Evil Love

7 Capítulo 7: Algo indesejado.


Notas iniciais
Heeeeey everyone!!! Sorry pela demora estratosférica, mas viajei, voltei apenas hoje. Esse capítulo é dedicado a leitora Shermie, que a cada dia me surpreende mais com seus comentários kkkkkkkkk e, também, aos leitores fantasmagóricos desta fic ;).

Voltava em silêncio para o canto do quarto, já com certa claridade; ele estava a tossir por horas, e o enigmático som daquela tosse carregada de súplica não dava sinal de um possível fim. Sufocaria em breve, pensava. Ou, talvez, acabasse vomitando algum órgão rejeitado pelo próprio corpo. Mas a possibilidade do cadáver dele estendido pelo chão empoeirado daquela casa não a agradava por completo, não como gostaria internamente. De alguma insana forma, torcia para que não morresse. O maldito lado oculto em si não permitia que desejasse assiduamente a morte dele, não permitia que... Ignorasse a dor bem reprimida em meio aquele tossir agonizante.

Agonia... Não esperava que ele tivesse passado por algo assim. A ideia de que a dor poderia ter sido tão presente em seu enterrado mundo que criara-se seus eficazes anticorpos já havia passado por sua cabeça, todavia, a agonia havia sido idealizada por ela. De repente, a fina curiosidade a respeito da esquelética e apática figura do ruivo tornava-se mais intensa. Quem era ele de fato? A qual família pertencia? O que teria transformado-o... Naquilo?

Intermináveis perguntas para uma resposta em pó.

Trincava os dentes, abraçando os joelhos com mais força. Estava muito frio! Não estava suportando! Ergueu-se e correu para o velho guarda-roupa no outro canto do quarto. Lembrava-se de ter visto um grosso cobertor preto dentro dele junto a camisa xadrez.

Pegou-o com avidez e na pressa de cobrir-se, via cair um simples sobretudo marrom, que outro dia, passara-lhe despercebido. Em poucos minutos, já vestia o confortável sobretudo, ignorando os traços masculinos carregados na veste. Deveria ser dele, provavelmente. Servia-lhe como um quentinho vestido, o que a salvava momentaneamente de uma hipotermia.

Olhou para a cama sem lençóis mais uma vez. Não tinha coragem de deitar sob aquele colchão. As manchas de vinho, já secas, faziam-lhe da ideia um ato repulsivo. O sêmen gélido dele deveria estar impregnado também naquelas espumas, e o corpo enfim aquecido a recordava das dores que estava a suportar por vários dias. Haviam tantos hematomas em si que mal poderia contá-los sem se cansar.

Do colchão, seus olhos foram ao guarda-roupa novamente. Havia uma pequena gaveta na parte inferior, e com a ausência dele por ali, não havia periculosidade em tentar vasculhar a procura de um lençol. Abaixou-se e, para sua sorte, havia um velho lençol ou colcha, não poderia distinguir.

Ajeitou-o no colchão, não sem antes sacudi-lo para retirar a poeira. Enfim, deitou-se, soltando um audível suspiro de alívio. Há dois dias estava dormindo naquele chão imundo, e as consequências disso pareciam estar gravadas em sua coluna.

Emaranhou-se no cobertor preto, aninhando-se no tecido macio. Suas pálpebras finalmente pesavam, e a insuportável dor de cabeça passava com os segundos.

Porém, as altas tosses dele não a deixavam dormir. E uma mais feroz a fez pular da cama, encaminhando-se à porta outra vez. Sacudiu-a, por instinto, e pôde notar uma frouxidão nas correntes. Os olhos azuis brilharam em esperança, se forçasse um pouco, conseguiria sair!! Mal podia acreditar. Ofegante de ansiedade, forçou a porta com vontade, desespero. A ideia onírica até então, de sair daquela maldita casa, tinha uma possibilidade de tornar-se concreta.

— Argh!!! — exclamou, empurrando com violência a madeira, que abriu-se bruscamente, jogando o corpo de Ino ao chão.

Ignorou a forte batida de seus joelhos com as tábuas, e levantou-se num rompante, direcionando-se afoita para as escadas. Com ele a afundar-se em tosse, teria mais tempo para achar a única chave da saída. O porta-chapéus, tinha certeza que a chave estava lá!

Desceu os primeiros degraus, quando o primeiro gemido suficientemente audível dele adentrou-lhe os ouvidos. Olhando para trás, Ino viu-se de olhos pregados na porta do banheiro. Ele não gemia de prazer, mas sim, de dor. E para gemer, deveria estar em deplorável estado. Ele jamais gemia. Não para que ela pudesse ouvir claramente.

Com a visão obscura, a loira recuou suas passadas, caminhando até o banheiro. Não acreditava que estava mesmo a fazer isso, mas, somente esperava que não se arrependesse depois.

Tocando a porta do banheiro, os olhos de Ino arregalaram-se em espanto. Seu corpo estava retraído de modo destrutivo, ao lado do sanitário branco. Parecia não deter forças para se levantar e, como chocava-se, parecia também estar sentindo uma grande raiva, onde os ossudos dedos deixavam marcas nos braços pálidos, repletos daquelas estranhas cicatrizes.

Os cabelos ruivos perdiam-se até os joelhos, e era impossível ver-lhe a face. Estava sentado agarrado aos próprios braços, escondendo o rosto, como uma criança tentando inibir alguma terrível besteira cometida.

Só então, ele finalmente notava sua presença, emitindo um estrondoso ruído de ódio. Sem pensar, corria até ele, abaixando-se para encarar os assassinos olhos verdes, turbulentos pelas ondas de tosse.

— Para de tossir!!! Para!!! Vai sufocar!!! — exclamava, desesperada, tocando-lhe sem permissão nos ombros para que parasse de se debater. _ Respira!!! Respira!!! Ou vai sufocar!!!

Não sabia por qual razão exata, mas tentava fazer o que ela dizia. Encarava a face perplexa dela com difusão, incerteza. Sua mente começava a trai-lo novamente. Mas não poderia perder a consciência. Não!!! Não podia!!! Ou ela iria embora. Ou ela fugiria.

Uma incrível raiva fervia seu sangue, e a agredia sem racionar, na tentativa em pânico de afastá-la de si.

— PARA!!! PARA!!! VAI MORRER!!! — já berrava a loira, desviando-se com dificuldade dos murros frenéticos de Gaara. Irritando-se, desferiu-lhe um forte tapa no rosto, virando a face pálida e fria do ruivo. Sem esperar pela reação em fúria dele, apertou seus ombros com firmeza, fazendo-o se erguer junto a ela.

Arrastava-o pelo braço esquerdo, contendo a ira desumana do ruivo a cada passo. Já no quarto onde estava, deixava que o corpo pré-fúnebre dele desabasse sobre a cama, esgotado. O observava de pé, aguardando que, sozinho, se acalmasse. A aversão dele a sua ajuda era quase patológica, anormal.

— S-Sai...! Sai daqui! — ordenava praticamente sem voz, o movimento da garganta ardia como o passar da lâmina de um ralador de cenouras.

Virava o corpo com esforço, escondendo o rosto com o auxílio do colchão e dos braços. Tê-la assistindo-o era desesperador, tinha que fazê-la cair fora daquele quarto. Não precisava de pessoa alguma. Ela era seu entretenimento, apenas. Vivia somente para si, e definharia só. Não admitia visitas.

Cruzando os braços, Ino esperava até que as lufadas de ar e as tosses parassem. Iam cessando-se aos poucos, a medida que Gaara tentava expulsá-la com as mais confusas palavras. Seus olhos ainda carregavam choque, nunca poderia imaginar tal cena. Era irreal demais. Insano demais.

Ele sofria.

Seu esforço para esconder-se para quase comovente, assim como a silhueta horrivelmente visível de sua coluna e costelas. As costas dele nada mais eram que uma capa de ossos.

Aproximou-se em silêncio, logo que as últimas tosses se findavam. Seu aspecto enfraquecido o assemelhava a uma planta queimada ao sol e ao fogo.

— O que está havendo? Está doente? — perguntou, deixando de lado o irônico fato de estar tentando sustentar o homem que, há dias, a sequestrara e estava a abusar de si todos os dias.

Nenhuma resposta.

Virava-o de frente outra vez, vendo o ruivo perder a batalha para manter os braços sobre o rosto. Já não mais tinha forças para isso. Tal conclusão era ácida, revoltante, e principalmente, terrivelmente depressora. Lágrimas mortas ameaçavam ressuscitar, mas não deixaria. Não cometeria aquele ato nunca mais.

— Está gelado... — constatou Ino, assustando-se com a perda de temperatura tão veloz que ele possuía. Mais uma vez guiada pelo instinto, o sentava na cama, usando do cobertor preto para aquecê-lo.

Por um instante, a olhou com demasia e concentração. A ajuda dela era sádica, nada inteligente. Ela estava a ajudar quem a prendia, não conseguia entender. Como também não compreendia como ela poderia mesmo ajudá-lo. Ele não era alguém a merecer tal privilégio.

******

A garrafa de vodca estava jogada. O compacto quarto de hotel não passava de plenos metros quadrados de um muquifo, assim como toda aquela atrasada cidade parecia ser. Já havia passado o efeito da heroína mexicana que tinha trazido consigo naquelas surradas mochilas. Tinha que conseguir mais heroína, um pouco mais de bebida, cigarros e, talvez, caso existisse naquele local isolado, um pouco de buprenorfina para misturar.

Erguia-se na cama desarrumada.

O Dirt havia partido para Tóquio. Tinham-lhe deixado naquela cidade de quinta. Mas não se importava. Não se importava. Tinha um dejeto de curiosidade. Aquela maldita rosada. Por que a decepção dela o incomodava? Não deveria incomodar. Não fazia sentido nenhum.

É talvez Kiba tivesse razão... Sua cabeça deveria estar mais revirada que a cova feita por um cachorro de madrugada. Cova... Costumavam dizer aquela palavra a ele. Mas esta também não o importava. Se estivesse mesmo cavando a própria cova, não dava a mínima.

Nada lhe importava. Nem o Dirt. Nem os fãs. Nem sua guitarra em tom de cereja vencida. Somente uma coisa estava a rondar-lhe a mente de modo quase irritante: a rosada.

Iria descobrir seu endereço, ficar em silêncio em sua linha de telefone por horas, verificar sua rotina, suas roupas no varal. Logo aquilo iria passar. Era sempre assim: enjoava-se de tudo. Até de si mesmo.

Pegou o telefone fora do ganho na mesa de cabeceira do quarto. Aquela porcaria de hotel deveria ter uma lista telefônica.

— É Uchiha Sasuke, do 3H, quero uma lista telefônica dessa cidade. Agora.

******

Deslizava a camisola cor de rosa pelo corpo. O dia havia passado como o vento, e mal pudera se dar conta do que havia feito direito ao longo das horas. A sala não era a mesma sem ela. O intervalo não era o mesmo sem ela. Eles já não eram os mesmos sem ela. E o tormento de Yamanaka Inoichi apenas aumentava, sem que pudesse dizer: “tio, está tudo okay, a Ino está aqui em casa”. Ah...! Como gostaria de ligar para a residência dos Yamanaka e proferir aquela costumeira frase novamente.

A única pista que tinham era: o rapaz que a levara era ruivo. Shikamaru havia conseguido lembrar-se de cabelos muito vermelhos, e era tudo que afirmava ter certeza: cabelos vermelhos como sangue. Toda vez que via algum ruivo na rua, seu corpo estremecia, sua mente congelava, e a raiva que subia-lhe nos punhos era estratosférica. Iria encontrar aquele ruivo, iria encontrar Ino de qualquer maneira. Sua amiga voltaria, ou jamais se perdoaria por aquele fatídico dia.

O pior show de todos, o sumiço de Ino, a maior decepção de sua vida. Era um dia para ser esquecido com louvor!

Parando de escovar os cabelos róseos, Sakura sentou-se em sua cama. Naruto também estava estranho, falando somente de Hinata, perguntando somente de Hinata. Será que a paixão do loiro por si não existia mais? Não que algum dia tivesse dado confiança a ele, o via só como amigo, mas vê-lo interessado em Hinata incomodava. Incomodava muito. Talvez, estivesse ficando feia também com todo aquele estresse que estava passando.

Deu um pequeno pulo na cama. O telefone estava tocando aquela hora? Quem seria?

Com uma das sobrancelhas arqueadas, pegou o objeto vermelho, dado por Ino de presente em seu último aniversário.

— Sim? — saudou, aguardando quem quer que fosse, responder.

Mas nenhuma resposta era ouvida. Apenas uma ofegante respiração.

— Sim?! — disse com mais firmeza, irritando-se.

Nada.

— Escute aqui!! Se não vai falar nada, não ligue outra vez!! — explodiu, findando a chamada com um forte encaixe do telefone no ganho.

Era só o que faltava. Trote há uma hora dessas!

******

Não conseguia entender, e aquela grande intriga a fazia bater os dedos freneticamente na mesa de madeira. Quem ele pensava que era para trancá-la depois dela tê-lo ajudado? Ele havia a trancado no porão escuro e fétido da casa por mais de cinco horas, e agora estava ali, como se nada houvesse acontecido.

O olhava com receio, segurando-se para não falar. Aliás, a falta de comunicação a que ele a submetia estava a fazê-la perder as estribeiras. Ela necessitava de falar! Era como o oxigênio. Não nascera para ficar quieta, para virar aquela bizarra estátua que ele era.

— Já chega!!! Não dá!!! Não dá!!! Não dá!!! — esbravejou, levantando-se da cadeira e batendo forte as mãos na mesa. Ele se virou de leve, encarando-a. _ Estou calada esse tempo todo por medo de você me fazer algo, mas não dá!!!! Qual é a sua hein?!?! Por acaso é louco?! Por que não está em um hospício?!?! EU TE AJUDEI!!! Te ajudei a não morrer sufocado!!! E você me tranca naquele porão por horas?!?! E agora está preparando comida?!?! É demais para mim!!! Você tem que ser INTERNADO. — decretou, fazendo questão de dar uma sonora ênfase na palavra final.

Bufando-se, se sentava na cadeira mais uma vez, de braços cruzados em repreensão. Queria respostas. E se não as tivesse, colocaria em ação seu plano b: empurrá-lo e fugir. Fraco como estava, demoraria a levantar e as frações de segundo seriam suficientes para que fugisse com sucesso.

Calado, Gaara piscava devagar, observando-a contorcer o rosto como uma menina mimada, decidida a ganhar o que pedira. Calmo, silenciosamente tentava compreendê-la. Ela falava em demasia. Perguntava em demasia. Ela era uma grande união de expressões e reações. Sorriu singelo, divertido. Alguém como ela não deveria mesmo ter ajudado alguém como ele.

— DIZ ALGUMA COISA!!!!! — berrou Ino, gesticulando com as mãos.

— O pão quente está pronto. — avisou, colocando a frigideira velha sobre a mesa e arrastando-a um pouco até ela.

A Yamanaka olhou para o pão. Tinha manteiga derretida e um pouco de queijo, e prontamente seu estômago respondeu, entusiasmado. Ele sabia cozinhar?

— Quem é você...? — perguntou, exausta, em último fio de esperança.

Os olhos azuis encaravam os verdes, trancados; Ela também o achava louco, também o queria longe, e tal fato inspirava-lhe um desapontamento que, de alguma forma, não sabia nem identificar.

Ele não possuía o vasto conhecimento dela a respeito de emoções. Mas, o pouco que conhecia era o bastante para querer afastá-las de si.

— Coma. — ordenou, olhando do pão para ela.

— Por que estava tossindo daquele jeito? — insistiu, olhando-o pela primeira vez com atenção; sem desviar o olhar.

— Não é importante. — resumiu, arrastando mais a frigideira para perto dela.

— Não vai comer também? — questionou Ino, segurando o cabo da frigideira, que ele já encostava-lhe nos dedos.

Estremeceu. Não esperava por essa.

E a primeira alteração em suas feições fora percebida por Ino, que partiu um pedaço do pão, estendendo a ele. Teria suas respostas.

— Você não come... Não dorme... O que você é? — talvez, essa fosse a pergunta correta.

Ela era a primeira a conseguir sua empatia tão rápido. A primeira a adivinhar que realmente não era alguém. Era algo indesejado.

Notas finais
Próximo cap terá um hentai meio forte, então, não digam que não avisei okay?? Thank for all!!! Comentem galera, a opinião de vocês é a mais importante. :* Fran.