Evil Love
9 Capítulo 9: Uma radioativa relação parte 2.
Notas iniciais
Chorava alto, não contendo-se dessa vez e permitindo que todo seu desespero e dor se aflorasse acima de seus sentidos. Engasgava-se com o próprio choro, todavia, ele aparentava nem ao menos ouvi-la, como sempre, não demonstrando nenhuma reação. A ausência de reações dele estava a assustá-la mais e mais a cada dia... Ele seria mesmo humano? Perguntava-se algumas vezes, mas não conseguia chegar a uma conclusão efetiva, veemente; suficiente para que como uma criança recém-chegada a escola, se integrasse ao ambiente. Sua cartilha era louca, difusa, quem sabe até extraterrestre. “Sou como um elemento radioativo, apenas transformo as pessoas. Para pior. E vou alterar você.”... talvez, ele estivesse mesmo correto.
Ele estava a alterá-la para pior, para o abismo do vazio e da dor... Mas ainda havia seu irritante outro lado, capaz de se questionar se aquele não era de fato o mundo dele. O mundo do vazio. Da dor. A dor que ele era incapaz de sentir ou reagir, mas que parecia atraí-lo de modo intenso, quase sobrenatural. Ainda lembrava-se do dia anterior, em que pela primeira vez, conseguira por pleno acaso arrancar-lhe um gemido de prazer, quando seus dentes encostaram-se a glande gélida. A dor seria seu único universo?
Porém, não importava. De nada adiantava. Ele estava a levá-la para um local estranho, atrás da cozinha, cuja escuridão não dava-lhe a dádiva da visão. Não sabia para onde ele estava a levá-la, e tranquilidade como a carregava, ignorando seu choro, não a ajudava na tarefa de sentir-se aliviada.
Não conseguia prevê-lo; apenas o desespero reinava.
—... Onde estamos indo...? — perguntou exausta, tom de voz tão vacilante quanto sua respiração; os cabelos loiros umedecidos, caindo sob sua face como uma cascata, a mesma que seus olhos azuis compartilhavam, entretanto, esta, era feita com lágrimas. Lágrimas que desciam turbulentas por seu rosto, mas acabavam singelas sobre os tacos empoeirados.
— Para o meu lugar nessa casa. — afirmou simplesmente, fechando a porta atrás de si.
Ainda não havia entrado lá desde que tinha chegado. Era o momento de mostrar a ela o local que por muitos anos, fora seu único refúgio, sua verdadeira casa.
Caminhava brandamente pelo estreito que há muitos anos não pisava, recordava-se totalmente de como havia deixado sua real casa. As partes dele ainda estavam lá, congeladas em seu frigorífico favorito. Ou talvez, o frigorífico que fora adotado por ele como protetor dos resultados de sua fúria e mágoa. Mágoa... Não sabia exatamente o que era, apenas sentia.
E sentir era incômodo. Esta era uma das primeiras respostas que conseguira, que chegara com o passar doloroso dos anos. Entretanto, não ligava. Seu passado estava muito bem trancafiado. Ninguém, nem mesmo ela, o faria sentir...
Ele não queria sentir.
Oh pequeno Hamlet! Filho das trevas; maníaco; infeliz. De nada ligava para títulos. Aprendera a criar anticorpos potentes contra eles. E o primeiro passo para que a dor não lhe atingisse nunca mais era confiar em seu exército. Era mais cômodo, mais prático, mais resistente... E logo pegaria seus incontáveis acessos de tosse também. Ou, caso não os pegasse, já tinha sua tumba preparada. A morte não o assustava; ele desejava a morte. Era a única utopia ainda viva em sua mente.
Destrancou as várias trincas da pequena porta com facilidade, não importando-se com o eterno ferimento em seu pulso a abir novamente, em função do movimento do maço de chaves. A ouvia tossir devido ao pó, mas a poeira nada mais era do que uma pequena parte da paisagem.
— Onde estamos?!?! Socorro...!!! — pedia a loira, já sem esperanças. No entanto, a crença em um milagre ainda existia. Arranhava-lhe as costas na altura da nítida coluna mais uma vez, cravando suas unhas na pele já ferida, como última medida. Olhava a seu redor... Era um lugar horrendo, pavoroso, semelhante a um estreito ou passagem secreta. Havia um quarto escondido naquela casa? O que ele pretendia levando-a para aquele lugar? Prendê-la? Deixá-la longe de vez da luz do sol?
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Faltava-lhe acetilcolina no corpo. A sensação de que levara um soco na cara tarde demais para acordar lhe consumia; consumia e consumia como se as portas de uma cadeia qualquer estivessem abertas, de braços abertos, chamando-o como a cada átomo de seu corpo.
Observava o vai e vem dos carros pela rua, qual seria a última lei? As leis eram construídas a cada dia, e talvez a ordem de hoje fosse: cair em si. Estava fora do Dirt; não sabia ao certo o porquê de, na hora, não ter dado ouvidos às ameaças de Kiba e Suigetsu, pelo qual deveria estar mais do que eufórico com sua saída. Tudo que sabia era, como se estivesse voltando a superfície após muito tempo, mas ainda assim a consciência não batia com força.
Estava fora do Dirt, não passava de um cara desempregado, ainda com contas a acertar pelas últimas letras cedidas ao novo álbum, mas em breve todo seu dinheiro iria se esvair. E estava em uma droga de cidade sabe-se onde no interior do Japão, longe de Tóquio.
Tudo por uma insana curiosidade. Uma insana fixação que simplesmente não o deixava prosseguir.
Era um vagabundo por completo agora; mas okay, não tinha alguém para repreendê-lo por isso. Sua mãe era uma variação estranha da palavra, e importava-se apenas com seu irmão. Não havia espaço para si dentro do que sobrara dos Uchiha. No entanto, ainda era um, e o nome que fizera com o Dirt não o permitia sair ruas a fora sem ser, no mínimo, importunado por algum fã.
Todavia, também pouco lhe importava. Saciaria sua curiosidade quase insana de descobrir o que ela havia visto em si, para acreditar tanto em suas músicas, que vergonhosamente compusera drogado.
Era cômico, mas intrigante.
Parou. Estava em frente a casa da rosada. E sem importar-se com a possibilidade de um flagra pelos pais dela, escalou o muro de entrada com certa facilidade. Escalar muros e saltar de janelas era uma de suas especialidades, afinal, tantas encenações de suicídio deveriam servir para alguma coisa.
Entrou na janela cujas cortinhas cor de rosa denunciavam-lhe seu alvo. Era o quarto dela; e a primeira imagem formada em sua cabeça fora o pôster colado atrás da porta fechada.
Um pôster rasgado. Bem ao meio, onde naquela mesma foto promocional, ficava sua figura.
Uma piscadela lenta e uma atmosfera curiosa rondaram-lhe o espírito heroico, mas não por feitos heroicos e, sim, por quantidade exagerada e assumida de heroína contrabandeada do México.
Seu casaco azul marinho e os jeans tipicamente rasgados, como herança da própria veia artística do Dirt, estavam um tanto sujos devido as bebidas que tomara, mas não lembrava-se de quais. Tudo que sabia era, que se a mãe dela adentrasse aquele quarto, talvez a colocaria de castigo por um mês. Sorriu de canto, a hipótese lhe parecia divertida, todavia, agora sua atenção estava voltada para aquele quarto.
Abundante em rosa; em vida. Como alguém como ela poderia tê-lo como ídolo? Como alguém como ela poderia ser vívida e estúpida ao mesmo tempo? Não sabia, mas deitava-se preguiçosamente em sua cama, olhando o teto.
Esperaria pela chegada dela.
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— Aaaah!!! — gritava mais uma vez, tombando a cabeça para frente em função de mais uma bruta estocada. Estava a um fio de perder a consciência...
Ele estava mantendo-a ali por mais de duas horas, mas recusava-se a abrir os olhos com frequência. Aquele lugar era horrendo, como um necrotério. Um necrotério implantado em casa.
Estava em choque, ele tinha um freezer, onde uma cabeça e alguns membros mantinham-se congelados. Ele lhe mostrara, contente, como se estivesse mostrando-lhe um presente ou algo novo que comprara por liquidação. Estava presa a uma estranha mesa, onde tudo fora alterado, até mesmo suas pernas. Eram três, uma mesa de três pernas e levemente inclinada, para que ele pudesse mantê-la amarrada como estava, penetrando-a rapidamente e sem qualquer sinal de gentileza.
Já não mais chorava, somente suportava o grosso e insano membro dele rasgando-a a cada entrada e saída de sua intimidade, pulsante, e surpreendentemente dando traços de calor desta vez. Ele não estava tão gélido, o que a apavorava, não sabia se isto era bom ou ruim. Perdera completamente o rumo de qualquer previsão que pudesse sonhar com relação a ele. Não tinha jeito. Era melhor entregar-se a conformidade, ou morreria. Porém, pela primeira vez, a morte não parecia-lhe algo tão ruim; pelo contrário, talvez fosse seu único escape. Sua única fonte de proteção e paz.
Não tinha prazer, seu corpo carregava os sinais do desejo doentio dele. E tudo naquele cômodo, semelhante a uma câmara, dava-lhe calafrios.
Havia um pequeno colchão, jogado no canto do local, e em seu pequeno resto de consciência, analisava-o com o olhar um tanto turvo. Era pequeno, como se para abrigar uma criança, no entanto, estava sujo e tinha muitos sinais de sangue, mistos com o que parecia ser manchas concretas de vômito. Aquilo era uma horripilante e triste combinação, nitidamente intocada há anos.
Olhava-o virando um pouco o rosto, sua face pálida pela primeira vez tinha um tom mais rosado abaixo dos olhos, junto as maçãs do rosto, quase inexistentes. Respirava de modo ofegante, apertando-lhe um dos seios e trincando os lábios, como se a fim de conter possíveis gemidos.
Nunca o vira com tal expressão antes, ele estava a sentir prazer, um distinto prazer aos seus olhos. Teria a ver com aquele lugar?
— Para... P-Por favor... — suplicou novamente, os lábios já secos e ásperos.
Abriu os olhos, encarando-a. Ela dava sinais de um desmaio já próximo, no entanto, de nada importava. Ela não havia entrado em pânico, não parecia achar-lhe um monstro. E de um modo intrigante, sentia-se satisfeito, como se o ar empoeirado fosse o mais agradável de se respirar. Enfim ela era sua. Enfim, a tinha por completo. Não a deixaria ir jamais, estranhamente ela ocupava-lhe o vazio naquela casa que tanto era acostumado, o vazio que idolatrava e aprovava mais do que qualquer outra pessoa. Tê-la, enfim, seria um bom entretenimento.
Ela havia passado em seu radioativo teste;
Sentia o membro doer de tamanha excitação, o corpo dela era capaz de despertar um fascínio infernal em si. Olhou-a com resquícios de sua aprovação, e abaixou-se, tomando seus cabelos em nãos e afastando-os de sua nuca, para que pudesse sussurrar-lhe:
— Você é minha. Minha... — dizia, dominador, beijando-lhe a nuca com esmero.
Cuidaria dela mais tarde, agora, no momento, apenas queria gozar. Ela dormiria consigo hoje, e teria toda uma madrugada para observá-la enquanto sua cortante insônia reinava absoluta sobre si.
Acariciou-lhe as coxas e a bunda com as palmas das mãos, dando mais algumas vigorosas estocadas, até que a tarefa de segurar o sêmen tornou-se insustentável.
— Aaaah... Ino... — pronunciava seu nome quase inaudível, e estremecia. Chocada, ela ouvia e o sentia, não crendo que ele havia, também pela primeira vez, dado-se ao luxo de falar junto ao orgasmo, tão pouco seu nome.
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A trazia no colo, enrolada na toalha branca ainda úmida. Havia dado-lhe um banho, um turbulento banho, onde o espelho do banheiro saíra ainda mais rachado. Deixava-a em cima da cama, para que pudesse pegar uma camisa qualquer no velho guarda-roupa.
Ino tremia, assustada, ainda incrédula com as sucessivas ações do ruivo. Ele era tão inexpressivo, e essa sua capacidade a lhe atormentava ainda mais. Por que havia dado-lhe um banho? Não conseguia entender. Ele possuía duas faces bem difusas; era capaz de arrombá-la com violência e fervor, e momentos depois, segurá-la de baixo do chuveiro para que não caísse devido aos resultados de sua própria violência.
Quem era ele? Tal pergunta rodava sua cabeça de maneira que nada mais fosse processado.
O colchão e o maquiavélico freezer embargavam-lhe a garganta, era um louco perigoso. Então porque diabos via algo de... doloroso... nele? Não conseguia compreender, talvez, ele estivesse mesmo levando-a a loucura.
Começava, aos poucos, a entrar em pânico;
— Me deixa ir embora... Por favor... Por favor... — chorava, um fino choro de início, mas que em menos de cinco minutos tornava-se feroz, preocupante.
Incomodado, Gaara franzia o rosto em desagrado. O choro incessante dela estava começando a irritá-lo, a tirar-lhe de seu estado de controle. Após vestir uma camisa preta, caminhou até a cama, acompanhado pelo olhar assustado da loira, que abraçava-se como forma de proteção.
Dele. Ela estava protegendo-se dele.
Tirou-lhe a toalha, colocando-lhe uma de suas camisas com dificuldade. Irritava-se e irritava-se. Ela simplesmente não parava de chorar. E seu choro o incomodava de modo arrebatador...
— Pare. Pare já com isso. — ordenou, bufando em cólera, sacudindo-a por impulso.
Com medo, Ino temia que ele passe a espancá-la. Cobriu os olhos, e o som de seu soco na parede a fez gritar com o susto.
— Para!!! Para com isso!!! — berrou; as veias da garganta tornavam-se evidentes, e seu tom rouco era forçado, para que se parecesse com um grito.
Queria que ela dormisse consigo e parasse com aquele maldito choro; queria poder observar as marcas que deixara nela, símbolos de que era sua. De que a nenhum outro ela jamais pertenceria.
Sem perceber, tocava o peito, em um aperto, como costumava fazer quando criança.
Atônito, só percebeu quando o olhar dela estava sobre si, em análise.
Um sôfrego suspiro de flagra fugiu-lhe do controle, e as imagens positivas e agradáveis de quando estiveram em seu local naquela casa davam lugar as obscuras e perturbadoras imagens de quando mais novo, se refugiava das pancadas de seu pai. Ele não costumava se saciar enquanto... Enquanto não...
Correu para o banheiro;
Em passos lentos, ela se aproximava, parando ao tocar a madeira da porta. Arregalava os olhos, assistindo-o vomitar.
Ofegante, ele apenas a olhava com o canto dos olhos verdes, assustado. Não, depois de tantos anos, lá estava novamente, e na frente dela. Até que suas palavras o surpreenderam, até sua última célula infectada:
— Quer ajuda?
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