Haruno, jogando-se contra o Uchiha, desferindo-lhe murros e empurrando-o em direção à janela.
Um misto ainda mais turbulento de sensações a guiava, tudo que queria era atirá-lo por aquela fenda, e nunca mais ver aquele drogado. Ainda mais em seu quarto. Quem ele pensava que era?! Se seus pais estivessem em casa certamente estava de castigo pelo resto do ano...
— Por que não esquece a polícia, hein...? Eles são uns incompetentes...! — debochava Sasuke, desviando-se de alguns tapas que poderiam machucar-lhe mais que um soco de Neji. Pelo visto, a rosada, além de insolente, possuía uma forte personalidade. E, sobretudo, um forte punho.
— Você é um incompetente!!! Some daqui!!!! Some!! — vociferava Sakura, pegando alguns objetos em seu criado-mudo e, sem pensar, atirando-os contra o astro. Ironicamente, sua mente ainda não processava que ele fosse tão cara de pau a ponto de invadir sua casa, seu quarto, seu mundo particular.
Mas, ele já não havia invadido indiretamente?
Não sabia; tudo que sabia era que, em minutos, ele daria o fora de seu quarto, ou chamaria mesmo a polícia e daria queixa do guitarrista por invasão de domicílio.
— Sakura!!! Estamos subindo! Temos pistas da Ino! — a inconfundível voz de Naruto a fizera não atirar o último objeto em mãos.
Essa não... Naruto e Shikamaru tinham chegado!
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Nem na única vez em que ficara de ressaca tinha vomitado tanto. E ele estava ali, fazendo o mesmo que ela fizera horas atrás, assistindo-a dissipar-se em vômitos. Seus cabelos caíam ao chão, e sua cabeça, também mirada a ele. Não sabia se ele havia lhe dado mesmo um remédio para dor, duvidava disso, afinal, estava a acabar-se em vômitos.
Sentado na cama, Gaara prosseguia olhando-a, até que o resto de suas forças se foi, e quase caíra, sendo amparada pelas mãos gélidas dele.
— Valeu... — agradeceu, olhando-o difusamente por entre os fios de cabelo, ainda não detectando ao certo o porquê.
— Dê-me espaço. — disse apressadamente, ajeitando-se e levando a cabeça também em direção ao chão.
Vomitou também, sob os olhos arregalados da loira.
— Nunca mais me deixe fazer um chá.
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