Evil Love
5 Capítulo 5: Bonecas defeituosas.
Notas iniciais
A colocava sob uma das cadeiras, sentada, mas logo seu desmaiado e inerte corpo caía de tronco à mesa. Quando acordasse, seria fácil se alimentar estando já posta para isso. Virado para a pia, ele se concentrava em suas pequenas donzelas defeituosas e mutiladas. Há tempos não as revivia, mas agora, com o aroma floral dela por toda a casa, lembrava-se de seu antigo passatempo favorito. O cigarro era levado a boca algumas vezes, e os sádicos olhos verdes contemplavam a rainha. Quem seria o rei e a rainha dos adolescentes abandonados, aprisionados e prestes a morrer em pancadas? Continuava a analisar minuciosamente as antigas bonecas de sua irmã, no qual criava seu próprio teatro de horrores.
O estômago lhe doía pela falta de comida, mas não se importava.
Acordava atordoada e trêmula, olhando para todos os lados. Mas tudo que podia ver era ele. De costas, exibindo sua coluna, fazendo algo na pia. Rapidamente lembrava-se do que havia se passado. Tinha que fugir daquela casa! Tinha que fugir dele! Firmou as mãos na mesa, porém ainda sentia-se fraca. Fez menção em se levantar, mas assim que ele se virou para encará-la, manteve-se imóvel.
— Coma. — ordenou, cético, voltando para sua doentia e arrastada tarefa.
Ino ergueu um pouco a cabeça, para poder espreitar com mais detalhes o que ele tanto fazia. Arregalou os olhos, confusa, não compreendendo o porquê ou qual razão o levava a brincar de bonecas naquela idade. Reparou mais afundo nas bonecas. Por que estavam tão mal cuidadas e assustadoras? Olhou novamente para o alfinete que tinha no pulso, mantendo o maço de chaves preso. A sutil ferida de aspecto horrorizante a incomodava. Cada vez mais, acreditava mais assiduamente de que ele não fosse capaz de sentir dor.
Pegou o pão a sua frente e deu uma generosa mordida, sentia que poderia apagar novamente se não colocasse algo boca abaixo. Levantou-se da mesa e notou os botões fechados da camisa xadrez que vestia. Por que será que ele havia os fechado? Não gostaria de acreditar fielmente que ele não passava de um maníaco. As muitas indagações que tinha sobre ele em sua mente não a permitiam acreditar. Talvez, houvesse algo de bom em seu psicótico eu.
— Por que faz isso com elas? — interrogou, curiosa, colocando-se ao lado dele.
Os mórbidos olhos verdes encararam os azuis. E de seus olhos voltou-se para o colo alvo e protuberante na camisa. Logo que estivesse suficientemente alimentada, a possuiria.
— Elas são defeituosas. Nasceram podres. — explicou, colocando os braços e as pernas de uma boneca em lugares opostos.
Engolindo seco, a loira assistia a estranha cirurgia realizada pelo ruivo nas bonecas. Tinha que fugir antes que ele desse-lhe aquele trágico e horrendo destino. Não sabia nada sobre ele. Mas talvez soubesse o bastante para temê-lo. No entanto, havia ainda a insistente parte de si, que o defendia mesmo em meio suas plácidas loucuras. Apanhou uma boneca. A única que possuía todos os membros, e em seus devidos locais. Ajeitou os cabelos loiros com as pontas dos dedos, arrumando-a. Ele a observava, atento.
— Não acha que ficam mais bonitas assim? — questionou, sorridente, mostrando a boneca com melhor aspecto. Tinha uma igualzinha em sua casa, guardada junto a caixas de fotografias e antigas agendas escolares.
Com o cenho fechado, ele encarava o sorriso nítido que ela exibia. Sentia vontade de arrancar-lhe a pele do rosto, para que não jogasse a realidade ao desperdício novamente. Ela não poderia sorrir para ele. Ninguém sorria em sua presença. A sensação lhe era nova, e não aprovava. Preferia continuar trancado em seu túmulo atolado com areia e demônios.
— Por que não contrata uma prostituta? — a pergunta o pegava de surpresa, fazendo-o descer de seus pensamentos. _ Eu poderia ir embora e seria muito mais fácil para você. — afirmou, tentando compreender a insana situação em que forcadamente estava.
Não iria respondê-la. Não sabia respondê-la. Ela jamais entenderia seu fascínio por observá-la, gostaria de ser enterrado em seu útero, vivendo eternamente por lá, dentro dela. Era entorpecente, viciante e, tudo que a formava, era um alucinógeno entretenimento. Concentrava-se em suas últimas mordidas no pão. Quando o último pedaço era enfim cessado de mastigar, a puxava brutalmente pelo pulso, praticamente arrastando-a escada a cima.
Adentrava o primeiro quarto, onde ela deveria ter estado todos os dias, mas a ideia de observá-la a noite fora mais forte, fazendo-o levá-la para seu quarto. Fechava a porta, prensando a loira nela. Colava o corpo dela ao seu, aspirando seu cheiro.
Ino tentava afastá-lo, mas novamente, via-se completamente refém daquele insaciável e compulsivo homem. O sentia abrir devagar os botões de sua camisa, tocando-lhe os seios com força. Apertava-os com desejo, introduzindo a língua em sua boca, em um corrosivo beijo. A hipótese de morder-lhe a língua já não era mais ativa, não adiantava mordê-lo, ele parecia não sentir. E devolvia-lhe na mesma moeda. Desistiu de socar novamente a ponta de uma faca, permitindo que ele a beijasse a sua maneira. Seu lábio inferior era mordido com força, e poderia vê-lo sorrindo de desejo. Seu sorriso era como de um cadáver em um necrotério, entretanto, sua pele excessivamente alva repleta de cicatrizes davam o reflexo de dor, sofrimento, depressão;
O grosso e ereto membro já era posto a fora por ele, que abria a braguilha com pressa, erguendo-lhe a camisa xadrez para roçá-lo com violência em sua intimidade. As lágrimas já começavam a descer uma vez mais de seus olhos, cansados. Os arregalava ao vê-lo abaixar-se um pouco, tomando seu seio direito por entre os lábios, enquanto a gélida mão direita massageava seu seio esquerdo com voracidade, sem o mínimo cuidado. Gemia em dor, ao ter o mamilo capturado pelos dentes lascivos dele, que machucavam seu seio sem remorso. Puxava os fios escarlate em represália, na desesperada tentativa de fazê-lo se afastar, mas o toque mais brando em sua bunda a surpreendeu, fazendo-a desfocar sua atenção por um instante. Era tudo que precisava para imobilizá-la novamente.
Depressa já retirava a corda de seu bolso, amarrando-a nos pulsos avermelhados de Ino, que gritava, na esperança longínqua de que alguém a ouvisse. Sem rodeios tirava a camisa xadrez que a cobria, jogando-a em um canto qualquer do quarto assim como suas calças, e impaciente já a conduzia para a cama ausente de lençol, no qual se sentava e a forçava a ajoelhar-se no chão.
— Para com isso... Me deixa ir embora... — suplicava a loira, chorosa, imaginando o que teria de fazer.
— Sugue. — ordenou, ignorando por completo suas palavras. Levava uma das mãos ao próprio membro, masturbando-o alguns breves minutos, enquanto ela ainda o olhava em busca de uma mudança de planos. Mudança que ele não faria.
A pegou violentamente pelos cabelos, reunindo os longos fios loiros em suas mãos, dominando-os com raiva. Ino gritou de dor, mas suas mãos amarradas não alcançavam as dele.
— Se não fizer, ou fizer qualquer coisa errada, te mato. — ameaçou, frio, erguendo-lhe o queixo para poder encará-la com cólera. _ E vou rasgá-la. — completou, sádico, sorrindo em vitória.
Assustada, Ino abaixou a fronte, sem escolhas. Lambia a glande lentamente, retraída. As mãos amarradas levava até a base, segurando o membro para que não tivesse de mexer muito a cabeça. Sentia sua cabeça doer, talvez fosse pelo excesso de choro ou a má alimentação brusca dos últimos dias, não sabia. O ouvia suspirar de prazer, com seus terríveis olhos verdes cravados em si. Ele parecia não fazer a mínima questão de deixá-la mais confortável, somente apreciava as sensações que o toque lhe proporcionava. Duvidava que ele sentisse prazer de fato, era como uma estátua. Frio; mórbido; inexpressivo. Enfim passou a sugar o pênis com mais avidez, colocando-o em sua boca até onde seus limites naturais lhe permitia. O olhava, e de repente, via-se tentada a provocar alguma reação nele. Será que não sentia realmente nada? Será que somente gemia quando gozava? A estranha falta de humanidade nele lhe incomodava.
Usou as mãos para massagear a base do membro, conseguindo um novo suspiro prazeroso do ruivo. Apenas suspiros... Ele aparentava notar sua dedicação repentina, e na melhor das hipóteses, talvez não fosse feri-la tanto por hoje. Por mais que a ideia lhe revoltasse, tinha de se render a ele. Teria que sobreviver se quisesse realizar a única meta que agora tinha: fugir. Comprimia os lábios sugando mais depressa, tomando cuidado com os dentes. Ele a colocava sob controle mais uma vez, puxando a raiz do longo cabelo loiro, guiando a cabeça dela.
Ino tentava não gritar e continuar em sua tarefa, mas não estava conseguindo obter êxito em tal atividade. Sua cabeça estava tão dolorida quanto sua bunda, com marcas vermelhas dos fortes tapas que levara dele.
Gaara abaixava o corpo e colocava a boca nos ouvidos dela. Não esperava uma colaboração tão rápida, mas era bom que ela soubesse que aquilo não lhe renderia nada.
— Mais rápido. — dizia, enquanto deslizava uma das chaves do maço para fazer um novo corte na loira. Dessa vez, no ombro esquerdo.
Ino emitia um pequeno gemido de dor, e retornava a sugar o membro com mais velocidade, sentindo-o pulsar mais.
Fechava os olhos, uma ideia acabava de lhe passar pela cabeça, e o sabor amargo daquilo o fazia suspirar mais vezes, concentrado na língua quente que o envolvia. Ela era dele. E seria dele até que se cansasse. Abriu novamente os olhos, encarando-a chorosa, chupando-lhe o membro. Já havia decorado cada parte de seu corpo, e cada marca que também havia dado a ele, demonstrando sua obsessiva posse.
Levemente ofegante, sentia mais prazer. A colocaria para sugá-lo mais vezes. A via um tanto ofegante também, os firmes seios subiam e desciam. Os mamilos avermelhados fruto do trabalho de seus dentes, e um hematoma mais evidente podia ser notado em um deles.
Já passava-se mais de trinta de minutos, e disto a Yamanaka tinha certeza. Certeza e pavor, pois estava a fazer sexo oral nele há muito tempo, e ele não dava nenhum sinal de estar próximo de gozar. Tal conclusão lhe causava medo, ele não era nada comum.
Em um descuido, seus dentes a traíram, roçando levemente na glande.
— Ah... — o ouvia gemer praticamente inaudível, surpreendendo-a. A dor estava cravada nele, e talvez a chave para dar-lhe prazer estivesse nessa psicótica constatação.
Um tapa violento era disparado em sua bunda, e ela acompanhava o riso com toques de maldade dele. Estava se divertindo. Estranhamente se divertindo. Arregalava novamente os olhos azuis, em choque, porém, consideravelmente impressionada.
Persistiu sugando-lhe o grosso e pulsante membro por mais alguns minutos, até que o sentia crescer em sua boca, e o característico gemido final era emitido. Apressada, tentou afastar a boca, mas ele não deixou, forçando-a a receber seus jatos de sêmen. Eram muitos, e Ino se engasgava, o líquido esbranquiçado escorrendo-lhe pela borda dos lábios.
— Que nojo!!! — exclamava, irritada, cuspindo parte no chão assim que as mãos dele soltaram seus cabelos.
Ele ria, trazendo-a para seu colo sem aviso, brutalmente. Fechava a mão envolta do pescoço dela, apertando-o o suficiente para uma ameaça de sufocamento.
— Vai fazer isso de novo amanhã. — decretou, satisfeito, mordendo-lhe o macio pescoço mais uma vez, enquanto as mãos, assíduas, mantinham a loira colada a si. _ Tome um banho. — ordenou, jogando-a na cama e se levantando. A trancaria depois.
Encarando o olhar dela, ele colocava as calças, não dando-se ao trabalho de fechar a braguilha desta vez.
Não explicaria o caminho até o banheiro. Ela teria de gravar;
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— Eu vou tirar essa porra a limpo agora!!! O tio Inoichi tem toda razão de ir na polícia!! Shikamaru pode ter tido uma merda de uma amnésia, mas não dá para esperar até a memória dele voltar para ir atrás da Ino!! — exclamava Naruto, aos berros, caminhando com seus all star laranja em meio ao asfalto coberto de bebidas, cheirando a vaselina e vômito. Este era o resultado de um dia após o show do Dirt.
— A gente tem que quebrar aquela delegacia, Naruto!!! Eu quero a minha porquinha de volta!! Aconteceu alguma coisa, eu tenho certeza!!! — argumentava Sakura, procurando em sua pequena bolsa cor de rosa, repleta dos mais diversos chaveiros, seu celular.
— Vamos investigar isso. — afirmou, passando por cima de um pôster onde Uchiha Sasuke estava ao centro.
Parando de caminhar, Sakura observava o pôster jogado na lama. Os seus haviam ido para o lixo... Talvez, não passasse maior lerda do planeta. Simplesmente por não conseguir odiar o Uchiha o bastante. Passara mais de dois anos tendo-o como ídolo, acreditar que ele havia falado daquela maneira dos fãs que o mantinham rico e famoso parecia uma analogia, uma analogia à ilusão. Gostaria de estar chapada no momento, mas, para sua infelicidade e indignação, estava mais lúcida do que em uma triste manhã de segunda-feira.
— Hey Sakura!! O que está fazendo olhando para esse idiota?! Anda!! Vamos!! — chamou Naruto, virando a primeira esquina.
Suspirou fundo, deveria fazer o que era certo. Ah como queria dar um soco na própria cara!!! Um soco para compensar o fato de ainda estar pensando que... Em meio a tantos ácidos, drogas e bebidas, ele poderia importar-se mesmo com as letras que escrevia. Letras que traduziam-lhe toda uma vida;
Fechou a bolsa e colocou-se a andar depressa, afim de alcançar Naruto.
— Foi mal! — exclamou, assim que um corpo chocou-se contra o seu. Cambaleante, deu alguns passos para trás, até que a imagem a sua frente formou-se com nitidez.
Não podia acreditar. Não podia mesmo acreditar...
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Dentro da van, caminhava de um lado para o outro. De hoje a surra que daria em Sasuke não iria passar;
— Hey, Neji! Para com essa merda, está me irritando! — reclamou Kiba, tomando um gole de sua cerveja. Afinava seu baixo por pura questão de tédio, logo iriam partir de volta para Tóquio. Mal via a hora de deixar aquele projeto de cidade. Desviou os olhos novamente até ela. Era tão gata, tão meiga... Não poderia ser mesmo prima de Neji. Sorriu, encarando as bochechas coradas da jovem. Pelo visto, havia conseguido sua atenção...
— Por que a gente não deixa o cuzão do Sasuke aqui e dá o fora? — sugeriu Suigetsu outra vez, abrindo uma lata de refrigerante. Com suas baquetas em mãos, as jogava para o alto, tomando um rápido gole e as pegando no ar. Ria, debochado. _ Esse cara é um baita pé no saco, puta que pariu! Achei que ele iria morrer de tanto vomitar ontem... — ria, sentando-se desleixadamente ao lado do baixista.
— Sai para lá Suigetsu, está cego é? Estou afinando meu baixo, vaza! — indicou Kiba, apontando para a outra poltrona da van.
— Nossa, que mau humor vocês!!! Não sei como suportam o “senhor estrelinha” há dois, eu já tinha o expulsado. — em mais uma indireta, sorria irônico, levantando-se e indo até a outra poltrona. _ E aí, Hinatinha? Curtindo nosso som?
— Vocês tocam muito bem... — respondia, tímida, ajeitando a barra do vestido azul, que ia-lhe até próximo dos joelhos. Olhava brevemente para Kiba, seu rosto ardia. Não compreendia o porquê de tamanha encaração, sentia-se envergonhada.
— Qual de nós é o melhor? — questionou Kiba, em um sorriso atento.
— Ah, acho que meu primo... — preferiu responder, sorrindo doce para o primo na porta da van, que prosseguia aguardando a chegada de Sasuke. _ … Minhas amigas são fã do Uchiha. — revelou, talvez, conseguisse algo que alegrasse Ino e Sakura na segunda.
Ninguém sabia de seu parentesco com Neji, o vocalista do Dirt, e pretendia contar para as meninas assim que a segunda-feira chegasse.
— Tsc... Desperdício! Aquele lá não passa de um mala, Hinatinha. — opinava Suigetsu, jogando a latinha de refrigerante no chão e pisando em cima dela. _ Mas acho que depois de ontem, ele perdeu muitas fãs...
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Estava trancada há mais de quatro horas. Enquanto tomava banho, sentia inúmeras partes do corpo lhe doerem, e algumas, arderem. Algumas que nem sabia existir com precisão. Ele a penetrava fundo, e estocava sempre com violência e pressa. As consequências de cada ato sexual que tivera com ele estava começando a surgir.
Os hematomas estavam finalmente bem arroxeados, doendo; os finos cortes que ele lhe fizera ardiam quando encostava a mão por descuido, e sua cabeça latejava em uma dor constante. A raiz dos cabelos loiros estava avermelhada, com alguns pontos mais destacados. O choro cessava mais uma vez e, exausta, as pálpebras começavam a pesar, ignorando a fome, sede e o desconforto naquele horrível colchão. Cobria-se com a camisa, tendo ajuda de seus cabelos. Também sentia frio, a noite caía, e das frestas da janela trancada por fora, poderia ver com dificuldade algumas isoladas estrelas.
O aroma de cigarro aproximava-se, e trêmula, ela se encolhia no colchão, já sabendo de sua chegada. A porta era destrancada quase sem emitir um único ruído, e por esta ele entrava, envolto nas sombras do quarto e em sua aparência hospitalar.
— Beba. — disse por fim, estendendo-lhe um copo com água. Ino o pegava com ansiedade, tomando-o todo em poucos segundos.
O observava com o olhar curioso, não vestia as habituais calças pretas, e sim, uma vermelha, como também, pela primeira vez, o via vestindo uma camisa. A blusa branca não tinha detalhe algum.
— Venha. — disse, inexpressivo, dando as costas a ela e seguindo em direção a porta.
— Não posso, estou muito fraca. — falou, o tom cansativo. Sentia-se sem forças para erguer-se daquela cama suja e com um estranho aroma em um misto de morfina e sêmen.
Voltava, impaciente, pegando-a no colo. Ela segurava em seu pescoço sem opção, permitindo-se, por um pequeno instante, repousar a cabeça dolorida no esguio peito do ruivo. Ele a olhava confuso, deixando o quarto e logo passando pelas escadas.
À penumbra da sala, somente a garrafa de vinho e o cinzeiro eram vistos. Sentava-se em sua poltrona de braços sem espuma e rasgados, e em seu desgastado trono, a ajeitava em seu colo, cobrindo-a com seu velho cobertor vermelho, manchado de sangue, vômito e lágrimas empoeiradas com o tempo. Com a janela fechada, ordenava sério:
— Vamos assistir a noite.
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